CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

sexta-feira, 8 de junho de 2018

4 150 - Os dramáticos dias de Carmona vistos por um jovem estudante uíjano...

Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa
 Isabel, todos furriéis milicianos: António Flora, Agostinho
 Belo, António Fernandes e Alcides Ricardo - que hoje fes-
teja 66 anos na cidade de Loures

Eugénio Silva
em 1974/1975

Os dramáticos dias de Carmona, na primeira semana de Junho de 1975, foram agora recordados por um contemporâneo civil, um dos refugiados do BC12: o agora eng. Eugénio Silva.
A sua página oficial de facebook lembra o «alvoroço que fez com que a nossa linda, então cidade de Carmona, desper-
Teste de Eugénio Silva no Liceu
Nacional Salazar de Carmona
Eugénio Silva
nos anos 2000
tasse abruptamente numa madrugada, a de 1 de Junho de 1975, sob o fogo, ferro, dor, sangue, suor e lágrimas».

Sãos e salvos 
no BC12

O então jovem estudante do Liceu Na-
cional Salazar, em Carmona, lembra que «toda a cidade estava em pânico» e su-
blinha também, enfaticamente e de memória a rebo-
binar os dramáticos e, por más e enlutadas razões, os inesquecíveis acontecimento de então, sublinha que «valeu, naquela altura, a intervenção dos militares, que recolheram muitas famílias indefesas e as mantiveram sob a sua custódia, sãs e salvos, na sua unidade militar, o BC12». 
O BC12 era o Batalhão de Caçadores nº. 12, instalado na saída da cidade de Carmona e na estrada para o Songo, e onde, desde 2 de Março desse ano de 1975, se aquartelavam os militares do BCAV. 8423, os Cavaleiros do Norte do comandante Carlos José Saraiva de Lima Almeida e Brito. Era, então, tenente-coronel de Cavalaria e, na sua posterior carreira profissional de militar, atingiu a patente de general. Faleceu, subitamente, a 20 de Junho de 2003, aos 76 anos e durante um passeio em Espanha.
Eugénio Silva e família

Amigos, vizinhos e colegas e
perseguir amigos, vizinhos e colegas

Eugénio Henriques Fernandes da Silva, natural da vila de  Camabatela (bem perto do Quitexe) e ao tempo residente na cidade de  Carmona, é licenciado em engenharia geofísica e desde há muitos anos que trabalha na Sonangol - a podero-
sa empresa petrolífera estatal de Angola. No seu depoimento, lembra  que «aqueles momentos tinham sido horríveis e puramente execráveis».
Momentos de há 43 anos em que, diz ele na sua página de facebook, deles fazendo memória,  «um amigo perseguia o outro amigo, um vizinho perseguia o outro vizinho, um colega perseguia o outro colega, um porque pertencia a uma outra organização, diferente da dele».
«Isso foi realmente muito triste! Foram situações que poderia ter sido evita-
das!», disse Eugénio Silva, concluindo que «muitas famílias sentiram-se mais seguras, só depois de terem sido capazes da abandonar a cidade de Carmona, quer por via aérea, quer por via terrestre, sob escolta».
- Ver depoimentos e
comentários, AQUI

Alcides Ricardo

Ricardo, furriel de Santa Isabel,
66 anos em Loures!

O furriel miliciano Ricardo, da 3ª. CCAV. 8423, festeja 66 anos a 8 de Junho de 2018, em Loures.
Alcides dos Santos da Fonseca Ricardo foi Cavaleiro do Norte atirador de Cavalaria, especializado na Escola Prática de Cava-
laria, em Santarém, e integrou a guarnição da Fazenda Santa Isabel, comandada pelo capitão miliciano José Paulo Oliveira Fernandes. 
Regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975, à Quinta de Alvalade, freguesia de Camarate, onde residia - sendo natural de Paipenela, em Mêda. Actualmente e já aposentado, reside em Loures e para lá vai, neste seu feliz e irrepetível dia dos 66 anos, o nosso abraço de parabéns!

quinta-feira, 7 de junho de 2018

4 149 - Os mortos eram muitos, incontáveis..., na Carmona de há 43 anos

Parada do BC12, em Carmona, durante os combates dos primeiros dias
 de Junho de 1975: chegada de refugiados civis em viaturas militares do
BCAV. 8423, os Cavaleiros do Norte do Uíge angolano!
As Amazonas do Norte da 3ª. CCAV. 8423,  participa-
ram na festa da Mealhada, a 2 de Junho de 2018, 
ladeadas pelo Friezas e o Armando (ao acordeon) 



