CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

sexta-feira, 23 de julho de 2021

5 501 - Ameaças e imposições da FNLA, há 46 anos, exigindo armas guardadas do BC 12 !

Cavaleiros do Norte da CCS no Topete: João Monteiro
(Gasolinas), NN, José Coelho e Calçada (sapadores) e
NN. Quem são os NN? Alguém se lembra dos nomes?


O Comando Militar de Carmona teve, a 23 de Julho de 1975, há 46 anos, uma difícil e delicada reunião com os dirigentes políticos e militares da FNLA, que persistiam com ameaças e imposições - particularlarmente  pedindo (ou 
exigindo, para sermos mais rigorosos) a «entrega de armas retidas» no BC12 e provavelmente na ZMN.

Furriéis milicianos Querido, Guedes e Fernandes,
da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel
Armas que, recordemos, tinham sido da PIDE/DGS (e dos Flechas), dos Grupos Especiais (GE´s) e da OPVDCA - a Organização Provincial de Voluntários de Defesa Civil de Angola.
O dia foi também tempo para mais «uma reunião de trabalho» do Comando do BCAV. 8423 com «elementos do Quartel General da Região Militar de Angola», para preparar a operação de retirada dos Cavaleiros do Norte e toda a restante guarnição do Uíge- de Carmona para Luanda -, que estava prevista para começar a 3 de Agosto seguinte.
O objectivo era «obter os meios necessários à execução de tal operação» que, segundo o livro «História da Unidade», «começou a materializar-se em 31 de Julho, com a chegada de viaturas e tropas de reforço».

Cessar-fogo entre MPLA e FNLA
e ataque à bomba a um jornal

Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas
Savimbi, respectivamente presidentes
do MPLA, FNLA e UNITA


O dia 23 de Julho de há 46 anos foi assinalado pela assinatura de (mais um) um acordo de cessar-fogo entre o MPLA, do presidente Agostinho Neto, e a FNLA, de Holden Roberto, depois de uma reunião com a Comissão Nacional de Defesa, presidida pelo general Silva Cardoso, o Alto-Comissário. Ambos os movimentos aceitaram manter as suas tropas nas suas posições, até pelo menos a reunião entre os três Chefes dos Estados Maiores. Desconhecemos as razões por que a UNITA de Jonas Savimbi não fez parte deste acordo.
A noite de véspera registou um ataque à bomba ao «Jornal de Angola» (o anterior «A Província de Angola»), que era tido por os seus trabalhadores terem «posições próximas da FNLA».
Os prejuízos foram «muito elevados», tendo as portas e janelas ficado «destruídas pela explosão», assim como as duas rotativas. Estava pouco pessoal nas instalações, mas, ainda assim, «ficaram feridos um polícia militar e um tipógrafo».

A morte, por suicídio, do 
José A. Nunes Louro,
1º. cabo sapador
1º. cabo sapador Louro !

O 1º. cabo sapador José Adriano Nunes Louro, Cavaleiro do Norte da CCS do BCAV. 8423, faleceu há 13 anos, a 23 de Julho de 2008, vítima de suicídio.
Natural de Casal do Pinheiro, freguesia de Casais, no concelho de Tomar, lá voltou a 8 de Setembro de 1975, no final da sua (e nossa) jornada africana do Uíge angolano - que nos levou ao Quitexe e a Carmona.
Há 13 anos, ficou viúvo, pela morte da esposa (de doença cancerosa). Enlutado e de alma a sofrer, foi-lhe despistada doença do mesmo foro - muito pouco tempo depois. Foi isso que o levou ao suicídio, para, como corajosamente deixou escrito, «não fazer sofrer a família» - como ele próprio tinha sofrido com a dolorosa doença da esposa. Assim nos contou o filho, que é 1º. sargento do Exército.
Hoje o recordamos com saudade!

quinta-feira, 22 de julho de 2021

5 500 - A rotação dos Cavaleiros do Norte para Luanda! Chipenda no Uíge e Holden Roberto em Angola!

 

Cavaleiros do Norte da CCS. O Cabrita é o primeiro, da direita para a esquerda (de pé).
Sentados, reconhecem-se os 1ºs. cabos Grácio (o primeiro, à es
querda) e Vieira (Sacristão), 
os soldados Calçada e Amaral (sapadores) e o 
1º. cabo Luciano Borges Gomes (o primeiro,
da direita), que hoje faz 
69 anos em Leiria. Alguém se lembra dos outros nomes?

