CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

4 971 - A mudança dos Cavaleiros do Norte para o BC12 de Carmona!

Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV 8423. a de Zalala, homens das Transmissões: António Lago e Rogério
Raposo (que amanhã faz 68 anos) e António Lago e, em baixo, Carlitos, José Aires, 1ºs cabos Ângelo
 Lourenço e Hélio Cunha e Fernando Coelho
O BC 12 no tempo dos Cavaleiros do
Norte do BCAV. 8423, em 1975

O comandante Almeida e Brito esteve na Zona Militar Norte (ZMN), em Carmona e a 19 de Fevereiro de 1975, há 45 anos, para «ultimar os aspectos da rendição do BC12»
Este tipo de reuniões de trabalho repetiu-se a 20, 25, 26, 27 e 28 - o que, na prática, antecipava a rotação dos Cavaleiros do Norte para a cidade de Carmona. Já não era para Luanda, o que nos desgostava por um lado e agradava por outro. Neste caso, porque era pacífica a situação no Uíge; naquele, porque a capital fervilhava de pequenos e grandes incidentes e não era raro surgirem  notícias de mortos e de muitos feridos.
O então tenente-coronel (e futuro general) Carlos José Saraiva de Lima Almeida e Brito, normalmente, era acompanhado do capitão José Paulo Falcão - o oficial adjunto e de operações (que, de resto, já interinamente comandara o BCAV. 8423) - e estas reuniões de trabalho analisavam os pormenores processuais da rendição de pessoal do BC12.
Notícia do Diário de
Lisboa de 19/02/1975

Fascismo e colonialismo,
Agostinho Neto no Congo

A capital Luanda, a propósito e por este tempo de há 45 anos, é que continuava pouco pacífica. 
O Diário de Lisboa de 19 de Fevereiro dava conta da denúncia dos industriais pesqueiros, que pediam «uma maior repressão à banditagem que campeia no porto pesqueiro, o que está a provocar grandes prejuízos à indústria e a prejudicar o abastecimento de pescado à capital».
Agostinho Neto presidente do MPLA, por sua vez e depois de uma visita a Cabinda, partia para Brazaville e Ponta Negra, onde iria conferenciar com dirigentes da República do Congo. No enclave e durante um comício, recordou aos guerrilheiros do MPLA «o internacionalismo da luta travada, que fez das vitórias alcançadas por eles vitórias dos povos das outras ex-colónias portuguesas, visto serem os mesmos objectivos os que se pretendem alcançar e o mesmo inimigo a combater».
Citou o povo português, que «conseguiu expulsar o fascismo e o colonialismo» e que o povo de Angola «tendo-lhe sido reconhecido o direito à independência, não tem contradições especiais com o povo português».
Rogério Raposo
em 2019

Raposo de Zalala,
68 anos em Sintra!

O Cavaleiro do Norte Raposo, da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, festeja 68 anos a 20 de Fevereiro de 2020.
Rogério Silvério Raposo foi especialista de transmissões e regressou a Portugal no dia 1 de Setembro de 1975, evacuado do Hospital Militar de Luanda.
«Tive problemas na pele, depois do rebentamento de um granada, ainda em Carmona», recordou este rádio-telegrafista, que nos anos 90 do século XX voltou a Angola e por lá fez vida profissional, até 2015. Trabalhava no sector das madeiras e recordou-nos que «uma vez, fui a Zalala, em serviço, mas nada estava igual».
Mora em Sintra e para ele vão os nossos parabéns!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

4 970 - A Escola de Recrutas do BCAV. 8423! Chipenda acusado de se vender ao estrangeiro!

Os Cavaleiros do Norte da CCS do BCAV. 8423 voltaram ao RC4, a sua unidade mobilizadora
 e de instrução, no dia 3 de Junho de 2017 e lá realizaram o seu encontro anual
O condutor Vicente, o atirador Marco e os furriéis
 milicianos Viegas e Neto, a 28 de Março de 2017, na
entrada do RC4, em Santa Margarida

