CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

terça-feira, 23 de agosto de 2022

6 903 - Presidente Holden Roberto em Carmona ! A (não) aliança UNITA/FNLA contra o MPLA!


Cavaleiros do Norte das Transmissões da CCS, no Quitexe: 1º. cabo José Mendes, António Couto
Soares (que amanhã faz 70 anos nos Brunhais, Póvoa do Lanhoso), 
furriel José Pires, 1º. cabo Luís
Oliveira e José António Costa. Em baixo, 1º. cabo 
baixo, Felicíssimo (de Zalala?), Humberto
Zambujo e 1º. cabo  Jorge 
Salgueiro  (operador de mensagens)

Quitexe:  a rua que ia da Estrada do Café para a avenida.
À esquerda, cor de rosa, o Bar do Rocha, que agora é uma
farmácia. Ao fundo, de cor azulada, o Bar Topete


Holden Roberto, presidente da FNLA, chegou a Carmona no sábado, 23 de Agosto de 1975. Foi a grande notícia do dia  de há 47 anos!
«Chegou de Kinshasa à capital do distrito do Uíge», noticiava a imprensa do dia, precisando que tinha viajado num avião da Air Zaire, acompanhado de Johny Eduardo, que tinha sido 1º. ministro do Colégio Presidencial do Governo de Transição de Angola.
Holden Roberto já tempos antes tinha sido fotografado em Angola e, recordemos, tempo houve em que em Carmona correu o boato da sua presença naquela cidade - no tempo da presença dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, o que nunca presencialmente 
Notícia do Diário de Lisboa de 23/08/1975, 
sobre a chegada de Holden Roberto a Carmona
se confirmou. Terá estado? Não terá?
A explicação sobre a sua chegada a território angolano nunca foi claramente dada, mas a sobredita presença em Carmona - u era «a terra da FNLA».. - coincidiu com a perda de posições do seu Exército de Libertação Nacional de Angola (o ELNA), nomeadamente nas áreas da Ponte do Dande, Lucala e Samba Caju.
Holden Roberto já tempos antes tinha sido fotografado em Angola e, recordemos, tempo houve em que em Carmona correu o boato da sua presença naquela cidade - no tempo da presença dos Cavaleiros do Norte.
Não foi dada explicação sobre a sua chegada a território angolano, mas tal chegada coincidiu com a perda de posições da FNLA, nomeadamente nas áreas da Ponte do Dande, Lucala e Samba Caju.
O «Jornal de Angola» de 23 de Agosto de 1975, por sua vez, dava conta de afirmações de Jonas Macumbo, Secretário dos Negócios Estrangeiros da UNITA, negando «a existência de qualquer acordo com a FNLA», para combaterem o MPLA, mas o mesmo matutino de Luanda (sucessor do «A Província de Angola») assegurava que «a reunião magna» do movimento de Jonas Savimbi «poderá decidir oficialmente uma aliança com a FNLA contra o MPLA».
Couto Soares

Soares das TRMS, 70 anos
na Póvoa do Lanhoso! 

O soldado António do Couto Soares, especialista de Transmissões de Infantaria e Cavaleiro do Norte da CCS do BCAV. 8423, f
esteja 70 anos a 23 de Agosto de 2022. Hoje mesmo.
Jornadeou pelo Quitexe e em Carmona, primeiro sob comando do alferes José Leonel Hermida, depois com os furriéis José Pires e Nelson Rocha -  todos milicianos de TRMS.
Regressou a Portugal, no final da sua (e nossa)  jornada africana do nortenho Uíge angolano, e a Brunhais, a sua terra natal do concelho de Póvoa do Lanhoso, a 8 de Setembro de 1975, por lá fazendo vida até que emigrou para a Suíça - onde trabalhou durante muitos anos. Já reformado, divide o seu tempo, de boa saúde, entre os dois países. 
Hoje é para ele que vão os nossos  parabéns!

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

6 902 - MPLA denunciou aviões na base do Negage com armamento americano ido da Alemanha !

Grupo de Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, todos milicianos e num jardim da
 cidade 
de Carmona: furriéis António José Cruz, José Lino e Manuel Machado,
alferes Pedrosa de Oliveira (à civil) e furriel Nelson Rocha. Há 47 anos!