Aos sete dias de Junho de 1975, um sá-
bado e pelas bandas do Uíge angolano, faziam-se «contas» dos dramáticos acon-
tecimentos dos últimos dias - desde o dia 1, domingo anterior. 
Os mortos era muitos, incontáveis..., no-
meadamente entre combatentes e mili-
tantes do MPLA, vítimas da fúria assas-
sina dos homens da FNLA. E vice-versa, não houve bons rapazes na luta fratricida que enlutou as gentes da terra uíjana. De feridos, nem vale a pena contar: os mais graves recolheram ao hospital da cida-
de, onde os Cavaleiros do Norte do
Furriel José Querido
e alferes Pedrosa
Furriel José Fernando
Carvalho e esposa
BCAV. 8423 continuavam, estoicamente, a garantir a segurança.
Outro problema se punha: o dos reabaste-
cimentos. «Os problemas estão a aumentar, devido à falta de abastecimentos», noticiava o Diário de Lisboa, precisando que «a situa-
ção se agudizou, uma vez que estão corta-
das as ligações rodoviárias para a Luanda».
O BC 12, acumulado de refugiados, também estava sem reabastecimentos e, de Luanda e em aviões da Força Aérea, che-
garam vários carregamentos diários de farinha, óleos, peixes e carnes e outros bens essenciais, de primeira necessidade.
O aeroporto também continuavam guardado pelos militares do BCAV. 8423 - que iam no sétimo dia consecutivo de serviço em permanência. Assim como o Banco de Angola, as estações de rádio e captação de água, edifícios públicos, a rede eléctrica, o hospital e os pontos sanitários. E todos os civis que, sen-
tindo-se ameaçados e assaltados nas suas casas e lojas, ou outro qualquer local, pediam socorro aos Cavaleiros do Norte.
«As forças do MPLA foram expulsas, recolhendo aos quartéis portugueses», reportava o Diário de Lisboa, jornal vespertino já extinto, referindo-se a esse dia da cidade de Carmona - a actual Uíge. Há 43 anos!
Os capitães José Manuel Cruz e o alferes João
 Machado, da 2ª. CCAV, ladeando o capitão José
Manuel Fernandes, da 3ª. CCAV.

Cavaleiros da 2ª. CCAV.
chegaram a Aldeia Viçosa!

Um ano antes, precisamente, a 7 de Junho de 1974, foi o dia da chegada da 2ª. CCAV. 8423 a Aldeia Viçosa.
Os Cavaleiros do Norte do capitão miliciano José Manuel Cruz tinham voado de Lisboa (a 3) e chegado a Luanda a 4 de Junho de 1974. 
Aquartelaram-se no Campo Militar do Grafanil, entre Luanda e Viana, e dali saíram na madrugada de há 44 anos, em Berliets e camiões civis, para o seu destino em terras uíjanas: Aldeia Viçosa, a 200 quilómetros e na Estrada do Café.
Ali estiveram até 11 de Março de 1975, quando concluíram a sua rotação para o BC12, em Carmona - juntando-se à CCS (ida do Quitexe) e a um seu grupo de combate, que ali se tinham aquartelado no dia 2 anterior.
Quartel de Zalala

Almeida de Zalala, 66
anos em Sesimbra !

O soldado Almeida, da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, está hoje em festa: comemora 66 anos.
José António Gomes de Almeida foi especia-
lista de transmissões, com o furriel miliciano João Dias, e regressou a Portu-
gal no dia 9 de Setembro, no final da sua jornada africana de Angola, fixando-se na Travessa do Bairro Antunes (nº. 4), em Sesimbra - onde então morava. 
Ainda lá vive, tanto quanto sabemos, mas mais nada sabemos dele. Para lá, ou onde quer que esteja, vai o nosso abraço de parabéns!
Jacinto Diogo,
 1º. cabo da ZMN

Jacinto da ZMN, 66
anos na Quarteira!

O 1º. cabo Jacinto foi escriturário da Zona Militar Norte (ZMN), em Carmona, e contemporâneo dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, entre 2 de Março e 4 de Agosto de 1975. Festeja 66 anos a 7 de Junho de 2018!
Jacinto Sebastião Gomes Diogo, de seu nome completo, trabalhou na secretaria da ZMN (comandada pelo brigadeiro Leão Correia) e é natural de Odeleite, no concelho de Castro Marim. Lá voltou no final da sua comissão militar em Angola - para a qual foi em regime de rendição individual.
Profissional e gestor de restauração, é proprietário do afamado restaurante e marisqueira O Jacinto, na algarvia cidade da Quarteira, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

quarta-feira, 6 de junho de 2018

4 148 - Cavaleiros de Santa Isabel vão ao Fundão, memórias do dia 6 de Junho!

