CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

terça-feira, 21 de abril de 2020

5 034 - Comandantes no BC 12 e no Songo, MPLA denuncia zairenses em Angola!


Oficiais do BCAV. 8423 na avenida do Quitexe e em frente ao edifício do Comando: alferes milicianos
 Jaime Ribeiro e António Garcia e tenentes Acácio Luz e João Eloy Borges da Cunha Mora, que faleceu
de doença a 21 de Abril de 1993. Há 27 anos! RIP!!
Quarteto de rádio-montadores da CCS do BCAV. 9423:
soldado  António Silva, 1º. cabo António Pais, furriel
António Cruz e 1º. cabo Rodolfo Tomás

A segunda-feira de 21 de Abril de 1975 foi farta em acontecimentos no BCAV. 8423, logo começando pela visita do comandante do Comando Territorial de Carmona (CTC) ao BC12, onde se aquartelavam nos Cavaleiros do Norte.

O brigadeiro comandante do CTC, cujo nome nos escapa já na memória, foi recebido «com formatura geral do BCAV.» na parada do BC12, fazendo-se acompanhar pelo seu Chefe do Estado Maior.
Outro acontecimento do dia foi a deslocação do capitão José Diogo Themudo, 2º. comandante do BCAV. 8423, ao Songo, a uns 40 quilómetros de Carmona, com o objectivo de «tratar da instalação a 1ª. CCAV. 8423», a Companhia da mítica Fazenda de Zalala, comandada pelo capitão miliciano Davide de Oliveira Castro Dias e que por essa altura estava em Vista Alegre e Destacamento da Ponte do Dange.
O dia foi também marcado por uma tentativa de troca de prisioneiros, no Úcua e sem êxito. O livro «História da Unidade» não identifica os prisioneiros, mas, muito provavelmente, seriam homens dos movimentos de libertação.
Notícia do Diário de Lisboa de 21 de Abril de
1975 sobre a actualidade angolana

MPLA denuncia entrada
de zairenses em  Angola

O dia 21 de Abril de 1975 foi também assinalado pela afirmação de Agostinho Neto, presidente do MPLA, denunciando a entrada de soldados zairenses em Angola.
«São militantes da FNLA e por isso considerados como patriotas angolanos», afirmou o presidente do MPLA, sublinhando que «entram em Angola em grande número e muito bem equipados, melhor do que quando estavam em guerra contra ao domínio colonial português».
Agostinho Neto responsabilizou também a FNLA «pelas recentes confrontações sangrentas de Luanda», durante os quais e segundo disse, «morreram centenas de pessoas», e admitiu cooperar com a UNITA de Jonas Savimbi. Só que, referiu, «continuam a ocorrer incidentes entre elementos dos dois movimentos», dando o exemplo do «espancamento até à morte» de um militante do MPLA, por homens da UNITA, em Wambo e «há três ou quatro dias».
O tenente Mora, os furriéis milicianos Neto,
Viegas e Monteiro e o 1º. cabo Miguel em frente
à secretaria da CCS do BCAV. 8423, na
avenida do Quitexe e em 1974
Senhora Mora

Tenente João Eloy Mora

faleceu há 27 anos !

O tenente João Eloy Borgs da Cunha Mora, 2º. comandante da CCS do BCAV. 8423, faleceu há 27 anos, no dia 21 de Abril de 1993.
Natural de Pombal, onde nasceu a 30 de Junho de 1926, fez carreira militar e a sua mobilização para o BCAV. 8423 coincidiu com a sua promoção de alferes a tenente. Era, pelo Quitexe da nossa saudade, o «nosso tenente Palinhas», por sempre exigir a palada como cumprimento, as vezes que fossem por dia. 
Casado com uma senhora indiana, nossa contemporânea na jornada angolana do Uíge, sabemos que faleceu de doença, numa altura em que residia na Lapa, em Lisboa. Hoje o recordamos com saudade e dele fazemos memória. RIP!!!



Mendes, 1º. cabo da CCS
faleceu há 11 anos!

O 1º. cabo Carlos Alberto de Jesus Mendes faleceu a 21 de Abril de 2009, de doença e em Lisboa. Há 11 anos!
Cavaleiro do Norte da CCS e electricista de especialidade militar, morava na Rua Maria Pia, freguesia de Santa Isabel, em Lisboa, e lá regressou a 8 de Setembro de 1975, quando terminou a sua (e nossa) comissão militar em Angola. Morava ultimamente na Rua Presidente Arriaga, aos Prazeres, na capital portuguesa, onde faleceu aos 57 anos. RIP!!!   


segunda-feira, 20 de abril de 2020

5 033 - Comandante no Negage em dia de incidentes!

Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423. Sentados, os alferes Carvalho de Sousa e João Machado, capitão
José Manuel Cruz, alferes Jorge Capela e furriel José Fernando Melo, todos milicianos. De pé e à direita,
 João Rito, que hoje faria 68 anos mas, de doença, faleceu a 01/03/2016. Alguém identifica os outros dois?
Condutores da CCS: Manuel Alves (?), Alípio
Canhoto (ambos em cima), Delfim Serra,
António Picote e Manuel Gonçalves

O dia-a-dia angolano do Uíge de há 45 anos, dia 20 de Abril de 1975, continuava mais ou menos calmo, mas repetindo-se incidentes, avulsos, entre os homens armados dos movimentos de libertação, desejosos de marcar posição no território político. 
Só que pela força das armas...
A intensa actividade desenvolvida nos patrulhamentos de longo curso não eram alheios à acalmia, que mais ou menos estabilizava a vida colectiva. Assim como os serviços de «policiamento» permanentemente desenvolvidos nas malhas urbanas - ora em Carmona, principalmente, ora no Negage, no Songo, no Quitexe e em em Vista Alegre/Ponte do Dange, por onde ainda estavam activos aquartelamentos militares portugueses.
A 20 de Abril de 1975, porém, essa estabilidade foi quebrada no Negage, o que, segundo o relato do livro «História da Unidade», «obrigou à realização de uma reunião conjunta com a FNLA, de modo a obter uma mentalização do que deverá ser a missão das NT e dos Exércitos de Libertação neste período que decorre até à independência».
O que andava em causa, na pratica, era uma questão de autoridade e soberania: que ainda era totalmente responsabilizada às Forças Armadas Portuguesas. O que, valha a verdade, não era muito bem aceite pelos movimentos de libertação - que entre eles também não se entendiam.

Almeida e Brito
Almeida e Brito na CCAÇ. 4741 em
dia de incidentes no Negage !

O comandante Carlos Almeida e Brito deslocou-se ao Negage no dia 20 de Abril de 1975, na «continuação das visitas às subunidades» então operacionalmente dependentes do BCAV. 8423.
Lá estava aquartelada a CCAÇ. 4741/74 e o dia, como acima se lê, coincidiu com os incidentes  desta cidade, o que obrigou à realização da sobredita reunião conjunta, com a FNLA, com vista a «encontrar entendimentos entre os movimentos». O que, valha a verdade, não era nada fácil. Bem pelo contrário! Eram bem conhecidas as suas diferenças políticas, cada vez mais «discutidas» pelas armas.

João J. Rito e esposa, no
encontro do Fundão (2013)

Rito de Aldeia Viçosa
faria 67 anos !

O soldado João Jerónimo Rito, da 2ª. CCAV. 8423, faria 68 anos a 20 de Abril de 2020  mas, de doença, faleceu a 1 de Março de 2016.
Cavaleiro do Norte atirador de Cavalaria, regressou a Castelo Branco no dia 10 de Setembro de 1975, por lá fazendo a sua vida familiar e profissional. 
Doença incurável levou-o do nosso convívio físico, falecendo a 1 de Março de 2016, na sua Castelo Branco natal, enlutando família e amigos. Entre eles, os companheiro dos tempos angolanos dos chãos angolanos! RIP!!!
Abílio Gonçalves

Gonçalves, cripto de Santa Isabel,
6o anos em Oliveira de Azeméis!

O 1º. cabo Abílio Pimenta Gonçalves, operador-cripto da 3ª. CCAV. 8423, comemora 68 anos a 20 de Abril de 2019.
Cavaleiro do Norte da Fazenda de Santa Isabel e natural do lugar de Costa, da freguesia e vila de Cucujães, do município de Oliveira de Azeméis, lá voltou a 11 de Setembro de 1975, quando terminou a sua comissão angolana.
Por lá continua a viver e não se «poupa» aos encontros anuais dos Cavaleiros de Santa Isabel. Para ele vai o nosso abraço de parabéns!

domingo, 19 de abril de 2020

5 032 - Controlo militar do tráfego dos itinerários principais do Uíge"


Cavaleiros do Norte do Quitexe, todos 1ºs. cabos escriturários da CCS do BCAV. 8423: Miguel Soares
Teixeira, João Manuel Martins Pires e Jorge Manuel de Sousa Pinho, que faleceu a 19 de Abril
  
de 1996,
no Porto e de doença, hoje se passam 24 anos. RIP!!!
Cavaleiros do Norte de Zalala: o furriel miliciano José
 António Nascimento ladeado pelos condutores-auto
Tarciso Rebelo e (?) Manuel Almeida