Os exercícios finais da Escola de Recrutas do BCAV. 8423, os futuros Cavaleiros do Norte, começaram a 18 e terminaram a 22 de Fevereiro de 1974.
O livro «História da Unidade» lembra que decorreram na chamada Mata do Soares, à volta do Campo Militar de Santa Margarida, e que o BCAV. «completou deste modo a primeira parte da instrução, a chamada instrução especial».
A estrutura orgânica já estava definida, sendo comandante do Batalhão o tenente-coronel Carlos Almeida e Brito, oficial de Cavalaria. O 1º. comandante era o major Ornelas Monteiro (que acabou por não seguir para Angola, «desviado» para a Guiné, pelo MFA) e os comandantes de companhia eram os capitães António Oliveira, do SGE (da CCS, a do Quitexe), e os milicianos Castro Dias (1ª. CCAV., a de Zalala), José Manuel Cruz (2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa) e José Paulo Fernandes (da 3ª. CCAV. 8434, a da Fazenda Santa Isabel).
Daniel Chipenda, dissidente do
 MPLA, e Holden Roberto,
presidente da FNLA

MPLA acusou Chipenda de se
vender aos interesses estrangeiros

Um ano depois e já em Angola, Lúcio Lara, o chefe da delegação do MPLA em Luanda, acusou o dissidente Daniel Chipenda de se «vender aos interesses estrangeiros» e de «lançar a instabilidade no nosso país». Salientou que os militares leais a Chipenda eram «veteranos da guerra contra o colonialismo português» e exortou-os «a lutar patrioticamente por uma Angola melhor, mas sem armas, ou pelo menos sem armas que ameacem o nosso povo».
Na mesma Luanda, Ngola Kabangu, ladeado por Samuel Abrigada (Ministro da Saúde) e Hendrick Vaal Neto (Secretário de Estado da Informação), todos da FNLA, pediu ao Governo a dissolução imediata das Comissões Populares de Bairro e testemunhava a rejeição do seu movimento «a qualquer acto susceptível de provocar uma guerra fratricida» e que «não permitirá  a instalação de um clima de insegurança e de anarquia no país».
Agostinho Neto, presidente do MPLA, regressado de Cabinda, a Lisboa, considerou o imperialismo como «o principal inimigo do povo». O imperialismo e «o seus agentes».
Manuel Oliveira

Oliveira de Aldeia Viçosa,
68 anos em Penafiel !

O soldado cozinheiro Manuel Joaquim Martins de Oliveira, da 2ª. CCAV. 8423, festeja 68 anos a 18 de Fevereiro de 2020.
Cavaleiro do Norte de Aldeia Viçosa, regressou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975 e fixou-se no lugar de Serra, freguesia de Canelas, do  município de Penafiel, a partir de onde exerceu a sua actividade profissional como motorista de longo curso.
Um AVC sofrido em 2000, levou-o a antecipar a reforma, em 2001, e lá por Canelas continua a viver, sendo participante habitual dos encontros anuais dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa. O nosso abraço de parabéns!

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

4 969 - A Facção de Daniel Chipenda entre a FNLA e o MPLA!

Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel todos furriéis milicianos: José
Querido, Victor Guedes (falecido a 17/04/1998), António Fernandes, Agostinho Belo (de óculos e bigode,
que hoje festeja 68 anos no Retaxo, em Castelo Branco) e Ângelo Rabiço
Fernando Pires (que hoje faz 68 anos, em
Cascais) e Luís Costa, furriéis milicianos
 do Pelotão de Morteiros 4281
Noticia do Diário de Lisboa
de 17 de Fevereiro de 1975

Os tempos da jornada africana dos Cavaleiros do Norte pelo Uíge angolano, há 45 anos, eram de continuada expectativa sobre seu destino próximo: se para Luanda, se para Carmona - cidade capital do Uíge, onde ia ser extinto o BC12. 
A hora de voltar a casa, às nossas casas, aos nossos chãos e cheiros natais é que não havia mais de chegar. 
O problema da Facção Chipenda continuava por resolver, mas a UNITA, pela voz do secretário geral Miguel Nzau Puma, não punha objecções a que aderisse ao seu movimento, ou mesmo à FNLA de Holden Roberto.
Holden Roberto que, em Abidjan, capital da Costa do Marfim, afirmara na véspera que «tem sido bom o clima político que se respira em Angola». 
«Esperamos - acrescentou o presidente da FNLA - que o espírito que prevaleceu durante as conversações com os portugueses subsista, para que possamos chegar à independência sem demasiados conflitos e dificuldades».
Sobre as dissidências no MPLA, o líder da FNLA comentou que «deixaram de ser um problema de ordem interna para se transformarem num problema nacional».
«Nestas condições - disse Holden Roberto - tal problema deve ser resolvido de forma fraterna, portanto através do diálogo».
Sabemos hoje que as coisas não seriam, não foram bem assim! O tempo, ao tempo, era de esperança e confiança!
Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423: António
 Flora, Luís Costa, Agostinho Belo, Francisco
Bento e Joaquim Abrantes, na messe e bar
de sargentos do Quitexe


Belo, furriel de Zalala,
67 anos no Retaxo !

