CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

domingo, 19 de fevereiro de 2023

7 083 - A mudança dos Cavaleiros do Norte para o BC12 de Carmona!

Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV 8423, a de Zalala, homens das Transmissões: António Lago e Rogério
Raposo (que amanhã faz 71 anos) e António Lago. Em baixo, Carlitos, José Aires, 1ºs. cabos Ângelo
 Lourenço e Hélio Cunha e Fernando Coelho
O BC 12 no tempo dos Cavaleiros do
Norte do BCAV. 8423, em 1975

O comandante Carlos Almeida e Brito esteve na Zona Militar Norte (ZMN), em Carmona e a 19 de Fevereiro de 1975, há 48 anos, para «ultimar os aspectos da rendição do BC12»
Na prática, ultimar a rotação dos Cavaleiros do Norte, do Quitexe para a cidade capital da Província do Uíge - e que este nome passaria a ter depois da independência.
Este tipo de reuniões de trabalho repetiu-se a 20, 25, 26, 27 e 28 - o que, na prática, antecipava a rotação dos Cavaleiros do Norte para a cidade de Carmona. Já não era para Luanda, como se chegou a admitir e o que nos desgostava por um lado e agradava por outro. Neste caso, porque era pacífica a situação no Uíge; naquele, porque a capital fervilhava de pequenos e grandes incidentes e não era raro surgirem notícias de mortos e de muitos feridos.
O então tenente-coronel (e futuro general) Carlos José Saraiva de Lima Almeida e Brito, normalmente, era acompanhado do capitão José Paulo Falcão - o oficial adjunto e de operações (que, de resto, já interinamente comandara o BCAV. 8423) - e estas reuniões de trabalho analisavam os pormenores processuais da rendição de pessoal do BC12.
Notícia do Diário de
Lisboa de 19/02/1975

Fascismo e colonialismo,
Agostinho Neto no Congo!


A capital Luanda, a propósito e por este tempo de há 48 anos, é que continuava pouco pacífica. 
O «Diário de Lisboa« de 19 de Fevereiro (ver imagem) dava conta da denúncia dos industriais pesqueiros, que pediam «uma maior repressão à banditagem que campeia no porto pesqueiro, o que está a provocar grandes prejuízos à indústria e a prejudicar o abastecimento de pescado à capital».
Agostinho Neto presidente do MPLA, por sua vez e depois de uma visita a Cabinda, partia para Brazaville e Ponta Negra, onde iria conferenciar com dirigentes da República do Congo. No enclave e durante um comício, recordou aos guerrilheiros do MPLA «o internacionalismo da luta travada, que fez das vitórias alcançadas por eles vitórias dos povos das outras ex-colónias portuguesas, visto serem os mesmos objectivos os que se pretendem alcançar e o mesmo inimigo a combater».
Citou o povo português, que «conseguiu expulsar o fascismo e o colonialismo» e que o povo de Angola «tendo-lhe sido reconhecido o direito à independência, não tem contradições especiais com o povo português».

Rogério Raposo
em 2019

Raposo de Zalala,
71 anos em Sintra!


O Cavaleiro do Norte Raposo, combatente da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, festeja 71 anos a 20 de Fevereiro de 2023. Amanhã!
Rogério Silvério Raposo, de seu nome completo, foi especialista de transmissões e regressou a Portugal no dia 1 de Setembro de 1975, evacuado do Hospital Militar de Luanda.
«Tive problemas na pele, depois do rebentamento de um granada, ainda em Carmona», recordou este rádio-telegrafista, que nos anos 90 do século XX voltou a Angola e por lá fez vida profissional, a partir da cidade de Viana e até 2015. Trabalhava numa empresa do sector das madeiras e recordou-nos que «uma vez, fui a Zalala, em serviço, mas nada estava igual». E não era para melhor.
Quando passámos pelo Uíge, a 24 e 25 de Setembro de 2019, fomos aconcelhados, à saída do Quitexe e na Estrada do Café, para não nos aventurarmos pela picada zalaliana.
O Raposo regressou a Portugal e mora em Sintra, para onde e para ele vão os nossos parabéns!

sábado, 18 de fevereiro de 2023

* 7 082 - A Escola de Recrutas, há 49 anos, dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 !