O sábado de 19 de Abril de 1975 e lá pelas terras uíjanas de Angola, não foi muito diferente dos dias imediatamente anteriores e para os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423: serviços de ordem (internos), escoltas e patrulhamentos permanentes na cidade de Carmona e itinerários principais. 
Nomeadamente a Estrada do Café, que liga(va) a Luanda e por onde se registava o grosso do tráfego rodoviário do tempo! Principalmente o pesado.
Outros itinerários preocupantes eram as ligações à cidade do Negage (onde se localizava a base aérea, a CCAÇ. 4741 e o hospital militar) e ao Songo, a nordeste de Carmona, onde se aquartelava a CCAÇ. 5015 e para onde dentro de poucos dias (a 24 de Abril) rodaria a 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala e do capitão miliciano Davide Castro Dias, ao tempo estacionada em Vista Alegre e no Destacamento de Ponte do Dange.
Carmona: o campo do Futebol Clube do Uíge e,
ao fundo, o Instituto do Café de Angola (1975)
vistos do Bairro Montanha Pinto

Patrulhamentos
nos chãos do Uíge!

A imperativamente necessária adaptação dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 ao meio e aos desafios urbanos estava em cada vez melhor andamento, mais tranquila e serena, já se conheciam as diferentes «inseguranças» que  complicavam e periclitavam o dia-a-dia da cidade (e dos seus bairros populares) e a forma de actuar era compatível com as exigências operacionais. Nem sequer os cada vez mais repetidos incidentes entre as forças militares da FNLA e do MPLA atrapalhavam a missão dos homens comandados pelo tenente-coronel Carlos Almeida e Brito.
Ou mesmo os incidentes que se registavam nos renhidos prélios futebolísticos que se disputavam na cidade, entre clubes rivais da região - sempre muito intensos e com algumas escaramuças entre civis, adeptos de clubes e/ou movimentos, que originavam a intervenção da tropa portuguesa.
Jorge Pinho, 1º.
cabo escriturário

Pinho, 1º. cabo escriturário
do Comando, faleceu há 24 anos!

O 1º. cabo Jorge Manuel de Sousa  Pinho, Cavaleiro do BCAV. 8423, no Quitexe, faleceu há 24 anos, no dia 19 de Abril de 1996.
Escriturário da secretaria do Comando do BCAV. 8423, foi louvado, por proposta do então
tenente Acácio Luz, porque «como dactilógrafo da Ordem de Serviço do Batalhão, desde o início da comissão, pôs naquele serviço muito interesse, entusiasmo e aplicação».
«Sempre com enorme boa vontade de acertar e procurando aperfeiçoar-se progressivamente, não se poupando a esforços para apresentar em tempo e da melhor maneira o serviço de que era encarregado, passou a merecer a confiança e a estima dos seus superiores», sublinha o louvor, publicado na Ordem de Serviço nº. 173, concluindo que «estas qualidades, aliadas a um trato correcto e solícito, o tornam merecedor de público louvor».
Regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975 e fixou-se na Rua dos Choupos, em Ramalde (Porto). Aos (quase) 44 anos, que faria a 25, faleceu a 19 de Abril de 1996, quando morava no Bairro dos CTT, no Porto. RIP!!!

Carvalho de Santa Isabel,
6o anos em Amares !

O soldado Joaquim Fernandes de Carvalho, condutor auto-rodas da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, festeja 68 anos a 19 de Abril de 2020.
Cavaleiro do Norte natural da freguesia de Fiscal, no concelho de Amares, a
terra natal do falecido cantor António Variações, lá residia, na Rua da Igreja e lá regressou a 11 de Setembro de 1975, no final da sua jornada africana de Angola, pelas terras do nortenho Uíje. Para lá vai o nosso abraço de felicitações.

sábado, 18 de abril de 2020

5 031 - O 2º. comandante em Vista Alegre, Daniel Chipenda na FNLA!

Vista Alegre, Uíge angolano. Parte do que foi o aquartelamento da tropa portuguesa e, em particular, da
1ª. CCAV. 8423, do capitão Davide Castro Dias, a última guarnição, que la substituiu, a 21 de Novembro
de 1974. a CCAÇ. 4145, do capitão Raúl Corte Real
Foto de 24 de Setembro de 2019
Furriéis milicianos da 1º. CCAV. 8423, a de Zalala, em trajes
 pouco militares e penteados muito... modernaços: Américo
Rodrigues, Eusébio Martins e Jorge Barata (já falecidos)
e Plácido Queirós

