CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

domingo, 9 de agosto de 2020

5 145 - Cavaleiros do Norte nos confrontos armados do Bairro do Saneamento

Notícia do Diário de Luanda sobre os confrontos do Bairro do Saneamento. Os dois militares
portugueses 
parecem ser o 1º. cabo Ezequiel Silvestre e o alferes miliciano António Garcia,
Cavaleiros dos Norte do PELREC  do BCAV. 8423. Recorte cedido pelo (1º. cabo) Rodolfo Tomás
O alferes António Garcia e o furriel Viegas no Quitexe
 momentos antes da saída para mais uma operação

militar pelas picadas e matas do Uíge angolano


A manhã de 9 de Agosto de 1975 «acordou» em Luanda ao  som estridente dos violentos combates do bairro do Saneamento - de onde o MPLA queria expulsar a FNLA. 
Os Cavaleiros do Norte do PELREC, ao tempo aquartelados no Campo Militar do Grafanil, idos da uíjana Carmona, foram chamados ao local, logo ao abrir dessa manhã que poderia ser trágica.
«Violento tiroteio de armas ligeiras e pesadas fazia-se ouvir hoje de manhã, 
1º. cabo Ezequiel Silvestre
em Luanda, à medida que se generalizava uma ofensiva desencadeada pelo MPLA, esta madrugada, com a intenção de expulsar os últimos militares e políticos da FNLA que se encontrava instalados no luxuoso Bairro do Saneamento, por detrás do Palácio do Governador», relatava o Diário de Lisboa dessa tarde.
O MPLA exigia a saída da FNLA do Governo de Transição, alegando que «perdeu o direito de participar, por via do Acordo do Alvor». Governo de Transição que, de resto, mal funcionava: já não participavam os ministros e secretários de Estado da FNLA e os da UNITA preparavam-se para abandonar Luanda.
A situação era dramática, muito perigosa (perigosíssima...), a maioria das representações diplomáticas fechou os seus escritórios de Luanda e o Consulado Americano aconselhava os seus compatriotas (uns 120) a «abandonarem Angola o mais rapidamente possível». E já se tinham retirado 50 franceses e 30 ingleses. 
A República Federal a Alemanha ia, no dia seguinte e via porto do Lobito, evacuar uma centena dos seus cerca de 800 cidadãos instalados em Angola.
Cavaleiros do Norte do PELREC:
1º. cabo Ezequiel Silvestre e alferes
Garcia. Serão mesmo eles?

Cavaleiros do Norte no
Bairro do Saneamento

O BCAV. 8423 foi chamado a intervir e, nesse sábado, foi muito apressadamente formado um grupo de combate, comandado pelo alferes Garcia, à base de militares que estava no extinto Batalhão de Intendência de Angola (BIA) - desde a rotação de Carmona, ali chegados (os da coluna terrestre) às 12,45 horas de 6 de Agosto de 1975.
O Diário de Luanda, jornal da tarde desse mesmo dia - que o 1º. cabo Rodolfo Tomás me fez chegar às mãos (ver o recorte, na imagem) - publicou uma fotografia onde se parecem reconhecer o alferes miliciano António Garcia e o 1º. cabo Ezequiel Silvestre, ambos do PELREC. Poderão ser.
A legenda da foto é esta: «Tropas do Exército Português controlam a operação de retirada dos elementos do FNLA do Bairro do Saneamento, onde, sexta à noite e sábado de manhã, se registaram confrontos armados. Os elementos do ELNA foram transferidos para fora da capital».
Infelizmente, o alferes miliciano António Garcia não pode dar-nos o seu testemunho. Faleceu a 2 de Novembro de 1979. O 1º. cabo Ezequiel Silvestre lembra-se de ter ido, mas não fixou pormenores.
Ainda relativamente a Luanda e nesta data, confirmou-se a retirada das forças da UNITA - para Nova Lisboa e Lobito. Em Luanda, apenas ficaram os seus dirigentes políticos. A cidade ficou «por conta» do MPLA. Apenas lhe faltava expulsar os FNLA´s que se acantonavam no Forte de S. Pedro da Barra.

Jonas Malheiros Savimbi,
presidente da UNITA

Ataque à UNITA na
Av. dos Combatentes

O dia foi também de confrontos na Avenida dos Combatentes, onde foi atacada a sede da UNITA, por homens armados e desconhecidos. «Não identificados», relatou  a imprensa, referindo que o tiroteio provocou pelo menos 3 feridos, entre os defensores do espaço do movimento de Jonas Savimbi. 
O local foi de grande concentração e movimento de carros pesados, como que confirmando a saída da UNITA para o sul - onde procuraria «concentrar forças»O objectivo seria «assumir uma posição de força», a pretexto de um pretenso atentado ao avião pessoal de Jonas Savimbi - que estaria a ser preparado em Silva Porto, cidade que era controlada pela UNITA, depois de um acordo com o MPLA, que aceitou retirar, lá deixando apenas uma delegação política.
António Lopes, o
Famalicão (2020)


Agra, o Famalicão de Zalala,
68 anos em Vila do Conte !

