CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

3 246 - Tranquilidade no Uíge e acordo entre MPLA e UNITA

Cavaleiros do Norte da CCS, do Quitexe: José Gomes (à civil), NN e Soares (atrás). 
Sentados, ao meio, Humberto Zambujo, NN e Costa. À frente, Mendes, NN (um 
sapador?), Moreira (maqueiro), Alfredo Coelho (Buraquinho) e Luís Oliveira. 
Quem identifica os NN?

Os furriéis milicianos Victor Costa e José
António Nascimento. ladeando o soldado Costa 

(Trombone), no aquartelamento de Zalala



Há precisamente 41 anos, com as guarnições dos Cavaleiros do Norte muito tranquilas, embora expectantes e ávidas pelo seu primeiro Natal africano (que se aproximava a passos largos e dias rápidos e quentes), Jonas Savimbi (UNITA) chegava ao Luso, depois de uma digressão por várias capitais - onde se avistou com diversos líderes e também com os presidentes do MPLA (Agostinho Neto) e da FNLA (Holden Roberto).

O dia 16 de Dezembro de 1974 era segunda-feira e o presidente do movimento «Galo Negro» presidiu a um comício na cidade angolana do Luso, anunciando um acordo com o MPLA, num ambiente «mais que fraternal», frisou, e que iria ser anunciado num comunicado conjunto, «dentro de quatro dias», como reportava o Diário de Lisboa.
Anunciou também que a Cimeira já não seria nos Açores (nem no dia 18 desse mês de Dezembro ), mas que seria «provavelmente depois do Natal, em data e local a combinar pelos três movimentos de libertação». Revelou igualmente que «o esquema de Governo de Transição apresentado por Melo Antunes na Assembleia Geral da ONU, foi categoricamente recusado pela UNITA, pelo MPLA e pela FNLA».
Notícia do Diário de Lisboa de 16 de
Dezembro de 1974, sobre o acordo
entre o MPLA e a UNITA
«Só aceitamos participar num Governo - disse Jonas Savimbi - em que sejamos responsáveis». E isso disse ao tenente-coronel Passos Ramos, representante do Governo de Portugal, no encontro que com ele teve em Lusaka - onde (o t.c. PR) chefiou a missão enviada de Lisboa.
Jonas Savimbi, no comício do Luso, foi ovacionado «por milhares de pessoas» e admitiu que o Governo de Transição seria formado até ao final desse ano de 1974. Há 41!!!

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

3 245 - Morteiros do Quitexe e Delegações dos Movimentos

Cavaleiros do Norte de Zalala: NN (quem é?), Campos, Santos, Nascimento 
(furriel miliciano) e Casimiro. E os dois companheiros de baixo, quem são?


Manuel Deus, 1º. cabo rádio-telegrafista e Cavaleiro
do Norte de Santa Isabel, frente à delegação da
FNLA do Quitexe, depois de atacada pelo
MPLA (em 1975)

A notícia da rotação do Pelotão de Morteiros 4281, do Quitexe para Carmona, soube-se a meados de Dezembro de 1974. Era comandado pelo alferes João Leite - um oficial miliciano açoreano, agora empresário nos Estados Unidos -, com um 2º. sargento de que não recordo o nome (e estava na secretaria) e pelos furriéis milicianos Luís Costa e Fernando Pires.
Os Cavaleiros do Norte prosseguiam tranquilamente a sua jornada, já com todas as suas subunidades instaladas na chamada Estrada do Café - que liga(va) de Luanda a Carmona, agora Uíge. Zalala e Santa Isabel, e Luísa Maria (e o Liberato, onde tinha estado a CCAÇ. 209/RI 21), já eram passado na sua história uíjana.
Os três movimentos de libertação, instalados em Luanda, alargavam a sua influência e, segundo o Livro da Unidade, «procurando ir estendendo a sua acção ao interior de Angola». No caso do (nosso) Uíge, «abrindo delegações em Carmona e, com o decorrer do mês, aparecerem secretarias destes movimentos em Quitexe e Vista Alegre». 
Carmona, agora Uíge. A estrada da
cidade para o BC12, em 2015, tantas vezes
por aqui passaram os Cavaleiros do Norte!
O livro «Segredos da Descolonização de Angola», de Alexandra Marques (Edições D. Quixote, Leya, 2014) reporta esse tempo: 
«(...) a partir de Carmona, o ELNA controlava o distrito do Uíge, «procurando brancos e negros a sua protecção». A maioria dos cafeeiros brancos pagava uma taxa em dinheiro ou em géneros e tinham sido criadas brigadas conjuntas da FNLA e da UNITA que visitavam as residências dos brancos, aos quais pediam para terem calma e paciência. A atmosfera de cordialidade poderia alterar-se em breve, com a chegados dos elementos do MPLA, apoiados na região de Carmona por «muitos burocratas e jovens, inclinando-se os menos instruídos e mais conservadores para a FNLA». Apesar da paz momentânea, a guerra continuava a ensombrar o pensamento de maioria dos habitantes da região, como assinalava Killoran: «A possibilidade de uma guerra civil é o principal tópico de conversa no Norte. Alguns observadores consideram-ma inevitável, se Neto de mantiver na liderança do MPLA. Outros, incluindo os líderes da FNLA na zona, sentem que uma eleição livre poderá garantir uma transferência de poderes ordeira e evitar a guerra civil. A FNLA admite, porém. estarem a preparar-se para combater, caso seja necessário».
Angola estava semeada de dúvidas, há 41 anos! Nas vésperas do Natal de 1974!
- KILLORAN, Tom. Cônsul-geral dos 
Estados Unidos em Luanda.
- ELNA. Exército de Libertação Nacional de 
Angola, braço armado da FNLA

3 244 - O ultimo dia dos Cavaleiros do Norte em Luísa Maria

A Fazenda Luísa Maria, de onde há precisamente 41 anos saiu a última 
guarnição dos Cavaleiros do Norte, comandados pelo alferes Carlos Silva

Alferes Carvalho (o primeiro à esquerda) e
Capela (de cócoras), com o capitão José Manuel
Cruz (comandante da 2ª. CCAV. 8423) e os
alferes Cruz (CCS) e Periquito (2ª. CCAV.)