Os furriéis milicianos Monteiro e Viegas, ambos de Operações
 Especiais (Rangers), aqui no jardim das traseiras da messe
do Bairro Montanha Pinto, em Carmona e há 46 anos



Os finais de Julho de 1975 foram tempo de se saber a rotação, cada vez mais próxima, dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423: de Carmona para Luanda. Muito desejada.
O livro «História da Unidade», relativamente a este mês de há precisamente 42 anos, refere que era necessário «encontrar uma opção para os dias futuros». Que necessariamente seria uma, de duas: «Ficar em Carmona, com o total descrédito das NT e perigosamente alvo das queixas a ataques da FNLA (...), ou antecipar o regresso a Luanda».

«Jogados os dados da equação, entendendo-se que o que melhor servia era a a segunda opção, expôs-se o assunto ao QG/RMA, obtendo-se a certeza da rotação do BCAV. para Luanda a partir de 3 de Agosto, esquematizando-se e montando-se uma operação para essa saída, que não se adivinhava fácil», escreveu o comandante Almeida e Brito. Assim foi.

Daniel Chipenda, secretário geral adjunto,
 e Holden Roberto, presidente da FNLA.
 Imagem de há 46 anos e em Angola!


Chipenda anunciou, em
Carmona, Holden em Angola

O dia 22 de Julho de 1975 foi tempo, em Carmona, de Daniel Chipenda falar ao país (Angola), através da Emissora Oficial e anunciando que Holden Roberto, o presidente da FNLA, se «encontra em território nacional para conduzir as operações militares do ELNA».
Chipenda há vários dias que estava em Carmona (na campanha do café) e, ao tempo secretário geral adjunto da FNLA, afirmou também que «nós, ELNA, somos obrigados a pegar em armas para mais uma vez dizermos não aos que desejam oprimir o povo». 
«Voltamos às armas pelas mesmas razões de 1961. Queremos liberdade. Queremos liberdade e terra para os angolanos», sublinhou Daniel Chipenda, numa altura em que muito se especulava sobre a presença de Holden Roberto em Carmona. Houve, ao tempo, quem garantisse tê-lo visto no Escape.
O Caxito, a 50 quilómetros da capital, foi território onde «blindados da FNLA que se dirigiam para Luanda foram impedidos de avançar». Não se sabia se as forças portuguesas tinham intervido, mas o MPLA anunciou a destruição de um blindado. Luanda tinha gasolina para 4 dias, porque a Petrangol estava paralisada, devido ao cerco do MPLA à FNLA, acantonado no forte de S. Pedro da Barra, onde estavam 600 militares do seu ELNA - Exército de Libertação Nacional de Angola - acossados pelas FAPLA do MPLA. 
Um informador militar português declarou que forças da FNLA estavam «a  infiltrar-se ao longo da costa, em direcção da Luanda». Mas que «as forças portuguesas interviriam para as interceptar e impedi-las de entrar na cidade»

Luciano Borges
Gomes, o actual
 empresário

O 1º. cabo Luciano
Borges Gomes
em 1975 (Angola)

Luciano, 1º. cabo da CCS, 
69 anos em Leiria!

Luciano Borges Gomes foi 1º. cabo mecânico de armamento ligeiro do BCAV. 8423 e festeja  69 anos a 22 de Julho de 2021. Hoje!
Cavaleiro do Norte da CCS, no Quitexe e depois em Carmona, no BC12, é natural do Arnal, da freguesia da Maceira Liz, em Leiria. Lá regressou a 8 de Setembro de 1975, no final da sua (e nossa) jornada africana e por lá faz vida, como prestigiado e bem sucedido empresário do sector dos moldes, fundador e administrador da FAMPLAC, na Maceira.
Para lá e para ele vai o nosso abraço de felicitações, embrulhado no desejo de que repita a data por muitos e bons anos. Parabéns!

quarta-feira, 21 de julho de 2021

5 499 - A FNLA fazia-se dona do Uíge, apresentação de um IN e críticas da população branca!

