CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

domingo, 23 de julho de 2023

7 240 - Ameaças e imposições da FNLA, há 48 anos. A preparação da coluna para Luanda!


Cavaleiros do Norte da CCS no Topete: o 1º. cabo João Monteiro
(Gasolinas), NN, José Coelho e António Calçada (sapadores) e
NN. Quem são os NN? Alguém se lembra dos nomes?

O Comando Militar de Carmona teve, a 23 de Julho de 1975, há 48 anos, uma difícil e delicada reunião com os dirigentes políticos e militares da FNLA, que persistiam com ameaças e imposições - particularlarmente pedindo (ou exigindo, para sermos mais rigorosos) a «entrega de armas retidas» no BC12 e provavelmente na ZMN.
Furriéis milicianos Querido, Guedes e Fernandes,
da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel

Armas que, recordemos, tinham sido da PIDE/DGS (e dos Flechas), dos Grupos Especiais (GE´s) e da OPVDCA - a Organização Provincial de Voluntários de Defesa Civil de Angola.
O dia foi também tempo para mais «uma reunião de trabalho» do Comandante do BCAV. 8423 (o tenente-coronel Carlos Almeida e Brito) com «elementos do Quartel General da Região Militar de Angola», para preparar a operação de retirada dos Cavaleiros do Norte e toda a restante guarnição do Uíge - de Carmona para Luanda -, que estava prevista para começar a 3 de Agosto seguinte.
E assim aconteceu.
O objectivo era «obter os meios necessários à execução de tal operação», que viria a ser e´poca e que, segundo o livro «História da Unidade», «começou a materializar-se em 31 de Julho, com a chegada de viaturas e tropas de reforço».
Estava em preparação a gigantesca operação de retirada final das Forças Armadas Portuguesas dos chão angolano do norte, do Uíge - numa gigantesca coluna de mais de 700 viaturas, grande parte dela formada por civis que os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 protegeram no seu êxodo de fuga aos mil perigos que por lá se viviam há 48 anos.
Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas
Savimbi, respectivamente presidentes
do MPLA, FNLA e UNITA



Cessar-fogo entre MPLA e
 FNLA e ataque à bomba ao 
«Jornal de Angola» !


O dia 23 de Julho de há 48 anos foi assinalado pela assinatura de (mais um) um acordo de cessar-fogo entre o MPLA, do presidente Agostinho Neto, e a FNLA, de Holden Roberto, depois de uma reunião com a Comissão Nacional de Defesa, presidida pelo general Silva Cardoso, o Alto-Comissário. 
Ambos os movimentos aceitaram manter as suas tropas nas suas posições, até pelo menos a reunião entre os três Chefes dos Estados Maiores. Desconhecemos as razões por que a UNITA de Jonas Savimbi não fez parte deste acordo.
A noite de véspera registou um ataque à bomba ao «Jornal de Angola» (o anterior «A Província de Angola»), que era tido por os seus trabalhadores terem «posições próximas da FNLA».
Os prejuízos foram «muito elevados», tendo as portas e janelas ficado «destruídas pela explosão», assim como as duas rotativas. Estava pouco pessoal nas instalações, mas, ainda assim, «ficaram feridos um polícia militar e um tipógrafo».


A morte, por suicídio, 
do 
José A. Nunes Louro,
1º. cabo sapador
1º. cabo sapador 
José Louro !

O 1º. cabo sapador Louro, Cavaleiro do Norte da CCS do BCAV. 8423, faleceu há exactamdnte 15 anos, a 23 de Julho de 2008, vítima de suicídio.
José Adriano Nunes Louro era natural de Casal do Pinheiro, freguesia de Casais, no concelho de Tomar, lá voltou a 8 de Setembro de 1975, no final da sua (e nossa) jornada africana do Uíge angolano - que nos levou ao Quitexe e a Carmona.
Há 15 anos e inesperadamente, ficou viúvo, pela morte da esposa (vítima de doença cancerosa). Enlutado e de alma a sofrer, ao José Louro também, muitompouc tempo depis, foi diagnosticada doença do mesmo foro. Um diagnóstico arrasador.
Foi isso que o levou ao suicídio, para, como corajosamente deixou escrito, «não fazer sofrer a família» - como ele próprio tinha sofrido com a dolorosa doença da esposa. Assim nos contou o filho, que é 1º. sargento do Exército, ao tempo em que estava aquartelado no Campo Militar de Santa Margarida.
Hoje o recordamos com saudade! RIP!!!

sábado, 22 de julho de 2023

7 239 - A rotação dos Cavaleiros do Norte para Luanda! Chipenda no Uíge e Holden Roberto em Angola!


Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423. O António Cabrita é o primeiro, da direita para a esquerda (de pé).
Sentados, reconhecem-se os 1ºs. cabos Fernando Grácio (o primeiro, à es
querda) e Fernando Vieira (Sacristão), 
os soldados Calçada e Amaral (sapadores) e o 
1º. cabo Luciano Borges Gomes (o primeiro,
da direita), que hoje faz 
71 anos em Leiria. Alguém se lembra dos outros nomes?

Os furriéis milicianos Monteiro e Viegas, ambos de Operações
 Especiais (Rangers), aqui no jardim das traseiras da messe
do Bairro Montanha Pinto, em Carmona e há 48 anos

Os finais do mês de Julho de 1975, já lá vão 48 anos, foram tempo de se saber da rotação, cada vez mais próxima, dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423: de Carmona para Luanda. Muito desejada, de resto.
O livro «História da Unidade», relativamente a este mês uíjano da nossa jornada de África, refere que era necessário «encontrar uma opção para os dias futuros»
Opção que, necessariamente seria uma, de duas: «Ficar em Carmona, com o total descrédito das NT e perigosamente alvo das queixas a ataques da FNLA (...), ou antecipar o regresso a Luanda».
«Jogados os dados da equação, entendendo-se que o que melhor servia era a a segunda opção, expôs-se o assunto ao QG/RMA, obtendo-se a certeza da rotação do BCAV. para Luanda a partir de 3 de Agosto, esquematizando-se e montando-se uma operação para essa saída, que não se adivinhava fácil», escreveu o comandante Almeida e Brito. 
Assim foi, na verdade.
Daniel Chipenda, secretário geral
adjunto, e Holden Roberto, presidente
 da FNLA. Imagem de há 48 anos
e em Angola!


Chipenda em Carmona, 
anunciou Holden em Angola!

O dia 22 de Julho de 1975 foi tempo, em Carmona, de Daniel Chipenda falar ao país (Angola), através da Emissora Oficial e anunciando que Holden Roberto, o presidente da FNLA, se «encontra em território nacional para conduzir as operações militares do ELNA».
Chipenda há vários dias que estava em Carmona (na campanha da colheita do café) e, ao tempo secretário geral adjunto da FNLA, afirmou também que «nós, ELNA, somos obrigados a pegar em armas para mais uma vez dizermos não aos que desejam oprimir o povo».
«Voltamos às armas pelas mesmas razões de 1961. Queremos liberdade. Queremos liberdade e terra para os angolanos», sublinhou Daniel Chipenda, numa altura em que muito se especulava sobre a presença de Holden Roberto em Carmona. Houve, ao tempo, e como já noutra altura lembrámos, quem garantisse tê-lo visto no Escape.
O Caxito, a 50 quilómetros da capital, foi território onde «blindados da FNLA que se dirigiam para Luanda foram impedidos de avançar». Não se sabia se as forças portuguesas tinham intervido, mas o MPLA anunciou a destruição de um blindado. Luanda tinha gasolina para 4 dias, porque a Petrangol estava paralisada, devido ao cerco do MPLA à FNLA, acantonado no forte de S. Pedro da Barra, onde estavam 600 militares do seu ELNA - Exército de Libertação Nacional de Angola - acossados pelas FAPLA do MPLA.
Um informador militar português declarou, na altura (há 48 anos), que forças da FNLA estavam «a infiltrar-se ao longo da costa, em direcção da Luanda». Mas que «as forças portuguesas interviriam para as interceptar e impedi-las de entrar na cidade».

Luciano Borges
Gomes, o actual
 empresário

O 1º. cabo Luciano
Borges Gomes
em 1975 (Angola)

Luciano, 1º. cabo da CCS,
faz 71 anos em Leiria!