Os Cavaleiros do Norte disseram adeus ao Destacamento da Fazenda Luísa Maria no dia 14 de Dezembro de 1974! Há 41 anos!!! Completava-se, assim, a rotação das várias Companhias do BCAV. 8423.
O pelotão lá aquartelado era, ao tempo, comandado pelo alferes miliciano Carlos Silva, da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel e ao tempo já no Quitexe, que, segundo leio no Livro da Unidade, «recolheu à sede». 
Alferes João Machado (em cima) e
Carlos Silva (em baixo)
O Destacamento «foi extinto» e, ainda segundo o LU, «completou-se, deste modo, a primeira fase da retracção do dispositivo do subsector».
«Efectivamente, o meu pelotão esteve um mês na Fazenda Luísa Maria e «quase» tenho a certeza de ter sido o último. Já tínhamos deixado Santa Isabel e «pousado» no Quitexe. E lembro-me de termos carregado algum material, o que pressupõe o seu fim», recordou Carlos Silva.
A 3ª. CCAV. concluiu a rotação para o Quitexe a 10 de Dezembro, pelo que não sobram dúvidas: foi o grupo de combate de Carlos Silva o último de Luísa Maria. 
O primeiro pelotão da 2ª. CCAV. a aquartelar
em Luísa Maria foi o do alferes João Machado, mal chegou a Aldeia Viçosa - a 10 de Junho de 1974. É lendário o consumo de todo o vinho da Companhia, que por lapso lá foi parar e foi consumido em menos de um mês, «afogando» as saudades dos Cavaleiros do Norte recém-chegados de Lisboa. Seguiram-se, os grupos de combate dos alferes Jorge Capela e Domingos Carvalho de Sousa (também da 2ª. CCAV., a de Aldeia Viçosa) e Carlos Silva (da 3ª. CCAV., a de Santa Isabel). Foi este o último comandante de Luísa Maria - hoje se fazem 41 anos!
É dos quatro jovens oficiais milicianos a certeza da grande hospitalidade dos responsáveis da Fazenda Luísa Maria. «Jornadeei por lá e jamais esquecerei a hospitalidade do sr. Eduardo e família», comentou Carlos Silva. 
João Machado não se cansa de louvar os anfitriões, citando Eduardo Silva e José Dias Craveiro. O mesmo sucedeu da parte de Jorge Capela e Domingos Carvalho de Sousa - hoje  ouvidos sobre Luísa Maria.
Cavaleiros do Norte do PELREC numa das várias
missões na fazenda Luísa Maria: Hipólito e (furriel) Viegas 

(atrás), Caixarias, Ezequiel e Marcos (à frente)
Ao dia de há 41 anos, o Diário de Lisboa noticiava que «a cimeira dos Açores dos movimentos de libertação angolanos e representantes do Governo Português não se realizará antes do Natal, como Portugal teria proposto, mas mais próximo do fim do ano, mesmo no princípio de Janeiro» - como, de resto, veio a acontecer, não nos Açores, mas no Alvor (Algarve).

domingo, 13 de dezembro de 2015

3 243 - Serenidade em terras do Uíge e «crise» em Luanda

Cavaleiros do Norte na picada de Zalala: Santos (da messe) e furriéis Jorge 
Barreto e José António Nascimento, quais «trinitás!!!...


Três oficiais milicianos dos Cavaleiros do
Norte: os alferes Jaime Ribeiro e José Alberto
Almeida, ambos da CCS, ladeando Augusto
Rodrigues (da 3ª. CCAV. 8423)

O dia 13 de Dezembro de 1974 foi sexta-feira, mas não foi de azares pelas terras do Uíge onde,  ao tempo, se aquartelavam os Cavaleiros do Norte, todos ao longo da Estrada do Café, entre Luanda e Carmona: a CCS e a 3ª. CCAV. no Quitexe, a 2ª. CCAV. em Aldeia Viçosa e a 1ª. CCAV. em Vista Alegre e Ponte do Dange.
Angola, pelo menos que se registassem na imprensa, não teve incidentes e a vida decorria aparentemente tranquila. Apenas se noticiavam despedimentos na Inforang, empresa de publicidade ligada à CUCA - que pertencia ao Grupo Vinhas, tal qual a Sociedade Central de Cervejas, tudo ligado ao Banco Português do Atlântico e ao Banco Comercial de Angola.
Os cerca de 15 trabalhadores em vias de despedimento na Inforang (depois de «uma primeira tentativa da entidade patronal», como relatava o Diário de Lisboa) eram publicitários, administrativos e contabilistas. A situação «agrava(va) ainda mais a crise de trabalho no sector da publicidade», depois de despedimentos na Leo Burnett, semanas antes.
As guarnições dos Cavaleiros do Norte preparavam-se para o seu primeiro (e único) Natal africano, sabendo-se que as senhoras de oficiais e sargentos se esmeravam a preparar os melhores pratos e doces de época. E saíam e chegavam aerogramas e cartas com mensagens natalícias, carreando e matando saudades. Acabo de reler algumas e não pude evitar alguma emoção, nomeadamente ao dar com um «bate-estradas» do meu amigo Alberto Ferreira - companheiro de escola e ao tempo cabo especialista da Força Aérea em Luanda, na Base Aérea 9. E falecido, de doença, em 2006. Amigos até ao último dia, de e para sempre.
Alberto Ferreira, cabo
especialista da Força Aérea,
em foto (civil) de 2002
«Já que não temos neve nem frio, nem rabanadas e bilharacos e perú, nem os miminhos da mãe, ao menos que possamos estar juntos a festejar, para esquecer,os um pouco esta m.... Não pode vir cá abaixo?...», perguntava-me ele, que tantas vezes foi companheiro, em Luanda, das loucuras noctívagas. «Arranjamos aí um programazinho, falo com o Nuno, aparece...», acrescentou, desafiando-me.
Não apareci, não pude, a noite e o dia de Natal foram vividos no Quitexe. Ele, com um casal familiar que fazia vida por Luanda - ela (prima direita dele), por lá professora; ele, o marido, gerente bancário e corredor de automóveis (o Carlos Alberto Santiago dos Reis, meu conterrâneo).
- ALBERTO FERREIRA. Alberto Fernando Dias Ferreira, que foi 
de Fermentelos, Águeda, já falecido. Foi cabo especialista da Força Aérea,
em Luanda. Depois, licenciou-se em Economia, foi quadro superior da 
Direcção de Finanças e candidato a presidente da Câmara Municipal
 de Águeda, de que foi vereador por duas vezes.

