CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

3 638 - O segundo dia da Cimeira do Alvor, os Cavaleiros no RC4!

Futebol no Quitexe. De pé, Fernando Martinho Grácio (1º. cabo sapador e um dos benjamins da CCS, que
 hoje faz 63 anos em Amor, Leiria), 1ºs cabos Gomes e Miguel; Botelho, furriel Miguel (paraquedista), 
Gaiteiro e 1º.. cabo Soares. Em baixo, Esmoriz (?, dos Morteiros?), furriéis Mosteias (falecido a 5 de
 Fevereiro de 2013) e Lopes (enfermeiro), NN, furriel Monteiro e Teixeira (estofador)

Capa da revista «Notícia», de Luanda, pre-
cisamente de 11 de Janeiro de 1975 e so-
bre a Cimeira do Mombaça, antes do Alvor

O dia 11 de Janeiro de 1975, segundo dia da Cimeira do Alvor, passou-se tranquilamente no Quitexe, por Aldeia Viçosa e Vista Alegre, onde se aquartelavam os Cavaleiros do Norte. Portugal e os movimentos que se entendessem.
Um ano antes, exactamente um ano antes e pelas bandas do Campo Militar de Santa Margarida, no Destacamento do Regimento de Cavalaria 4 (o RC4), os futuros combatentes do Batalhão de Cavalaria 8434 (o BCAV. 8423) conheciam-se mais e melhor e aprendiam e aprofundavam as virtudes militares da «disciplina e do respeito total, do aprumo e do atavio, pontualidade e vontade firme, dedicação e interesse».
O Diário de Lisboa de 11/01/1975 com
 notícias da Cimeira do Alvor. Ver AQUI
«As exigências, ensinamentos e exemplos dos teus superiores são princípios que tens de seguir, de compreender, pois são essas afirmações que te levarão a querer e saber querer», foram, como se sublinha no Livro da Unidade, «foram palavras permanentes de incitamento e de preparação psicológica de todos os militares do BCAV. 8423».

MFA, o 4º. movimento
de libertação

A imprensa do dia 11 de Janeiro de 1975, um sábado, dava conta que «a Cimeira angolana entrou na sua fase verdadeiramente delicada e complexa, não só pelas naturais divergências de ordem política entre os três movimentos, como também pela posição firme, embora conciliadora,  do Movimento das Forças Armadas» que, como reportava o Diário de Lisboa, estava «apostado em garantir também para Angola, uma via descolonizadora também progressista».
O  aparecimento do major Pezarat Correia na Delegação Portuguesa foi, entretanto, explicada por ser «figura de relevo no MFA de Angola e elemento muito próximo de Rosa Coutinho», o que, segundo o DL, «dará maior crédito aos que vêem no MFA o quarto movimento de libertação».
A primeira sessão, na véspera, decorrera entre as 18 e as 22 horas - «uma intensa sessão de trabalhos» que, reportava o DL, «ratificou os acordos emergentes da plataforma comum adoptada na pré-cimeira de Mombaça» - e, depois de algum descanso, «até ao começo da madrugada de hoje», dia 11 de Janeiro de 1975 e então na já referida «fase mais delicada e complexa».
O 1º. cabo Grácio e o furriel Viegas, em Amor
 (Leiria), em Setembro de 2013, 38 anos depois do
 regresso de Angola. Atrás, a casa do Grácio


O benjamim Grácio
faz 63 anos em Amor

O Grácio foi 1º. cabo sapador da CCS dos Cavaleiros do Norte. Prestável, colaborante e disciplinado, notabilizou-se também como guarda-redes.
Fernando Martinho Grácio, de nome completo, era voluntário e, nascido a 11 de Janeiro de 1954, um dos benjamins da Companhia. O outro era o Malheiro. Prestou serviço no depósito de géneros anexo ao bar e messe de sargentos e regressou a Portugal e ao Casal dos Colares, em Amor, a terra natal, nos arredores da cidade de Leiria, a 8 de Setembro de 1975. Casou, tem dois filhos (um casal) e trabalha na área da construção civil, fazendo dos seus tempos mais livres o seu tempo de hortelão, de mimosas e fartas culturas, no quintal anexo à sua casa e onde (foto) o encontrámos em Setembro de 2013.
Hoje, faz 63 anos. Parabéns, ó Grácio!

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

3 637 - O dia da Cimeira do Alvor para a Angola independente!

A Cimeira do Alvor, há 42 anos, dia 10 de Janeiro de 1975. Na frente, Melo
Antunes, Rosa Coutinho, Agostinho Neto (MPLA), Costa Gomes, Holden
Roberto (FNLA). Jonas Savimbi (UNITA), Mário Soares e Almeida Santos


O alferes João Machado, da 2ª. CCAV. 8423, a de
 Aldeia Viçosa, numa viagem turística às Quedas do
Duquede Bragança, em Angola e há 42 anos!
A Cimeira do Alvor começou às 11 horas de 10 de Janeiro de 1975, no algarvio Hotel Penina, e pelas bandas do Uíge, onde jornadeavam os Cavaleiros do Norte - Quitexe, Aldeia Viçosa e Vista Alegre/Ponte do Dange -, levedava a expectativa sobre o que dela resultaria. Como, seguramente, por todo o território, onde milhares de combatentes esperavam pelo fim da guerra e o regresso aos seus chãos natais.
O furriel miliciano José Pires, da CCS e de Bragança,
nas Quedas do Duque de Bragança, em Angola, em 1975
A rotação para a cidade de Carmona (agora Uíge), que ficava a 40 quilómetros (curtíssima distância para a dimensão territorial angolana...), era cada vez mais murmurada na guarnição, até porque o BC12 ia ser extinto e lá se poderia sediar o BCAV. 8423. Assim se expectava sobre o futuro próximo
O BC12 (o Batalhão de Caçadores 12), recorda o Livro da Unidade, «desde 1961 guarnecera a capital do distrito do Uíge». Todavia e ainda segundo o LU, «nada de positivo se concretizou sobre tal movimento, que está esboçado, nas que aguarda ainda a sanção superior resultante de alterações que a Cimeira do Algarve possa impor». Cimeira do Algarve que era a do Alvor, bem entendido. A do Hotel Penina.
O tempo ia passando, riscavam-se os dias do calendário com frequência diária, literalmente, religiosamente, e começaram a realizar-se passeios turísticos às magníficas Quedas do Duque de Bragança. Era o lazer e o prazer a intermediar-se nas dúvidas e medos da guerra!
O Diário de Lisboa de 10 de Janeiro
de 1975 «encheu» a primeira página
 com notícias sobre a Cimeira
 Portugal/Angola

