terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

3 308 - Futebol em onda média! O João Lino de Santa Isabel!

João Lino em terras uíjanas de Santa Isabel: o terceiro, a contar da esquerda, 
no quarteto; o da direita, na foto da direita. Faria hoje 64 e faleceu há quase 33 
anos. Era soldado atirador de Cavalaria da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel. 
Quem reconhece os restantes Cavaleiros do Norte? 

Os furriéis Pires (com o filho Fernando, de óculos, 
à sua direita) e Neto (de gravata e camisa 
avermelhadas e bigode) e sua esposa Ni, na foto 
de cima (a 115) e de frente. Na de baixo (114) e 
também de frente, da direita para a esquerda, 
1º. sargento Luzia e o 1º. cabo Florindo. Todos 
em Águeda, a 9 de Setembro de 1995

A tarde de 16 de Fevereiro de 1975, um domingo, foi tempo, lá pelo Uíge angolano, de colar os ouvidos aos transistores para ouvir o relato do FC do Porto-Benfica - que os encarnados venceram (3-0), com golos de Victor Martins, Moínhos e Toni. 
O clube da Luz, à 22ª. jornada (de 30) e no tempo de dois pontos por vitória, continuava na frente do campeonato, com 36 - seguido do Sporting (34) e do FCP (32). Os relatos chegavam-nos através da onda média da Emissora Nacional (a actual RDP) e eram religiosa e avidamente escutados na guarnição, naturalmente dividida em paixão pelos três clubes maiores - os de então e de hoje: Benfica, FC Porto e Sporting. Seguiam-se, na classificação, Guimarães (29 pontos), Boavista (27), Farense (23) e Belenenses (22), Leixões (20), Setúbal, CUF (19), Atlético e União de Tomar (18), Oriental (15), Académico(a) (14), Sp. Espinho (13) e Olhanense (12).
O dia foi também de anos (os 23!) do soldado atirador de Cavalaria João Lino Oliveira da Silva, da 3ª. CCAV. 8423, a de Zalala mas ao tempo já aquartelada no Quitexe - desde 10 de Dezembro de 1974, com a CCS. 
João Lino Oliveira da Silva,
Cavaleiro do Norte de
Santa Isabel, soldado atirador
de Cavalaria, em tempo da  jornada
africana do Uíge Angolano, na
3ª. CCAV. 8423
João Lino, cumprida a sua (e nossa) jornada africana do Uíge Angolano, regressou à sua terra natal de Torre do Bispo, em S. Vicente de Paul (Santarém) e fez vida como trabalhador de uma empresa de tubos de PVC (a Ipetex - Sociedade de Indústrias Pesadas Têxteis, em Vila Chão de Ourique, perto do Cartaxo). Compunha o rendimento familiar numa oficina (própria) de reparação de motorizadas e ainda «acudia» a outros pequenos oficiais desta área. Tragicamente, a 14 de Março de 1983 - três meses após o seu casamento... -, foi atropelado por um camião, quando seguia na sua motorizada, em S. Pedro (Portela das Padeiras), no cruzamento de Santarém para Rio Maior. O camião passou-lhe por cima e teve morte imediata.
«Era um bom homem, um amigo!...», recordou, agora, o sobrinho Pedro Silva, que ao tempo tinha 11 anos e dele tem «muito boas recordações».
Aqui o lembramos hoje, quando faria 64 anos, evocando o Cavaleiro do Norte sempre humilde, gentil e disponível, que soube honrar a farda e a bandeira (Portuguesa) que o levaram ao país (Angola) que nascia e onde orgulhosamente ele (como todos nós) cumpriu(imos) um dever de honra! Com garbo e sem mácula!
Até um destes dias, João Lino!

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