Momentos de alegria no encontro dos Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423,
 a da Fazenda Santa Isabel. À frente e sentados dois Carvalho´s: o furriel mili-
ciano José Fernando e o atirador Carlos Alberto, organizador de 2018
Os furriéis milicianos José Querido (cortado), António Flora,
 Delmiro Ribeiro, António Fernandes e Armindo Reino no
encontro de 2 de Junho de 2018, na Mealhada
O encontro dos Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423 ainda se sente na alma e já na saudade, mas já se sabe que, em 2019, será no Fundão. Organizará o furriel Lino. Que promete ser eficiente e oferecer cerejas da sua produção.
José Rodrigues Lino foi furriel miliciano mecânico-auto e louvado pela «forma franca e leal como desempenhou as suas funções, nunca se poupando a esforços para que a secção auto, a seu
Reino e Cardoso (e esposa),
furriéis da 3ª. CCAV. 8423
Alferes Pedrosa de
Oliveira e esposa
cargo, se salientasse em eficiência».
O louvor sublinha também que foi «bom condutor de homens, disciplinado, possuin-
do raros dons de convivência, de camara-
dagem de trato e de comunicabilidade», disso sabendo «tirar partido para conseguir processos de trabalho ímpares».
«Grandemente responsável pela alta per-
centagem de operacionalidade das viaturas 
Alferes Carlos Silva e
esposa Belmira
da sua subunidade, facto reconhecido superiormente pela sua inesgotável actividade e pelo seu au(l)to espírito de missão, torna-se exemplo a destacar em público louvor», conclui o documento, publicado na Ordem de Serviço nº. 174 do BCAV. 8423.
Pois bem, será este bravo Cavaleiro do Norte de Santa Isabel quem, em 2018 e no Fundão, lá empresário muito conhecido, organizará o encontro da 3ª. CCAV. 8423. «Espero que levem as vossas mulheres e os vossos filhos, toda a vossa família. Agradeço isso...», proclamou o José Lino - que, na Mealhada e para exemplo, se fez acompanhar de esposa, filho, nora e netos.
Furriel V. Guedes
Furriel L. Capitão

Cavaleiros do Norte
da nossa saudade!

O quadro de militares da Fazenda Santa Isabel, da 3ª. CCAV. 8423, tem já algumas baixas, por morte. Ainda em Angola, faleceu Jorge Custódio Grácio, o Spínola, vítima de um acidente na Estrada do Café, entre Carmona e Quitexe, a 2 de Junho de 1975. Há 43 anos!
Manuel Qua-
resma 1974/75
M. Quares-
ma em 2000
Ia de boleia para a cidade, numa 4L do civil Sidónio, que embateu frontalmente numa ambulância roubada por combatentes da FNLA, na Delegação de Saúde do Qui-
texe. Teve morte imediata e era natural de Vale das Raposas, em Vieira de Leiria. Ver AQUI
Falecidos, já em Portugal, já depois da campanha de África em terras de Angola (e do Uíge) e todos por doença, sabemos dos furriéis milicianos Victor Guedes e Luís Capitão e do 1º. cabo Manuel Quaresma da Silva.
Jorge Grácio,
o Spínola
Victor Mateus Ribeiro Guedes foi especialista de armamento pesado, morava em Lisboa e faleceu a 16 de Abril de 1998, há 20 anos, tinha ele quase 46, nascido a 17 de Maio de 1952.
Luís Ribeiro Capitão foi atirador de Cavalaria e, depois, na vida civil e profissionalmente, foi condutor da CP. Faleceu a 5 de Janeiro de 2010, em vésperas de fazer 52 anos e em (Vila Nova de) Ourém. Nasceu a 9 de Janeiro de 1952.
Manuel Quaresma da Silva foi 1º. cabo apontador de morteiros e faleceu a 6 de Fevereiro de 2004, aos 52 anos e em Cacia, vila e freguesia do concelho de Aveiro, terra da sua naturalidade e residência de sempre. Foi vítima de uma grave e letal doença no estômago.
Outros Cavaleiros do Norte da Fazenda  Santa Isabel e da 3ª. CCAV. 8423 terão falecido, não sabemos (e não desejamos...), mas todos aqui e agora recordamos com saudade, deles fazendo memória.
Capitão António
M. Oliveira


O dia 6 de Junho dos
Cavaleiros do Norte

Acontecimentos, alguns, do dia 6 de Junho, na memória dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423:
1 - 1974: Chegada da Companhia de Comando e Serviços (CCS) à vila do Quitexe. Era comandada pelo capitão António Martins de Oliveira (SGE) e substituiu a CCS do BCAÇ. 4211.
2 - 1975: Rotação da 1ª. CCAV. 8423, a do capitão miliciano Davide de Oliveira Castro Dias, do Songo para Carmona (e para a ZMN/Comando do Sector do Uíge). Já tinha estado em Zalala e Vista Alegre/Ponte do Dange.
3 - 1975: Combates de Carmona, sangrentos, dados como oficialmente termi-
nados, mantendo-se os Cavaleiros do Norte, porém,  em prevenção máxima e contínua e reforçados com a 1ª. CCAV. 8423.
Manuel Barroso

Barroso de Zalala, 66
anos em Vila do Conde

Manuel Joaquim Faria Barroso, Cavaleiro do Norte da 1ª. CCAV. 8423, festeja 66 anos a 6 de Junho de 2018, em Vila do Conde.
Atirador de Cavalaria, integrou o grupo de combate comandado pelo alferes miliciano Mário Jorge Sousa, com os furriéis Victor Costa, Évora Soares e Baldy Pereira. Regressou a Portugal no dia 9 de Setem-
bro de 1975, no final da sua (e nossa) comissão militar em Angola, fixando-se em Vila do Conde, onde já residia - onde fez vida profissional na área comer-
cial das frutas e legumes, agora já aposentado. Para lá e para ele vai o nosso abraço de parabéns!

terça-feira, 5 de junho de 2018

4 147 - Momentos de Santa Isabel angolana festejados no encontro da Mealhada!

