CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

6 919 - Adeus Luanda, adeus Angola! Olá Lisboa e a nossa gente, há 47 anos!...

O ex-furriel Viegas na ilha e com a cidade de Luanda ao fundo, a 9 de Outubro
de 2019, quando lá voltou em visita de saudades e de memória da jornada africana
do Uíge de 1974/1975







A redescoberta de Angola foi tema de uma reportagem
de 6 páginas (aqui, as 2 primeiras) do suplemente «B.i»,
do jornal «Sol», semanário nacional de Lisboa. Em
baixo, as páginas 3 e 4 



 A 8 de Setembro de 1975 de já lá vão 47 anos e por esta hora de escrita, voavam os Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423 pelos céus de África, a caminho de Lisboa, galgando os mais cerca de 5800 quilómetros de viagem aérea que separa as duas capitais.
Luanda, que ainda vimos do ar durante alguns minutos, sobrevoando a baía e olhando o Mussúlo e a enorme metrópole urbana que era a capital angolana... - enquanto o Boeing 737 dos TAM apontava rumo à Europa e às nossas berças -, Luanda ficava para trás, com os seus mistérios e as suas dores, em ambiente hostilizado pela guerra que (ainda) levaria anos e anos a matar, até que ela própria morreu.
A viagem, de mais ou menos 8 horas, dava (e deu) para chegar ao fim da tarde a Lisboa, onde nos esperava o Benício, motorista da fábrica do pai do Neto. Ele nos traria para Águeda e lá estava! Foram horas, as de viagem, horas de dar corda à imaginação e à emoção.


A chegada a casa
de... surpresa !


Saíra eu de casa, meses depois da morte de meu pai, e a ela regressava sem dizer que chegava. Ia aparecer de surpresa e dela (da surpresa) tinha cuidado bem guardar, por exemplo através do Neto, pedindo à mãe que à minha nada dissesse, se se encontrassem no mercado de Águeda, o de 6 de Setembro (que era sábado).
Só tinham passado 15 meses desde que saíramos de Lisboa, mas pelas nossas vida tinha passado um mar de coisas, no turbilhão da vida que então mudou Portugal. E a minha mãe? As minhas irmãs e cunhados?! E os meus sobrinhos?! Já tinha três e só conhecia a Susana e o Zé Fernando, ambos meus afilhados. A Marta nascera dias antes, a 10 de Agosto! E os vizinhos? E os amigos? E Portugal?
O céu de Lisboa deixou-se rasgar pelo Boeing 737 dos TAM e os perto de 200 passageiros desceram, todos estranhando a leveza do sol, a diferença de cheiros, a forma como os militares se apresentavam e as pessoas andavam. Também nós chegávamos a um país novo e já lá vão 47 anos!
Angola ficava para trás dos nossos destinos. Mas lá voltei em 2019, para «matar» saudades e avivar memórias!




quarta-feira, 7 de setembro de 2022

6 918 - O domingo de 7 de Setembro de 1975: a véspera do adeus a Angola que vamos para Portugal!

 

Cavaleiros do Norte no telheiro do bar e messe de sargentos do Quitexe, todos furriéis milicianos: Viegas (a beber), Carvalho (de bigode, Bento (mais atrás), Flora, Capitão (já falecido) e Rocha. À frente, Ribeiro, Reino e Grenha, mais o sodado Lajes (o barman) 
Quarteto de furriéis da CCS no encontro de Mortágua,
em 2015: Cruz, Viegas, Dias e Neto


O dia 7 de Setembro de há 47 anos!!..., o de 1975, era domingo e a azáfama foi grande no aquartelamento do Grafanil, onde se faziam vésperas da viagem da CCS dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 para Lisboa.

De malas feitas e apresentação sempre bem ataviada, todos contávamos as horas, os minutos e os segundos que não mais morriam, para o nosso momento do regresso a casa. Seria a partida às 11 horas do dia seguinte, do aeroporto de Luanda - onde devíamos estar entre as 7 e as 8!!!. E onde chegaríamos, de malas na mão e coração alvoraçado, com a alma cheia de ansiedade.
Não havia sorriso que não se pudesse medir a metro! Era de orelha a orelha, era grávido de alegria, enchia todo o imenso campo militar - por onde debutaram a guerra, dezenas e dezenas de jovens militares portugueses.
O ex-furriel Viegas na fortaleza de Luanda e
com a baía ao fundo,  10 de Outubro de 2019
«Então malta, amanhã lá vamos...», disse o Neto, gritando como só ele gritava, entre a algaraviada de sons e gritos, e ais!!!, e saltos!!!, e as patetices dos momentos que se casam com a felicidade!!, gritando na caserna dos bravos Cavaleiros que se iam fazer aos ares do atlântico, de Luanda para Lisboa!
O dia começou com alvoroços, para mim e para o Neto, que disséramos adeus a Viana logo no bem cedo da manhã e viajávamos no Honda, em que carregávamos as últimas malas e adereços. Fomos de novo «apanhados» no posto de controle que fôra da PSP, na estrada de Catete - que ia de Luanda a Viana e por aí fora, para o sul da gigantesca Angola. Já por ali nos assustáramos, numa outra vez, com a malvadez de uns imberbes armados, que nos quiseram assaltar. Desta feita, queriam eles e de novo de arma em punho, sacar-nos as garrafas de whisky que tínhamos em armazém de poupanças e carreávamos para Portugal. Ai, mas quais quê, exaltou-se o Neto.
«Vocês roubam-nos mas é o car....!!! Filhos da p...», gritou ele, enraivecido. E vigorosamente ameaçou os vários adolescentes armados, até que veio gente adulta, que repôs a calma e lá fomos nós para o Grafanil!
Galhofámos pelo campo militar até à hora do almoço, que fomos comensar a Luanda e combinados com o PELREC de estarmos todos juntos na nossa última de Angola. Mais ou menos o mesmo fizeram os outros pelotões.