O soldado António Martins Lopes, o Agra, da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, festeja 68 anos a 20 de Agosto de 2020.
Cavaleiro do Norte condutor auto-rodas e popularizado como Famalicão (por de lá ser natural), regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975 e vive em Vila do Conde, onde, profissionalmente, é técnico de elevadores. Participante habitual dos encontros dos Cavaleiros do Norte zalalianos (ainda esteve no de ontem, dia 8 de Agosto de 2020), para lá e para ele vai o nosso abraço de parabéns!

sábado, 8 de agosto de 2020

5 144 - Zalala´s em «golpe de mão» na Trofa e comandante do BCAV. 8423 em Zalala !

Cavaleiros do Norte de Zalala, a 7 de Agosto de 2020, na Trofa: os furriéis milicianos Queirós e Mota
Viana, o Maia, o Barroso (Salsicha) e o Agra (Famalicão) e o furriel Pinto. Gente do alto e que não perde
 uma oportunidade para, à mesa, lembrar Angola!  
Cavaleiros do Norte no Quitexe:  Miguel (?), furriel Morais,
alferes Cruz e 1º. sargento Aires, 1ºs. cabos Malheiro (entre
 
Miguel e Morais), Teixeira, estofador (entre Morais e Cruz)
  e Cuba (atrás do Teixeira, de óculos). Atrás e do lado direito
os atiradores Ferreira e 1º. cabo Almeida

Um grupo de Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, planeou para hoje «mais um golpe de mão», desta feita nas profundezas gastronómicas do restaurante «O Bêbado», na nortenha Trofa.
«Foi tudo preparado ao pormenor e demos cabo do imimigo, bastou esta equipa de assalto rápido...», disse,  lamber o beiço de contente, o ex-furriel miliciano Pinto, que por Angola foi especialista de Operações Especiais - os
José Borges Martins, de Zalala,
aqui no Quitexe com um grupo

de crianças locais
 Rangers! 
O «golpe de mão» contou, ainda, com os operacionais Plácido Queirós e Mota Viana (furriéis milicianos) e os praças Manuel Barroso, atirador (o Salsicha), o condutor Antóno Agra (Famalicão) e o padeiro Maia.
Há 45 anos, os Cavaleiros do Norte continuavam aquartelados no extinto Batalhão de Intendência, no Grafanil, muito mal instalados e naturalmente expectantes sobre o seu futuro próximo.
A epopeica rotação de Carmona já lá ia, dois dias depois da chegada ao Campo Militar do  Grafanil, e após «um  curto período de repouso e o arranjo de viaturas (...), logo o BCAV. foi chamado a actuar, dado quer ficará em Luanda a cumprir missões de unidade de reserva da RMA».
Notícias da «nossa» já saudosa Carmona eram poucas. E há tão pouco tempo de lá tínhamos saído!!! Iko Carreira, do MPLA, declarou que o Uíge e o Zaire, províncias do norte Angolano, tinham sido «militarmente ocupadas por forças da FNLA» - o não era propriamente uma novidade. Desmentiu que a FNLA tivesse entrado em Luanda, sequer que para lá avançasse.
«A tomada eventual da capital por forças da FNLA, por soldados da FNLA, como anunciado por certa imprensa, não se registará porque vamos opôr ao invasor a resistência popular generalizada», disse Iko Carrreira, sublinhando o inverso: «Cerca de 3000 militantes da FNLA foram neutralizados e evacuados de Luanda, por forças do MPLA». Tinham sido, 
A picada de Zalala, com três «zalala´s»: o Santos e
os furriéis milicianos Jorge Barreto e José A. Nascimento
segundo afirmou, «introduzidos a capital com o objectivo de ocuparem o poder pela força».

Comandante Almeida
e Brito em Zalala

Um ano antes, a 8 de Agosto de 1974 - já lá vão 46 anos... -, o comandante Almeida e Brito deslocou-se a Zalala, onde estava aquartelada a mesma 1ª. CCAV. 8423, comandada pelo capitão miliciano Davide Castro Dias.
O mês decorria «com inúmeras visitas a povos e fazendas, em apoio às vidas de todos estes», no seguimento de «directivas superiores, que impõem a não realização de acções ofensivas».
Assim, os Cavaleiros do Norte continuam a proteger os trabalhos de requalificação do itinerário (picada) do Quitexe para Zalala, que estavam a ser realizados pela Junta de Autónoma de Estradas de Angola (JAEA).
Os trabalhadores da JAEA, na prática, trabalhavam «sob a protecção de escoltas militares». Como, por exemplo, acontecia na estrada do Café, entre Vista Alegre e Ponte do Dange. Ou na picada para a Fazenda Liberato.

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

5 143 - Cavaleiros do Norte a refazer forças, fogo no forte de S. Pedro da Barra!

