segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

3 643 - A primeira aparição do BCAV. 8423 e o final da Cimeira do Alvor

O discurso final do Presidente da República, Costa Gomes na Cimeira
 do Alvor, há precisamente 42 anos: «A partir de agora, vós e os vossos
movimentos, estão colocados perante um desafio duplo (...)»

Francisco Craveiro Lopes, Presidente da Repú-
blica, e o filho, João Carlos Craveiro Lopes que,
 a 16 de Janeiro de 1974, era coronel e tomou
posse como comandante do RC4


AS 16 de Janeiro de 1974, aconteceu «a primeira aparição pública do BCAV. 8423, como unidade constituída», quando participou na cerimónia de posse do novo comandante do RC4, o coronel Craveiro Lopes, que era filho do marechal do mesmo nome, antigo Presidente da República
Oficial de Cavalaria, já desde 26 de Dezembro de 1973 que era comandante do RC4 e foi substituído a 6 de Maio de 1974, pelo coronel Luís Maria de Sousa Campeão Gouveia. Revelou-se um comandante exigente, áspero até nalgumas vezes, e muito disciplinador. Uma vez, um grupo de 1ºs. cabos milicianos do BCAV. 8423 deslocava-se do Destacamento para o RC4 quando, vendo-o na porta d´armas, desviaram-se para o lado da capela, passando frente ao cinema, para não terem de lhe fazer continência - «coisa» muito habitual nesse tempo. A falta «baldava-se» para não se ter de bater paladas aos quadros superiores. 
Coronel Craveiro Lopes, coman-
dante do RC4, há 42 anos
O coronel e comandante reparou nisso e mandou-os chamar por um dos homens do reforço e passou-lhes «sermão e missa cantada», lembrando-lhes, muito austero, os deveres militares a cumprir.
O BCAV. 8423, na cerimónia de posse do novo comandante, apresentou-se garboso na formatura e com garbo desfilou ante o novo comandante e oficiais do Regimento. Não estamos certos, mas estamos em crer que a força era comandada pelo (futuro) alferes miliciano António Manuel Garcia, de Operações Especiais (os Rangers). 
Os oficiais mais destacados e já então colocados no BCAV. 8423 não eram muitos (o comandante e pouco mais) e estavam numa tribuna, perto do coronel Craveiro Lopes e outros oficiais do RC4 e da Região Militar de Tomar.
Primeira página do Diário de Lisboa de
 16 de Janeiro de 1975, com a notícia
 da Cimeira do Alvor

O Acordo do Alvor e
a esperança d´Angola!

Um ano depois, a 15 de Janeiro de 1975, Portugal e os três movimentos de libertação assinaram o histórico acordo do Alvor, que abria portas para a independência de Angola.
«A partir de agora, vós e os vossos movimentos, estão colocados perante um desafio duplo. É a esperança de todos os angolanos a exigir que homens e partidos, apesar das diferenças sociais, filosóficas e políticas, saibam encontrar soluções angolanas autênticas, baseadas na capacidade de diálogo, no espírito de cooperação e na boa vontade de servir o vosso país», disse o Presidente Costa Gomes, no encerramento e dirigindo-se aos dirigentes do MPLA, da FNLA e da UNITA que participaram na Cimeira do Alvor.
O presidente do MPLA interveio em nome dos três movimentos de libertação: «Aqui, as pretensões dos colonialistas ficaram enterradas para sempre», disse Agostinho Neto, acrescentando que «afastado o obstáculo do colonialismo, nem o povo português nem o povo angolano desejarão recuar na sua transformação progressiva, para uma nova definição do homem na sociedade».
«A dinâmica da vida - acrescentou o presidente do MPLA - só nos pode conduzir a um destino. O destino do progresso. Se recuarmos, o processo em Portugal e em Angola, este importante acordo, hoje selado, pelo estabelecimento das relações justas entre os nossos povos, romper-se-á inevitavelmente».
O dia confirmou que o almirante Rosa Coutinho deixava o Alto Comissariado e seria substituído pelo brigadeiro Silva Cardoso. Jonas Savimbi, presidente da UNITA e na véspera, voou nos Transportes Aéreos de Angola (TAAG) para Luanda e Agostinho Neto para Lisboa e depois para o Porto (num avião da Força Aérea Portuguesa). Holden Robert, presidente da FNLA, seguiu para Kinshasa, a capital do Zaire de Mobutu.

Ferreira, apontador 
de morteiros médios,
23 anos no Quitexe

O dia 17 de Janeiro de 1975, no Quitexe, foi tempo de festa dos 23 anos do 1º. cabo Ferreira, apontador de morteiros médios da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, já desde 10 de Dezembro de 1974 aquartelada no Quitexe.
José Agostinho da Silva Ferreira, de seu nome completo, era natural de Vila Chã, em Santo Estevão de Briteiros, em Guimarães. Lá voltou a 11 de Setembro de 1975, quando os Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423 regressaram a Portugal, após cumprida a comissão militar em Angola.
Lá reside e para lá vai o nosso abraço de parabéns, pelos 65 aos que amanhã celebrará em família. Parabéns!

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