domingo, 31 de maio de 2015

3 136 - Memórias de 74/75 e mensagem do capitão Themudo


Encontro de Mortágua, quarteto de ex-furriéis milicianos: Cruz, Viegas, 
Dias e Neto. Em baixo: Amaral, Joaquim Celestino (de boné), D. Teixeira (estofador), 
Teixeira (Miguel), Alfredo Coelho (Buraquinho), Norberto Morais (furriel), Serra e Silva



Afonso Henriques (o organiza-
dor) e Carlos, dois sapadores
(foto de cima). O ex-alferes
Cruz e o sargento Eira (foto do
meio). Albino Capela (à direita)
 com filho do sargento Eira
O almoço da CCS dos Cavaleiros do Norte, em Mortágua, foi uma jornada de saudades, principalmente pelos que já partiram e não esquecemos. E por aqueles que, por uma razão ou outra, não puderam estar.  O (ex-alferes) António Albano Cruz, de improviso e no Restaurante A Roda, lembrou as virtudes de uma jornada que nos deixou mais irmãos e, simbolicamente, citou um nome, em nome de todos: «O nosso querido alferes Garcia, que era um coração generoso e um amigo de sempre, a quem sobrava coragem e bravura, as virtudes que nos ajudaram a sobreviver e sair do inferno de Carmona»
Albino Capela, que pelo Quitexe sacerdotou na Missão, lembrou o dia da partida dos Cavaleiros do Norte da vila-mártir de 1961 e que foi chão das nossas vidas entre 6 de Junho de 1974 e 2 de Fevereiro de 1975: «Vi hastear a bandeira da FNLA e compreendi que avançava a descolonização, tempo de ir embora».
Depois, a 4 de Agosto de 1975, em Carmona, quando saiu a coluna de evacuação para Luanda e, definitivamente, a província do Uíge ficou sem militares portugueses. «Fui avisado e convidado para ir convosco. Não fui e, 8 dias depois, tive de sair de avião. São cenas da História de Portugal», disse Albino Capela. Cenas que «devem ser lembradas», acrescentou o antigo missionário do Quitexe. 

Mensagem do capitão
José Diogo Themudo

O então capitão e agora coronel aposentado José Diogo da Mota e Silva Themudo (à direita, na foto, com o alferes miliciano João Machado, da 2ª. CCAV., e o capitão José Paulo Falcão) foi  2º. Comandante dos Cavaleiros do Norte, a partir de Março de 1975. 
Reside em Lisboa e, não podendo estar no Encontro de Mortágua, mandou a seguinte mensagem: 

Caros Amigos:

Com muita pena, e mais uma vez, não conseguirei estar convosco em Mortágua no próximo dia 30. Prometo começar a organizar-me para não faltar ao almoço de 2016.
Um grande abraço e as maiores felicidades para todos os "Cavaleiros"
José Diogo Themudo


sábado, 30 de maio de 2015

3 135 - Cavaleiros do Norte da CCS em Mortágua

Cavaleiros do Norte da CCS reunidos em Mortágua, depuseram uma coroa
de flores no monumento aos mortos do ultramar
Afonso Henriques e António Albano Cruz
(ex-alferes miliciano) depuseram uma
coroa de flores mo monumento, de
Mangualde, aos mortos da guerra do
ultramar
 



Os Cavaleiros do Norte da CCS reuniram-se hoje em Mortágua, com momentos emotivos a fazer o programa de memória da nossa jornada africana. O «juiz da festa» foi o sapador Afonso Henriques e, depois da concentração frente à Câmara Municipal, seguiu-se o momento de deposição de flores no monumento aos mortos do ultramar.
O dia comemorava os 41 anos da nossa chegada a Luanda, idos de Lisboa num avião dos TAM e o facto não foi esquecido, ao longo de todo o dia. 
António Albano Cruz, ex-alferes miliciano mecânico auto, o mais patenteado Cavaleiro do Norte presente, fez a oração de memória do momento - depois de, com Afonso Henriques, ter feito a deposição da coroa de flores. 
O (ex-furriel miliciano) Viegas lembrou
os Cavaleiros do Norte que já
faleceram. Todos os 23 já depois
da nossa jornada africana do
Uíge angolano
O «pelotão» seguiu depois para o Santuário do Senhor do Monte, onde o padre António Correia presidiu à celebração e fez registo de «todos quantos, na sua juventude, abandonaram as suas casas e família, para servir a pátria». Sublinhou «a partilha que vieram fazer a este santuário, o que é prova de amizade enorme, que consagrais neste momento e com as vossas famílias».
O (ex-furriel miliciano) Viegas faz a evocação dos Cavaleiros do Norte que faleceram depois da nossa jornada africana - felizmente, nenhum militar da CCS faleceu em Angola - e seguiu-se o magnífico almoço de convívio, na Quinta do Restaurante A Roda. 

Cavaleiros do Norte

falecidos depois da
jornada angolana

Há registo de 21 Cavaleiros do Norte falecidos depois 

da nossa jornada africana de Angola, pelo Uíge da nossa saudade.

Os seguintes:



1 - Carlos José Saraiva de Lima ALMEIDA E BRITO
Tenente-coronel e comandante do Batalhão. Faleceu a 20 de Junho de 2003, durante um passeio em Espanha. Tinha 76 anos e era general.

2 - José Luís Jordão ORNELAS MONTEIRO.
Era 2º. Comandante, mas não seguiu para Angola. Foi para a Guiné, convocado pelo MFA. Morreu a 16 de Julho de 2011, em Lisboa, aos 80 anos.

3 - António Martins de OLIVEIRA
Capitão e comandante da CCS. Em data e razão desconhecida. Era de Viseu e morava em Ovar. Atingiu a patente de major.

4 - João Eloy Borges da Cunha MORA
   Tenente e Adjunto do Comandante da CCS. O tenente Palinhas. Faleceu a 21/4/1993, com 67 anos, víotima de doença. Em Lisboa. Era do Pombal.

5 - António Manuel GARCIA
  Alferes miliciano de Operações Especiais, comandante do PELREC. Faleceu a 2 de Novembro de 1979. Era de Carrazeda de Ansiães e morreu aos 27 anos, num acidente entre Viseu e Mangualde, quando, como agente da PJ, investigava o Caso Ferreira Torres e morava em Gaia.

