CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

segunda-feira, 17 de julho de 2017

3 825 - O 17 de Julho de 1974; mais tropa de Lisboa para Luanda!

O alferes miliciano D. Carvalho de Sousa com os furriéis João Brejo, António
Guedes e Mário Matos, Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, de A. Viçosa.
Há 43 anos, com o seu grupo de combate, foi em diligência para Carmona

O José Novo e o 1º. cabo «cripto» Deus, que amanhã faz
65 anos, em Lisboa. Aqui, na pista do Quitexe, em 1975



A 17 de Julho de 1974, o grupo de com-
bate comandado pelo alferes miliciano Domingos Carvalho de Sousa rodou de Aldeia Viçosa para Carmona.
O objectivo deste grupo da 2ª. CCAV. 8423, em diligência no Comando do Sector do Uíge, foi fazer «patrulha-
mentos na área suburbana» da cidade capital do Uíge.
O 1º. sargento Norte e os alferes Carvalho de Sousa e João
Machado, que há 43 anos comandava o grupo de combate
aquartelado na Fazenda Luísa Maria
O dia 17 de Julho de 1974, em termos de BCAV. 8423, teve outras incidências:
1 - O comandante Almeida e Brito esteve  no Comando do Sector do Uíge, onde foram «estabelecidos contactos opera-
cionais» - tal qual a 14 e depois a 31 de Julho.
2 - Terminou a Operação Turbilhão (ini-
ciada em data desconhecida), com ac-ções «viradas para as «centrais» de Mungage e Negage e os «quartéis» Al-
deia e Tabi, sendo, por ora, abandona-
CCAÇ 4145, de Vista Alegre: Furriéis Freitas e Cerqueira,
capitão Raúl Corte Real e 1º. sargento Sobreiro 
da a «central» de Nova Caipemba, co-
brindo-se, assim, locais de toda a ZA».
3 - As Zonas de Acção (ZA) de Luísa Maria (onde estava o Grupo de Combate do alferes João Machado, da 2ª. CCAV.) e Vista Alegre (a CCAÇ. 4145, do capitão Raúl Corte-Real) retornaram à «respon-
sabilidade operacional do BCAV. 8423»

16 mortos em Luanda,
entre MPLA e FNLA

A imprensa angolana do dia não fez chegar boas notícias ao Quitexe. Na verdade,  na noite de 15 para 16 de Julho (a véspera), «voltaram  registar-se sangrentos incidentes nos bairros periféricos de Luanda, os quais provocaram vais 10 mortos e vários feridos».
Um comunicado do Comunicado-Chefe das Forças Armadas actualizou os da-
dos: 16 mortos, 63 feridos e 11 prisões pelo Exército. O mesmo comunicado sublinhava que «as mortes provém de desordens entre africanos, muitos deles militantes do MPLA e da FNLA, segundo afirmam muitos moradores dos musseques».
Várias patrulhas militares foram flageladas com tiros e detido o condutor de uma viatura proveniente do Comando da Zona Militar Leste «contendo material de guerra, num bairro suburbano».
Notícia da última página do Diário de Lisboa de 17
 de Julho de 1975: «Foram enviadas mais tropas de
 Lisboa para Luanda» 


MPLA «expulsou»
FNLA de Luanda

Um ano depois, e segundo o Diário de Lisboa, «o MPLA continua a controlar esta capital, após os combates que se registaram ente as FAPLA e o ELNA» - o exército da FNLA.
A capital era Luanda, onde «continuam a chegar inúmeros refugiados», depois de na véspera se ter iniciado uma ponte aérea para Lisboa.
De Lisboa, foram uma companhia de comandos, outra de caçadores e outra de fuzileiros, para «reforçar as que aqui estavam estacionadas».
A «grande incógnita» do dia era, para o Diário de Lisboa, «saber o que vai fazer a FNLA, depois de ter sido praticamente expulsa» de Luanda.
Manuel Deus, 1º.
cabo «cripto»

Deus faz 65 anos
em Lisboa

Deus, Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, faz amanhã 65 anos, em Lisboa.
Manuel Ramos Deus, de seu nome completo, foi 1º. cabo operador-cripto e regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975. Ao Cardal da Graça, em Lisboa, onde então residia.
Aposentado, dedica-se ao lazer cicloturístico e é participante habitual dos en-
contros dos Cavaleiros do Norte da Fazenda Santa Isabel - a 3ª. CCAV. 8423. Parabéns pelo dia de amanhã!

domingo, 16 de julho de 2017

3 824 - Cavaleiros do Norte nas Operações Especiais (Rangers) de Lamego!