nevitável bife com ovo a cavalo na

A última noite
foi sem jantar...

O Albano Resende, o meu amigo civil (na foto, comigo, na ilha de Luanda, com o mar em fundo...), tinha descoberto sítio de bom camarão e gambas e foi de marisco a almoçarada. Farta!, bem apetitosa!, bem regada de cerveja!, e com o inevitável bife com ovo a cavalo na sobremesa. Pffff...
Andámos pela tarde dentro em juvenil galderice pela cidade e, de pé, olhámos a baía - ali ao lado da marginal, vista da sombra do Banco de Portugal.
 Já com a alma cheia de saudades, já com a nostalgia a engravidar-nos emoções e sentidos. Adeus Albano!, adeus Luanda!, adeus cheiros e paladares de Angola!
E lá fomos nós para o Grafanil, já sem direito a jantar. Que não havia! Sorte nossa foi alguém do grupo ter sido achado por um conterrâneo com pastelaria na capital e que, já não sei em que condições, nos levou dúzias de pasteis e garrafas de vinho branco, com que nos fomos saciando e degustando pela noite dentro.
A última madrugada africana nasceu tranquila e com toda a gente a postos, prontinha para a última viagem. A do regresso! A noite foi passada em fartas memórias e estórias dos nossos 15 meses de Angola!

terça-feira, 6 de setembro de 2022

6 917 - 6 de Setembro de 1975, a 2 dias do regresso a Portugal! O (não) «roubo» das caixas de whisky !...

ç
Os Cavaleiros do Norte da CCS no último encontro anual, o de 1 de Junho de 2019, em Rans
(Penafiel). E já lá vão 3 anos, devido á pandemia da COVID 19. Até sábado, companheiros!

O capitão Domingues e o furriel Viegas, em Luanda e
com os irmãos
 Albano e José Bernardino Resende, com
a esposa Fátima e as filhas deste casal

Os Cavaleiros do Norte da CCS vão encontrar-se no próximo sábado, em Braga, festejando os 47 anos da chegada de Angola. Que foi a 8 de Setembro de 1975. 
Mataremos e avivaremos as saudades «mortas» e multiplicadas pelos anos de pandemia.
Que contradição esta !!!...
E que dia será o de sábado próximo!!!
Há 47 anos, no sábado de 6 de Setembro de 19785, Cavaleiros do Norte estavam a apenas dois dias da operação aérea de regresso a Portugal e, cada qual por seus meios, fazem despedidas de quem lhes é mais próximo, familiares, amigos e conterrâneos que vivem por Luanda bairros periféricos.
blogger, à boleia do
 conterrâneo Albano Resende, percorreu a cidade de Luanda de lés a lés, para abraços de despedida e conforto para os que por lá vão ficar, alguns com as famílias: os irmãos Resende (José Bernardino, a esposa Fátima e filhas, Manuel Maria e Albano), Cândida (marido e filho), Zé Martinho (esposa Emília e filhos), Neca Reis (o Taipeiro, esposa e filha), Mário e Benedita (e filha Fernanda, genro e netos), Clemente (esposa e filha), João Lopes. De Nova Lisboa e Gabela, não chegavam notícias dos irmãos Cecília (marido Rafael, filhos Idalina, Fátima, Saudade e Valter e mãe Isolina, minha madrinha de baptismo e já falecido) e Mário Neves (esposa e 4 filhos), do Anacleto, Leontina e família, e o chegar do dia da nossa partida apertava-nos a alma.
De toda esta amiga gente, já faleceram José Bernardino, Cândida, Neca, Bendita, João Lopes, Clemente, Rafael, Isolina, Mário Neves e Leontina
Percorremos o aeroporto, onde se concentravam milhares de civis à espera de boleia para Lisboa, nas não achámos ninguém dos «nossos». Prometeu o Albano que, nos dias seguintes, continuaria a passar por lá e fomos à Emissora Oficial e Angola, para saber de algum recado das nossas mensagens para saber dessa gente. Nada soubemos, até ao dia da partida!
Brigadeiro Ferreira de Macedo, Agostinho Neto e almi-
 rante Leonel Cardoso (de pé) e comandantes, do MPLA, 

Magalhães Paiva (Nyumba), Jacob Caetano (Monstro 
Imortal) e Zacarias  Pinto (Bolingó). Data desconhecida

A missão que
ninguém queria!