6 - Luís Ferreira Leite MACHADO
   Sargento Ajudante. Faleceu a 12 de Julho de 2000, em Évora. Tinha 80 anos, vítima de doença.

7 - Joaquim Augusto Loio FARINHAS
   Furriel Miliciano Sapador / Faleceu a 14 de Julho de 2005, de doença do foro oncológico. Aos 53 anos, em Amarante, de onde era natural.

8 - Luís João Ramalho MOSTEIAS
  Furriel Miliciano Sapador. A 5 de Fevereiro de 2013, aos 61 anos. De doença oncológica. Era de Cabeção, em Mora, e vivia em Vila Nova de Santo André.


9 - Joaquim Figueiredo de ALMEIDA
   1º. cabo atirador de Cavalaria, do PELREC. Faleceu a 28 de Fevereiro de 2009, aos 59 anos, de doença do foro oncológico. Era de Penamacor

10 - António Carlos Fernandes de MEDEIROS
  1º. cabo operador cripto.  Faleceu a 10 de Abril de 2003. No Porto, aos 51 anos.

11 - Jorge Luís Domingos VICENTE
   1º. cabo atirador de Cavalaria, do PELREC. Faleceu a 21/01/1997, por doença, aos 45 anos. De Vila Moreira (Alcanena).

12 - Carlos Alberto de Jesus MENDES
   1º. cabo mecânico electricista, do Parque-Auto. Faleceu a 21 de Abril de 2010, aos 58 anos. Morava em Lisboa, nos Prazeres.

13 - Jorge Manuel de Sousa PINHO
1º. cabo escriturário. Faleceu de doença a 19 de Abril de 2003, no Porto. Aos 51 anos.

14 - José Adriano Nunes LOURO
   1º. cabo sapador. Faleceu a 23/7/2008, aos 56 anos. Era natural e residia Tomar. Semanas após a morte da esposa, de doença cancerosa, foi-lhe despistada igual doença e suicidou-se para, segundo deixou escrito, «não sofrer nem fazer sofrer a família». O testemunho é do filho, que é 1º. sargento do Exército

15 - Manuel Augusto da Silva MARQUES
1º. cabo Carpinteiro. A 1 de Novembro de 2012. Morte súbita, aos 60 anos, em Esmoriz (Ovar), de onde era natural e onde residia. Foi ao cemitério e ao abrir a porta de casa, caiu morto

16 - José Gomes COELHO
Soldado Sapador. Faleceu em Maio de 2007, com 55 anos, vítima de doença cancerosa. Morava em Oldrões da Calçada, em Penafiel. 

17 - ARMANDO Domingues Gomes
  Soldado atirador, do PELREC. Morreu a 3 de Setembro de 1989, aos 47 anos, em Á-dos-Cunhados (Torres Vedras).

18 - Manuel LEAL da Silva
  Soldado Atirador de Cavalaria, do PELREC. Faleceu a 18 de Junho de 2006. Doença súbita, em Pombal, aos 54 anos. Sentiu-se indisposto, não quis um chá oferecido pela mulher e deitou-se. Levantou-se e, de novo indisposto, caiu fulminado.

19 - Carlos Alberto MORAIS da Silva
Soldado cortador. Faleceu, por motivo desconhecido, a 12 de Janeiro de 1990, com 48 anos, em Santo Tirso.

20 - ALCINO Fernandes Pereira.
Soldado cozinheiro. Morreu a 25 de Junho de 1994, aos 52 anos, por razão desconhecida, Morava em Idanha (Sintra).

21 - Manuel Augusto Nunes, o AMARANTE
  Soldado sapador. Morreu a 24 de Maio de 2000. De doença, em Telões, de Amarante. Tinha 48 anos.

22 - João Manuel Pires MESSEJANA.
Soldado atirador, do PELREC. Faleceu a 27 de Novembro de 2009, em Lisboa, de doença, aos 57 anos.

23 - Graciano do Purificação QUEIJO
 Soldado clarim e colaborador da cozinha. Faleceu de doença cancerosa a 30 de Outubro de 2013. Sem família directa e originário de Vinhais, em Trás-os-Montes, morava num lar de Samora Correia, onde foi acolhido nos últimos dois anos de vida.



    

sexta-feira, 29 de maio de 2015

3 134 - O dia da partida para a jornada africana de Angola

O PELREC, já no Quitexe (em cima): Almeida (1º. cabo), Messejana, Neves, 
Soares (1º. cabo), Florêncio, Ezequiel, Marcos, Dionísio, Caixarias e Florindo (1º. cabo 
enfermeiro, de pé), Vicente (1º. cabo), Viegas (furriel miliciano), Francisco, Leal, 
Oliveira (1º. cabo de transmissões), Hipólito, Aurélio, Madaleno e Neto (furriel). Em baixo, 
os três furriéis do PELREC 8423 ainda no RC4, em Santa Margarida, nas vésperas da 
partida para Angola: Monteiro  (de Marco de Canaveses), Neto
e Viegas (ambos de Águeda)


O tempo passou depressa!!! Foi há 41 anos, nesse 29 de Maio de 1974, que a CCS dos Cavaleiros do Norte pegou nas malas e, nos autocarros verdes do Exército, «marchou» para o aeroporto de Lisboa, a caminho do avião dos TAM que a levou para Angola.
A esmagadora maioria de nós nunca tinha estado em Lisboa, nem lá perto, e muito menos tinha viajado de avião. O dia foi passado, pelos que ficaram em Santa Margarida, em crescente expectativa - indo chegando uns e outros, dos que, dois dias antes, tinham optado por os ir passar a casa. 
Por volta das 5 horas da tarde, aí fomos nós por estradas que eram novidade e pela auto-estrada que chegava ao Carregado. Outra e grande novidade! Era o único troço existente, para além do do Porto, até aos Carvalhos. Foi já na viagem que começou a chover e a chover continuou ate à hora do embarque. E torrencialmente, quando estávamos no aeroporto.
Era 4ª.-feira e, nesse mesmo dia, o Presidente da República foi apoteoticamente recebido no Porto. «Queremos todos edificar um Portugal sob o signo da paz, da justiça e do trabalho. Um Portugal com paz nos campos, nas fábricas, nas ruas, nos espíritos. Um Portugal com ordem e justiça social, com maior distribuição do produto do trabalho», disse o geral António de Spínola.
Em Londres, progredia-se na cimeira entre Portugal e os dirigentes do PAIGC. As negociações para o cessar-fogo eram consideradas, segundo o Diário de Lisboa, «um teste para similares negociações de paz com Angola e Moçambique».
Lisboa, por sua vez, foi cenário de uma manifestação a favor do MPLA, considerado «o único representante do povo angolano». O Governo Provisório de Portugal foi acusado de «dividir para reinar», por admitir FNLA e UNITA como «interlocutores do povo de Angola». 
«Se o Governo Português quer realmente pôr termo à guerra que nem lhe passe pela cabeça negociar com os accionistas da Cabinda Gulf e demais colonialistas ou seus representantes políticos, a FNLA e a UNITA», consideraram os manifestantes da capital portuguesa.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