Cavaleiros do Norte no Qitexe: furriel miliciano Armindo Reino, comandante
Almeida e Brito, clarim Armando Silva e capitão José Paulo Falcão, que hoje
 faz 75 anos, em Coimbra. De costas, o capitão António Oliveira, da CCS 

Alferes António Garcia, do PELREC da 
CCS, à porta do BC12 (em 1975)
Alferes Augus-
to Rodrigues,
de Zalala
O dia 16 de Julho de 1973 foi a data de início da especialização em Opera-
ções Especiais (Rangers) de vários futuros Cavaleiros do Norte, em La-
mego, no quartel de Penude. Não sabiam, ao tempo, mas quatro dos cadetes dali saíram aspirantes a ofi-
ciais milicianos e cumpriram a sua (e nossa) jornada africana de Angola como alferes mili-
cianos: António Manuel Garcia (da CCS, a Companhia do Quitexe), Mário Jorge Sousa (1ª. CCAV. 8423, a de Zalala), João Francisco 
Alferes João Machado
Alferes M. Sousa
Machado (da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa) e Augusto Rodrigues (da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel).
Também 5 instruendos e futuros furriéis milicianos, José Augusto Monteiro, Celestino José Viegas e José Francisco Neto (da CCS), 
Os furriéis milicianos Neto, Viegas e Monteiro, 
«Rangers» do PELREC do BCAV. 8423
Manuel Pinto (da 1ª. CCAV.) e António Carlos Letras (da 2ª. CCAV.). Armindo Henriques Reino, da 3ª. CCAV. foi do curso seguinte, em Lamego - do qual foram instrutores Monteiro, Viegas e Neto. Por isso, se apresentou já em 1974, no período de formação do BCAV. 8423.
O curso terminou no dia 29 de Setembro e, colocados em Lamego, como instrutores do 3º. curso de 1973, ficaram os (então futuros) fur-
riéis milicianos Monteiro, Viegas e Neto.
Furriel António
Furriel M. Pinto


Major João Ornelas
Monteiro faleceu há 6 anos!

O tenente-coronel de Cavalaria Ornelas Monteiro faleceu há precisamente 6 anos - no dia 16 de Julho de 2011. Foi 2º. comandante do BCAV. 8423, nos primeiros meses de 1974.
José Luís Jordão Ornelas Monteiro, então major de Cavalaria,  foi «desviado» pelo MFA nas vésperas da partida dos Cavaleiros do Norte para Angola, sendo destacado para a Guiné - onde foi participar no processo de independência da então colónia portuguesa - a agora República da Guiné-Bissau. 
Tinha 43 anos, nascido a 7 de Outubro de 1931, quando integrou o período de formação do BCAV. 8423, no Destacamento do Regimento de Cavalaria 4, em Santa Margarida. Faleceu aos 80. Hoje o recordamos com saudade.
RIP!!!
Capitão José Paulo Falcão

Capitão José Paulo Falcão,
75 anos em Coimbra

O capitão Falcão faz 75 anos a 17 de Julho de 2017, em Coimbra, onde reside.
José Paulo Montenegro Mendonça Falcão foi oficial-adjunto do Comando do BCAV. 8423 e, regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975. Prosseguiu a sua carreira militar, comandou a Polícia Militar (no Porto e em Coimbra), esteve novamente no RC4 e foi 2º. comandante do Regimento de Cavalaria de Braga.
José P. Falcão nos anos
90 do século XX
Atingiu a patente de tenente-coronel, esteve em Lisboa e Es-
tremoz, antes de voltar a Coimbra - passando à reserva em 1996. O seu estado de saúde não é o melhor, na sequência de vários AVC´s. Maria do Carmo Gaivão, sua esposa e mãe do seu casal de filhos -, confidenciou-nos, há 4 anos, que se «encon-
tra muito doente». Assim infelizmente continua.
Para ele, vai o desejo de que lhe tudo corra pelo melhor, embrulhado no nosso abraço de parabéns!


sábado, 15 de julho de 2017

3 823 - FNLA quis armas do BCAV. 8423; a morte de Bernardo Oliveira!