Uma boa solucão
para Angola

A Cimeira começou às 11 horas da manhã dessa quinta-feira de há 42 anos, com presidência de Costa Gomes e presença dos presidentes Agostinho Neto (do MPLA), Holden Roberto (da FNLA) e Jonas Savimbi (da UNITA).
A delegação portuguesa integrava os ministros Mário Soares (dos Negócios Estrangeiros), Melo Antunes e Almeida Santos (Coordenação Interterritorial), o brigadeiro Silva Cardoso e o tenente-coronel Gonçalves  Ribeiro (ambos do Governo de Transição de Angola), o diplomata Fernando Reino, o tenente-coronel Passos Ramos e o major Metelo (os três da Comissão Nacional de Descolonização). 
O Alto-Comissário Rosa Coutinho, afinal, não integrava a delegação mas disse aos jornalistas que, e citamos o Diário de Lisboa desse dia, «o ambiente de boa cooperação existente leva a supor que a Cimeira não será muito longa».
O Presidente Costa Gomes, antes da abertura, declarou-se «muito interessado na boa solução que possamos encontrar» e manifestou a sua esperança de que a Cimeira «seja um sucesso e conduza a soluções políticas que satisfaçam todos os angolanos»
Daniel Chipenda

O dissidente Chipenda e
separatistas de Cabinda

O dia, em Kinshasa, foi tempo de um comunicado atribuído ao Gabinete Político do MPLA, atacando o Governo Português de reconhecer «a facção dissidente» chefiada pelo dr. Agostinho Neto como única representante legítima daquele movimento.
O documento considerava «ilegais as actividades da facção dissidente de Agostinho Neto» e dizia que esta posição tinha já sido transmitida a Costa Gomes - o Presidente da República de Portugal.
A autoria do comunicado, no entanto, era por várias fontes atribuída à facção dissidente de Daniel Chipenda, expulsa do MPLA mas que a Agência Noticiosa do Zaire (ZAPA) distribuíra como sendo do Gabinete Político do MPLA, precisamente na abertura da Cimeira do Alvor.
Entretanto, em Dar-es-Salan, capital da Tanzânia, a Comissão de Descolonização da OUA rejeitou um contacto da FLEC, movimento que pretendia a independência do Enclave de Cabinda. Queria apresentar o caso à Comissão - que várias horas antes tinha finalmente reconhecido a UNITA, concedendo-lhe estatuto igual ao MPLA e à FNLA.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

3 636 - MFA nos Cavaleiros do Norte, a Cimeira do Alvor de há 42 anos!

Grupo de Cavaleiros do Norte na messe do Quitexe: Bento, Rocha, Viegas,
Flora, Lopes (enfermeiro), Luís Ribeiro Capitão (que hoje faria 65 anos mas fa-
leceu a 5/01/2010) e Ribeiro. Em baixo: Carvalho, Belo, Lopes (Grenha) e Reino

O furriel Luís Capitão , de pé e à direita, no encontro
 do BCAV. 8423,a 9 de Setembro de 1995, em Águeda.
 Reconhecem-se, da esquerda para a direita, os também
 furriéis Cardoso (de pé), Ribeiro (2 vezes) e Flora

A 9 de Janeiro de 1975, o comandante Almeida e Brito reuniu, no Quitexe, com os Cavaleiros do Norte eleitos para a Comissão do MFA - o Movimento das Forças Armadas. 
O objectivo, da parte do MFA, era «incrementar a sua acção de democratização», pelo que, refere o Livro da Unidade, «foi estendendo as suas actividades às unidades».
Os furriéis Cruz e Viegas, dos eleitos do MFA, na Ave-
 nida do Quitexe (ou Rua de Baixo), num momento de «des-
 cansar os olhos». como se imagina pelos balões adaptados
A reunião com o comandante Almeida e Brito serviu para informações e esclarecimentos, no sentido de «obter da sua actividade o melhor rendimento». 
Dois dias antes, a 7 de Janeiro e como sabemos, «o delegado do BCAV. no MFA compareceu numa reunião de trabalho no Comando de Sector do Uíge», em Carmona. Reunião que decorreu na Zona Militar Norte (ZMN) e envolveu delegados de todas as unidades do Comando do Sector do Uíge (CSU). Foi o furriel miliciano António José Dias Cruz quem, no «âmbito deste Movimento», se me lembro bem, representou a classe de sargentos do BCAV. 8423. Ao tempo e devido à escassez de informação credível, todos nós sentíamos muita necessidade de, por exemplo, saber o que se passava em Portugal.
A Cimeira Angolana na primeira página
 do Diário de Lisboa de 9 de Janeiro de 1975


Costa Gomes na
Cimeira do Alvor

A Cimeira do Alvor estava marcada para 10 de Janeiro de 1975 e, na véspera - hoje se fazem 42 anos... -, soube-se que Costa Gomes, o Presidente da República de Portugal, presidiria à sessão de abertura.
«A Cimeira e a consagração de 13 anos de luta armada dos movimentos de libertação de Angola», reportava o Diário de Lisboa desse dia (na imagem), acrescentando que «não resolverá, certamente, todos os problemas da independência de Angola».
Jonas Savimbi, presidente da UNITA, por sua vez, alertou que os três movimentos, afinal «não estabeleceram em Mombaça uma plataforma de negociação comum com Portugal». «Subsistiram dúvidas», disse o presidente da UNITA, em declarações ao jornal «Le Soleil».
Ao Alvor ainda não tinha chegado nenhum dos presidentes dos três movimentos. Holden Roberto deveria aterrado às 11,20 horas, mas uma (alegada) avaria atrasou-lhe a viagem, desde Tunes. Esperava-se que Agostinho Neto chegasse «ao fim da manhã, princípio da tarde» e quanto a Jonas Savimbi «a sua chegada reveste-se do maior mistério». O próprio protocolo de Estado encarregado dos contactos com a sua delegação «não tinha qualquer previsão sobre a chegada».
O furriel Luís Capitão na
 passagem de ano da 1974
 para 1975, no Quitexe

