CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

segunda-feira, 22 de junho de 2020

5 095 - Preparar e mentalizar as populações uíjanas para o programa do MFA!

Os furriéis milicianos Plácido Queirós e Américo Rodrigues (falecido a 30 de Agosto de 2018), o 1º. sargento
Alexandre Joaquim Fialho Panasco (falecido a 22 de Junho de 2005, há 15 anos) e um civil europeu
da administração de Vista Alegre, com um filho 
 
Cavaleiros do Norte da CCS, na sua primeira
 foto de Angola, ambos furriéis milicianos:
Viegas e Rocha, que amanhã festeja 68 anos
Almeida e Brito, 
comandante do
BCAV. 8423

O comandante Carlos Almeida e
Brito, do BCAV. 8423,  reuniu-se  com as autoridades tradicionais da Zona de Acção (ZA) do Quitexe no dia 22 de Junho de 1974, há precisamente 46 anos e no âmbito do programa de «actividade psicológica» dos Cavaleiros do Norte.
O objectivo, de acordo com o livro «História da Unidade», era «preparar e mentalizar as populações para o programa do MFA», no mesmo sentido da reunião que, com as autoridades locais, se repetiu a 26 e das que se  realizaram com a Comissão Local de Contra-Subversão (a 19 e 26) e com os comerciantes (a 17 do mesmo mês).
Ao tempo, os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, ainda «maçaricos» da guerra colonial angolana mas que, a 14 de Junho, já tinham assumido a responsabilidade operacional da ZA, continuavam envolvidos na «Operação Castiço DIH», a decorrer nas matas uíjanas, e mantinham também acções de patrulhamento e escoltas, para além, obviamente, dos serviços de escala (à ordem). Paralelamente, protegiam os trabalhos de reparação dos itinerários Vista Alegre-Ponte do Dange (troço da Estrada de Café e em asfalto) e da picada para a Fazenda Santa Isabel.
O 1º. sargento Fialho Panasco e esposa no encon-
tro de Águeda, em 1995, 20 anos depois de Angola

Fialho Panasco, 1º. sargento
de Zalala, faleceu há 15 anos!

O 1º. sargento Fialho Panasco, da 1ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Maria João, de Zalala, faleceu a 22 de Junho de 2005, aos 70 anos.
Alexandre Joaquim Fialho Panasco foi louvado porque «na espinhosa missão de responder por uma subunidade, sempre demonstrou o maior zelo e inexcedível sentido de responsabilidade, de que resultou creditar-se como excelente auxiliar na administração da sua Companhia»O louvor enfatiza que foi militar «disciplinado, de trato correcto, de elevada espírito de colaboração, vincada lealdade para o Comando que serviu» e que, por outro lado, «cotou-se como precioso auxiliar e conselheiro do seu comandante de Companhia, motivos que levam a garantir a sua eficiência em qualquer outra situação militar que viva».
O 1º. sargento Fialho Panasco nasceu a 17 de Outubro de 1935 e continuou a carreira militar,  depois do regresso de Angola, a 9 de Setembro de 1975. Estudou na Escola Central de Sargentos, futuro Instituto Superior Militar de Águeda, e atingiu a patente de sargento-mor. Faleceu de doença em Carnaxide, onde residia, há 15 anos. Hoje o recordamos com saudade!
Os furriéis miliciano Neto e Rocha, com a
esposa, no encontro de 1 de Junho de 2019

Rocha, furriel TRMS, 68
anos em Vila Nova de Gaia!

O furriel miliciano Rocha, da CCS do BCAV. 8423, a Companhia do Quitexe, festeja 68 anos a 23 de Junho de 2019.
Especialista de transmissões de Infantaria, Nelson dos Remédios da Silva Rocha, dxe seu nome completo, jornadeou pelo Quitexe e Carmona, regressando a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975, no final da sua (e nossa) jornada africana de Angola. Fixou-se em Santa Marinha, freguesia do município de Vila Nova de Gaia. Reside em  Valadares, ali bem perto - já aposentado de uma longa vida profissional como técnico de vendas. 
Conviva habitual dos encontros dos Cavaleiros do Norte, é para lá e para ele que vai o nosso abraço de parabéns!!!

domingo, 21 de junho de 2020

5 094 - Velho da «quartel» Aldeia capturado e... libertado !