A chegada da coluna dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 ao Campo Militar do Grafanil, a 6 de Agosto de
1975. Como se vê, com muitas viaturas civis. «Centenas de viaturss e milhares de desalojados vindos do
 Uíge», noticiava a imprensa escrita de Luanda
O Campo Militar do Grafanil, onde há 45 anos chegaram
os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, é agora, entre outras
 valências, a Escola Superior de Guerra das Forças
 Armadas de Angola. Foto de 27 de Setembro de 2019


A quinta-feira de 7 de Agosto de 1975, já 75 anos, foi tempo de os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 refazerem forças no Batalhão de Intendência de Angola (BIA), depois da epopeica coluna terrestre que os levou de Carmona ao Grafanil.
Os graves combates pela ocupação de Lucala, que era ponto rodoviário estratégico das ligações de Luanda com Malanje e Carmona, eram a grande notícia do dia. A ligação mais próxima 
Leal, atrás (falecido a 18 de Junho
 de 2007, no Pombal) e Mada-
leno, dois Cavaleiros do Norte
 do PELREC da CCS
de Carmona a Luanda era a Estrada do Café que, recorde-se, não estava «livre», devido aos combates do Caxito.
O ELNA, exército da FNLA, teria sido «expulso de
Lucala e debandava em direçção a Samba Caju». Localidades por onde, pouquíssimo tempo antes, no dia 4, tinha passado a coluna dos Cavaleiros do Norte.

Recolher obrigatório e
ataque a avião com Savimbi

«situação de acalmia» que se verificava em Luanda levou as autoridades a alterar o horário do recolher obrigatório. Era entre as 22 e as 6 horas da manhã, passou a ser entre a meia noite e as mesmas 6 horas, segundo anunciou o Estado Maior General das Forças Armadas Portuguesas.
Houve, na véspera e antevéspera, confrontações em Silva Porto, entre as forças do MPLA e da  FNLA/UNITA, e suspeitou-se um ataque ao avião em que seguia Jonas Malheiro Savimbi. Ele mesmo, em declarações à Emissora Oficial de Angola, admitiu que tal tivesse acontecido, quando «o avião se preparava para voar para o exterior».
Tal justificou a «aliança» UNITA/FNLA contra o MPLA. «Descoberta esta tentativa, as forças das FALA, mais tarde aliadas às do ELNA, conseguiram derrubar aqueles que estavam a arranjar confusão», disse Savimbi, sublinhando que «as duas forças ocupam 80% da cidade».
Forte de S. Pedro da Barra

Fogo no Forte de
S. Pedro da Barra

A cidade de Luanda apresentava-se calma, mas no Forte de S. Pedro da Barra, à entrada do porto, onde estavam entrincheirados 600 homens da FNLA, «fogo intenso rebentou».
Os homens da FNLA (o ELNA) estavam lá desde os «sangrentos combates de Luanda» e na manhã de 7 de Agosto de 1975, «marinheiros do Porto de Luanda declararam ter ouvido prolongadas rajadas de metralhadoras, intercaladas por explosões de granadas que pareciam ser de morteiros disparadas do Forte». A FNLA teria ameaçado bombardear a refinaria de petróleo de Luanda, se os seus homens «sitiados no Forte fossem atacados pelo MPLA».
A noite da véspera, dia 6 de Agosto de 1975, foi tempo de se «ouvirem tiros noutros pontos da capital», nomeadamente nas «áreas residenciais do centro», mas não havia confirmação oficial de tais incidentes. Os Cavaleiros do Norte continuavam aquartelados no Grafanil.
Adão Morais

Adão, 1º. cabo de Zalala,
faleceu há 11 anos !

O 1º. cabo Adão Luís Correia de Morais, da 1ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Maria João, na mítica Zalala, faleceu a 7 de Agosto de 2009. Há 11 anos e de doença!
Atirador de Cavalaria de especialidade militar e natural de Bouças de Cima, na freguesia de Ordem, concelho de Lousada - lá regressou no dia 9 de Setembro de 1975, concluída a sua comissão militar em Angola - que também o levou a Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona. Por lá continuou a vida e lá faleceu, aos 57 anos. Tinha nascido a 10 de Abril de 1952.
Hoje o recordamos com saudade! RIP!!!

Leiria de de Santa Isabel
faz 68 anos no Seixal !

O 1º. cabo Fernando José Trigoso Leiria, atirador de Cavalaria de especialidade e militar da 3ª. CCAV. 8423, festeja 68 anos a 7 de Agosto de 2020.
Cavaleiro do Norte da Fazenda Santa Isabel,  foi castigado com 20 dias de prisão disciplinar agravada em Setembro de 1974, depois agravada pelo Comando do Sector do Uíge (para 30 dias) e pela Região Militar de Angola (para 40). Foi despromovido a soldado e transferido para a 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa.
Regressou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975, à Brandoa, no concelho de Oeiras, e actualmente reside no Fogueteiro, no concelho do Seixal, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

5 142 - A coluna do BCAV. 8423 no Grafanil com milhares de desalojados do Uíge!

A chegada dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 ao Campo
Militar do Grafanil na imprensa de Luanda
(imagem do 1º. cabo Jorge Silva

BCAV. 8423

O dia 6 de Agosto de 1975, já lá vão 45 aos, foi o da chegada dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 e de milhares de pessoas do Uíge angolano ao Campo Militar do Grafanil e a Luanda.
«Importa aqui realçar a colaboração da tropa portuguesa que escoltou esta pobre gente», reportava a imprensa de Luanda - como se pode ler ao lado.
A coluna dos Cavaleiros do Norte, com as Companhias de Comandos e de Paraquedistas, estava pronta, logo pelas 7 horas da manhã desse dia, no Dondo, para a última etapa da épica rotação, desde Carmona. Falta(va)m 174 quilómetros até ao Grafanil - onde se juntaram à CCS e 1ª. CCAV. 8423 - que no domingo anterior, dia 3 