3 133 - O dia do meio da partida e o encontro de Mortágua

Hipólito, Monteiro, Almeida e Vicente (de pé), Garcia, Leal, Neto e Aurélio (Barbeiro), 
Cavaleiros do Norte do PELREC, no Quitexe, O alferes Garcia (2/11/1979), os 1ºs. cabos 
Almeida (28/02/2009) e Vicente (21/01/1997) e o soldado Leal (18/06/2007) já faleceram. 
Comandante Almeida e Brito (falecido a 20/06/2003) e o capitão médico Manuel 
Leal a 27 de Setembro de 1997, no encontro de Penafiel




Sábado, dia 30 de Maio de 1975, é dia de encontro dos Cavaleiros do Norte, em Mortágua. Anfitrião e organizador é o (sapador) Afonso Henriques de Sousa - que preparou programa a condizer: concentração junto à Câmara Municipal (10,30 horas), missa no Santuário do Senhor do Mundo (11,30) e «celebração» gastronómica no restaurante «A Roda».
Lá estaremos, para assinalar o dia (30 de Maio de 1974) da nossa chegada a Luanda. Há precisamente 41 anos!
Dia 28 de Maio de 1974, hoje se fazem os mesmos 41 anos, boa parte dos Cavaleiros do Norte da CCS estava no RC4 (Campo Militar de Santa Margarida) a aguardar a partida para Lisboa, de onde seguiriam, em estreia aérea, para Luanda - a bordo de um avião dos Transportes Aéreos Militares, os TAM. Adiada da véspera, para o dia seguinte.
Portugal continuava mergulhado na revolução e o Serviço de Informação Pública das Forças Amadas dava conta, em comunicado oficial, da morte de mais militares, em combate. Em Angola, a do furriel miliciano António José Duarte da Silva, de Marmelede (Monchique). E de mais um furriel miliciano e um soldado em Moçambique, respectivamente Francisco José Nunes Gonçalves, de Vale de Santiago (Odemira), e João Carlos Mota Medeiros, do Picos das Canas (Ponta Delgada). Na Guiné, a dos soldados Joaquim dos Santos Pinho, da Quinta (S. João da Madeira, e Domingos da Silva Ribeiro, do Bairro do Bosque, na Venda Nova (Oeiras). 
Em Londres, exigências dos dirigentes do PAIGC adiaram o acordo com a delegação portuguesa. Ainda não havia cessar fogo. Ambas as delegações reconheceram a dificuldade das negociações.
Um ano depois, 28 de Maio de 1975, o problema de Angola era lavado a Conselho de Ministros, em Lisboa. Em Luanda, Jonas Savimbi, presidente da UNITA, regressado de Kinshasa, admitia a hipótese de a cimeira prevista para 1 de Junho ser adiada. O dia 1 de Junho seria, como todos nos lembramos, o do início dos trágicos incidentes de Carmona.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

3 132 - Viagem para Angola, há 41 anos, adiada por 2 dias!!

Grupo de furriéis milicianos da CCS dos Cavaleiros do Norte, que há 41 anos tiveram 
adiada, por dois dias, a partida para Angola: António José Cruz, Cândido Pires, Luís 
Mosteias (falecido a 5 de Fevereiro de 2013), Francisco Neto, José Pires e Nelson Rocha. 
Em baixo, notícia de 27 de Maio de 1974, sobre a Assembleia
Legislativa de Angola




Aos 27 dias de Maio de 1974, chegados ao Campo Militar de Santa Margarida e ao RC4, a sua unidade mobilizadora, os Cavaleiros do Norte da CCS foram informados do adiamento, por dois dias, do embarque para Luanda e Angola. Para daí a 2 dias, a 29. Chegou a supôr-se (mais por desejo que por probabilidade) que já não iríamos para Angola. Mas fomos.
Alguns de nós voltaram a suas casas e outros foram laurear o queijo para Lisboa, comprometidos a aparecerem no aeroporto a meio da tarde de 29. Foi o caso do Francisco Neto, que por lá se foi «espraiar» nas noites da capital.
Eu - como a maioria de nós... - fiquei por Santa Margarida e julgo estar certo (de memória) de ter ido, com o José Pires e o Rocha, almoçar a um restaurante de S. Miguel de Rio Torto, «desenfiados» num jeep militar e com um alferes, cujo nome não consigo recordar.
O país continuava a viver Abril e Almeida Santos (ministro da Coordenação Inter-Territorial), acabado de chegar de Luanda, foi encontrar-se com Mário Soares (Negócios Estrangeiros) e Jorge Campinos, em Londres - onde fez balanço das suas viagens a Moçambique e Angola, considerando-as «muito proveitosas», permitindo-lhe «avaliar as dificuldades do Governo Português nesta fase de descolonização». 
O trio ia encontrar-se com uma delegação do PAIGC - com a qual Jorge Campinos negociava desde há vários dias a independência da Guiné-Bissau.
Sobre Angola de Moçambique, Almeida Santos comentou «estar preparado para apresentar ao Governo Provisório a reestruturação orgânica das Assembleias Legislativas, em ordem a dar-lhes maior capacidade legislativa e a que se extingam as anteriores Assembleias, para que proceda a eleição de novos membros».