Furriel Luís Capitão
faria hoje 65 anos

O companheiro Luís Capitão tinha esta singularidade: era Capitão de apelido e furriel miliciano de patente militar. Atirador de Cavalaria.
A curiosidade suscitava imensas brincadeiras entre a classe, com piadas e trocadilhos (nem sempre) adequados, mas a que ele sempre reagia com bonomia e boa disposição.
Luís Ribeiro Capitão, concluída a comissão angolana, regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975. E à sua Mata do Norte, em Caxarias, na freguesia da Urqueira, em Vila Nova de Ourém. Fez vida profissional como como maquinista da CP e, vítima de doença, faleceu a 5 de Janeiro de 2010 - a 4 dias de fazer 58 anos. Hoje, faria 65 e aqui o recordamos com saudade. RIP!

domingo, 8 de janeiro de 2017

3 635 - Apresentação formal do BCAV. 8423, a Cimeira no Alvor...

Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423 com um grupo de trabalhadores
 da Fazenda de Zalala: O Agra (Famalicão, do lado esquerdo) dividindo a
 viola com o Vargas, que hoje faz 65 anos. nos Açores. Quem será o ter-
ceiro, o da direita? É um dos cozinheiros de Zalala?

Idalmiro Vargas em Vista Alegre. Atrás, o
Joaquim Silva (Ciclista) e Manuel Almei-
da (Mira Daire). Três condutores de Zalala
 
O dia 8 de Janeiro de 1974, uma terça-feira, foi tempo dos primeiros «contactos formais propriamente ditos» do Batalhão de Cavalaria 8423 (BCAV. 8423), depois da «informal apresentação da véspera», no Destacamento do RC4), em Santa Margarida.
«A reunião de trabalho» deste dia, recorda o Livro da Unidade, realizou-se às 9 horas e «teve presentes os quadros do BCAV., tendo sido precedida de uma palestra a todo o pessoal, na qual foram expressos os princípios e hábitos de vida que teriam de nortear a vida do BCAV. durante o tempo em que, como unidade consti-
tuída, vivesse no RC4 e na RMA» - RMA, ou seja, a Região Militar de Angola.
Crachá do BCAV. 8423
foi desenhado pelo
alferes miliciano
Mário Simões
Alferes M. Simões, na actua-
lidade. Foi autor do crachá,
 «a partir de uma ideia do
 comandante»
Objectivo nuclear do comando e oficiais dos futuros Cavaleiro do Norte (e, dizemos nós, certamente dos serviços de acção psicológica do Exército, pela experiência capitalizada em 13 anos de guerra) era «desde o início instituir espírito de corpo ao BCAV., de modo a que se constituísse num todo coeso, disciplinado e disciplinador». A isso não foi indiferente, por exemplo, a necessi-
dade de «idealizar o futuro emblema braçal da Unidade, ao mesmo tempo que se desejou a sua plena identificação com a sua unidade mobilizadora».
Vale a pena recordar que coube ao alferes Mário José Barros Simões, da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, o «desenho» do crachá e emblema do Batalhão. «A partir de um ideia do comandante Almeida e Brito», explicou o então oficial miliciano.
Notícia do Diário de Lisboa de 8 de Janeiro
 de 1975 sobre a Cimeira do Alvor

Cimeira no Hotel
Penina do Alvor

Um ano depois, precisamente, os Cavaleiros do Norte jornadeavam pelo Uíge angolano e foi  anunciado o Alvor, no Algarve, como o local da Cimeira de Portugal com os 3 movimentos de libertação - MPLA, FNLA e UNITA. «Os hóspe-
des do Hotel Penina já começaram a ser trans-
feridos para o Hotel do Algarve, na Praia da Rocha», noticiava o Diário de Lisboa na sua edição de faz hoje 43 anos.
As delegações seriam formadas, cada qual, por 7 elementos «assistidos por juristas e técnicos», A de Portugal seria presidida pelo ministro Melo Antunes (sem pasta) e incluiria, já era certo, dois então representantes do Estado Português em Angola: o Alto-Comissário Rosa Coutinho (almirante) e o tenente-coronel Gonçalves Ribeira (Secretário de Estado da Administração Interna).
Os presidentes Agostinho Neto (do MPLA), Jonas Savimbi (da UNITA) e Holden Roberto (da FNLA) eram esperados no dia seguinte - 9 de Janeiro de 1975 - no aeroporto de Faro. Holden Roberto viajava de Libreville (via Túnis) e, referia o Diário de Lisboa, «ao que se julga no aviação pessoal do presidente Mobutu Sese Seko» do Zaire. Jonas Savimbi também estava em Libreville e admitia-se que viajasse no mesmo avião. 
O Diário de Lisboa, que citamos, não fala de Agostinho Neto, mas provavelmente viria o avião que, na tarde de 8 de Janeiro de 1975, voou de Luanda para Lisboa, com dirigentes do MPLA e da UNITA e que faria escala em Lusaka, para levar outros dirigentes angolanos. Refere o Diário de Lisboa que três dirigentes do MPLA já estavam em Lisboa: Lúcio Lara, Lopo do Nascimento e Paulo Jorge.
Manuel Idalmiro Vargas,
condutor de Zalala, há 41 anos

Vargas de Zalala
festejou 23 anos!