A Missão do Quitexe, mesmo ao lado da Igreja de Santa Maria de Deus, onde estava o padre Albino Capela
 e a Irmã Maria Augusta - sua irmã de sangue e religiosa da  
Congregação da Obra da Imaculada
Conceição e Santo António. 
Imagem de 24 de Setembro de 2019
O furriel Viegas junto à Igreja de Santa Maria de Deus
do Quitexe, ao lado a Missão do Padre Capela. Imagem
de 24 de Setembro de 2019

Aos dias 21 de Junho de 1974, pelas terras uíjanas de Angola, os Cavaleiros do Norte do BCABV. 8423 iam no segundo dia da Operação «Castiço DIH» - a sua debutância operacional da jornada africana.
A primeira noite foi vivida com a natural ansiedade e cuidados destas circunstâncias, sem medos, é verdade, mas com a prudência que se exigia. No decorrer da operação e na acção «Colibri 310», «foi capturado um velho do «quartel» Aldeia, o qual, depois de interrogado, porque manifestou o desejo de voltar à mata, foi posto em liberdade».
O livro «História da Unidade», do BCAV. 8423 e de que nos socorremos, explica que foi posto em liberdade «de acordo com o panorama de aproximação pretendido e com vista a constituir exemplo de que as NT procuram uma solução diferente da anterior para o caso de Angola».
Foi um grupo do PELREC, comandado pelo furriel Viegas, que o foi «levar» à picada que, saindo do Quitexe e passando pelo cemitério,  seguia para a Fazenda Luísa Maria e Camabatela.
Irmã Maria Augusta
com o Ricardo, filho
do alferes Cruz
Família Cruz com a Irmã Maria Augusta

Irmã Maria Augusta
faleceu há 13 anos! 

A Irmã Maria Augusta Vieira Martins, irmã de sangue do padre Albino Capela, missionário no Quitexe, faleceu a 21 de Junho de 2006, há 14 anos.
religiosa da Congregação da Obra da Imaculada Conceição e Santo António, missionou no Quitexe e em Angola continuou, depois da independência, até pouco antes do falecimento, em Lisboa, para onde se deslocou em tratamento de doença cancerosa - aos 73 anos.
A Irmã Maria Augusta era a mais velha de 9 irmãos da Carvalheira, freguesia do município de Terras do Bouro. Iniciou a sua vocação de religiosa na Congregação da Obra de Santa Zita, passando para a da Imaculada Conceição e Santo António.
Colaborou activamente com os Cavaleiros do Norte, durante a sua missão no Quitexe, e hoje a recordamos com saudade! RIP!!!
São Morais a 21
de Junho de 2020
São Morais 
em 1974


São Morais, do Quitexe,
62 anos em Águeda! 

Antónia da Conceição Corga Morais, a São Morais do Quitexe, festeja 62 anos a 22 de Junho de 2020, em Valongo do Vouga (Águeda).
Esteve ligada ao sector de restauração e ultimamente ao voluntariado social, tendo colaborado com Os Pioneiros, lar de uma IPSS de Águeda, no qual, no princípio da pandemia COVID-19, integrou uma equipa que, em duas semanas seguidas e em regime continuado de isolamento (sem sair da instituição), apoiou os utentes ali internados.
«Estivemos todos empenhados em fazer o melhor. A missão foi cumprida», comentou São Morais, no final do confinamento em regime de voluntariado e afirmando que «tenho muito orgulho em todos vós» - os seus companheiros desta jornada de solidariedade.
Casada e do «nó» ganhando o apelido Ribeiro Teixeira, foi avó há pouco mais de um ano. Para ela, vai o nosso abraço de parabéns!

sábado, 20 de junho de 2020

5 093 - A primeira operação dos Cavaleiros do Norte pelas matas do Uíge!

Cavaleiros do Norte do PELREC. Tiveram a sua estreia operacional no dia 20 de Junho de 1975,
pelas matas da Baixa do Mungage, em chão uíjano da terra angolana. Com todas as subunidades
do BCAV 8423, por outras áreas a sua ZA 
Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, todos de
transmissões: furriel Nelson Rocha, NN e 1ºs. cabos 
Abel Felicíssimo (1ª. CCAV.) e João Estrela


Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 tiveram a sua estreia operacional há justamente 46 anos, no dia 20 de Junho de 1974. 
A operação denominou-se «Castiço DIH» e iniciou-se às 4 horas da madrugada, envolvendo «todas as subunidades orgânicas do BCAV. 8423». - que palmilharam trilhos e picadas uíjanas com os medos de ocasião, mas determinados a, corajosamente, cumprir a missão que os levou à jornada africana do norte de Angola.
Foi a primeira grande incursão dos Cavaleiros do Norte pelas picadas, trilhos e matas do Uíge angolano e desenvolveu-se «ao longo de quatro fases» e, segundo o livro «História da Unidade», apenas «veio a terminar só em Julho»
«Não se viu grande compensação do esforço desenvolvido pelas NT, pois que salvo uma emboscada sem consequências no Tabi, só teve por reacção do IN a materialização de tiros de aviso», relata o HdU.
Felizmente, os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 não tiveram quaisquer baixas, sequer feridos. Como em toda a missão que os levou a Angola!
Combatentes da 41ª. Companhia de Comandos,
em 2017. O PELREC evacuou um seu soldado,
que foi vítima de uma mina anti-pessoal

PELREC evacuou
soldado de Comandos !