terça-feira, 26 de maio de 2015

3 131 - Véspera da (falsa) partida e cimeira Savimbi e Holden

Cavaleiros do Norte em Penafiel, a 27 de Setembro de 1997: F. Dias (de óculos), 
N. Rocha (debigode), C. Viegas (de lado), médico Manuel Leal (calvo), 
comandante Almeida e Brito, José Monteiro, AJ Cruz (furriel, de costas e óculos) 
e Pais. Em baixo, notícia de há 40 anos, sobre Jonas 
Savimbi e Holden Roberto


O 26 de Maio de 1974 foi dia despedidas. Era domingo e na saída da missa das 11, aqui mesmo ao lado de casa, foram inevitáveis e emotivos os últimos cumprimentos e desejos de sorte lá por África. Ao outro dia, de madrugada, viajaria com o Francisco Neto para Santa Margarida, levados pelo pai...  Lá íamos nós para Lisboa e para Angola. E fomos mesmo, com dois dias de atraso, embora...
O dia foi também, mas em Lusaka. capital da Zâmbia, para um encontro de Holden Roberto, presidente da FNLA, com os presidentes do Zaire (Mobutu Sese Seko, seu cunhado) e Kenneth Kaunda (Zâmbia), para, como releio no Diário de Lisboa, «conversações relativas aio futuro de Angola e à nova política portuguesa relativamente aos territórios africanos de Portugal».
Kaunda sublinhou «a necessidade de unificação dos três movimentos que, em Angola, lutavam pela independência». Unificação que «tem faltado entre os movimentos de guerrilheiros».
Um ano depois, em Luanda - e com muita água passada sob as pontes e incidentes entre os três movimentos - a capital apresentava «um ambiente calmo, após um longo período de convulsões». Mas escasseavam os géneros alimentícios e, cito do Diário de Lisboa, «a água tem de ser fervida, por falta de cloro».
Jonas Savimbi chagara na véspera, ao fim da manhã, e preparava-se para partir para Kinshasa, onde reuniria com Holden Roberto (se este concordasse), para «preparar a cimeira dos três movimentos de libertação», prevista para 1 de Junho. Cm Savimbi, viajaram José N´Dele (do Governo de Transição), Fernando Wilson (delegado em Luanda) e Ernesto Mulato (dirigente em Nova Lisboa), todos da UNITA, e Vaal Neto, da FNLA.
Em Carmona, não sabíamos, mas estávamos em vésperas dos dramáticos incidentes que se despoletaram na madrugada de 1 de Junho de 1975. Um domingo histórico, nas vidas dos Cavaleiros do Norte!!!

segunda-feira, 25 de maio de 2015

3 130 - Vésperas da partida para Angola, há 41 anos!!!


Cavaleiros do Norte, 8 furriéis milicianos de Zalala: Américo Rodrigues, Jorge Barata, 
José Louro, José António Nascimento, Eusébio Martins, Manuel Dias, Victor Velez e 
Victor Costa. Barata (a 11 de Outubro de 1997 ), Eusébio (16 de Abril de 2014) e Dias 
(20 de Outubro de 2011) já faleceram. Em baixo, o crachá do BCAV. 8423 - os Cavaleiros do Norte



A 25 de Maio de 1974, antevéspera da nossa partida para Angola (que seria a 27 e viria a ser adiada para dia 29) havia dúvidas e esperanças divididas: embarcaríamos para Luanda? A sugestão divulgou-se muito, ao tempo e entre as unidades a embarcar, porque se admitia que, devido ao 25 de Abril, regressasse a tropa lá estacionada e já não fosse a mobilizada. Que era o nosso caso.
Assim não foi.
A CCS acabou por partir de Lisboa a 29 de Maio, seguindo-se a 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, de que se vêem 8 furriéis na imagem de cima (a 31), a 2ª. CCAV., a de Aldeia Viçosa (3 de Junho) a a 3ª. CCAV., a de Santa Isabel (a 4 de Junho) - chegando a Luanda nos respectivos dias seguintes.
O dia 25 de Maio de 1974 foi um sábado e de África chegavam notícias dos vários Governos influentes do continente que olhavam as independências dos territórios ultramarinos portugueses. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Tanzânia exigia que Lisboa «defina claramente as suas intenções». John Malecela, o dito ministro, advertiu mesmo que «qualquer tentativa para instalar Governos fantoches em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau terá com o resposta a intensificação da resistência, pelos movimentos de libertação e pelo resto de África».
O salário mínimo nacional dos trabalhadores por contra de outrém foi aumentado para 3300$00. De foram. ficaram os trabalhadores rurais e empregada(o)s doméstica(o)s. Até 7500$00, os salários seriam livremente contratados nos sector privado. Acima de 7500$00, foram congelados.
O dia assinalou, também e em Londres, o início das negociações entre o Governo Provisório de Portugal e o Partido Africano para a Independência de Angola e Cabo Verde (PAIGC).

domingo, 24 de maio de 2015

3 129 - Ministro em Luanda e expectativas em Carmona e Uíge

Pelotão do Parque-Auto, comandado pelo alferes Cruz (quarto da fila de trás, a contar 
da esquerda), assessorado pelo 1º. sargento Aires (à sua direita (de óculos) e o furriel 
Morais (quarto da segunda fila, a contar da direita, de óculos e
 mãos nas ancas). Agostinho 
Neto (MPLA), Holden Roberto (FNLA) e Jonas Sabimbi (UNITA), em baixo


O ministro Almeida Santos, da Coordenação Inter-Territorial, chegou a Luanda no dia 23 de Maio de 1974, há 41 anos, depois de jornada negocial em Moçambique, e foi recebido por «uma grande multidão, incluindo dirigentes militares, civis, políticos e homens de negócios, tanto brancos como negros».
«É preciso que todos nos ajudemos uns aos outros a construir os caminhos do futuro, que são necessariamente os caminhos da paz. Na verdade, tanto Moçambique como Angola merecem a paz», disse Almeida Santos,
A Cimeira entre os três movimentos - MPLA, FNLA e UNITA - estvaa marcada para 1 de Junho e era certo que Portugal não participaria, oficialmente por o Acordo do Abril não estar a ser cumprido, «estar em causa». A Comissão Coordenadora do Programa para Angola, do MFA, admitia mesmo que a FNLA e a UNITA consideravam a presença portuguesa iria «desacreditar os seus presidentes». Seria, do seu ponto de vista, uma «declaração pública da falta de maturidade política e quebra de prestígio» dos mais mais altos dignitários angolanos - quisesse isso dizer o que quisesse. 
Sobre a formação do exército único, Jonas Savimbi, presidente da UNITA, ia mais longe: «Nós somos três forças na arena, três forças armadas». Isto porque nenhum movimento abdicaria do seu (assim veio a acontecer). O movimento que quisesse tomar o poder pelas armas teria «os outros dois contra ele».
Por Carmona, avisados do que poderia acontecer, os Cavaleiros do Norte iam tendo notícias dos combates que ocorriam um pouco por toda a Angola. «Procurando incrementar as Forças Mistas e as suas actividades, manteve-se patrulhamento permanente nos centros urbanos e itinerários, principalmente em Carmona, considerada a área mais fulcral do distrito (...), com sacrifício do pequeno efectivo existente». lê-se no livro «História da Unidade». 