O Diário de Lisboa de 22/08/1975
e a situação em Angola


A «existência de uma ponte aérea entre Kinshasa e o Negage, para transportar armas americanas destinadas à FNLA» era a momentosa notícia da actualidade angolana de há 47 anos - dia 22 de Agosto de 1975.
O Negage fica(va) a uns 40 quilómetros de Carmona e dispunha de uma base/aeroporto militar que os portugueses tinham deixado a 4 de Agosto, e a ponte aérea foi denunciada pelo MPLA do presidente Agostinho Neto. E as suas Forças Armadas Populares de Libertação de Angola - as FAPLA.
«Os aviões que pousam no Negage transportam material de armamento, entre o qual canhões, provenientes de bases americanas na Alemanha», acusava o partido/movimento presidido por Agostinho Neto, referindo, também e entretanto, que «as posições reconquistadas no Caxito mantém-se e consolidam-se» pelo MPLA.
O Diário de Lisboa desse dia notava que o MPLA tinha «abatido elementos brancos tidos como mercenários, provavelmente americanos». Na altura, corriam boatos por Luanda, dando como certa «a presença de americanos e chineses na orientação das forças da FNLA que actuam naquele sector». O do Caxito, mioto perto da capital.
O Negage, recorde-se, dispunha de uma importante base aérea, acima referida e que tinha sido portuguesa e lá «abandonada» no dia 4 de Agosto, quando da capital do Uíge saiu a epopeica coluna militar liderada pelos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423.
O capitão Victor, comandante da
CCAÇ. 209/RI 21, a do Liberato,
e o furriel José Oliveira

Comandante no Liberato
e em Aldeia Viçosa !

Um ano antes e pelas bandas do Uíge nortenho de Angola, o tenente-coronel Carlos Carlos Almeida e Brito, comandante do BCAV. 8423, deslocou-se à Fazenda do Liberato e a Aldeia Viçosa.
A esse tempo de há 48 anos, lá se aquartelavam, respectivamente, a CCAÇ. 209/RI 21 (de Nova Lisboa) e a 2ª. CCAV. 8423 - subunidades do BCAV. 8423, comandadas pelos capitães milicianos Victor Correia e José Manuel Cruz.
O objectivo da deslocação era, de acordo com o livro «História da Unidade», de que nos socorremos, «estabelecer contactos operacionais», no âmbito do que, no tempo, eram «as normais visitas às subunidades».
A CCAÇ. 209/RI 21 foi a subunidade que, a 27 de Setembro de 1974, se revoltou e foi «esperada» na Estrada do Café pelos Cavaleiros do Norte do PELREC da CCS e voltou para trás, dando volta para se dirigir a Carmona 
O livro «História da Unidade» faz breve referência a esta revolta: «Em 27 de Setembro, na sequência de outros incidentes internos, processaram-se na CCAÇ. 209 graves problemas disciplinares, os quais passaram ao controlo do Comando do Sector do Uíge!». E sobre estes incidentes, nada mais diz.
 A Companhia de Caçadores 209 começou a abandonar a Fazenda Liberato no dia 8 de Novembro seguinte, numa operação que terminou no dia seguinte. Para Nova Lisboa e a sua unidade mobilizadora.


Furriel Carlos Letras, 46
anos de juras d´amor!
Os namorados...
 
O furriel miliciano António Carlos Dias Letras, especialista de Operações Especiais (Rangers) e Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423, fez juras de amor eterno a 22 de Agosto de 1976. Casou com Isaurinda.
Casualmente nascido na Venda Nova, no Gerez, onde em barragens trabalhava seu pai, era (é) originário de Vila Nova de Baronia, no Alvito (chão natal do progenitor), sendo a mãe natural de Baleizão, em Beja.
Isaurinda por ele se deixou «levar» em promessas de namorados e dele recebeu a aliança de amor eterno neste dia de há 46 anos. e sem se arrepender(em).
O Letras trabalhou em escritórios e foi empresário do sector comercial do sector do mobiliário. Agora e já há vários anos aposentado, vive em Palmela e o seu dia-a-dia é passado entre fartas pescarias de mar e vastos passeios turísticos.
O casal tem dois filhos (um casal). Parabéns, Letras & Companhia!

domingo, 21 de agosto de 2022

6 901 - Cessar-fogo do MPLA com forças portuguesas em 1974! Muito provável» reunião entre MPLA e UNITA em 1975!