O furriel miliciano Belo, da 3ª. CCAV. 8423, comemora 68 anos a 17 de Fevereiro de 2020.
Agostinho Pires Belo foi vagomestre e regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975 - depois de terminada a sua missão angolana, que, Uíge fora, o levou pea Fazenda Santa Isabel e também pela vila do Quitexe e pela cidade de Carmona. Fez carreira profissional como funcionário de Finanças e, já aposentado, mora no Retaxo, a sua terra natal, em Castelo Branco.
É para lá que vai o nosso forte e saudoso abraço de parabéns!
Fernando Pires
em 2019

Pires, furriel dos Morteiros, 67
anos em S. Domingos de Rana!

O furriel miliciano Fernando de Freitas Pires, do Pelotão de Morteiros 4281, festeja 6o anos a 17 de Fevereiro de 2020.
Natural do Porto e regressado a Portugal já «preso» d´amores pela sua «mais-que-tudo» de sempre (enamorados desde o Quitexe das nossas muitas saudades!!!...), foi profissional da GNR, nesta qualidade integrando em forças especializadas que, em várias e sucessivas missões - Bósnia e Timor, por exemplo, o levaram a vários teatros de guerra espalhados pelo mundo.
Sargento-mor aposentado, mora em S. Domingos de Rama, no município de Cascais, para onde vai o nosso abraço de parabéns! 

domingo, 16 de fevereiro de 2020

4 968 - Cavaleiros do Norte em ZA de intensa politização dos movimentos!

A praça principal do Quitexe, mesmo em frente à Administração do Concelho. Ao fundo, e a branco,
reconhece-se da Igreja de Santa Maria de Deus, onde, em 1974/75, sacerdotava o padre Albino
Capela, da Congregação dos Frades Capuchinhos Menores
A Igreja de Santa Maria de Deus do Quitexe e, do lado
direito, vários pavilhões que servem de escola e ocupam o
 espaço que era das casernas, oficinas, balneários, cozinha
 refeitório do BCAV. 8423. O edifício do Comando, antes
do imbondeiro, à direita, foi destruído

Os dias uíjanos dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 iam-se desarriscando do calendário e a tarde de 16 de Fevereiro de 1975, há 45 anos, foi tempo de, de ouvidos colados aos transistores de pilhas, ouvirmos o relato do FC do Porto-Benfica - que os encarnados venceram (3-0), com golos de Victor Martins,
Moínhos e Toni. 
A rua lateral do quartel (à esquerda, onde estão
 os pavilhões escolares), vista do lado da Igreja
Ao tempo, e já com o Comando do Sector do Uíge extinto (no anterior dia 13), discutia-se a cada vez mais iminente (e desejadíssima), rotação do BCAV. 8423. Segundo o livro «História da Unidade», «agora com a pressa de uma rápida e imediata mudança para o BC12», na então cidade de Carmona - agora Uíge.
A mudança era do «agrado geral» para os militares e, na prática, mais um passo no caminho do regresso aos seus chãos natais, mas, para os Cavaleiros do Norte levedava-se a responsabilidade operacional «numa zona de intensa politização dos movimentos emancipalistas» - a FNLA, o mais influente na nossa ZA, o MPLA e a para nós quase desconhecida UNITA.
Mal imaginávamos o que iria acontecer nos trágicos primeiros 6 dias de Junho de 1975, já Carmona - para onde rodámos a 2 de Março. E nos antes e depois esses dias de duros e sangrentos combates dentro da cidade.
As operações militares pelas matas uíjanas, os suores de medos e os arrepios sentidos nos trilhos e picadas, as patrulhas e escoltas, eram um pequenino «nada» ao pé, que se comparasse nos dramáticos primeiros dias de Junho, na capital da província.
João Lino, Cavaleiro
 do Norte de Santa
 Isabel