Uma das paragens da coluna  do BCAV. 8423
de Agosto estavam no BIA.
A BBC, estação televisiva de Londres, viajou para Angola e, integrada na cobertura aérea da parte final da coluna dos Cavaleiros do Norte, fez seguir uma equipa de reportagem.
Às 10,20 horas desse memorável dia 6 de Agosto de 1975, a coluna seguia em estrada de asfalto e foi sobrevoada por um helicóptero (com a BBC) e dois Fiat´s - caças bombardeiros da Força Aérea Portuguesa. 
Notícia da imprensa luandina de 7 de Agosto de 1975
sobre a chegada ao Grafanil da coluna do Uíge

Odisseia de milhares de civis,
570 kms. e 58,45 horas de viagem

«A coluna incluía cerca de 1500 veículos», noticiava a imprensa de Luanda (como se pode ler ao lado e mais abaixo). Passou-se Catete, a terra de Agostinho Neto, por volta das 11 horas e ao meio dia «começaram a chegar ao Grafanil», onde, ansiosos, os esperava os companheiros que, três dias antes, tinha viajado de avião. O tempo de escoamento foi de 45 minutos.
«Terminou assim, às 12,45 horas, o movimento do BCAV. 8423 de Carmona para Luanda, nos 570 quilómetros de itinerário e no tempo de 58,45 horas, trazendo cerca de 700 a 800 viaturas», relata o livro «História da Unidade».
O mesmo livro sublinha que «terminou, assim, a odisseia de milhares de civis que, à chegada a Luanda» e acrescenta que esta «teria sido a missão mais difícil do BCAV., mas também aquela em que bem demonstrou o seu «querer e saber querer», conduzindo uma operação que forçosamente terá de ser um pilar bem marcante da sua história».
Almeida e Brito comandou
 a coluna de Carmona para
o Grafanil, em Luanda

Dezenas de mortos ao
longo das estradas,
mais de 1500 veículos

A imprensa luandina do dia seguinte, 7 de Agosto de 1975, refere que «chegou do Uíge uma coluna de civis e militares» de Carmona e do Negage. Do Uíge.
 «A coluna compreendia cerca de 1500 veículos, muitos dos quais de carga, com mobílias, electrodomésticos e outros bens, pertencentes aos  a europeus residentes naquelas zonas e que, pelos vistos, tencionam abandonar o país, em virtude do que ali acontecer e da retirada tropa portuguesa».
«Muitas destas pessoas», ainda segundo o jornal (supomos que o «A Província de Angola», na altura já «Jornal de Angola» - ver recorte), «nasceram naquelas terras ou lá viviam há muito tempo»
«Disseram que devem ser raros os europeus que lá ficaram, apesar de Daniel Chipenda ter estado no Negage a tentar demovê-los de partirem», referia o jornal. Era alto dirigente da FNLA.
O Diário de Lisboa, por seu lado e citando alguns civis da coluna, dava conta de «grandes recontros ao longo da estrada que de Luanda e Malanje se dirige a Negage a Carmona, principais centros militares da FNLA».
O jornal, de resto, anotava «dezenas de mortos caídos ao longo das estradas» e adiantava que «existem fortes suspeitas de que a FNLA teria introduzido aviões e helicópteros no Negage, antiga base aérea portuguesa».

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

5 141 - Coluna com 700 viaturas e um helicóptero FAP alvejado!

Uma paragem da coluna que a 4 de Agosto de 1975 saiu de Carmona para Luanda, rodando os Cavaleiros
o Norte do BCAV. 8423 do BC 12 para o Campo Militar do Grafanil. Aqui, na cidade de Salazar, actual
N`Dalatando. É visível o apoio dos  militares aos civis
Alguns combatentes da FNLA, aqui em Vista Alegre,
cujo ELNA tentou impedir a saída da  coluna militar, 
com civis, de Carmona para Luanda. Há 45 anos!
Imagem do 1º. cabo Jorge Silva (Zalala)
Comandante Carlos
Almeida e Brito


A coluna dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 que a 4 de Agosto de 1985 saiu de Carmona, «agora com cerca de 700 viaturas», retomou a marcha pelas 19 horas desse dia, no Negage e depois das negociações com Daniel Chipenda, da FNLA, e das imposições do comandante Carlos Almeida e Brito.
O impasse provocou as suas «dores», nomeadamente entre a comunidade civil que se «refugiava» na coluna militar, mas uma hora depois atravessou-se o controlo de Camabatela, onde se incorporaram «mais uns quantos civis». Às 20,30 horas, chegou a Samba Caju, onde se pernoitou.
O livro «História da Unidade» refere que «a guerra psicológica travada no Negage fora esgotante para os nervos», mas, também sublinha(va), «estavam vencidas as primeiras grandes dificuldades».
A marcha foi retomada às 5 horas da manhã de 5 de Agosto, hoje se fazem 45 anos, depois de uma noite mal dormida e pouco descansada, sempre em alerta, e 2,30 horas depois «atingiu-se o controlo de Samba Caju, onde surgiram novas dificuldades, novamente torneadas». Mas que, de qualquer modo, pararam a coluna por uma longa hora.  
O «héli» alvejado (foto de Agostinho Belo, furriel
miliciano da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel)