O combatente Luciano foi 1º. cabo mecânico de armamento ligeiro do BCAV. 8423 e hoje festeja 71 anos - dia 22 de Julho de 2023. 
Cavaleiro do Norte da CCS, no Quitexe e depois em Carmona, no BC12, Luciano Borges Gomes é natural do Arnal, da freguesia da Maceira Liz, em Leiria. Lá regressou a 8 de Setembro de 1975, no final da sua (e nossa) jornada africana e por lá faz vida, como prestigiado e bem sucedido empresário do sector dos moldes, fundador e administrador da FAMPLAC, na freguesia da Maceira.
Para lá e para ele vai o nosso abraço de felicitações, embrulhado no desejo de que repita a data por muitos e bons anos. Parabéns!

sexta-feira, 21 de julho de 2023

7 238 - A FNLA fazia-se dona do Uíge, MVL impedido, apresentação de IN e críticas da população branca!

Vista Alegre: a entrada da Estrada do Café do lado de Luanda, em imagem do dia 24
de Setembro de 2019, há qiase 4 anos e quando por lá passou o furriel Viegas da CCS

Os furriéis milicianos Plácido Queirós e Américo
Rodrigues e o 1º. sargento Fialho Panasco com um
elemento da Administração Civil de Vista
Alegre e o filho, em 1975

O período de prevenção simples do BCAV. 8423 no Uíge angolano de há 48 anos terminou no dia 18 de Julho de 1975 (desde o dia 12) mas, três dias depois, as rotinas de segurança continuaram em absoluto vigor e muito atentas quanto à FNLA de Holden Robero.
FNLA que -  fazendo-se «dona» do Uíge! - se mantinha muito reivindicativa quanto ao que chamava «desequilíbrios de outros locais» e no distrito exigia armas, cercava quartéis e impedia a circulação de MVL´s.
A 21 de Julho de há 48 anos, repetiu-se o impedimento de saída de um MVL (que a FNLA já fizera no dia 13) e ainda estavam bem frescas na memória as declarações (e ameaças não tão veladas, assim...) de dirigentes da FNLA e de militares do ELNA do comício do dia 13 anterior.
A tropa portuguesa, de outro lado, era «permanente alvo de críticas da populações brancas, a quais se sentem marginalizadas e sem recebem quaisquer apoios ou seguranças daqueles que ainda são, com afirmam, os lídimos representantes da Autoridade Portuguesa».
Foram tempos muito difíceis (e amargos, até perigosos, trágicos...) para os Cavaleiros do Norte - na altura já com as 4 Companhias aquarteladas na cidade de Carmona, desde que no dia 8 anterior se completara a rotação da 3ª. CCAV. 8423, então do Quitexe, iniciada no dia 1 - quando rodou o primeiro grupo de combate.
A 3ª. CCAV. era comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes e rodara para o Quitexe, da Fazenda Santa Isabel, a 10 de Dezembro de 1974. A Santa Isabel tinha chegado a 11 de Junho do mesmo ano.
O capitão Raúl Corte Real no encontro da CCAÇ. 4145
de 2015 (assinalado com a seta vermelha)

Fugitivo do IN entregou
arma em Vista Alegre !


Um ano antes,  a 1 de Julho de 1974, comemorou-se o Dia da Cavalaria no Quitexe e «em cerimónias simples»
O comandante Almeida e Brito, tenente-coronel de Cavalaria e a propósito da efeméride, enviou uma mensagem às subunidades - as de Zalala, Aldeia Viçosa e Santa Isabel.
O dia foi particularmente assinalado, em Vista Alegre, pela «apresentação de um elemento fugido do IN, antigo GE raptado na área de Bolongongo». O livro «História da Unidade»  refere que «fez entrega de uma espingarda semi-automáticas Simonov», que era «a primeira arma do BCAV.» e também que «conseguiu furtar-se a um grupo inimigo em trânsito».
Vista Alegre era onde se aquartelava a CCAÇ. 4145, uma da sub-unidades agregadas ao BCAV. 8423 e que era comandada pelo capitão miliciano Raúl Corte Real.
Em tempos nada fáceis para este oficial que, para além do comando de CCÇ. 4145 - cerca de 200 jovens... - ainda tinha de permanentemente lidar o administrador (e os seus milícias), fazendeiros, sobas e populações. «E mais os que não gostavam de nós, como alguns camionistas, fazendeiros e IN´s. Havia muitos para quem não dava mesmo sorrir muito»
comentou Raúl Corte Real, na sua página de facebook.

Estevão F. Neto
Neto de Aldeia Viçosa
71 anos em Abrantes!