Os Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423 voltaram ao RC4, a sua unidade mobilizadora
 e de instrução, no dia 3 de Junho de 2017 e lá realizaram o seu encontro anual
O condutor Vicente, o atirador Marco e os furriéis
 milicianos Viegas e Neto, a 28 de Março de 2017, na
entrada do RC4, em Santa Margarida


Os exercícios finais da Escola de Recrutas do BCAV. 8423, os futuros Cavaleiros do Norte atiradores de Cavalaria, começaram a 18 e terminaram a 22 de Fevereiro de 1974.
Já lá vão 49 anos!
O tempo voou!!!...
Os também chamados exercícios de campo, envolveram já, segundo a Ordem de Serviço nº. 4, do RC4, de 6 de Março de 1974, os quadros não especialistas - e os futuros atiradores integravam três Esquadrões de Instrução (o 4º., o 5º. e o 6º.), que seriam as futuras 1ª. CCAV., 2ª. CCAV. e 3ª. CCAV. do BCAV. 8423.
O livro «História da Unidade» lembra que decorreram na chamada Mata do Soares, à volta do Campo Militar de Santa Margarida, e que o BCAV. 8423 «completou deste modo a primeira parte da instrução, a chamada instrução especial».
A estrutura orgânica da unidade já estava definida, sendo comandante do Batalhão o tenente-coronel Carlos José Saraiva de Lima Almeida e Brito, oficial de Cavalaria. O 1º. comandante seria o major José Diogo Ornelas Monteiro (que acabou por não seguir para Angola, «desviado» para a Guiné, pelo MFA) e os comandantes de companhia eram os capitães António Martins de Oliveira, do SGE (da CCS, a do Quitexe), e os milicianos Davide de Oliveira Castro Dias (da 1ª. CCAV., a da Fazenda Maria João, a de Zalala), José Manuel Romeira Pinto da Cruz (da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa) e José Paulo de Oliveira Fernandes (da 3ª. CCAV. 8434, a da Fazenda Santa Isabel).

Daniel Chipenda, dissidente do
 MPLA, e Holden Roberto,
presidente da FNLA

MPLA acusou Chipenda
de se vender aos interesses
estrangeiros!

Um ano depois e já em Angola, o chefe da delegação do MPLA em Luanda, Lúcio Lara, acusou o dissidente Daniel Chipenda de se «vender aos interesses estrangeiros» e de «lançar a instabilidade no nosso país». 
Salientou que os militares leais a Chipenda eram «veteranos da guerra contra o colonialismo português» e exortou-os «a lutar patrioticamente por uma Angola melhor, mas sem armas, ou pelo menos sem armas que ameacem o nosso povo».
Na mesma Luanda, Ngola Kabangu, ladeado por Samuel Abrigada (Ministro da Saúde) e Hendrick Vaal Neto (Secretário de Estado da Informação), todos da FNLA, pediu ao Governo a dissolução imediata das Comissões Populares de Bairro e testemunhava a rejeição do seu movimento «a qualquer acto susceptível de provocar uma guerra fratricida» e que «não permitirá  a instalação de um clima de insegurança e de anarquia no país».
Agostinho Neto, presidente do MPLA, regressado de Cabinda, a Lisboa, considerou o imperialismo como «o principal inimigo do povo». O imperialismo e «o seus agentes».

Manuel Oliveira

Oliveira de Aldeia Viçosa
faz 71 anos em Penafiel !


O soldado Manuel Joaquim Martins de Oliveira, Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423, festeja 71 anos a 18 de Fevereiro de 2023. Hoje mesmo!
Cozinheiro de especialidade militar, também passou por Carmona e regressou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975, fixando-se no lugar de Serra, freguesia de Canelas, do município de Penafiel, a partir de onde exerceu a sua actividade profissional como motorista de longo curso.
Um AVC sofrido em 2000, levou-o, infelizmente, a que tivesse de antecipar a reforma, em 2001, e lá por Canelas de Penafiel continua a viver, sendo participante habitual dos encontros anuais dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa. 
O nosso abraço de parabéns!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

7 081 - As expectativas de rotação dos Cavaleiros do Norte e Daniel Chipenda entre a FNLA e o MPLA!

Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel e todos furriéis milicianos: José
Querido, Victor Guedes (falecido a 17/04/1998), António Fernandes, Agostinho Belo (de óculos e
bigode, que hoje festeja 71 anos no Retaxo, em Castelo Branco) e Ângelo Rabiço
Fernando Pires (que hoje faz 71 anos, em
Cascais) e Luís Costa, furriéis milicianos
 do Pelotão de Morteiros 4281
Noticia do Diário de Lisboa
de 17 de Fevereiro de 1975


O dia 17 de Fevereiro é dia de natal para dois Cavaleiros do Norte, ambos furriéis milicianos: o Belo, da 3ª. CCAV. 8423, e o Pires, do Pelotão de Morteiros 4281.
Há 48 anos, vamos recordar, os tempos da jornada africana dos Cavaleiros do Norte pelo Uíge angolano, eram de continuada expectativa sobre seu destino próximo: se para Luanda, se para Carmona - cidade capital do Uíge, onde ia ser extinto o BC12. 
A hora de voltar a casa, às nossas casas, aos nossos chãos e cheiros natais é que não havia mais de chegar. 
O problema da Facção Chipenda continuava por resolver, mas a UNITA, pela voz do secretário geral Miguel Nzau Puma, não punha objecções a que aderisse ao seu movimento, ou mesmo à FNLA de Holden Roberto.
Holden Roberto que, em Abidjan, capital da Costa do Marfim, afirmara na véspera que «tem sido bom o clima político que se respira em Angola». 
«Esperamos - acrescentou o presidente da FNLA - que o espírito que prevaleceu durante as conversações com os portugueses subsista, para que possamos chegar à independência sem demasiados conflitos e dificuldades».
Sobre as dissidências no MPLA, o líder da FNLA comentou que «deixaram de ser um problema de ordem interna para se transformarem num problema nacional».
«Nestas condições - disse Holden Roberto - tal problema deve ser resolvido de forma fraterna, portanto através do diálogo».
Sabemos hoje que as coisas não seriam, não foram bem assim! O tempo, ao tempo, era de esperança e confiança!
Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423: António
 Flora, Luís Costa, Agostinho Belo, Francisco
Bento e Joaquim Abrantes, na messe e bar
de sargentos do Quitexe

Belo, furriel de Zalala,
71 anos no Retaxo de
Castelo Branco!

O furriel miliciano Belo, Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423, comemora 71 anos a 17 de Fevereiro de 2023. Exactamente hoje.
Agostinho Pires Belo, de seu nome completo, foi vagomestre e regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975 - depois de terminada a sua missão angolana, que, pelo Uíge fora, o levou pela Fazenda Santa Isabel e também pela vila do Quitexe e pela cidade de Carmona. Fez carreira profissional como funcionário de Finanças e, já aposentado, mora no Retaxo, a sua terra natal, em Castelo Branco.
É para lá e para ele que vai o nosso forte e saudoso abraço de parabéns!
Fernando Pires
em 2019

Pires, furriel dos Morteiros, 
71 anos em S. Domingos 
de Rana!

O furriel miliciano Fernando de Freitas Reimão Pires, do Pelotão de Morteiros 4281, festeja 71 anos a 17 de Fevereiro de 2023. Também hoje, como o Belo.
Natural do Porto e regressado a Portugal já «preso» d´amores pela sua «mais-que-tudo» de sempre (enamorados desde o Quitexe das nossas muitas saudades!!!...), foi profissional da GNR, nesta qualidade integrando em forças especializadas que, em várias e sucessivas missões - Bósnia e Timor, por exemplo, o levaram a vários teatros de guerra espalhados pelo mundo.
Actualmente e como sargento-mor aposentado, mora em S. Domingos de Rama, no município de Cascais, para onde vai o nosso abraço de parabéns! 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

7 080 - Cavaleiros do Norte em tempo de rotação e em ZA de intensa politização dos movimentos!

A praça principal do Quitexe, mesmo em frente à Administração do Concelho. Ao fundo e a branco,
reconhece-se da Igreja de Santa Maria de Deus, onde, em 1974/75, sacerdotava o padre Albino
Capela, da Congregação dos Frades Capuchinhos Menores
A Igreja de Santa Maria de Deus do Quitexe e, do lado direito, vários
pavilhões que servem de escola e ocupam o espaço que era das
 casernas, oficinas, balneários, cozinha e refeitório do BCAV. 8423.