Alferes milicianos Cavaleiros do Norte: Jaime Ribeiro (que hoje faz 67
 anos), António Garcia (falecido a 2 de Novembro de 1979) e José Alberto
Almeida. Imagem tirada do lado da capela do Quitexe. À esquerda, vê-
em-se as casernas, parada e Comando do BCAV. 8423

Os alferes milicianos António Garcia e Jaime Ribeiro, o
capitão miliciano médico Manuel Leal e o tenente SGE
Acácio Luz, no Quitexe e em 1974

O dia 15 de Julho de 1974 foi de luto para os Cavaleiros do Norte: faleceu Bernardo Oliveira, soldado do Grupo de Mesclagem da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel.
A morte resultou de um acidente de viação e Bernardo Oliveira era nativo angolano. Vivia no Caiango, concelho de de Alto Cauale, no Uíge.
A parada do Batalha de Caçadores 12 (BC 12)
Tinha 25 anos e foi mobilizado pelo RI 20. Está sepultado na campa 11-1 do Cemitério de Cangola - vila do Uíge e relativamente perto do Quitexe.
O dia por coincidência, foi de visita do comandante Almeida e Brito à 3ª. CCAV. 8423, para «estabelecimento de contactos operacionais».


Notícia do Diário de Lisboa de 15 de Julho de 
1975, sobre a situação em Luanda
Pedido de armas
ao BCAV. 8423

O dia 15 de Julho, mas de 1975 (um ano depois), foi tempo para a FNLA fazer «pedidos de armas retidas no quartel».
A situação militar uíjana continuava tensa: «Assiste-se a uma ocupação de parte do distrito por forças da FNLA», reportava o Diário de Lisboa dessa data, frisando que «a fuga das populações mais flagrante torna a divisão do país em zonas de influência que poderão conduzir a uma guerra de secessão».
Por alguma razão, queria a FNLA as armas à guarda dos Cavaleiros do Norte. Por alguma razão estavam a chegar refugiados da FNLA à cidade de Carmona.
Bem perto, na cidade de Salazar (actual N´Dalatando), «a situação parece não ter sofrido agravamento», mas sabia-se que dois aviões (não militares) que tentaram aterrar foram alvejados pelo MPLA, morrendo um piloto civil e ficando feridas várias pessoas.
Em Luanda, a situação estava «mais calma» (...), os rebentamentos «parecem(iam) ter terminado e são mais escassas as rajadas». Registou-se, porém, «o primeiro incidente desde há cerca de um ano, bem dentro da cidade do asfalto e junto ao Quartel General». 
Um alferes português foi sequestrado pela FNLA e depois libertado. Viaturas civis, e até um ambulância, transportavam armas que foram apreendidas pelas NT. De uma das vezes em que foram detectadas, forças da FNLA reagiram com fogo, «originando uma situação de certa gravidade». Um sargento português foi ferido.

O alferes Jaime Ribeiro
no encontro de 3/6/2017.
Em baixo, em 1974/75
Alferes Ribeiro, 67
anos no Tramagal


O alferes miliciano Ribeiro, comandante do Pelotão de Sapadores da CCS dos Cavaleiros do Norte, está em festa de anos: os 67!!! A 15 de Julho de 2017.
Jaime Rodrigues Picão Ribeiro é licenciado em engenharia e, nos trágicos primeiros dias de Junho de 1975, teve papel de-
terminante - «foi notório», segundo o louvor do Comandante do BCAV. 8423 - no acolhimento ao pessoal civil que acorreu ao BC12.
Também foi louvado por «ser bom condutor de homens, o que o cre-
dita merecedor de consideração dos seus superiores, da admiração do seus iguais e estima dos inferiores». E, na sua especialidade,
 «juntando à sua competência, a melhor boa vontade, conseguiu obter sempre os melhores resultados na construções que se fize-
ram, a maioria delas para melhoria do bem estar dos soldados».
O engº. Jaime Rodrigues Picão Ribeiro foi professor e formador profissional na FERNAVE (do Grupo CP). Aposentado, vive na vila do Tramagal e está de boa saúde e melhor disposição, como bem se viu no Encontro de 3 de Junho de 2017, da CCS e no RC4, em Santa Margarida.
Grande abraço! Parabéns!

sexta-feira, 14 de julho de 2017

3 823 - Dias difíceis em Carmona, a chegada de refugiados da FNLA!