O soldado Estevão Fernandes Neto, Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a da uíjana vila de Aldeia Viçosa, comemora 71 anos a 21 de Julho de 2023. Hoje e em Abrantes.
Atirador de Cavalaria de especialidade militar e combatente da Companhia comandada pelo capitão miliciano José Manuel Cruz, é natural do lugar de Chaminés, na freguesia de Bemposta, em Abrantes. E lá voltou a 10 de Setembro de 1975, há quase 48 anos - no final da sua jornada africana do norte angolano de África.
Actualmente, mora na Rua do Secador, na mesma freguesia e concelho abrantino, para onde «atiramos» o nosso abraço de parabéns! Com o desejo de muitos e mais bons anos de boa saúde e alegria de viver.



F. Vieira nos tempos de
Carmona. Há 48 anos!
Fernando Vieira em festa
de 69 anos na Amadora !

O jovem Fernando Antunes Vieira foi um civil contemporâneo dos Cavaleiros do Norte, em 1975 - há 48 anos!... - sendo, ao tempo, funcionário de Câmara Municipal de Carmona. Hoje, dia 21 de Julho de 2023, faz 69 anos.
O livre trânsito camarário permitiu-lhe, ao tempo e segundo nos contou em tempos, alguns contactos no BC12, para levar e trazer «coisas» dos civis seus amigos que lá se refugiaram nos dramáticos dias da primeira semana de Junho de 1975. 
Recolhidos na cidade, a fugir dos combates entre MPLA e FNLA e apoiados pelos Cavaleiros do Norte. E integrou, como civil (ele e muitas centenas, ou milhares de pessoas...), a epopeica saída de Carmona da coluna militar para Luanda, evacuada da capital do Uíge às 5 horas da manhã de 4 de Agosto de 1975.
Aposentado da Maternidade Alfredo da Costa, onde fez carreira profissional de serviço público administrativo, já várias vezes colaborou com este blogue de recordações uíjanas e vive, feliz da vida e no amor da família, na cidade da Amadora. Para lá, e para ele, vai o nosso abraço de parabéns!

quinta-feira, 20 de julho de 2023

7 237 - O comandante em Sanza Pombo em tarefas operacionais! Contactos e apresentação de IN´s!

 

Os Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423 encontraram a 20 de Maio de 2023 no restaurante Varanda das
 Estevas, em Castelo Branco. Atrás e da esquerda para a direita, Verde, Inácio, Rosa, Samuel, furriel 
Matos, Virgílio Antunes, furriéis Letras e Ramalho, alferes Capela, Pisco, furriel Guedes e Quaresma. 
Ao meio, furriel Ferreira, Neto, alferes Carvalho, V. Antunes, 1º. cabo Ferreira, Almeida, Rodrigues.
 Silvestre,  José Barbosa, Grave, Manuel Jesus, Mendes, Soares e capitão Cruz. À frente, 1º. cabo
Beato, Márcia (a motorista do autoccarro do norte), Venâncio, Azevedo, Manuel   Oliveira, 
Mário Mendes Almeida, Freire, João Oliveira, furriel Gomes, Sebastião e Adelino Santos
O capitão miliciano José Manuel Romeira Pinto Cruz,
comandante da 2ª. CCAV. 8423, e o tenente-coronel
Carlos Almeida e Brito, comandante do BCAV. 8423


A 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa e do comando do capitão miliciano José Manuel Cruz, reuniu-se há precisamente 2 meses, a 20 de Maio de 2023 e em Castelo Branco.
Hoje, como se vê acima, publicamos (finalmente...) a foto oficial, identificando todos os participantes.
O mesmo dia de 1974, foi dia de o tenente-coronel  Carlos Almeida e Brito, oficial de Cavalaria e comandante do BCAV. 8423, deslocou-se a Sanza Pombo e ao BCAV. 8324.
A unidade desta pequena cidade do nortenho Uíge angolano era comandada pelo tenente-coronel Adão Neves Baptista, também oficial de Cavalaria, tinha a sua CCS naquela localidade e as companhias operacionais no Alto Zaza (a 1ª. CCAV. 8324, com grupos de combate em Cuango e Quimbele, onde 
Os furriéis Mota Viana e Eusébio, 
alferes Sampaio e furriel Queirós
também esteve um GCda 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, com o furriel José Fernando Carvalho), em Quicua (2ª. CCAV. 8324) e Massau (3ª. CCAV. 8324).
A deslocação a esta pequena cidade do Uíge
 teve a ver com «tarefas de natureza operacional» e a respectiva escolta foi assegurada por um grupo do PELREC, o pelotão operacional da CCS e, pessoalmente, lá tive o prazer de encontrar um conterrâneo - Higino Pires dos Reis, civil e agora já falecido, que lá era funcionário do Ministério da Agricultura. 

