quarta-feira, 5 de abril de 2017

3 722 - Férias na capital Luanda e cimeira de Estados Africanos

Cavaleiros do Norte no Quitexe, todos furriéis milicianos: José Carvalho e Grenha Lopes (atrás), Agos-
tinho Belo (de óculos), Armindo Reino (de bigode), António Flora (todos da 3ª. CCAV. 8423) e, da
CCS, António Lopes, o enfermeiro (de mão nos óculos,que hoje faz 66 anos), Rocha e Viegas


 Pinto, Soares e Barbeiro, Cavaleiros do Norte de Aldeia
Viçosa num momento bem descontraído e melhor bebido

Sábado, dia 5 de Abril de 1975. Os furriéis Cruz e Viegas estão de férias em Luanda e com almoço marcado para a ilha, com um amigo civil, o Albano Resende. 
«Ao meio dia apanho-nos na Portugália», disse ele. Assim foi.
Os dois Cavaleiros do Norte acordaram cedo e cedo desceram do Katekero para o popular restaurante da baixa luandina, onde os esperava  jornalista Rebelo Car-
valheira, ao tempo no jornal A Província de Angola e «sabedor» de alguns se-
gredos da actualidade angolana. 
O furriel Viegas, à esquerda, de férias em
Luanda e com o civil Albano Resende
«Coisas que nem sempre se podem publicar ou até já são desactuais quando se publicam», disse-nos ele, muito reservado, os três a «devorar» pregos no pão com vinho verde Aveleda. Ou 3 Marias, já não sei. Mas fresquinho, a borbulhar nas gargantas, secas pelo calor de Angola.
Notícia do dia, na imprensa diária de Luanda - e «coisa», de resto, que já nós bem conhecíamos de Carmona - era a da ocupação, pela FNLA, da «maioria dos antigos campos militares portugueses do norte de Angola».
O campo de N´Kiende, por exemplo, muito perto da fronteira com o Zaire (de Mobutu) e de S. Salvador do Congo (que noutros tempos fora capital do antigo Reino do Congo), a esse tempo, «converteu-se num importante centro de treino para os recrutas da FNLA» e onde, sublinhava a imprensa, «2000 soldados recebem instrução militar de base durante três meses e um treino especial de «comandos« de 60 dias».

Angola. A província do Uíge,
assinalada no verde claro
Cimeira tri-africana
sobre questão de Angola

Angola, nesse sábado de há 42 anos, espectava sobre os resultados da cimeira dos três presidentes africanos, que iam analisar «as desavenças entre os movimentos de libertação, que ameaçam transformar o processo de descolonização numa guerra civil».
Os presidentes do Zaire (Mobutu Sese Seko), da Tanzânia (Julius Nieyrere) e Keneth Kaunda (Zâmbia) iam reunir e, entre eles, observar os apoios que cada qual dava aos três movimentos de libertação - o MPLA de Agostinho Neto, a FNLA de Holden Roberto e a UNITA de Jonas Savimbi - procurando «chegar a acordo quanto ao apoio a conceder ao movimento que ganhe as eleições  de Outubro, antes da independência», fosse ele qual fosse.
Ao tempo, o MPLA tinha «forte apoio» da Zâmbia e da Tanzânia e a FNLA «principalmente do Zaire». A UNITA tinha pouco tempo antes sido reconhecida (pela OUA) como movimento de libertação e o presidente Jonas Savimbi «avistou-se com os presidente Nyerere e Kaunda, durante as duas últimas semanas, afim de procurar apoio para o seu movimento».
Casal da Fonseca, Caçador
da 3879, 67 anos em Leiria

Casal da Fonseca, Caçador 
da 3879, 67 anos em Leiria

António Casal da Fonseca foi 1º. cabo rádio-telegrafista da CCS do BCAÇ. 3879, um dos Batalhões que antecederam os Cavaleiros do Norte no Quitexe. Hoje, dia 5 de Abril de 2017, faz 67 anos na sua em Leiria.
O Casal, que também é Fonseca, universalizou-se por ser filho da avó paterna do cantor David Fonseca (é tio dele), mas vem aqui, e hoje!!!..., pela amizade e carinho que cultiva pelo blogue, de que foi (é) qualificadíssimo colaborador e delicado e permanente divulgador.
Aposentado da banca privada e cultivador dos bons hábitos sociais, de saúde e desporto, medra a sua felicidade pessoal e familiar pelos Marrazes de Leiria (onde nasceu e vive) e é para lá que vai o nosso abraço de parabéns!
- «Os amigos para sempre que se fizeram no
Quitexe» - crónica de Casal da Fonseca. 
Ver AQUI





1 comentário:

  1. É uma satisfação muito grande comunicar quase diariamente com amigos como o António Casal Fonseca pessoa que ao longo dos tempos demonstra no seu carácter ser uma pessoa de bem e que simultaneamente cultiva a amizade com o seu amigo. Naturalmente que existe em comum um acto que muitos viveram naqueles tempos conturbados. Mas a circunstancia de termos pisado o mesmo local de contenda leva a uma comunhão de ideias e actos vividos nesse mesmo palco de guerra. Ao meu amigo Casal, ao nosso amigo Casal eu lhe desejo muitos anos de vida com muita saúde cheios de felicidade.

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