sábado, 12 de dezembro de 2015

3 242 - Futebol nos Cavaleiros e Cimeira angolana à vista

Futebol no Quitexe, a equipa do Parque-Auto. De pé, Teixeira (estofador), 
Malheiro, Frangãos (Cuba), Marques (Carpinteiro), Pereira (condutor), Gaiteiro 
e Teixeira (pintor). À frente, Monteiro (Gasolinas), Pereira (mecânico),  Celestino 
(condutor), Gomes (condutor, Carlos Mendes (bate-chapas) e Miguel (condutor)


Furriéis milicianos no Quitexe, em finais
de 1974: Carvalho (da 3ª. CCAV. 8423), Viegas
(da CCS) e um angolano, cujo nome se me
varreu da memória. Alguém se lembra?
Os dias do Quitexe, na entrada dos meados de Dezembro de 1974, iam-se passando na tranquilidade dos deuses, embora com  a guarnição reduzida às tropas metropolitanas - depois de dispensados (com licença registada) os incorporados locais, as chamadas tropas de mesclagem. E mesmo os graduados angolanos, de que é exemplo o furriel miliciano aqui ao lado - cujo nome se me varreu da memória.
A operação de desactivação de aquartelamentos continuava, na Zona de Acção (ZA) dos Cavaleiros do Norte e outras. No nosso caso, já tinham sido desactivados os de Zalala, Liberato e Santa Isabel; preparava-se o de Luísa Maria, já previsto para 14 de Dezembro.
O Quitexe, a este tempo e como por aqui já falámos, tinha cinema (entre os dias 4 e 19, por todas as subunidades) e futebol, para «matar» as horas livres e com programação integrada no plano de acção psicológica. Futebol com renhidas partidas entre pelotões e sub-unidades, disputadas no pelado empoeirado do Quitexe, mesmo à saída para Carmona.
O 12 de Dezembro de 1974 foi uma 5ª.-feira, há precisamente 41 anos, e soube-se pelas bandas dos Cavaleiros do Norte que, em Lisboa, o Governo Português propôs os Açores como o local para a cimeira com os três movimentos de libertação: MPLA, FNLA e UNITA.
Data, não se sabia, mas a notícia do Diário de Lisboa (que citamos) admitia que seria ainda antes do Natal - o que, como hoje sabemos, não se veio a confirmar. O objectivo era formar o Governo de Transição de Angola.
A Frente de Unidade Angolana (FUA), noutra frente, telegrafou ao Presidente da República, reivindicando «intransigentemente direitos adquiridos pelos movimentos pacifistas de intervirem nas negociações para a formação do Governo de Transição, como único meio conducente ao clima de segurança, concórdia e justiça».
A FUA era presidida por Fernando Falcão, engenheiro e empresário que, ao tempo, era Secretário de Estado Adjunto da Junta Governativa da Angola.
Lúcio Lara inaugurou a Delegação do MPLA em Nova Lisboa e afirmou que «chegou o momento de todos juntos podermos realmente inventariar as riquezas deste país, as suas potencialidades, e planificar o futuro económico de Angola, para que beneficie realmente todo o povo, sobretudo aqueles camaradas que até hoje tem sido vítimas da opressão colonial».

A FNLA, em Luanda e por sua vez, anunciou a promoção do Natal da Criança, «no âmbito da sua campanha de auxílio aos mais necessitados». Para o efeito, lançou «um apelo a todos quantos queiram colaborar na campanha».
A UNITA, por sua vez, lançou a campanha «Natal da Criança do Mato e dos Bairros Suburbanos de Luanda». A iniciativa era da (sua) Liga da Mulher Angolana (LIMA) e, para tal, pediu «a colaboração da imprensa local».