Contactos políticos e
apresentação de IN´s!

Os dias uíjanos de há 49 anos, esses, iam  absolutamente tranquilos. Pelo men os, aparentemente,
O comandante Almeida e Brito dinamizava «contactos com elementos IN, com vista a uma tentativa da sua apresentação no contexto da actual política». E também com as populações locais (nos povos / sanzalas...), autoridades tradicionais, comerciantes e fazendeiros - estes, os principais dinamizadores da economia local.
O BCAV. 8324, «Os Indomáveis», era comandada pelo tenente-coronel Adão Neves Baptista e foi também o destino do furriel miliciano Fernando Manuel Mota Viana, da 1ª. CCAV. 8423, atirador de Cavalaria de Zalala, quando, em Outubro de 1974, foi algo da decisão disciplinar do comandante Almeida e Brito. Para lá rodou e lá cumpriu a sua jornada africana do norte uíjano.

Almeida da 1ª. CCAV.,
71 anos em Espinho!

O soldado condutor Almeida foi Cavaleiro do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a da mítica Fazenda Maria João, a de Zalala, faz hoje 71 anos. Dia 20 de Julho de 2021.
Mário Pereira de Almeida, é este o seu nome completo (foto ao lado), também passou por Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona e é natural de Espinho, cidade onde regressou no final da sua jornada africana do norte de Angola. Por alguma razão, que totalmemte desconhecemos, não voltou a Portugal com o BCAV. 8423 (não consta das listas de embarque de nenhuma das 4 Companhias) mas sabemos que mora(rá) em Espinho. 
É para lá e para ele que vãos os nossos parabéns pelos 71 anos que hoje comemora!

quarta-feira, 19 de julho de 2023

7 236 - Chipenda nos cafezais do Uíge e em comício no campo de futebol de Carmona!

 

Grupo de condutores da CCS do BCAV. 8423: De pé, Manuel Alves, José Gomes, Manuel
Brites, António Gonçalves e Vicente Alves. Em baixo, Miguel Ferreira, 1º. cabo Monteiro
(Gasolinas) e Delfim Serra. Alguém pode confirmar todos os nomes?
Daniel Chipenda, à esquerda e então da FNLA,
esteve no Uíge há 48 anos e fez comício no campo
de futebol, com proteção do BCAV. 8423


Os dias angolanos por este tempo de Julho de 1975 - há 48 anos!... -, foram tempo de Daniel Chipenda visitar o Uíge, para, com os seus colaboradores, visitar «os trabalhadores dos cafezais na colheita» do café - a maior força económica da região.
Era tempo da colheita e o Uíge era «a capital do café».
Os acontecimentos das semanas anteriores (desde a primeira de Junho e dos, então, trágicos incidentes ocorridos na cidade de Carmona e um pouco por toda a província uíjana) precipitaram a fuga de muitos trabalhadores para as suas terras (principalmente os bailundos) e faltava mão de obra para as colheitas.
Receava-se que estas não passassem dos 45% das 220 000 toneladas de 1974.
O Diário de Lisboa apontava «o mau tempo, a agitação local no domínio do trabalho e a falta de mão de obra nas plantações» como causas dessa diminuição da produção.
Daniel Chipenda era, nessa altura, secretário geral adjunto da FNLA e avistou-se «com naturais de Angola fugidos às lutas de Luanda e prometeu-lhes auxílio do movimento para o seu realojamento». Calculava-se que a Força Aérea Portuguesa tenha «evacuado centenas de angolanos do Norte, de Luanda para Carmona» - onde, não esqueçamos, «dominava» a FNLA, depois
dos combates de 1 a 6 de Junho.
Chipenda, na altura, fez um comício no campo de futebol da cidade, com milhares de angolanos e proteção assegurada pelos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423.

Notícia do Diário de Lisboa de 18/07/1975 sobre
a visita de Daniel Chipenda a Carmona
Holden Roberto no Zaire,
não estava em Angola...