Cavaleiros do Norte do Parque-Auto da CCS, no Quitexe. Em destaque, o
inesquecível 1º. cabo condutor Joaquim Rama Breda, que a 22 de Agostode 2022, festeja 70 anos em Leiria. Está aposentado e bem de vida!
Notícia de Diário de Lisboa sobre o encontro 
do MPLA de Neto com a UNITA de Savimbi


A 21 de Agosto de 1975, há 47 anos e lá pelas bandas da africana Angola, admitia-se como «muito provável» uma reunião entre dirigentes do MPLA e da UNITA, em Luanda ou no Lobito, não se sabia. Não havia, no entanto, e segundo o Diário de Lisboa, «qualquer notícia concreta sobre esta possibilidade».
Os Cavaleiros do Norte continuavam aquartelados no extinto BIA, ao Campo Militar do Grafanil, expectantes e ansiosos, naturalmente sobre o seu futuro próximo e o de Angola. A situação militar em Luanda «não sofreu grandes alterações, ontem», mas havia a registar, porém, «alguns incidentes originados pela presença da força de fuzileiros na segurança do porto» - onde os estivadores estavam de greve.
A FNLA continuava estacionada no Caxito e «tinha avançado até perto de Quifangondo», mas, já aqui, «foram obrigadas a recuar pelas forças do MPLA» cerca de 15 quilómetros.

Noticia do Diário de Lisboa de 21 de Agosto
de 1974 sobre o cessar-fogo com o MPLA

Cessar-fogo do MPLA
com forças portuguesas

Um ano antes, a 21 de Agosto de 1974, foi anunciado o cessar-fogo entre o MPLA e as Forças Armadas Portuguesas, segundo anunciou uma fonte militar portuguesa, citando «negociações entabuladas nas últimas semanas».
O cessar-fogo com a UNITA de Jonas Savimbi já tinha sido assinado a 14 de Junho e, no norte de Angola, continuavam «recontros entre a tropa portuguesa e elementos da FNLA de Holden Roberto».
A zona era da presença do BCAV. 8423 (e outras unidades) e o Comando Português estimava que a FNLA tivesse 6 000 homens no interior de Angola e 9 500 no Zaire, 4 500 dos quais junto à fronteira. Além do 4500 que estavam a ser preparados por 112 instrutores chineses.
O dia 21 de Agosto de 1974, no Quitexe, foi também tempo de mais uma reunião do comandante Almeida e Brito (e seus oficiais mais próximos) com a Comissão Local de Cohtra-Subversão (CLCS).


Furriel José
Évora Soares

Furriel Évora Soares
faleceu há 14 anos !


O furriel miliciano José Carlos Évora Soares foi Cavaleiro do Norte da 1ª. CCAV. 8423 e faleceu há 14 anos: a 21 de Agosto de 2008.
Apresentou-se na 1ª. BCAV. 8423 em Outubro de 1974, para render o furriel Mota Viana, e integrou-se no 1º. Grupo de Combate, comandado pelo alferes Mário Jorge de Sousa Correia de Sousa e que incluía os furriéis Victor Moreira Gomes da Costa e José Manuel Belém Baldy Pereira (que faleceu a 26 de Novembro de 2016, vítima de doença falecido), todos milicianos.
Não regressou a Portugal na mesma data dos «zalala´s» (9 de Setembro de 1975), eventualmente por ter tempo de comissão diferente. Desconhecemos onde e as razões da sua morte, que nos foi anunciada pelo furriel João Dias. Morava em Loures e hoje recordamos com saudade. RIP!
O 1º. cabo condutor Breda (à direita)
 com o furriel Viegas, em 2013 (Leiria)


Condutor Breda, 1º. cabo da 
CCS, 70 anos em Leiria ! 

O 1º. cabo Joaquim Rama  Breda, Cavaleiro do Norte da CCS do BCAV. 8423, na vila do Quitexe e na cidade de Carmona, festeja 70 anos amanhã, dia 22 de Agosto de 2022.
Condutor de especialidade militar e natural da Barosa, em Leiria, onde continua a residir, foi louvado pelo BCAV. 8423, porque «sempre demonstrou inexcedível dedicação pelo serviço, aliada ao maior zelo e esforço no cumprimento do seu dever, muito colaborando para a operacionalidade das viaturas que teve distribuídas, creditando-se como militar de elevado sentido de responsabilidade».
«Militar educado e disciplinado, tornou-se um bom colaborador dos seus superiores e merecedor do presente louvor, que leva a manifestar-lhe público apreço», sublinha o louvor publicado na Ordem de Serviço nº. 169.
Parabéns, grande Breda!


Matos, 1º. cabo de Zalala, 
faz 71 anos em Lisboa!