Helicóptero alvejado e
viaturas abandonadas

A localidade de Vila Flor atingiu-se às 11,30 horas e «mais viaturas se juntaram à coluna». Teve alturas (a coluna) em que teve mais de 20 quilómetros. Viatura avariada era abandonada, se não tivesse reparação rápida.
Daí para a frente, e por vários quilómetros (quantos?), era terra de ninguém. Nem da FNLA, de cujo feudo (uíjano) ia a coluna dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, nem do MPLA - em cujo território ia entrar. Por volta das 13 horas fez-se «nova paragem para juntar todas as viaturas e refazer a coluna».
«Ia-se entrar na terra do MPLA e havia que reconhecer itinerário. Para tal, recorreu-se aos helicópteros estacionados em Salazar e que estavam à nossa espera», reporta o livro «HdU».
Um deles foi alvejado durante o reconhecimento aéreo e, por volta das 13,30 horas, «contactou-se o MPLA, via terrestre», logo se retomando a marcha e meia hora depois chegado a Lucala - onde se abandonou mais uma viatura. 
A cidade de Salazar, actual N´dalatando, era logo a seguir e lá se chegou às 16 horas,  demorando-se 4 horas a atravessar a sua malha urbana. Nomeadamente, porque tiveram de ser reparadas várias viaturas, uma delas lá ficando abandonada.
A marcha foi retomada, agora «incorporando uma Companhia de Paraquedistas que se encontrava de reserva no Comando Territorial de Salazar». Passou-se ao Dondo (às 23 horas) e por volta da uma hora da madrugada de 6 de Agosto de 1975, fez-se «nova interrupção de marcha» - retomada às 7 horas e já a apenas 174 quilómetros de Luanda.
António Rocha, 1º.
cabo enfermeiro 

Rocha de Aldeia Viçosa faria
68 anos. Faleceu em 2016 !

O 1º. cabo enfermeiro António Gomes Rocha, da 2ª. CCAV. 8423, foi um dos Cavaleiros do Norte desta épica coluna militar e faria 68 anos 5 de Agosto de 2020. Faleceu a 9 de Maio de 2016, de doença.
Natural do lugar do Ribeiro, da freguesia de  Melhundos, no concelho de Penafiel, lá voltou a 10 de Setembro de 1975 e por lá fez a sua vida profissional e familiar. Foi habitual e sempre entusiasmado participante dos encontros anuais dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa. Resida na Rua António Ferreira Gomes, em Penafiel, e hoje o recordamos com saudade. RIP!!!

terça-feira, 4 de agosto de 2020

5 140 - O dia último dos Cavaleiros do Norte no Uíge angolano!

A coluna de Carmona para Luanda, aqui com militares portugueses e civis, há precisamente 45 anos,
dia 4 de Agosto de 1975:  NN, 1º. cabo Manuel Mendes (atirador), 1º. cabo Deus (operador cripto), soldado 

António Santos (atirador) e furriel miliciano António Artur Guedes (atirador de Cavalaria)
Grupo de Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423
na epopeica coluna de há 45 anos. Alguém os

pode identificar?


O dia 4 de Agosto de 1975, há 45 anos, foi o último da presença militar portuguesa em terras do Uíge: de lá, de Carmona, rodaram a 2ª. CCAV. 8423 e a 3ª. CCAV. 8423. Para Luanda e via Negage, Salazar e Dondo.
A epopeica coluna saiu com reforço de uma Companhia de Comandos (desde o BC 12, de Carmona) e outra de Paraquedistas (a partir do Negage) e, já das vésperas, se conhecia o mais que certo êxodo de civis. 
«Começou a sentir-se que iriam acompanhar a nossa coluna centenas de viaturas, com alguns milhares de desalojados, que procuravam o refúgio protector das NT», sublinha o livro «História da Unidade», o BCAV. 8423,  salientando que «aumentaram as dificuldades e aumentaram as responsabilidades».
A fachada principal do BC 12, vista do lado
 de Carmona e de onde há 45 anos saíram 
os últimos militares portugueses. Os do
BCAV. 8423 (foto da época)

Salvar bens e
salvar vidas!

A posição dos Cavaleiros do Norte era claríssima, desde a primeira hora: a de defender as populações, a que preço fosse. Já o mesmo acontecera na dramática e sangrenta primeira semana de Junho desse ano de 1975 e assim continuou. Até ao último instante!
«Há que entregar toda esta molde de gente são e salva em Luanda, há que contrariar os intentos da FNLA em reter essas populações, os seus bens e se calhar as suas vidas, há que salvaguardá-la do saque do poder popular», escreveu, na altura, o comandante Almeida e Brito.
A coluna partiu de Carmona às 5 horas da manhã de 4 de Agosto de 1975, mas «pode dizer-se», refere o livro «HdU», que «a partir das 2 horas tudo se pôs a postos para que o horário fosse cumprido»
Efectivamente, às 5 horas da manhã, «toda a máquina se moveu»A coluna abriu com a Companhia de Comandos, seguindo-se as duas dos Cavaleiros do Norte.
 «Juntaram-se cerca de 700 viaturas, com alguns milhares de desalojados», anota o «HdU», referindo-se à população de Carmona.
A FNLA em Carmona