A FNLA, a 18 de Julho de 1975, divulgou um comunicado a «negar a presença do presidente Holden Roberto no interior de Angola» - o seu líder e fundador.
«Todos os que quiserem reencontrar o dirigente da FNLA podem fazê-lo na sede do partido, em Kinshasa», frisava o comunicado, sublinhando também que «a FNLA rejeitará qualquer tentativa de apaziguamento da tensão em Luanda, pela intervenção de forças internacionais de manutenção da paz» e opor-se-á a «qualquer tentativa de intervenção de Portugal».
Curiosamente, mas em data que a memória já não consegue precisar, correu por Carmona o boato de que Holden Roberto estava na cidade. Nesta altura, ou noutra? Alguns Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 garantiam tê-lo visto. Alguns asseguravam, na altura, tê-lo visto no «Escape», restaurante muito reputado da cidade e então ainda de funcionamento recente. Encerrado e degradado, tanto quando se via do exterior, quando por lá passámos a 24 e 25 de Setembro de 2019. Passados 44 anos!


Fazenda Santa Isabel, no dia da chegada da 3ª. CCAV.
8423 - a 11 de Junho de 1974. Há 47 anos!

Botelho de Santa Isabel faria
71 mas morreu há 30 anos !


O Botelho foi Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, e faria 71 anos a 19 de Julho de 2023 Hoje mesmo. Faleceu a 1 de Agosto de 1993.
Ricardo da Conceição Botelho, de seu nome completo, foi soldado especialista de transmissões da Companhia comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes, também passou pelo Quitexe e Carmona e regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975. Ao lugar de Afonseiro, na freguesia de Azinheira do Barros, no concelho do Montijo, onde já residia e onde se fixou. 
Faleceu há quase 27 anos, não sabemos o motivo, mas hoje, quando atingiria os 71 anos, o recordamos com saudade. RIP!!

Oliveira, clarim de Aldeia
Viçosa, faleceu há 4 anos !


O soldado clarim Alexandre dos Santos Oliveira, Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, faleceu a 15 de Julho de 2019, em Vila Nova de Gaia. Aos 67 anos e de doença.
O Alexandre nasceu a 8 de Março de 1952 e regressou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975, depois de também passar por Carmona. Desenvolveu a sua vida activa e familiar na zona do Porto e desde Junho de 2015, sofria de uma doença degenerativa, depois de leucemia e anemia, «combatendo-a» corajosamente, entre o hospital e a sua residência do Seixo Alvo, no Olival, em Vila Nova de Gaia.
Faleceu aos 67 anos e hoje o recordamos com saudade!

terça-feira, 18 de julho de 2023

7 235 - Fim da prevenção simples, picadas do Uíge e Estrada do Café! Galões e divisas para Forças Integradas!

Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, todos furriéis milicianos: Agostinho Belo,
 Ângelo Rabiço, José Querido (que hoje festeja 71 anos, em Odivelas), Victor
Guedes (falecido a 16 de Abril de 1998) e António Fernandes

Forças Militares Mistas / Integradas em formação na parada do BC12


Há 48 anos e pelos chãos uíjanos, o dia 18 de Julho de 1975 assinalou o fim do período de prevenção simples da guarnição militar portuguesa em Carmona.
Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, ao tempo aquartelados no BC12 e (a 1ª. CCAV.) no Comando de Sector / Zoma Militar Norte.
O facto foi um evidente sinal de que as «coisas» melhoravam na capital do Uíge. A prevenção começara no dia 12 imediatamente anterior e, como se imagina, foi uma semana de mil cuidados, riscos e sacrifícios para a tropa - e tão maltratada era por parte da comunidade civil europeia... -, garantir a segurança de pessoas e bens.
Outro importante registo do dia foi o da «entrega de galões e divisas» aos graduados da Companhia das Forças Integradas - que desde há várias semanas vinham a ter instrução dos quadros do BCAV. 8423 - no BC12.
O livro «História da Unidade» refere que se procurou «valorizar aqueles que irão ser os pilares do Exército Angolano» e que se aproveitou a oportunidade de comemorar o Dia da Cavalaria.
Ainda relativamente aos quadros das Forças Integradas, igualmente se pretendeu «explorar os deveres militares e as responsabilidades dos chefes, em acção orientadora destes elementos».
Elementos que, e continuamos a citar o livro «História da Unidade», «embora desejando fazer algo por Angola, se sentem submergir e a deixar de ver a aceitação e autoridade que se pretendeu imprimir-lhe».
O Dia da Cavalaria comemorou-se «com a maior singeleza», sendo celebrada missa na capela da unidade, com presença do brigadeiro e Chefe do Estado Maior do Comando Territorial de Carmona, e uma mensagem publicada na Ordem de Serviço do Dia.
Outro acontecimento do dia, mas de um ano antes (em 1974), foi a passagem da 1ª. CART. do BART 6322/COTI 2 à «dependência operacional do BCAV. 8423».
Picada de Zalala. Os furriéis milicianos Dias (falecido
a 20/10/2011) e Queirós, à frente, e o alferes Sampaio
(atrás e à esquerda). Quem são os restantes?