O facto mais notório dessa operação foi a amputação de um pé, sofrida por um soldado da 41ª. Companhia de Comandos, que «pisou» uma mina anti-pessoal na «central» do Mungage. 
O HdU diz que é do Negage, mas estivemos nessa evacuação (com o PELREC) e foi na Baixa do Mungage - onde, de resto, conhecemos o furriel Dias, dessa 41ª. CC e que é conterrâneo de Águeda. O militar foi recolhido pelo PELREC, desde o trilho onde «pisou» a mina, e transportado para o Quitexe, onde foi assistido e depois evacuado para o Negage.
«A operação não teve resultados que não fossem o  conhecimento da ZA, um primeiro contacto com  mata, um conhecimento das reacções humanas e acabou até por ser defraudada», refere o HdU, precisando que a 41ª. Compa-
nhia de Comandos «retirou da ZA após umas escassas 18 horas de Operação». Isto, quando o planeamento da dita operação previa, para esta Subunidade de tropa especial, «8 dias de actividade operacional».
Comandante Alm. e Brito

Comandante do BCAV. 8423
no Comando do Sector do Uíge

O dia 20 de Junho de 1974, uma 5ª. feira, foi também tempo para uma reunião de trabalho do comandante Almeida e Brito no Comando do Sector do Uíge (CSU), na cidade de Carmona - a capital da província uíjana.
O objectivo desse encontro de altos responsáveis militares foi «estabelecer contactos operacionais», nestes primeiros tempos da missão dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 na terra do Uíge angolano, o que já tinha acontecido nos dias 12 e 14 e se repetiria a 24 de Junho de há 45 anos.
Cavaleiros do Norte da CCS, no Quitexe. 
A amarelo, o 1º. cabo Fernando Pires, o
 Fecho-Eclair, que amanhã festeja 68 anos

Pires , o «Fecho-Eclair», 
1º. cabo, 68 anos em Odivelas !

O 1º. cabo Fernando Manuel Martinho Pires, da CCS do BCAV. 8423, festeja 68 anos a 21 de Junho de 2019.
Escriturário de especialidade militar, foi popularizado como o «Fecho-Eclair», por terras do Quitexe vá lá saber-se porquê... Regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975, a Odivelas, e muito  presumivelmente, ainda lá morará. Para lá, e para ele, vai o nosso abraço de parabéns!

sexta-feira, 19 de junho de 2020

5 092 - A morte de Carlos Almeida e Brito, tenente-coronel e comandante do BCAV. 8423!

O comandante Almeida e Brito no encontro de Penafiel, a 27 de Setembro de 1997, ladeado pelos furriéis
milicianos Viegas (à esquerda, de perfil) e Monteiro. Reconhecem-se, à esquerda, os furriéis Dias (de
 óculos) e Rocha (de bigode). Depois, entre Viegas e Almeida e Brito, o capitão miliciano médico
Manuel Leal.  
À direita, furriel Cruz (de costas) e 1º. cabo Pais 
Carlos Almeida e Brito, comandante
do BCAV. 8423 e general de Cavalaria

Alm. Brito e 
esposa no en-
contro de 1997
O comandante do BCAV. 8423, tenente-coronel Almeida e Brito, oficial de Cavalaria, reuniu a 19 de Junho de 1974 com a Comissão Local de Contra-Subversão (CLCS) do Quitexe. Hoje se passam 46 anos. A 20 de Junho de 2003, 29 anos depois, faleceu subitamente, quando fazia uma viagem de turismo por terras de Espanha. Aos 76 anos!
Carlos José Saraiva de Lima Almeida e Brito era natural de Lisboa, onde nasceu a 25 de Novembro de 1927, e comandou o BCAV. 8423 entre Dezembro de 1973 e Setembro de 1975. Em Santa Margarida e Angola.
Após a jornada africana do Uíge angolano, comandou o Regimento de Lanceiros 2, em Lisboa, e, depois, foi 2º. comandante do Região Militar Centro, em Coimbra - onde várias vezes me encontrei com ele. Era comandante o general Pires Tavares, conterrâneo de Águeda. Seguidamente, comandou a Região  Militar Sul, em Évora, e foi 2º. comandante geral da GNR. Outros cargos terá assumido, que desconheço - ou já se varreram da memória. 
O general Américo Pires Tavares, conterrâneo de Águeda (do blogger), há 3 anos falecido, dele tinha opinião altíssimamente positiva: 
«Foi um grande militar. Foi eu quem o escolheu para 2º. comandante da Região Militar Centro, quando lá estive. Sempre o quis comigo».
Hoje aqui o evocamos, com saudade e respeito, fazendo memória de um gran-
de comandante dos Cavaleiros do Norte. RIP! - O Comandante Almeida e Brito! - Ver AQUI
Administração Civil do Quitexe