FNLA quis bloquear
os civis da coluna

As primeiras dificuldades surgiram ainda na capital do Uíge, quando «a incompreensão dos civis gerou o primeiro problema com a FNLA que, bloqueando-os, não os quis deixar sair».
Resolveu-se às 5,15 horas, mas foi apenas o primeiro de vários pois «esta resolução iria dar azo ao segundo e mais grave incidente, pois todos os que fugiram para o Negage, foram impedidos de partir». O problema foi de tal dimensão que «iria atrasar em cerca de 8 horas a marcha da coluna».
Posta a coluna em marcha, «passou o controlo da FNLA no Candombe» e por volta das 7,30 horas, o nevoeiro serrado provocou um acidente e o abandono de duas viaturas médias. Depois, e já no Negage, também uma viatura pesada.
No Negage, incorporaram-se as viaturas do Aeródromo Base 3 e as Companhias de Caçadores ali estacionadas. A coluna fechava com a Companhia de Paraquedistas.
Daniel Chipenda

Chipenda no Negage
para passarem civis

O Negage «estava pejado de viaturas em toda a cidade», mas «a FNLA em peso» quis impedir a sua saída, exceptuando as privadas da coluna militar. E não era o caso das dos civis. Que as NT de modo algum iriam abandonar.
As negociações «foram improfícuas, tentadas plataformas várias, batendo-se sempre em falso». Refere o livro «HdU» que «começou a odisseia dos civis, sentindo-se abandonados e entregues à sorte do querer da FNLA, convencidos que as NT os abandonariam», mas, importa sublinhar, «assim não aconteceu»
«Após uma reunião com Daniel Chipenda, obteve-se a permissão para o trânsito da quase totalidade dos civis», sublinha o «HdU», sem especificar razões para os que ficaram.

José A. Monteiro,
furriel da CCS

Furriel José Monteiro, 
68 anos em Paredes !

O furriel miliciano José Augusto Guedes Monteiro festeja 68 anos a 4 de Agosto de 2020, em Paredes. 
Especialista de Operações Especiais (Rangers) da CCS do BCAV. 8423, serviu na secretaria da companhia e regressou a Portugal e à sua natal Vila Boa de Quires, em Marco de Canaveses, no dia 8 de Setembro de 1975 - no final da sua e nossa jornada africana do Uíge angolano. 
Trabalhou nos Transportes Colectivos do Porto e no empresariado da construção civil e, já aposentado, vive em Paredes - agora a convalescer de recentíssima operação a um joelho que, diz ele, corre magnificamente
Grande abraço, ó «Ranger»! E parabéns!
José M. Cordeiro,
1º. cabo do PELREC

Cordeiro, 1º. cabo PELREC,
68 anos em Porto de Mós

O 1º. cabo José Manuel de Jesus Cordeiro foi atirador de Cavalaria do PELREC da CCS do BCAV. 8423 e festeja 68 anos a 4 de Agosto de 2020.
Natural de Portela do Vale de Espinho, da freguesia de Arrimala, em Porto de Mós, este Cavaleiro do Norte vive lá perto - na aldeia de Bezerra, onde casou e fez família. Trabalhou nas áreas da serração de madeira e de exploração de inertes, agora já aposentado e a bater as suas partidas de sueca quase todos os dias, na sede da associação local. 
nosso abraço de parabéns!

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

5 138 - O dia da chegada a Luanda, sem nada para... comer!


A CCS e a 1ª. CCAV. 8423 deixaram Carmona a 3 de Agosto de 1975. Há 45 anos, rodando para Luanda.
O PELREC (foto) e a CCS lá tinham chegado a 2 de Março, rodados do Quitexe. Aqui, tinham chegado a

 6 de Junho de 1974. Reconhecem-se, de pé e da esquerda para a direita, alferes Garcia, Caixarias, 1º. cabo 
Pinto, Marcos, furriel Viegas, Ezequiel (?), Florêncio, Messejana, Neves e 1º. cabo Almeida. Em baixo, furriel 
Neto, Madaleno, Aurélio (Barbeiro), 1ºs. cabos Hipólito e Oliveira (TRMS), Leal, Francisco e 1ºs. cabos
Soares e Vicente. Já faleceram, Garcia, Messejana, Almeida, Leal, Soares e Vicente. RIP!!!
O 1º. cabo Fernando Soares e os soldados Dionísio Baptista
e João Marcos na entrada do avião que os levou de Carmona 
para Luanda, há precisamente 45 anos. E armados,
para o que desse e viesse... 