 

Vista Alegre: a entrada da Estrada do Café do lado de Luanda, em imagem de
24 de Setembro de 2019, quando por lá passou  furriel Viegas da CCS

Os furriéis milicianos Plácido Queirós e Américo
Rodrigues e o 1º. sargento Fialho Panasco com um
elemento da Administração Civil de Vista
Alegre e o filho, em 1975


O período de prevenção simples do BCAV. 8423 no Uíge angolano de há 46 anos terminou a 18 de Julho de 1975 (desde o dia 12) mas as rotinas de segurança continuaram em absoluto vigor e muito atentas relativamente à FNLA - a «dona» do Uíge! - que se mantinha reivindicativa quanto a «desequilíbrios de outros locais» e no distrito exigia armas, cercava quartéis e impedia a circulação de MVL´s.
A 21 de Julho de há 46 anos, repetiu-se o impedimento de saída de um MVL (ue a FNLA já fizera no dia 13) e ainda estavam bem frescas na memória as declarações (e ameaças não tão veladas, assim...) de dirigentes da FNLA e de militares do ELNA do comício do dia 13 anterior.
A tropa portuguesa, de outro lado, era «permanente alvo de críticas da populações brancas, a quais se sentem marginalizadas e sem recebem quaisquer apoios ou seguranças daqueles que ainda são, com afirmam, os lídimos representantes da Autoridade Portuguesa».
Foram tempos muito difíceis (e amargos, até perigosos, trágicos...) para os Cavaleiros do Norte - na altura já com as 4 Companhias aquarteladas na cidade de Carmona, desde que no dia 8 anterior se completara a rotação da 3ª. CCAV. 8423, então do Quitexe, iniciada no dia 1 - quando rodou o primeiro grupo de combate.
A 3ª. CCAV. era comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes e rodara para o Quitexe, da Fazenda Santa Isabel, a 10 de Dezembro de 1974. A Santa Isabel tinha chegado a 11 de Junho do mesmo ano.
O capitão Raúl Corte Real no encontro da CCAÇ. 4145
de 2015 (assinalado com a seta vermelha)

Fugitivo do IN entregou
arma em Vista Alegre

Um ano antes, comemorou-se o Dia da Cavalaria no Quitexe e «em cerimónias simples»
O comandante Almeida e Brito, tenente-coronel de Cavalaria e a propósito da efeméride, enviou uma mensagem às subunidades - as de Zalala, Aldeia Viçosa e Santa Isabel.
O dia foi particularmente assinalado, em Vista Alegre, pela «apresentação de um elemento fugido do IN, antigo GE raptado na área de Bolongongo». O livro «História da Unidade»  refere que «fez entrega de uma espingarda semi-automáticas Simonov», que era «a primeira arma do BCAV.» e também que «conseguiu furtar-se a um grupo inimigo em trânsito».
Vista Alegre era onde se aquartelava a CCAÇ. 4145, uma da sub-unidades agregadas ao BCAV. 8423 e que era comandada pelo capitão miliciano Raúl Corte Real.
Em tempos nada fáceis para este oficial que, para além do comando de CCÇ. 4145 - cerca de 200 jovens... - ainda tinha de permanentemente lidar o administrador (e os seus milícias), fazendeiros, sobas e populações. «E mais os que não gostavam de nós, como alguns camionistas, fazendeiros e IN´s. Havia muitos para quem não dava mesmo sorrir muito», comentou Raúl Corte Real, na sua página de facebook.


F. Vieira nos tempos de
Carmona. Há 47 anos!
Fernando Vieira em festa
de 67 anos na Amadora !

O civil Fernando Antunes Vieira foi contemporâneo dos Cavaleiros do Norte, em 1975 - há 46 anos!... - ao tempo jovem funcionário de Câmara Municipal de Carmona. Hoje mesmo, dia 21 de Julho de 2021, faz 67 anos.
O livre trânsito camarário permitiu-lhe alguns contactos no BC12, para levar e trazer «coisas» dos civis seus amigos que lá se refugiaram nos dramáticos dias da primeira semana de Junho de 1975. Recolhidos na cidade, a fugir dos combates entre MPLA e FNLA e apoiados pelos Cavaleiros do Norte. E integrou, como civil (ele e muitas centenas, ou milhares de pessoas...), a epopeica saída de Carmona da coluna militar para Luanda, evacuada da capital do Uíge às 5 horas da manhã de 4 de Agosto de 1975.
Aposentado da Maternidade Alfredo da Costa, onde fez carreira profissional de serviço público, já várias vezes colaborou com este blogue e vive, feliz da vida e no amor a família, na cidade da Amadora. Para lá vai o nosso abraço de parabéns!

terça-feira, 20 de julho de 2021

5 498 - O comandante em Sanza Pombo, no BCAV. 8324, em tarefas de natureza operacional !