Contra-subversão
no Quitexe de 1974

A Comissão Local de Contra-Subversão (CLCS) do Quitexe reuniu pela primeira vez a 19 de Junho de 1974, há 46 anos.
As CLCS actuavam junto das populações, através de acção psicológica e influenciando o seu com-
portamento, no sentido de uma maior fixação
Administrador Ga-
lina do Quitexe
no território e negar o apoio a elementos infiltrados do exte-rior.O topo da estrutura era o Conselho Provincial de Con-tra‑Subversão - composto pelo Governador‑Geral, Comandan-te‑Chefe, Secretário Geral, Secretários ersão (chefiado pelo Chefe de Estado‑Maior do Comando‑Chefe). 
A nível dos distritos, instituíram‑se os Conselhos Distritais de Contra‑Subversão (com o Governador, Comandante de Sector, Intendente e Chefe do Estado‑Maior do Sector). Era o caso de Carmona. A nível de concelhos, as circunscrições e postos administrativos organizaram Comissões Locais de Contra‑Subversão, que integravam a autoridade administrativa e comandante militar locais. Assim era no Quitexe. 
As reuniões passavam despercebidas da guarnição militar e decorriam princi-palmente na administração civil (foto). O administrador do Quitexe, a esse tempo, seria Octávio Pimentel (ou já Galina, o seu substituto).

quinta-feira, 18 de junho de 2020

5 091 - O cessar-fogo de Nairobi e o banho de mangueira do Quitexe

Grupo de Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423, na parada do Quitexe
e em Setembro de 1974, há quase 46 anos!
Flora e Fernandes, furriéis milicianos da 3ª. CCAV.
8423, a de Santa Isabel, com uma pacaça, da caçada
do dia. Quem (re)conhece o condutor?

Aos dias 18 de Junho de 1975 e pelos tempos da nossa jornada africana do Uíge angolano, a notícia maior chegava de Nairobi, onde os três movimentos de libertação se preparavam para encerrar a cimeira: «O cessar-foi foi ordenado ontem, no seguimento de um pré-acordo preparatório a que haviam chegado ainda na véspera da conferência», noticiava o Diário de Lisboa.
O jornal vespertino da capital portuguesa  acrescentava que «a cimeira pode terminar ainda hoje», dia 18 de Junho de 1975, com o anúncio do cessar-fogo
O DL de há 45 anos
falava do futuro 

Exército de Angola
também «a declaração da integração, num só Exército, da Forças Armadas dos três 
movimentos de libertação de Angola».
A notícia foi o melhor que se poderia esperar e desejar por aquele tempo de passagem do primeiro ano de jornada dos Cavaleiros do Norte por terras de Angola e do Uíge. Lá pelo norte e muito esquecidos pelas autoridades militares de Luanda, continuavam «verdadeiramente imbuídos do sentido de grandeza», que, de acordo com o livro «História da Unidade», era «de consciente, desinteressado e leal desejo de cumprir a missão que lhe está sendo imposta no processo de descolonização».
Custasse isso o que custasse. E custou!
Os furriéis milicianos Fernandes e Viegas, na 
Avenida do Quitexe (Rua de Baixo) em 1975

O banho de mangueira
ao furriel Fernandes !

