CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

sábado, 17 de outubro de 2015

3 286 - Comandante em Santa Isabel e FNLA em Luanda

O comandante Almeida e Brito em Santa Isabel. Reconhecem-se os alferes 
milicianos Carlos Silva e Jaime Ribeiro, o capitão miliciano José Paulo 
Fernandes, o comandante, o capitão José Paulo Falcão (?), 
um civil (?) e o alferes miliciano Augusto Rodrigues

Furriéis milicianos Cavaleiros do Norte: António
Flora (de joelhos e a olhar para trás, da 3ª. CCAV.).
Luís Costa (sapador, abraçado a Flora e a rir), Agostinho
Belo (de óculos, da 3ª. CCAV.), Francisco Bento (da
CCS) e Joaquim Abrantes (adido à CCS,
de cachimbo na mão)


Aos 17 dias de Outubro, o comandante Almeida e Brito, acompanhado de oficiais da CCS. esteve na Fazenda Santa Isabel, onde se aquartelava a 3ª. CCAV. 8423, para «contactos operacionais». Era uma 5ª.-feira e terá sido uma das últimas vezes que o PELREC esteve na mítica fazenda - onde desde 1961 se aquartelaram sucessivas companhias militares portuguesas. Lá esteve, em escolta à comitiva do comandante Almeida e Brito.
Vaal Neto, dirigente da FNLA, em Luanda e no mesmo dia, depois de reunir com Rosa Coutinho (presidente da Junta Governativa) e a delegação do Zaire, afirmou que «vinha continuar as conversações iniciadas em Kinshasa, com o general Fontes Pereira de Melo» e que um dos objectivos era a instalação de uma delegação (da FNLA) na capital angolana. Outra intenção era constituir, com o MPLA e a UNITA, uma frente comum - que não avançaria, comentou o dirigente do movimento de Holden Roberto, por causa da situação interna do movimento de Agostinho Neto, como noticiava o Diário de Lisboa.
«Manobra tenebrosa» contra o MPLA»
denunciada pelas Associações de Amizade
Portugal-Guiné Bissau e Portugal-Moçambique,
noticiada no Diário de Lisboa de 17 de Outubro de 1975.
Há precisamente 40 anos!
Um ano depois, as Associações de Amizade Portugal-Guiné Bissau e Portugal-Moçambique, em Lisboa, denunciavam «uma tenebrosa manobra que, a pretexto do cumprimento fiel dos Acordos do Alvor, vise objectivamente a instauração do neocolonialismo em Angola». Apelavam, por outro lado e à opinião pública mundial e às forças progressistas portuguesas, para «a sua intervenção e vigilância revolucionária, no sentido de evitar que leve a efeito tal manobra, em Luanda, em obediência servil aos desígnios do imperialismo».
A dita manobra, relata o Diário de Lisboa de 17 de Outubro de 1975, «poderá incluir a deslocação de tropas especiais para proceder, em Luanda, à neutralização dos centros de decisão do MPLA, possibilitando, desse modo, a entrada de forças da FNLA estacionadas na proximidades».
A independência de Angola continuava marcada para 11 de Novembro. Dali a dias, já menos de um mês!
Ver notícia do Diário
de Lisboa, AQUI




sexta-feira, 16 de outubro de 2015

3 285 - O blogue Cavaleiros do Norte na Televisão Pública de Angola

Cavaleiros do Norte em Salvaterra de Magos: os furriéis milicianos José Manuel 
Costa e CJ Viegas, a amazona Viegas e o alferes miliciano Domingos Carvalho de Sousa