O capitão miliciano José Manuel Romeira Pinto Cruz,
comandante da 2ª. CCAV. 8423, e o tenente-coronel
Carlos Almeida e Brito, comandante do BCAV. 8423


O comandante Carlos Almeida e Brito, do BCAV. 8423, deslocou-se a Sanza Pombo, onde estava aquartelada o BCAV. 8324, a 20 de Julho de 1974. Há 47  anos! A deslocação teve a ver com «tarefas de natureza operacional» e a respectiva escolta foi assegurada por um grupo do PELREC, o pelotão operacional da CCS e, pessoalmente, lá tive o prazer de encontrar um conterrâneo - Higino Pires dos Reis, civil e agora já falecido, que era funcionário do Ministério da Agricultura.
Os dias uíjanos iam tranquilos.
Mota Viana
O comandante Almeida e Brito dinamizava «contactos com elementos IN, com vista a uma tentativa da sua apresentação no contexto da actual política». E com as
populações locais (nos povos/sanzalas), autoridades tradicionais, comerciantes e fazendeiros - estes,
os principais dinamizadores da economia local.
O BCAV. 8324, Os Indomáveis, era comandada pelo tenente-coronel Adão Neves Baptista e tinha a sua CCS naquela localidade, com companhias operacionais no Alto Zaza (a 1ª. CCAV. 8324, com grupos de combate em Cuango e Quimbele, onde também esteve um GC da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, com o furriel José Fernando Carvalho), em Quicua (2ª. CCAV. 8324) e Massau (3ª. CCAV. 8324).
O BCAV. 8324 foi também o destino do furriel miliciano Fernando Mota Viana, da 1ª. CCAV. 8423, quando, em Outubro de 1974, foi algo da decisão disciplinar do comandante Almeida e Brito. Para lá rodou.
Estevão F. Neto

Neto de Aldeia Viçosa
69 anos em Abrantes

O soldado Estevão Fernandes Neto, Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, comemora 69 anos a 21 de Julho de 2021.
Atirador de Cavalaria de especialidfade militar e combatente da Companhia comandada pelo capitão miliciano José Manuel Cruz, é natural do lugar de Chaminés, na freguesia de Bemposta, em Abrantes. E lá voltou a 10 de Setembro de 1975.
Actualmente, mora  na Rua do Secador, na mesma freguesia e concelho abrantino, para onde «atiramos» o nosso abraço de parabéns! Com o desejo de muitos e mais bons anos de boa saúde e alegria de viver.


Almeida da 1ª. CCAV.,
69 anos em Espinho!

O soldado condutor Almeida foi Cavaleiro do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a da mítica Fazenda Maria João, a de Zalala, faz hoje 69 anos. Dia 20 de Julho de 2021.
Mário Pereira de Almeida, é este o seu nome completo, também passou por Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona e é natural de Espinho, cidade onde regressou no final da sua jornada africana do norte de Angola. Por alguma razão, que desconhecemos, não voltou a Portugal com o BCAV. 8423 (não consta das listas de embarque de nenhuma das 4 Companhias) mas sabemos que mora(rá) em Espinho. Parabéns para ele!

segunda-feira, 19 de julho de 2021

5 497 - Chipenda nos cafezais do Uíge e em comício no campo de futebol de Carmona!


Grupo de condutores da CCS do BCAV. 8423: De pé, Manuel Alves, José Gomes (?), Manuel
Brites, António Gonçalves e Vicente Alves. Em baixo, Miguel Ferreira, 1º. cabo Monteiro
(Gasolinas) e Delfim Serra. Quem pode confirmar os nomes?
Daniel Chipenda, à esquerda e então da FNLA,
esteve no Uíge há 46 anos e fez comício no campo
de futebol, com proteção do BCAV. 8423