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

3 241 - Extinção da «Contra-Subversão» e 18 anos do MPLA


Grupo de furriéis milicianos no varandim do bar e messe de sargentos do 
Quitexe: Ribeiro e Fernandes (de mãos dadas), Viegas (a olhar para ambos), Belo 
(de óculos e bigode), José Lopes (tapado), Bento, Costa (morteiros) e Flora. 
À frente, Rabiço (de bigode), Graciano e Abrantes (de cachimbo) 


Furriéis de Zalala e o macaco: José
António Nascimento e Manuel Dinis Dias,
num momento de descontracção


A Comissão Local de Contras-Subversão (CLCS) do Quitexe foi extinta a 11 de Dezembro de 1974, substituída pela Comissão Local de Coordenação Civil-Militar (CLCCM). O que ia dar mais ou menos no mesmo, acrescentado do propósito da «necessidade de estreitamento das relações civil-militar e procurando uma outra feição de actuação», segundo se lê no Livro de Unidade.
A reestruturação, porém e ainda segundo o LU, tinha em conta «o clima da paz que se procura e a aceleração do processo de descolonização que se vive, impondo uma mudança radical nos hábitos dos longos anos de guerra». Assim se pensava, há 41 anos!
O Quitexe, ao tempo, acomodava a 3ª. CCAV. 8423 o melhor que podia, nas suas limitadas instalações (divididas por vários pontos da vila) e estreitavam-se, cimentadamente, os laços de camaradagem entre os Cavaleiros do Norte de Santa Isabel e da CCS,  na sede do BCAV. 8423. 
O MPLA, em Lisboa, festejava o 18º. aniversário da sua fundação e  Paulo Jorge, o seu responsável pelas Relações Exteriores, afirmava no Pavilhão dos Desportos, e convictamente, que «faremos tudo para não desiludir a confiança na força do povo angolano».
Notícia do Diário de Lisboa de 11 de Dezembro
de 1974, sobre o 18º. aniversário do MPLA,
celebrado na capital portuguesa
«O MPLA - afirmou Paulo Jorge - é a única garantia de um independência real, é a única garantia de uma revolução, é a garantia do estabelecimento de uma cooperação futura com Portugal». Cooperação essa que, e citamos o Diário de Lisboa de há precisamente 41 anos, «só terá garantias se as forças progressistas tomarem o poder, em Portugal e em Angola».
Paulo Jorge afirmou ainda que «o MPLA é uma garantia da defesa dos legítimos interesses dos portugueses e estrangeiros» que, sublinhou, «desejem colaborar nas tarefas da independência».

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

3 240 - Último dia de Santa Isabel, fazenda da 3ª. CCAV. 8423!

Fazenda Santa Isabel, onde esteve aquartelada a 3ª. CCAV. 8423, entre 
11 de Junho e 10 de Dezembro de 1974. Quando rodou para
a vila do Quitexe



O capitão miliciano José Paulo Fernandes,
o último comandante de Santa Isabel, de onde
saiu há 41 anos. À direita, reconhece-se o
1º. sargento Francisco Marchã. Alguém
reconhece os dois outros Cavaleiros do Norte?
O adeus definitivo dos Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423 à Fazenda Santa Isabel foi a 10 de Dezembro de 1974! Há precisamente 41 anos!!!
A rotação da Companhia começara dias antes, para o Quitexe - onde se aquartelava a CCS e o Comando do Batalhão. O espaço de alojamento não era muito, mas foi partilhado com toda a tranquilidade, uns melhor..., outros não tão bem, mas comungando, todos, as mesmas condições. Recordo que as refeições da cantina dos praças passou a ser feita em dois turnos seguidos. 
O comandante era o capitão miliciano José Paulo Fernandes, que hoje nos recordou esse dia de há 41 anos: «Saí na última leva, numa coluna com pelo menos dois dos nossos pelotões, talvez três..., a fazerem segurança aos homens dos serviços, os mecânico, os de transmissões, de enfermagem e cozinha, toda a gente não operacional».
Os trabalhadores ficaram lá, moravam numa sanzala. Também ficou Luís Carvalho, que era o administrador, assessorado por 10 europeus brancos. «Soube mais tarde que pouco tempo lá fiaram, pois acabaram por ir para Luanda, via Estrada do Café», recordou o capitão José Paulo Fernandes, citando uma informação que «pouco depois chegou ao Quitexe».
João Pereira de Albuquerque e a esposa. Foi o
fundador, em 1934,  da Fazenda Santa Isabel.
Nascido em 1900, teria agora 115 anos!
A Fazenda Isabel tinha sido criada em 1934, por João Pereira de Albuquerque, natural de Cabaços, em Moimenta da Beira - que para Angola foi em 1920. Trabalhou por contra de outrém, mas em 1928. empreendedor, já tunha fundado a povoação de Cambamba e lá instalou a sua casa comercial. Descoberto o paraíso das terras de Santa Isabel, fundou a fazenda em 1934. 
Teve três filhos: o dr. Luís Pereira de Albuquerque (que desempenhou vários cargos oficiais em Angola), Maria Isabel e Maria Alice - que, respectivamente, casaram com José Tavares de Almeida e Luís Pires de Carvalho, que eram sócios gerentes da Fazenda (o primeiro da parte comercial, o segundo da agrícola). Tinham apoio de 10 empregados europeus, alguns deles lá tendo a família, e mais de 500 trabalhadores angolanos. 
Luís Pires de Carvalho, o último
administrador da Fazenda Santa Isabel
A Fazenda Santa Isabel, entretanto titulada pela firma Albuquerque & Silva, Lda., apelidos dos dois genros de João Albuqueque, tinha aproximadamente 3 500 hectares e produzia, nos anos 70 do século XX) mais de 400 toneladas de café e comercializava entre 2500 a 3000 (comprando-o a outros produtores da região). Tinha escritório e armazém de retém e beneficiamento do café na Rua Francisco Newton, em Luanda.
A 15 de Março de 1961, a fazenda foi também alvo de ataques dos homens da UPA (FNLA) e, segundo uma publicação de época, «ninguém escapou», entre homens, mulheres e crianças.  