Lino de Santa Isabel, a morte,
atropelado, 3 meses depois do casamento

O dia 16 de Fevereiro de 1975 foi também o dos 23 anos de João Lino Oliveira da Silva, soldado atirador de Cavalaria da 3ª. CCAV. 8423 - a da Fazenda Santa Isabel. 
O Lino, cumprida a nossa jornada africana do Uíge angolano, regressou a Torre do Bispo, em S. Vicente de Paul (Santarém), a 11 de Setembro de 1975. E por lá fez vida, como trabalhador de uma empresa de PVC, em Vila Chão de Ourique, perto do Cartaxo. Compunha o rendimento familiar numa oficina de reparação de motorizadas e ainda «acudia» a outros pequenos oficiais desta área. Tragicamente, a 14 de Março de 1983 - três meses após o seu casamento... -, foi atropelado por um camião, quando seguia de motorizada, em S. Pedro (Portela das Padeiras), no cruzamento de Santarém para Rio Maior. O camião passou-lhe por cima e teve morte imediata.
«Era um bom homem, um amigo!...», recordou-nos o sobrinho Pedro Silva, que ao tempo tinha 11 anos e dele tem «muito boas recordações».
Aqui o lembramos hoje, quando faria 68 anos, evocando o Cavaleiro do Norte sempre humilde, gentil e disponível, que honrou a farda e a Bandeira Portuguesa que nos levaram ao país (Angola) que nascia e onde orgulhosamente cumprimos um dever de honra! Com garbo e sem mácula! Até um destes dias, João Lino! RIP!

sábado, 15 de fevereiro de 2020

4 967 - Castro Dias: último comandante de Zalala, a mais rude escola de guerra!

A última Bandeira de Portugal arriada na Fazenda Maria João, a de Zalala: os furriéis milicianos 
Ribeiro e Branco, da BCAÇ. 4211, e os Cavaleiros do Norte Castro Dias, capitão e comandante 
da 1ª. CCAV. 8423 (quem a arriou) e  o furriel Viegas, da CCS
Castro Dias, o comandante
da 1ª. CCAV. 8423
Zalala, a mais rude escola de guerra

O capitão miliciano Davide de Oliveira Castro Dias foi o comandante da 1ª. CCAV. 8423, a última unidade militar portuguesa da Fazenda Maria João, a de Zalala. E portador da Bandeira Portuguesa (a da imagem) que por ele mesmo ali foi arriada a 25 de Novembro de 1974.
Aqui deixamos, em discurso directo, as suas emoções desse histórico dia, o do fecho do quartel de Zalala no norte de Angola (...):
O tempo decorreu e, meses depois, chegou a altura de sair de Zalala, fechando o quartel. Tudo foi acertado com os civis e o comando e na altura da rotação levámos tudo. Caixotes e mais caixotes, documentos do comando, pertences pessoais, armamento, viaturas, móveis e todo o recheio do quartel.
Também recolhi uma imagem de Nossa Senhora de Fátima com cerca de 70 centímetros, com terços e algumas mensagens, que colocada num pedestal, pequeno altar, servia de local de culto, recolhimento, de colocação de ex-votos e pelo menos por uma vez, de missa com o padre do Quitexe. 
A imagem de Nossa Senhora de
Fátima da Fazenda de Zalala
Reportagem da SIC sobre Nossa
Senhora de Fátima de Zalala

Revi a imagem no nicho, há dias (Janeiro de 2020), numa reportagem que a SIC transmitiu sobre a correspondência enviada à Senhora de Fátima ao longo dos anos. Nessa reportagem, foi entrevistado um militar que tinha estado em Zalala, numa Companhia anterior, que eu fui render, e entre as várias fotos que mostrou, aparecia pintada, ao longo da parede dos terreiros de secagem do café, a célebre frase «Zalala a mais rude escola de guerra”. Numa outra foto que mostrou, por ele estava a imagem da Senhora de Fátima no seu pequeno altar de Zalala.
A imagem foi entregue, em 1975, no Arciprestado de uma cidade da Beira Alta onde o clérigo responsável era familiar da minha futura esposa. Presumo que ainda se mantém com as referências que cuidadosamente anexei à imagem.
Trouxe também a bandeira portuguesa que todos os dias era hasteada e retirada com respeito e ritual militar.
A Bandeira Portuguesa de Zalala, que significava a nossa ocupação de centenas de anos, a colonização. Foi, simbolicamente, a retirada de Portugal desta parcela do norte de Angola - a mais rude escola de guerra. Ainda hoje, quando relembro esse momento, sinto um friozinho nas costas.
Eu, o último capitão em Zalala, arriou-a do mastro com sentimentos miscigenados. Ainda a mantenho.
Senti, nesse momento, por um lado, o orgulho do fecho de 500 anos de colonialismo e a entrega do território aos seus legítimos proprietários e, por outro lado, o saudosismo e a tristeza inerente à entrega de terras que só com esforço, dedicação e sacrifício de muitos portugueses, produziram riqueza e a valorização dessas paragens.
Obviamente, riqueza extrema para uns poucos, intermédia para uns quantos, normalmente os pequenos fazendeiros, os seus encarregados e os comerciantes, os «brancos». Para todos os outros, a quase totalidade, que se deixavam seduzir por algum ilusório e passageiro bem-estar, ficava o pouco dinheiro ganho, a fuba e o peixe seco do contrato quase escravo. O rádio, a pilhas, os óculos escuros e por vezes a bicicleta, completavam a miragem.
DAVIDE CASTRO DIAS