Os dias uíjanos dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, por meados de Fevereiro de 1975, iam-se desarriscando do calendário, com a trafnquilidade possível,  e a tarde de 16 de Fevereiro de 1975 foi tempo de, de ouvidos colados aos pequenos transistores de pilhas, ouvirmos o relato do FC do Porto-Benfica - que 
A rua lateral do quartel (à esquerda, onde estão
 os pavilhões escolares), vista do lado da Igreja
os encarnados venceram (3-0), com golos de Victor Martins, Moínhos e Toni. Relato através da onda curta da então Emissora Nacional a actual RDP.

Uma rápida e imediata
mudança para o BC12!

Ao tempo, e já com o Comando do Sector do Uíge extinto (no anterior dia 13), discutia-se a cada vez mais iminente (e desejadíssima), rotação do BCAV. 8423. Segundo o livro «História da Unidade», «agora com a pressa de uma rápida e imediata mudança para o BC12», na então cidade de Carmona - agora Uíge.
A mudança era do «agrado geral» para os militares e, na prática, mais um passo no caminho do regresso aos seus chãos natais, mas, para os Cavaleiros do Norte levedava-se a responsabilidade operacional «numa zona de intensa politização dos movimentos emancipalistas» - a FNLA, o mais influente na nossa ZA, o MPLA e a para nós quase desconhecida UNITA.
Mal imaginávamos o que iria acontecer nos trágicos primeiros 6 dias de Junho de 1975, já Carmona - para onde rodámos a 2 de Março. E nos antes e depois esses dias de duros e sangrentos combates dentro da cidade.
As operações militares pelas matas uíjanas, os suores de medos e os arrepios sentidos nos trilhos e picadas, as patrulhas e escoltas, eram um pequenino «nada» ao pé, que se comparasse nos dramáticos primeiros dias de Junho, na capital da província.
João Lino, Cavaleiro
 do Norte de Santa
 Isabel

Lino de Santa Isabel, a 
morte, atropelado, 3 meses 
depois do casamento !

O dia 16 de Fevereiro de 1975 foi também o dos 23 anos de João Lino Oliveira da Silva, soldado atirador de Cavalaria da 3ª. CCAV. 8423 - a da Fazenda Santa Isabel. 
O Lino, cumprida a nossa jornada africana do Uíge angolano, regressou a Torre do Bispo, em S. Vicente de Paul (Santarém), a 11 de Setembro de 1975. E por lá fez vida, como trabalhador de uma empresa de PVC, em Vila Chão de Ourique, perto do Cartaxo. Compunha o rendimento familiar numa oficina de reparação de motorizadas e ainda «acudia» a outros pequenos oficiais desta área. Tragicamente, a 14 de Março de 1983 - três meses após o seu casamento... -, foi atropelado por um camião, quando seguia de motorizada, em S. Pedro (Portela das Padeiras), no cruzamento de Santarém para Rio Maior. O camião passou-lhe por cima e teve morte imediata.
«Era um bom homem, um amigo!...», recordou-nos o sobrinho Pedro Silva, que ao tempo tinha 11 anos e dele tem «muito boas recordações».
Aqui o lembramos hoje, quando faria 71 anos, evocando o Cavaleiro do Norte sempre humilde, gentil e disponível, que honrou a farda e a Bandeira Portuguesa que nos levaram ao país (Angola) que nascia e onde orgulhosamente cumprimos um dever de honra! Com garbo e sem mácula! 
Até um destes dias, João Lino! RIP!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

7 079 - Cavaleiros do Norte a matar saudades ! Incidentes em Luanda com 20 mortos!

Cavaleiros do Norte de Zalala, já em Vista Alegre e em momento de descontração musical.
Quem será o da «barbas» da esquerda? De costas, o alferes Sousa (a tocar viola e a tapar
o 1º. cabo Ferreira, Fião (?), 1ºs. cabos Ângelo Lourenço e Victor Cunha 
 (enfermeiro,
a dar biberon ao bebé do casal Sousa), Celestino Eira e a esposa do alferes Mário  Sousa

Alferes José Alberto Almeida,
oficial de reabastecimentos,
numa fazenda dos arredores
do Quitexe

Capa do livro
«História da
Unidade»
 

Há 48 anos, os dias de Fevereiro de 1975 iam passando com alguma folga e convívios inter-militares, para ajudar a matar as saudades dos chãos natais dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423.
O dia-a-dia ia sendo riscado no calendário da sua jornada africana do Uíge angolano e sem alterações muito substantivas nas suas rotinas: serviços internos, curtos patrulhamentos e escoltas.

