CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

1 916 - Espectáculo do MFA e Agostinho Neto em Lisboa

Pavilhão do Clube Recreativo do Uíge (em cima) 
e Agostinho Neto no aeroporto de Lisboa, há 39 anos



A 21 de Janeiro de 1975, Cavaleiros do Norte das quatro sub-unidades assistiram (uns) e participaram (uns) num espectáculo do MFA, em Carmona. No Pavilhão do Recreativo Clube do Uíge. Era uma terça-feira e sabe bem lembrar o entusiasmo que por esses dias (e vésperas) se viveu em volta da iniciativa, que quase encheu o pavilhão - envolvendo a população civil de Carmona.
A 22 de Janeiro de 1975, Agostinho Neto, presidente do MPLA, despediu-se de Portugal, onde tinha continuado, depois da Cimeira do Alvor. À despedida, no aeroporto, afirmou, segundo leio na Diário de Lisboa desse dia, ter verificado que "o Governo, as forças progressistas e o povo português, em geral, desejam, sinceramente, o estabelecimento de uma efectiva cooperação e amizade entre Angola e Portugal". E afirmou "desejar a todos os portugueses os maiores sucessos, uma caminhada irreversível para a democracia".
O presidente do MPLA referiu também que "o Acordo do Alvor corresponde aos interesses do povo angolano" e que "o entendimento entre os movimentos de libertação era indispensável para a constituição de um Governo de Transição", entendimento que, frisou, "o MPLA defenderá sempre".
Agostinho Neto, depois da Cimeira, estivera já com estudantes universitários angolanos do Porto, Coimbra e Lisboa, e, na capital, reuniu dirigentes de vários partidos portugueses. Na véspera (21 de Janeiro), almoçou com os ministros Melo Antunes e Mário Soares e foi recebido pelo 1º. Ministro, Vasco Gonçalves, em "ambiente de grande cordialidade". Ao fim da tarde, esteve na sede da Associação Portuguesa de Escritores.
Partiu, há 39 anos, para a Argélia, de onde seguiria para a Tanzânia e a Zâmbia, antes de Luanda, onde era previsto chegar a 31 de Janeiro, para "assistir à posse do Governo de Transição".

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

1 915 - Lutos do Quitexe!!!

Hipólito, Monteiro, Almeida e Vicente (atrás), Garcia, Leal, Neto e Aurélio, o Barbeiro (em baixo)


O Vicente faleceu há 17 anos, na sua terra de Vila Moreira, em Alcanena, a 21 de Janeiro de 1997. Foi um bravo Cavaleiro do Norte, 1º. cabo atirador do PELREC, sempre disponível e generoso, partilhante e amigo. Hoje mesmo, por coincidência do destino que me «traz» na procura de companheiros do Quitexe e do Uíge, soube da morte de mais três: o soldado cortador Silva, o sapador Nunes e o clarim Queijo.
A memória traz-me o rosto deste, de nome invulgar e que sempre retive: Gracindo da Purificação Queijo. Suponho que era trasmontano, mas faleceu em Samora Correia (Benavente), a 30 de Outubro de 2013. Há tão poucos dias!
Manuel Augusto Nunes, soldado sapador, faleceu a 24 de Maio de 2000, na sua terra de Estradinha, em Telões (Amarante). Dele, recordo a irreverência, por vezes excessiva.
Carlos Alberto Morais Silva, de Santo Tirso, voluntário, soldado cortador. Vivia na Rua das Baias, freguesia do Couto. Nasceu a 2 de Fevereiro de 1956 e faleceu a 12 de Janeiro de 1990.
A imagem deste post, com companheiros do PELREC, faz memória de saudade de outros companheiros que já partiram: o alferes Garcia (a 2 de Novembro de 1979, vítima de acidente, ao serviço da PJ), o 1º. cabo Joaquim Figueiredo de Almeida (a 28 de Fevereiro de 2009) e soldado Manuel Leal da Silva (a 18 de Junho de 2007), atiradores de cavalaria, ambos por doença.
Até um destes dias, amigos!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

1 914 - Dia de anos do Ezequiel e Agostinho Neto em Lisboa

Parada do Quitexe (em cima). Agostinho Neto e Lúcio Lara (em baixo)

A 20 de Janeiro de 1975, o dia, pelo Quitexe, foi vivido e sentido com a expectativa natural de quem queria saber (muitas mais) notícias sobre o processo de descolonização.
O Silvestre, soldado de informações de infantaria e atirador de cavalaria, meu companheiro do PELREC, fazia 23 anos e beberam-se umas boas «cucas» na caserna do pelotão - em ambiente de festa e saudade.
Agostinho Neto, em Lisboa, visitou o Hospital de Santa Marta, onde tinha sido médico em 1962/61. Vestiu bata branca para passar por enfermarias e serviços, aplaudido por muitos doentes que o reconheceram. «Vou-me embora amanhã, mas vou em muito melhores condições que há 14 anos», disse o presidente do MPLA - que ao outro dia partiria para Luanda. Ainda visitou as sedes do PCP e do PS, sempre acompanhado por Lúcio Lara, Paulo Jorge, Iko Carreira e Carlos Rocha.
Reforçou a ideia da «ligação entre os diversos movimentos de libertação, até que se dê a libertação dos respectivos países, de qualquer ideia de colonialismo ou neo-colonialismo, que espreitam abertura para se reinstalarem, como acontece a alguns dos maiores países africanos».
Também visitou a Casa de Angola, onde foi recebido por militantes do MPLA, do PAIGC, da FRELIMO e do MLSTP.
«É este o momento preciso para reafirmar as normas de uma luta ideológica, que sirva o povo, que sirva Angola, que sirva África, que, numa palavra, sirva o Mundo», disse Agostinho Neto, aqui acompanhado por Paulo Jorge, Dilowo, Iko Carreira, Maria do Carmo Medina, Maria Café e Lúcio Lara, do Comité Político e do Comité Central do MPLA.
- SILVESTRE. Ezequiel Maria Silvestre, 1º. cabo de reconhecimento de infantaria (atirador), do PELREC. Aposentado, mora na Amora.
- MPLA. Movimento Popular de Libertação de Angola.
- PAIGC. Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde.
- FRELIMO. Frente de Libertação de Moçambique.
- MLSTP. Movimento de Libertação de S. Tomé e Príncipe.