O 1º. cabo escriturário 
Luís Artur Vasques Matos, da 1ª. CCAV. 8423, festeja 70 anos a 21 de Agosto de 2022.
O Matos serviu na secretaria dos Cavaleiros do Norte chefiada pelo 1º. sargento Fialho Panasco, em Zalala, depois em Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona, e era natural da freguesia de Arroios, nos arredores de Lisboa, e lá voltou a 9 de Setembro de 1975, à Rua José Falcão, onde morava. Depois disso, há quase 47 anos, nada mais soubemos dele. A ser vivo, como todos desejamos, que receba o nosso abraço de parabéns! E nos dê notícias!


sábado, 20 de agosto de 2022

6 900 - A morte, por doença, do soldado Manuel Barreiros! O comandante na Fazenda Antoave!

O soldado Barreiros faleceu, de doença,
a 20 de Agosto de 1975, no Hospital
Militar de Luanda


Manuel Barreiros


O dia 20 de Agosto de 1975, há 47 anos, está tristemente assinalado na memória dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, pela morte do soldado Manuel Barreiros, no Hospital Militar de Luanda.
Atirador de Cavalaria de especialidade militar e combatente da 3ª. CCAV. 8423, a subunidade da Fazenda Santa Isabel, também passou pelo Quitexe e Carmona, antes de voltar ao Campo Militar do Grafanil onde, em vésperas de regressar a Portugal, foi vítima da febre tifóide e evacuado para o Hospital Militar de Luanda. 
Acabou por lá falecer e lá foi identificado pelo furriel Agostinho Belo (vagomestre da 3ª. CCAV. 8423).
O seu cadáver terá regressado a Portugal no mesmo avião que, a 11 de Setembro de 1975, transportou os Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, de Luanda para Lisboa. O seu corpo encontra-se sepultado no cemitério da sua terra natal: a Aldeia de Além, em Alcanede.
Manuel José Montez Barreiros era casado e tinha um filho de poucos meses, chamado Luís e que sabemos viver na região de Fátima/Leiria. Não sabemos se o terá conhecido.
Hoje, quando se passam 47 asnos da sua morte, dele fazemos memória e o recordamos com saudade. RIP!!!
Hoje, dele fazemos memória e o recordamos com saudade, quando se
Núcleo central da Fazenda
Antoave

Comandante almeida e Brito
na Fazenda Antoave !

O tenente-coronel Carlos Almeida e Brito, oficial de Cavalaria e comandante do BCAV. 8423, deslocou-se à Fazenda Antoave no dia 20 de Agosto de 1974. Há 48 anos!
A fazenda pertencia à firma Matos Vaz & Cia. e ficava logo à saída do Quitexe, na estrada para Carmona. Sempre na Estrada do Café passava-se o Talambanza e o Coale, cortando-se à direita - já por zona de picada e a uns 4 ou 5 quilómetros. Era a zona do fértil Vale do Loge e serra do Pingano, onde se localizavam outras fazendas, algumas delas visitadas pelos Cavaleiros do Norte ao longo da sua jornada uíjana: Pumbaloge (dos herdeiros do dr. Torres Garcia), Ferreira Lima, Marcelina Belo, Boja Santos, Carlos Gaspar e José Bastos, entre outras, e não necessariamente estas.
Este tipo de visitas, para além do interesse militar (que tivessem), tinha essencialmente um objectivo psicológico e social, aproximando populações da tropa - como tão bem sabia fazer o comandante do BCAV. 8423.
A proteção militar era normalmente feita pelo PELREC e/ou Pelotão de Sapadores (da CCS), ou ainda pelo pelotão de uma das companhias operacionais que, ao mês, se aquartelavam no Quitexe, em destacamento.


Domingos Faria

Faria de Aldeia Viçosa,
70 anos na Venezuela !

O rádio-telegrafista Faria, Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, faz 70 anos a 21 de Agosto de 2022.
Domingos Maciel de Faria, de seu nome completo, é natural da freguesia de Durães, concelho de Barcelos, onde regressou a 10 de Setembro de 1975, depois de concluída a comissão no norte de Angola, por terras do Uíge. Também por Carmona, além de Aldeia Viçosa - onde inicialmente se aquartelaram os comandados do capitão miliciano José Manuel Cruz,
A vida profissional e familiar levou-o para a Venezuela, país para onde emigrou e onde, supostamente, ainda residirá. É para lá que vai o nosso abraço de parabéns, embrulhado num «até já» de saudade! Se por Portugal (já) estiver, dê sinal!

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

6 899 - Mina anti-carro na picada de Calambinga e o retorno a Portugal de 350 000 portugueses !