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

3 239 - Véspera da saída dos Cavaleiros do Norte de Santa Isabel

A fazenda Santa Isabel,  no dia 11 de Junho de 1974, o da chegada da 
3ª. CCAV. 8423 (foto do furriel miliciano Agostinho Belo). 
Os Cavaleiros do Norte de lá saíram a 10 de Dezembro do mesmo ano


Os furriéis milicianos José Lino, da
3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, ao
centro - ladeado por Manuel Dinis Dias e
José António Nascimento, ambos
da 1ª. CCAV. a de Zalala

A 9 de Dezembro de 1974, o comandante interino do BCAV. 8423 voltou a reunir-se com os comandantes das Unidades do Comando do Sector do Uíge (CSU), de novo no BC12, em Carmona, e de novo para «estreitamento de contactos entre comandos». O mesmo já tinha acontecido nos anteriores dias 2, 4 e 7 - repetindo-se a 16, mas desta vez em Sanza Pombo, onde estava estacionado o BCAV. 8324.
O dia era segunda-feira e soube-se, da área económica, que o preço do café de Angola a baixar de 62 para 49 libras/peso e adivinhava-se, segundo o Diário de Lisboa, ser «possível que os preços não se mantenham nada firmes, já que os exportadores de Luanda e do Lobito necessitam de fazer vendas urgentes». Más notícias.
Em Lisboa, anunciava-ser para o dia seguinte a celebração do 18º. aniversário do MPLA, com um comício no Pavilhão dos Desportos - este, encerrando «a Semana da Solidariedade com os Povos das Colónias e da República da Guiné-Bissau», promovida pelo CIDAC. 
A Casa de Angola, por sua vez, tinha previstos colóquios diários, às 21 horas, na Voz do Operário e desse dia 9 a sábado seguinte (14). No dia seguinte, domingo (dia 15), todavia e no Pavilhão dos Desportos, realizava-se «uma sessão de apoio ao MPLA, com numerosos cantores angolanos e portugueses», nomeadamente Rui Mingas, Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira. 
Santa Isabel, fazenda de café onde se aquartelou a 3ª. CCAV. 8423, do capitão miliciano José Paulo Fernandes, fechava as últimas malas para o adeus definitivo - previsto e confirmado para o dia seguinte, 10 de Dezembro de 1974.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

3 238 - O dia 8 de Dezembro quitexano de 1974

Cavaleiros do Norte de Zalala com a casa do gerente ao fundo: os furriéis 
milicianos Manuel Dinis Dias (falecido a 20/10/2011), Jorge Barreto e José 
António Nascimento, do BCAV. 8423


O furriel Viegas sentado à entrada da Igreja
da Mãe de Deus do Quitexe. Na parede,
vêem-se placas em mármore, com nomes de
alguns dos mortes dos massacres
de Março de 1961

A 7 de Dezembro de 1974, uma vez mais o capitão José Paulo Falcão participou numa reunião de comandos do Comando do Sector do Uíge (CSU), no BC12, em Carmona e acompanhado de outros oficiais dos Cavaleiros do Norte. Estes «estreitamentos de contactos», segundo o Livro de Unidade, eram «necessários mais que nunca, dada a constante evolução dos acontecimentos».
O capitão José Paulo Montenegro Mendonça Falcão, agora tenente-coronel aposentado e residente em Coimbra (com delicados problemas de saúde!), era, a esse tempo, o comandante interino do BCAV. 8423.
A 8 de Dezembro, curiosamente um domingo e um feriado nacional, hoje se fazem 41 anos (o tempo voa, voa!...) foi dia de ir à missa da Igreja da Mãe de Deus do Quitexe, onde sacerdotava o padre Albino Capela - da missão que ficava mesmo ao lado. O povo do Quitexe, de qualquer cor, era maioritariamente católico e, por isso, não espantava a participação na celebração, a que se associavam muitos militares. Desse dia, e do tempo depois do final da missa, por lá fiquei (assim que esvaziou) em alguns momentos de recolhimento pessoal, cerrando os olhos e imaginando-me (mesmo aqui ao lado) na Igreja de Santo Adrião de Ois da Ribeira, a minha terra natal, na qual fui baptizado e onde cresci e aprendi os ensinamentos da catequese.
Recordo uma foto (não desse dia), em que apareço sentado nas escadas da entrada principal do templo e em que se vêem, na fachada, algumas das placas de mármore com nomes de muitas das vítimas mortais dos trágicos incidentes de 1961.
Cassetes com algumas das memórias
angolanas do furriel miliciano
Viegas, de 1974 e 1975
A tarde desse dia, que vivi muito nostálgico, foi tempo de (re)leituras no meu quarto (e do Neto, já regressado de férias) e audição da cassete que tinha levado daqui, com os repeniques e sinais de chamada da torre sineira da minha aldeia - que eu mesmo gravara e tocando-os eu mesmo. Foram momentos intensamente sentidos, diria que emocionados e emocionantes.
Era domingo, mas dia de correio - que o 1º. cabo Tomás sempre ia buscar a Carmona, chegado de Lisboa por via aérea e SPM. Recebi o jornal da terra e devorei as notícias. As notícias e os anúncios, de uma página à última.
Os Cavaleiros do Norte de Santa Isabel, os da 3ª. CCAV. 8423, continuavam a sua operação de mudança para o Quitexe. Iam abandonar a mítica fazenda - aquartelada por NT desde o início da guerra colonial, em 1961.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

3 237 - Mobilização para Angola, no CIOE, foi há 42 anos...

Monteiro, Neto e Viegas já em Santa Margarida, no RC4, nos primeiros dias 
de 1974 e semanas depois da mobilização para Angola - que aconteceu há 
precisamente 42 anos. Hoje se fazem!