domingo, 19 de janeiro de 2014

1 923 - Cavaleiros expectantes sobre a Cimeira do Alvor

Costa Gomes no discurso de encerramento da Cimeira do Alvor, a 15 de Janeiro 
de 1975. O aniversariante Fernandes (à esquerda) e Viegas, na avenida do Quietexe

Os efeitos da Cimeira do Alvor também chegaram ao Quitexe, e ao nosso saudoso Uíge, mas sem muito pormenor e com algum atraso. O Livro da Unidade refere-se-lhe como sendo da Penina (nome do hotel do Alvor onde decorreu) e indica que «em reflexo desses resultados, começou a ser murmurada uma nova remodelação de dispositivo», através da qual, ainda segundo o livro de memórias dos Cavaleiros do Norte, «o BCAV. 8423 iria sediar-se em Carmona».
Holden Roberto, presidente da FNLA, já regressado ao Zaire, afirmava em Kinshasa, a 18 de Janeiro de 1975 e sobre os refugiados angolanos, que «têm direito a regressarem aos seus lares, a partir da posse do Governo de Transição»

«Há disposições já assentes. Vão ser criadas condições de acolhimento para os angolanos sem meios», disse Holden Roberto, também com opinião sobre os movimentos/partidos que não participaram na Cimeira do Alvor.
Segundo ele, a FNLA «sempre praticará a política da porta aberta» e, por isso mesmo, frisou, «receberemos os nossos irmãos, todos os que quiserem juntar-se-nos».
A 19 de Janeiro de 1975, hoje se fazem 39 anos, o Fernandes fez 23 e foi dia de ir ao Topete. Acredito que a foto (acima) seja desse dia, um domingo. Ele de farda nº. 1 e o Topete lá ao fim da da avenida. Este varandim à esquerda, era o da casa dos furriéis do Quitexe.
Quem também fez 23 anos neste dia foi o Viana, 1º. cabo escriturário. Festa duplicada, entre os Cavaleiros do Norte!
- FERNANDES. António da Costa Fernandes, furriel miliciano 
atirador de cavalaria, da 3ª. CCAV. 8423. É de Braga, onde é professor.
- VIANA. Damião Augusto Neves Viana, 1º. cabo escriturário, da 
CCS do BCAV. 8423.É de Fâmzees, Gondomar, onde mora.
- TOPETE. Restaurante ao fim da avenida do Quitexe, 
à esquerda da saída para Camabatela. 

sábado, 18 de janeiro de 2014

1 922 - Contactos no Uíge! Holden Roberto no Zaire

Quartel do BC12, em Carmona, agora cidade do Uíge, na estrada para o Songo (em cima). A parada (em baixo)

A 18 de Janeiro de 1975, o comandante Almeida e Brito esteve no BC12 em «contactos operacionais». Pela mesma razão, estivera no Comando de Sector do Uíge a 3 e 7 e estaria a 28. Assim como na 1º. CCAV. 8423, a de Zalala mas agira em Vista Alegre (no dia 5) e na 2ª. CCAV, a de Aldeia Viçosa. Refere o Livro da Unidade que «em muitos destes contactos esteve presente o oficial adjunto do BCAV.» - o capitão José Paulo Falcão
Holden Roberto, presidente da FNLA regressara ao Zaire e foi recebido triunfalmente, por militares e simpatizantes. «Foi o povo angolano que ganhou. Esta vitória é de todos», disse ele, falando à imprensa e frisando que «o acolhimento e a hospitalidade  das autoridades portuguesas contribuíram largamente para o êxito da reunião».

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

1 921 - O incêndio do Quitexe, Neto e Savimbi

A arrecadação de material de guerra do Quitexe, a arder (em cima). Haveres 
retirados a tempo. À direita, em baixo, vê-se o capitão António Oliveira


Aos 17 dias do mês de Janeiro de 1975, deflagrou um incêndio mo edifício onde o BCAV. 8423 tinha a arrecadação de material de guerra de aquartelamento e os quartos dos oficiais. 
Relata o Livro da Unidade, sobre o incêndio quitexano, que acabo de consultar, que «houve avultados prejuízos materiais» e que «não foi possível evitar a destruição total do imóvel, por falta de meio adequados para apagar o incêndio, inclusive água própria». 
Poderia ter sido uma tragédia!
Em Portugal e encerrada a Cimeira, Agostinho Neto, presidente do MPLA, viajou em avião da Força Aérea para o Porto, onde reuniu com estudantes angolanos. O mesmo fez em Coimbra, ainda voando em avião posto à sua disposição pelo Governo Português. Fazia-se acompanhar por Paulo Jorge, outro alto dirigente do MPLA.
Em Luanda, especulava-se sobre quem seria o novo Alto-Comissário - embora anunciado que seria Silva Cardoso, na Penina. O Diário de Luanda publicou uma edição especial sobre a cimeira e Luís Rodrigues, no jornal «A Província de Angola», interrogava-se sobre «o que dizer aos portugueses brancos residentes em Angola?», numa crónica enviada da Penina. E respondia, ele mesmo: «Pois bem, que olhem para as qualidade intrínsecas de bondade, de gentileza natural, de compreensão pela vida familiar dos seus irmãos africanos».
Jonas Savimbi manifestava satisfação com o acordo que, do seu ponto de vista, reflectia «o espírito de fraternidade que presidiu aos trabalhos e a defesa dos interesses do nosso povo».
Assim ia o processo de descolonização de Angola.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

1 920 - O BCAV. 8423 e o encerramento da Cimeira

Regimento de Cavalaria de Santa Margarida (RC4), o mural de entrada (em cima). 
Capa do Diário de Lisboa, reportando o encerramento da Cimeira do Alvor, há 39 anos.