Os furrieis milicianos Joaquim Farinhas (falecido a 14 de Julho de 2005),
Francisco Neto e Viegas na sanzala do Talambanza, com o «engraxador»
Papelino. O inesquecível «Papelino»...

O padre Albino Capela no baptizado de uma criança do
Família Rei, frente à Igreja do Quitexe 


A 14 de Julho de 1974, o comandante Carlos Almeida e Brito, do BCAV. 8434, voltou a reunir no Comando do Sector do Uíge (CSU), em Carmona e onde «foram estabelecidos contactos operacionais» - no seguimento, aliás, de encontros anteriores.
O dia foi intenso para o comandante dos Cavaleiros do Norte, que também se deslocou à Fazenda do Rio Duízo, acompanhado por autoridades administrativas e eclesiásticas do Quitexe. Certamente, o administrador Pimentel Teixeira (ou o interino Galina) e o padre Albino Capela - que ali terá celebrado missa.  
Era domingo e, em Luanda, a população dos musseques preparava uma greve, em luto pelas vítimas do Bairro Cazenga. Preparava-se para, no dia seguinte, segunda-feira, não comparecer ao trabalho e «vivia-se um clima de instabi-
lidade, registando-se alguns pequenos incidentes, sem consequências graves».
Diário de Lisboa. A 1ª. página da edição  de 14 de Julho de
 1975, há 40 anos!!!, sobre os incidentes de Luanda e
expulsão da FNLA, pelo MPLA

Dias difíceis 
em Carmona 

Um ano depois, Carmona e a região do Uíge continuavam sob as ameaças e actos da FNLA e do seu Exército Nacional de Libertação de Angola - o ELNA. 
Bem sentimos, na pele e na alma, as dores desses difíceis e arriscados tempos!
Em Luanda, o MPLA «correra» com a FNLA e dominava a situação - o que, conjugado com muitos outros factores (muitos deles desconhecidos, ao tempo), nomeadamente a conquista e domínio militar de outras regiões, fazia admitir, como relatava o Diário de Lisboa desse dia, «colocar em risco algumas unidades portuguesas estacionadas, nomeadamente no Uíge, com efectivos relativa-
mente pequenos, no caso de virem a ser acusados de darem apoio ao MPLA - como de resto, já tem sido feito». Era o caso do BCAV. 8423.
O dia de há precisamente 42 anos assinalou, também, o início de «constante afluxo de refugiados da FNLA a Carmona». Vindos de posições tomadas pelas FAPLA do MPLA e onde estava fragilizada a sua segurança.
O furriel miliciano sapador Joaquim
Farinhas, em 1975, em Carmona

A morte do furriel
Joaquim Farinhas


O furriel  miliciano Farinhas, do Pelotão de Sapa-
dores, faleceu a 14 de Julho de 2005. Já há 12 anos e em Amarante, de doença.
Joaquim Augusto Lopo Farinhas foi Cavaleiro do Norte, da CCS e no Quitexe, até Março de 1975 - quando, e já em Carmona, foi transferido por razões de natureza disciplinar. 
O Farinhas, de volta a Portugal (em data que desco-
nhecemos, esteve algum tempo emigrado nos Estados Unidos e, mais tarde, regressado a Portugal, fez carreira na Guarda Florestal. Infelizmente e vítima de doença, faleceu a 14 de Julho de 2005, na sua Amarante natal. Pelo Qui-
texe, foi companheiro de fartas, muitoi vivas e discordantes conversas, que algumas vezes politicamente se estremaram. Tinha as suas ideias, pouco coin-
cidentes com as da maioria (politicamente impreparada) dos frequentadores da nesse e bar dos sargentos, mas isso não afastou sensibilidades ou camaradagem. Era um bom companheiro! Que recordamos com muita saudade, fazendo memória de um Cavaieiro do Norte de sempre! RIP!!!