O novo Alto Comissário de Portugal em Angola chegara na véspera a Luanda e a imprensa deu conta das suas intenções.
«A construção de um país não pode ser obra  de uma dúzia de dirigentes mas sim de um povo», disse o almirante Leonel Cardoso, depois de se lamentar: «Parti de Lisboa sem o conforto da presença no aeroporto de qualquer responsável político ou militar, ou seus representantes, a levar-me uma palavra de despedia de simpatia e de encorajamento».
O novo Alto Comissário Português em Angola acrescentou que «não será este facto, talvez único de embarque de dezenas de pessoas a qual alguma vez coube a honra de governar Angola, que fará esmorecer a sede em que venho animado e me levou a aceitar a missão que ninguém queria».


Neto, Viegas e Monteiro (no Quitexe, em 1974) 
moraram em Viana, de Angola, de 4 de Agosto
 a 7 de Setembro de 1975

O (não) «roubo» das
caixas de whisky !...

A 6 de Setembro de 1975, fizemos (eu, o Neto e o Monteiro) as malas para levar de Viana para o Grafanil, onde seriam (e foram) juntas às de toda a outra malta da CCS. Em mão, no avião que nos trouxe para Lisboa, apenas traríamos bagagem pequena.
Julgo ter sido desse dia um incidente no posto da PSPA, entre Viana e o Grafanil, onde fomos interpelados por homens do MPLA, armados, que a todo o custo nos queriam revistar o pequeno carro do Neto e levar as caixas de whisky que religiosamente guardáramos para trazer. No mesmo sítio, poucos dias antes, a interpelação fora dos chamados pioneiros - jovens armados, os do chamado poder popular!!! - e o Neto, como sempre muito mais impulsivo que eu, reagiu à intimação de forma violenta e rapou, até, de um revólver que tinha comprado em Carmona. Eu, devo ter ficado de todas as cores.
«Somos militares!...», gritou-lhes o Neto, a ameaçar que dava cabo de toda a gente, se não nos deixassem avançar.
Nós estávamos à civil (íamos ao quartel entregar a bagagem e seguir para Luanda) e pouco dispostos a deixar-nos roubar, pelo que essa de nos revistarem o carro, era coisa que não aceitávamos. 
Os PSP´s presentes (uns três ou quatro, não mais...) nada fizeram, para além de encolherem os ombros e olharem, quase indiferentes, os homens a ameaçarem-nos e com uma metralhadora em cada mão!!! Eu, molhava-me de suores frios, sem arma; o Neto, de revólver na mão, barafustava o mais alto que lhe dava a garganta!
A situação acabou por se resolver, mas não esqueço o medo que senti nessa manhã.
«Sabes o perigo que corremos?», perguntei eu ao Neto, já no Grafanil e ainda lívido.
« F....-os a todos», disse-me ele, convicto da eficácia do revólver que comprara em Carmona e sempre trazia no bolso, quando em trânsito à civil.

José Nunes (2017)

Nunes de Aldeia Viçosa,
faz 70 anos em Leiria!

O soldado José Nunes, condutor-auto dos Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa e comandada pelo capitão José Manuel Cruz, festeja 70 anos a 8 de Setembro de 2022. 
José Nunes, assim mesmo e apenas, é o seu nome completo e a subunidade também passou pelo BC 12, em Carmona - a capital do Uíge e que tomou este nome apos a independência. 
Regressou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975, a Maceira Liz, nos arredores de Leiria. Lá continuou e lá vive, agora no Vale do Salgueiro, da freguesia da Maceira. Foi o organizador do encontro de 2011, a 24 de Setembro, com almoço no Casarão. Para ele vai o nosso abraço de parabéns! E venham mais felizes anos para este companheiro de Leiria.

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

6 916 - O novo (e último) Alto-Comissário de Portugal! A (não) invasão sul-africana de Angola!