A história é do Quitexe de 1975, já lá vão 45 anos..., e foi lembrada pelo ex-furriel miliciano António Fernandes, da 3ª. CCAV. 8423, a de Zalala: um banho de mangueira, após uns copos bem bebidos (em excesso) e vómitos na cama.
«Estivemos  beber na messe, a beber cervejas 
Os furriéis Viegas e Fernandes
 no Encontro da Mealhada,
a 2 de Junho de 2018
atrás de cervejas, tu estavas de serviço e foste fazer a ronda, era para aí meia noite, e quando dei por ela estavas a dar-me banho de mangueira, a lavar-me os vómitos no balneário das casa dos furriéis», lembrou-se o Fernandes, apontando para o Viegas, de sorriso rasgado e acrescentando que «foste o primeiro homem a dar-me banho; e o único..., tal eu estava».
Memória avivada, há mais pormenores da história: o Fernandes cambaleou até ao quarto, sozinho, atirou-se para cima da cama e, aos arranques de garganta, vomitou-a toda. E a ele mesmo. De volta à Casa dos Furriéis, depois da ronda, o Viegas deu com ele naquele estado (e a cama), despiu-o e arrastou-o uns metros, para debaixo do chuveiro. Só que o Fernandes, mal  acordado, não se segurava de pé e foi a jacto de água de mangueira que o lavou dos vómitos, foi enxugado e vestido de roupa limpa.
«Eh pá..., até a cama me fizeste, com lençol lavado..., só dei por ela quando acordei», recordou o Fernandes, entre fartas gargalhadas, repartidas com o Flora, o Ribeiro e o Querido, na mesa do encontro da Mealhada.
O Fernandes entrava de serviço às 8 horas, de sargento de dia, e foi o Viegas quem, prolongando o seu, com a complacência do oficial de dia, creio que o alferes Jaime Ribeiro, o substituiu pela manhã fora, até que se curou da noite mal dormida - já por depois do almoço.
Noites destas, houve, ou parecidas, pelos saudosos tempos da jornada africana dos Cavaleiros do Norte por terras do Uíge angolano! Tempos de crescimento e formação! E de saudade!

quarta-feira, 17 de junho de 2020

5 090 - Reuniões com comerciantes, população e contra-subversão do Quitexe!

O PELREC da CCS do BCAV. 8423. De pé, Caixarias, 1º. cabo Pinto, Marcos, Botelho, Florêncio, 1º. cabo
Soares, Neves, Messejana e 1º. cabo Almeida. Em baixo, Aurélio (Barbeiro), 1ºs. cabos Hipólito e Oliveira
(TRMS), Manuel Leal da Silva, Francisco, furriel Viegas e 1º. cabo Vicente
O Clube do Quitexe, onde, há 46 anos, se realizaram as
 reuniões do comando do BCAV. 8423 com comerciantes
e autoridades civis do Quitexe. Também com a Comis-
são Local de Contra-Subversão

Os primeiros dias quitexanos da CCS do BCAV. 8423, por meados de Junho de 1974, há 46 anos, foram de grande expectativa da parte dos Cavaleiros do Norte - que estavam em chãos estranhos, sem saber o que contar a cada curva ou esquina dos seus caminhos.
A 17 de Junho de 1974, o comandante Carlos Almeida e Brito reuniu-se com os comerciantes do Quitexe, vila onde estava aquartelada a CCS e o comando 
Carlos Almeida e Brito
do BCAV. 8423, para «preparar e mentalizar as populações para o programa do MFA».
O 25 de Abril tinha acontecido muito poucas semanas antes, em Lisboa, e as muitas dúvidas existentes entre o povo, nomeadamente entre a comunidade civil europeia, levaram a que «no campo da actividade psicológica, se realizassem variadíssimas reuniões de trabalho». 
O importante, na verdade, era esclarecer e dar confiança a toda a gente, essencialmente a civil - que pouco, muito pouco, sabia o que tinha acontecido nas suas vidas e menos o que a esperava, em futuro próximo.
O Clube do Quitexe, em imagem recolhida
no dia 24 de Setembro de 2019, aquando
da passagem do furriel Viegas

Comando do Sector
e conta-subversão !

O encontro com os comerciantes decorreu no Clube do Quitexe, a associação recreativa e cultural da vila, onde também decorriam as sessões de cinema e foi um tempo de esclarecimento e ganho de confiança da comunidade civil relativamente aos militares do BCAV. 8423 e nomeadamente do seu comandante, o tenente-coronel Carlos Almeida e Brito, já por lá conhecido das populações europeia e africana - por por lá fôra, com a patente de major, oficial-adjunto do BCAV. 1917, entre 30 de Janeiro e 17 de Dezembro de 1968.

O comandante Almeida e Brito e os oficiais da CCS, também por esse tempo, fez diversos «contactos operacionais com o Comando do Sector do Uíge», instalado em Carmona - o que aconteceu nos dias 12, 14, 20 e 24 de Junho.
A 22 e 29 do mesmo mês, ocorreram reuniões com as autoridades tradicionais da região do Quitexe, também mo Clube do Quitexe. A 19 e 26, com a Comissão Local de Contra-Subversão (CLCS).