A imagem do blogue Cavaleiros do Norte
que, anteontem à noite, passou na Televisão
Pública de Angola (TPA)
A Televisão Pública de Angola (TPA) mostrou na noite de anteontem, uma imagem do blogue Cavaleiros do Norte (a que aqui se reproduz), no decorrer de um dos programas comemorativos dos 40 anos da independência daquele país africano e irmão. Registamos o facto, com prazer. Nela se vêem o furriel miliciano Manuel Machado e o alferes miliciano António Albano Cruz, entre outros Cavaleiros do Norte.
Há 41 anos, no Quitexe, reuniu a Comissão Local de Contra-Subversão, mais uma vez. Em Luanda, eram esperadas uma comissão zairense, presidida por Bula Batumba (conselheiro do presidente Mobutu) e outra da FNLA (liderada por Hendrick Vaal Neto), para conversações com a Junta Governativa presidida por Rosa Coutinho, sobre «a descolonização e a independência de Angola e, em particular, sobre o Governo de Transição, que englobará representantes dos movimentos de libertação e outras facções políticas», como notava o Diário de Lisboa desse dia,
Entretanto, e ainda segundo o DL, «notícias recebidas de diversas frentes confirmam a efectiva cessação das hostilidades decretadas pela FNLA, desde 15 de Outubro». Deste modo, acrescentava o DL, «na prática, a guerra acabou em Angola, pois a UNITA cessou as as hostilidades a 14 de Julho e o MPLA também abandonou as acções militares».
Notícia sobre a iminência do ataque
aéreo da FNLA a Luanda, No Diário de Lisboa
de 16 de Outubro de 1975
Bem piores estava as coisas, um ano depois,  os boatos que circulavam na capital angolana apontavam para o iminente ataque da FNLA a  Luanda, com apoio aéreo. As forças do movimento de Holden Roberto apoiavam-se na base do Negage, que as NT tinham abandonado a 4 de Agosto - quando os Cavaleiros do Norte saíram de Carmona. Os aviões Skymaster estariam a transportar material de guerra para a FNLA e era dada como certa a presença de caças-bombardeiros Mirage.
O objectivo, aparentemente, era «fazer avançar, a partir do Caxito, as forças da FNLA que ali se encontram numa situação de impasse há mais de um mês».
- Ver notícia do DL, AQUI
 - A foto editada pela Televisão Pública 
de Angola (TPA), AQUI



quinta-feira, 15 de outubro de 2015

3 284 - O cessar fogo oficial, MPLA, FNLA e UNITA...

Cavaleiros do Norte do PELREC, da CCS do BCAV. 8423: Augusto Hipólito, 
José Augusto Monteiro (furriel), Joaquim Almeida (1º. cabo, falecido a 28/02/2009) 
e Jorge Vicente (1º. cabo, falecido a 29/01/1977). Em baixo, António Garcia (alferes, 
falecido a 2 de Novembro de 1979), Manuel Leal (a 18/06/2007), Francisco Neto 
(furriel) e Aurélio Júnior (Barbeiro) 


Furriéis António Carlos Letras de António
Chitas, da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa,
no dia de um passeio às Quedas do
Duque de Bragança

O dia 15 de Outubro de 1974 foi assinalado como o dia do cessar fogo oficial, anunciado pela FNLA. Os Cavaleiros do Norte do Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa e Santa Isabel - onde se aquartelavam as quatro companhias do Batalhão de Cavalaria 8423 - receberam a notícia com satisfação. Pudera!!! Não imaginavam o que estava pela frente! Não podiam imaginar!!!!
O MPLA não participara nas negociações de Kinshasa e rejeitava o acordo lá feito com Daniel Chipenda. Tais conversações, segundo o MPLA «só poderão ser consideradas como troca de impressões, uma vez que Chipenda não estava mandatado para estabelecer quaisquer negociações», disse um dirigente do MPLA. Considerava que o negociado por Chipenda «não obriga(va) o MPLA».
A UNITA, no mesmo dia 15 de Outubro de 1974, abriu delegação em Luanda, com quadros políticos chegados da Suíça, onde tinham frequentado cursos superiores. Estiveram no Palácio do Governo e avistaram-se com Rosa Coutinho, presidente da Junta Governativa, trocando «impressões sobre a política actual em Angola».
A UNITA, ao tempo, era acusada pelo MPLA de, e citamos o Diário de Lisboa, «colaboracionista com as autoridades colonialistas e fascistas do Governo de Caetano». Por isso não concordava que, tal qual a Frente de Unidade Angolana (FUA) «fosse(m) privilegiada(s)» nos contactos com o Governo de Portugal, no processo de descolonização.
Um ano depois, a 15 de Outubro de 1975 - e a 
O MPLA garantia, há 40 anos, que
proclamaria a independência, «aconteça o
que acontecer», como noticiava o
Diário de Lisboa de 15 de Outubro de 1975
menos de um mês do dia anunciado para a declaração de independência (11 de Novembro) - fontes das Forças Armadas Portuguesas anunciaram em Luanda que «as forças da FNLA estão a prosseguir o seu avanço para a capital, encontrando-se agora a 25 quilómetros». Na véspera «mantinham-se ainda na frente do Caxito e da Barra do Dande, a mais de 50 quilómetros de Luanda».
Noutros pontos do território, «registaram-se importantes combates entre o MPLA e a FNLA, a nordeste de Luanda, próximo do nó rodoviário de Samba Caju», como noticiava o Diário de Lisboa, acrescentando que «na frente Leste, registaram combates entre o MPLA e a UNITA, nas imediações da cidade do Luso». Em Benguela, «retiraram-se todas as forças de Portugal, de acordo com o plano de evacuação militar que deverá estar concluído até 10 de Novembro».
Do Uíge, é que não havia notícias. Apenas uma breve linha, no noticiário: a Comissão de Reconciliação da ONU iria visitar Carmona no dia seguinte. Mas, em Luanda, Agostinho Neto não só afirmava que o MPLA proclamaria a independência a 11 de Novembro «aconteça o que acontecer», como referia que era «impossível a conciliação com a FNLA e a UNITA».
«São movimentos fantoches, alimentados e manipulados fora do país e totalmente estranhos ao nosso povo», disse Agostinho Neto.