O almirante Leonel Cardoso, o último Alto Comissário de Portugal
 em Angola, no discurso de 10 de Novembro de 1975
Notícia do «Diário de
Lisboa» de 06/09/197
5


Aos 5 dias dias de Setembro de 1975, uma 6ª.-feira de há 47 anos, chegou a Luanda o novo Alto Comissário, que viria a ser o último: o almirante Leonel Cardoso.
Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 continuavam aquartelados no Campo Militar do Grafanil e a riscar dias do calendário, expectantes quando ao dia 8, que seria (e foi) o do embarque para Lisboa. E já não no navio «Niassa», mas num avião dos Transportes Aéreos Militares (TAM), tal com o aqui temos lembrado.
Leonel Alexandre Gomes Cardoso chegou confiante e, numa entrevista ao jornal «O Comércio», de Luanda, disse ir fazer tudo o que fosse possível para «restabelecer a paz no território» e que, para tal e se necessário fosse, «as tropas portuguesas estariam à disposição, para intervir».
A chegada do almirante português coincidiu com um período frio das negociações entre o MPLA e a UNITA, depois de um recente encontro de Lisboa ter «aberto vias de colaboração». Na verdade, na véspera e segundo um comunicado do MPLA (movimento presidido pelo médico Agostinho Neto), as suas forças «rechaçaram o avanço de tropas da UNITA no Alto da Chipaca», no leste de Angola. E, por outro lado, «fizeram abortar uma tentativa daquele movimento para ocupar Cubal e Ganda, no sul».
O condutor Henrique Nunes Esgueira, Cavaleiro do
Norte da CCS do BCAV. 8423, junto da placa de entrada
da vila do Quitexe, há 48 anos!

Unidade sul-africana em 
território angolano...

As escaramuças entre MPLA e UNITA, há 47 anos e nas vésperas de os Cavaleiros do Norte regressarem a Portugal, eram coincidentes com a presença de uma unidade sul-africana em território angolano.
A (não) invasão (?).
O governo português veio explicar que a 12 de Agosto o governo sul-africano lhe comunicara a entrada de um pelotão de 30 homens para proteger a bombagem de água de Calueque, próxima da fronteira e para proteger os seus trabalhadores.
A estação era considerada «vital para a população ovando daquela zona». Todavia, os relatos do MPLA iam noutro sentido: invasão do território pela fronteira da Santa Clara e ocupação das cidades de Pereira d´Eça e General Roçadas.
Uma nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros português dava conta, a 5 de Setembro de 1975 e chamando a atenção da África do Sul, para «certas indicações de que, a partir do território da Namíbia, estavam ocorrendo no distrito do Cunene, no sul de Angola, infiltrações de mercenários e forças ainda não verdadeiramente identificadas».
A África do Sul respondeu e vincou a sua «política de não ingerência, de acordo com a qual não permite que mercenários, ou outras forças, operem a partir do seu território, ou de de território sob seu controlo».
Assim ia o período pré-independência de Angola. Há 47 anos!

Rafael S. Farinha

Farinha, mecânico, 70 anos
na Serra da Luz de Odivelas!

Rafael Serra Farinha foi 1º. cabo mecânico-auto da CCS, no Quitexe e em Carmona, e amanhã está em festa dos 70 anos. Dia 6 de Setembro de 2022.
Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, era (e é) residente na Serra da Luz, da então freguesia de Odivelas do concelho de Loures. Lá voltou a 8 de Setembro de 1975, no final da sua (e nossa) comissão militar em Angola, e por lá faz vida profissional, continuando ligado à mecânica-auto e ao comércio do ramo automóvel, com estabelecimento na Pontinha, no agora concelho de Odivelas.  
Para lá e para ele vai o nosso abraço de parabéns!

domingo, 4 de setembro de 2022

6 915 - O 8 de Setembro e o leitão à Bairrada! FNLA e UNITA fora de Luanda e paz no MPLA!



Os furriéis milicianos Neto e Viegas, em 1974 e no Quitexe, no adro da Igreja de
Santa Maria de Deus e com a sanzala do Cazenza ao fundo 

Os furriéis Viegas e Neto, ambos de Águeda e da
CCS, costumam assinalar o 8 de Setembro com
leitão á Bairrada e espumante. Aqui, em 2014

A 4 de Setembro de 1975, há 47 anos e em Luanda, a preparar malas para a voltar a Lisboa, já sabíamos que do navio «Niassa» passávamos para um avião dos TAM, mantendo-se a partida da CCS para o dia 8. 
Dia muito esperado e que era já na segunda-feira seguinte. Só aue ainda  estávamos numa quinta, mas de 10 dias de viagem marítima passar para 8/9 no ar, era (foi) ouro sobre azul.
O tempo, mesmo assim, é que não passava, não andava, não corria..., enquanto escaramuças se repetiam na capital angolana. Mas lá voltámos a Portugal e aos nossos chão, família e amigos!. 
«Sãos e salvos», como então se dizia!
A coincidência de, na primeira década do século X, se realizar em Águeda a Festa do Leitão, por esta altura, fez-nos (a mim e ao Neto) «fazer» o hábito de celebrarmos o dia, com um bem apaladado e regado almoço do dito cujo. Sempre que coincidia com o dia 8, era almoçarada no dia 8. E at+é se deu o caso de, em 2008, ser partilhado com o Monteiro (da CCS), o Pinto e o Rodrigues (da 1ª. CCAV., este infelizmente falecido a 30 de Agosto de 2018). 
Nem vale a pena sublinhar o imperativo: falou-se, à brava, dos Cavaleiros do Norte.    
Jornal «A Província de Angola»
de 4 de Setembro de
1974

FNLA e UNITA fora de 
Luanda e paz no MPLA!