A 16 de Janeiro de 1974, em Santa Margarida, tomou posse o novo comandante do Regimento de Cavalaria nº. 4, a unidade mobilizadora dos futuros Cavaleiros do Norte. O BCAV. 8423 teve, nesse dia, «a sua primeira aparição pública, como unidade constituída».
Um ano depois, no Alvor, pouco depois da meia noite de 15 para 16, o Presidente da República Costa Gomes dava ênfase ao momento histórico do acordo assinado entre Portugal e os três movimentos de libertação de Angola - MPLA, FNLA e UNITA. A cerimónia começou pouco depois das 23 horas, com a leitura do acordo, feita «em voz firme, sem hesitação» pelo major Melo Antunes.
Agostinho Neto interveio, dizendo, em nome do MPLA, da FNLA e da UNITA, que «aqui, as pretensões dos colonialistas ficam enterradas para sempre». Afirmou também que «afastado o colonialismo, nem o povo angolano nem o povo português desejarão recuar».
O presidente Costa Gomes disse que ficou «encerrado um capítulo que forças retrogradas prolongaram injustamente».
O texto do acordo e  a reportagem da época pode ser lido AQUI, clicando da primeira página do DL, para as 167, 18 e 19.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

1 919 - O Pires dos Morteiros, a descolonização de Angola...

Fernando Pires, furriel de Armamento Pesado, do Pelotão de Morteiros 4281. 
Diário de Lisboa de 15 de Fevereiro de 1975, anunciando o acordo para a independência de Angola


O Pires dos Morteiros foi pai há 38 anos!!! Por fruto de uma arrebatada paixão, por um decisivo e definitivo amor, nascido e multiplicado no Quitexe!! Pela Nair!!! Lembram-se?!
O Pires era um dos três Pires que por lá aquartelavam - no já distante ano de 1974, há 40!!!. Eram os «nossos» dois, os da CCS do BCAV. 8423: o José, das transmissões (de Bragança), e o Cândido, sapador (do Montijo, agora em Niza). E era o Fernando, do Pelotão de Morteiros 4281. De lá saiu para Carmona (antes de nós) e para Luanda. Em Agosto de 1975 regressou a Portugal, no seu PELMOR 4281, casadinho de fresco e cheio de esperanças no futuro.
Um ano depois, estava na GNR, instituição na qual fez carreira profissional - de soldado a sargento-chefe. Desde a Escola do Carmo, em Lisboa, ao curso de sargento-chefe na Caldas da Raínha (o último) e à aposentação, em 2005. Pelo meio, esteve na Bela Vista (Porto), partiu um perna em Coimbra (já 1º. cabo), comandou o Posto Territorial de Santo Tirso, tirou o curso de sargentos, ganhou divisas de segundo e chegou às de primeiro. O curso de sargento-ajudante foi alcançado na Escola Prática de Queluz e, logo depois, comandou a Companhia do Beato, em Lisboa. Passou por Santa Bárbara, também na capital, antes de chegar às Caldas da Raínha, onde concluiu o curso de sargento-ajudante,  aposentando-se de seguida. Vive em S. Domingos de Rana, é pai da Raquel e avô de três netos. Vive feliz!
Esta festa natal e paternal do Pires foi em Janeiro de 1976. Há 38 anos!!! Um ano antes, precisamente, no Hotel Penina, no Alvaor algarvio, a cimeira angolana chegou ao fim e era anunciada a assinatura do acordo para as 20 horas. O brigadeiro Silva Cardoso ia ser o Alto-Comissário, com as pastas da Defesa e da Segurança Pública. Portugal teria três ministérios: Transportes e Comunicações, Obras Públicas e Economia. Cada um dos três movimentos teria (teve) três, sublinhando-se os da Informação (para o MPLA), da Administração Interna (FNLA) e do Trabalho (UNITA).
Assim ia o processo de descolonização de Angola e não é sem uma ponta de emoção que recordamos os passos de há 39 anos!
- PIRES. Fernando Freitas Reimão Pires, furriel miliciano 
de Armas Pesadas, do Pelotão de Morteiros 4281, adido à 
CCS do BCAV. 8423. Natural do Porto, vive em 
S. Domingos de Rana (Cascais).

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

1 918 - Gente de Aldeia Viçosa e o Governo de Transição

Furriel Matos, 1º. cabo Pamplim e furriel Brejo, da 2ª. CCAV. 8423, de Aldeia 
Viçosa, em 1974. Capa do Diário de Lisboa de 14 de Janeiro de 1975 






A 2ª. CCAV. 8423 estava aquartelada em Aldeia Viçosa e era comandada pelo capitão miliciano José Manuel Cruz. Alferes milicianos eram o Machado, Periquito, Carvalho e Capela. A classe de sargentos tinha o 1º. Norte e os furriéis milicianos Cruz, Ferreira, Martins, Mourato, Matos e Brejo, Melo, Letras, Ramalho, Costa e Gomes, Guedes, Rebelo e Chitas. Tudo boa gente e grandes militares. 
Angola estava nas páginas de todo o mundo, a 14 de Janeiro de 1975: «Governo de Transição antes do fim do mês», noticiava o Diário de Lisboa. Adiantava que devia estar formado até 31 de Janeiro e antecipava algumas pastas ministeriais: um Alto-Comissário de nomeação portuguesa e três vice-primeiros ministros, um de cada movimento. Poderiam ser, admitia-se, Lúcio Lara (do MPLA), Johny Eduardo (sobrinho de Holden Roberto, da FNLA) e António Vakulukuta (da UNITA).
O governo teria outros ministros e dois de nomeação portuguesa: os da Economia e da Informação. Cada movimento teria cinco. Quando ao exército, teria 36 000 homens: 18 000 portugueses, em gradual diminuição, até à independência. E 6000 de cada um dos três movimentos. Forças Armadas chefiadas elo Alto-Comissário.
«

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

1 917 - Apresentação de Cavaleiros e independência de Angola!