O dia 8 de Janeiro de 1975 foi tempo, pela terra uíjana de Vista Alegre, de o açoriano Vargas festejar 23 anos. «Um português dos Açores», como ele mesmo se identifica, orgulhoso do chão que lhe deu berço e vida.
Manuel Idalmiro Vargas foi soldado condutor da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala. Concluída a comissão angolana e certamente roído de saudades da terra, da família e dos amigos, regressou à sua bela ilha do Pico e por lá tem feito e ganho a vida, como empresário ligado ao sector dos combustíveis.
Participante regular dos encontros anuais dos «zalala´s», é lá (na açoriana ilha do Pico) que hoje festeja os seus felizes 65 anos e para onde mandamos o nosso abraço de pa-ra-bééééns!!!
- «Vargas, o açoriano e 
condutor». Ver AQUI

sábado, 7 de janeiro de 2017

3 634 - O 1º. Encontro do BCAV. 8423, os futuros Cavaleiros do Norte!

Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa: furriel Jesuíno Fernandes Pinto,
1º. sargento Fernando Mendes Pereira Norte (já falecido) e alferes milicianos
 Domingos Carvalho de Sousa e João Francisco Pereira Machado  



O dia 7 de Janeiro de 1974, em termos de história do Batalhão de Cavalaria 8432, foi do «encontro formal da maioria do pessoal do futuro Batalhão - oficiais, sargentos e praças -, no aquartelamento do Destacamento do RC4, e, Santa Margarida.
A maior parte dos futuros Cavaleiros do Norte conheceu-se nesse dia de já lá vão 42 anos e a maior curiosidade era a dos praças que iriam fazer a especialidade de atiradores de Cavalaria, já mobilizados mas, creio, sem ainda tal saberem. Curiosidade, principalmente, de conheceram os quadros (a maior parte deles), principalmente no que aos oficiais e sargentos dizia respeito - fossem do quadro, fossem milicianos! Eram quem mais proximamente iria lidar com eles!

Cimeira em Ofir, 
passou para o Alvor

O dia 7 de Janeiro de um ano depois (1974) seria o da anunciada chegada de Agostinho Neto, presidente do MPLA, a Lisboa, que, todavia,  não se confirmava. Viria mais tarde e para a Cimeira do Alvor, que nesse mesmo dia se apontava para se realizar na zona de Viana do Castelo.
«Apurámos que esta noite se aguarda a chegada de outro destacado elemento daquele movimento angolano, que fará parte da delegação na cimeira», reportava o Diário de Lisboa, precisando, sobre Viana do Castelo, que quer o Comando da Região Militar Norte, no Porto, quer o do Batalhão de Caçadores 9, em Viana, não confirmaram tal hipótese.
Acontecia, porém, que o coronel Eurico Corvacho, Chefe dos Estado Maior da Região Militar Norte, tinha estado na véspera em Viana do Castelo e especulava-se que a cimeira poderia decorrer num hotel da Praia de Ofir. Não foi, como hoje se sabe: foi no Algarve , no Hotel Penina, no Alvor.
Henrique Nunes Esgueira em
 1974/75 (em cima) e na actuali-
dade (baixo). Grande forma!

Condutor Esgueira
faz anos duas vezes!

O Esgueira foi condutor da CCS dos Cavaleiros do Norte e, a 7 de Janeiro de 1975, festejou 23 anos no Quitexe. 
Não faltou, seguramente, uma ida do Topete ou ao Rocha, ou ao Pacheco, e uns bons bifes com ovo a cavalo, regados a Cuca´s, ou Ekas´s, ou Nocais. 
Henrique Nunes Esgueira, natural de Figueira Redonda, da freguesia de Serra, em Tomar, nasceu, na verdade, a 7 de Janeiro de 1952 - quando veio ao mundo nas terras nabantinas -, mas, como era muito habitual naquele tempo, foi registado mais tarde.
Os pais foram ao Registo Civil apenas a 12 de Março seguinte e, para não terem da pagar a multa devida, deram esta data como a do nascimento - já o pimpolho tinha mais de 2 meses de vida.
«Minha mãe sempre me disse que, na verdade, nasci a 7 de Janeiro e é este dia que considero o do nascimento e nele faço anos», disse-nos o Esgueira, hoje mesmo, quando o felicitámos pela sexyyyynária idade e meia: 65 anos.
Actualmente, trabalha como empresário na área da construção civil e mora em Alfragide, na Amadora. Muitos parabéns!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

3 633 - Paz dos anjos no Uíge e acordo angolano em Mombaça

O quartel de Zalala, onde jornadeou a 1ª. CCAV. 8423 dos Cavaleiros
do Norte, comandada pelo capitão miliciano Davide Castro Dias. O homem
da foto é Alberto Pimenta (o Barbas), soldado atirador de Cavalaria

O alferes miliciano João Machado e o soldado clarim
 Alexandre Oliveira, também impedido da messe de ofi-
ciais, num momento desportivo em Aldeia Viçosa

O Dia de Reis de 1975 - hoje se fazem precisamente 41 anos!!!... -, pelas bandas do Uíge angolano, foi passado nas paz dos anjos. Foi uma segunda-feira e não havia correio de Portugal, mas se notícia boa levaram os Reis Magos aos Cavaleiros do Norte que por lá jornadeavam desde 6 de Junho de 1974, foi a da plataforma comum concertada pelos três movimentos de libertação de Angola, em Mombaça, no Quénia, e «após três dias de negociações», antecipando a Cimeira do Alvor, com o Governo de Portugal.

Presidentes plantaram
a árvore da sorte

O Livro da Unidade dá conta da cimeira e sublinha que «parecia, pela primeira vez, ter-se conseguido uma comunhão de interesses de todos os movimentos».   
O Quitexe visto da Igreja da Mãe de Deus. Os pavilhões
 da esquerda, já na parada do BCAV. 8423, eram as
 casernas do PELREC (o primeiro) e dos sapadores 
Os presidentes Agostinho Neto (MPLA), Holden Roberto (FNLA) e Jonas Savimbi (UNITA), com o do Quénia (Jomo Keniatta) plantaram até uma árvore (um mugumo) para assinalar o acontecimento. O mugumo era uma árvore sob a qual, segundo as lendas africanas, se rezava tradicionalmente pela boa sorte. Ficou plantada no State House, onde decorreram as negociações.
O Governo de Portugal, nessa altura, «congratulou-se com os resultados positivos obtidos nas conversações havidas em Mombaça, entre as delegações dos três movimentos emancipalistas de Angola», segundo o comunicado da Presidência da República.
O acordo, segundo o Diário de Lisboa de 6 de Janeiro de 1975, «representa(va) um passo decisivo para o processo de descolonização de Angola» e destacava, nomeadamente, «a declaração conjunta quanto à integridade territorial de Angola, em que os três movimentos consideram inequivocamente o Enclave de Cabinda com parte integrante do território». E, não menos relevante, MPLA, FNLA e UNITA «declararam-se desde logo na disposição de travarem as necessárias negociações com Portugal, aceitando a data e o local propostos por Lisboa». Isto é: 10 de Janeiro de 1975 e Alvor, no Algarve.
O Diário de Lisboa de 6 de Janeiro de 1975 noticiou a
 plataforma comum dos três movimentos angolanos
para a Cimeira do Alvor com Portugal