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

3 283 - Morte de 2 civis europeus e cessar fogo com a FNLA

Cavaleiros do Norte do Quitexe. Os furriéis milicianos António Cruz (morador 
em Lisboa). Cândido Pires (Niza), Luís Mosteias (falecido a 
5 de Fevereiro de
2013), Francisco Neto (Águeda), José Pires (Bragança) e Nelson Rocha (Gaia)

Os furriéis milicianos Viegas e Miguel (Peres
dos santos, paraquedista), no Quitexe, há 41
 anos. Vinham de ver os cadáveres dos dois
europeus brancos assassinados




O 14º. dia de Outubro de 1974 foi trágico na área de acção dos Cavaleiros do Norte: «Um grupo IN realizou uma emboscada a uma viatura civil, com êxito da sua parte, pois que obteve dois mortos civis europeus», relata o Livro da Unidade. O tempo era de «cessar fogo não oficial, é certo», mas não se expectava semelhante barbárie, que ocorreu entre as fazendas Alegria II e Ana Maria, mesmo no limite noroeste do Subsector. Lembro bem esse dia: fui, com o Miguel (furriel páraquedista, nosso companheiro do Quitexe), ver os cadáveres, numa sala da Administração Civil.
O dia, curiosamente, foi tempo de se saber da decisão das FNLA, anunciando para o dia seguinte (dia 15) o cessar fogo oficial, na sequência das negociações de Kinshasa, com o Governo Português. O presidente Holden Roberto, então, comentou querer construir «uma Angola livre e próspera, com todos os seus filhos, seja qual for a cor da sua pele».
Notícia do Diário de Lisboa de há
40 anos, 14 de Setembro de 1975, sobre o cessar fogo
anunciado pela FNLA, o movimento presidido
por Holden Roberto
O MPLA não participou nas negociações e debatia-se com dissidências internas, uma delas liderada por Daniel Chipenda - que participou no encontro de Kinshasa, mas não era reconhecido como representante daquele movimento.
Um ano depois, era terça-feira e o Diário de Luanda, considerado «muito próximo dos órgãos directivos do MPLA», anunciou-se contra as declarações de Melo Antunes na assembleia geral das Nações Unidas. O vespertino da capital angolana considerou que o ministro dos Negócios Estrangeiros «insultou o povo angolano» e anunciou que ia deixar de publicar notícias sobre Portugal, assumindo-se embora do lado do povo português, que «não confundia com o Governo». Considerava-o aliado e, de resto, manifestou-lhe (ao povo português) «toda a sua solidariedade na luta que trava pela instauração de um regime verdadeiramente socialista, liberto da exploração do homem pelo homem».
Capa de uma edição do Diário de
Luanda de Julho de 1974. O
jornal era considerado próximo
do MPLA
O MPLA, esse e sobre esta matéria, não se pronunciou, embora, referia o Diário de Lisboa, «se tenha o Diário de Luanda como reflectindo a opinião daquele movimento».
Foi isto há 40 anos, já com os Cavaleiros do Norte em Portugal, depois da sua jornada africana do Uíge angolano!!! Então com «espectadores» atentos e sedentos de notícias do «nosso» Uíge - do nosso Quitexe, de Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel e Carmona, terras por onde se semeou o gosto de amar aquelas terras e aquelas gentes!