As picadas de Zalala
e a Estrada do Café!


Uma das actividades dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 por Julho de 1974 fora, há 49 anos e entre outras, era a de, sempre que solicitados, proteger as brigadas de trabalho da Junta Autónoma de Estradas de Angola (JAEA).
Tal acontecia com muita frequência nos primeiros meses da jornada angolana do Uíge, particularmente em obras de requalificação da Estrada do Café - que, toda ela asfaltada, liga(va) Luanda a Carmona.
Há precisamente 49 anos, «prosseguiam os trabalhos» no troço entre Vista Alegre e Ponte do Dange - localidades da Zona de Acção (ZA) dos Cavaleiros do Norte. Por outro lado e também a 18 de Julho de 1974, «iniciaram-se trabalhos de reparação do itinerário para Zalala» - a partir do Quitexe e em picada bem difícil, passando pela sempre perigosa Baixa do Mungage.
Zalala e a Fazenda Maria João (o seu nome oficial) era, a esse tempo, onde se aquartelava a 1ª. CCAV. 8423, a do capitão miliciano Davide de Oliveira Castro Dias.
Cavaleiros do Norte no Quitexe, todos furriéis
milicianos: Fernandes, Cardoso, Querido, um
 «fnla» e Rocha (de pé), Carvalho, Monteiro e
 Belo (em baixo)
  


Querido, furriel de Santa Isabel,
faz 71 anos em Odivelas!


O furriel miliciano Querido, Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423, festeja 71 anos a 18 de Julho de 2023.
Hoje mesmo e... que linda idade, que tranquilamente vive pelas bandas de Odivelas!
José Adelino Borges Querido, de seu nome completo, era atirador de Cavalaria de especialidade militar e combatente da subunidade da Fazenda Santa Isabel - e depois do Quitexe e de Carmona -, regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975, no final da sua comissão de serviço, e fixou-se no Bairro do Charquinho, em Benfica, freguesia da Penha de França, cidade de Lisboa.
Funcionário público agora já aposentado, ocupa os seus tempos (mais livres...) com apoios à loja de retrosaria da família e mora actualmente em Odivelas, onde regularmente o achamos e confraternizamos, e para onde vai o nosso forte abraço de parabéns! Renovando e multiplicando o da nossa conversa telefónica de há momentos
.

Manuel Deus, 1º.
cabo «cripto»

Deus, 1º. cabo de Santa
Isabel, 71 anos em Lisboa!


O 1º. cabo Deus, Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, faz hoje 71 anos. Em Lisboa, ou talvez pelos lados de Trancoso.
Manuel Ramos Deus, de seu nome completo, foi operador-cripto de especialidade militar e regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975 - no final da sua jornada africana do norte de Angola. Ao Cardal da Graça, em Lisboa, onde então residia.
Aposentado, dedica-se ao lazer cicloturístico e é participante habitual dos en-
contros dos Cavaleiros do Norte da Fazenda Santa Isabel - a 3ª. CCAV. 8423. Originário da freguesia de Torre Terrenho, em Trancoso, por lá tem ultimamente dividido o seu tempo, entregando-se a tarefas agrícolas de chãos da família.
Parabéns pelos 71 anos!
- Ver AQUI um texto do 1º. cabo Deus de Junho de 2010.

segunda-feira, 17 de julho de 2023

7 234 - Pelotão da 2ª. CCAV. 8423 para Carmona! MPLA «expulsou» a FNLA de Luanda!