O capitão José Diogo Mota da Silva Themudo, 2º. comandante do BCAV. 8423, deslocou-se a Vista Alegre e Quitexe no dia 18 de Abril de 1975, há 45 anos, no âmbito do plano de «visitas às subunidades».
Vista Alegre, por esse tempo, aquartelava a 1ª. CCAV. 8423, a da mítica Fazenda de Zalala - «a mais rude escola de guerra» -, comandada pelo capitão miliciano Davide de Oliveira Castro Dias e que para lá começara a rodar no dia 21 de Novembro de 1974. 
A guarnição incluía o Destacamento de Ponte do Dange e o capitão José Diogo Themudo fez-se acompanhar pelo alferes miliciano António Albano Cruz, comandante do Parque-Auto, em missão de rotina fiscalizadora das viaturas.
O regresso de Vista Alegre motivou uma paragem no (nosso saudso) Quitexe, onde se aquartelava a 3ª. CCAV. 8423, a do capitão José Paulo de Oliveira Fernandes - lá chegada a 10 de Dezembro de 1974, rodando da Fazenda de Santa Isabel e então se se juntando à CCS.
Daniel Chipenda (à esquerda)


Revolta do Leste e
Chipenda na FNLA! 

O dia 18 de Abril de 1975, uma sexta-feira, foi tempo de se saber que a Revolta do Leste, facção dissidente do MPLA liderada por Daniel Chipenda - e por isso também vulgarmente denominada Facção Chipenda - se dissolveu e foi integrada na FNLA.
O acordo tinha sido assinado na véspera, em Kinshasa, e previa que Chipenda passasse a integrar o Conselho Nacional da Revolução e do Gabinete Político, assumindo também as funções de secretário-geral adjunto da FNLA.
A France Press, agência que dava a notícia,  acrescentava que «os principais elementos da facção dissolvida ocuparão igualmente postos de responsabilidade nas diferentes instância da FNLA».
A tropas da Facção Chipenda, ainda segundo a France Press, «serão integradas nas unidades do Exército Nacional de Libertação de Angola» - o ELNA, que era o braço armado, o exército da FNLA de Holden Roberto.
O furriel Viegas com a 
madrinha Isolina e as
netas Fátima e Idalina,

em Abril de 1975 1975
O furriel Viegas em Nova Lisboa, em Outubro de
 2019, frente à casa do (seu) tio-avô Joaquim
Viegas (a amarela) que lá foi reencontrar

Férias por Angola,
adeus ao Huambo !

Os furriéis milicianos Cruz e Viegas, por estes dias de Abril de 1975, faziam malas para o adeus a Nova Lisboa,  actual Humbo - a caminho das litorais cidades de Benguela e Lobito.
A viagem foi feita em comboio do Caminho de Ferro de Benguela, em longas horas e muitas paragens - que muiyo boa parte dos passageiros aproveitavam para vender (e comprar) mercadorias de todo o tipo e feitio. Até animais vivos.
Nova Lisboa e o planalto huambano ficavam para trás, mas continuaram permanentemente arquivadas nas nossas memórias - que em Outubro de 2019 foi avivar ao... vivo. E nas nossas memória, até hoje, pelo que era a sua belíssima paisagem, a sua qualidade de vida e modernidade, os equipamentos urbanos, sociais e culturais, a sua riqueza natural, o desenvolvimento, é verdade..., mas principalmente pela cortesia e bem-receber das suas gentes! O seu fino trato e generosidade! Inesquecíveis!
Tudo isso reencontrei em Outubro de 2019, quando lá voltei, em jornada de saudade e memória e lá reachando as casas do tio-avô Joaquim Viegas e da família Neves Polido, onde morava a madrinha Isolina, mãe de Cecília Neves.
Adicionar legenda

Martins de Zalala, 68
anos em Alverca !

O 1º. cabo José Miguel Martins, da 1ª. CCAV. 8423, a  Fazenda de Zalala, festeja 68 anos a 18 de Abril de 2020.
Atirador de Cavalaria do 4º. Grupo de Combate, o do alferes miliciano José Manuel Lains dos Santos, com os furriéis milicianos Américo Rodrigues, Jorge Barata (ambos já falecidos) e José Louro, regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, fixando-se em  Aldeia de Santa Margarida, do concelho de Idanha-a-Nova.
Mora agora em Alverca, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

sexta-feira, 17 de abril de 2020

5 030 - Delegação ONU/OUA recebida em Luanda por verdadeira tempestade de protestos públicos

A vila do Quitexe, com a Igreja de Santa Maria de Deus ao fundo, vista do jardim da Administração e com
a Estrada do Café pelo meio. Atrás do imbondeiro, à direita, ficava o comando, parada, casernas, oficinas,
cozinha e refeitório do BCAV. 8423. Imagem de 24 de Setembro de 2019
Avenida do Quitexe, ou Rua de Baixo. À esquerda, a
messe de oficiais (de cor laranja); à direita, o bar
dos praças do BCAV. 8423. 
ONU


