sábado, 8 de abril de 2017

3 725 - Patrulhamentos mistos azedados; furriel Barata faria hoje 65 anos!

Cavaleiros do Norte de Zalala: furriéis milicianos José Louro, Américo, Ro-
drigues, José Nascimento, Jorge António Eanes Barata (que hoje faria 65
 anos mas faleceu em 1997, de doença e em Alcains) e Jorge Barreto e os
alferes milicianos Mário Jorge Simões e Lains dos Santos
Cavaleiros do Norte de Zalala: furriel Jorge Barara,
alferes Lains dos Santos e furriel Américo Rodrigues 



O dia 8 de Abril de 1975, há 42 anos, foi uma terça-feira e, lá pelas Bandas do Uíge angolano, foi tempo de mais patru-
lhamentos mistos, cada vez mais azeda-
dos pelo mau relacionamento entre os militares da FNLA e do MPLA. Nomea-
damente quando eram nocturnos, mas sempre com inquestionada autoridade das forças portuguesas.
Notícia da morte de Jorge
Barata, da 1ª. CCAV. 8423,
a 11 de Outubro de 1997
Os Cavaleiros do Norte, chegados a Carmona no dia 2 de Março - pouco mais de um mês antes... - mas já bem melhor adaptados às novas exigências operacionais, as urbanas, tiveram paciência de Job e coragem (que foi precisa...), repetidas vezes, e delicadas, para controlar a animosidade que levedava entre os homens (armados, não esqueçamos...) dos dois movimentos - que, como nós, sabiam dos graves incidentes que, em Luanda, tinham provocado  mais de 200 mortos e um número incontável de feridos nos combates entre FNLA e MPLA. E não só em Luanda.
«Os incidentes de Luanda e Salazar vieram de ressaca até Carmona», reporta o Livro de Unidade, om BCAV. 8423, fazendo memória desses delicados tempos da história angolana, no período de imediatamente antes da independência.
Ressaca que, directamente, os Cavaleiros do Norte sentiam na pele e na alma, tendo de diariamente lidar com homens de tendências ideológicas e prepa-
ração militar diferentes, mas que tinham o mesmo objectivo: a independência de Angola. E um outro: anular o movimento rival, nem que fosse pela força das armas. Lia-se isso nos seus olhos e adivinhava-se-lhes na alma.

Avião sul-africano
alvejado em Luanda

A paz fictícia que ao tempo se vivia por terras de Angola desencadeou reacções por todo o mundo - e não só entre os dirigentes e países da OUA ou da ONU.
Os Estados Maiores das Forças Armadas dos três movimentos de libertação reuniram-se em Luanda, nessa manhã de 8 de Abril de há 42 anos, no palácio do Governador, com o objectivo de «analisarem questões militares, nomea-
damente as que se referem à constituição das forças integradas», que seria, assim se pensava e acreditava, «o embrião do futuro Exército de Angola».
Assim se pensava e até «já se encontra(va) decidido o futuro orçamento». As Forças Militares Mistas que operavam em Carmona (e outros pontos do territó-
rio) seriam, mas não foram, a base desse Exército Nacional Angolano.
Os furriéis Cruz e Viegas andavam de férias por Luanda, indiferentes e sem saber destas evoluções, e só a 8 de Abril de 1975 souberam que, na véspera e à noite, se registou mais um tiroteio no Bairro Popular, à estrada de Catete.
Alguns tiros atingiram um Boeing 747, avião da companhia aérea sul-africana que fazia a carreira Joanesburgo-Londres, com escala em Salisbúria e Luanda. O avião aterrou normalmente, com «orifícios abertos na fuselagem, que deram origem a uma despressurização na cabine», mas não tendo atingido nenhum dos 287 passageiros. Após visita técnica, regressou a Joanesburgo e foi substituído por outro Boeing 747 na viagem para Londres.


O Jorge Barata futebolista, defesa central. É o
quinto de pé e da esquerda para a direit
Furriel Barata faria 65 anos,
mas faleceu há 20, em 1997

O furriel miliciano Barata festejou 23 anos a 8 de Abril de 1975, em Vista Alegre do Uíge angolano.
Jorge António Eanes Barata, atirador de Cavalaria, integrou a 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, depois Vista Alegre, Songo e Carmona, e regressou a Portugal e a Alcains, a 9 de Setembro desse ano. 
Jorge António Eanes
Barata faria hoje 65
anos! Faleceu a 11 de
Outubro de 1997
A vida profissional certificou-a como contabilista renomado e, paralelamente, teve carreira desportiva de bom nível, como atleta do Desportivo de Castelo Branco (foi um excelente defesa-central) e do Alcains, no clube da sua terra natal e como futebolista e treinador. 
O Jorge Barata faleceu vítima de um enfarte do miocárdio, a 11 de Outubro de 1997. Na véspera, ainda treinou futebol, jantou, sentiu-se mal, seguiu de ambulância para o hospital e faleceu no dia seguinte, às 7 horas da manhã. Deixou viúva Graciosa Dias e dois filhos, o Vitor (então com 17 anos) e a Eduarda (com 12). Hoje o recordamos com saudade, RIP!!!
.

Sem comentários:

Enviar um comentário