O 1º. sargento Fernando Norte (já falecido) e os alferes Carvalho de
Sousa e João Machado, da 2ª. C AV. 8423 e em imagem de 1974




A quarta-feira de 17 de Julho de 1974, há 49 anos e pelos chãos uíjanos do norte de Angola, foi tempo de o grupo de combate comandado pelo alferes miliciano Domingos Carvalho de Sousa rodar de Aldeia Viçosa para Carmona.
CCAÇ. 4145, de Vista Alegre: furriéis Freitas e Cerqueira,
capitão Raúl Corte Real e 1º. sargento Sobreiro
 
O objectivo deste grupo da 2ª. CCAV. 8423, em diligência no Comando do Sector do Uíge (CSU), foi fazer  «patrulhamentos na área suburbana» da capital do Uíge.
O dia 17 de Julho de 1974, em termos de BCAV. 8423, teve outras incidências:
1 - O comandante Carlos Almeida e Brito, tenente-coronel de Cavalaria, esteve no Comando do Sector do Uíge (CSU), em Carmona, onde foram «estabelecidos contactos operacionais» - tal qual a 14 e depois a 31 de Julho.
2 - Terminou a Operação Turbilhão (iniciada em data desconhecida), com acções «viradas para as «centrais» de Mungage e Negage e os «quartéis» Aldeia e Tabi, sendo, por ora, abandonada 
a «central» de Nova Caipemba, cobrindo-se, assim, locais de toda a ZA».
3 - As Zonas de Acção (ZA)
 da Fazenda Luísa Maria (onde estava o Grupo de Combate do alferes João Machado, da 2ª. CCAV.) e Vista Alegre (a CCAÇ. 4145, do capitão Raúl Corte-Real) retornaram à «respon
sabilidade operacional do BCAV. 8423»
Ao tempo e segundo o livro «História da Unidade», temia-se que os incidentes de Luanda pudessem reflectir na ZA dos Cavaleiros do Norte, que, e citando, teria «necessidade do Sector oroentar a sua actividade noutro sentido».
Notícia do «Diário de Lisboa» de 17 de Julho de 1975:
 «Foram enviadas mais tropas de Lisboa para Luanda» 

MPLA «expulsou»
a FNLA de Luanda!


Um ano depois, e segundo o «Diário de Lisboa», vespertino da capital portuguesa, «o MPLA continua a controlar esta capital, após os combates que se registaram entre as FAPLA e o ELNA» - Formças Armadas Populares de Libertação de Angola e o Exército de Libertação Nacional de Angola, os braços armados do MPLA e da FNLA, respectivamente.
A capital era a de Angola e a cidade de Luanda, onde «continuam a chegar inúmeros refugiados», depois de, já na véspera, se ter iniciado uma ponte aérea (de refugiados) para de Luanda para Lisboa.
De Lisboa, entretanto, foram para Angola uma Companhia de Comandos, outra de Caçadores e outra de Fuzileiros, para «reforçar as que aqui estavam estacionadas».
«grande incógnita» do dia era, para o jornal «Diário de Lisboa», «saber o que vai fazer a FNLA, depois de ter sido praticamente expulsa» de Luanda.

Capitão José Paulo M.
Mendonça Falcão

Capitão Falcão faria 81
mas faleceu em Coimbra !


O capitão José Paulo Montenegro Mendonça Falcão foi oficial de operações e adjunto do comando do BCAV. 8423. Hoje, dia 17 de Julho de 2023, faria hoje 81 anos, mas faleceu a 9 de Dezembro de 2019, de doença e em Coimbra.
Oficial de Cavalaria, cumpriu nos Cavaleiros do Norte a sua terceira comissão de serviço, a segunda em Angola - onde em 1967 já estivera como alferes. Também passou por Timor, já como capitão (entre 1970 e 1972) e foi Cavaleiro do Norte em 1974 e 1975, regressando a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975. 
Continuou a carreira profissional e comandou a Polícia Militar (no Porto e em Coimbra), seguiu para Santa Margarida e foi 2º. comandante do Regimento de Cavalaria de Braga. Seguiu para Estremoz, esteve em Lisboa e, finalmente, em Coimbra - onde residia. Passou à reserva em 1996, aos 54 anos e já como tenente-coronel. Vários AVC´s levaram a que, a partir de 2009, a sua saúde se fragilizasse muito e de tal forma delicada que ficou dependente de cuidados permanentes.
Hoje o recordamos com imensa saudade! Dele, continuará memória de um bom e grande companheiro da nossa jornada africana do Uíje angolano. RIP!!!