Neto, Viegas, Matos e Monteiro, 1º.s cabos milicianos do BCAV. 8423, no RC4, 
em Santa Margarida, em 1974 (em cima). O comandante Almeida e Brito (em baixo)


Aos 13 dias de Janeiro de 1974, há 40 anos!!!, começaram a chegar a Santa Margarida, ao Regimento de Cavalaria º. 4, alguns dos futuros Cavaleiros do Norte - que ali se iam especializar como atiradores, já integrados (mais ou menos) nos seus futuros pelotões e companhias.
A 7, tinha-se realizado um primeiro encontro formal de oficiais, sargentos e alguns praças, no Destacamento do RC4, as nossas primeiras instalações operacionais - digamos assim! Foi uma apresentação informal! Mais formais, foram a partir de  8 e 9, os dois dias seguintes. Nestes, o tenente-coronel Almeida e Brito, o comandante, proferiu uma palestra a todo o pessoal, na qual «foram expressos os princípios e hábitos de vida que teriam de nortear a vida do BCAV, durante o tempo em que, como unidade constituída, vivesse no RC4 e na RMA».
Há pouco material fotográfico desse tempo e a foto deste post, muito da praxe por essa altura, é tirada nos carros de combate do RC4, que ficavam mesmo em frente ao pavilhão de quartos ocupados pelos futuros furriéis milicianos do Batalhão de Cavalaria 8423.
Foi isto há 40 anos!!! 
Como o tempo passa!
Um ano depois, já em Janeiro de 1975, mal nós imaginaríamos e no Alvor, MPLA, FNLA e UNITA marcavam para 11 de Novembro o dia da independência de Angola. Na altura, discutia-se a forma de governação e havia fartas dúvidas. A Comissão Coordenadora do MFA deslocou-se ao Hotel da Penina e avistou-se com as delegações angolanas. Foi Jonas Savimbi quem, em nome deles, saudou os MFA´s e, por estes, falou o tenente-coronal Franco Charais, incentivando-os à «unidade, para a construção de uma Angola grande».   

domingo, 12 de janeiro de 2014

4 936 -

Os presidentes Jonas Malheiro  Savimbi (da UNITA), Agostinho Neto (MPLA) e
 Holden Roberto (FNLA) num momento certamente muito optimista em
 relação ao processo de independência de Angola



Cavaleiros do Norte do Quitexe: 1º. cabo Almeida
 (cozinheiro), Lajes (do bar) e furriel Flora. na segunda
linha, furrréis Costa, Reino e Carvalho. Na terceira, Bento
 e José Carlos Fonseca - o responsável pelo SPM
O jornal «A Província de Angola» editava-se em Luanda, era matutino e, na prática, o único diário que chegava ao Quitexe. Também se publicavam o «Comércio» e o «Diário de Luanda», pelo menos.
Há 45 anos, o «A Província de Angola» foi o primeiro jornal a que tivemos acesso, no Quitexe e já a 12 de Janeiro de 1975, sobre o que se passava no Alvor, entre as Delegações de Portugal e dos três movimentos de libertação de Angola - o MPLA, a FNLA e a UNITA.
Jornal «A Província de Angola» de 11 de Janeiro de
 1975, reportando «os caminhos da nova Angola
O Jornal de Angola, que lhe sucedeu, dos acontecimentos deu conta na passagem dos 40 anos dessa histórica data e é isso que hoje, com a devida vénia e situando-os a 11 de Janeiro de 1975, disso damos conta: 
«A 200 metros do Hotel Penina não se pode circular. Cães ferozes, comandos, pára-quedistas, polícias, guardas-republicanos, exercem uma vigilância estreita que tem derrotado todas as tentativas de perfuração dos elementos da imprensa.
O almirante Rosa Coutinho esteve esta tarde no Hotel D. João II, onde funciona a sala de imprensa. A personalidade mais em evidência nas negociações, do lado português, é o major Melo Antunes, cuja forte personalidade parece dominar, realmente, (...), isto sem quebra de prestígio para Mário Soares e Almeida Santos. 
Os pontos cruciais neste momento das negociações são a constituição do Governo Provisório e a forma de funcionamento do Conselho de Ministros. O funcionamento do dia a dia dos serviços é da competência do respectivo ministro, mas a decisão política das decisões é do Gabinete, funcionando como órgão colegial. Assim se evitam os atritos entre os Movimentos de Libertação, responsabilizando-se colectivamente todos e cada um.
O outro ponto  básico que demora mais tempo a resolver é, sem dúvida, o da constituição e comando das Forças Armadas da nova Angola. Savimbi já disse que concorda com um comando unificado, mas salvaguarda a segurança dos seus companheiros de luta. A opinião dos outros dirigentes é igualmente significativa: Exército Unificado no comando, mas salvaguarda dos seus militantes, da sua individualidade de guerrilheiros e de membros dos movimentos.
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Só hoje a meia da tarde foi divulgada, no Centro de Imprensa do Hotel D. João II, a lista oficial das Delegações Portuguesas e do Alto Comissário de Angola à Cimeira de Penina.
A Delegação Portuguesa é assim constituída: Ministro de Estado major melo Antunes, ministro da Coordenação Interterritorial Almeida Santos, ministro dos Negócios Estrangeiros Mário Soares, brigadeiro Silva Cardoso, tenente-coronel Passos Ramos, major Pezarat Correia, Fernando Reino, major Gonçalves da Costa, major José Pimentel, Sá Machado, António Cordeiro, Corucho de Almeida e Rui Machete.
- Delegação do Alto Comissário de Angola: Almirante Rosa Coutinho, conselheiros de Angola Brito de Figueiredo, Amílcar Martins, António Castilho, Salvação Barreto, Edmundo Gonçalves, Sindicato, Américo Silva, José Nunes Pedro, Cardoso e Cunha e Morais Sarmento.
- Delegação do MPLA: dr. Agostinho Neto, dr. Diógenes Boavida, Afonso Van Dúnem «Mbinda», Lúcio Lara, Paulo Jorge, Lopo do Nascimento, Carlos Rocha, Joaquim Kapango, Saydi Mingas, Pascoal Costa, Albertino Almeida, Maria do Carmo Medina,   Mateus Van Dúnem, Maria Mambo Café, Rui Carvalho, Rui Moreira, Miguel Whekeni, Armando Ginapo, Jacob Caetano «Monstro Imortal», César Augusto Kiluanji e Filipe Costa.
- Delegação da UNITA: dr. Jonas Savimbi, Jorge Sangumba, Rony da Costa Fernandes, José N´Dele, Marques  Karumba, Jorge Valentim, Eliseu Chimbili, Fernando Wilson, Rubon Chitacumbili, Fernando Wilsonm, Rubom Chitacumbi, O. Goundiam, Jean-aul Jouzinho, Waldemar Chindondo, Samuel Lumumba, Francisco Bole-Pole, M. Doringui, Fernando Jambiri, António Vakulukuta e Lucas Tukongelgni».
O Jornal de Angola, citando um despacho da ANI, não fazia referência à Delegação da FNLA, por razões que desconhecemos.
Alberto Ferreira e Rodolfo Tomás, o homem do
 SPM, fotografados no bar dos praças Quitexe