Exército de 30 000 
homens e 17 ministros

A questão militar era substantiva em todo este processo e os três movimentos «decidiram propor a Portugal um Governo de Transição com 17 ministros, sendo 5 de cada movimento e dois de Portugal»O Governo de Portugal, recordemos, sugeria 12, sendo 3 por cada uma das partes.
Outro problema era o das então futuras Forças Armadas. Os angolanos propuseram, de Mombaça, «uma força de 30 000 homens, para a qual cada parte contribuiria com um terço, sob um comando militar conjunto».
Portugal, durante o período de transição, «Portugal teria o direito de manter no território uma força igual que, contudo, seria desmantelada 4 meses antes da independência total».

Floro Gomes Teixeira, 1º. cabo
 enfermeiro de Santa Isabel, 65 anos
 na Quinta do Conde, em Sesimbra

Floro Teixeira, 23
anos no Quitexe !

O 1º. cabo Teixeira, dos Cavaleiros do Norte da Fazenda Santa Isabel, festejou 23 anos no Quitexe, onde a 1ª. CCAV. 8423 estava aquartelada desde 10 de Dezembro de 1974.
Floro Gomes Teixeira era natural de Coimbra mas, ao tempo, residia na Quinta das Laranjeiras, no Laranjeiro (Almada) e, na jornada angolana do Uíge, foi enfermeiro. Agora já aposentado, fez vida profissional do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa. 
Hoje mesmo, pelas bandas da Quinta do Conde, em Sesimbra, onde reside, está a comemorar a bonita idade de 65 anos. Isto é: sexyyyygenário e meio! Para lá vai o nosso abraço de parabéns!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

3 632 - Comandante em Vista Alegre e MPLA e FNLA de acordo...

Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel: furriel Graciano
Silva e alferes Mário Simões (atrás) e furriéis José Fernando Carvalho (à

direita) e Luís Capitão (à frente), falecido a 5 de Janeiro de 2010. RIP!!!

Capitão David Castro Dias, comandante da 1ª. CCAV. 8423
 (à direita), aqui com o alferes João Machado, da 2ª. CCAV.
 8423. Ambos milicianos dos Cavaleiros do Norte

A 5 de Janeiro de 1975, o comandante Almeida e Brito deslocou-se do Quitexe a Vista Alegre, onde se aquartelava a 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, e lá se reuniu com o capitão miliciano Davide Castro Dias e os seus oficiais.
O objectivo era o de sempre, «estabelecimento de contactos operacionais», e o então tenente-coronel que comandava os Cavaleiros do Norte fez-se acompanhar do seu oficial adjunto - o capitão José Paulo Falcão - e a escolta foi assegurada pelo PELREC, com os furriéis milicianos Neto e Viegas.
Furriéis milicianos Neto e Viegas, com o PELREC,
escoltaram o comandante Almeida e Brito na
 deslocação à 1ª. CCAV. 8423, em Vista Alegre

e há precisamente 41 anos

Cimeira de Mombaça
com... acordos!!!

O dia era de domingo e, em Mombaça, no Quénia, continuavam as negociações entre MPLA, FNLA e UNITA - a prepararem a cimeira do Algarve (que seria no Hotel Penina, no Alvor) com o Governo de Portugal - no dia 10. Numa coisa era seguro que os três movimentos acertavam posições: a integridade do território angolano. E, por isso, estava fora de hipótese que o Enclave de Cabinda não fosse parte de Angola. Era (é), diziam Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi. Em uníssono.
Novidade do dia, e das boas!!!..., era o acordo entre o MPLA e a FNLA, que decidiram, segundo o Diário de Lisboa, «pôr termo a todas as actividades que possam impedir uma aberta e sincera colaboração das duas organizações».
O acordo foi assinado pelos presidentes Agostinho Neto (do MPLA) e Holden Roberto (da FNLA) e igualmente «previa a defesa dos interesses do povo angolano, esforços no sentido de fazer desaparecer todos os vestígios do colonialismo e a cooperação dentro da esfera de acção de órgãos comuns para resolver os problemas dos angolanos»
O acordo previa também que «os signatários comprometem-se a não intervir nas questões internas da outra parte e a opor-se, por todos os meios, às manobras das forças reaccionárias que procura manter as relações injustas herdadas do colonialismo, de maneira a combater todas as tentativas de desunião nacional».
Os furriéis milicianos Luís Ribeiro Capitão (que fale.
 ceu há 6 anos, doa 5 de Janeiro de 2010, em Vila Nova
de Ourém) e João Cardoso, ambos da 3ª. CCAV. 8423