Camilo de Santa Isabel, 
68 anos em Sesimbra !

O soldado Júlio Camilo Ferreira, atirador de Cavalaria da 3ª. CCAV. 8423, festeja 68 anos a 19 de Junho de 2020.
Cavaleiro do Norte da Fazenda Santa Isabel, do comando do capitão miliciano José Paulo de Oliveira Fernandes, e depois do Quitexe e de Carmona, regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975, no final da sua jornada africana do Uíge angolano, fixando-se em Cabanas de Palmela, na freguesia de Santa Maria do Castelo, em Alcácer do Sal. 
Actualmente, sabemos que vive em Boa Água, na Quinta do Conde, em Sesimbra, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

terça-feira, 16 de junho de 2020

5 089 - A Cimeira de Nairobi e a calma da região uíjana...

Cavaleiros do Norte na messe de sargentos do Quitexe, todos furriéis milicianos. À esquerda, Velez
 (da1ª. CCAV. 8423), Miguel (paraquedista), Pires (TRMS) e Cruz. À direita, Graciano (meia cara),
 Pires (Sapador), Viegas (mão na cara, Neto, Rocha e NN
Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa,
 foram à água, para abastecimento do quartel: Soares,
Mendes, Abrantes e Teodósio. Ao volante, o Martins!

Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 encararam com grande expectativa a Cimeira de Nairobi, entre o MPLA, a FNLA e a UNITA e que começou a 16 de Junho de 1975. Há 45 anos!
Jornadeando, a esse tempo, por Carmona e outras localidades (e estradas) do Uíge, os militares do BCAV. 8423 expectavam o futuro próximo com optimismo e muita confiança.
A grande novidade do dia foi a participação de Daniel Chipenda na cimeira, enquadrado na Delegação da FNLA de Holden Roberto - ele que, e citamos o Diário de Lisboa, «durante muito tempo funcionou como dirigente de uma facção do MPLA - a Revolta do Leste». Só que, assim, «acabaria por se integrar no seio do adversário tradicional».
«A presença de Chipenda não é bem vista por alguns sectores progressistas», referia o vespertino de Lisboa.
Notícia do Diário de Lisboa de 16 de Junho
de 1975, com notícias da Cimeira de Nairobi

A situação era
bastante calma !

A tensão vivida nos últimos dias, em Luanda, parecia desanuviar-se. 
«A situação é bastante calma, em todo o território, estando naturalmente as atenções concentradas nos resultados da Cimeira», anotava o jornal da capital portuguesa, acrescentando, todavia, que «continuam a haver problemas com as colunas de abastecimento e evacuações que se dirigem para o norte» de Angola.
Norte que era o espaço onde jornadeavam os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 e esperava os necessários reabastecimentos, devido às já aqui faladas «carências logísticas» que se faziam sentir, nomeadamente a partir dos incidentes da primeira semana de Junho de há 45 anos. 
As forças do MPLA controlavam o tráfego na zona do Caxito e segundo o DL de 16 de Junho de 1975, «mostram-se renitentes na sua passagem, uma vez que pensam que seja possível que as mesmas colunas sirvam de algum modo para fornecer as forças da FNLA». A situação levou a que o comandante Monstro Imortal se deslocasse ao Caxito «numa tentativa de resolver a situação»
Cavaleiros do Norte do PELREC da CCS. De pé, os 1ºs.
  Vicente e Almeida, furriel Monteiro e 1º. cabo Hipólito,
 Em baixo, Aurélio (Barbeiro), furriel Neto, soldado Ma-
nuel Leal da Silva e alferes Garcia. Vicente, Almeida,
Leal e Garcia já faleceram. RIP!

A morte do atirador

Manuel Leal do PELREC

O soldado Manuel Leal da Silva, atirador de Cavalaria da CCS faleceu, de doença súbita, a 18 de Junho de 2007. Há 13 anos!
Cavaleiro do Norte do PELREC, era um dos poucos já casado da Companhia e pai, pai pela segunda vez no decorrer da jornada africana do Uíge angolano. Foi militar sem medos, disciplinado e sempre colaborante.
A 17 de Junho de 2007 e na sua casa, sentiu-se mal, avisou a mulher que se ia deitar, descansou e levantou-se pouco depois, por se sentir melhor, e logo caiu, fulminantemente, já morto. Morava em Caxaria, no concelho de Pombal.
Hoje o recordamos com saudade. RIP!!!

segunda-feira, 15 de junho de 2020

5 088 - O primeiro dia da responsabilidade operacional dos Cavaleiros do Norte!