Recuando no tempo, há 47 anos e já por aqui o dissemos, eram vésperas do regresso a Portugal e Luanda continuava hostil à tropa portuguesa. A desmotivação era geral, entre as NT, e faltava alimentação e combustíveis, gasolina e gás. Já nem falando da igual (ou maior e pior) hostilidade dos movimentos. 
A tropa da FNLA e da UNITA tinha sido expulsa pelo MPLA, mas ficaram militantes.
MPLA e FNLA continuavam a combater a norte do Caxito e os homens de Agostinho Neto controlavam a barragem de Mabuba, assim assegurando o fornecimento de água a Luanda, a partir da estação de Quifangondo. No Cubal e Ganda (a sul), eram o MPLA e a UNITA que se inimizavam de armas em punho. Quais acordos, quais carapuças?! 
O MPLA noticiava ter expulso as (por ele) ditas forças invasoras (alegadamente) da África do Sul, da Namíbia - onde tinham tomado as cidades de General Roças e Pereira d´Eça.
Um ano antes e com  os Cavaleiros do Norte ainda aquartelados no Quitexe (a CCAS), em  Zalala (a 2ª. CCAV .), Aldeia Viçosa (a 2ª. CCAV.) e Santa Isanel (a 3ª. CCAV. 8423), o jornal «A Província de Angola», que se publicava em ÇLuanda - o actual «Jornal de Angola» . noticiava que estava regularizadas as divergências interna do MPLA - Agostinho Neto continuava como presidente e Daniel Chipenda e Pinto Andrade eram vice-presidentes.
Outras notícias tinha a ver com Cabinda e a formação do Governo Provisório de Angola.
Um ano depois, o 8 de Setembro de 1975, o do regresso a Portugal, já estava a bater à porta!

Victor Velez




Velez, furriel de Zalala, 
70 anos em Lisboa !


O furriel miliciano Velez, atirador de Cavalaria de especialidade militar e combatente da 1ª. CCAV. 8423, festeja 70 anos a 5 de Setembro de 2022.
Cavaleiro do Norte de Zalala, 
Victor Manuel da Conceição Gregório Velez, de seu nome completo, chegou a Angola sem saber que ia mobilizado para o BCAV. 8423 (tendo por coincidência viajado no mesmo avião) e integrava o Grupo de Combate comandado pelo alferes miliciano Pedro Rosa. Também passou pelo Quitexe e rodou por Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona. Morava em S. Sebastião da Pedreira (na rua Gonçalves Crespo), em Lisboa, e lá voltou a 9 de Setembro de 1975, no final da sua (e nossa) jornada africana do norte uíjano de Angola.
Para lá vai e para ele vai o nosso abraço de parabéns! E mais, mais e bons anos, caro Velez!


sábado, 3 de setembro de 2022

6 914 - Os PELREC´s reunidos, há 47 anos, para o seu adeus a Angola...


O PELREC da CCS do BCAV. 8423 e, imagem de partida para mais uma operação,
em 1974, nas matas uíjanas no norte de Angola. Estão identificados no texto