O grupo de Cavaleiros do Norte de 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isa-
 bel, que a 2 de Junho de 2018 confraternizou no Barcouço da Mealhada, na Bair-
 rada do famoso leitão. À frente, o Carlos Carvalho, organizador do encontro
Cavaleiros de Santa Isabel em forma de canto popular, no
 encontro da Bairrada:  José Eusébio, Abílio Pimenta (1º. 
cabo operador-cripto) José Carrilho (?), (furriel) José  
Lino e (TRMS) Ângelo Teixeira


Os Cavaleiros do Norte de Santa Isabel viveram intensamente os 44 anos da sua chegada a Angola, que aconteceu a 5 de Junho de 1974. No dia 2, na Mealhada, engravidaram-se de emoções e, em ho-
ras de grande alegria, evocaram a jor-
nada africana do Uíge angolano.
«Há um tempo que não se repete, mas que se recorda, já não temos outro tanto tempo», disse o capitão José Paulo Fer-
nandes, à conversa com o blogue, fri-
sando também que «é essa certeza de  
O capitão José Paulo Fernandes, comandante
 da 3ª. CCAV. 8423, e o furriel Viegas (da CCS)
termos cumprido uma missão histórica, que motiva esta feliz emoção».
Os Cavaleiros do Norte de Santa Isabel galga-
ram quilómetros atrás de quilómetros, de norte a sul do país, para partilharem mãos e abraços nestes momentos do «intensa e quase infantil  felicidade» e fazendo evocação de uma irrepe-tível fase das suas vidas: que semeou afectos e solidariedade, num companheirismo que parti-
lhou e multiplicou momentos inolvidáveis, que (n)os fizeram mais homens, mais amadurecidos e adultos, maiores e seguramente melhores.
«As nossas vidas já não terão tanto tempo pela frente, como o que vivemos. Não podemos desperdiçar estes momentos de recordação de um tempo his-
tórico, de companheirismo e de grande, efectiva e sentida solidariedade», disse José Paulo Fernandes, depois do efusivo e muito festejado e aplaudido corte do bolo de festa e comungando com os seus homens e familiares «este momento de rara felicidade».
O Friezas não falta a um encontro, Aqui, à
esquerda, num momento de farta animação, 
com o acordeão do Armando a «acordeonar» 
e a notar-se o olhar feliz do (furriel) Lino

Cavaleiros «viajaram»
de todos os lados! 

O Mendes «voou» do Luxemburgo (já anteon-
tem aqui dissemos) para, pela primeira vez, participar no encontro. Por lá está emigrado.
Os (furriéis) Ribeiro de Vila Real (de Trás-os-Montes), o Reino do Sabugal e o Lino do Fun-dão, «desceram» até à Bairrada em procissão de festa; o Martins veio por aí abaixo, desde Chaves e a «toque de clarim»; o Carrilho madrugou no alentejano Campo Maior para se pôr à estrada e o Pavanito viajou desde Alcácer do Sol. E outros e outros... de outros tantos sítios.
É gente que não falta a um encontro. Tal qual do Friezas, que por Santa Isabel «cozinhou» tantos afectos que não falta a um encontro, com a família. Disseram-nos na Mealhada que «anda a poupar todo o ano para participar com a família». E lá esteve ele, viajando de Coruche. E lá esteve com ela e feliz!
Tantos outros galgaram quilómetros atrás de quilómetros, mortinhos por chegar..., para rejuvenescerem memórias e sentirem o prazer do reencontro com a (sua) outra família. A da tropa! A dos Cavaleiros do Norte, a d´Angola!
José Manuel Cruz
em foto de 2016
Capitão José
Manuel Cruz
em 1974/75


Capitão Cruz, 72
anos em Esmoriz!