sábado, 23 de maio de 2015

3 128 - Dois Cavaleiros do Norte no Senhor de Matosinhos

Cavaleiros do Norte no Quitexe. À frente e da esquerda para a direita, Monteiro, Machado 
(a fumar), Costa e Lajes,  Atrás, Rocha (de bigode), Fonseca (também de bigode 
e com cigarro na mão), Bento (de bigode), Viegas, Belo (bigode e óculos) e Ribeiro. Em baixo, 
Viegas e (capitão) Castro Dias, a 22 de Maio de 2015, 41 anos depois de os primeiros 
CdoN terem chegado a Luanda



Ontem, aqui fizemos memória dos 41 anos da chegada dos primeiros Cavaleiros do Norte a Angola, para a nossa jornada africana do Uíge, encerrada em Luanda, em Setembro de 1975. Foram eles, recordemos, o comandante Almeida e Brito, o capitão José Paulo Falcão (oficial adjunto e de operações) e o alferes miliciano José Leonel Hermida (das transmissões).
O destino quis que, também ontem e na romaria do Senhor de Matosinhos, se encontrassem dois Cavaleiros do Norte: o capitão Castro Dias (comandante da 1ª. CCAV. 8423) e o furriel Viegas (da CCS).
Castro Dias, ao tempo licenciado em Geologia e agora aposentado do ensino e dirigente sindical, fez as honras da casa, com Maria da Graça, a sua «mais que tudo». Vadiámos pelo tempo e consolámos a memória pelos alguns dos muitos momentos e personagens que fizeram a história dos nossos 15 meses de jornada uíjana. Não escaparam, a essa (re)frescura memorial, nomes como o comandante Almeida e Brito, os capitães Falcão, Oliveira, Cruz e Fernandes, os alferes Garcia, Almeida, Ribeiro e Hermida, Sousa, Lains, Sampaio e Rosa, muitos furriéis e alguns praças da CCS e da 1ª. CCAV, 8423 - a da mítica Zalala, que depois passou por Vista Alegre e Ponte do Dange, Songo e Carmona.
Foi bonito, pá!!!
Há 40 anos, em Maio de 1975, os angolanos filiados na União Nacional dos Trabalhadores de Angola (UNTA), afecta ao MPLA, reclamaram a demissão do Alto Comissário. A manifestação acabou junto ao Palácio do Governo, onde entregaram um caderno reivindicativo.
O MPLA acusava Silva Cardoso de «parcialidade que abalou profundamente a confiança nele depositada». A FNLA, por seu lado e sobre o Alto-Comissário, «estima(va) que (...) mantenha a sua neutralidade, que o diferencia dos predecessores», reafirmando-lhe «total confiança».

sexta-feira, 22 de maio de 2015

3 127 - Os primeiros Cavaleiros do Norte na Região Militar de Angola

O comandante Almeida e Brito (segundo a contar da esquerda),  ladeado pelo furriel 
Reino (à esquerda), soldado clarim Armando Mendes da Silva e capitão José Paulo Falcão. 
De costas, está o capitão António Oliveira (comandante da CCS). Em baixo, os alferes 
Pedrosa de Oliveira (2ª. CCAV. 8423). Jaime Ribeiro, António Albano Cruz, António 
Garcia e José Leonel Hermida, à porta da messe de oficiais do Quitexe

Os primeiros Cavaleiros do Norte a chamar a Angola foram o comandante Almeida e Brito. o capitão José Paulo Falcão (oficial adjunto) e o alferes miliciano José Leonel Hermida (oficial de transmissões). Foi há precisamente 41 anos, a 22 de Maio de 1974!
Os três oficiais «desembarcaram no AB9 (...), após viagem nos TAM», como se lê no livro «História da Unidade». A deslocação da CCS estava prevista para 27, mas foi adiada para 29 do mesmo mês de Maio de há 41 anos. Imediatamente após a chegada dos três oficiais, «finalmente teve o BCAV. conhecimento do seu local de destino», o Quitexe - onde Almeida e Brito já estivera como oficial de operações e o livro apresenta como «terra promissora de Angola, capital do café e vila-mártir de 1961». Só após a nossa chegada a Angola conheceríamos esse local de destino - que tantos anos depois continuamos a recordar com saudade.
O BCAV. 8423, ainda segundo relato do «História da Unidade», «iria estabelecer-se em Sector, com vista a dar consecução ao problema de paz que o MFA pretende obter». Assim foi!

quinta-feira, 21 de maio de 2015

3 126 - Mortos em Angola e Tomaz e Marcelo no Brasil

Três Cavaleiros do Norte: os furriéis milicianos Mário Matos (2ª. CCAV. 8423), João 
Aldeagas (1ª.) e António Chitas (2ª.). Em baixo, Marcelo Caetano e Américo Tomaz