A delegação da Organização de Unidade Africana (OUA) e da Organização das Nações Unidas (ONU) chegou a Luanda no dia 17 de Abril de 1975, hoje se passam 45 anos. 
«Recebida com bastante frieza», reportou o Diário de Lisboa, citando despachos das agências noticiosas Reuters e  France Press e dando conta, também, que foi «aguardada apenas pelo embaixador da Zâmbia em Luanda e por um oficial das Forças Armadas Portuguesas».
A missão era chefiada por Abdul Farah, assistente do secretário geral das Nações Unidas (que era Kurt Waldheim) e «chegou a Luanda no meio de uma verdadeira tempestade de protestos públicos». 
«Todo o mundo deseja a paz em Angola e todos os movimentos de libertação possuem, sem dúvidas, dirigentes conscientes, por isso mesmo estamos seguros que, sob orientação desses dirigentes, a prosperidade angolana é verdadeiramente possível», disse Abdul Farah, comentando o objectivo da delegação que chegava na capital de Angola.
Daphe De Groot
consulesa da Holanda
 

Agressão à consulesa
holandesa em Luanda

O mesmo dia foi tempo para, na sede do jornal «A Província da Angola», na baixa de Luanda e ao lado da mítica Portugália, tempo para uma agressão a Daphe De Groot, mulher do cônsul da Holanda em Angola. 
«Foi brutalmente espancada», refere o Diário de Lisboa desse dia de há 45 anos. 
O jornal era diário matutino e acusado de ser afecto à FNLA. O director e proprietário era Rui Correia de Freitas, de quem se dizia que era «um elemento ligado ao ex-regime fascista-colonialista e teve papel de relevo no golpe falhado de 28 de Setembro».
«Ao ser-lhe passado um mandato de captura - referia, ainda, o Diário de Lisboa desse dia - refugiou-se na África do Sul, tendo regressado em princípios de Março, sob a protecção da FNLA».
Os Cavaleiros do Norte, lá pelo Uíge, continuavam, e com êxito, a sua missão de protecção de pessoas e bens, sem olhar a cores de pele e de política, de religião ou de fé. As primeiras eleições pós-25 de Abril preparavam-se no terreno, com imensos comícios no Portugal Europeu e, em Carmona, os Cavaleiros do Norte iam sendo esclarecidos e operacionalizados.
«Dando a nossa colaboração ao processo revolucionário de Portugal, foi o BCAV. encarregado da montagem das mesas de voto em Carmona», refere o livro «História da Unidade». Estávamos a uma semana das eleições para a Assembleia Constituinte, a 25 de Abril de 1975.
Joaquim Mendes

Mendes de Aldeia Viçosa,

68 anos em Vila de Rei !

O atirador de Cavalaria Joaquim Gaspar Mendes, da 2ª. CCAV. 8423, festeja 68 anos a 17 de Abril de 2019.
Cavaleiro do Norte de Aldeia Viçosa, e mais tarde de Carmona, regressou a Portugal no dia 10 de Setembro, quando terminou a sua comissão militar em Angola. 
Natural do lugar de Souto, da freguesia de Fundada, no concelho de Vila do Rei, a vida levou-o para um bocadinho ao lado, para Estevais - a terra de Vicente José Alves, condutor da CCS. É para lá, e para ele, que vai o nosso abraço de parabéns! 



quinta-feira, 16 de abril de 2020

5 029 - O Pelotão de Morteiros 4281, a preparação das eleições para a Constituinte!

Grupo do Pelotão de Morteiros 4281. O alferes miliciano João Leite, seu comandante, é (?) o  terceiro,
a contar da direita. O terceiro da esquerda é o enfermeiro Esmoriz (Delmar). E os outros,
 quem os identifica? Chegou a Angola
 a 16 de Abril de 1974. Há 46 anos!
Os alferes milicianos João Leite, copmandante
do PELMOR 4281, António Garcia e Jaime Ribeiro
Os furriéis milicianos
F. Pires e LF Costa



O Pelotão de Morteiros 4281 (PELMOR 4281) partiu para Angola a 16 de Abril de 1974, há 46 anos, e, depois de uns dias no Campo Militar do Grafanil, em Luanda, partiu para o Quitexe - onde, a partir de 6 de Junho, foi contemporâneo dos Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423.
O PM 4281 era comandado pelo alferes miliciano João Leite, açoriano agora radicado nos Estados Unidos, onde é empresário em San Lorenzo (Califórnia), onde é empresário da área das tecnologias de informação. 
Os seus quadros incluíam o 2º. sargento Fernando Gomes (que lá vivia com a esposa), Comando de formação militar mas em Angola o responsável pela secretaria, e os furriéis milicianos Luís Filipe dos Santo Costa e Fernando de Freitas Reimão Fernando Pires, os operacionais.
O PELMOR 4281 aquartelou-se no Quitexe até 4 de Janeiro de 1975, onde foi companheiro dos Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423, começando a sua rotação para Carmona a 20 de Dezembro anterior e para o BC12.
Cartaz das eleições para a
Assembleia Constituinte (1975)

Palestras orientadoras
para as eleições !