A ordem de serviço do CIOE com a mobilização
dos futuros furriéis milicianos Monteiro, Viegas
e Neto - que viriam a ser Cavaleiros do Norte da CCS

A ordem de serviço nº. 286, de 7 de Dezembro de 1973, do Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE), em Lamego, publicou a mobilização de três futuros Cavaleiros do Norte: os (futuros) furriéis milicianos Monteiro, Viegas e Neto - ao tempo instrutores do 3º. curso daquele ano. Mobilização com o carimbo de «destinado ao BCAV. 8423/RC4/RMA», para Angola - que era o melhor que nos poderia acontecer, comparando-a com a Guiné e Moçambique.
A mobilização propriamente dita já fora decidida a 17 de Novembro anterior, pela Nota nº. 47 000, da Repartição de Sargentos e Praças, da Direcção do Serviço de Pessoal do Ministério do Exército (RSP/DSP/ME), referindo esta que «foram nomeados para servir no Ultramar, nos termos da alínea c) do Artigo 20º. do Decreto-Lei nº. 49 107, de 7 de Julho de 1969, os seguintes militares, destinados às Unidades e Sub-Unidades a cada um indicados (...)» - e seguia-se a relação dos mobilizados da unidade lamecense.
Notícia do Diário de Lisboa de 7 de
Dezembro de 1974. sobre o futuro de Angola
Os três futuros Cavaleiros do Norte, por essa altura, estavam adidos ao CIOE, com sede aquartelada no centro da cidade, estando alojados na messe de sargentos de Almacave. O Neto (com o nº. 486/73/A) e o Viegas (487/73/A) prestavam serviços de ordem na 1ª. CCAV. e, quando necessário, davam instrução ao 3º. curso de Rangers. Neste, na 1ª. Companhia de Instrução (CI), no quartel de Penude, estava destacado o Monteiro (493/73/A) - do quadro permanente de instrutores.
Um ano depois e com o processo de descolonização em andamento, o Angola Comité Amesterdão denunciava «manobras imperialistas em Cabinda» e, a exemplo, «a situação de perigosidade representada pela influência imperialismo norte-americano (via Kinshasa e não só) em movimentos como a FNLA e a UNITA».

domingo, 6 de dezembro de 2015

3 236 - Futebol dos Cavaleiros do Norte e Divisão de Angola

Futebol no Quitexe, equipa da CCS: Grácio, Zé Gomes, Miguel Teixeira, Jorge 
Botelho (Cubilhas), Miguel Santos (paraquedista), Américo Gaiteiro e Fernando 
Soares (em cima), Miguel (condutor?), Luís Mosteias, António Lopes (enfermeiro), 
NN (?), José Monteiro e Domingos Teixeira (estofador)

Cavaleiros do Norte em Carmona: furriéis milicianos
Manuel Machado (Braga), António José Cruz (Lisboa)
e Nelson Rocha (Valadares-Gaia). Os três da CCS


Os primeiros dias de Dezembro de 1974, com várias rotações à vista na ZA dos Cavaleiros do Norte e um carrossel de notícias e dúvidas que ao Quitexe chegavam sobre o processo de descolonização, foram vividos na paz dos anjos(passe o termo) - sem escoltas, sem patrulhas, sem operações militares.
Os grupos de mesclagem, gradualmente e por todo o mês fora, foram passando à situação de licença registada (disponibilidade) e o esforço (de resto aumentado) das tropas metropolitanas acentuou-se, assim, nos serviços de ordem.
Sobrava tempo, mesmo assim, para outras actividades. Já aqui falámos de cinema (entre 4 e 18 de Dezembro), mas o futebol foi outra das atracções do mês. «Realizaram-se desafios entre as subunidades», anotou o Livro da Unidade. E seriam «épicos», pela rivalidade (sã) entre as Companhias dos Cavaleiros do Norte.
O dia 6 de Dezembro de 1974 era sexta-feira e, em Luanda, Lúcio Lara, chefe da Delegação do MPLA, denunciou «a existência de um Movimento Democrático para a Divisão de Angola».
«Descolonização de Angola | Optimismo
do MPLA», noticiava o Diário de Lisboa
de 6 de Dezembro de 1974. Há 41 anos!
O dirigente do movimento de Agostinho Neto falava numa conferência de imprensa e nela (citada pelo Diário de Lisboa) referiu o aparecimento de elementos divisionistas, pretensamente pertencentes ao MPLA, apresentando aos jornalistas um indivíduo de nome Ikuma Imuene, que pretendia trabalhar  na mobilização de massas na Lunda». Descobriu-se, disse Lúcio Lara, que, afinal, pertencia ao tal Movimento Democrático para a Divisão de Angola.
O MPLA, porém e ao tempo, segundo Lúcio Lara, estava optimista relativamente «a esta fase do processo de descolonização, até à constituição do Governo de Transição», sublinhando que esse estado de espírito se devia «ao facto de a calma estar a regressar ao país».

sábado, 5 de dezembro de 2015

3 235 - Falcão em Santa Isabel e cimeira de movimentos

Grupo de Cavaleiros do Norte, na parada do BC12. Reconhecem-se 
o alferes miliciano António Albano Cruz (à frente), o 1º. sargento José Claudino 
Luzia (atrás e  de farda nº. 2) e o furriel Domingos Augusto Peixoto (à direita). 
Quem identifica os restantes?