Mina anti-carro levantada na picada do rio 
Calambinga, perto do aquartelamento de Zalala, em Agosto de 1974



Cavaleiros do Norte  no Quitexe: Mendes (?) e os
1ºs. cabos Domingos Teixeira, o estofador (atrás)
e João Monteiro (Gasolinas), condutor Américo 
Gaiteiro e 1º. cabo Porfírio Malheiro (sentados),
 Alípio Canhoto(com a arma na mão e mão na 
cabeça) e, à direita, António Pereira (já falecido)
 


O mês de Agosto de 1974, pela Zona de Acção (ZA) dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, foi de «actividade que não brilhou no campo dos feitos militares»
E ainda bem. 
Era sinal, e leio do livro «História da Unidade», que «de acordo com as directivas superiores, não se realizaram acções ofensivas». Deixaram mesmo de se «bater as áreas dos quartéis IN», como já foi lembrado neste blogue.
Embora fosse essa a nova política das NT, a verdade é que, em data indeterminada deste mês, houve «uma uma acção de levantamento de uma mina anti-carro, na picada da do rio Calambinga» - no grande círculo verde do mapa, do lado esquerdo -, perto da área de acção da 1ª. CCAV., a de Zalala (assinalada a rôxo).
Em Lisboa, Vasco Gonçalves, o 1º. Ministro (foto), dava conta que «o fim das guerras em África conduzirá, no futuro, a libertar verbas importantes», mas que «no entanto, devemos terem atenção que a guerra ainda não acabou, não obstante os nossos sinceros esforços para um cessar fogo» e que «temos de manter as tropas em África durante todo o processo de descolonização, despesas de transporte no regresso das tropas, despesas com a descolonização, pagamento de encomendas de material de guerra e de empréstimos contraídos para pagamento de material, pelo antigo regime».
«As vantagens económicas e financeiras do fim da guerra só deverão sentir-se dentro de 2 anos», dizia Vasco Gonçalves.
Isto foi muito comentado no Quitexe, em bravas discussões com o Machado, o Neto, o Mosteias, o Bento e o Fonseca - pelo menos esses. Passados 48 anos, não custa nada admitir que éramos todos muito, mas mesmo muito  ingénuos. Incluindo Vasco Gonçalves.
Caixotes com bens de portugueses
a abandonar Angola (net) 

Milhares de portugueses 
a fugir da guerra angolana!

Um ano depois, os dias de Angola e de Agosto de há 47 anos pareciam não passar para os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, ansiosos por voltar aos seus chãos natais, mas que, aquartelados no Campo Militar do Grafanil, continuavam como «unidade de reserva da RMA» e, por isso mesmo, permanentemente na iminência de intervir em qualquer escaramuça mais grave - como já acontecera no Bairro do Saneamento.
Ao mesmo tempo, milhares de portugueses fugiam da guerra angolana e chegavam a Lisboa - os chamados retornados - e um grupo organizado preparou um comício na capital portuguesa, a 19 de Agosto de 1975, e exigiram «a intensificação do transporte de angolanos para a metrópole».
Transporte, reportava o Diário de Lisboa de há 47 anos (ver imagem abaixo), «através de 
todos os meios, incluindo (...) o fretamento de outras unidades e estudar, com urgência, a colocação dos desalojados nas respectivas empresas, formação de escolas ou criação de turnos especiais nas escolas e liceus para os filhos dos desalojados».
Estas e outro tipo de situações tardiamente (e mal) chegavam ao conhecimento dos Cavaleiros do Norte que, na verdade e nos últimos dias em terras de Angola, continuando expectantes quanto ao regresso a Portugal, eram continuadamente solicitados por uma «bateria» de pessoas a pedir ajuda, nomeadamente para mandar património para Lisboa: mobiliários e equipamentos domésticos, automóveis, outro e todo tipo de bens, tudo o que fosse riqueza  pessoal que, por nada, queriam abandonar.
Mas quantos e quantos voltaram com a roupa que vestiam, uma ou duas pequenas malas, tudo coisa pouca..., por lá deixando toda uma vida de trabalho!
Notícia do Diário de Lisboa de 19 de Agosto
de 1975, sobre o transporte de desalojados
 (e carga) de Luanda
 para Lisboa



O retorno a Portugal
de 350 000 portugueses !