Cavaleiros do Norte
com todas as calmas

A Cimeira do Alvor decorria no algarvio Hotel Penina e os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, na Angola uíjana, continuavam nas suas expectantes calmas.
Os furriéis milicianos Francisco Bento, José Augusto Monteiro e o José Carlos Fonseca vieram de férias a Portugal e delas não voltou este - que por lá era amanuense, prestando serviço no Comando do Batalhão. Em particular, era responsável pelo Serviço Postal Militar (SPM), com o 1º. cabo Rodolfo Tomaz a viajar quase diariamente (menos à segunda-feira) para Carmona, para levar e trazer correio do Portugal Europeu.
Quantos sonhos transportaram aquelas malas, que se enchiam de aerogramas (os bate-estradas), com apaixonados recados de amor, ou íntimos conselhos de familiares, ou o «diz-que-diz-que» dos amigos. Assim era, naquele tempo.
- Cimeira do Alvor no Jornal 
de Angola Ver AQUI

1 916 - Estrada do café e Conferência Geral sobre Angola

Melo Antunes, Rosa Coutinho, Agostinho Neto, Holden  Roberto, Jonas Savimbi, 
Mário Soares e Almeida Santos na Cimeira do Alvor, em Janeiro de 1975 (em cima). 
A estrada do café, em Dezembro de 2012, em foto de Carlos Ferreira (em baixo)


Os dias do Quitexe continuavam calmos, aos 12 de Janeiro de 1975 - um domingo. Desde o 7 anterior, os Cavaleiros do Norte tinham deixado de «executar a escolta à estrada do café», serviço que, lembra-se no Livro da Unidade, «era assaz desgastante para o pessoal e viaturas» e, por outro lado, «não conduzia a qualquer finalidade prática».
Em Portugal, no Alvor, continuava a cimeira, curiosamente denominada Conferência Geral sobre Angola. O primeiro comunicado dava conta que «houve reuniões entre todos os participantes nas conversações, que, a vários níveis e diversas formas, foram abordados preliminarmente, alguns aspectos relacionados com as matérias de fundo».
O clima que rodeava as conversações era de «cordial e franca cooperação, na procura de soluções inerentes à descolonização de Angola». Rosa Coutinho, por sua vez, garantia que a cimeira era «apenas a base de entendimento para acordos fulcrais concretos». O que mais enfatizou o Alto-Comissário foi «a honestidade de processos usada por Portugal» no processo de descolonização, honestidade «reconhecida pelos três movimentos».
«Não julgo que alguma vez, na história da descolonização, tenha sido possível, ao país colonizador, ganhar a  confiança dos seus interlocutores, em termos que lhe permitiram fazer um conferência como esta, o seu próprio território», disse Rosa Coutinho, a 11 de Janeiro de 1975. 

sábado, 11 de janeiro de 2014

1 915 - Cavaleiros do Norte com poucas notícias do Alvor

Agostinho Neto (MPLA), Presidente Costa Gomes (Portugal), Holden 
Roberto (FNLA) e Jonas Savimbi (UNITA) na Cimeira do Alvor, há 39 anos (em cima). 
Diário de Lisboa de 11 de Janeiro de 1975 (em baixo)

A Cimeira do Alvor começou a 10 de Janeiro de 1975 e, no dia seguinte, a imprensa portuguesa dela dava conta. O Diário de Lisboa titulava que o MFA era o quarto movimento de libertação (de Angola).
Os trabalhos inter-movimentos tinham começado às 22 horas, prolongando-se pela madrugada de 11 de Janeiro, essencialmente concentrados no desenvolvimento do pré-acordo de Mombaça, no Quénia. Mas com obstáculos: as naturais diferenças entre MPLA, FNLA e UNITA, que a delegação portuguesa procurou conciliar de forma firme, como relata o jornal.

Um pormenor ressaltou: a não inclusão de Rosa Coutinho na Cimeira. Era, recordemos, o Alto-Comissário em Angola. Seria por pressão da FNLA, que o considerava pró-MPLA?  O próprio Rosa Coutinho, porém, explicou que não participou precisamente por... ser o Alto-Comissário. Questão principal das negociações era a distribuição das pastas ministeriais. 
Ao Quitexe, a Aldeia Viçosa, a Vista Alegre, pousos dos Cavaleiros do Norte, poucos (ou nenhuns) ecos chegavam da Cimeira. Os meios de comunicação não eram como hoje, as notícia demoravam tempo a chegar - a não ser as que chegavam dos jornais de Luanda, ou pela onda média da Emissora Nacional (a actual RDP).