Quitexe em 2010, a entrada do lado de
Carmona, pela estrada do Café. A casa
da esquerda era a de Tibúrcio

Há 41 anos, os Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423 ultimavam os preparativos para abandonar a Fazenda Santa Isabel - onde foram a última guarnição portuguesa. A 5 de Dezembro de 1974, esteve lá o capitão José Paulo Falcão, que interinamente comandava o Batalhão - certamente para as «despedidas» oficiais, particularmente da comunidade civil
O dia de quinta-feira, a primeira desse já longínquo Dezembro de 1974, foi tempo, em Lisboa, para o anúncio da partida do ministro Melo Antunes para os Açores, no domingo seguinte (dia 8) - onde iria analisar «os problemas políticos e económicos do arquipélago, no actual contexto», mas ficando de parte a possibilidade de, com o relatava o Diário de Lisboa, «a cimeira dos movimentos africanos de libertação, a realizar este mês em Portugal, vir a efectuar-se numa ilha açoreana».
Notícia do Diário de Lisboa de 6 de
Dezembro de 1974 sobre a cimeira
dos movimentos de libertação
A responsabilidade do processo descolonizador estava, recordemos, «em boa parte sobre os ombros de Melo Antunes», enquanto ministro da Coordenação Inter-Territorial.
Estas diligências, e muitas outras, eram acompanhados à distância e com muita expectativa, pelos Cavaleiros do Norte - que pelo Uíge Angolano continuavam o seu processo de rotação  - em vésperas (dia 10) de a 3ª. CCAV. 8423 abandonar definitivamente a Fazenda Santa Isabel e depois de a 1ª. CCAV. 8423 ter deixado Zalala (num processo concluído a 25 de Novembro) e aquartelado em Vista Alegre e Ponte do Dange. Já não falando do adeus ao Liberato, pela CCAÇ. 209 (a 8 de Novembro) e a saída da CCAÇ. 4145/22 e 4145/74 de Vista Alegre. E do Destacamento de Luísa Maria (que viria a concretizar-se a 14 de Dezembro desse ano de 1974).

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

3 234 - Santa Isabel, cinema no Batalhão e medo de guerra civil

Cavaleiros do Norte: os furriéis milicianos António Flora, Luís Filipe Costa (Pelotão 
de Morteiros), Agostinho Belo, Francisco Bento e Joaquim Abrantes. No Quitexe (1974)


Capa do livro «História da Unidade», do
BCAV. 8423,  e a bota, em faiança de Águeda, que
assinalou o 1º. Encontro do Cavaleiros do Norte,
a 9 de Setembro de 1995
O capitão José Paulo Falcão esteve no Comando do Sector do Uíge (CSU) a 4 de Dezembro de 1974, para «contactos operacionais», que ao tempo de repetiam, principalmente devido à sucessão de acontecimentos do Sector,
O capitão Falcão, recordemos, exercia ao tempo as funções de comandante interino do BCAV. 8423, já que o tenente-coronel Almeida e Brito - o comandante efectivo - estava de férias, em Lisboa. E o Batalhão não tinha 2º. comandante desde Santa Margarida. Desde quando o major Ornelas Monteiro, em vésperas do embarque, foi «desviado» para a Guiné 
O dia foi também de início de um novo ciclo de (exibições de) cinema, no «âmbito da acção psicológica» e com projecções em «todas as subunidades e também para as populações civis». Prologar-se-ia até 18 de Dezembro.
O dia era quarta-feira e em Nova York, na ONU, o ministro Almeida Santos garantia, segundo leio no Diário de Lisboa, que Angola e Cabo Verde seriam «independentes em 1975». 
«Portugal espera resolver todos os problemas inerentes à independência, por meio de uma reunião, anda este mês, com os representantes dos três principais movimentos  de libertação de Angola», afirmou o ministro da Coordenação Inter-Territorial, frisando, também, esperar que esta cimeira «resulte na criação de um Governo provisório, com um gabinete político constituído por Secretários de Estado nomeados pelos três movimentos e um gabinete de técnicos encarregados dos assuntos departamentais».
O Diário de Lisboa de 4 de Dezembro de
1974 anunciava que Angola e Cabo Verde
seriam independentes em 1975. Assim foi!
A independência era cada vez mais expectável e Almeida Santos falava de «uma forma de consulta democrática popular», acrescentando que «a alternativa para uma solução deste género é o risco de uma guerra civil».
Ao tempo, o MPLA não reconhecia à FLEC «direitos sobre Cabinda» e acusava a FNLA de «determinados compromissos, até pelas suas ligações ao Zaire» de Mobutu - o presidente deste país e que que era cunhado de Holden Roberto, líder da FNLA. E também «pelas suas relações com o Estados Unidos», estando movimento de Agostinho Neto mais próximo dos países dos Leste, o chamado bloco comunista,
Muitas águas iria mover, ainda, o moinho da independência de Angola..

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

3 233 - Furriel Rito em Zalala e adeus do padre José Almeida

Cavaleiros do Norte. Eusébio, Ângelo Teixeira, Jesus, furriel Cardoso, Caroço, 
Macário e NN. Na segunda fila, os furriéis Belo (de óculos) e Capitão. Em baixo,
Graciano, José Lopes e Flora 


O 1º. cabo João Estrela, um dos
«criptos» dos Cavaleiros do Norte

A 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, ao tempo já aquartelada em Vista Alegre e com destacamento na Ponte do Dange, foi reforçada em Dezembro de 1974, com a chegada do furriel miliciano João C. M. Rito, atirador de cavalaria.
Reforçada, é uma forma de dizer já que, na prática, o João Rito foi substituir o Mota Viana, entretanto destacado para Sanza Pombo, onde estava aquartelado o BCAV. 8324. Pouco sei dizer dele (do Rito), a não ser que, segundo o zalaliano (furriel miliciano) João Dias, veio de Casage, no leste de Angola - da 1ª. Companhia do Batalhão de Caçadores 4617, formado em Évora, ainda antes da nosso, o BCAV. 8423, em Santa Margarida. 
O João Rito é originário de Freixianda, no município de Vila Nova de Ourém (Fátima é a localidade mais conhecida dessas bandas), e há uns 20 para 30 anos, trabalhava na área da extracção de resinas. Mais nada soubemos apurar sobre ele.
O mês de Dezembro de 1974 corresponde ao do fim de comissão do alferes capelão José Ferreira de Almeida, que estava integrado na CCS mas fazia serviço sacerdotal principalmente nas companhias operacionais. Dados recentemente conhecidos apontam para a sua morte, há por volta de 20 anos.
A informação, via dr. Albino Capela (ex-padre do Quitexe), foi dada por D. Ilídio, Bispo de Viseu - Diocese onde ele estava colocado.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