A morte do furriel
Luís Capitão

O furriel miliciano Capitão faleceu a 5 de Janeiro de 2010, vítima de doença e depois de uma vida de trabalho, como maquinista da CP.
Luís Ribeiro Capitão foi um garboso Cavaleiro do Norte, atirador de Cavalaria da 3ª. CCAV. 8423. A curiosidade honomástica do apelido (Capitão) e o seu posto (furriel) prestavam-se a vários trocadilhos e brincadeiras, a que sempre reagia com bonomia e boa disposição.
Foi um bom companheiro, desde a formação do Batalhão em Santa Margarida (no RC4) até e durante a nossa jornada africana do Uíge angolano.
A Ordem de Serviço nº. 164 regista um louvor, que lhe sublinha «o alto espírito de querer e inabalável vontade de cumprir», para além de ser de «bom trato social, altamente disciplinado e exigente disciplinador» e que se «mostrou sempre como exemplo de camaradas e subordinados».
O louvor destaca também o tempo em que colaborou na secretaria da 3ª. CCAV. 8423, função em que «confirmou em pleno toda a confiança já nele depositada, sendo incansável no trabalho, mesmo nas situações mais delicadas e difíceis que a companhia viveu». Salienta igualmente o facto de «sempre se oferecer, voluntariamente, para qualquer missão, por mais espinhosa que esta se apresentasse, merecendo, por tal, ver reconhecida a sua actuação» 
O furriel miliciano capitão faleceu há precisamente 6 anos, a 5 de Janeiro de 2010, em vésperas (dia 9) de fazer 58 anos. Aqui o recordamos, com saudade e em memória de um homem bom e um excelente companheiro de armas. RIP!!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

3631 - O último dia do PM 4281 no Quitexe! Acordo em Mombaça!

Cavaleiros do Norte no varandim da entrada do bar e messe de sargentos. Atrás, Fernando Pires e
 Luís Costa (ambos do Pelotão de Morteiros 4281), Graciano, Fernandes, Carvalho, Rocha e 1º. sargento
Marchã (a despejar um copo sobre o fernandes). Na segunda fila, Cardoso (de bigode), Flora (com a
  boca tapada pelo Fernandes) e Viegas (mão esquerda no ar). À frente, Abrantes (de cachimbo), Reino
 (tapado pela mão do Bento) e Bento (de bigode e mãos no ar). Dupla da frente: Rabiço (de bigode) e
 Ribeiro (meio deitado). Todos furriéis milicianos

Grupo de militares do PELMOR 4281 à mesa
 do Topete, provavelmente...,  e já a dizer adeus
ao Quitexe. Quem ajuda a identificá-los?

O 4 de Janeiro de 1975, um sábado, foi o último dia do Pelotão de Morteiros 4281 no Quitexe, rodando para Carmona. 
A rotação começara a 20 de Dezembro de 1974, integrada no plano de remodelação do dispositivo do BCAV. 8423, de que o PELMOR 4281 era uma das subunidades, por sinal a mais «antiga», e estava aquartelado na vila que era sede dos Cavaleiros o Norte.
Os furriéis milicianos Luís Filipe Costa, dos Morteiros,
e Joaquim Augusto Farinhas, dos Sapadores e infeliz-

mente falecido, de doença, a 14/07/2005, em Amarante
Os praças do grupo de combatentes formado no Regimento de Infantaria 12 (RI 12), em Abrantes, estavam instalados num pequeno pavilhão ao lado da padaria e do depósito de géneros, entre as messes de oficiais e de sargentos.

Um alferes, um 2º.
sargento e 2 furriéis


O alferes miliciano João Leite era o comandante do PELMOR 4281, que já estava no Quitexe quando lá chegou a CCS do BCAV. 8423 (os Cavaleiros do Note), a 6 de Junho de 1974. 
Quadros do PM eram também o 2º. sargento Fernando Gomes (um exímio atirador que, porém, estava «asilado» na secretaria do Pelotão, raramente, ou nunca, saindo em escoltas ou operações) e os furriéis milicianos Luís Filipe dos Santos Costa e Fernando Freitas Reimão Pires. 
Tinha partido para Angola a 17 de Abril de 1974 e, depois de uns dias de «estágio» no Campo Militar do Grafanil, deslocou-se para o Quitexe - onde, ao tempo, estava o Batalhão de Caçadores 4211, que os Cavaleiros do Norte foram substituir a 6 de Junho desse ano.
Pelotão de Morteiros 4281,
 «Rápidos de Certeiros 74/76

Acordo de Mombaça

entre os Movimentos

O dia 4 de Janeiro de 1975 foi um sábado e nesse mesmo dia se soube do (quase) acordo entre o MPLA, a FNLA e a UNITA, em Mombaça, no Quénia.
«Embora os três movimentos estejam ideologicamente muito separados, observadores políticos pensam que existem poucas dúvidas de que chagarão a um acordo mínimo sobre as questões básicas», noticiava o Diário de Lisboa.
Os presidentes Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi estiveram reunidos toda a manhã desse dia 4 de Janeiro de 1975 - uma reunião «rodeada de extremo sigilo e segurança» - e na véspera já o líder da UNITA se mostrara «bastante optimista», tendo mesmo dito aos jornalistas que «as conversações estão a decorrer dentro de um clima de cordialidade».
Os 1º. cabos João Monteiro, o Gasolinas, que hoje festeja
 65 anos (em V. N. de Gaia), e Manuel Marques, o Carpin-
teiro, subitamente falecido a 1 de Novembro de 2011 (em
 Esmoriz). Aqui, na parada do BC12, em Carmona

Monteiro, o Gasolinas,
23 anos no Quitexe

O sábado de 4 de Janeiro de 1975 foi também de festa no Quitexe, pelos 23 anos que nesse dia fez o Monteiro - o Gasolinas, assim lhe chamavam.
O 1º. cabo João Fernando Carvalho Dias Monteiro era especialista em combustíveis e lubrificantes - já perceberem porque lhe chamavam Gasolinas. Jornadeou pelo parque-auto, sob comando do alferes António Cruz, ou do 1º. sargento Joaquim Aires e do furriel Norberto Morais. Era (e é) boa gente.
Regressou a Portugal e à sua Águas Santas (a Braz Oleiro) e faz vida, entre algumas boas pescarias, em Chãos do Monte, de Vila Nova de Gaia. É lá que hoje comemora 65 anos e para onde vai o nosso forte abraço de parabéns!