A aproximação das primeiras eleições pós-25 de Abril, as da Assembleia Constituinte e marcadas para 25 de Abril de 1975, originaram a realização de «palestras orientadoras». 
A primeira, na cidade de Carmona e a cargo de oficiais militares portugueses, ocorreu a 16 desse mês - hoje se fazem 4 anos. Repetir-se-ia nos dias 23 e 24 seguintes, neste caso «uma outra, orientadas por oficiais do Comando Territorial de Carmona e do BCAV. 8423, ambos delegados do MFA».
O BCAV. 8423, aliás, estava profundamente ligado ao processo eleitoral, já que «em colaboração com o processo revolucionário de Portugal, foi encarregado da montagem das assembleias de voto em Carmona». 
Furriéis Mota Viana e Eusébio Martins
 (que faleceu há 7 anos), alferes Carlos
 Sampaio e furriel Plácido Queirós


Furriel Eusébio
morreu há 6 anos

O furriel miliciano Eusébio Manuel Martins, da 1ª. CCAV. 8423, faleceu há 7 anos, de doença e a 16 de Abril de 2014.
Cavaleiro do Norte de Zalala, era natural de Caria, em Belmonte, e morava nesta vila, onde foi funcionário da Escola Profissional Agrícola.
A saúde começou a atormentá-lo em 2008 e a má circulação sanguínea e os diabetes levaram-o cinco vezes às mesas de operações, acabando por perder a perna esquerda. Nada, todavia, que lhe retirasse o entusiasmo e gosto de viver. 
«Fiquei mais leve...», disse ele, a esse tempo e ao telefone, sem sombra de amargura que se lhe percebesse, sublinhando até, com ironia, que «a partir dos 50, vamos perdendo a validade. É como os iogurtes!!!...».
Hoje, 6 anos depois da sua morte, aqui o recordamos com saudade, em memória, de um bom companheiro da jornada angolana. RIP!!!
Furriéis milicianos da 3ª. CCAV . 8423: Rabiço,
Belo (de óculos), Fernandes, Victor Guedes
(que faleceu há 22 anos) e Querido

Furriel Victor Guedes
faleceu há 22 anos !

O furriel miliciano Victor Mateus Ribeiro Guedes, da 3ª. CCAV. 8423, faleceu a 16 de Abril de 1998, a poucos dias de chegar aos 46 anos!
Cavaleiro do Norte especialista de armamento pesado dos Cavaleiros do Norte da Fazenda Santa Isabel, e depois no Quitexe e Carmona, regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975 e fixou-se em S. Sebastião da Pedreira, freguesia da cidade de Lisboa.
A vida levou-o para Rio de Mouros, em Sintra, e lá faleceu,  vítima de doença aos (quase) 46 anos - nascido a 17 de Maio de 1952. Recordamo-lo com saudade, 22 anos depois do seu passamento e fazendo memória de um bom companheiro da nossa jornada africana de Angola. RIP!!!

quarta-feira, 15 de abril de 2020

5 028 - Calma fictícia no Uíge e reforço dos Cavaleiros do Norte em Carmona!

Quitexe, a 24 de Setembro de 2019. A Igreja de Santa Maria de Deus (ao fundo, esquerdo) e o que resta
da parada, casernas oficinas e refeitório do BCAV. 8423. O espaç está ocupado com pavilhões onde
funciona uma escola de, supomos, ensino médio
Furriéis milicianos da 3ª.. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa
 Isabel, da qual um grupo de combate reforçou a guarnição
 de Carmona há 45 anos, de 15 para 16 de Abril de 1975:
Fernandes, Guedes, Rabiço, Querido e Belo