terça-feira, 13 de outubro de 2015

3 282 - Comandante em Luísa Maria, vésperas da independência


Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa. Reconhecem-se  
os furriéis Amorim Martins (a vermelho) e Abel Mourato. O  segundo, de pé, é 
o Voltinhas, o terceiro o Vieira e o quarto o Magro, todos condutores. O Tomás 
é o quinto. O primeiro, em baixo, é o Samuel e o Nunes é o terceiro. O quinto será 
o (1º. cabo) Teodósio. O mais à direita, é o Palongo. Quem
 ajuda a identificar os restantes?


Cavaleiros do  Norte do PELREC na Fazenda
Luísa Maria: Augusto Hipólito (1º. cabo) e Viegas
(furriel), atrás. À frente, Raúl Caixarias, Ezequiel Silvestre e
João  Marcos
Aos 13 dias de Outubro de 1974, o PELREC esteve na Fazenda Luísa Maria, escoltando o comandante Almeida e Brito - que lá foi acompanhado de oficiais da CCS e para «contactos operacionais».
Era domingo e a viagem correu sem sobressaltos, com almoço no Destacamento Militar, ao tempo comandado pelo alferes Jorge Capela, da 2ª. CCAV. 8423 - com o furriel Rafael Ramalho. Os oficiais, como habitualmente acontecia, refeiçoaram com o gerente e quadros superiores da fazenda.
O dia foi de relatório do Comando Militar Português sobre «as actividades guerrilheiras» do mês de Setembro, relatando que «não se registaram incidentes atribuíveis à UNITA ou ao MPLA».
A UNITA, de resto, já em Junho tinha anunciado a suspensão das hostilidades e o MPLA «não tem efectuado acções ofensivas há mais de um mês, embora não tenha declarado o cessar fogo». A norte, referia o relatório que a FNLA «tem vindo a promover uma campanha pacífica, estabelecendo contactos com as populações locais, segundo informações recebidas do distrito de Uíge e de Carmona». O nosso Uíge!
Notícia do Diário de Lisboa, de 13 de
Outubro de 1975, sobre a (então próxima)
independência de Angola
Um ano depois e com o dia 11 de Novembro de 1975 cada vez mais próximo, o MPLA propôs à delegação da OUA «a formação, depois da independência, de um Governo de União Nacional (...) com personalidades angolanas independentes, mas devendo estas ter um passado de patriotismo e competência».
O mesmo MPLA, na véspera (dia 12 de Outubro de 1975) tinha assegurado dispor de Força Aérea - não só com aviões de transporte como também de uma esquadrilha da caças «estacionada num país amigo».
«Utilizamos os nossos próprios aviões para distribuir armas às nossas tropas», adiantava o MPLA, citado pelo Diário de Lisboa, frisando que «os pilotos desses aparelhos são angolanos e não mercenários». A FNLA, segundo o movimento de Agostinho Neto, tinha ao seu serviço mercenários do Zaire e da África do Sul. Na 6ª.-feira anterior (dia 10), uma avioneta tinha despejado uma bomba sobre o edifício do Emissor de Rádio de Luanda. Supostamente, era da FNLA e o MPLA avisava: «Serão abatidos todos os aviões não identificados que sobrevoarem Luanda».


segunda-feira, 12 de outubro de 2015

3 281 - Há 41 anos, vida operacional dos Cavaleiros do Norte

Grupo de militares da 1ª. CCAV. 8423,a  de Zalala, reconhecendo-se os furriéis
milicianos Plácido Queirós (assinalado a vermelho) e Eusébio Martins (a branco) - que
faleceu, vítima de doença, a 16 de Abril de 2014, em
Belmonte, sua terra natal. 

