sábado, 3 de dezembro de 2016

3 599 - As primeiras mobilizações e o dinheiro americano

Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel José Rodri-
gues Lino, do Fundão (mecânico-auto), Agostinho Pires Belo (alimen-
tação) e António Luís Barradas Mendes Gordo, atirador de Cavalaria,
que é de Alter do Chão, onde amanhã festeja 64 anos!


O 1º. sargento Joaquim António do Aires foi mo-
bilizado há 43 anos. Aqui e já no Quitexe, com
 os furriéis Rocha e Cruz. De pé, o José Rebelo

O Governo americano anunciou, a 3 de Dezembro de 1974 - há exactamente 42 anos!!!... -, que iria propor ao Congresso um empréstimo de 50 milhões de dólares (1,25 milhões de contos) a Portugal e às suas antigas colónias.
A proposta era do senador Edward Kennedy que, falando na Universidade de Connecticut, salientou que esse auxílio «confirmaria o interesse dos Estados Unidos na sobrevivência da democracia em Portugal  e nos seus antigos territórios africanos».
Os furriéis António Flora e António Fernandes
 depois da caça a uma pacaça, em Santa Isabel.
Quem será o condutor do UNIMOG?
A verba proposta não era nada dispicienda, bem pelo contrário: a valores de hoje, seriam nada mais nada menos que 202 470 000 euros, pelo sistema de reconversão da PORDATA, da Fundação Francisco Manuel dos Santos - que agora mesmo consultámos. Mais propunha, aliás, o senador Edward Kennedy: donativos americanos na ordem dos 5 milhões de dólares (ou 20 247 milhões de euros, a valores de hoje) e «alargado crédito de apoio à importação e exportação entre os Estados Unidos e Portugal».
O político americano (irmão do já então falecido Presidente John Kennedy, nada amigo dos portugueses nas questões coloniais) não deixou de lembrar os apoios dados ao anterior «regime ditatorial português» (caído a 25 de Abril de 1974), nas sublinhou que «hoje, quando se abrem perspectivas esperançosas para a democracia portuguesa e para o fim do colonialismo em África, os Estados Unidos tem o dever moral de ajudar».

Tempos calmos
lá pelo Uíge

O tempo uíjano, por esse dia de Dezembro de 1974, uma terça-feira, decorria sem especiais sobressaltos. 

As guarnições do Quitexe (a CCS), de Aldeia Viçosa (a 2ª. CCAV. 8423) e Santa Isabel (a 3ª. CCAV.), Vista Alegre e Ponte do Dange (1ª. CCAV., a de Zalala), sem esquecer o Destacamento de Luísa Maria, cumpriam os seus deveres de ordem, embora com os militares metropolitanos sobrecarregados de tarefas, depois da desactivação dos GE e, principalmente, dos grupos de mesclagem. 
A 3ª. CCAV. 8423, a dos Cavaleiros do Norte de Santa Isabel, preparava a sua rotação para o Quitexe (que seria a 10 de Dezembro desse ano de 1974) e o mesmo acontecia com o Destacamento de Luísa Maria (a 14 do mesmo mês).

Cavaleiros do Norte de Santa Isabel no Rio Dange.
Momentos de descontração e lazer...
Cavaleiros do Norte
em... mobilização

para Angola  

Um ano antes (1973), há precisamente 43!, já estava a decorrer o processo de mobilização de alguns dos futuros Cavaleiros do Norte.
O Batalhão de Cavalaria 8423, era dele que se tratava, estava destinado à Região Militar de Angola (RMA) e ir-se-ia formar no Regimento de Cavalaria 4, em Santa Margarida, a sua unidade mobilizadora.
A mobilização do 1º. sargento Joaquim António de
 Aires, mecânico da CCS do BCAV. 8423, foi publi-
cada na Ordem de Serviço nº. 291 do RC4


A Ordem de Serviço nº. 291, do Regimento de Cavalaria 4 (o RC4), instalado no Campo Militar de Santa Margarida, publicava uma nota referindo que «nos termos da alínea c) do Artº. 20 do Decreto-Lei 49107, de 07Jul69, foi nomeado por imposição (...) e para efeitos de abonos se destina a reforço da GN para o BCAV. 8423/73/RC4/RMA, o 1º. sargento 52268711 Joaquim António de Aires, do RI 16» - o Regimento de Infantaria 16, então aquartelado na cidade de Évora.
O quadro militar era totalmente desconhecido para todos nós, mas viria a a ser o sempre apreciado e muito respeitado 1º. sargento Aires, Cavaleiro do Norte do Parque-Auto da CCS, no Quitexe e Carmona, depois.

Grupo de Mesclagem

de Santa Isabel

O Grupo de Mesclagem da 3ª. CCAV. 8423 também foi extinto, com a passagem dos seus elementos à situação de licença registada a 30 de Novembro, com efeito práticos a partir de 1 de Dezembro de 1974.

O grupo de Santa Isabel era formado por Paulo Sebetela, Manuel Franco e Felisberto Barata (promovidos a 1º. cabo, OS nº. 150), Abel Silva (idem, OS nº. 110) José Capesse, Salomão Bila, Sebastião Pedro, Domingos Cassul, António José, Mateus Domingos,  Cabral Pedro e Conceição Mateus, João Dala e Francisco Sebastião, Inácio Neto e Francisco Correia, Eduardo Micaela, Dias Quinguegue, Gonçalves Muecária, Francisco Pedro e Neves Tomás, Daniel Simão, João Canda, Francisco Caiango e Bernardo Oliveira, João Buende, Júlio Sola, Manuel Gomes e Garcia Gonga, Bernardo Boma, Paulo Sebastião, António Silva, José Vunge e Adriano Correia.

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