Os dias angolanos por este tempo de Julho 1975 - há 46 anos!... -, foram tempo de visita de Daniel Chipenda ao Uíge, para, com os seus colaboradores, visitar «os trabalhadores dos cafezais na colheita». Era tempo da colheita e o Uíge era «a capital do café».
Os acontecimentos das semanas anteriores (desde a primeira de Junho e dos, então, trágicos incidentes ocorridos na cidade e província) precipitaram a fuga de muitos trabalhadores para as suas terras (principalmente os bailundos) e faltava mão de obra para as colheitas.
Receava-se que estas não passassem dos 45% das 220 000 toneladas de 1974.
O Diário de Lisboa apontava «o mau tempo, a agitação local no domínio do trabalho e a falta de mão de obra nas plantações» como causas dessa diminuição da produção.
Daniel Chipenda era, nessa altura, secretário geral adjunto da FNLA e avistou-se «com naturais de Angola fugidos às lutas de Luanda e prometeu-lhes auxílio do movimento para o seu realojamento». Calculava-se que a Força Aérea Portuguesa tenha «evacuado centenas de angolanos do Norte, de Luanda para Carmona» - onde, não esqueçamos, «dominava» a FNLA, depois 

dos combates de 1 a 6 de Junho.
Chipenda, na altura, fez um comício no campo de futebol da cidade, com milhares de angolanos e proteção assegurada pelos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423.

Notícia do Diário de Lisboa de 18/07/1975 sobre
a visita de Daniel Chipenda a Carmona
Holden Roberto no Zaire,
não estava em Angola...

A FNLA, a 18 de Julho de 1975, divulgou um comunicado a «negar a presença do presidente Holden Roberto no interior de Angola».
«Todos os que quiserem reencontrar o dirigente da FNLA podem fazê-lo na sede do partido, em Kinshasa», frisava o comunicado, sublinhando também que «a FNLA rejeitará qualquer tentativa de apaziguamento da tensão em Luanda, pela intervenção de forças internacionais de manutenção da paz» e opor-se-á a «qualquer tentativa de intervenção de Portugal».
Curiosamente, mas em data que a memória já não consegue precisar, correu por Carmona o boato de que Holden Roberto estava na cidade. Nesta altura, ou noutra? Alguns Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 garantiam tê-lo visto. Alguns asseguravam, na altura, tê-lo visto no «Escape», restaurante muito reputado da cidade e então ainda de funcionamento recente. Encerrado e degradado, ao que se via do exterior, quando por lá paasámos a 24 e 25 de Setembro de 2019. Passados 44 anos!


Fazenda Santa Isabel, no dia da chegada da 3ª. CCAV.
8423 - a 11 de Junho de 1974. Há 47 anos!
Botelho de Santa Isabel faria
69 mas morreu há 28 anos !

O Botelho foi Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, e faria 69 anos a 19 de Julho de 2021. Hoje. Faleceu a 1 de Agosto de 1993.
Ricardo da Conceição Botelho foi soldado de transmissões da Companhia comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes, também passou pelo Quitexe e Carmona e regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975. Ao lugar de Afonseiro, na freguesia de Azinheira do Barros, no concelho do Montijo, onde já residia e onde se fixou. Faleceu há quase 27 anos, não sabemos o motivo, mas hoje, quando atingiria os 69 anos, o recordamos com saudade. RIP!!

Oliveira, clarim de Aldeia
Viçosa, faleceu há 2 anos !

O soldado clarim Oliveira, Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, faleceu a 15 de Julho de 2019, em Vila Nova de Gaia. Aos 67 anos e de doença.
Alexandre dos Santos Oliveira nasceu a 8 de Março de 1952 e regressou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975, depois de também passar por Carmona. Desenvolveu a sua vida activa e familiar na zona do Porto e desde Junho de 2015, sofria de uma doença degenerativa, depois de leucemia e anemia, «combatendo-a» corajosamente, entre o hospital e a sua residência do Seixo Alvo, no Olival, em Vila Nova de Gaia.
Faleceu aos 67 anos e hoje o recordamos com saudade! RIP!!!



domingo, 18 de julho de 2021

5 496 - Galões e divisas para Forças Integradas! Fim da prevenção simples, as picadas do Uíge e a Estrada do Café!

Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, todos furriéis milicianos: Agostinho Belo,
 Ângelo Rabiço, José Querido (que hoje festeja 69 anos em Odivelas), Victor
Guedes (falecido a 16 de Abril de 1998) e António Fernandes

Forças Militares Mistas / Integradas em
formação na parada do BC12


O dia 18 de Julho de 1975 - há precisamente 46 anos! -assinalou o fim do período de prevenção simples da guarnição militar portuguesa em Carmona. Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423.
O facto foi evidente sinal de que as «coisas» melhoravam na capital do Uíge. Começara no dia 12 imediatamente anterior e, como se imagina, foi uma semana de mil cuidados e sacrifícios, para a tropa, tão maltratada por parte da comunidade civil europeia, garantir a segurança de pessoas e bens.
Outro importante registo do dia foi o da «entrega de galões e divisas» aos graduados da Companhia das Forças Integradas - que desde há várias semanas vinham a ter instrução dos quadros do BCAV. 8423 - no BC12.
O livro «História da Unidade» refere que se procurou «valorizar aqueles que irão ser os pilares do Exército Angolano» e que se aproveitou a oportunidade de comemorar o Dia da Cavalaria.
Ainda relativamente aos quadros das Forças Integradas. igualmente se pretendeu «explorar os deveres militares e as responsabilidades dos chefes, em acção orientadora destes elementos».
Elementos que, e continuamos a citar o livro «História da Unidade», «embora desejando fazer algo por Angola, se sentem submergir e a deixar de ver a aceitação e autoridade que se pretendeu imprimir-lhe».
O Dia da Cavalaria comemorou-se «com a maior singeleza», sendo celebrada missa na capela da unidade, com presença do brigadeiro e Chefe do Estado Maior do Comando Territorial de Carmona, e uma mensagem publicada na Ordem de Serviço do Dia.

O furriel miliciano Mano Vidal (à esquerda)
A CART. 6322
no BCAV. 8423

Outro acontecimento do dia, mas de um ano antes (em 1974) foi a passagem da 1ª. CART. do BART 6322/COTI 2 à «dependência operacional do BCAV. 8423».
O Batalhão de Artilharia 6322 foi formado em Évora, no RAL 3 e com a divisa «Honra e Glória». Desembarcou em Luanda, nos dias 20 (CCS), 21 (1ª. CART.), 24 (2ª. CART.) e 27 de Novembro de 1973 (2ª. CART.) e cumpriu missões em Camabatela, Quiculungo e Fazenda Luísa Maria (ZA do BCAV. 8423), M´Pupa, Balalongo e Chitembo, entre outros destinos de intervenção. Integrava o Comando Operacional de Tropas de Intervenção (COTI) e regressou a Portugal no dia 28 de Março de 1975.
A CART. 6322, segundo o Livro da Unidade (do BCAV. 8423), «continuou a trabalhar a área dos «quartéis» de Camabatela e Quiculungo», o que, sublinha o mesmo LU, «completa o esforço operacional do Subsector em procurar actuar sobre todos os refúgios da ZA».
A 28 de Julho de 1974, «foi retirada do Subsector» e, a propósito, um dos seus furriéis milicianos era Mano Vidal, que foi companheiro de escola dos furriéis milicianos Neto e Viegas, os três de Águeda.
Picada de Zalala. Os furriéis milicianos Dias (mecânico) e
Queirós, à frente, e o alferes Sampaio (atrás e à esquerda)


Picadas de Zalala,
a Estrada do Café

Uma das actividades dos Cavaleiros do Norte, há 47 anos e entre outras, era a de, sempre que solicitados, proteger as brigadas de trabalho da Junta Autónoma de Estradas de Angola (JAEA).
Tal aconteceu com muita frequência nos primeiros meses da jornada angolana do Uíge, particularmente em obras de requalificação da Estrada do Café - que liga(va) Luanda a Carmona.
Há precisamente 43 anos, «prosseguiam os trabalhos» no troço entre Vista Alegre e Ponte do Dange». A 18 de Julho de 1974, há precisamente 47 anos, «iniciaram-se trabalhos de reparação do itinerário para Zalala» - a partir do Quitexe.
Cavaleiros do Norte no Quitexe, todos furriéis
milicianos: Fernandes, Cardoso, Querido, um
 «fnla» e Rocha (de pé), Carvalho, Monteiro e
 Belo (em baixo)
  


Querido, furriel de Santa Isabel,
69 anos em Odivelas!


O furriel miliciano José Adelino Borges Querido, da 3ª. CCAV. 8423, festeja 69 anos a 18 de Julho de 2020. Linda idade!|
Atirador de Cavalaria de especialidade militar e combatente da subunidade da Fazenda Santa Isabel - e depois do Quitexe e de Carmona -, regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975, quando terminou a sua comissão de serviço, e fixou-se no Bairro do Charquinho, em Benfica, freguesia da Penha de França, cidade de Lisboa.
Funcionário público agora já aposentado, ocupa os seus tempos (mais livres...) com apoios à loja de retrosaria da família e mora actualmente em Odivelas, onde regularmente o achamos e confraternizamos, e para onde vai o nosso forte abraço de parabéns! Renovando o da nossa conversa telefónica de há momentos.

sábado, 17 de julho de 2021

5 495 - Cavaleiros do BCAV. 8423 em Carmona, final da Operação Turbilhão e FNLA expulsa de Luanda!