O Serviço de Informação Pública das Forças Armadas. a 21 de Maio de 1974, dava conta de mais «mortos em combate» nas três frentes da guerra colonial. Incluindo Angola: o furriel miliciano Carlos  Ferreira Teixeira., de Nossa Senhora da Conceição (Lourenço Marques, em Moçambique); o 1º. cabo José Augusto Machado da Costa, que era da Trofa, um,a freguesia vizinha da minha (Ois da Ribeira), ambas do concelho de Águeda. Era filho de Manuel Joaquim da Costa e Gracinda Cerqueira Machado, deixando viúva Maria Madalena Pereira Martins; e do soldado Augusto Maximino Leal, de Roliça, no Bombarral.
A dor da morte é sempre enorme, neste caso com a particularidade de envolver um quase conterrâneo.Era para essa Angola que fazíamos vésperas de partida!
O dia foi também o da chegada de Américo Tomas e Marcelo Caetano a S. Paulo, no Brasil - antes de transitarem, para o Rio de Janeiro. Ficaram hospedados no 27º. andar do Hotel Hilton e, em Lisboa, o Ministério da Comunicação Social explicava que «o Governo Brasileiro deu resposta positiva» à consulta do Governo Português sobre a possibilidade de os agora depostos Presidente da República e do Conselho lá serem «asilados territoriais». Isto, desde que, referiram os brasileiros,  «se abstivessem e as suas famílias, de toda e qualquer actividade política».
O exílio foi possível, mas «sem prejuízo do apuramento das eventuais responsabilidades que caibam ao almirante Américo Tomaz e ao professor Caetano», para além do «congelamento dos seus bens, se a ele houver de proceder-se».

quarta-feira, 20 de maio de 2015

3 125 - Mortos em combate, exílios e Mundial de Hóquei em Patins

Cavaleiros do Norte da 1ª. CCV. 8423, a de Zalala. Em cima e da esquerda para 
a direita, Rocha (?), Espinho (?),Fião, Romão, Tarciso, Aprumado, Mora, Mamarracho e 
Pereira. Sentados: Azevedo, Rego, Orlando Oliveira (?), Lopes, Dorindo e Manuel Dinis 
Dias, o furriel - falecido a 20 de Outubro de 2011, em Lisboa, vítima de doença. Em baixo, 
a notícia da partida de Américo Tomaz e Marcelo Caetano para o exílio


A 20 de Maio de 1974, faziam os Cavaleiros do Norte vésperas da partida para Angola, foram Américo Tomaz e Marcelo Caetano para o Brasil. Instalados no Funchal desde a revolução, viajaram de barco para Porto Santo e, aqui e de avião, voaram para o Brasil. Há precisamente 41 anos!

O dia era 2ª.-feira e sendo Angola o nosso destino próximo, natural era que procurasse informação de lá. Nesse 20 de Maio de 1974, o Serviço de Informação Pública das Forças Armadas noticiava «a morte em combate» de três militares: o 1º. cabo José Augusto Castro Alexandre, da Sé Nova (Coimbra), e os soldados José Fernando Ferreira Rocha, do Sobrado (Valongo), ambos casados, e Bento Ribeiro, de Guimarães. Todos com 23 anos.
O ministro Almeida Santos chegou nesse dia a Luanda, em viagem para Lourenço Marques, capital de Moçambique - onde se demoraria três dias, antes de voltar a Luanda, para conversações com os respectivos Governos Provisórios e reunindo diariamente os Conselhos de Ministros.
O objectivo era, segundo o Diário de Lisboa dessa data, «garantir a indispensável coordenação de todos os sectores da administração pública, na concretização da política geral definida no programa político estabelecido».
O Mundial de Hóquei em Patins estava marcado para Luanda e a Federação da modalidade confirmava a sua realização. «Apesar de tudo quanto por aí se disse e escreveu, pondo em dúvida a realização, em Angola, do próximo campeonato do mundo de hóquei em patins, a verdade é que a grande competição terá mesmo lugar em Luanda», garantia José Castelo Branco, o então líder máximo da Federação Portuguesa de Patinagem.
Estava previsto para Julho de 1974 mas, afinal, não se chegou a concretizar na capital angolana.

terça-feira, 19 de maio de 2015

3 124 - Portugueses a fugir e Cavaleiros a cumprir

Cavaleiros do Norte no Quitexe. Atrás, do lado esquerdo, os furriéis milicianos Pires e 
Costa (dos Morteiros). Depois, Graciano e Fernandes (3ª. CCAV.) e Rocha (CCS). Na fila 
do meio, Cardoso, Grenha Lopes e Flora, tapado pelas mãos do Fernandes (todos da 3ª.) 
e Viegas (CCS). Depois, Abrantes (com cachimbo na mão), Rabiço (3ª.), NN (tapado 
pela mão do Bento, parece ser o Lajes, do bar) e Bento (CCS). À frente, Ribeiro (3ª.). De pé, do 
lado direito. 1 º. sargento Francisco Marchã (3ª.).


A 19 de Maio de 1975, o jornal A Província de Angola (ao tempo, muito afecto à FNLA) dava como certo «o regresso de  Holden Roberto a Angola». Ao mesmo tempo, previa, para 1 de Junho, a realização da cimeira entre os três movimentos.
Iam duvidosos os tempos. Em Luanda, segundo o Diário de Lisboa, «o espectáculo do aeroporto é verdadeiramente impressionante, com os europeus a saírem em massa».
«O êxodo assume proporções gigantescas. Enquanto nos primeiros quatro meses deste ano, de Janeiro até fins de Abril, saíram cerca de 5000 pessoas, na semana que findou abandonaram Angola aproximadamente 4000 portugueses», noticiava o Diário de Lisboa de há 40 anos, dia 19 de Maio de 1975.
Agostinho Neto, presidente do MPLA (na foto), em declarações ao jornal O Comércio, de Luanda do mesmo dia, considerava que, esta fase e para muitos deles (colonos portugueses) era «o acordar inevitável do dia que nuca esperaram».
«O técnico angolano que foge para Portugal neste momento, pensando voltar quando houver calma, está a trair os interesses do seu país, e os técnicos estrangeiros que se portam da mesma maneira, caem em igual oportunismo, não sendo portanto amigos de Angola», sublinhou o presidente do MPLA.
Os Cavaleiros do Norte, no Uíge angolano, continuavam a sua missão, sem sujeições e facilidades, mas, escrupulosamente, cumprindo o seu dever de garantes da ordem e da justiça, da segurança de pessoas e de bens. 
Foto de Joaquim 
Abrantes

segunda-feira, 18 de maio de 2015

3 123 - Alferes Ramos no BC12 e jornal de aniversário

Cavaleiros do Norte, há 40 anos: os 1ºs. cabos João Estrela, António Medeira (falecido a
10 de Abril de 2013), Miguel Teixeira, Damião Viana e Vasco Vieira. Em baixo, o 
alferes Fernando Ramos