«A actividade operacional manteve as características anteriores, com muitas visitas a fazendas e povos, o que levava a percorrer a rede estradal à nossa responsabilidade com elevada frequência», regista o livro «História da Unidade», de que nos socorremos para fazer memória desses dias de jornada africana pelo uíjano norte de Angola.

Actividade operacional que, recordemos, desde o dia 13 estava dependente da Zona Militar Norte (ZMN), por extinção do Comando do Sector do Uíge (CSU), instituições militares instaladas em Carmona - a capital do Uíge e assim chamada depois da independência, adoptando o seu nome gentio.

Daniel Chipenda (Revolta do Leste), o
jornalista argelino Boubakar Adjali
Kapiaça e Agostinho Neto (MPLA)


Incidentes em Luanda
com 20 mortos !

As principais atenções dos Cavaleiros do Norte, por esse tempo, estavam viradas para os acontecimentos de Luanda, onde forças da Revolta do Leste (a Facção Chipenda) e do MPLA se envolveram em tiroteio - quando estas se aproximaram da delegação «chipenda» - e morreram pelo menos 20 pessoas e ainda maior número de feridos.
«Forças militares mistas, constituídas pelo Exército Português e forças do MPLA, da FNLA e da UNITA, continuam a ocupar as instalações o Grupo Chipenda», relatava o Diário de Lisboa de 15 de Fevereiro de 1975, um sábado, enquanto «forças da FNLA e da UNITA guardam o Hospital de S. Paulo, onde se encontra os feridos, entre os quais sete partidários de Chipenda»
Quanto a Daniel Chipenda, desconhecia-se o paradeiro, admitindo-se, porém, que «teria já abandonado Angola».
O líder da Revolta do Leste tinha entrado dois meses antes pela fronteira leste, com cerca de 3000 homens armados, e os seus partidários ocupavam várias instalações em Luanda. Um informador militar português, entretanto e segundo o Diário de Lisboa, «desmentiu notícias postas a circular em Luanda, de que as forças de Chipenda teriam atacado um hospital do MPLA no Luso».
Assim ia a Angola de há 46 anos, fazendo caminho para a independência.
Fazenda de Zalala

Martinho, cozinheiro de Zalala,
faz 71 anos em Andorra !

O soldado cozinheiro Júlio Manuel Tavares Martinho, da 1ª. CCAV. 8423, festeja 71 anos a 15 de Fevereiro de 2023.
Cavaleiro do Norte da mítica Fazenda Maria João, a de Zalala, e depois de Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona, regressou a Portugal e a Felgueira Velha, povoação da freguesia de Seixo de Beira, em Oliveira do Hospital, no dia 9 de Setembro de 1975. Sabemos que tem estado emigrado em Andorra e para lá, ou para Oliveira do Hospital, vai o nosso abraço de parabéns!


terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

7 078 - A bravura da 3ª. CCAV. 8423 no Quitexe! Sedes destruídas e corpos mutilados e degolados !

Uma das avionetas portuguesas que, há 48 anos, evacuou da pista do Quitexe e para Luanda, os
feridos dos violentos combates entre a FNLA e a UNITA, que ocorreram na vila quitexana. As Forças  

Armadas Portuguesas, pelas terras do Uíge angolano, foram imparciais e solidárias. À esquerda,
 o 1º. cabo Deus e o soldado José Novo 
O alferes miliciano Carlos Silva,
Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423:
«Militares da FNLA e da UNITA
desentenderam e desencadearam
violentos combates»

Cavaleiros do Norte

Os dias do Quitexe do norte angolano, na realidade de 1975, há 48 anos e depois da saída da CCS do BCAV. 8423 para a cidade de Carmona, não foram nada fáceis para os Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, que lá tinham chegado a 10 de Dezembro de 1974, rodados da Fazenda Santa Isabel.
«Lembro-me dos patrulhamentos mistos das NT com as forças independentistas que, na altura, estavam em força no Quitexe, a FNLA e a UNITA», recorda o alferes miliciano Carlos Silva, atirador de Cavalaria, acrescentando uma outra memória.
A memória, recordemos, de «uma madrugada em que fomos acordados, por tiros e rebentamentos, porque militares da FNLA e UNITA se desentenderam e desencadearam violentos combates».

