domingo, 2 de outubro de 2016

3 537 - Um exército de colonos brancos, o PCDA, a FUA e a FRA...

Os alferes milicianos Carlos Sampaio (da 1ª. CCAV. 8423 e de oficial
de dia no Quitexe) e António Manuel Garcia e o furriel Viegas, ambos da
CCS e momentos antes da saída do PELREC para mais um patrulhamento


Cavaleiros do Norte do PELREC: 1º. cabo Almeida (fale-
cido a 8/02/2009, de doença e em Penamacor), Messejana
(f. a 27/112009, em Lisboa e de doença), Neves, 1º. cabo
Soares, Florêncio e Ezequiel, Em baixo, 1º. cabo Vicente
(f. a 21/01/1997, de doença e em Vila Moreira, Alcanede),
furriel Viegas, Francisco e Leal (f. a 18/06/2007, de
doença e em Caixaria, Pombal)

A nova situação política angolana levou a alterações na vida operacional dos Cavaleiros do Norte, nomeadamente a partir do mês de Outubro de 1974, acentuando-se, então, a «intensa actividade de patrulhamentos, nomeadamente orientados para a obtenção de Liberdade de itinerários». Que já se vinha a realizar, mas agora com mais assiduidade e, por consequência, com maior sacrifício dos militares.
Cavaleiros do Norte da secretaria da CCS: os furriéis mi-
licianos José Monteiro e Francisco Dias e 1ºs. cabos Mi-
guel Teixeira, Vasco Vieira e, em baixo, Fernando  Pires
O dia 2 de Outubro de 1974 foi a da abertura da delegação do MPLA em Kinshasa (Zaire), depois de negociações conduzidas pelo presidente Agostinho Neto e por Daniel Chipenda, vice-presidente da direcção provisória. Tal acontecia no «âmbito da ajuda concreta e da solidariedade do Zaire para com os movimentos de libertação, em geral, e para com a luta do povo angolano pela independência, em particular». O Zaire de Mobutu Sese Seko, que se sabia ser grande apoiante da FNLA.
Paralelamente, o PCDA, A FUA e a FRA - partido criados após o 25 de Abril, por colonos portugueses - organizaram «um campo de treinos, com a finalidade de formarem um exército particular», segundo noticiava o Diário de Lisboa. Era disso que o MPLA os acusava, sublinhando estarem os três partidos «a organizar um exército, para impedirem que sejam satisfeitas as legítimas aspirações do povo angolano»
O presidente Agostinho Neto afirmava mesmo que os três partidos «têm ligações à UNITA», que era, ao tempo, o único movimento de libertação não reconhecido pela OUA - a Organização de Unidade Africana.
O suposto exército incluiria angolanos brancos e estaria a ser treinado por militares sul-africanos «em três campos recentemente criados no território», - o que, na opinião de Neto, se encandeava no «jogo muito perigoso» que o então já retirado António Spínola vinha a fazer, nomeadamente «cultivando e escutando fantoches e dirigentes de partidos políticos que não representam o povo» - referindo-se, naturalmente, ao PCDA, à FUA e à FRA. Spínola, na sua versão (a de Neto), estaria a «apoiar activamente os grupos de colonos portugueses em Angola» e, mais, de «estar disposto a a aceitar ali um Governo minoritário».
Fazenda Santa Isabel, aquartelamento da 3ª. CCAV. 8423
e onde, há 42 anos, o soldado de transmissões Duarte
Francisco Ferreira Ramalho Gomes comemorou o 22º.
aniversário. Hoje, festeja 64 e mora na Portela do
Ramalho, Dois Portos,em Torres Vedras
O dia foi igualmente para se saber que o Presidente Costa Gomes (que substituira Spínola) assumia pessoalmente o processo de descolonização de Angola. A notícia foi divulgada por Rosa Coutinho, presidente da Junta Governativa e através da rádio.
Soube-se também que a revista «Notícia» foi igualmente multada, por causa da notícia sobre a reunião de oficiais portugueses - que já motivara multas aos jornais «A Província de Angola» e «O Comércio», ambos de Luanda. Foi divulgado que os oficiais consideravam que «só os movimentos de libertação devam ser reconhecidos como representantes do povo angolano», o que Rosa Coutinho desmentiu, referindo ser «falsa e uma interpretação errada da reunião realizada a 20 de Setembro em Luanda, com a participação de 500 oficiais».
Hoje, dia 2 de Outubro de 2016, esta em festa dos 64 anos o (soldado de transmissões) Duarte Francisco Ferreira Ramalho Gomes, que jornadeou em Angola, na 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel. 
Pa-ra-béns!
- PCDA. Partido Cristão Democrata de Angola.
- FUA. Frente de Unidade Angolana.
- FRA. Frente de Resistência Angolana.

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