O BCAV. 8423 continuava como «unidade de reserva» da RMA, mas o essencial para nós, ao 14º. para o 15º. mês da jornada africana de Angola, era, na verdade, saber a data do nosso regresso. 
O esperado dia 8 de Setembro de 1975, dia em que regressou a CCS - nos dias seguintes, seguida pelas 3 companhias operacionais.
Coincidentemente, ou não, o Instituto de Apoio aos Retornados Nacionais (IARN) já tinha aberto uma delegação em Luanda e preparava «acções de retorno de 300 000 cidadãos portugueses residentes em Angola», como noticiava o Diário de Lisboa desse dia. Inscrições até ao dia 31 de Outubro. E poderiam ser bem mais, admitia o jornal, citando o IARN, que informava estar «prevista uma margem de segurança para que aquelas acções possam, no mesmo período, atingir 350 000 pessoas».
O IARN adiantava, também, estar «planeado para o mesmo período um programa de transporte, por via marítima, de 170 000 metros cúbicos de carga pertencente aos referidos desalojados».
Foi o grande êxodo dos portugueses, e não só - também muitos africanos! Cuja epopeia este blog alguma vez poderia contar suficientemente bem e rigorosamente.
A esse tempo de há 47 anos, a grande «indústria» que se desenvolvia em Luanda (e porventura por toda a Angola) era a da construção de caixotes, nos quais, com mais ou menos cubicagem, os colonos procuravam enviar para Lisboa os seus bens - de que acima falamos. 
Muitos terão conseguido, outros nem tanto.


quinta-feira, 18 de agosto de 2022

6 898 - Cavaleiros do BCAV. 8423 mal aquartelados e à espera do regresso a Portugal!



Furriéis milicianos da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala: Eusébio Martins (falecido a 16/04/2014, em Belmonte), 
Plácido Queirós e Victor Costa (de pé), Américo Rodrigues (f. a 30/08/2018, em VN Famalicão), José Louro,
Jorge Barata (f. a 11/10/1997, em Lisboa) e Manuel Dias (f. a 20/10/2011, em Lisboa). Todos por doença!

Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423 da 2ª. CCAV. 8423,
 a de Aldeia Viçosa: Soares, Abrantes, Mendes e Teodósio,
mais o condutor Martins. Operação da transporte de água

 

A cidade de Luanda, 
a 18 de Agosto de 1975, ainda digeria a manifestação da União Nacional dos Trabalhadores de Angola (UNTA), na véspera e em frente ao Palácio do Governo, apoiando as medidas de nacionalização da banca, anunciadas por Rui Monteiro - o ministro do Planeamento e Finanças do Governo Angolano.
Os manifestantes ostentavam cartazes: «Nada contra o povo, tudo pelo povo?, ou «Produção é uma forma de luta», ou «Produzir é resistir».
O ministro garantiu-lhes que «havemos de libertar todas as zonas ocupadas pelo inimigo do povo» e mandou recado às Forças Armadas Portuguesas: «É bom que nós digamos aqui, aos soldados portugueses, que a nossa luta é igual à deles, em Portugal. Se eles são filhos do povo, têm de estar ao lado de todas as revoluções e de todas as lutas dos povos progressistas».
Enquanto isso e cada vez mais expectantes, os combatentes do BCAV. 8423 continuavam (muito mal)  aquartelados, mas já minimamente adaptados, no já extinto Batalhão de Intendência de Angola (BIA), no Campo Militar do Grafanil, fazendo vésperas para o ansiado regresso a Portugal.
O que só aconteceria a partir de 8 e até 11 de Setembro desse ano.

 

António Clara Pereira, Francisco António
e António Simões no RC4 e em 2017

Pereira, mecânico e
homem dos petróleos!

O soldado António Clara Pereira foi mecânico da CCS do BCAV. 8423 e regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975, à Carregueira, em Mação. Hoje, faria 70 anos!
A profissão levou-os a correr os mundos dos poços de petróleo dos mares arábicos e, por isso mesmo, apenas em 2017 apareceu no encontro dos Cavaleiros do Norte. O do RC4, a nossa unidade mobilizadora. Nele, entusiasmadíssimo, «matou» as saudades e fez memória de muitos dos bons momentos da nossa jornada africana do Uíge angolano, partilhando-os com os seus companheiros de 1974/1975.
Infelizmente, foi o seu primeiro e último encontro com os antigos companheiros da jornada africana do Uíge angolano: a morte surpreendeu-o a 21 de Fevereiro de 2018, menos de um ano depois, e vítima de um tumor no fígado. Hoje o recordamos com saudade! RIP!!!

O Delgado de Zalala
festeja 70 anos !

O soldado Correia, atirador de Cavalaria da 1ª. CCAV. 8423, a da mítica Fazenda de Zalala, festeja 69 anos a 18 de Agosto de 2021.
Carlos Manuel Delgado Correia, é este o seu nome completo, regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, depois de também passar por Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e cidade de Carmona - durante a sua jornada africana do nortenho Uíge de Angola. Fixou-se na Vivenda Vinagre, freguesia de S. Salvador, em Santarém, onde já antes residia.
Mora agora na Nazaré, para onde vai o nosso abraço de parabéns!


quarta-feira, 17 de agosto de 2022

6 897 - Cavaleiros do Norte no Grafanil e à espera de... Lisboa! FNLA reconquistou Lucala a 17 de Agosto de 1975!