Sedes destruídas e corpos 
mutilados e degolados !

Aos dias de hoje e passados tantos anos, já lá vão 48 e na verdade, Carlos Silva diz que «recordo apenas alguns pormenores, porque passados tantos anos e porque não fiz registos torna-se um pouco difícil».
No entanto, fresca está a memória desse dia, pela bravura e desprezo pela vida com que os Cavaleiros do Norte «pudessem intervir, a não ser acudir aos civis (que já eram poucos) que se refugiaram junto de nós e tentar tratar dos feridos».
A evacuação dos feridos, a cargo das Forças Armadas Portuguesas, sempre generosas e sem medos, coube à 3ª. CCAV. 8423, comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes, feitas de avioneta, a partir da precária pista do Quitexe.
«Recordo um comandante, penso que da FNLA, com um tiro no peito, que quase deixava ver o coração, e um soldado da UNITA, também bastante ferido», lembra-se o alferes Carlos Silva, não esquecendo «as sedes destruídas e os corpos mutilados e degolados» desses dias da descolonização de Angola, na vila do Quitexe.
O casal Caixarias

O Caixaria do Quitexe
faz 71 anos por 2 vezes!


O soldado Raúl Henriques Caixaria festeja 71 anos por duas vezes: a do dia em que efectivamente nasceu (3 de Fevereiro) e a do dia em que foi oficialmente registado (dia 14 deste mesmo mês de 1952).
Atirador de Cavalaria de especialidade militar e Cavaleiro do Norte do PELREC 
da CCS do BCAV. 8423, regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975 e fixou-se na sua natal terra de Sarge, do município de Torres Vedras, onde ainda vive agora já aposentado e rodeado de amores e afectos a sua Alzira - a namorada da todas as saudades da altura da jornada africana e a mulher de toda uma vida comum, até aos dias de hoje.
Para lá e para ele, vai o nosso renovado abraço de parabéns!


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

7 077 - Comandante no Comando do Sector do Uíge (CSU) e a rotação para a cidade de Carmona!


Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, no Natal de 1974 e em Vista Alegre: o 1º. cabo
Hélio, Coelho (falecido em 2000), Almeida (de pé), Aires, 1º. cabo Lourenço, Costa (já falecido),
Lago, furriel João Dias - que hoje festeja 71 anos em Tomar!

O 1º. cabo Dorindo Santos
e o furriel João Dias
Almeida e Brito, tenente-
-coronel e comandante
do BCV 8423


Os dias de Fevereiro de 1975, há 48 anos, iam sendo ansiosamente riscados do calendário, embora passando-se com a mínima tranquilidade pelos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, que se  assumiam por inteiro como actores do processo de descolonização de Angola. Que estava em curso.  
Ao tempo, era cada vez mais expectável a provável (e muito desejada...) rotação para Carmona - o que, na prática, significava um novo e decisivo passo para voltarmos a Portugal e às nossas casas, ao conforto e afecto das nossas famílias. Aconteceria, a ida para Carmona, a 2 de Março seguinte!
O comandante Almeida e Brito, nesse dia de há 48 anos, deslocou-se uma vez mais a Carmona, onde reuniu no comando do Comando do Sector do Uíge (CSU), não custando admitir que essa questão (a de os Cavaleiros do Norte rodarem para Carmona) ter sido analisada. Seguramente, foi!
Outra questão esteve, seguramente, na mesa, ao que lemos no livro «História da Unidade»: a da extinção do dito Comando do Sector do Uíge, no âmbito do processo de descolonização de Angola.
O furriel João Dias, das TRMS,
e o atirador Canelas de Zalala


Dias, furriel TRMS, 1º. cabo 
Dorindo e soldado Canelas
de Zalala festejam 71 anos!