Martinho de Zalala,
68 anos em Andorra!

O soldado cozinheiro Martinho, da 1ª. CCAV. 8423, a dos Cavaleiros do Norte de Fazenda de Zalala, festeja 68 anos a 15 de Fevereiro de 2020.
Júlio Manuel Tavares Martinho, é este o seu nome completo, é natural de Felgueira Velha, freguesia de Seixo da Beira, do serrano município de Oliveira do Hospital, e lá regressou a 9 de Setembro de 1975, no final da sua comissão militar em Angola. Sabemos, por informação do (furriel miliciano) João Dias (TRMS) que está emigrado em Andorra e para lá «cozinhamos» o nosso abraço de parabéns!

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

4 966 - Os dias do Quitexe na alma e bravura dos Cavaleiros da 3ª. CCAV. 8423!

Uma das avionetas portuguesas que, há 45 anos, evacuou da pista do do Quitexe e para Luanda, os
feridos dos violentos combates entre a FNLA e a UNITA, que ocorreram na vila do Quitexe. As Forças  

Armadas Portuguesas, pelas terras do Uíge angolano, foram imparciais e solidárias. À esquerda,
 o 1º. cabo Deus e o soldado José Novo 
O alferes miliciano Carlos Silva,
Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423
Cavaleiros do Norte


Os dias do Quitexe, na realidade de 1975 e depois da saída da CCS para Carmona, não foram nada fáceis para os Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, que lá tinham chegado a 10 de Dezembro de 1974, rodados da Fazenda Santa Isabel.
«Lembro-me dos patrulhamentos mistos das NT com as forças independentistas que, na altura, estavam em força no Quitexe, a FNLA e  a UNITA», recorda o alferes milíciano Carlos, Silva, acrescentando outra memória.A 
O alferes Caros Silva voltou a Angola, para se
casar com Belmira, seu amor de sempre, a
20 de Outubro de 1975
de Silva, acrescentando outra memória.A de 

«uma madrugada em que fomos acordados, por tiros e rebentamentos, porque militares da FNLA e UNITA se desentenderam e desencadearam violentos combates».Passados tantos anos, já lá vão 45 e na verdade, diz Carlos Silva, «recordo apenas alguns pormenores, porque passados tantos anos e porque não fiz registos torna-se um pouco difícil». 
No entanto, fresca está a memória desse dia, pela bravura e desprezo pela vida com que os Cavaleiros do Norte «pudessem intervir, a não ser acudir aos civis (que já eram poucos) que se refugiaram junto de nós e tentar tratar dos feridos». 
A evacuação dos feridos, a cargo das Forças Armadas Portuguesas, sempre generosas e sem medos, coube à 3ª. CCAV. 8433, comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes, feitas de avioneta, a partir da precária pista do Quitexe.
«Recordo um comandante, penso que da  FNLA, com um tiro no peito, que quase deixava ver o coração, e um soldado da UNITA, também bastante ferido», lembra-se o alferes Carlos Silva, não esquecendo «as sedes destruídas e os  corpos mutilados e degolados» desses dias da descolonização de Angola, na vila do Quitexe.
O casal Caixarias

O Caixaria do Quitexe
faz 68 anos por 2 vezes!

O atirador de Cavalaria Raúl Henriques Caixaria, da CCS do BCAV. 8423, festeja 68 anos por duas vezes: a do dia em que nasceu (3 de Fevereiro) e a do dia em que foi registado (dia 14 deste mês de 1952).
Cavaleiro do Norte do PELREC, regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975 e fixou-se ma sua natal terra de Sarge, em Torres Vedras, onde ainda vive agora já aposentado e rodeado de amores e afectos a sua Alzira.
Para lá, vai o nosso abraço de parabéns!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

4 965 - Comandante no Sector do Uíge! Os 68 anos de 3 «zalala´s»!

Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, no Natal de 1974, em Vista Alegre: 1º. cabo
Hélio, Coelho (falecido em 2000), Almeida (de pé), Aires, 1º. cabo Lorenço, Costa (já falecido), Lago e
furriel João Dias - que hoje festeja 68  anos em Tomar!

O 1º. cabo Dorindo Santos
e o furriel João Dias
Almeida e Brito, tenente-
-coronel e comandante
do BCV 8423

Há 45 anos e por terras uíjanas de Angola, os dias de Fevereiro de 1975 iam sendo riscados do calendário, passando com a mínima tranquilidade e os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 assumiam-se por inteiro como actores do processo de descolonização que estava em curso.  
Ao tempo, cada vez mais se expectava sobre a provável (e muito desejada) rotação para Carmona - o que, na prática, significava um novo e decisivo passo para voltarmos a Portugal e às nossas casas, ao conforto e afecto das nossas famílias.
O comandante Almeida e Brito, nesse dia de há 44 anos, deslocou-se uma vez mais a Carmona, onde reuniu no comando do Comando do Sector do Uíge (CSU), não custando admitir que essa questão (a de o Cavaleiros do Norte rodarem para Carmona) terá sido analisada.
Outra esteve, seguramente, na mesa: a da extinção do dito Comando do Sector do Uíge, no âmbito do processo de descolonização de Angola.
O furriel João Dias, das TRMS,
e o atirador Canelas de Zalala


Dias, furriel TRMS, 1º. cabo 
Dorindo e soldado Canelas
de Zalala festejam 68 anos!

O 13 de Fevereiro de 2020 é dia de 68 anos de três Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, todos regressados a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975: o furriel miliciano Dias, o 1º. cabo Dorindo e o soldado Canelas. Na altura, não repararam na coincidência.
João Custódio Dias era especialista de Transmissões e regressou à sua natal Penas Ruivas, freguesia de Seiça, no concelho de (Vila Nova de) Ourém. Fez carreira profissional como inspector da Polícia Judiciária e, já aposentado, mora em Tomar, sendo muito habitual colaborador desta página de saudades do BCAV. 8423. Há 45 anos, em pequenas férias e também de serviço, passou o dia dos seus 23 anos em Luanda.
O 1º. cabo Dorindo dos Santos era especialista de mecânica-auto e voltou ao Soalhal, em Ílhavo, onde fez vida familiar e profissional, na Porcelanas da Vista Alegre. Está reformado e continua a viver em Ílhavo, onde foi fotografado com furriel João Dias, das transmissões (imagem a cima).
O soldado Orlando Canelas Martins, o Cabide, foi atirador de Cavalaria e vive em Santa Maria de Azóia.
Integrou o 4º. Grupo de Combate, o do alferes miliciano Lains dos Santos, e regressou aos Olivais Norte, em Lisboa. Foi operador de máquinas de terraplanagem e vive em Santa Maria de Azóia, no concelho de Loures.
Para os três, parabéns, parabéns, parabéns!

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

4 964 - A Facção de Daniel Chipenda reunida com Agostinho Neto!

O pavilhão do Clube Recreativo do Uíge (CRU), a 25 de Setembro de 2019, aquando da visita do furriel
Viegas à cidade do Uíge, a Carmona do tempo colonial. A Carmona do tempo dos Cavaleiros do Norte
do Batalhão de Cavalaria 8423!
Daniel Chipenda (à esquerda) e Agostinho Neto (à direita)
com um jornalista argelino que, ao tempo, reportava
os acontecimentos de Angola


Ao dia 12 de Fevereiro de 1975, sabia-se por Angola que uma delegação da UNITA se deslocou a Ninda (no leste), onde Daniel Chipenda se aquartelava, na perspectiva de sanar as diferenças que tinha com o MPLA. 
Chipenda, antigo futebolista do Benfica e da Académica de Coimbra, liderava uma das facções dissidentes, depois de contestar a liderança de Agostinho Neto e ser expulso do movimento. Em Luanda, e já desde o dia 4 desse Fevereiro de há 45 amos, estavam Mário Andrade, Joaquim Pinto de Andrade e Gentil Viana, da Revolta Activa - outra facção dissidente do MPLA, que também discordava da orientação de Agostinho Neto.
A conciliação entre as gentes do movimento, admitia-se na altura e segundo a imprensa, era tida como «possível nos próximos dias» e saudada pelos meios políticos luandenses como sendo «um factor positivo na etapa final que levará à independência de Angola, no próximo dia 11 de Novembro».
José Frangãos
o 1º. cabo Cuba
O Frangãos e
2018, em Cuba

Frangãos, o Cuba da 
CCS, 68 anos em... Cuba!