O alferes miliciano D. Carvalho de Sousa com os furriéis João Brejo, António
Guedes e Mário Matos, Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, de A. Viçosa.
Há 43 anos, com o seu grupo de combate, foi em diligência para Carmona

O José Novo e o 1º. cabo «cripto» Deus, que amanhã faz
69 anos, em Lisboa. Aqui, na pista do Quitexe, em 1975



A 17 de Julho de 1974, há 47 anos, o grupo de combate comandado pelo alferes miliciano Domingos Carvalho de Sousa rodou de Aldeia Viçosa para Carmona.
O objectivo deste grupo da 2ª. CCAV. 8423, em diligência no Comando do Sector do Uíge, foi fazer «patrulhamentos na área suburbana» da capital do Uíge.
O 1º. sargento Norte e os alferes Carvalho de Sousa e João
Machado, que há 47 anos comandava o grupo de combate
aquartelado na Fazenda Luísa Maria
O dia 17 de Julho de 1974, em termos de BCAV. 8423, teve outras incidências:
1 - O comandante Almeida e Brito esteve  no Comando do Sector do Uíge, onde foram «estabelecidos contactos operacionais» - tal qual a 14 e depois a 31 de Julho.
2 - Terminou a Operação Turbilhão (ini-
ciada em data desconhecida), com acções «viradas para as «centrais» de Mungage e Negage e os «quartéis» Aldeia e Tabi, sendo, por ora, abandonada
CCAÇ 4145, de Vista Alegre: Furriéis Freitas e Cerqueira,
capitão Raúl Corte Real e 1º. sargento Sobreiro 
a «central» de Nova Caipemba, cobrindo-se, assim, locais de toda a ZA».
3 - As Zonas de Acção (ZA)
 de Luísa Maria (onde estava o Grupo de Combate do alferes João Machado, da 2ª. CCAV.) e Vista Alegre (a CCAÇ. 4145, do capitão Raúl Corte-Real) retornaram à «respon-
sabilidade operacional do BCAV. 8423»

16 mortos em Luanda,
entre MPLA e FNLA

A imprensa angolana do dia não fez chegar boas notícias ao Quitexe. Na verdade,  na noite de 15 para 16 de Julho (a véspera), «voltaram  registar-se sangrentos incidentes nos bairros periféricos de Luanda, os quais provocaram vais 10 mortos e vários feridos».
Um comunicado do Comunicado-Chefe das Forças Armadas actualizou os da-
dos: 16 mortos, 63 feridos e 11 prisões pelo Exército. O mesmo comunicado sublinhava que «as mortes provém de desordens entre africanos, muitos deles militantes do MPLA e da FNLA, segundo afirmam muitos moradores dos musseques».
Várias patrulhas militares foram flageladas com tiros e detido o condutor de uma viatura proveniente do Comando da Zona Militar Leste «contendo material de guerra, num bairro suburbano».
Notícia da última página do Diário de Lisboa de 17
 de Julho de 1975: «Foram enviadas mais tropas de
 Lisboa para Luanda» 


MPLA «expulsou»
FNLA de Luanda

Um ano depois, e segundo o Diário de Lisboa, «o MPLA continua a controlar esta capital, após os combates que se registaram ente as FAPLA e o ELNA» - o exército da FNLA.
A capital era Luanda, onde «continuam a chegar inúmeros refugiados», depois de na véspera se ter iniciado uma ponte aérea para Lisboa.
De Lisboa, foram uma companhia de comandos, outra de caçadores e outra de fuzileiros, para «reforçar as que aqui estavam estacionadas».
«grande incógnita» do dia era, para o Diário de Lisboa, «saber o que vai fazer a FNLA, depois de ter sido praticamente expulsa» de Luanda.
Manuel Deus, 1º.
cabo «cripto»

Deus, 1º. cabo de Santa
Isabel, 69 anos em Lisboa»

O 1º. cabo Deus, Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, faz amanhã 69 anos, em Lisboa.
Manuel Ramos Deus, de seu nome completo, foi operador-cripto de especialidade militar e regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975 -no final da sua jornada africana do norte de Angola.  Ao Cardal da Graça, em Lisboa, onde então residia.
Aposentado, dedica-se ao lazer cicloturístico e é participante habitual dos en-
contros dos Cavaleiros do Norte da Fazenda Santa Isabel - a 3ª. CCAV. 8423. Parabéns pelo dia de amanhã!

sexta-feira, 16 de julho de 2021

5 494 - As mortes do coronel Ornelas Monteiro e do capitão José Paulo Falcão !