PELREC´s em 2010: Florêncio e António,
furriéis Neto e Viegas e 1º. cabo Albino 

Alferes Garcia
e soldado Gomes


Os «pelrec´s da CCS do BCAV. 8423 juntaram-se no Grafanil, por estes de Setembro de 1975, para uma espécie de despedidas. Afinal, tínhamos sido irmãos durante um pouco mais de 20 meses e por Angola, nos 15 da nossa jornada africana, multiplicáramos o sentimento de solidariedade e companheirismo.
O que vai(s) fazer, o que não vai(s) fazer na vida, boa sorte para ti, boa sorte para todos, assim foi, com uma cucas bem frescas - ou talvez nocais, ou n´golas, as boas cervejas angolanas do tempo!!! - o tempo de pré-adeus dos garbosos cavaleiros do norte do PELREC, comandados pelo alferes Garcia.
De alguns, voltei a saber deles pela vida fora. É do que hoje sei que vou falar, tendo a foto como base.
Em cima, da esquerda para a direita:
- ALMEIDA, 1º. cabo Joaquim Figueiredo de Almeida. Era de Penamacor e faleceu a 28 de Fevereiro de 2009, vítima de doença.
- MESSEJANA. Soldado João Manuel Pires Messejana. Foi agente da PSP e faleceu a 27 de Novembro de 2009, em Lisboa, de doença, aos 57 anos.
- CORDEIRO. José Manuel de Jesus Cordeiro, soldado, morador em Bezerra (Porto de Mós).
- SOARES. Fernando Manuel Soares, 1º. cabo, morador no Laranjeiro (Almada). Faleceu em Março de 2918.
- FLORÊNCIO. Augusto Florêncio, soldado, morador no Sardoal.
- MARCOS. João Manuel Lopes Marcos, soldado, morador no Pego (Abrantes).
- PINTO. João Augusto Rei Pinto, 1º. cabo, morador em Corroios (Seixal).
- CAIXARIAS. Raúl Henriques Caixarias, soldado, aposentado, morador em Sarge (Torres Vedras).
- FLORINDO. Vitor Manuel Nogueira Florindo, enfermeiro, empresário na área da restauração, no Cartaxo.
Em baixo:
- VICENTE. Jorge Luís Domingos Domingos Vicente, 1º. cabo, falecido a 21 de Janeiro de 1977, vítima de doença. Era de Vila Moreira (Alcanena).
- VIEGAS. Celestino José Pinheiro Morais Viegas, furriel miliciano, residente em Óis da Ribeira (Águeda).
- FRANCISCO. Vitor José Ferreira Francisco, soldado, morador na Marinha Grande.
- LEAL. Manuel Leal da Silva, soldado, do Pombal. Falecido a 18 de Junho de 2007, vítima de doença súbita.
- MOREIRA (?). Wilson da Silva Moreira, soldado de transmissões.
- HIPÓLITO. Augusto de Sousa Hipólito, 1º. cabo, residente em França.
- AURÉLIO (Barbeiro). Aurélio da Conceição Godinho Júnior, soldado, empresário do sector comercial e morador em Pias (Ferreira do Zêzere).
- MADALENO. Francisco José Matos Madaleno, soldado, carpinteiro, residente na Covilhã.
- NETO. José Francisco Rodrigues Neto, furriel miliciano, empresário e aposentado, residente em Águeda.
Quarteto de «pelrec´s»: Marcos,
Madaleno, Pinto e Ferreira

Outros «pelrec´s» dos
Cavaleiros do Norte !

O «pelrec» teve outros companheiros, fora da foto. Recordamos, com alguma eventual e não desejada omissão, os que faltam:
- GARCIA. António Manuel Garcia, alferes miliciano de Operações Especiais (Rangers). De Carrazeda de Ansiães, faleceu a 2 de Novembro de 1979, de acidente de viação.
- MONTEIRO. José Augusto Guedes Monteiro, furriel miliciano de Operações Especiais (Rangers). Trabalhava na secretaria da CCS, está aposentado e mora em Paredes.
Todos atiradores de Cavalaria:
- ALBINO: Albino dos Anjos Ferreira, 1º. cabo, mais tarde transferido ara a 1ª. CCAV. Era de Ferreira do Zêzere, morava em Almargem do Bispo, trabalhou na construção e cibil e negócio automóvel e faleceu a 23 de Janeiro de 2017.
- ANTÓNIO. Francisco Fernando Maria António, foi motorista profissional e nora em Abrantes.
- BOTELHO. Jorge António Pinto Botelho, foi comerciante e mora em Vila Nova de Gaia.
- LAGES. Carlos Alberto Aguiar Lages, o barman da messe de sargentos, trabalhou em teatros e mora(rá) em Lisboa.
- FERREIRA. Alberto dos Santos Ferreira, trabalha(va) na construção civil e mora em Almada.
- NEVES. José Coutinho das Neves. Mora(rá) na zona de Sintra.
- GOMES. Armando Domingues Gomes. Era de Torres Vedras e faleceu a 3 de Setembro de 1989.
- DIONÍSIO. Dionísio Cândido Marques Baptista. Mora no Seixal.
Samuel Oliveira

Samuel de A. Viçosa,
70 anos na Maia !


O soldado Samuel Pereira de Oliveira, da 2ª. CCAV. 8423, comemora hoje 70 anos. Dia 3 de Setembro de 2022.
Cavaleiro do Norte de Aldeia Viçosa e depois de Carmona, foi condutor-auto de especialidade militar e era natural e então residente em Gueifães, no concelho da Maia. Regressou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975, no final da sua jornada africana por terras do nortenho Uíge angolano, e lá se instalou. Vive agora em Vermoim, também na Maia, sendo participante habitual dos encontros dos comandados do capitão miliciano José Manuel Cruz. Parabéns para ele, com um abraço e o desejo de mais e bons anos de vida!!!

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

6 913 - A chegada da CCAÇ. 209 do RI 21 ao Liberato! A morte, por suicídio, do Simões de Santa Isabel!


Combatentes da CCAÇ. 209/RI 21, de Nova Lisboa, aquartelados na Fazenda do
 Liberato, onde chegaram a 2 de Setembro de 1973 e depois subunidade do BCAV.
 8423. Vêem-se NN (quem é?), furriel José Oliveira, capitão Victor Corrêa
e esposa, que era holandesa. Quem será o militar em primeiro plano?