O 1º. cabo Frangãos, pela jornada angolana do Uíge angolano conhecido como Cuba, festeja 68 anos a 12 de Fevereiro de 2020.
José das Dores Caeiro dos Frangãos, é este o seu nome completo, foi especialistas de mecânica-auto da CCS do BCAV. 8423 e natural da alentejana Cuba, por isso Cuba lhe chamavam..., aonde regressou a 8 de Setembro de 1975. E por lá, o Caeiro.
A Cuba natal foi por onde fez (e faz) toda a sua vida pessoal e familiar, à mecânica continuando ligado e também ao futebol, como no Quitexe mas por cá como atleta e treinador. Também à música e organização de eventos, e lá ainda vive, feliz, para lá indo o nosso abraço de parabéns!
Carlos Costa
o Mouraria

Costa de Aldeia Viçosa,
68 anos na Amadora !

O Costa, o Mouraria, Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423, festeja 68 anos a 12 de Fevereiro de 2020.
Especialista de transmissões na uíjana e angolana Aldeia Viçosa, Carlos Alberto de Abreu Costa - é este o seu nome completo... -, voltou a Portugal no dia 10 de Setembro de 1975, à sua casa residencial da Rua do Bem Formoso, na cidade de Lisboa.
Mora agora na vizinha Amadora, na Estrada da Circunvalação, para onde «transmitimos» as nossas felicitações. E muitos mais e bons anos venham!

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

4 963 - O emblema dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 desenhado pelo alferes Simões

O capitão José Manuel Cruz, comandante da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, no encontro de 28 de
Setembro de 2019, na Póvoa de Varzim. À esquerda, sentado e de camisa azul, reconhexe-se o furriel
miliciano Freitas Ferreira. À direita, de pé e também de azul (e gravata), o 1º. cabo José Maria Beato
Alferes Mário José Simões, autor
do emblema do BCAV. 8423
Emblema do  BCAV 8423
O emblema do BCAV. 8423 foi apresentado a 11 de Fevereiro de 1974, há 46 anos, «servindo o lema «PERGUNTAI AO INIMIGO QUEM SOMOS, pertença das tradições do Regimento de Cavalaria 4», como se lê no livro «História da Unidade».O objectivo era «desde o início instituir espírito de corpo ao BCAV., de modo a que o mesmo se constituísse num todo coeso, disciplinado e disciplinador»
O livro «HdU» refere também que «começou a idealizar-se o futuro emblema braçal da Unidade, ao mesmo tempo que se  se desejou a sua plena identificação com a sua unidade mobilizadora» - o RC4.
O desenho foi do então aspirante a oficial miliciano Mário José Barros Simões (foto), da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel - que, ao tempo, estava ligado às artes gráficas. Foram-lhe dadas sugestões (naturalmente a partir do comandante Almeida e Brito) e Barros Simões desenhou aquele que, ainda hoje e para a eternidade, é o símbolo dos Cavaleiros do Norte.
O emblema, em fundo preto, como o que se vê na imagem, representava o BCAV. 8423. As companhias operacionais adoptaram as cores vermelha (a 1ª. CCAV., a de Zalala, do comando do capitão Castro Dias), azul (a 2ª. CCAV., a de Aldeia Viçosa, de José Manuel Cruz) e castanho (a 3ª. CCAV., a de Santa Isabel, de José Paulo Fernandes).
Foi isso há 46 anos. O tempo passa!!! Voa, voa, boa!!!... E nós cá estamos a lembrar a história e de(n)ela fazendo memórias!
Celestino Fernandes

Fernandes de Zalala, 

66 anos em Odivelas!

O atirador Fernandes, Cavaleiro do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, festeja 68 anos a 11 de Fevereiro de 2020.

Celestino Marques Fernandes integrou o 1º. Grupo de Combate, comandado pelo alferes miliciano Mário Jorge de Sousa, dos Rangers, e
é natural de Borda da Ribeira, concelho de Vila de Rei. Lá voltou a 9 de Setembro de 1975 e actualmente mora(rá) em Odivelas, para onde vai o nosso abraço de parabéns!
Sanfins da Castanheira em Chaves

Silva, cortador da CCS, 
faleceu já mais de 20 anos!