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

1 914 - A Cimeira angolana da Penina do Alvor algarvio

Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi, no Hotel da Penina, no Alvor, 
Algarve (foto da net),. Título do Diário de Lisboa de há 39 anos, 10 de Janeiro de 1975 (em baixo)

Algarve, Janeiro de 1975, dia 10! Os presidentes dos três movimentos emancipalistas de Angola chegam ao hotel da Penina, no Alvor, para a histórica cimeira com o Governo português, que caminhará para a independência da então (ainda) colónia. O encontro foi aberto por Costa Gomes, Presidente da República de Portugal, e a delegação portuguesa incluía os ministros Melo Antunes, Almeida Santos e Mário Soares. E também dois membros do Governo Provisório de Angola: o brigadeiro Silva Cardoso e o tenente-coronel Gonçalves Ribeiro. E três elementos da Comissão de Descolonização: major Metelo, tenente coronel Passos Ramos e o  diplomata Fernando Reino.
Previa-se que a cimeira durasse 5 dias e de Luanda chegavam boas indicações, quanto ao desafogo financeiro público. Alberto Ramalheira, Secretário de Estado do Desenvolvimento Económico do Governo Provisório, anunciava 6,5 milhões de contos de investimentos, com receitas próprias do Estado, principalmente resultantes do petróleo.
E os Cavaleiros do Norte? 
Ao Quitexe e à CCS, chegou o 1º. cabo radiotelegrafista Joaquim F. N. Pexim. A Vista Alegre e à 1ª. CCAV. 8423, o soldado atirador Fernando M. D. Sousa.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

1 913 - Delegados do MFA dos Cavaleiros do Norte

Cruz e Viegas, furriéis da CCS dos Cavaleiros do Norte, na avenida (rua de baixo) 
do Quitexe (em cima). Primeira página do Diário de Lisboa de 9 de Janeiro de 1975  

Aos nove dias de Janeiro de 1975, expectava-se sobre a chegada a  Portugal dos presidentes da UNITA, FNLA e MPLA, para a cimeira com o Governo Português. 
«Ainda não chegou a Faro qualquer dos presidentes dos três movimentos», titulava o Diário de Lisboa de faz hoje 38 anos. O título principal era outro: «Cimeira angolana começa amanhã - o general Costa Gomes preside à a sessão inaugural». 
Estas situações, valha a verdade e ao tempo, eram marginais ao quotidiano do Quitexe - onde se aquartelavam a CCS e a 3ª. CCAV. do Batalhão de Cavalaria 8423, os Cavaleiros do Norte. Por lá, o Cruz tinha sido eleito representante da classe de sargentos na Comissão do MFA, com a maioria dos votos. Eu mesmo, segundo votado, não passei dos 2 ou 3 (se bem me lembro!), tendo ele uns 8 ou 9. Não votaram o sargento ajudante Machado e os 1º.s sargentos Luzia, Barata e Aires - não me perguntem porquê. Nem o Monteiro, o Bento e o Fonseca, os três de férias em Portugal. Este, o Fonseca, não mais voltou!
A eleição resultava da procura, da parte do MFA, de «incrementar a sua acção de democratização». A 9 de Janeiro de 1975, estivemos em Carmona numa «reunião de trabalho no Comando de Sector, no âmbito deste Movimento» - o MFA.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

1 912 - Cimeira do Alvor e dias uíjanos...

Cândido Pires (à civil), António José Cruz, José Pires, Armindo Reino, Grenha Lopes, Norberto Morais e Agostinho Belo.  E António Lopes (em baixo, sentado), Cavaleiros do Norte à porta da casa dos Furriéis, no Quitexe, em Janeiro de 1975. Em baixo, Diário de Lisboa de 8 de Janeiro do mesmo ano


Os dias uíjanos dos Cavaleiros do Norte iam na paz dos deuses, nos primeiros dias de Janeiro de 1975, entre serviços internos e patrulhamentos na estrada do café, ou escoltas. Basta olhar para o ar descontraído dos furriéis da imagem.
De Luanda, o meu amigo Alberto Ferreira ia dando novidades e, quando era o caso, andava-me O Província de Angola para a Caixa Postal 12, nos Correios do Quitexe. Mau sinal era, quando mo enviava: sinal de problemas na capital angolana.
Por estes dias de 1975, todavia, dava-me conta, em carta dactilografada, das suas preocupações relativamente à evolução política portuguesa: «Aquilo está a virar para o comunismo vermelho», escrevia ele. Era cabo especialista da Força Aérea e, mais tarde, já licenciado em Economia, foi quadro da segurança social e da administração fiscal, com passagem pela política local: vereador do PSD e do CDS, neste caso como candidato a presidente da Câmara de Águeda.  
O Diário de Lisboa de 8 de Janeiro, em caixa alta e primeira página, titulava «Cimeira Angolana na Penina (Alvor». A delegação portuguesa seria presidida pelo major Melo Antunes e incluía Rosa Coutinho, o Alto Comissário: também o tenente-coronel Gonçalves Ribeiro (Secretário de Estado da Administração Interna). Os três movimentos angolanos representavam-se com delegações lideradas por Agostinho Neto (MPLA), Holden Roberto (FNLA) e Jonas Savimbi - que chegariam ao aeroporto de Faro no dia 9, véspera da Cimeira.
Previa-seque fosse dominada pela apetecida questão da formação do Governo de Transição e pela necessária decisão a tomar sobre o destino a dar às forças armada dos três movimentos e aos cerca de 30 000 homens (angolanos) que integravam o Exército Português.
Outro tema dominante seria o calendário eleitoral, começando pela Assembleia Constituinte que, depois, proclamaria a independência de Angola. 
A complexidade dos problemas a resolver aconselhava ponderação sobre os resultados da cimeira, dadas as divergências entre os três movimentos: «Será mais prudente considerar que será mais um passo, a que se seguirão outros encontros, entre o Governo Português e os três movimentos», lê-se no Diário de Lisboa de faz hoje 38 anos.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

1 911 - Murmúrios do Quitexe e a cimeira para a independência

Camando do Sector do Uíge, na cidade de Carmona (em cima). 
Secretaria da CCS dos Cavaleiros do Norte, no Quitexe, à esquerda (em baixo)


A 7 de Janeiro de 1975, o comandante Carlos Almeida e Brito deslocou-se a Carmona, onde reuniu com outros comandantes, no Comando do Sector do Uíge, «estabelecendo contactos operacionais». Ao tempo, pela uíjana vila do Quitexe, e cito o Livro da Unidade, «começou a ser murmurada uma nova remodelação do dispositivo» e, ao que por lá se ouvia, o (nosso) Batalhão de Cavalaria 8423 «iria sediar-se em Carmona»
Em Lisboa, também se murmurava, projectando-se, para o dia de hoje de há 38 anos, a chegada de Agostinho Neto. Não chegaria, mas, sim, um outro dirigente do MPLA, cujo nome não conseguimos saber. E murmurava-se também que seria Viana do Castelo o local da realização da Cimeira dos três movimentos de libertação, com o Governo Português, marcada para o dia 10 seguinte. Porém, segundo o Diário de Lisboa desse dia, nem o Comando da Região Militar Norte, nem o Governador Civil da cidade minhota e muito menos o comandante do RC9, ali aquartelado, confirmaram tal decisão. Sabia-se, isso sim, que o coronel Eurico Corvacho, chefe do Estado Maior da Região Militar Norte, lá se deslocara na véspera.
A praia de Ofir, ali bem perto, era outro local sugerido, mas a cimeira, como sabemos, viria a realizar-se na terra algarvia do Alvor.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

1 910 - Um Governo de Transição com 17 ministros...