O dia 3 de Agosto de 1975, há 45 anos, foi um domingo e dia do adeus dos Cavaleiros do Norte da CCS e da 1ª. CCAV. 8423 a Carmona. 
Muitos militares destas duas companhias não «pregaram olho» e cedo se avolumaram malas e sacos com haveres pessoais, carreados para as Berliets que os levaram ao aeroporto da cidade, a capital do Uíge. De lá, um DC6 e 2 Noratlas, «em duas levas», os transportaram para Luanda. 
Aqui, em outras Berliets e atafulhados como gado, seguiram para o Campo Militar do  Grafanil, onde literalmente foram «despejados» no quartel do já então extinto Batalhão de Intendência de Angola (BIA). Que estava em estado miserável estado. 
Comer, não havia e nos quartéis vizinhos do BIA nada havia também. 
A «ordem» foi o desenrasca e, para alguns furriéis, a sugestão foi ir à messe de Luanda, na Avenida dos Combatentes. Lá fomos, à sorte! Mas com sorte, pois, embora «vistos» como «extra-terrestres», lá comemos, já perto das 3 da tarde. «Vocês é que são do Batalhão de Carmona?», éramos inquiridos, de forma desconfiada e estranha, como se fossemos de outro mundo. Lá tinha chegado a «fama» da acção dos Cavaleiros do Norte no Uíge.
Cavaleiros de Zalala, todos milicianos: alferes Lains dos 
Santos e Mário Sousa e furriéis Jorge Barreto, Jorge
Barreto, Jorge Barata, José Nascimento, Américo

Rodrigues e José Louro

Recolher obrigatório 
e tiros em Luanda

A cidade luandina pareceu-nos estranhamento tranquila, sem grande movimento. 
Era o princípio de uma tarde de domingo, um domingo muito quente, de sol a despejar-se sobre a cidade, mas uma cidade surpreendentemente muito sossegada.
Um comunicado da 5ª. Divisão do Estado Maior General das Forças Armadas Portuguesa, às 19 horas desse dia, referia que «a situação não evoluiu nas últimas 24 horas» e sublinhava que «em Luanda e arredores, nomeadamente no Caxito, a situação mantém-se absolutamente estacionária».
A imprensa do dia, no entanto, aludia que «estado psicológico das populações, branca e negra, é francamente mau». Falava-se em 250 000 portugueses que iriam abandonar Angola e, já durante a noite, «foi escutado imenso tiroteio em pleno centro de Luanda». Por volta das 22 horas.
O recolher obrigatório estava fixado nas 21 horas, o que também era surpresa para os Cavaleiros do Norte, e «a polícia e o Exército portugueses cercaram imediatamente o bairro de onde provinham os tiros», mas não houve qualquer prisão. Era a primeira vez que se ouviam tiros depois do recolher obrigatório.
Gabriel Duarte
Silvestre

Gabriel Silvestre de Aldeia
Viçosa, 68 anos em Abrantes!

O soldado Gabriel Duarte Silvestre, da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, festeja 68 anos a 3 de Agosto de 2020.
Atirador de Cavalaria de especialidade militar e natural do lugar de Lagarinho, da freguesia e concelho de Abrantes, lá regressou a 10 de Setembro de 1975, no final da sua comissão africana do Uíge, pelo norte de Angola. 
Por lá faz vida, morando agora em Vale da Horta, freguesia da Bemposta, também em Abrantes.  É para lá para ele que vai o nosso abraço de parabéns!

domingo, 2 de agosto de 2020

5 137 - A véspera do adeus definitivo a Carmona e ao Uíge angolano!

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Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423: clarim Oliveira (impedido da messe), alferes Carvalho de
 Sousa e furriéis Mário Soares, Mário Matos e José Melo. Em baixo, alferes João Machado

e furriéis  Rafael Ramalho e Abel Mourato
Cavaleiros do Norte da CCS no jardim do Qui-
texe: 1º. cabo Almeida, José Rebelo, da messe
de sargentos e... NN? Quem o pode identificar?

O planeamento da rotação do BCAV. 8423 de Carmona para Luanda já era internamente conhecido aos dois dias de Agosto de 1975. Há 45 anos! 
«Previamente, foi prevista a evacuação aérea das subunidades que não se deslocavam via terrestre», que seriam (e foram) a CCS e a 1ª. CCAV. 8423, lê-se no livro «História da Unidade».
A tempo e para além dos «muitos cuidados com o que se pode chamar a coluna militar», um outro problema, bem delicado, estava iminente e era comummente assumido: «A população civil, conhecedora do movimento das NT, insegura no seu dia-a-dia, descrente do seu futuro e receosa de quaisquer represálias, resolveu-se pelo êxodo e começou a sentir-se que iriam acompanhar a nossa coluna centenas de viaturas, com o consequente muito elevado número de pessoas». Viaturas de civis.
E tal viria a acontecer.
O final do dia foi tempo para uma última visita, a visita do adeus aos locais mais sugestivos da cidade - cinemas, cafés e bares, restaurantes, locais de «vícios» jovens... -, enquanto as duas Companhias operacionais (a 2ª. CCAV. e a 3ª. CCAV. 8423, que no dia seguinte integrariam a coluna para Luanda) mantinham as posições de segurança da cidade. Até ao último momento!
Manuel G. Santos

Santos de Zalala
faria 68 anos!

O 1º. cabo Manuel Gonçalves dos Santos, apontador de morteiros da 1º. CCAV. 8423, faria 68 anos a 2 de Agosto de 2020. Faleceu a 29 de Fevereiro de 2012.
Natural de Ega, em Condeixa-a-Nova, lá regressou em data desconhecida e anterior do regresso da 1ª. CCAV. 8423. Foi evacuado por razão de um acidente, por capotamento, de uma viatura militar na Ponte do Dange, durante uma caçada. 
O Santos foi assistido no Quitexe e daqui transportado para o Negage, depois para o Hospital Militar de Luanda - dele aí se perdendo o rasto. Apenas sabemos da sua morte por notícia da Liga de Combatentes, de que era associado (por consequência da sua invalidez, sem que tenhamos conseguido o seu grau de incapacidade). 
Hoje o recordamos com saudade!
José Oliveira (César) nos
seus tempos do Quitexe

César do BCAV. 1917,
75 anos em Matosinhos !