A segunda-feira de hoje, dia 13 de Fevereiro de 2023, é tempo de três Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, festejarem 71 anos: o furriel miliciano Dias, o 1º. cabo Dorindo e o soldado Canelas. 
Ao tempo da jornada africana do norte do Uíge e já em Vista Alegre, rodados de Zalala, nem sequer deram pela  coincidência.
O furriel miliciano João Custódio Dias era especialista de Transmissões e regressou à sua natal Penas Ruivas, localidade da freguesia de Seiça, no concelho de (Vila Nova de) Ourém. Fez carreira profissional como inspector da Polícia Judiciária e, já aposentado, mora em Tomar, sendo muito habitual colaborador desta página de saudades do BCAV. 8423. 
Há 48 anos, em pequenas férias e também de serviço, festejou os seus jovens e viçosas 23 anos por entre os prazeres e gostos de Luanda.
O 1º. cabo Dorindo dos Santos era mecânico-auto de especialidade militar e voltou ao Soalhal, em Ílhavo, onde nasceu e sempre fez vida familiar e profissional, trabalhando na Porcelanas da Vista Alegre. Agora e já reformado, continua a viver em Ílhavo, onde foi achado e fotografado com furriel João Dias, das transmissões (coo se vê na imagem acima).
O soldado Orlando Canelas Martins, por terras uíjanas do norte de Angola e entre os Cavaleiros do Norte conhecido como o Cabide - vá lá saber-se porquê... -, foi atirador de Cavalaria e integrou o 4º. Grupo de Combate, que era comandado pelo  alferes miliciano Lains dos Santos. Regressou aos Olivais Norte, em Lisboa, foi operador de máquinas de terraplanagem e vive em Santa Maria de Azóia, no concelho de Loures.
Para os três, parabéns!!!..., parabéns!!!..., parabéns!!!...

domingo, 12 de fevereiro de 2023

7 076 - Neto e Chipenda em tentativa de conciliação entre dissidências do MPLA!

O pavilhão do Clube Recreativo do Uíge (CRU), a 25 de Setembro de 2019, aquando da visita do furriel
Viegas à cidade do Uíge, a Carmona do tempo colonial. A Carmona do tempo dos Cavaleiros do Norte
do Batalhão de Cavalaria 8423!
Daniel Chipenda (à esquerda) e Agostinho Neto (à
direita)com um jornalista argelino que, ao tempo,
reportava os acontecimentos de Angola



Aos 12 dias de Fevereiro de 1975, há48 anos..., sabia-se por Angola que uma delegação da UNITA se deslocou a Ninda (no leste), onde Daniel Chipenda se aquartelava, na perspectiva de sanar as diferenças que tinha com o MPLA. 
Chipenda, antigo futebolista do Benfica e da Académica de Coimbra, liderava uma das facções dissidentes, depois de contestar a liderança de Agostinho Neto e ser expulso do movimento. Em Luanda, e já desde o dia 4 desse Fevereiro de há 45 amos, estavam Mário Andrade, Joaquim Pinto de Andrade e Gentil Viana, da Revolta Activa - outra facção dissidente do MPLA, que também discordava da orientação de Agostinho Neto.
A conciliação entre as gentes do movimento, admitia-se na altura e segundo a imprensa, era tida como «possível nos próximos dias» e saudada pelos meios políticos luandenses como sendo «um factor positivo na etapa final que levará à independência de Angola, no próximo dia 11 de Novembro».
José Frangãos
o 1º. cabo Cuba
O Frangãos e
2018, em Cuba

Frangãos, o Cuba da 
CCS, 71 anos em... Cuba!

O 1º. cabo Frangãos, mecânico-auto da CCS do BCAV. 8423 e pela jornada angolana do Uíge angolano conhecido como Cuba, festeja 71 anos a 12 de Fevereiro de 2023. Também hoje!
José das Dores Caeiro dos Frangãos, é este o seu nome completo, foi especialistas de mecânica-auto da CCS do BCAV. 8423 e natural da alentejana Cuba, por isso Cuba lhe chamavam..., aonde regressou a 8 de Setembro de 1975. E por lá, o Caeiro.
A Cuba natal foi por onde fez (e faz) toda a sua vida pessoal e familiar, à mecânica continuando ligado e também ao futebol, como no Quitexe mas por cá como atleta e treinador. Também à música e organização de eventos, e por lá ainda vive, feliz da vida e para lá indo o nosso abraço de parabéns!
Carlos Costa
o Mouraria

Costa, o Mouraria de Aldeia 
Viçosa, 71 anos na Amadora !