O capitão miliciano José Manuel Cruz (comandante da 2ª. CCAV. 8423), o tenente-coronel
Carlos Almeida e Brito (comandante do BCAV. 8423) e os milicianos João Machado e Jorge
Capela (alferes) e José Fernando Melo (furriel) em Aldeia Viçosa
O capitão António Oliveira, comandante da
CCS, com os alferes milicianos António Cruz,
Jaime Ribeiro e António Garcia
O capitão mili-
ciano Castro
Dias, cmdt.
da 1ª. CCAV.


A 15 de Junho de 1974, um sábado de há 46 anos, o comandante Carlos Almeida e Brito convocou «a primeira reunião de Comandos», envolvendo os comandantes de todas as seis companhias - as quatro de Cavalaria, as do BCAV. 8423, e, adidas, as duas de 
Tenente João Elói Mora, 2º. comandante da
CCS, aqui no Quitexe e com os furriéis
milicianos Neto e Viegas
Infantaria - a CCAÇ. 209/RI 21 e a
CCAÇ. 4145.
«Além da troca da troca de impressões entre todos os comandos e o dar a conhecer as directrizes da actividade futura, foi procurado encontrar uma melhor solução para o dispositivo do BCAV., de modo a que permitisse um maior aproveitamento de todas as forças», lê-se no livro «História da Unidade».
O plano apresentado pelo tenente-coronel Carlos Almeida e Brito apontava para «fazer a cobertura de todos os destacamentos em rotação pelas unidades», o que, de acordo com o HdU, «mereceu a aprovação generalizada», razão porque «por isso mesmo iria ser posto em execução» no mês de Julho seguinte - o de 1974.
A este dia de há 44 anos, o Subsector estava «desfalcado de parte da sua ZA e dos seus efectivos», já que a CCAÇ. 4145, o Destacamento de Luísa Maria e o GE 208 «estavam cedidos temporariamente ao Sector Centro Norte para a realização da Operação Turbilhão», que, na ZA do BCAV. 8423, «incidia especialmente sobre as «centrais» de Camabatela e Quiculungo».
Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 faziam o «debute» operacional pelo chão vermelho da terra e matas angolanas, galgando os seus trilhos e picadas, vencendo os seus medos, mas sem recuar a qualquer iminente perigo. Felizmente, sem quaisquer baixas, em toda a jornada angolana do Uíge.
O capitão  miliciano José Paulo Fernandes,
comandante, e o 1º. sargento Francisco Marchã,
da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel


Cavaleiros do Norte a
adaptarem-se ao Uíge

Os dias do Quitexe e do Uíge, há 44 anos, foram de adaptação de todos os Cavaleiros do Norte à sua Zona de Acção (ZA), já com a responsabilidade operacional, depois de uma semana de «estágio» com os «caçadores» do BCAÇ. 4211, que substituía.
A Companhia de Comando e Serviços (CCS) estava aquartelada no Quitexe e depois em Carmona, comandada pelo capitão António Martins de Oliveira (SGE). As três companhias operacionais eram lideradas por capitães milicianos: a 1ª. CCAV. 8423, por Davide de Oliveira Castro Dias, instalada na Fazenda Maria João, em Zalala e depois em Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona; a 2ª. CCAV. 8423, por  José Manuel Romeira Pinto da Cruz, em Aldeia Viçosa e depois e Carmona; a 3ª. CCAV. 8423, por José Paulo de Oliveira Fernandes, na Fazenda Santa Isabel e depois no Quitexe e Carmona.
Raúl Corte-Real,
cap. e cmdt. da
CCAÇ. 4145
Capitão Victor
Almeida, cmdt. da
CCAÇ. 209/RI 21

Unidades orgânicas
do BCAV. 8423 !

O Batalhão de Cavalaria 8423 (BCAV. 8423) era comandado pelo tenente-coronel Carlos Almeida e Brito, oficial de Cavalaria, e, para além das suas quatro Companhias, tinha, adidas, mais unidades orgânicas:
Os alferes milicianos Garcia,
Ribeiro e João Leite, que co-