Entrada da vila do Quitexe, do lado de Carmona (em cima). Notícia do 
Diário de Lisboa, de 6 de Janeiro de 1975, sobre a Cimeira MPLA/FNLA/UNITA

A actividade dos Cavaleiros do Norte, pelo ido Janeiro de 1975, foi «muito limitada», essencialmente por uma razão: a «grande falta de meios humanos». Motivo por que «quase somente foi feita ao longo do alcatrão, em constantes patrulhamentos, apeados e auto, através dos quais se garante a nossa presença e a liberdade do itinerário», como se lê no Livro da Unidade.
De Mombaça, chegavam notícias: as delegações do MPLA, FNLA e UNITA «chegaram a uma plataforma política comum, à luz da próximas negociações com o Governo Português, para a formação de um Governo Provisório que conduzirá Angola à sua independência total», como se lê no despacho da France Presse e da Reuters, publicado no Diário de Lisboa de 6 de Janeiro de 1975. Hoje se fazem 38 anos!
Os três movimentos propuseram a Portugal (as notícias mudavam de dia para dia) um Governo de Transição com 17 ministros, três de cada movimento e dois portugueses. Lisboa, dias antes, teria proposto 12 - três da cada partido e três portugueses.
Os movimentos, em declaração conjunta, deram conta de que iriam propor, também, a formação de um exército de 30 000 homens, 10 000 de cada movimento e com um comando conjunto. Portugal teria um igual número de militares, cujo corpo seria desmantelado 4 meses antes da independência.

MPLA e FNLA assinaram um acordo que poria fim às hostilidades que os separavam ou «pudessem impedir uma aberta e sincera colaboração das duas organizações». Assinado por Holden Roberto e Agostinho Neto, comprometia-os a «não intervir nas questões internas da outra parte e a opôr-se por tosdos os meios às manobras das forças reaccionárias que procuram manter as relações injustas herdadas do colonialismo, de maneira a combater todas as tentativas de desunião nacional».

domingo, 5 de janeiro de 2014

1 909 - Ainda o Natal de 1974 e o Acordo de Mombaça

Jesuíno Pinto, Gomes, Letras e Martins, o Natal de 1974 em Aldeia Viçosa

Ainda antes dos Reis de 1975, deixem aqui chamar a consoada de Natal de 1974, em Aldeia Viçosa - onde se aquartelava a 2ª. CCAV. 8423. A ementa foi o tradicional bacalhau cozido, com batatas e couves, regado com vinho tinto. Que luxo!! 
O (furriel) Letras lembra que «estava a companhia toda presente, capitaneada pelo capitão miliciano Cruz, que, depois de uma breve palestra, nos pôs todos a chorar por estarmos longe dos nossos familiares».
Ao Quitexe, entretanto chegavam notícias muito sumárias sobre a cimeira dos três movimentos angolanos, em Mombaça, no Quénia, comuns em considerar o Enclave de Cabinda como «parte inalienável de Angola». E anunciaram-se disponíveis para encetar negociações com Portugal - na que viria a ser a Cimeira do Alvor, a 10 de Janeiro de 1975.
Os despachos da Reuters e da France Press, a partir de Mombaça, dão conta do acordo e do facto de «os três movimentos manterem a sua identidade». A reunião de três dias, decorreu, segundo os três presidentes (Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi), «numa atmosfera de mútua e perfeita compreensão".
O Governo Português, entretanto, «congratulou-se com  os resultados positivos obtidos nas conversações (...) entre as delegações dos três movimentos emancipalistas de Angola», como salientava uma nota da Presidência da República e da Comissão nacional de Descolonização.




sábado, 4 de janeiro de 2014

1 908 - O adeus definitivo do Pelotão de Morteiros 4281


Pelotão de Morteiros 4281, grupo de militares. Abandonou definitivamente o 
Quitexe a 4 de Janeiro de 1975, instalando-se no BC12, em Carmona. 
O alferes miliciano Leite (em baixo)


O Pelotão de Morteiros 4281, comandado pelo alferes miliciano João Leite, completou a sua rotação para Carmona, para o BC12, a 4 de Janeiro de 1975. Hoje se completam 38 anos!!! Assim disse adeus definitivo ao Quitexe. 
Os «morteiros» já estavam na vila quitexana quando os Cavaleiros do Norte lá chegaram, a 6 de Junho de 1974. E começaram a sair do Quitexe a 20 de Dezembro. O PELMOR 4281 incluía os furriéis milicianos Luís Costa e Fernando Pires.
A 4 de Janeiro de 1975, chegaram notícias ao Quitexe, sobre a cimeira da FNLA, MPLA e UNITA, em Mombaça, no Quénia, que começara na véspera: teria chegado a acordo, embora com diferenças na atribuição de pastas ministeriais do Governo de Transição.
A FNLA queria as de 1º. Ministro e da Informação. E parecia certo que cada um dos três movimentos teria três pastas, com três ou quatro para o Governo Português, seguramente uma delas sendo a da Defesa, Na queniana Mombaça, repetiam-se as reuniões "rodeadas de extremo sigilo e segurança» entre os líderes Holden Roberto, Agostinho Neto e Jonas Savimbi. 
«As negociações estão a decorrer em clima de grande cordialidade», disse o presidente da UNITA, ouvido pelos jornalistas que cobriam a Cimeira.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