O capitão miliciano José Manuel Cruz, coman-dante da 2ª. CCAV. 8423, festeja hoje 72 anos, dia 5 de Junho de 2018, em Esmoriz, concelho de Ovar.
José Manuel Romeira Pinto da Cruz liderou os Ca-
valeiros do Norte de Aldeia Viçosa e foi louvado porque (...) «soube, através do aproveitamento dos seus quadros, obter da subunidade um todo homogéneo que sempre mereceu elogios de toda a população, ao mesmo tempo que, em todas as condições, mesmo nas mais delicadas, cumpriu cabalmente as missões que lhe foram confiadas».
O louvor do comandante Almeida e Brito sublinha que aquando da rotação da 2ª. CCAV. 8423 para Carmona, «área preocupante do processo de descoloniza-
ção», o capitão José Manuel Cruz «conseguiu tirar o melhor rendimento do pequeno efectivo de que dispunha, dando garantias de que a missão imposta seria cumprida». Tal se confirmou, sublinha o louvor, «aquando da eclosão do grave conflito entre os movimentos de libertação, na cidade de Carmona, aonde o seu pessoal deu verdadeiros exemplos de dedicação, desembaraço e espírito de sacrifício, o que só de poderia ter conseguido devido às caracte-
rísticas criadas à sua subunidade».
«Correcto, cumpridor, dotado de espírito de lealdade (...), sempre procurou obter as melhores condições de vida para os seus soldados, torneando, sem desânimo, as dificuldades que se lhe apresentaram», sublinha o louvor, pu-blicado no Ordem de Serviço nº. 174 do BCAV. 8423.
Aposentado do ensino, após carreira como professor, com ele falámos mesmo agora, não falta a um encontro da 2ª. CCAV. 8423 e vive tranquilamente em Esmoriz, para onde vai o nosso abraço de parabéns.
Adicionar legenda

Pereira de Santa Isabel, 
66 anos em Lisboa!

O Pereira, soldado de transmissões da 3ª. CCAV. 8423, comemora 66 anos a 5 de Junho de 2018.
Fernando da Conceição Pereira não regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975 (não consta da lista de embarque dos Cavaleiros do Norte da Fazenda Santa Isabel), por razões que desconhecemos, mas sabemos que vive actualmente em Lisboa, na Rua do Olival, aos Prazeres. Para lá vai o nosso abraço de parabéns!

segunda-feira, 4 de junho de 2018

4 146 - Matança em Carmona e refugiados no hospital, paço e BC12!

Refugiados na parada do BC12, em Carmona, nos sangrentos primeiros dias
de Junho de 1975. Muitos deles foram evacuados de helicóptero, outros
de autocarro e até em camiões civis. Para Luanda!

A Força Aérea Portuguesa apoiou os refugiados da Carmo-
na, aterrando helicópteros na parada do BC12.  Na ima-
gem e de frente, os milicianos alferes António Garcia e
  o furriel Manuel Machado (de mãos na cinta)

A 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa e do capitão Cruz, aterrou no aeroporto internacional de Luanda na manhã de 4 de Junho de 1974. Há 44 anos! No mes-
mo dia, partiu de Lisboa a 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel.
Era terça-feira e desde a quinta-feira anterior (dia 30 de Maio) lá chegara já a CCS, comandada pelo capitão António Martins Oliveira (SGE) e destinada à vila do Quitexe. A 1ª. CCAV. 8423, do capitão
O bilhete de embarque nos TAM
do alferes João Machado
miliciano Davide de Oliveira Castro Dias e de Zalala, desembarcou a 1 de Junho.
Os Cavaleiros do Norte destas duas Companhias do BCAV. 8423 já eram «veteranos» e procuravam melhor conhecer Angola, que era o seu novo mundo. E não eram boas as notícias, as de mais mortos em combate. E era para a guerra que íamos nós.
A imprensa do dia publicava o comunicado do Serviço de Informação Pública (SIP) das Forças Armadas e este dava conta que «morreram em combate» dois furriéis milicianos: Carlos da Silva Miranda, natural de Vila Chã (Vila do Conde) e Francisco Emídio Augusto Matos, do recrutamento local e natural de Nova Lisboa, actual Huambo. 
Mortos em Carmona, durante os
incidentes de há 43 anos
Também a do soldado António Galeano Velasco, também do recrutamento local e natural do bairro de S. Paulo (na cidade de Luanda).

Matança em Carmona,
a caça ao homem !

Um ano depois, ia-se já no quarto dia dos dramá-
ticos combates de Carmona e os Cavaleiros do Norte no quarto dia de acção operacional perma-
nente - desde a madrugada de 1 de Junho.
«A aparente estabilidade da situação em Carmona rompeu-se brutalmente nas últimas 24 horas, com uma fulminante e sangrenta caça ao homem, lançada elos comandos de Holden Roberto, contra militares e civis do MPLA», noticiava a imprensa.
A memória, recuando ao tempo, não esquece os momentos trágicos vividos nas ruas e bairros envolventes da cidade de Carmona, onde se «achavam» corpos esquartejados, assassinados a tiro e armas brancas, alguns deles queimados (há quem diga que ainda vivos, ainda alguns).
«A ofensiva coincide com ataques dispersos do ELNA, em Cabinda, e repre-
sentava uma grave deterioração da situação militar e um pesado fracasso para as diligências das missões quadripartidas que voaram para Carmona no prin-
cípio da semana e julgavam ter reposto a ordem», noticiava o Diário de Lisboa, acrescentando que «a matança prossegue em Carmona».
«Ninguém dispõe ainda do número de mortos, feridos, presos e desapareci-
dos, mas as vítimas serão já muitas dezenas. As ruas estão cheias de cadá-
veres», sublinhava o jornal, em despacho de Luanda, frisando também que «os comandos a FNLA invadiram e destruíram as casas de dezenas de simpati-
zantes do MPLA, matando muitos deles, espancando e raptando outros».
O hospital de Carmona, protegido pelos Cava-
leiros do Norte, recebeu feridos e refugiados
dos combates da cidade e de todo o Uíge