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

3 630 - Cavaleiros para Carmona? Cimeira anunciada para o Algarve

Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, no Natal de Aldeia Viçosa, em 1974: al-
feres Carvalho (cortado e de bigode) e Machado, capitão José Manuel Cruz,
alferes Capela e furriéis Melo e...?. E o trio de pé? O da direita parece ser o Rito

Descanso de dois guerreiros de Zalala: os ati-
radores Manuel Joaquim F. Barroso e Alber-
to Abel A. Pimenta, este já a mostrar a barba
que ainda hoje é a sua imagem de marca
Aos primeiros dias de Janeiro de 1975 «começou a ser murmurada uma nova remodelação de dispositivo» do BCAV . 8423», como reflexo da evolução do processo de independência de Angola. Não por acaso, o comandante Almeida e Brito deslocou-se ao Comando de Sector do Uíge (CSU) no dia 3, para, segundo o Livro da Unidade, «estabelecimento de contactos operacionais».
O MPLA, a FNLA e a UNITA estavam em Mombaça, no Quénia, e em Lisboa anunciava-e que «a cimeira que reunirá os  presidentes dos três movimentos de libertação de Angola e representantes do Governo Português» iria realizar-se no Algarve. Faltava saber onde, sabendo-se que seria no dia 10.
Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savim-
bi reuniram em Mombaça, no Quénia, há pre-
cisamente 41 anos - dia 3 de Janeiro de 1975
Almeida Santos era o ministro da Coordenação Interterritorial e estava mais prudente, alertan-
do que «a realização da Cimeira, em última aná-
lise, do possível acordo entre os três presiden-
tes» - o de Mombaça. Falando ao Rádio Clube Português, comentou ainda que «se, na verda-
de, não for constituída uma frente comum ou plataforma conjunta dos movimentos face às propostas do Governo Português, o encontro previsto para Portugal poderá ser adiado».
A cimeira angolana noticiada no Diário de
 Lisboa de 3 de Janeiro de 1975
 Não foi, como sabemos.


Um Governo de
12 ministros

O enviado especial do Diário de Luanda a Mombaça anunciava que Portugal propunha a formação de um Governo de Transição formado por 12 ministros, sendo portugueses três deles e os outros «divididos equitativamente entre os três movimentos» - o MPLA, a FNLA e a UNITA.
«Os três movimentos deverão considerar, ainda, as respectivas posições perante a anunciada proposta portuguesa de que deverão dissolver as suas forças armadas e formar uma força unificada de defesa integrada, junto das tropas portuguesas», noticiava o Diário de Luanda, acrescentando que «a aceitação dessa proposta implicaria que cada um dos grupos entregasse o controlo militar das áreas onde tem operado e que tomaram durante a longa e cruenta guerra de guerrilha com os portugueses».
Outra notícia do dia 4 de Janeiro de 1975 tinha a ver com a posição de Portugal relativamente ao Zaire, por causa de Angola, comunicando ao Governo de Mobutu Sese Seko que «não tolerará quaisquer pressões ou interferências externas nos correntes esforços para transformar Angola num estado independente».
A posição foi tornada pública por Jorge Campinos, Subsecretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, numa conferência de imprensa em que lembrou que a missão oficial portuguesa ao Zaire, a 27 de Dezembro de 1974, já «manifestara essa firmeza de intenções às autoridades de Kinshasa».

Victor Faustino (no destaque), ladeado pelo (1º. cabo ope-
 rador-cripto) Abílio Gonçalves (à esquerda) e pelo (furriel)
António Fernandes, no encontro de Arganil, a 8/06/2013
Faustino de 22 anos,
agora na Austrália

O dia 3 de Janeiro de 1975, no Quitexe, foi tempo de festa dos 22 anos de Victor Manuel Faustino, soldado mecânico auto-rodas da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel mas já «rodada» na vila-sede dos Cavaleiros do Norte desde 10 de Dezembro de 1974.
Victor Faustino regressou à sua Lisboa, a Olivais Norte, em Setembro de 1975 e a vida levou-o até à Austrália, como emigrante e onde governou vida e ainda se encontra. Em 2013 e para, pela primeira vez, participar no encontro anual da 3ª. CCAV. 8423, viajou expressamente daquele país para os abraçar em Arganil. Imaginem, só: fez 16 800 quilómetros!!
«Valeu a pena», considerou ele, na altura, seguramente emocionado por lá encontrar e tantos companheiros da jornada angolana do Uíge.
- «O Faustino fez 16 800 quilómetros 
para estar em Arganil». - Ver AQUI

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

3 629 - O imortal furriel Luís Mosteias faria hoje 65 anos

Os furriéis milicianos Viegas (de Operações Especiais, os Rangers) e Mos-
 teias (Sapadores), que hoje faria 65 anos e faleceu a 5 de Fevereiro de 2013,
vítima de doença. No varandim do bar e messe de sargentos do Quitexe
Luís Mosteias, o único furriel matrimoniado da
 CCS dos Cavaleiros do Norte, com o filho Luís
 João, nascido a 23 de Setembro de 1974,
quando jornadeávamos pelo Quitexe



O dia 2 de Janeiro de 1975 foi o dos 23 anos de Luís Mosteias, furriel miliciano dos Sapadores da CCS dos Cavaleiros do Norte. O grande, inesquecível e imortal Luís João Ramalho Mosteias, que nos foi «roubado» a 5 de Fevereiro de 2013.
O Mosteias é daqueles companheiros que a morte não leva da memória. A jornada africana do Uíge angolano não teria sido igual, seria menos feliz e desconvencionada, sem a irreverência, a inteligência, a coragem, o garbo, a solidariedade permanente, a cumplicidade viva e sempre assumida, sem hesitações, deste grande Cavaleiro do Norte.
Furriéis milicianos Viegas, Mosteias e Neto,
 em 1975, três amigos Cavaleiros do Norte
 nas traseiras da messe de Carmona

Furriel, o único
casado e... pai!