A necessidade de intensificar patrulhamentos e a segurança da cidade de Carmona levou os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 a serem reforçados, de 15 para 16 de Abril de 1975.
Reforçados há 45 anos e com um grupo de combate da 3ª. CCAV. 8423, a do capitão miliciano José Paulo Fernandes e da Fazenda Santa Isabel, mas ao tempo já instalada na (nossa) saudosa vila do Quitexe - desde o dia 10 de Dezembro de
Os capitães milicianos Cruz e
 Fernandes, comandantes da 2ª.
 CCAV. e da 3ª. CCAV., com o
 alferes João Machado
1974. Depois de,na véspera, ao BC12 ter chegado outro grupo de combate, este do BCAÇ. 5015.
«Houve que reforçar temporariamente o BCAV. (...), porquanto, pretendendo-se ao mesmo tempo realizar patrulhamentos de longo curso, chamemos-lhe assim, não de podia deixar a cidade de Carmona inactiva», reporta o livro «História da Unidade», sublinhando que «muito embora se verifique que a nossa actividade está muito circunscrita aos centros urbanos, pois que à FNLA outra coisa não interessa, está-se conseguindo uma situação de calma, fictícia é certo, mas que permite um dia a dia mais ou menos estável, quebrado por um ou outro incidente».
Bem dizia (e escreveu) o comandante Carlos Almeida e Brito, e lá saberia porquê: «Uma calma fictícia, é certo (...). O tempo de então, e de forma muito real e dramática - trágica, diríamos..., como se «viu» na primeira semana de Junho de 1975 -, se encarregaria de confirmar tão «profética» e antecipada verdade.

OUA e ONU
em Luanda

Luanda, a esse tempo, continuava com as mesmas dúvidas e diferenças. 
O MPLA opunha-se formalmente ao envio da missão da OUA, que Lúcio Lara considerava «uma interferência contrária aos interesses nacionais». Em causa, recordemos, estavam «as sangrentas confrontações recentemente ocorridas entre partidários do MPLA e da FNLA», na capital de Angola.
Ao tempo já estava em Luanda um delegação de 4 elementos da OUA, chefiada por Adbuirahib Farah, secretário geral das Nações Unidas para as Questões Políticas Especiais, que, porém, apontava como objectivo «estudar as necessidades do país no campo social e económico».
António Honório Campos
alferes miliciano médico
O capitão Fernandes e os alferes
Pedrosa, Silva, Simões e Campos

Alferes-médico Campos,
76 anos em Coimbra !

O alferes miliciano médico Campos está festa de anos: comemora 76 a 16 de Abril de 2020, em Coimbra.
António Honório de Campos serviu o Batalhão de Cavalaria 8423 na CCS (substituindo o capitão dr. Manuel Leal), a 2ª. CCAV. Companhia (Aldeia Viçosa) e a 3ª. CCAV. (em Santa Isabel), com «elevada competência profissional»,
 justificando «merecido louvor», proposto pelo capitão José Paulo Fernandes, da 3ª. CCAV. 8423.
Acumulou funções militares com as de Delegado de Saúde do Quitexe, apoiando «toda a população civil, sem olhar a horas de trabalho», como se lê no louvor do comandante Almeida e Brito, acrescentando-lhe «dedicação integral a todos os casos vividos».
O grave conflito armado entre a FNLA e o MPLA, no Quitexe e em Junho de 1975, levou-o a ter de «actuar quase sozinho, perante elevado número de feridos muito graves, patenteando elevada isenção» e manifestando  «a sua capacidade técnica e humana, em actividade digna de realce».
Regressado a Portugal, seguiu carreira de dermatologista, chegando a assistente graduado do Hospital Infante D. Pedro, em Aveiro, e exercendo medicina privada. Está aposentado desde Outubro de 2006 e vive em Coimbra, de onde se divide, no dia-a-dia, com a Figueira da Foz. 

Parabéns!

terça-feira, 14 de abril de 2020

5 027 - Alferes António Albano Cruz de luto pela morte da Mãe!

Maria Ermelinda Cruz, ladeada pelos casais Maria
Violontina/Acácio Luz (capitão, à esquerda) e António
Albano Cruz (filho e nora, dra. Margarida) em 2017
Maria Ermelinda Cruz


O alferes miliciano António Albano Araújo de Sousa Cruz está de luto pela morte da Senhora Sua Mãe, D. Maria Ermelinda Guimarães de Sousa Araújo Cruz, de 94 anos.
Viúva de António Albano Cruz, residia na Casa de Palmeiró, em Palmeira, município de Santo Tirso, e tinha festejado anos a 9 de Abril último. Sofreu uma queda e, transportada ao hospital, não resistiu a uma embolia, falecendo na manhã hoje.
O funeral está marcado para as 11 horas de amanhã, dia 15 de Abril de 2020, em Palmeira e para o cemitério local.
Devido ao problema de saúde pública causado pelo Covid-19 e cumprindo as orientações civis e religiosas, não haverá velório e a celebração das exéquias será realizada apenas para os familiares directos.
A comunidade dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 associa-se à dor e comunga o luto do companheiro António Albano, com ele partilhando, solidária, este momento de despedida física da Senhora Sua Mãe, D. Maria Ermelinda Guimarães de Sousa Araújo Cruz.
Grande abraço! RIP!!!