Refugiados no hospital, 
paço episcopal e BC12

A tarefa dos Cavaleiros do Norte, por estes graves dias dos dramáticos combates de Car-
mona, esteve principalmente virada para o so-
corro de feridos, fossem combatentes dos movimentos, fossem civis..., que eram transferidos para o hospital da cidade - onde a segurança era continuadamente garantida pelos militares portugueses. 
Os militantes do MPLA e muitos civis procuraram escapar a esta onde de vio-
lência e «os que escaparam aos primeiros momentos da operação refugia-
ram-se no Hospital, no paço episcopal e aquartelamento português» - o BC12.
A Força Aérea Portuguesa foi mobilizada para «a evacuação dos adeptos do MPLA e da população civil que lhe é afecta» e, enquanto isso, referia o Diário de Lisboa, acrescentando que «enquanto isso, o Exército Português procura impedir os «raids» dos homens de Holden de Roberto, que retomam, tragi-
camente aos métodos de 1961».
Notícias dos trágicos incidentes da
cidade de Carmona, há 43 anos

Êxodo dos civis
de todo o Uíge !

O BC12 recebeu «mais de um milhar de refu-
giados» (à volta de 2000 civis...), nos vários dias do conflito, dando-lhe segurança, conforto,  dormida e alimentação, mas o êxodo tornou-se inevitável, todos eles «fugindo aos sangrentos incidentes dos últimos dias».
«Prossseguiu o êxodo das populações civis, que se deslocam para Luanda, oriundas principalmente do Uíge, do Zaire e do Quanza Norte», províncias do norte angolano, noticiava a imprensa de há 44 anos.
No terreno, e sem hesitações ou medos - e muito incompreendidos por muita gente - os bravos e corajosos Cavaleiros do Norte prosseguiam a sua delicada, muito perigosa e exigente missão de apoio à comunidade carmoniana, que temia o pior e boas (más) razões tinha para isso.
- Amanhã: Encontro da 3ª. CCAV. 8423 na Mealhada

domingo, 3 de junho de 2018

4 145 - Cavaleiros de Santa Isabel em lauta «operação» na Mealhada


Os Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, confraternizaram
 na Mealhada e fizeram memória da jornada africana do Uíge angolano 

O capitão José Paulo Fernandes disse «até ao ano, gozem
o ano com as vossas famílias». Atrás, o condutor Manuel
Mendes (de azul) e os furriéis João Cardoso (de verme-
lho), Fernandes (sentado) e Ribeiro (à direita)

«É uma saudade! É uma alegria imensa! É um dia que vale por todos que passá-
mos em Angola! Em família».
José Paulo de Oliveira Fernandes, capitão miliciano e comandante da 3ª. CCAV. 8423, falou assim, com emoção nas palavras e sentimento no olhar, a olhar e a lembrar a distante Santa Isabel, de mais uma jornada de família dos Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, ontem, na Mealhada.
O Armando Mendes da Silva «acordeonou» a fes-
ta com tocares e cantares que puseram Ama-
zonas e Cavaleiros do Norte em pé de dança!
Foram  muitos, e muitos com as suas  famílias, os que de norte a sul viajaram para as bandas do leitão da Bairrada, não por este (mas também...)  principalmente para fazer memória e senti-la no abraço e na história que se lembrou de um momento qualquer, um momento bom e saudoso da jornada africana que (n)os levou a terras do Uíge angolano.
«O meu gosto maior, que é impagável, é ver e saber todos estes companheiros felizes pela alegria destes reencontros, que se renovam e se multiplicam todos os anos», disse José Paulo Fernandes, o «mais velho» desta família de Cavaleiros do Norte que nasceu em Santa Margarida e cresceu, em companheirismo e paixão, muito partilhada nas quentes e vermelhas terras de Angola.
Ao momento de discurso oficial, breve e afectuoso, desejou «um bom ano para todos» os (seus) Cavaleiros do Norte.
«Gozem um bom ano, voltem para o ano, voltemos todos com a mesma alegria de hoje», disse José Paulo Fernandes, imediatamente antes do corte do bolo da festa, organizada pelo Carlos Alberto Baptista de Carvalho, 
O casal Mendes veio expressamente do Luxem-
burgo e, pela primeira vez, participou no encontro.
Atrás, vêem-se o furriel Armindo Reino, as ama-
zonas  Cardoso e Viegas e os furriéis António
Flora (de costas) e José Querido
bairradino do Barcouço da Mealhada que, por terras angolanas, foi atirador de Cavalaria e, aos dois dias de Junho de 2018, apoiado pelo (furriel) João Cardoso, foi o mordomo-mor deste magnífico encontro dos Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423.

