quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

3 652 - Alto Comissário Silva Cardoso e tensão no Leste de Angola

Cavaleiros do Norte da CCS, no Quitexe: Madaleno e Moreira, furriéis Mosteias e Neto, Gomes, furriel
 Pires (TRMS), 1º. cabo Florindo, furriéis Rocha e Pires (sapador), 1ºs. cabos Soares e Almeida (?), Fe-
licíssimo (1ª. CCAV.) e alferes Hermida e Ribeiro. Em  baixo: NN, 1º. cabo Tomás, NN (sapador?),  1º.
cabo Tomás, NN (sapador?), 1º. cabo Pais, furriel Cruz (de bigode), Silva, Cabrita,  1º. cabo Emanuel
 (?),  Couto Soares  (?, TRMS), NN e NN. à frente, Zambujo (de bigode), Costa, 1º. cabo Coelho (Bura-
quinho, de calções), NN e Salgueiro (?). Quem ajuda a identificar os NN´s?

O brigadeiro Silva Cardoso (à direita) substituiu o almi-
rante Rosa Coutinho (à esquerda) como Alto Comissá-
rio de Portugal no Governo de Transição de Angola


A 25 de Janeiro de 1975, a Comissão Nacional de Descolonização (CND), reunida em Lisboa, confirmou que o brigadeiro António da Silva Cardoso ia mesmo ser o Alto Comissário de Portugal no Governo de Transição de Angola. 
O dia era um sábado e a imprensa dava conta que o oficial da Força Aérea «assume funções na próxima terça-feira, de manhã, em Belém». Acrescentava que «nesse mesmo dia, viajará para Luanda». Dia 28 de Janeiro de há 42 anos.
Daniel Chipenda, líder da Revolta
 do Leste, dissidente do MPLA
Silva Cardoso, vale a pena recordar, já tinha feito parte da Junta Governativa de Angola (acumulando com as funções de comandante da 2ª. Região Aérea) e participado nas negociações do Alvor, entre o Governo de Portugal e os três movimentos de libertação - MPLA, FNLA e UNITA. Quem abandonava o cargo, que exercia na dita Junta Governativa de Angola, era o almirante Rosa Coutinho - que no dia seguinte (domingo) iria voar para Luanda, onde chegaria já na segunda-feira (dia 27 de Janeiro de 1975).
Silva Cardoso exerceu as funções de Alto Comissário entre 28 de Janeiro e 2 de Agosto de 1975 - quando foi substituído pelo almirante Leonel Cardoso. Natural de Tomar (1928), serviu a Força Aérea e a Marinha e atingiu a patente de general. Faleceu a 13 de Junho de 2014, em Lisboa, aos 86 anos e vítima de doença prolongada. Escreveu dois livros: «Angola - Anatomia de Uma Tragédia» e «25 de Abril: A Revolução da Perfídia».

Chipenda provoca
tensões no Leste

Os Cavaleiros do Norte, lá pelo chão uíjano, mantinham o seu quadro habitual de serviços e a curiosidade sobre a evolução do processo.
O Uíge estava sereno, sem incidentes, mas do Leste angolano chegavam notícias da chegada de Daniel Chipenda ao Luso. Era o líder da chamada Revolta do Leste (ou Facção Chipenda), que era dissidente do MPLA.
O jornal «O Comércio», em Luanda, adiantava mesmo que «uma companhia do batalhão que a Revolta do Leste tinha em Ninda deslocava-se desde anteontem em direcção ao Luso, com instruções para se encarregar dos serviços de segurança, durante a permanência de Chipenda na cidade». À frente da força, estavam «os comandantes Kilimanjaro e Rosa, entre outros chefes militares da Revolta do Leste» - Revolta que anunciava a realização de um congresso em Ninda, no qual Daniel Chipenda, ainda segundo o jornal «O Comércio», salientou «a determinação em não provocar um conflito armado».
Preocupação principal deste dirigente era «a integração das suas forças no futuro Exército de Angola, ao abrigo de acordos que garantam a sua participação no futuro do país».
Ninda, no Leste de Angola. onde há 42 anos Daniel Chi-
penda tinha aquarteladas as tropas da Revolta do Leste

Reunião a três mas...
sem resultados

A companhia de Daniel Chipenda deslocava-se em direcção ao Luso, mas, noticiava o mesmo jornal luandino, «forças do MPLA e tropas portuguesas tinham tomado posição na estrada de acesso à capital do Moxico, estabelecendo uma barreira para impedir a entrada das forças de Chipenda».
Um oficial português (o major Soares), em reunião entre as três partes (Portugal, MPLA e Revolta do Leste), propôs a Kilimanjaro e Rosa «a entrega das armas, para poderem entrar na cidade». O que foi recusado, «a menos que as forças do MPLA procedessem da mesma forma». Mesmo assim, o comandante Kilimanjaro ordenou que a sua unidade «recuasse para uma distância de três quilómetros».
O MPLA, por essa altura, tinha estabelecido «um círculo em volta da Revolta do Leste, das forças portuguesas e da polícia». Mas, noticiava «O Comércio», «numa periferia mais ampla, duas companhias de para-quedistas estavam prontas a actuar».
O momento era, pois, de tensão!
A FNLA, pelo seu lado, fez sair uma unidade do Luso e, reportava o jornal de Luanda, «começou a movimentar-se nas proximidades do local onde estacionavam as força de Chipenda». Simultâneamente, «as forças do MPLA regressavam à capital do Moxico».
A Revolta do Leste, por esse tempo de há 42 anos, tinha «forças estacionadas nas localidades de Bon, Ninda e Ivungo», noticiava o jornal «O Comércio».

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