Vicente José Alves organizou o encontro da CCS
 de 2017, no RC4. O Carlos Ferreira. à direita,
vai organizar o do 2018, em Santaré
Mota e Vicente, 65 anos
em Lousada e Vila de Rei 

O Mota e o Vicente fazem hoje 65 anos, ambos com boa saúde e de bem com a vida.
Augusto António dos Santos Mota foi 1º. cabo auxiliar de enfermagem da 3ª. CCAV. 8423 - a da Fazenda Santa Isabel. Natural de Cristelo, em Lousada, lá regressou a 11 de Setembro de 1975
Augusto Mota, 1º.
 cabo 
enfermei-
ro da 3ª. CCA
e lá é empresário do sector da panificação, em sociedade com o irmão António Augusto - a Sociedade Panificadora Central.
Vicente José Alves foi condutor da CCS do BCAV. 84233, Cavaleiro do Norte do parque-auto (o da «ferrugem»), e o organizador do encontro de 2017, no RC4, em Santa Margarida. 
Natural de Cucados, freguesia do concelho de Vila de Rei (centro geodésico de Portugal), lá continua a residir - agora já aposentado da construção civil, de que foi (é) médio empresário.
Ambos está a festejar a bonita idade de 65 anos (também o 1º. cabo cozinheiro José Manuel Temporão Campos, da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala mas a residir em Monção) e para eles vão os nossos fortes abraços de parabéns!  

quinta-feira, 13 de julho de 2017

3 822 - Tropa Portuguesa no Uíge: a FNLA, Carmona, Negage e Salazar!

Combatentes da FNLA nas ruas da cidade de Carmona. Os dias de Julho
de 1975 foram de continuada provocação e ameaças aos Cavaleiros do

Norte, que, porém, controlaram, sem quaisquer baixas, a situação militar
Cavaleiros do Norte da CCS, ambos 1ºs cabos: o Joaquim
Breda, condutor (a tocar viola) e Victor Vieira, o Sacris-
tão, que hoje faz 65 anos na Vidigueira

O dia 13 de Julho de 1975, um domingo, foi tempo de, em Carmona, se realizar um comício da FNLA, com o seu ELNA, no qual se proferiram afirmações que ainda mais fragilizaram a confiança, já de si bem ténue, muito frágil, dos comandos e das NT, generalizadamente, na FNLA - que desabridamente acusava a tropa portuguesa de apoiar o MPLA.
O dia teve outras «marcas»:
1 - A FNLA impediu a saída de um MVL para Luanda (e tal repetiu no dia 21) - o que motivou enorme desconforto entre a guarnição e motivou mesmo uma reunião de um grupo de furriéis milicianos - quem, no terreno e hora a hora e dia a dia, vinha a comandar as NT, com alguns alferes milicianos  - reunião com o comandante Almeida e Brito.
2 -  A mesma FNLA que, recordemos, se achava a «dona do Uíge» procurou, sem efeiro, fazere«imposições aos comandos militares de Carmona». 
3 - A mesma FNLA, bem perto de Carmona, no Negage, cercou o quartel das NT e pediu as armas da CCAÇ. 4741, sem que tal se concretizasse. 
A FNLA, tanto quanto nos era dado a perceber, mais que se achar «senhora do Uíge«, tentava evitar a crescente ascensão territorial do MPLA e, por isso mesmo, pressionava e ameaçava as NT.
 A imprensa do dia 13 e Julho de 1975 relatava que, e citamos o Diário de Lisboa,«essa possibilidade poderia colocar em risco algumas unidades portuguesas estacionadas no distrito do Uíge com efectivos bastante pequenos». Bem entendido e disso mnão tínhamos dúvidas: colocar em risco os Cavaleiros do Norte e as suunidades que lhe estava adidas!
O quartel do Negage

Cerco à CCAÇ. 4741
e ataque ao Quartel de
Salazar (N´Dalatando)


O dia 13 de Julho de 1975 foi o oo cerco ao quartel do Negage, onde estava instalada a CCAÇ. 4741. Tinha estado em Santa Cruz e Sanza Pombo e dela tinha feiro parte o furriell João  Peixoto. Para ela tinha sido trabnferio,em mOutubro de 1974, o «nosso? furriel Mota Viana, da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala.
A FNLA queria armas, mas a situação foi rapidamente  controlada pelas NT - sem que se registassem quaisquer baixas.
Em Salazar, não muito longe da cidade de Carmona, as tropas MPLA bombardearam as posições do ELNA (tropa da FNLA) - cujos os elementos tiveram de se «refugiar no quartel das forças portuguesas»
A cidade (actual N´Dalatando) registou «bombardeamentos durante largo período de várias zonas da cidade, a partir de bases do MPLA». O próprio quartel das NT, foi alvo de «três granadas de morteiro», sem que, porém e felizmente, «tivessem provocado vítimas». 
José Morais, um dos 
comerciantes e
industriais do Quitexe