Luís Mosteias era o único furriel miliciano casado da CCS, por isso muitas vezes alvo de brejeiras piadas, que nunca lhe tiraram o brilho da paixão, tão embriagado d´amores estava por Leonor Aragão, namorada que levou ao matrimónio antes da partida para Angola.
Já na nossa missão quitexana, foi pai de Luís João, agora actor - o que, nos fins de Setembro de 1974, foi motivo de farta festa. Pelo motivo, alvo até de brincadeiras que aceitou com bonomonia e graça, gracejando e embebecendo-se pela imensa e irrepetível felicidade de ser pai pela primeira vez!!!
Um terrível doença privou-nos do inquestionável companheirismo deste alentejano de Cabeção, em Mora - que ao tempo morava na Amadora e a morte foi «apanhar» no Hospital do Litoral Alentejano. Morava em Vila Nova de Santo André, depois de profissionalmente tirocinar pelo Montijo e Lisboa. 
Hoje, faria 65 anos e seria dia de farta e cúmplice conversa para os festejarmos. Levou-o a morte, mas não nos levou (esta) a saudade imorredoura de um grande companheiro! Até um destes dias, ganda Mosteias!
Notícia do Diário de Lisboa de 2 de Janeiro de 1975,
sobre a pré-cimeira de Mombaça, entre Agostinho
 Neto, Jonas Savimbi e Holden Roberto

Neto, Savimbi e Holden
na pré-cimeira de Mombaça

A 2 de Janeiro de 1975, os presidentes do MPLA, da UNITA e da FNLA preparavam-se para reunir em Mombaça, no Quénia, preparando a cimeira com Portugal - já marcada para o dia 10 de Janeiro.
Agostinho Neto, Jonas Savimbi e Holden Roberto, segundo o relato do Diário de Lisboa, «procurarão chegar a acordo entre si, com vista à próxima abertura de negociações com o Governo português, sobre a independência de Angola».
A pré-cimeira iria ter a participação de Munyua Waiyaki, ministro queniano dos Negócios Estrangeiros, e os três dirigentes nacionalistas angolanos fariam. nesse mesmo dia de há 41 anos, uma visita de cortesia ao Presidente Kenyatta, na passagem por Nairobi.
- «O Mosteias que era casado e foi pai». - Ver AQUI
- «O di de Pai Mosteias no Quitexe uíjano de Angola». Ver AQUI
- «O meu Amigo Mosteias». - Ver AQUI
- «A morte do amigo Mosteias». - Ver AQUI

domingo, 1 de janeiro de 2017

3 628 - Ano Novo no(s) Quitexe e Cavaleiros em festa de anos!

Grupo de furriéis milicianos dos Cavaleiro do Norte, na frente do bar da messe de sargentos do Quitexe
 e no dealbar de 1975, dia 1 de Janeiro: Ribeiro, Fernandes (de bigode), Viegas, Belo (de óculos), Grenha
  Lopes (tapado pelo Abrantes), Bento, Costa (do Pelotão de Morteiros) e Flora. O trio da frente: Rabiço,
Graciano e Abrantes (adido à CCS, de cachimbo)


Os furriéis milicianos António Carlos Letras (que hoje
 faz 65 anos, em Palmela) e António Chitas, ambos da 2ª.
CCAV.  8423 e em 1975, num passeio às angolanas
 Quedas do Duque de Bragança
O mês de Janeiro de 1975 era o oitavo da nossa jornada africana de Angola, por terras do Uíge, e o primeiro dia, o de Ano Novo, foi bem vivido lá pelo Quitexe. E por Aldeia Viçosa e Vista Alegre/Ponte do Dange.
O dia foi de aniversário de três Cavaleiros do Norte: os furriéis milicianos Reino e Letras (ambos de Operações Especiais, os Rangers) e o soldado Francisco José Matos Madaleno, atirador de Cavalaria.
Alberto Ferreira,  João Pinto,  Francisco Madaleno (que
 hoje faz 65 anos na Covilhã) e João Marcos: quarteto
 de Cavaleiros do Norte do PELREC (da CCS)
O Armindo Henriques Reino era da 3ª. CCAV. 8433, a da Fazenda Santa Isabel, e natural da Aldeia do Bispo (no Sabugal), como aqui já contámos, celebra anos em dois dias: nasceu a 28 de Dezembro de 1951 e também os celebra a 1 de Janeiro, devido ao atraso no registo de nascimento - feito neste dia de 1952. 
O mesmo acontece com o Francisco José Matos Madaleno nasceu a 1 de Janeiro de 1972, na Covilhã, mas só foi registado a 3 de Fevereiro seguinte. Por aqueles tempos era normal, diríamos, assim acontecer. Mais tarde, garboso Cavaleiro do Norte do PELREC, concluiu a sua (e nossa) jornada africana de Angola e regressou à Estrada do Cimeiro - de onde se fez à vida, casou, é bom marido, foi pai, é avô e mandou para trás das costas alguns problemas de saúde que lhe atrapalharam o... coração. 
Aposentado, está «para as curvas», como ainda há momentos se confirmou através destas modernidades de comunicação que são os facebooks e os telemóveis. Que nada tem a ver com os aerogramas do nosso tempo.

O Letras aos 65 anos!
Muito bem conservados!

Alentejano do Gerez
em... Aldeia Viçosa


O António Carlos Dias Letras, filho de alentejanos ao tempo itinerantes por razões profissionais do pai, nasceu na transmontana Barragem da Venda Nova, na serra do Gerez, concelho de Montalegre. E foi parar a Aldeia Viçosa. no Uíge angolano.
A mãe era de Baleizão, a mítica aldeia de Catarna Eufêmia, no concelho de Évora. Tomou-se amores por um rapaz de Vila Nova da Baronia, do alentejano Alvito. Casaram e trabalhando ela para uma empresa construtora de barragens (a ITEL), o casal foi d´amores,  armas e bagagens para o norte, ali nascendo o prendado futuro furriel miliciano de Operações Especiais dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa. Trabalhava o pai na construção da tal e sobredita Barragem da Venda Nova.

1º. cabo Joel Catarino
morreu há 34 anos

O da de Janeiro é também de luto, pela morte, em 1983, do 1º. cabo Joel Catarino, da 3ª. CCAV. 8423.
Joel Carlos Gonçalves Catarino era atirador de Cavalaria e jornadeou pela Fazenda Santa Isabel e Quitexe, antes de rodar para Carmona e Luanda. Regressou a Portugal a 11 de Setembro de 1975, fixando-se na sua natal terra de Paivas, na Amora (Seixal). Faleceu há precisamente 34 anos, mas desconhecemos o motivo. Recordamo-lo com saudade! RIP!!!