O mês de Maio, entre as suas coisas, teve algumas boas: por exemplo, a edição do jornal comemorativo do primeiro aniversário dos Cavaleiros do Norte em Angola (foto abaixo), coordenado pelo alferes miliciano António Garcia e que tinha o rádiotelegrafista Humberto Zambujo o artista gráfico, com colaboração diversa. A do alferes Fernando Ramos era uma dela; o alferes capelão, outra; outra, foi a do 1º. cabo João Estrela (foto acima).
O Zambujo e o Estrela eram Cavaleiros do Norte desde a primeira hora, desde o Campo Militar de Santa Margarida e do Destacamento do RC4. Ambos da CCS.
O alferes Fernando António Morgado Ramos foi colocado an 2ª. CCAV. 8423 em Maio de 1975, já os homens de Aldeia Viçosa estavam aquartelados em Carmona, no BC12.
Foi destacado na sequência de uma acção disciplinar: «Um castigo tão guerreiro quanto castrense», lembrou o agora advogado em Vila Nova de Foz Coa, evocando as terras do Luvo, Mamarrosa e Damba, por onde andou, antes de voltar a Luanda e às Forças Militares Mistas.
«Fui, então, com guia de marcha e de machimbombo para Carmona, onde tinha afins familiares, mas estive lá pouco tempo. Talvez em Julho, voltei a Luanda, de férias, e não voltei a Carmona», recordou o antigo oficial miliciano, agora homem das causas jurídicas na Comarca de Vila Nova de Foz Coa (e outras), onde tembém tem sido dirigente dos Bombeiros Voluntários.
De Carmona e do BC12, recorda os dramáticos primeiros dias de Junho de 1975. «Acordei na messe de oficiais, no dia 1, com a guerra fratricida dos beligerantes locais e de, depois e como oficial de dia, passar o dia todo no refeitório, onde, quando acabava o pequeno almoço da última vaga dos refugiados, já estava na hora de passar ao almoço dos tropas e assim sucessivamente», lembra-se o ex-alferes miliciano Fernando Ramos.
Não tarda que se façam 40 anos sobre estes trágicos dias.



domingo, 17 de maio de 2015

3 122 - Manutenção da ordem e vida social dos Cavaleiros

Messe de Sargentos do BC12, onde, a 26 de Abril de 1975, se instalaram os furriéis 
da 2ª. CCAV. 8423. Em destaque, a amarelo, um dos mini-autocarros de transporte 
de militares. A foto foi tirada do lado da Messe de Oficiais, onde estavam, desde 2 de 
Março, os furriéis e sargentos da CCS. Em baixo, a fachada 
do Diamante Negro





O mês de Maio de 1975, segundo o livro «História da Unidade», foi, para os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, «o período onde, franca e verdadeiramente, se verificou a viragem das nossas possibilidades de manutenção duma ordem que se deseja e que se impõe seja conseguida».
No Negage, ali bem pertinho de Carmona - onde estava localizada uma base aérea e aquartelada  a Companhia de Caçadores 4741/74, adida aos Cavaleiros do Norte -, um comandante da FNLA/ELNA tinha afirmado que os tambores de 1200 litros não iriam ser suficientes para recolher o sangue que lá seria vertido. Ameaçavam-se as famílias dos oficiais portugueses e, na rua, os seus soldados ameaçavam as raparigas brancas. Depois da independência, ameaçavam, «ficas para mim...».
Era neste quadro que, avisado, o comandante Almeida e Brito nos ia psicologicamente preparando para iminentes incidentes na cidade. Carmona seria, ao tempo, a única capital onde não se registava confrontações sérias, entre os três movimentos. Reinava a FNLA.  
A guarnição, cumprindo rigorosamente as suas tarefas diárias, procurava alguns «alívios» na cidade: nos bares e restaurantes (o Escape, então muito na moda; o das piscinas e o do aeroporto; o Dondo, Leão Óuro, Shop-Shop,  Boca Doce, Chez-Nous. Pic-Nic, sei lá..., os Bares Gomes e do Eugénio), cinemas (Ginásio e Moreno, mais a este...) e casas nocturnas - de que o Diamante Negro, perto do campo do Recreativo do Uíge (foto da fachada, de data recente e retirada da net) era exemplo muito apreciado pelos mais abastados.
Vão lá já 40 anos!!!

sábado, 16 de maio de 2015

3 121 - Acusações em Carmona e evacuações para Luanda

Messe de saRgentos cheia de furriéis: Cândido Pires, Victor Velez (1ª. CCAV.), 
Miguel Santos (páraquedista), dois de rosto semi-tapado (Bento e Cruz, este de óculos?) e 
Machado (à esquerda), Graciano (3ª. CCAV.), José Pires, Viegas, Francisco Neto, Luís 
Mosteias e Nelson Rocha. De pé, está o José Rebelo, auxiliar de cozinha da messe. Em 
baixo, o alferes João Machado (2ª. CCAV.).



  Os dias de Maio de 1975 iam passando, por Carmona, «com sacrifício do pequeno efectivo existente», mas com os Cavaleiros do Norte a cumprir a sua missão, «não olhando aos factos negativos que lhe eram atribuídos, pela certeza de irrealidade e falsidade das afirmações». Acusados de parciais (por MPLA e FNLA), de cobardes e traidores (pela comunidade branca), viram «as suas actividades mal aceites». Não foi fácil (sobre)viver num território que, para o mal e para o bem, era  uma espécie de «mar da FNLA», que nele não admitia outras forças. Nem as NT. A hostilidade sentia-se e vivia-se, no dia a dia. Isso não esmoreceu o seu ânimo e, por esse tempo (foto), até continuavam as excursões militares a pontos turísticos angolanos.
Na vizinha província (angolana) do Zaire, no norte de Angola e ao lado do Uíge, por exemplo, as forças militares do MPLA «estão igualmente a ser evacuadas, devido à presença maciça de soldados da FNLA». «Desaparecido, praticamente o controlo português na fronteira com o Zaire, assiste-se, presentemente, a uma verdadeira invasão por forças da FNLA, em grande parte, ao que se afirma, soldados de Mobutu», relatava o Diário de Lisboa, que citamos. 
A administração pública estava praticamente paralisada (na província do Zaire) e muitos funcionários africanos ligados ao MPLA estavam a ser evacuados para Luanda, pela Força Aérea Portuguesa, porque «estava a a ser submetidos a agressões por militantes da FNLA». FNLA que impedia a sua deslocação por terra. 
 Era isto ali ao lado, nas barbas territoriais dos Cavaleiros do Norte, aquartelados no chão uíjano de Carmona, do Quitexe (onde continuava a 3ª. CCAV. 8423), Cachalonde e Songo (onde jornadeavam os homens de Zalala).