Reuniões no Quitexe, com
autoridades, comerciantes
e fazendeiros 

Um ano antes, o comandandante almeida e Brito reuniu, no Clube do Quitexe, com as autoridades tradicionais da zona.O objectivo era a «mentalização das populações» para a nova realidade política e social, saída do 25 de Abril -  a revolução de apenas três meses antes.
A razão foi a mesma para, no mesmo dia, «seguidamente reuir com os comerciantes e elevado número de fazendeiros».
Um dos comerciantes da vila quitexana era conterrâneo do (autor) do blogue - o sr. José Morais. Natural de Valongo do Vouga, em Águeda, era comerciante e industrial de camionagem, agente de produtos ds Sacor, da Gascidla, da CUCA e dos refrigerantes Crush.
Victor Vieira, o Sacristão, com a esposa e um
neto. Que o reconheceria com esta bigodaça?!
Em baixo, em 1974 e 1975


Vieira, o Sacristão, 65
anos na vidigueira

O 1º. cabo Vieira, auxiiar de serviços religiosos do BCAV. 8423, está hoje em festa dos 65 anos!
Victor Manuel da Cunha Vieira era (é) natural da Vidigueira, no Alentejo - onde nasceu a 13 de Julho de 1952. Lá regressou a 8 de Setem-
bro de 1975 e lá faz vida profissional, em actividades ligadas à restauração. 

Há 10 anos, teve um problema de saúde (um AVC), do qual recuperou suficientemente - de modo a poder continuar normalmente a sua vida pessoal, social, familiar e profissional. E é o que faz o Vieira - Cavaleiro do Norte que, pelo Quitexe, também eta conhecido por Vidiguêra (o nome da localidade com sotaque alentejano) - , a este nível, no café-bar da sede da Junta de Freguesia da vila.
Hoje faz 65 anos, na sua Vidigueira natal. Parabéns para ele, embrulhados na saudade de o não ver há quase 42 anos. Parabéns e  muitos mais, bons e felizes anos de vida! 


Campos de Zalala,
65 anos em Monção

O 1º. cabo cozinheiro Campos, da 1ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Zalala, faz 65 anos a 14 de Julho de 2017.
José Manuel Temporão Campos, de seu nome completo,  era natural e morador no lugar da Quinta dos Picados, da freguesia e concelho de Monção, e lá regressou a 9 de Setembro de 1975. Nada mais dele sabemos, mas não deixamos de lhe enviar o nosso abraço de parabéns, pela data feliz que hoje comemora.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

3 821 - Prevenção simples em Carmona; a morte do sargento ajudante Machado!

O sargento ajudante Luís Machado, em primeiro plano, faleceu a 12 de Ju-
 lho de 2000, aos 80 anos e em Évora. Na foto, vêem-se os alferes José Leonel
Hermida (de bigode e a sorrir) e António Albano Cruz (de óculos), com as
respectivas esposas. Em primeiro plano e à direita, o neto do capitão António
Oliveira, ao colo da mãe, no Natal de 1974, no Quitexe 


Cavaleiros do Norte da CCS. todos 1ºs cabos: Luciano
Gomes (mecânico de armamento ligeiro), Ezequiel Sil-
vestre (atirador de Cavalaria) e Vitror Vieira (auxiliar
de serviços religiosos, o sacristão)