mandava o P. Morteiros 4281
1 - A CCAÇ. 209/ RI 21, aquartelada na Fazenda do Liberato e comandada pelo capitão miliciano Victor Almeida. Era formada por militares do recrutamento local (principalmente quanto aos praças e um ou outro alferes e furriéis milicianos), mobilizados pelo Regimento de Infantaria 21, de Nova Lisboa - actual cidade de Huambo. E alguns furriéis e alferes milicianos especialistas, idos da então chamada metrópole.
2 - A CCAÇ. 4145, instalada em Vista Alegre e comandada pelo capitão miliciano Raúl Corte-Real. Também era responsável pelo Destacamento da Ponte do Dange.
3 - O Pelotão de Morteiros 4281, colocado no Quitexe (com a CCS) e comandado pelo alferes miliciano João Leite, dos Açores, com o sargento Fernando Gomes e os furriéis milicianos Luís Filipe Santos Costa e Fernando de Freitas Reimão Pires.
4 - Atribuídos ao Subsector do BCAV. 8423, estavam também os Grupos Especiais (GE´s) 217 e 223 (na CCS, no Quitexe); o 222 (na 2ª. CCAV. 8423, em Aldeia Viçosa) e o 208 (na CCAÇ. 4145, em Vista Alegre).

domingo, 14 de junho de 2020

5 087 - Cavaleiros do Norte com responsabilidade operacional da sua Zona de Acção!

O espaço que foi a parada da CCS dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, no Quitexe. A imagem
 foi tirada a 24 de Setembro de 2019, aquando da passagem do furriel Viegas e do adro da Igreja.
Ao fundo e lá em cima, o edifício da administração civil
Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a Companhia
de Aldeia Viçosa (todos identificados)

O Batalhão de Cavalaria 8423 (BCAV. 8423), sob comando do tenente-coronel Almeida e Brito, «assumiu a responsabilidade operacional da Zona de Acção» a 14 de Junho de 1974 e ficaram a saber-se que os nomes de código das acções das subunidades estavam consignados à letra C.
O comando estava instalado no Quitexe, onde estava aquartelada a CCS, e os
códigos eram os seguintes:
- CCS/BCAV. 8423, no Quitexe, do capitão António Martins de Oliveira: Casco.
- 1ª. CCAV. 8423, do capitão Davide Castro Dias, a de Zalala: Crina.
- 2ª. CCAV. 8423, do capitão mil. José M. Cruz, em Aldeia Viçosa: Carga.
- 3ª. CCAV. 8423, a do capitão mil. Paulo Fernandes, em Santa Isabel: Cavalo.
- CCAÇ. 209/RI 21, do capitão mil. Victor Correira, a do Liberato: Canivete.
- CCAÇ. 4145, a do capitão Raul Corte Real, a de Vista Alegre: Cela.
- Destacamento de Luísa Maria, dependente de Aldeia Viçosa: Cacto.
- Destacamento da Ponte do Dange, dependente de Vista Alegre: Coice.
Imagem captada por um Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV.
 8423, a de Aldeia Viçosa, a de um ataque a madeireiros,
em data desconhecida. Lá foram os Cavaleiros do Norte
- GE 208, em Vista Alegre: Cauda.
- GE 217, no Quitexe: Coelho.
- GE 223, no Quitexe: Cabrito.
- GE 222, em Aldeia Viçosa: Cabra.  

Zona do BCAV. 8423
com vários quartéis do «IN»

O livro «História da Unidade», refere que este dia 14 de Junho de 1974, há 46 anos é «a data a partir da qual se poderá afirmar que começou a sua verdadeira actividade operacional».
A Zona de Acção (ZA) abrangia área «onde estavam instalados vários quartéis «IN», pelo que «a actividade esteve sempre orientada sobre esses refúgios, dando-se, paralelamente, apoio a todos os fazendeiros e à cobertura económica das actividades do Subsector» - a campanha da apanha do café.
O Subsector, ainda segundo o «HdU», estava «desfalcado de parte dos seus efectivos», já que o Destacamento de Luísa Maria (onde já estava o pelotão do alferes miliciano João Machado, da 2ª. CCAV. 8423), a CCAÇ. 4145 e o Grupo Especial (GE) nº. 208, ambos de Vista Alegre, «estavam temporariamente cedidos ao Sector CN, para a realização da «Operação Turbilhão», principalmente incidindo sobre as Centrais de Camabatela e Quiculungo».
Gabriel Morais

Gabriel de Santa Isabel,
68 anos em Sacavém !

O soldado Gabriel, da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, festeja 68 anos a 15 de Junho de 2020.
Gabriel José de Figueiredo Morais foi condutor auto-rodas e também jornadeou pelo Quitexe e Carmona, regressando a Portugal no dia 11 de Setembro, ao Casal da Vinha, no Catujal, do município de Loures. Trabalhou como mecânico na Companhia Portuguesa de Trefilaria e até voltou a Angola, em trabalho, em 2014.
Mora em Sacavém e para lá, e para ele, vai o nosso abraço de parabéns!