O condutor Nogueira da Costa e o furriel José Oliveira,
ambos da CCAÇ. 209/RI 21, do Liberato, ladeando o
furriel Viegas, da CCS. Em 2012 e em Águeda

A CCAÇ. 209/RI 21 chegou à Fazenda do Liberato a 2 de Setembro de 1973. Pffff..., já lá vão 49 anos!
A subunidade do BCA: 8423 era comandada pelo capitão miliciano Victor Corrêa e, a esse tempo,  estava na dependência do BCAÇ. 4211, que antecedeu o BCAV. 8423, os Cavaleiros do Norte do Quitexe - do qual passou a ser subunidade orgânica a partir de 14 de Junho de 1974.
Na Fazenda do Liberato esteve até 8 de Novembro de 1974.
A CCAÇ. 209 era essencialmente formada por militares angolanos, principalmente por atiradores de infantaria de especialidade militar, formados no Regimento de Infantaria nº. 21, em Nova Lisboa, actual Huambo. Além, obviamente, de outras especialidades, por exemplo mecânicos,

Monumento aos combatentes mortos,
na fazenda do Liberato (Uíge)
condutores, cozinheiros, operadores de transmissões, entre outras. Com quadros europeus e alguns angolanos, nomeadamente nas classes de sargentos e oficiais, com especialidades específicas.

As classes de oficiais e
sargentos do Liberato!

O comandante do Liberato era o capitão Victor Corrêa de Almeida. E vagomestre era o furriel José Marques de Oliveira, natural do Caramulo e companheiro do blogger na Escola Industrial e Comercial de Águeda - onde reside e trabalhou como bancário. Foi ele quem nos recordou as «promoções rápidas» de Vitor Corrêa de Almeida, de alferes a tenente e de tenente a capitão, sempre miliciano.
Algumas notas sobre alguns dos quadros da CCAÇ. 209/RI 21:
- VICTOR: Victor Corrêa de Almeida, capitão miliciano e comandante da Companhia na altura dos Cavaleiros do Norte. Era algarvio e muito popular por cantar num grupo musical. Era casado com uma senhora holandesa (ver foto) e substituiu o capitão Parracho, que era do Quadro Permanente e estava colocado no RI21.
- SERENO: José Adalberto Sereno de Casto e Melo, alferes miliciano. Oriundo de família de Águeda profissionalmente deslocada em Angola, era engenheiro químico e morador em Nova Lisboa. Supõe-se que resida na área de Viseu.
- PEIXINHO: José Carlos Peixinho, alferes miliciano e engenheiro mecânico, natural do Lobito.
- PEREIRA: Nelson Pereira, alferes miliciano, natural de Sá da Bandeira.
- SPOSSEL: Carlos Manuel Morbey de Oliveira Spossel, alferes miliciano, filho de mãe americana e pai que era quadro superior dos Caminhos de Ferro de Benguela.
- OLIVEIRA: José Marques de Oliveira, furriel miliciano vagomestre. Natural do Caramulo e residente em Águeda, é aposentado da Caixa Geral de Depósitos. Fomos companheiros de turma na Escola Industrial e Comercial de Águeda mas, nas três ou quatro vezes que fui ao Liberato, nunca o encontrei - nem sabia que lá estava. Nem ele, quando ia ao Quitexe me «achou». Não sabíamos um do outro.
- NOGUEIRA: José Luís Nogueira da Costa, condutor do Liberato e natural de Tomar, foi criança para Angola e de lá regressou na altura da independência. É aposentado da Carris e só nos conhecemos em 2012, quando ele procurava companheiros do Liberato e se «achou» no blogue Cavaleiros do Norte.
A CCAÇ. 2019/RI 21 foi a unidade que, em Setembro de 1974, se revoltou no Liberato e tentou entrar em Carmona, tendo sido barrada pelos Cavaleiros do Norte da CCS, na estrada do Café e à entrada do Quitexe.

Cruz, 1º. cabo de Zalala,
72 anos em Barcelos !

O 1º. cabo Manuel Vieira da Cruz, Cavaleiro do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, festeja 72 anos a 2 de Setembro de 2021. 
Apontador de morteiros de especialidade militar, jornadeou também por Vista Alegre e Ponte do Dange, Songo e Carmona, antes de, a 4 de Agosto de 1975, voar para o Campo Militar do Grafanil, nos arredores de Luanda - onde, até 9 de Setembro desse ano, aguardou o regresso a Portugal e à sua terra da Boa Vista, da freguesia de Aldeia, no município de Barcelos.
Pouco mais sabemos dele, a não ser, por informação do furriel miliciano João Custódio Dias, que vive(rá)  em Fragoso, também em Barcelos, e para ele vai o nosso abraço de parabéns!
Victor Cunha,
1º. cabo de Zalala

Victor Cunha de Zalala, 
70 anos em Coimbra !


