segunda-feira, 3 de outubro de 2016

3 538 - Os magníficos 88 anos do capitão miliciano médico Leal

O capitão médico miliciano Manuel Leal, ladeado pela esposa (à direita) 
e pelo (ex)alferes miliciano António Albano Cruz, na Póvoa do Varzim, em 2014.
Hoje comemora 88 anos!!! Em grande forma física e intelectual

O capitão miliciano médico Manuel Leal, de cigarro na
 boca e no Quitexe, há 42 anos, ladeado pelos alferes
milicianos Jaime Ribeiro e António Manuel Garcia (à
esquerda) e tenente Acácio Luz (à direita)

O capitão miliciano médico Leal foi Cavaleiro do Norte em 1974 e por lá se imortalizou no seu nobre ofício, com «a maior competência profissional na resolução de todos os problemas clínicos que lhe surgiram, com elevado espírito de servir, no que evidenciou uma perfeita identidade com a missão que lhe foi solicitada, nunca se poupando a sacrifícios, nem olhando a horas de descanso». Hoje, aposentado, festeja 88 anos!!! Em invejável forma!!!
O louvor ao capitão miliciano médico Manuel Leal
foi publicado na Ordem de serviço nº. 78 do BCAV. 8423
As aspas sublinham o que destacámos do louvor do comandante Almeida e Brito ao militar e médico que, e de novo citamos, «acumulando as suas funções com as de Delegado de Saúde, apoiou permanentemente todas as populações civis, europeias e africanas, deixando em todas a melhor amizade, pela dedicação e interesse posto nos serviços por si concedidos, quer nesta vila quer nas fazendas por si visitadas». Somos disso testemunhas, pois muitas vezes o acompanhámos, em missão de escolta, com o PELREC, quando visitava fazendas e aldeias e, nelas, qual João Semana, distribuía saúde (em medicamentos) e carinho (no afecto da palavra ou do gesto).
O louvor sublinha também «o elevado sentido de camaradagem, a perfeita correcção de trato» do capitão médico Leal», pelo que, e citamos o louvor, «deixa em todos os superiores, camaradas e subordinados, e na população que servia, no geral, um amigo que se recorda e que merecidamente tem direito a público louvor». 
Foi condecorado com a Medalha Militar Comemorativa das Campanhas do Exército Português, com a legenda ANGOLA 1972-73-74 e, no encontro da CCS deste ano - a 4 de Junho e em Custóias, voltou a participar, acompanhado de esposa e filha. Em boa forma!
Os presidentes Agostinho Neto (do MPLA), Holden
Roberto (FNLA) e Jonas Savimbi (UNITA)
Há 42 anos e lá pelo Quitexe, era quinta-feira e reuniu a Comissão Local de Contra-Subversão (CLCS), enquanto em Lusaka, Agostinho Neto e Samora Machel (presidente de Moçambique) reuniam com Kenneth Kaunda sobre «o futuro de Angola», com três principais pontos na agenda: as divergências internas do MPLA, a desejada unidade entre os três movimentos de libertação e as negociações com Portugal para a independência da colónia.
Notícia do Diário de Lisboa de 3 de Outubro
de 1975, sobre a situação em Angola
Fernando Falcão, presidente da FUA, partiu no mesmo dia para Kinshasa, onde pretendia entabular conversações com a FNLA de Holden Roberto. A FUA, um mês antes fundada, assumia-se como «multirracial e representante de várias corretes ideológicas».A Cimeira de Campala, um ano depois, foi espaço para os trabalhos da Comissão de Conciliação para Angola. Portugal, MPLA, FNLA e UNITA participavam como observadores, tendo as delegações dos movimentos sido ouvidas em separado, mas nada foi revelado sobre o seu conteúdo. Mas, no exterior e em outros cenários, os movimentos não cessavam a troca de acusações.
Foi revelado, sobre o encontro com os portugueses, que estes reafirmaram a intenção de a independência de Angola ser concretizada a 11 de Novembro (de 1975).
Ao tempo, recordemos, o MPLA controlava 12 das 16 províncias de Angola, «mais de dois terços do território», como, em Lisboa, foi dito no decorrer de uma conferência de imprensa do Órgão Coordenador do MPLA para a Europa.
«Vamos tomar o poder no dia 11 de Novembro. Faltam 37 dias para a independência. Não vemos como será possível ludibriar o povo angolano», sublinharam os dirigentes do Órgão Coordenador, frisando que «nas «zonas ocupadas pelo MPLA há condições para o regresso dos retornados» e que «somos a favor disso, já que a falta de muitos está na origem de deficiências nos sectores industrial e económico».
E lançaram um desafio ao Governo Português: «Que Angola seja entregue ao único Movimento de Libertação: o Movimento Popular de Libertação de Angola». Logo, e por exclusão de partes, deixando de fora a FNLA e a UNITA.

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