terça-feira, 31 de maio de 2016

3 413 - Partida dos «Zalala´s» e véspera da guerra de Carmona

Grupo de Cavaleiros do Norte da Fazenda de Zalala, «a mais rude 
escola de guerra», onde esteve aquartelada a 1ª. CCAV. 8423
Zalala, um eirado de café e as boas
vindas à «mais dura escola de guerra»

A 1ª. CCAV. 8423 (a da Fazenda de Zalala) saiu de Lisboa a 31 de Maio de 1974 e desembarcou no dia seguinte em Luanda, dois dias depois da CCS (a da vila do Quitexe) e dois e três, respectivamente, antes da 2ª. CCAV. (a de Aldeia Viçosa) e da 3ª. CCAV. 8423 (a da Fazenda Santa Isabel). Antes destas chegadas, já tinham desembarcado o comandante Carlos José Saraiva de Lima Almeida e Brito, o capitão José Paulo Montenegro Mendonça Falcão (oficial adjunto) e o alferes miliciano José Leonel Pinto de Aragão Hermida (oficial de transmissões). 
Almeida e Brito, à esquerda, como
major e oficial de operações
do BCAV. 1917, em 1968
Foi após a sua chegada que «finalmente o BCAV. 8423 teve conhecimento do seu local de destino», o Quitexe, que o Livro da Unidade identifica(va) como «terra promissora de Angola, capital do café e vila-mártir de 1961». Deste destino vinham a saber as Companhias, nas suas chegadas ao Grafanil.
Almeida e Brito já lá tinha estado, como oficial de operações do Batalhão de Cavalaria 1917, em 1968. A 27 de Maio de 1974, com o capitão José Paulo Falcão, esteve no Quitexe «onde foi recebido pelo comandante do BCAÇ. 4211, que iria ser substituído na ZA pela nossa Unidade». Recebido para «os primeiros contactos, os quais foram muito superficiais», dado já lá ter estado. Mesmo assim, ainda visitaram as Fazendas Zalala e Santa Isabel e Aldeia Viçosa, «locais onde se instalariam as nossa subunidades». «Foi decidido que a 1ª. CCAV. entraria em Sector na Fazenda Zalala, a 2ª. CCAV. em Aldeia Viçosa e a 3ª. CCAV. na Fazenda Santa Isabel, ficando a CCS no Quitexe», lê-se no Livro da Unidade.
A 29 de Maio, o comandante regressou a Luanda, para «receber as subunidades, que começara a chegar à capital angolana em 30 de Maio», reporta o Livro da Unidade.
Enquanto isso, o presidente do MPLA, Agostinho Neto, afirmava em Brazzaville que «enquanto dezenas de camaradas nossos estiverem detidos pela FNLA em Kinshasa, não haverá quaisquer negociações» como movimento de Holden Roberto.
O restaurante Escape, em Carmona
(indicado pela seta). Foto da net
Um ano depois, um sábado, a imprensa dava conta de algum desanuviamento da tensão dos dias anteriores e adiantava que Agostinho Neto e Jonas Savimbi (presidente da UNITA) se iriam encontrar no Luso (no leste angolano), para negociar as condições de realização da cimeira dos três movimentos.
Carmona aparentava a calma do costume e, não estando de serviço, recordo que eu, o Neto e o Monteiro fomos jantar ao Escape - restaurante que, a esse tempo, era a nova moda de gastronomia local. 
As ruas da cidade tinham o bulício dos costume, com as esplanadas cheias de gente - a bebericar e conversar. As patrulhas militares passavam tranquilamente pelas ruas da cidade, a Polícia de Unidade (PU) fazia as vezes da convencional PM (Polícia Militar) e ninguém «adivinhava» o que iria acontecer ma madrugada seguinte: os sangrentos combates (urbanos) entre as forças militares da FNLA e do MPLA. 

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