O 1º. cabo Victor Cunha, auxiliar de enfermagem da 1ª. CCAV. 8423, festeja 70 anos no dia 2 de Setembro de 2022. Hoje mesmo!
Cavaleiro do Norte da mítica Fazenda Maria João, a de Zalala, «a mais rude escola de guerra»... - e depois de Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona -, Victor Manuel Dinis Cunha integrou o grupo de combate comandado pelo alferes miliciano Carlos João Sampaio e regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, fixando-se em S. João do Campo, do concelho de Coimbra.
Aposentado do sector pecuário, por lá continua a viver e não falta aos encontros de confraternização dos «zalala´s». Para lá e para ele vai o nosso abraço de parabéns!

Fernando Simões


Simões, 1º. cabo de Santa
Isabel, faria 70 anos !

O 1º. cabo Fernando Martins Simões, apontador de metralhadoras da 3ª. CCAV. 8423, faria 70 anos a 2 de Setembro de 2022. Faleceu, por suicídio, a 17 de Agosto de 1998.
Natural do Lourinhal, em Penacova, lá regressou a 11 de Setembro de 1975, no final da sua comissão por terras do norte de Angola. Por lá fez vida, trabalhou, casou e foi pai de uma filha, a Zaida Martins. Foi ela quem nos explicou a razão do seu (dele) enforcamento: «O meu pai pensava que tinha algum problema de câncer na cabeça, mas afinal sofria de esquizofrenia, doença que se manifestou pouco tempo antes».
Doença precipitou a fatal decisão do nosso companheiro de armas, que hoje o recordamos com saudade. RIP!!!


quinta-feira, 1 de setembro de 2022

6 912 - O primeiro dia de Setembro de 1975! Aeroporto de Luanda pejado de milhares de pessoas, a fugir!!!

Um bar do Campo Militar do Grafanil no tempo do aquartelamento
dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 na espera do regresso a Portugal


Rocha, Fonseca, Viegas, Belo e Ribeiro (à esquerda),
 Monteiro, Pires, do Montijo (de bigode), Machado 
(com cigarro), Costa (morteiros) e Lajes, no Quitexe 

O dia 1 de Setembro de 1975, uma 2ª.-feira de há 47 anos, foi tempo de receber notícias de Horácio Marçal, que era o Governador Civil de Aveiro no dia 25 de Abril de 1974 (tinha sido presidente da Câmara de Águeda) e que, em curta epístola, me fazia o resumo da situação do país.
«O Grupo dos Nove não aceitou a sua integração no Conselho Superior de Revolução, por não terem sido satisfeitas as suas sugestões e cava-se uma separação mais profunda entre uma ala dita mais progressista e a mais moderada, dentro do MFA», escreveu quem, anos mais tarde e já em democracia, viria a ser deputado do CDS na Assembleia da República.
As organizações de esquerda - Partido Comunista, Frente Socialista Popular (FSP), Liga Comunista Internacionalista (LCI), Movimento de Esquerda Socialistas (MES) e Partido Revolucionário do Proletariado/Brigadas Revolucionárias (PRP/BR), talvez outras - formaram a Frente Unitária Revolucionária e organizaram uma manifestação de apoio a Vasco Gonçalves e às medidas revolucionárias.
«Sucedem-se os comícios, as manifestações e as lamentáveis ondas de violência. O povo, a grande massa eleitoral, interroga-se quanto ao futuro e pergunta quem manda neste país», escrevia Horácio Marçal.
E por Luanda?
O medo de circular na cidade medrava a cada dia (mais na noite) que passava, disso se ressentindo principalmente a população civil. Que fugia para Lisboa, tanto quanto podia - na famosa ponte aérea.
O aeroporto estava pejado de pessoas, aos milhares... (por lá andei à procura de familiares e amigos que nunca encontrei), e, pela cidade fora, não era raro tropeçarmos em enormes bichas de civis, à porta de agências de viagem, em busca de bilhetes de avião. O objectivo era... fugir de Luanda.
A vida na guarnição dos Cavaleiros do Norte, nas antigas instalações do Batalhão de Intendência (no Grafanil), seguia minimamente tranquila. Riscavam-se os dias do calendário, para o dia 8 de Setembro. O do regresso.
Humberto Zambujo
Jornal do BCAV. 8423

Zambujo da CCS,
70 anos em Sines

O soldado Humberto Mora Zambujo, da CCS do BCAV. 8423, a do Quitexe, festeja 70 anos a 1 de Setembro de 2022. Hoje mesmo!
Especialista de transmissões. começou no Quitexe a sua (e nossa) jornada africana do Uíge angolano, continuando-a na cidade de Carmona e no BC12, e, finalmente, no Campo Militar do Grafanil - imediatamente antes do regresso a Lisboa.
Além dos serviços da sua especialidade militar, a sua comissão foi marcada pela colaboração que prestou ao jornal que assinalou o primeiro aniversário da chegada do BCAV. 8423 a Angola. Foi o responsável pela ilustração também colaborou em escrita.
Regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975, a Sines, onde ainda actualmente mora e onde é empresário do sector dos recursos humanos. Parabéns!