Mendes, condutor,
veio do Luxemburgo

O Mendes foi soldado condutor de Santa Isa-
Momento de canto colectivo, a som do acordeon
do Armando Silva: furriel Lino (à esquerda, de
branco), alferes Silva (atrás) e Pedrosa (de azul
e sentado) e furriéis Cardoso (de vermelho), Flo-
ra (ao canto) e Carvalho (tapado pelo Cardo-
so). Sentadas, as amazonas Pedrosa e Silva 
bel, está emigrado no Luxemburgo e, pela pri-
meira vez, participou no encontro.
«Estou muito feliz, até emocionado, por encontrar estes amigos todos, que não via há tantos e tantos anos», disse ele, o Manuel Augusto Marques Mendes, que deles (dos companhei- 
ros da jornada angolana do Uíge) se despediu a 11 de Setembro de 1975, sem mais os ver. «Valeu a pena vir, estou muito...,  muito feliz!...».
O Mendes regressou a Portugal, a Comarca de Cima (em Avelar), a sua terra natal, e emigrou para o Luxemburgo, sem que, todos estes anos passados, alguma as datas de férias se conjugassem com as do encontro. Este ano, depois de uma conversa com o (furriel) Cardoso, pôs-se a caminho. Tinha de ser...
«Vim por 4 dias e já vou embora na segunda-feira, mas vou feliz, feliz, feliz...», disse Manuel Mendes, que esteve acompanhado da esposa. Prometeu voltar.
(ver post da próxima 3ª.-feira)

sábado, 2 de junho de 2018

4 144 - Santa Isabel na Mealhada, Aldeia Viçosa em Guimarães!

Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, em Guimarães. Da
esquerda para a direita, Araújo, Soares e Couto, dois convidados, furriel
Freitas Ferreira, 1º. cabo Ferreira, furriel Costa, capitão Cruz e Barbosa

Cavaleiros de Aldeia Viçosa em Guimarães: capitão José
Manuel Cruz, 1º. cabo José Beato e Adelino Couto

Os Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda de Santa Isabel, estão hoje reunidos na Mealhada, a 2 dias de se fazerem 44 anos da sua partida para Angola. Desembarcara, em Luanda no dia 5 de Junho de 1974, juntando-se às 3 outras companhias - ao tempo já «aquartelados» no Campo Militar do Grafanil.
A este tempo de há 44 anos já se co-
nhecia o destino do BCAV. 8423, «o Quitexe, terra promissora de Angola, capital do café e vila mártir de 1961», como se pode ler no livro «História da Unidade», acrescentando que «seria o primeiro local onde iria estabelecer-se em Sector, com vista a dar consecução ao problema de paz que o MFA pretende pretende obter».
O comandante Carlos Almeida e Brito, que dias antes da CCS partira para An-
gola, com o capitão José Paulo Falcão e o alferes miliciano José Leonel Her-
mida (de transmissões), já «estabelecera diversos contactos em Luanda, quer no QG/RMA quer no QG/CCFAA», de lá partindo «em meios FAP, via Negage» para Carmona e Quitexe.
O comandante Almeida e Brito e o
capitão José Paulo Falcão (1995)

As 4 Companhias
do BCAV. 8423 !

O Quitexe aquartelava a CCS, ficando as três Companhias operacionais instaladas na Fazenda de Zalala (a 1ª. CCAV. 8423, a do capitão miliciano Davide Castro Dias), em Aldeia Viçosa (a 2ª. CCAV., do capitão miliciano José Manuel Cruz) e na Fazenda Santa Isabel (a 3ª. CCAV., do capitão miliciano José Paulo Fernandes - a que hoje está a confraternizar na Mealhada).
O comandante Almeida e Brito e o capitão José Paulo Falcão (oficial adjunto e de operações) já tinham estado no Quitexe, a 27 de Maio, tendo sido recebidos pelo comandante do BCAÇ: 4211, que os Cavaleiros do Norte iriam substituir.
Imediatamente antes de chegarem ao Quitexe, tinham passado pela Zona Militar Norte (ZMN) e Comando do Sector do Uíge (CSU) e os contactos com o comandante do BCAÇ. 4211 «foram muito superficiais» para o comandante Almeida e Brito, «já que a ZA era sua muito conhecida, uma vez que aqui fora oficial adjunto do BCAV. 1917, em 1968».
Visitaram também a Fazendas de Zalala e Santa Isabel, assim como Aldeia Viçosa, «locais onde se instalariam as nossas subunidades».
Soares e Beato


Cavaleiros de Aldeia
Viçosa em Guimarães!