O Costa, o Mouraria, Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423, festeja 71 anos a 12 de Fevereiro de 2023. Hoje mesmo, domingo!
Especialista de transmissões na uíjana e angolana Aldeia Viçosa, Carlos Alberto de Abreu Costa - é este o seu nome completo... -, voltou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975, à sua casa residencial da Rua do Bem Formoso, na cidade de Lisboa.
Mora agora na vizinha Amadora, na Estrada da Circunvalação, para onde «transmitimos» as nossas felicitações. E o desejo de muitos mais e bons anos, que lhe  venham  felizes e com saúde!

sábado, 11 de fevereiro de 2023

7 075 - O emblema dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 foi desenhado pelo alferes Simões!


Alferes Mário José Simões, autor
do emblema do BCAV. 8423
Emblema do  BCAV. 8423


O emblema do BCAV. 8423 foi apresentado a 11 de Fevereiro de 1974, há 49 anos, «servindo o lema «PERGUNTAI AO INIMIGO QUEM SOMOS, pertença das tradições do Regimento de Cavalaria 4», como se lê no livro «História da Unidade».
O objectivo era «desde o início instituir espírito de corpo ao BCAV., de modo a que o mesmo se constituísse num todo coeso, disciplinado e disciplinador»
O livro «HdU» refere também que «começou a idealizar-se o futuro emblema braçal da Unidade, ao mesmo tempo que se  se desejou a sua plena identificação com a sua unidade mobilizadora» - o RC4.
O desenho foi do então aspirante a oficial miliciano Mário José Barros Simões (que se vê na foto desse tempo), da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel - que, ao tempo, estava ligado às artes gráficas. Foram-lhe dadas sugestões (naturalmente a partir do comandante Almeida e Brito) e Barros Simões desenhou aquele que, ainda hoje e para a eternidade, é o símbolo dos Cavaleiros do Norte.
O emblema, em fundo preto, como o que se vê na imagem, representava o BCAV. 8423. As companhias operacionais adoptaram as cores vermelha (a 1ª. CCAV., a de Zalala, do comando do capitão Castro Dias), azul (a 2ª. CCAV., a de Aldeia Viçosa, de José Manuel Cruz) e castanho (a 3ª. CCAV., a de Santa Isabel, de José Paulo Fernandes).
Foi isso há já 49 anos. O tempo passa num instantinho!!! Voa, voa, boa!!!... E nós cá estamos a lembrar a história e de(n)ela fazendo memórias!
Celestino Fernandes

Fernandes de Zalala, 
71 anos em Odivelas!


O atirador Fernandes, Cavaleiro do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a da mítica Fazenda de Zalala, festeja 71 anos a 11 de Fevereiro de 2023. Hoje mesmo!
Celestino Marques Fernandes 
integrou o 1º. Grupo de Combate, comandado pelo alferes miliciano Mário Jorge de Sousa, dos Rangers (falecido a 26 de Janeiro de 2021, de doença e no Porto), e é natural de Borda da Ribeira, concelho de Vila de Rei. Lá voltou a 9 de Setembro de 1975, no final da sua e nossa jornada angolana do Uíge.
Actualmente, e por informação do furriel miliciano João Dias (TRMS) t mora(rá) em Odivelas, para onde vai o nosso abraço de parabéns!
Sanfins da Castanheira em Chaves

Silva, cortador da CCS, 
faleceu já mais de 20 anos!


O soldado cortador Carlos Alberto Morais da Silva, da CCS dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, faleceu «há mais de 20 anos».
Natural de Sanfins da Castanheira, freguesia de Chaves, lá voltou a 8 de Setembro de 1975 e por lá fez vida familiar e profissional, interrompida, segundo Fernando Ribeiro, um conterrâneo que tal nos informou, «há mais de 20 anos, ainda muito novo e deixando 3 filhos».
O tratamento a uma simples dor de garganta levou-o a reacção alérgica a um injectável, provocando-lhe a morte. Teria feito 71 anos a 12 de Janeiro de 2020. Hoje o recordamos com saudade. RIP!!!