O dia 12 de Julho de 1975, pelas bandas de Carmona, foi tempo de início de um «período de prevenção simples», que acabou no dia 18 e foi motivado pelas escaramuças da FNLA, que se achava senhora da guerra no Uíge, depois de ter «corrido» o MPLA durante os graves incidentes e combates da primeira semana de Junho.
As provocações repetiam-se, assim como veladas ameaças. «Houve que aguentar a provável ressaca da FNLA, face aos seus desaires em Luanda, Salazar e Malanje», lê-se no Livro da Unidade - o BCAV. 8423. 
A parada do BC12, vista da varanda do Comando. Ao
fundo, o refeitório e cozinha (à esquerda) e as oficinas
A prevenção justificou-se plenamente, exigindo maior e mais sacrifício dos Cavaleiros do Norte, mais exigente, e às subunidades que operacionalmente dependiam do BCAV. 8423. Logo no dia seguinte, 13 de Julho de 1975, dirigentes da FNLA (e do seu ELNA - o Exército de Libertação Nacional de Angola) profe-
riram graves acusações num comício de Carmona. E no Negage, imagine-se, cercaram o quartel da CCAÇ. 4741 - pedindo armas, para não se dizer que as «exigiam». No mesmo dia, impediram a saída de uma coluna (MVL) para Luanda - «operação» que repetiram a 23 desse Julho de 1975. 
A 15, em Carmona e ao Comando dos Cavaleiros do Norte, quiseram («exi-
giram») armas que o BCAV. 8423 retia (em depósito) no BC12 e que tinham pertencido a outras forças portuguesas - casos da OPVDCA e dos Flechas, presumidamente também dos já extintos GE's. 
Não foram fáceis estes tempos da nossa jornada africana do Uíge angolano!
Notícia do Diário de Lisboa de 12 de Julho de
1974, sobre os incidentes de Luanda

Calma em Luanda,
depois de 3 mortos
e 27 feridos

Um ano antes (em 1974) e depois dos inciden-
tes provocados pela morte do taxista europeu (branco), em Luanda, «o ambiente na cidade era de sossego». A maioria da população ape-
nas deles (dos incidentes nos Bairros do Cazenga e da Cuca), apenas deles soube e segundo relatava o Diário de Lisboa, pela «leitura dos jornais».
«A polícia e o Exército tomaram imediatamente rigorosas medidas de segu-
rança nalguns bairros do subúrbio, para evitar actos de retaliação», adiantava o jornal vespertino de Lisboa - há precisamente 43 anos.
Soube-se, entretanto, a identidade do taxista assassinado e com vestígios de estrangulamento: António Salgado, natural de Bragança. O cadáver foi encontrado dentro do táxi, junto à cápsula de uma bala e conservando o dinheiro e documentos. Daí, concluir-se que o móbil do crime não foi o roubo. 
Luís Machado, sargento
ajudante do BCAV. 8423

Machado, sargento-ajudante, 
faleceu há 17 anos !


O sargento ajudante Machado, da CCS do BCAV. 8423, faleceu a 12 de Julho de 2000, de doença e em Évora. 
Luís Leite Ferreira Machado, ao tempo com 54 para 55 anos - nascido a 15 de Maio de 1920 -, era, presumidamente, o mais velho entre todos os Cavaleiros do Norte. Trabalhava na Secretaria do Comando, chefiada pelo tenente Luz, e era respeitadíssimo por toda a guarnição e, em particular, pelos furriéis milicianos que com ele partilhavam o bar e a Messe da Sargentos do Quitexe. 
Voltou a Portugal a 8 de Setembro de 1975 e continuou a carreira militar. Fale-
ceu há precisamente 17 anos, aos 80 de idade e de doença, na sua Évora natal, e hoje o recordamos, evocando-o com saudade!
RIP!!!

terça-feira, 11 de julho de 2017

3 820 - Mortos em incidentes em Luanda e encontro de Uígenses na Bairrada!

p
Os furriéis milicianos Viegas e Cândido Pires, o sapador, que amanhã 
faz 65 anos em Niza. A 25 de Outubro de 1974, na sanzala Talambanza, 
na Estrada do Café, à saída do Quitexe para Carmona