A equipa de rádio-montadores da CCS do BCAV. 8423: 1º. cabo Rodolfo Tomás, furriel
 miliciano António José Dias Cruz (que amanhã faz 71 anos, na Póvoa de Santo Adrião) e
o 1º. António Pais e o soldado António Silva, aqui na parada do Quitexe

Rebelo, da messe de sargentos da CCS, aqui em pose
e com um grupo de pequenos angolanos. Era muito
próxima a relação da tropa com o povo angolano

Aos dias 17de Agosto de 1975, dia em que FNLA e o seu Exército de Libertação Nacional de Angola (ELNA), reconquistaram Lucala ao MPLA, os Cavaleiros do Norte continuavam no Grafanil a «riscar» dias do calendário. À espera do dia do regresso a Portugal e aos seus chãos natais..
A FNLA reconquistou Lucala, mas o mesmo não conseguiu no Caxito, na Estrada do Café e a principal «parede» de entrada na capital, a cidade de Luanda - que era o grande alvo do exército de Holden Roberto. 
Um ano antes, a 17 de Agosto de 1974, um sábado de há 48 anos, o Comité Central do MPLA rejeitou, por unanimidade, o plano português de formar um Governo Provisório em Angola.
Um Governo «por dois anos», anunciava o «Zâmbia Daily Mail», jornal controlado pelo Governo zambiano.
O MPLA estava reunido em congresso, precisamente em Lusaka, e os seus dirigentes aprovaram uma moção através da qual se soube que «rejeitamos, por unanimidade, as manobras colonialistas de iminente formação de um Governo Provisório e os Portugueses serão responsáveis pelas consequências resultantes de tais decisões unilaterais»
O «Zambia Daily Mail», citado pelas Agências Reuters e ANI, frisava que o MPLA, reafirmava a decisão de «prosseguir a luta armada até ao fim». E assim foi.

Picada do Liberato (imagem da net)
Mina anti-carro
no Calambinga

Os Cavaleiros do Norte, pelas bandas do Uíge e em 1974, continuavam as suas acções de rotina, em termos de segurança de bens e pessoas, nos centros urbanos, e liberdade de itinerários.
Uma das actividades diárias era proteger as brigadas de trabalho da Junta Autónoma de Estradas de Angola (JAEA), que andavam em arranjos na Estrada do Café (que liga Carmona a Luanda) e nas picadas para as Fazendas de Zalala e do Liberato.
«Foi assim, uma actividade que não brilhou no campo dos feitos militares, muito embora tenha havido uma acção de levantamento de uma mina anti-carro na picada do Rio Calambimba», reporta o livro «História da Unidade».
O rio Calambinga, se a memória não falha, corria praticamente paralelo (a alguns poucos quilómetros) à picada para a Fazenda Zalala.

Furriéis Cavaleiros do Norte: Cruz (que
amanhã faz 71 anos), Viegas, Dias e
Neto. Há 8 anos, em Mortágua

Cruz, rádio-montador, 70 anos
na Póvoa de Santo Adrião!


O furriel miliciano António José Dias Cruz, Cavaleiro do Norte da CCS do BCAV. 8423, a do Quitexe, está amanhã em festa, dia 18 de Agosto de 2021: comemora 71 anos!
O Cruz foi rádio-montador de especialidade militar e, pela idade e ainda lá pela jornada africana de Angola, chegou a ser promovido a 2º. sargento. Natural de Cardigos, concelho de Mação, já na altura do ingresso no serviço militar trabalhava e morava em Lisboa e lá regressou a 8 de Setembro de 1975. 
Aposentado, fez carreira profissional na Câmara Municipal de Lisboa, como técnico de manutenção de piscinas (e outras coisas), vivendo na Póvoa de Santo Adrião, em Odivelas. Para lá e para ele vai o nosso abraço de parabéns!


terça-feira, 16 de agosto de 2022

6 896 - - Aviões de combate da FNLA no Negage para atacar Luanda, uma cidade «cheia» de boatos!