1 907 - A cimeira dos três movimentos de Angola

Quitexe, em imagem recente da Rua de Baixo, a avenida (da net). A messe de oficiais (cobertura mais clara, à esquerda) e a casa dos furriéis e secretaria da CCS (telhado mais escuro, ao centro). Em baixo, título do Diário de Lisboa de 3 de Janeiro de 1975

A 3 de Janeiro de 1975, o comandante Almeida e Brito esteve reunido no Comando do Sector do Uíge, em Carmona, acompanhado do capitão José Paulo Falcão, o oficial adjunto. O objectivo era «estabelecer contactos operacionais».
O Diário de Luanda desse dia (citado pelo Diário de Lisboa) dava conta que a cimeira angolana de 10 de Janeiro - entre o Governo Português e MPLA, FNLA e UNITA -, seria no Algarve, com um dúvida: Sagres ou Monte Gordo? Viria a ser no Alvor, como se sabe. E, da parte de Portugal, ainda dependia dos resultados da pré-cimeira dos três movimentos, marcada precisamente para esse dia 3 de Janeiro,em Mombaça, no Quénia.
«Se não for concertada uma frente comum, ou uma plataforma conjunta dos movimentos, face às propostas do Governo Português, o encontro poderá ser adiado», admitia Almeida Santos, o ministro da Coordenação Inter-territorial.
A cimeira inter-movimentos começou nesse dia, às 10 horas, mediada pelo presidente Kenyatta e com as delegações presididas por Agostinho Neto, do MPLA (ido de Dar-es-Sal, no Senegal), Holden Roberto, da FNLA (deslocado de Kinshasa, no Zaire), e Jonas Savimbi, da UNITA (que nesse mesmo dia chegou de Lusaka, na Zâmbia).
As três delegações chegaram à capital do Quénia, rodeados da fortes medidas de segurança), dali partindo para Mombaça.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

1 906 - O Mosteias!

Viegas e Mosteias à porta do bar/messe de sargentos do Quitexe

Há um ano, precisamente há um ano, a 2 de Janeiro de 2013, telefonei ao Mosteias: fazia 61 anos! Quis dar-lhe os parabéns e ter um, um mais, dos nossos quase ternurentos «pés orelha» de conversa, mas achei-o internado no hospital do Litoral Alentejano. 
«Estou para aqui esquecido, não me ligam nenhuma, pá!!!..., mas não tarda a pôr-me a andar daqui para fora!...». Foram estas, citadas de memória, as últimas palavra que lhe ouvi, não sem o meu desejo de melhoras e «aquele abraço, pá!, põe-te fino e forte!!!...».
O Mosteias tinha-me explicado o que o fazia padecer, mas estava confiante. Nem sequer estava para «aturar isto!...» e ou lhe resolviam o problema, ou ia-se embora. Era o Mosteias, esse mesmo, tal qual o conhecemos: decidido, sem queixas, sem dores de alma ou de corpo, corajoso, irreverente e afirmado, na majestade emocional que o tornou maior e melhor entre nós, Cavaleiros do Norte!    
Não seria assim!! Galopante, a doença fragilizou-lhe o corpo e faleceu-lhe a vida, a 5 de Fevereiro seguinte.
Hoje, não posso repetir as apetitosas e bem-dispostas conversas que nos animaram a vida nestes tantos anos em que os quilómetros não foram distância ou fronteira entre nós!! Posso recordá-lo!!! Com saudade! 
Até um destes dias, companheiro Mosteias!
- «Saudades do Mosteias» - Ver AQUI
- «O meu amigo Mosteias» - Ver AQUI

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

1 905 : O dia primeiro quitexano de 1975

Bento, Rocha, Viegas, Flora. António Lopes, Capitão e Ribeiro (atrás). Carvalho, Belo, 
Grenha Lopes e Reino, à frente. Dia de ano novo de 1975, no Quitexe

2014!!! Ano 40 da partida dos Cavaleiros do Norte para Angola!!!
Hoje, é o dia primeiro e dele recordamos a tranquilidade que se viveu na vila quitexana, onde chegaram notícias da pré-cimeira MPLA/FNLA/UNITA. Confirmava-se que seria em Mombaça e  as respactibvas delegações chefiadas por Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas savimbi. 
A foto bem mostra o clima de boa disposição que nesse dia 1 de Janeiro de 1975 por lá se viveu, no Quitexe. Ontem falámos de alguns destes, Falemos hoje dos restantes, também todos furriéis  milicianos.
- ROCHA. Nelson dos Remédios da Silva Rocha, de transmissões, da CCS. Técnico comercial, reside em Valadares (Vila Nova de Gaia).
- A. LOPES. António Maria Verdelho da Silva Lopes, enfermeiro da CCS. Quadro superior da Repartição de Finanças de Vendas Novas, de onde é natural e onde reside.
- CAPITÃO. Fernando Ribeiro Capitão, atirador de cavalaria da 3ª. CCAV. 8423. Faleceu a 5 de Janeiro de 2010, vítima de doença. Era quadro da CP e residia em Vila Nova de Ourém.
- CARVALHO. José Fernando da Costa Carvalho, atirador de cavalaria, da 3ª. CCAV. 8423. PSP aposentado, reside no Entroncamento.
- G. LOPES. José Avelino Grenha Lopes, atirador de cavalaria da 3ª. CCAV. 8423. É de Barcelos e reside em Lisboa, onde é empresário do ramo têxtil.
- REINO. Armindo Henriques Reino, de operações especiais (Rangers). Aposentado da GNR e residente no Sabugal.
Agora, curiosidades do dia.
1 - O Reino, o Letras e o Madaleno fazem hoje 61 anos!
2 - O nascimento do Reino terá sido a 28 de Dezembro, mas registado mais tarde.
3 -  Nascimento do Madaleno foi a 1 de Janeiro, mas só foi registado a 3 de Fevereiro de 1952.
4 - Mortes: O dia 1 de Janeiro de 1983 é data de falecimento de dois Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, e ambos do grupo de combate do alferes miliciano Carlos Silva: 
     4.1 - José Carlos Gonçalves Catarino, 1º. cabo atirador.
     4.2 - António Francisco Tomás, soldado atirador. Morava em Maceira (Torres Vedras).