O soldado cortador Carlos Alberto Morais da Silva, da CCS dos Cavaleiros do Norte, faleceu «há mais de 20 anos».
Natural de Sanfins da Castanheira, freguesia de Chaves, lá voltou a 8 de Setembro de 1975 e por lá fez vida familiar e profissional, interrompida, segundo Fernando Ribeiro, um conterrâneo que tal nos informou, «há mais de 20 anos, ainda muito novo e deixando 3 filhos».
O tratamento a uma simples dor de garganta levou-o a reacção alérgica a um injectável, provocando-lhe a morte. Teria feito 68 anos a 12 de Janeiro de 2020. Hoje o recordamos com saudade. RIP!!!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

4 962 - A última Bandeira de Portugal na Fazenda de Zalala!

A última Bandeira de Portugal da Fazenda de Zalala  arriada há mais de 45 anos e hoje lembrada em
Águeda: furriéis Ribeiro e Branco, da 1ª. CCAÇ. 4211, Davide Castro Dias, capitão e comandante da 1ª. CCAV.
8423, e furriel Viegas, da CCS do BCAV. 8423. Todos milicianos!
Os furriéis Ribeiro e Branco e o capitão Castro Dias
a desfiarem memórias num álbum de Angola


A última Bandeira de Portugal na Fazenda de Zalala foi arriada a 25 de Novembro de 1974, pelo comandante da 1ª. CCAV.  8423, o capitão miliciano Davide de Oliveira Castro Dias. Hoje, como se vê na imagem, «esteve» em Águeda.
O propósito foi (re)encontrar dois antigos 
A imagem de Nossa Senhora de Fátima
e o furriel Branco, em Zalala (1974)
combatentes de Zalala, que, enquanto militares da 1ª. CCAÇ. 4211 - a do capitão miliciano Palma Nunes -, foram antecessores dos Cavaleiros do Norte: os furriéis milicianos  Carlos Ribeiro e Joaquim Branco - ambos de Águeda, como o Viegas e o Neto. 
O Joaquim Branco, por lá mecânico-auto, há dias e sobre Zalala, foi reportado na SIC e falou da fé e das cartas a Nossa Senhora de Fátima, venerada na uíjana Fazenda Maria João, em Zalala, onde se aquartelavam os «caçadores» da 4211. Ver AQUI.
Hoje foi dia de fazer memórias desses tempos da jornada africana e Castro Dias foi portador da Bandeira de Portugal que, há pouco mais de 45 anos, arriou embrulhado num misto de emoções: o alívio do adeus a uma guerra que ia em 14 anos e o de estar a fazer história numa História de 500 anos de colonização.  
Hoje, em memória da jornada africana do Uíge angolano, (re)viram-se imagens (de álbuns que as não deixam esquecer) e reviveram-se momentos dos muitos momentos que fizeram a história desse tempo de nascer um novo país! Angola!!!   
O Gaiteiro actual

Américo Gaiteiro 
em 1974/1975
Gaiteiro, condutor da
CCS, 68 anos de vida!

O condutor Gaiteiro, da CCS do BCAV. 8423, festeja 68 anos a 10 de Fevereiro de 2020.
Américo Manuel da Costa Nunes Gaiteiro, dele se trata, é natural de Perafita, em Matosinhos, e lá regressou a 8 de Setembro de 1975. Trabalhou na PETROGAL (em Matosinhos) e está aposentado, agora cuidando-se de doenças da idade, que lhe tem dado algumas preocupações, mas não lhe tiraram a irreverência e a boa disposição. Faz regulares revisões médicas e diz ele que «está tudo sem problemas...». Mora em Matosinhos e para lá e para ele vai o nosso abraço de parabéns!
J. Verde em 2014

Verde de Aldeia Viçosa
é «maduro» de 68 anos! 

Joaquim Henrique Ferreira Pereira Verde, da 2ª. CCAV. 8423 (a de Aldeia Viçosa), comemora 68 anos a 10 de Fevereiro de 2020.
Naural do Casal da Cortiça, na freguesia de Barreira, em Leiria, e atirador de Cavalaria por terras de Angola, está aposentado, depois de uma longa carreira profissional na área da serração de mármores.-
Mora no Vale Gracioso, em Azóia, também em Leiria, e para ele vai o nosso abraço de parabéns!