3 232 - Movimentos em Carmona e Cavaleiros no Sector

Cavaleiros do Norte do PELREC. em Setembro de 1974: Augusto Hipólito, furriel José Monteiro, 
Joaquim Almeida (29/02/2009) e Jorge Vicente (21/01/1997). Em baixo, alferes António 
Garcia (02/11/1979), Manuel Leal (18/06/2007), furriel Francisco Neto e Aurélio Júnior (Barbeiro). 
Almeida, Vicente, Garcia e Leal já faleceram, nas datas indicadas

Comandante Almeida e Brito e capitão
José Paulo Falcão no encontro de Águeda, a
9 de Setembro de 1995 - 20 anos depois do
regresso de Angola dos Cavaleiros do Norte

O comandante interino do BCAV. 8423, capitão José Paulo Falcão, esteve no Comando do Sector do Uíge (CSU), em Carmona, a 2 de Dezembro de 1974. Substituía o tenente-coronel Almeida e Brito, o comandante efectivo - ao tempo em Lisboa, em gozo de férias.
O objectivo era, segundo o Livro da Unidade, «estreitar contactos entre comandos, necessários mais do que nunca, dada a constante evolução dos acontecimentos». Por essa altura, já os movimentos emancipalistas tinham aberto delegações em Carmona, procurando, segundo o Livro da Unidade, «ir estendendo a sua acção ao interior de Angola».
De Lisboa e da Voz do Operário, chegaram notícias, através do Diário de Lisboa, da comemoração, na véspera, do Dia do Pioneiro do MPLA, sendo lida a ordem de serviço nº. 13/69 deste movimento, historiando a morte de Augusto Ngangula, de 12 anos, quando a 1 de Dezembro de 1968, ia a caminho de uma escola do MPLA e «foi descoberto por soldados portugueses que o tentaram forçar, com ameaças de morte, a indicar-lhes não só a sua escola mas também a localização de uma das bases do MPLA». Preferiu morrer, a tal revelar. 
Notícia do Diário de Lisboa
sobre o Dia do Pioneiro do MPLA,
a 1 de Dezembro de 1974
Segundo a referida ordem de serviço do MPLA, «foi torturado até à morte» e a sua «coragem e firmeza» foram apontadas como «exemplo a seguir por todos os pioneiros angolanos, jovens, mulheres, homens e velhos».
Ainda por Lisboa, em pleno Processo Revolucionário em Curso (PREC) sabia-se do plenário dos oficiais da Marinha (de apoio ao reforço da unidade do MFA) e de falsas ameaças de bombas em dois aviões Jumbos da TAP. Um, voava para Lourenço Marques e o outro para Luanda, acabando ambos por aterrar de emergência em Las Palmas - se que se confirmasse a existência de bombas.
As denúncias tinham sido feitas, sob anonimato, para o aeroporto de Lisboa.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

3 231 - Grupos de Mesclagem do BCAV. 8423 passaram a disponibilidade

Grupo de Cavaleiros do Norte da CCS e 3ª. CCAV. 8423, no Quitexe: Luís 
Capitão (falecido a 5 de Janeiro de 2010), João Cardoso, José Almeida (cozinheiro), 
Carlos Lages (bar) e António Flora. António Cruz (de óculos e cara semi-tapada), 
Luís Costa, Armindo Reino e José Carvalho. À frente, Francisco Bento, 
José Grenha Lopes, José  Carlos Fonseca (de bigode) e Nelson Rocha

Alfredo Coelho (Buraquinho) em pose
de guerra, no «baldio» em frente
à enfermaria do Quitexe

A 1 de Dezembro de 1974, um domingo, hoje se passam 41 anos, foi determinado que os Grupos de Mesclagem do BCAV. 8423 «entrassem de licença registada (...), o que rapidamente se realizou com o decorrer do mês».
O Livro da Unidade, de que nos socorremos, refere, a propósito, que «tornando-se necessário remover as dificuldades que as tropas da GN estavam criando aos comandos que serviam e na continuação da desactivação dos destacamentos, mercê da retracção do dispositivo, foi possível pensar em dispensar a prestação do serviço militar aos Grupos de Mesclagem». Isso, porém, sublinhava o LU, iria implicar «algum esforço para as tropas metropolitanas, mas, por outro lado, com vantagens no campo da sua vivência».
O Batalhão de Cavalaria 8423 tinha 3 Grupos de Mesclagem, um em cada uma das três companhias operacionais - as de Zalala (do capitão miliciano Davide Castro Dias, de Aldeia Viçosa (do capitão miliciano José Manuel Cruz) e Santa Isabel (do capitão miliciano José Paulo Fernandes). Todos eles oriundos do Regimento de Infantaria 20. aquartelado em Luanda.
Alguns deles desertaram ao longo da (nossa) jornada africana. Em Outubro de 1974, 5 deles abandonaram o Grupo de Aldeia Viçosa. Mas também chegaram mais: um para a 2ª. CCAV. (em Julho), dois para a 3ª. CCAV. (Agosto) e três para a 1ª. CCAV. (Setembro).
Ao mesmo tempo, em Santa Isabel, acelerava-se o processo de rotação para o Quitexe, onde passaria a aquartelar-se a 3ª. CCAV. 8423. - que se viria a concluir a 10 de Dezembro desse mesmo ano (1974). Assim como o Destacamento de Luísa Maria, de onde a última guarnição dos Cavaleiros do Norte saiu a 14 de Dezembro.