Os alferes milicianos João Machado (de ver-
melho) e António Manuel Garcia (de camu-
flado). Quem será «homem das barbas»?

Alferes Mário
J. Sousa
Alf. Augusto
Rodrigues

O já bem distante dia 16 de Julho de 1973, há precisamente 48 anos, foi tempo para vários futuros Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 se apresentarem no Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE), em Lamego, onde iriam frequentar o 2º. curso de Operações Especiais (os Rangers) desse ano militar.
Furriel A. Carlos
Dias Letras
Furriel Manuel
Moreira Pinto
Não se conheciam uns aos outros nem, naturalmente, imaginavam que a sua futura mobilização para o(s) teatro)s) de guerra africano(s) os iria fazer reencontrar em Santa Margarida,no RC4 e primeiro, e depois, pelos chãos do Uíge angolano.
Recordamos os seus nomes:
- CCS, a Companhia do Quitexe: alferes miliciano Garcia (de Carrazeda de Ansiães, falecido a 2 de Novembro de 1979) e furriéis milicianos Monteiro (de Marco de Canaveses),  Viegas e Neto (ambos de Águeda).
- 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala: alferes Mário Jorge de Sousa (de Lisboa) e furriel miliciano Manuel Pinto (Penafiel).
- 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa: alferes miliciano João Machado (Lisboa) e furriel miliciano António Carlo Letras (Setúbal).
- 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel: alferes Augusto Rodrigues (de Vouzela). O furriel miliciano Armindo Reino foi do curso seguinte, do qual fora monitores os furriéis milicianos Monteiro, Viegas e Neto.
O curso terminou a 29 de Setembro de 1973 e, dos futuros Cavaleiros do Norte, ficaram no CIOE, como instrutores, estes três últimos - então 1ºs. cabos milicianos (Monteiro, Neto e Viegas).
Ornelas Monteiro

Coronel Ornelas Monteiro
faleceu há 10 anos !

O coronel Ornelas Monteiro faleceu há 10 anos, no dia 16 de Julho de 2011, de doença e em Lisboa.
José Luís Jordão Ornelas Monteiro era major  de Cavalaria quando, em finais de 1973, foi mobilizado para Angola, como 2º. comandante do BCAV. 8423. Em vésperas do embarque, foi requisitado pelo MFA e seguiu para Bissau, onde prestou serviço no Comando Chefe das Forças Armadas da Guiné. 
Faleceu aos 80 anos e hoje o recordamos com saudade! RIP!!!
Capitão José Paulo
M. M. Falcão

Capitão Falcão faria 79
mas faleceu em Coimbra !

O tenente-coronel José Paulo Falcão foi oficial de operações e adjunto do comando do BCAV. 8423 e faria 79 anos a 17 de Julho de 2021. Faleceu  19 de Dezembro de 2019, de doença e em Coimbra.
Capitão de Cavalaria, cumpria a sua terceira comissão de serviço, a segunda em Angola - onde estivera como alferes, em 1967. Passou por Timor, já como capitão (entre 1970 e 1972) e foi Cavaleiro do Norte em 1974 e 1975. Regressado a Portugal, comandou a Polícia Militar (no Porto e em Coimbra), seguiu para Santa Margarida e foi 2º. comandante do Regimento de Cavalaria de Braga. Seguiu para Estremoz, esteve em Lisboa e, finalmente, em Coimbra - onde residia. Passou à reserva em 1996, aos 54 anos e já como tenente-coronel. «Já se sentia doente e cansado» - como nos disse a sua esposa, Maria do Carmo Gaivão - que extremosamente dele sempre cuidou. Vários AVC´s levaram a que, a partir de 2009, a sua saúde se fragilizasse muito, ficando dependente de cuidados permanentes.
Hoje o recordamos com saudade! RIP!!!