O 1º. cabo José Oliveira, o César da CCS do BCAV. 1917, festeja 75 anos a 2 de Agosto de 2020.
Rádio-telegrafista de especialidade militar, jornadeou pelo uíjano Quitexe entre 1967 e 1969, em período anterior à passagem dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, nu m pempo em que
 o comandante Almeida e Brito (do BCAV. 8423) era major e por lá jornadeara em 1968, como responsável pelo sector de operações do BCAV. 1917, em regime de substituiçãoe em  miesão que terminou a 17 de Dezembro desse mesmo ano de 1968.
O César colaborou em tempos com este blogue e, em 2016, participou no encontro de Custóias, da CCS do BCAV. 8423. Mora na Senhora da Hora, em Matosinhos, para onde vai o nosso abraço de parabéns!
Abílio Silva,
o Tira-Tira

Abílio «Tira-Tira»
do Liberato !

O condutor Abílio Silva, o Tira-Tira,  da CCAÇ. 1321, a da Fazenda Liberato, entre 1971 e 1973, faz 70 anos a 2 de Agosto de 2020.
A CCAÇ. 1321 era uma formação militar  europeia, que saiu do Liberato a 2 de Agosto de 1973, onde foi substituída foi rodada por uma Companhia de angolanos (e quadros europeus, oficiais e de sargentos milicianos, na maioria) - a CCAÇ. 209/RI 21, que viria a ser uma subunidade e cntemporânea do BCAV. 8423. 
Aposentado, mora em Leiria, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

sábado, 1 de agosto de 2020

5 136 - A dois dias do adeus a Carmona! Combates MPLA/FNLA em Luanda...

Parada do BC 12, há 45 anos - a unidade onde estiveram  aquartelados os Cavaleiros do Norte do BCAV. 
8423. Há vários civis e um autocarro que os iria transportar, como refugiados para fora da cidade
 de Carmona. A maioria para Luanda!

O BC 12, onde se aquartelou o BCAV. 8423, ficava
à saída de Carmona, na estrada para o Songo

Os noticiários de 1 de Agosto de 1975, há 45 anos, não falavam de Carmona, a capital do Uíge, o que era bom sinal: de tranquilidade. Ainda que aparente.
Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, nessa sexta-feira, expectavam sobre a já muito próxima rotação para Luanda - o que, na prática, significava um passo

enorme no caminho para o seu regresso aos chãos das suas terras natais e ao conforto das suas famílias. 
Problemas em Luanda? Pois, sim! Sabíamos deles e eram muitos, nomeadamente os combates entre o MPLA e a FNLA! Mas tudo seria melhor, comparado com o Uíge, província angolana de 58 698 quilómetros quadrados - bem mais de metade dos 89 015 de Portugal Continental -, onde os homens do BCAV. 8423 teimavam, sós e com risco permanente de vida, em garantir a segurança de pessoas e bens! Pessoas, às centenas (aos milhares?!!!...), de todas as raças e credos, que pediam protecção às NT.
A 1 de Agosto de 1975, mais viaturas chegaram ao BC 12, viaturas que, relata o Livro da Unidade, «nos ajudariam a transportar o BCAV.» Houve que, refere o mesmo Livro da Unidade, «preparar o movimento, com os cuidados que tal requeria, dado saber-se a oposição que a FNLA dizia ir fazer» - e faria. E de que maneira... Assim como se sabia «ir atravessar-se uma zona de conflito armado entre MPLA e FNLA, para depois prosseguir numa área de interesses do MPLA, dominada por este e pelo seu poder popular».
Artur Rosa


Artur Rosa, 68 anos
em Ferreira do Zêzere !

O 1º. cabo Artur da Maia Ferreira Rosa foi Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423 e faz 68 anos a 1 de Agosto de 2020.
Atirador de Cavalaria e natural e residente no lugar de Chão da Serra, concelho de Ferreira do Zêzere, lá regressou a 10 de Setembro de 1975 - depois da jornada angolana que o levou a Aldeia Viçosa e, depois, a Carmona. Lá fez vida e por lá vive e para lá vai o nosso abraço de parabéns pela bonita idade que hoje mesmo comemora! Que se repita por muitos e bons anos!


Botelho de Santa Isabel
faleceu há 27 anos !!!

Ricardo da Conceição Botelho, da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, faleceu há 27 anos, no dia 1 de Agosto de 1993.
Soldado de transmissões, jornadeou também pela vila do Quitexe e cidade de Carmona, e era natural e residente no lugar de Afonseiro, da freguesia de Azinheira de Barros, no Montijo - onde nasceu a 19 de Julho de 1952. E lá regressou a 11 de Setembro de 1975, depois da missão pelo norte angolano. Dele nada mais sabemos, mas registamos esta data lutuosa em sua memória. RIP!!!