 




A Fazenda Santa Isabel, no Uíge angolano e onde se aquartelou a 3º. CCAV. 8423, os Cavaleiros do
Norte do BCAV. 8423. Era comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes e lá esteve entre 11
 de Junho e 10 de Dezembro de 1974, data em que rodou para o Quitexe 



Diário de Lisboa de 16 de Agosto de 1975,
A primeira página, com a notícia do (iminente)
ataque aéreo da FNLA a Luanda

O sábado de 16 de Agosto de 1975, há 47 anos, foi tempo de fervilharem boatos, uns atrás de outros, muitos outros..., que encheram de medos a população de Luanda. E nada animadores, a neles crer: a FNLA iria atacar a capital, envolvendo meios aéreos.
Seria assim, não seria (ver abaixo), importava estarmos atento e activos, para evitar banhos de sangue, na fratricida guerra civil que enlutava Angola  
O dia, um sábado e por mim e pelo Neto, foi, porém, passado na ilha, com jantar marcado com o conterrâneo Albano Resende. 
O BCAV. 8423 continuava como «unidade de reserva» do Quartel General (QG) da Região Militar de Angola (RMA), mas isso não impediu que programássemos (e fomos) ao bacalhau do Vilela, no bairro da Cuca, mas antes passámos pelo restaurante onde trabalhava outro conterrâneo, o Neca Reis (Taipeiro) - que estava extremamente preocupado, ele que já tinha «fugido» de Úcua, quando por lá as «coisas» se precipitaram. Com a mulher e a filha.

Carmona, a agora cidade do Uíge, antiga avenida
 Capitão Pereira, agora avenida Agostinho Neto.
À direita, a velha pensão Moreno. Quem não se
 se lembra dela? Ao fundo, a praça onde ficava
a ZMN, os Correios e o Tribunal

FAPLA´s destroçaram
o exército da FNLA

Um comunicado do MPLA, de 14 de Agosto, referira que «ao ataque traiçoeiro da UNITA/UPA/FNLA, perpetrado na madrugada de ontem, tentando destruir o MPLA e as FAPLA, estas responderam com violência revolucionária, derrotando os inimigos do povo»
«A partir de hoje, a gloriosa bandeira do MPLA flutua no quartel general da UNITA. O ELNA/UPA/FNLA foi destroçado e a respectiva delegação ocupada pela braço armado do povo angolano - as FAPLA», sublinhava o documento.
A proclamada vitória não era, porém,  confirmada pelas autoridades portuguesas.
Da «nossa» Carmona, a 30 e poucos quilómetros da base do Negage, nada se sabia, para além de relatos avulsos. Sabia-se, porém, que a FNLA impedia a remessa, para Luanda. de fundos das agências bancárias - o que levou (como ontem vimos) o ministro Saidy Mingas a «nacionalizar» a banca.
Um ano antes, o comandante Almeida e Brito, visitou a Fazenda Guerra, nos arredores do Quitexe.
Fernando M. Simões, 1º. cabo apontador
de morteiros (louvado) da 3ª. CCAV. 8423,
a da Fazenda Santa Isabel
Fernando Martins
Simões, 1º. cabo
de Santa Isabe
l


Simões, 1º. cabo de Santa
Isabel, faleceu há 20 anos !
- Louvado pelo BCAV. 8423! 

O 1º. cabo Fernando Martins Simões, apontador de metralhadoras da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, faleceu há 24 anos: a 17 de Agosto de 1998. Suicidou-se, por enforcamento. Sofria de esquizofrenia, segundo indicações médicas, que nos foram dadas pela sua única filha (Zaida Martins).
Cavaleiro do Norte da companhia comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes, foi louvado porque «sempre soube pôr em causa uma completa entrega ao trabalho que lhe era solicitado, numa perfeita honestidade nas missões que lhe forma confiadas», como se pode ler na OS º. 165.
O louvor sublinha que o 1º. cabo Simões  «foi militar fundamental em todas as acepções da palavra», para além de ser «com frequência notado como volun-
tário para qualquer tipo de tarefa, dando assim provas repetidas da aberta confiança que nele se deposita».
«Altamente disciplinado e camarada como poucos, auxiliando sempre aqueles que precisavam do seu amparo (...), o seu exemplo e o carácter de que é dota-
do são dignos do merecido louvor», que foi proposto pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes, comandante da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Iabel, e depois atribuído pelo comandnate do BCAV. 8423.
O 1º. cabo Simões voltou à sua casa de Lourinhal, em Penacova, no dia 11 de Setembro de 1975 e por lá fez vida como motorista profissional. Casou com Maria Esmeralda Gomes da Cruz e o casal teve a filha Zaida. Hoje treperdamos com saudade este bom companheiro das terras uíjanas de Angola! RIP!!!