5 026 - Intensa actividade operacional de patrulhamentos mistos» em terras do Uíge!

A Casa Diocesana de Carmona na estrada da cidade (agora Uíge, capital da província deste nome) para
 o aeroporto. Aqui se refugiaram, além do BC12, muitos cidadãos na dramática primeira semana de
 Junho de 1975. A foto é de 25 de Setembro de 2019
Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, todos atiradores
de Cavalaria: soldado José Eusébio, furriel José Fernando
Carvalho, alferes Mário Simões e soldado Caroço da Silva 
Estandarte do BCAÇ.  5015,
com CCS  na Damba


A guarnição uíjana dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 foi reforçada a 14 de Abril de 1975, há 45 anos, com um grupo de combate do BCAÇ. 5015.
O Batalhão tinha a CCS instalada na Damba e subunidades operacionais em Chimacombo (1ª. CCAÇ.), Mucaba (2ª. CCAÇ.) e Cachalondo (3ª. CCAÇ.)
Ao tempo, os incidentes que «vieram em ressaca até Carmona», desde Luanda e Salazar (N´Dalatando), levaram a decisões operacionais no sentido de «obstar a tais inconvenientes e para cumprir uma intensa actividade operacional de patrulhamentos mistos» na área de Carmona.
«Houve que reforçar temporariamente o BCAV. com um grupo de combate do BCAÇ. 5015», lê-se no «HdU», sublinhando que, de 15 para 16 desse mesmo mês de Abril, chegou um grupo de combate da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel e do capitão miliciano José Paulo Fernandes, que a esse tempo estava aquartelada no Quitexe.
O objectivo era que, ao mesmo tempo, fosse feita a segurança da cidade de Carmona - a segurança de pessoas e a de bens... - e continuassem os patrulhamentos mistos, «patrulhamentos de longo curso», protegendo e garantindo o farto tráfego rodoviário da região - principalmente o vindo e destinado à capital Luanda, pela chamada Estrada do Café. E também para o Songo e o Negage - onde estava a base aérea militar portuguesa.
O furriel Viegas em Nova Lisboa, há 45 anos,
com a madrinha Isolina Neves e as netas dela,
a Fátima e a Idalina Neves Polido, hoje

já avós e vizinhas do blogger 


Missão da ONU
em Angola !

Ao tempo, e por 10 dias, estava em Luanda uma Missão da ONU, para se «inteirar da situação em  Angola», liderada por Adukarahib Farah, assistente do secretário geral da ONU para as Questões Políticas Especiais.
A delegação incluía representantes dos secretariados da mesma ONU e da Organização de Unidade Africana (OUA) e o objectivo era «estudarem as necessidades do país no campo social e económico». O país próximo futuro: Angola!
A ideia inicial teria sido analisar a situação política, mas o protesto do MPLA levou a ONU a alterar o objectivo. Na verdade, o movimento de Agostinho Neto, segundo o Diário de Lisboa desse dia, «opunha-se formalmente» a tal e muito menos aceitava que in locco fossem «investigadas as recentes confrontações armadas em Luanda». 
Vá lá saber-se porquê!
Ao mesmo tempo, dois Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423 faziam férias no Huambo e na capital Nova Lisboa: os furriéis milicianos Cruz e Viegas, este em visita de saudade a familiares e amigos que por lá faziam pela vida - com raides à Caala  (então Roberto Williams), Alto Hama, Silva Porto e outras localidades huambanas - depois Lobito e Benguela, em histórica viagem ferroviária no Caminho de Ferro de Benguela - com passagem pela SBELL (Sociedade de Bebidas Espirituais do Lobito, Limitada), por exemplo produtora do famoso wkisky do mesmo nome.
José B. dos Santos,
atirador de Zalala

Santos, atirador de Zalala, 68
anos no Monte da Caparica !

O soldado José Baptista dos Santos, dos Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, festeja 68 anos a 15 de Abril de 2019.
Atirador de Cavalaria de especialidade militar e da mítica Fazenda de Zalala, depois de Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e cidade de Carmona, e natural da Penasqueira, lugar da freguesia e concelho de Oleiros, lá voltou no dia 9 de Setembro de 1975, no final da sua (e nossa) comissão militar em Angola. 
Actualmente e já reformado, mora no Monte da Caparica, no concelho de Almada, e para lá e para ele vai o nosso abraço de parabéns!