Um grupo de Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, juntou-se em Guimarães, a 19 de Maio de 2018, para confraternizar e preparar o encontro anual, previsto para o mês de Setembro.
O capitão miliciano (agora major na reserva) José Manuel Cruz associou-se, como sempre, e a conversa de saudade envolveu os furriéis milicianos Freitas Ferreira e José Manuel Costa (ambos atiradore), os 1ºs. cabos José Beato rá-
dio-telegrafista), António Ferreira e Mário Araújo (operador-cripto) e os solda-
dos António Soares (atirador), Mário Couto (apontador de morteiros), José Barbosa (condutor) e José Oliveira (condutor).

sexta-feira, 1 de junho de 2018

4 143 - O primeiro dia, há 43 anos, dos graves combates de Carmona!


Refugiados de Carmona na parada do BC12. Os dias de há 43 anos foram
intensamente sofridos e o BCAV. 8423 acolheu mais de um milhar de civis
da cidade e região uíjana, de todas as cores e créditos


Mortos dos incidentes de Carmona, com combates come-
çados na madrugada de 1 de Junho de 1975. Há 43 anos!

Os dramáticos combates de Carmona começaram na madrugada de 1 de Junho de 1975, há 43 anos, semeando pânico e medos em toda a cidade e bairros envolventes, logo mobilizando os Cavaleiros do Norte que estavam aquartelados no BC12.
«Graves incidentes estalaram ontem em Carmona, entre tropas do MPLA e da FNLA, obrigando à intervenção, até agora sem êxito, de uma equipa militar 
O Diário de Lisboa de 02/06/1975
falava dos graves incidentes da
véspera, na cidade de  Carmona
mista composta apor forças integradas dos três movimentos de libertação», noticiava o Diário de Lisboa do dia seguinte.

Imprecisões sobre os
incidentes de Carmona

A  noticia tem uma grave imprecisão, pois a tropa que interveio foi apenas a portuguesa, unicamente os Ca-
valeiros do Norte do BCAV. 8423, nem sensatamente seria curial que as forças mistas se envolvessem em acções que pretendia anular a fúria insensata e mortí-
fera dos militares dos dois movimentos. Frente a companheiros de movimento e misturados com o inimigo, o que fariam?
O jornal de Lisboa acrescentava que «(...) o recrudescimento das confronta-
ções determinaram uma ordem de marcha, emitida esta manhã, para que se-
gunda força militar integrada siga para Carmona e domine a situação».
Não há memória de que, alguma vez, tal força tenha chegado a Carmona.
Nem precisa, seria. A sua presença só iria aumentar a instabilidade da cidade e fazer medrar a insegurança que, brava e corajosamente, os Cavaleiros do Norte sustentavam, horas atrás de horas, dias seguidos de dias.
«Mais uma vez, as NT procuraram minimizar o conflito, procurando o seu tér-
minus rápido e diligenciando por limitar os seus efeitos», lê-se no livro «His-
tória da Unidade», referindo também que «no rescaldo, ainda mais vincada ficou a hegemonia da FNLA».
«Tudo o que se possa considerar combatente ou simpatizante do MPLA foi expulso do distrito, no melhor dos casos, porquanto noutros há a citar algu-
mas dezenas de mortos», acrescenta o HdU, também aludindo a «calma ainda mais fictícia e preocupante» que resultou dos graves incidentes.
O 1º. cabo Jacinto Diogo, escriturário, em pose
nas traseiras da ZMN, em Carmona (1975)
O HdU também refere a população pediu «a protecção das NT, a qual lhe foi dada, entrando no quartel um milhar e refugiados», diríamos nós que aproximadamente 2000, o que (o apoio aos refugiados, principalmente do MPLA) «não encontrou receptividade da FNLA, conside-rando-a como discriminatória e partidária».
Dessa posição da FNLA resultou, ainda se-gundo o HdU, «um período seriamente preo- 
cupante para o BCAV. 8423».
Jacinto Diogo, 1º. escri-
turário da ZMN, e fur-
riel Viegas, do BCAV.
 8423, em 201

O Jacinto do Sector
está na Quarteira !

O 1º. cabo Jacinto, do Comando de Sector do Uíge e contem-
porâneo dos Cavaleiros do Norte, é empresário de restauração na Quarteira, onde o voltámos a «achar» para meter conversa de Carmona em dia.
Jacinto Sebastião Gomes Diogo é natural de Odeleite, do con-
celho de Castro Marim, foi escriturário e foi para Carmona em rendição individual, depois de especialização e tirocínio em quartéis de Lis-boa. Serviu a ZMN do comando do brigadeiro Leão Correia e acompanheirou com os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, que lá chegaram a 2 de Março de 1975. Deixou Carmona no dia 3 de Agosto de 1975, com a CCS e a 1ª. CCAV. 8423 - que voaram «em duas levas de um DC6 e dois NORD» para Luanda.
É empresário do sector da restauração, dono e gestor do famoso restaurante O JACINTO, situado na avenida Sá Carneiro, na Quarteira.
As horas do abraço foram curtas para tantas memórias da jornada angolana do Uíge, sobrando a certeza de que esses inesquecíveis tempos de Angola serão bocados de «nós» que durarão por todas as nossas vidas.