Os uígenses vão encontrar-se a 30 de Julho de 2017, no
parque de merendas de Mogofores (Anadia) e com  pre-
sença de D. Francisco Mata Mourisca - foto KimBelfoto
O assassínio de um motorista de táxi em Luanda, na noite de 10 para 11 de Julho de 1974 e no Cazenga, despoletou aqueles que podem ser considerados os mais graves primeiros incidentes depois do 25 de Abril. «Provocou uma onde de indignação entre os profissionais da classe, extremistas brancos enfurecidos», noticiava o Diário de Lisboa, adiantando que «provocaram a morte de três pessoas, todos africanos 
Notícia do Diário de Lisboa de 12 de Julho
de 1974 sobre os incidentes de Luanda
africanos negros, e 27 feridos, 12 dos quais em estado grave». A manhã de 11 de Julho foi tempo para os motoristas e comerciantes brancos dos musseques protestarem junto ao Palácio do Governador e do Comando-Chefe, e «exigindo a sua protecção», que lhes foi garantida em comunicado do Secretário de Estado do Trabalho.
Entretanto, taxistas e camionistas dirigiram-se à Emissora Oficial e Emissora Católica «com o intuito confessado de se manifestarem contra a  conduta de dois conhecidos locutores, ambos angolanos» - Norberto de Castro e Sebastião Coelho - acusando-os de «incitarem a população negra contra a população branca», o que, do ponto de vista do Diário de Lisboa, que citamos, «não tinha qualquer fundamento».
Exaltados, alguns deles invadiram os estúdios e tentaram localizar Sebastião Coelho, mas este já tinha fugido com outros colaboradores da estação - a Católica. Mais ou menos ao mesmo tempo, uma centena de outros populares dirigiu-se à Emissora Oficial e procuraram Noberto Castro, mas disso foram dissuadidos. Já á noite e no Cazenga, uns 30 a 40 brancos «armados de cacetes e punhais» concentraram-se no local onde foi assassinado o taxista - mandando parar todas viaturas que transportassem pessoas de cor. Amassavam as viaturas com os cacetes (destruíram 6) e ameaçavam as pessoas. As que conseguiam fugir «eram perseguidas a tiro de pistola».
A intervenção da polícia e do Exército fez desfazer a concentração, mas soube-se que outra surgiu no bairro da Cuca, com, referia o DL, «o intuito declarado de fazer justiça pela próprias mãos». Foi nesta zona que se registou o maior número de vítimas e onde «extremistas brancos, enlouquecidos, atacaram um autocarro, ferindo os passageiros e provocando o pânico». Usaram cacetes, pistolas, caçadeiras e granadas.
D. Francisco da Mata
Mourisca, Bispo Emé-
rito do Uíge

Encontro de uígenses
em Mogofores (Anadia) 

O encontro anual dos uígenses está marcado ara 30 de Julho de 2017, no parque de merendas de Mogofores - concelho de Anadia. Terá a presença de D. Francisco Mata Mourisca, que era o Bispo de Carmona no tempo dos Cavaleiros do Norte. 
José Moreira dos Santos é o seu nome de baptismo e é natural de Mata Mourisca, freguesia de Pombal, onde nasceu a 12 de Outubro de 1928. Foi ordenado sacerdote a 20 de Janeiro de 1952, na Ordem dos Fra-
des Menores Capuchinhos, no Porto, e formou-se em Teologia na Universidade de Salamanca, em Espanha (1957). Exerceu vários cargos de responsabilidade, entre os quais o de Ministro provincial dos Capuchinhos em Portugal.
D. Francisco da Mata Mourisca, seu nome religioso, foi o primeiro Bispo da Diocese - entre 14 de Março de 1967 (quando foi nomeado pelo Papa Paulo VI, chegando a Carmona a 30 de Julho do mesmo ano) e 2008, ano em que resignou, passando a Bispo Emérito do Uíge.
Mogofores pertence ao município de Anadia, em plena Bairrada, e, por curio-
sidade, é a terra de nascimento de Toni (treinador e antigo futebolista interna-
cional do Benfica e da selecção nacional) e de residência do cantor José Cid.
Os interessados em participar no Encontro podem contactar a Associaçºao dos Amigoas do Uíge, na Calçada de Santo André, 31 | 1100-495 Lisboa, pelo telefone e fax 21 888 39 83, email geral@associacaodosamigosdouige.pt, ou ainda no site oficial - em  www.associacaodosamigosdouige.pt.
Furriel Cândido
Pires em 1974/75

Furriel Pires, sapador,
65 anos em Niza!

O furriel miliciano sapador Pires, Cavaleiro do Norte da CCS do BCAV. 8423, festeja 65 anos a 12 de Julho de 2017.
Cândido Eduardo Lopes Pires era, ao tempo de 1974/75, mora-
dor na Rua de Cabo Verde, no Montijo, e lá voltou a 8 de Setem-
bro de 1975 - no final da comissão em Angola, pelas uíjanas terras do Quitexe de Carmona. Por lá fez vida e constituiu família mas desde há vários anos que reside na vila de Niza, onde é funcionário camarário.
Participou no encontro de 3 de Junho de 2017, no RC4, e para Niza vai, em-

brulhado em quitexanos afectos, o nosso abraço de parabéns!