sexta-feira, 15 de maio de 2015

3 120 - A morte do alferes Meneses e a cimeira dos 3 movimentos

Cavaleiros do Norte de Zalala, jogadores de futebol. De pé, Fião, Barreto, Alegre (?), 
Ferreira e NN. Em baixo, Almeida, Tarciso, NN (atirador?), Famalicão, Alfama 
e Nascimento. Quem confirma os nomes ou identifica os (des)conhecidos?





O dia 15 de Mato está «associado» a pelo menos três Cavaleiros do Norte: a morte do alferes miliciano Meneses (em 2013) e os nascimentos do sargento ajudante Machado (em 1920) e do soldado sapador Baltazar (1952).
Manuel Meneses Alves (foto acima, de pouco tempo antes da sua morte) tornou-se oficial da 2ª. CCAV. 8423 em Fevereiro de 1975, quando rodou de uma companhia estacionada em Cabinda. Veio a ser louvado, pela sua decisiva acção num incidente em Carmona, quando, a 13 de Abril do mesmo ano, interveio «de forma rápida, decidida e enérgica» para acabar um confronto entre elementos da FNLA e do MPLA.
Empresário do sector alimentar (talhos em Leiria) faleceu a 15 de Maio de 2013, vítima de doença. Tempos antes, sabendo do seu estado de saúde, organizou um jantar de despedida dos amigos e familiares.  Que repetiu, quando o estado de saúde se agravou. Ver AQUI
O sargento ajudante Luís Ferreira Leite Machado (foto ao lado) trabalhava na secretaria do comando do Batalhão, com o (então) tenente Luz e faleceu em Évora, a 12 de Julho de 2000, com 80 anos. Mais nada sabemos da sua carreira militar e vida pessoal, desde 8 de Setembro de 1975 - dia da nossa chegada a Lisboa e final da nossa jornada africana de Angola. 
O soldado Baltazar Serafim Brites, do Pelotão de Sapadores (comandado pelo alferes Ribeiro) faz hoje 63 anos e reside em Sarzedinho, freguesia de Ervedosas do Douro, concelho de S. João da Pesqueira. Trabalha na área da construção civil.
Em Luanda e no mesmo dia de 1975, soube-se que, afinal, a cimeira entre MPLA, FNLA e UNITA, ainda sem data marcada, não teria participação de Portugal. O Ministro Melo Antunes regressou a Lisboa nesse mesmo dia, adiantando que o Governo só entraria nas negociações numa fase posterior. Tinha reunido com o Governo de Transição e com delegações dos três movimentos de libertação - a do MPLA liderada por Agostinho Neto, a da UNITA por Jonas Savimbi e a da FNLA por Johny Eduardo (representando Holden Roberto).
«Continuam a registar-se alguns incidentes esporádicos, nomeadamente devido a buscas mas em situações perfeitamente calmas», noticiava o Diário de Lisboa desse dia de há 40 anos.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

3 119 - O problema angolano, o MODU e militares para o Norte

Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel: furriéis milicianos José 
Querido (Odivelas), Vitor Guedes (falecido a 16/04/1998), António Fernandes (Braga), 
Agostinho Belo (Retaxo, Castelo Branco, de óculos) e Ângelo Rabiço (de Vila Real, mas 
em Guimarães). Em baixo, algumas localidades do Uíje angolano. por onde 
passaram os Cavaleiros do Norte


A 14 de Maio de 1975, em Luanda, o ministro Melo Antunes (dos Negócios Estrangeiros) iniciou negociações com os três movimentos de libertação: MPLA, FNLA e UNITA. O objectivo era «encontrar uma solução para o problema de Angola».
Incidentes entre MPLA e FNLA, em Luanda, reporta(va) o Diário de Lisboa desse dia que «continuam a registar-se alguns, embora de pouca gravidade». Em Nova Lisboa, a segunda cidade de Angola, «a situação está normalizada». Os recontros entre as forças dos dois movimentos teriam «provocado  4 mortos do lado do MPLA e 14 do lado da FNLA»
O dia foi tempo para incidentes em Teixeira de Sousa (onde as forças da FNLA «retiraram para o Zaire») e Vila Nova, Cuína e Caala (ou Roberto Williams, perto de Nova Lisboa).
Um ano antes, em Carmona, foi criado o Movimento Democrático do Uíge (MODU). Anunciou «total adesão ao MFA» e o seu objectivo passava pela «restituição das liberdades cívicas ao país e pela restauração, em Portugal, de um regime democrático».
A ANI, em despacho desse dia, dava conta que «cerca de 20 organizações políticas foram criadas em Angola, desde que eclodiu o Movimento das Forças Armadas» e o manifesto do MODU apontava para «colaborar activamente nas intenções e objectivos já proclamados pela Junta de Salvação Nacional» e, em particular, na «missão que se propõe de consciencialização política para uma solução justa e pacífica do problema ultramarino».
Do que foi feio do MODU, não sei. Nem mesmo no tempo da passagem dos Cavaleiros do Norte tenho memória de ouvir falar de tal partido. Os seus dinamizadores, há 41 anos, também propunham  criar um jornal independente.
Ao mesmo tempo, e ainda segundo a ANI, «milhares de soldados foram transferidos para o norte de Angola, a fim de enfrentarem uma prevista ofensiva de guerrilheiros». Isto porque o Alto Comando previa que os cerca de 4000 combatentes  da FNLA «iniciem os seus ataques no fim deste mês, numa tentativa de destruírem a colheita do café e para intimidar os trabalhadores negros assalariados pelos colonos brancos daquela área».
Outro motivo desta transferência de militares era «convencer os colonos brancos de que a Junta de Salvação Nacional não tenciona por ter à guerra contra os cerca de 4000 membros da FNLA».