Outros, de pé e da esquerda para a direita: 1º. cabo Teixeira (1º.), 1º. cabo 
Miguel (3º.), Minguinhos (4º.) e Pedro Martins (último). Em baixo: Pataias (1º.), 
Aires, das TRMS (2º.), Salvador 4º.) e 1º. cabo Vitor Cunha (último)
Furriéis milicianos da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa
Isabel: José Querido, Vitor Guedes (falecido
a 16 de Abril de 1998, de doença), António Fernandes,
Agostinho Belo (de óculos) e Ângelo Rabiço

A paragem de hostilidades entre as NT e a FNLA «em nada mudou a vida operacional que se conduzia, a qual continuou a caracterizar-se por intensa actividade de patrulhamentos, nomeadamente para a obtenção de liberdade dos itinerários», como ainda há dias lembrámos, citando o Livro da Unidade.
Há precisamente 41 anos, o que mais se expectava entre os Cavaleiros do Norte era o regresso a Portugal. Para mais, ai santa ingenuidade..., sabia-se por esses dias de Outubro que o Governo Português esteve reunido em Kinshasa, com dirigentes da FNLA e «em ordem à descolonização de Angola».
O general Fontes Pereira de Melo, chefe da delegação portuguesa, foi expressivo no final das reuniões, declarando, como agora releio no Diário de Lisboa de 12 de Outubro de 1974, que «foram estudados os caminhos para a paz e a fraternidade em Angola».
Notícia do Diário de Lisboa de
há 41 anos, sobre o processo de
 descolonização de Angola
Sabia-se também que, e continuo a citar o DL, «prosseguem os contactos com o MPLA e os movimentos, no interior de Angola, admitindo-se para breve uma reunião em Lisboa com os representantes dos partidos e movimentos angolanos, em moldes diferentes dos que foram iniciados pelo general Spínola».
Estes factos, ajudam a compreender a expectativa dos Cavaleiros do Norte que, ao tempo, se aquartelavam no Quitexe (CCS), na Fazenda de Zalala (1ª. CCAV. 8423), em Aldeia Viçosa (2ª. CCAV) e na Fazenda Santa Isabel (3ª. CCAV.) - para além da CCACç. 4145 (em Vista Alegre) e da CCAÇ. 209/21 (na Fazenda do Liberato).
A 10 de Outubro de 1975, um ano depois e com os Cavaleiros do Norte já em Portugal, chegou a Luanda uma Comissão de Conciliação da Organização de Unidade Africana (OUA), formada por 60 elementos e chefiada pelo embaixador Djoudi, secretário geral adjunto da organização.  dia da independência estava cada vez mais próximo: 11 de Novembro de 1975!

domingo, 11 de outubro de 2015

3 280 - Cavaleiros de Aldeia Viçosa em Salvaterra de Magos (16)

Cavaleiros de Aldeia Viçosa em Salvaterra de Magos, no encontro organizado 
pelo (furriel) António Artur Guedes: José J. Freire (soldado  clarim); Francisco 
Pisco  (1º. cabo atirador de Cavalaria) e esposa e a anfitriã do
 evento, Ana Maria Guedes


Os organizadores de 2015: Rafael Ramalho
e José Maria Beato (contactos) e António Artur
Guedes (restauração)

ANTÓNIO ARTUR GUEDES
Texto



Decorridos já alguns dias, após o almoço/convívio da 2ª.  CCAV. , sou instado a escrever duas letras - se bem que seja suspeito, pois fui o responsável pela logística (restauração). E porque já tudo foi dito acerca do sucesso da empreitada de que fui incumbido e, modéstia à parte, com o que concordo, já pouco terei a escrever.
No entanto, tenho de confessar que me senti um pouco desconfiado da minha capacidade para organizar um evento deste calibre.
A responsabilidade era grande. Mas alguns factores contribuíram também para que tudo decorresse sem sobressaltos. A ajuda da minha esposa, o traquejo do restaurante em eventos desta natureza e o facto de o seu proprietário ser um ex-combatente (BCAV. 8323, na Guiné 73/74).
Pelas opiniões que colhi dos convivas, o serviço foi excelente, estando alguns com vontade de voltar no dia seguinte. Talvez num próximo.
O tempo também ajudou. Conseguimos reunir 38 ex-militares, mais familiares e amigos, e contámos com a gratificante presença do (furriel) Viegas, que se fez acompanhar da esposa.
No total, com adultos e crianças, éramos 87 pessoas.
É caso para dizer: valeu o esforço.
Quero expressar o meu obrigado a todos.
E deixar, também, a opinião do proprietário do restaurante, tão simples quanto isto: «Grupo ordenado e disciplinado».
É um louvor curto, conciso e preciso. Ou não fossemos nós de Cavalaria. Não somos melhores nem piores, somos diferentes
Um abraço a todos e até Guimarães
ANTÓNIO ARTUR GUEDES

sábado, 10 de outubro de 2015

3 279 - Cavaleiros de Aldeia Viçosa em Salvaterra de Magos (15)

Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa no encontro de Salvaterra de 
Magos: António Soares (atirador e esposa),  José Freire (clarim), Jorge 
Capela (alferes),  João Azevedo (1º. cabo ap. morteiros), António Ferreira 
(1º. cabo enfermeiro) e Victor Vicente (1º. cabo ap. morteiros)


O casal Viegas e António Letras. Dois furriéis
milicianos de Operações Especiais (Rangers)
dos Cavaleiros do Norte nol encontro de
Salvaterra. O Viegas da CCS (no Quitexe) o Letras
da 2ª. CCAV. 8423 (a de Aldeia Viçosa)

Há 41 anos, reuniram os comandantes das Unidadesa no Comando do Sector do Uíge (CSU), em Carmona, «a diversos níveis e entre as diversas autoridades». Voltaram a reunir-se nos dias 18, 21, 25, 26 e 18 desse mesmo Outubro de 1974.
No mesmo dia 10 deste Outubro, mas no Clube do Quitexe e no âmbito das actividades de acção psicológica, iniciou-se um ciclo de rodagem de «novo filme, em toda a ZA», até 23 de Outubro - acção que, segundo o Livro da Unidade, foi «completada em actividade orientada para as populações, com a sua projecção no Quitexe, a 29 de Outubro».
Ao mesmo tempo, o presidente do MPLA afirmava que «o problema angolano tem sido objecto de múltiplas manobras mistificadoras, às quais não são alheias as potencialidades e a situação geográfica e estratégica de Angola». Agostinho Neto acrescentou que «pretender estabelecer as bases de quaisquer negociações concernentes à independência de Angola sem ter em conta a principal força nacionalista, o MPLA, constitui o mais flagrante ultraje a todos aqueles que, voluntariosamente, verteram o seu sangue e o seu suor ao longo de 13 anos de luta armada». Isso significaria «perpetuar a guerra em Angola».
Um ano depois, nas Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, o major Melo Antunes, recusando «impor soluções em África», manifestou, todavia, a sua «preocupação sobre a transferência de poderes na data da independência, atendendo à situação concreta que se vive actualmente em Angola, de verdadeira guerra civil». Estava-se a 32 dias da independência (11 de Novembro de 1975) e o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal referiu ter «grande confiança na cooperação dos Estados africanos, mormente daqueles com maiores interesses na área». 
«Portugal não quer impor soluções em
África», disse Melo Antunes na Assembleia
Geral das Nações Unidas, citado pelo Diário de
Lisboa de há precisamente 40 anos
As  particularidades (e outras) destes dois tempos da jornada africana dos Cavaleiro do Norte foram amiúde lembradas , nas conversas de 
«mata-saudades» do encontro dos companheiros da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, em Salvaterra de Magos - a 26 de Setembro de 2015. Foram tempos de grande generosidade e enorme coragem de todos os homens da guarnição - cada qual no seu posto, do combatente de arma na mão (a galgar trilhos e picadas de mil perigos e medos), à mais recuada missão de apoio, do quartel para as matas do Uíge, onde fizemos história na história do país que, então, estava para nascer!
Esta gente, toda esta gente que todos os fins de semana se reúne por Portugal fora, das muitas unidades que partiram do Portugal europeu e revivendo a a sua história de combatentes, é gente que ama Angola!!!

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

3 278 - Cavaleiros de Aldeia Viçosa em Salvaterra de Magos (14)

Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa em Salvaterra de Magos, a 26 de Setembro 
de 2015: condutor Samuel Oliveira e furriéis Rafael Ramalho e António Carlos 
Letras.Atrás, o soldado padeiro Estevão Neto

O Freire e o Pisco no encontro dos
Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423,
 em Salvaterra de Magos

Um mês e um dia depois da chegada da CCS dos Cavaleiros do Norte a Lisboa, um mês depois de chegarem os companheiros de Zalala (sucedendo-se os de Aldeia Viçosa e Santa Isabel), a Portugal chegaram notícias de Carmona - a «nossa» Carmona. 
«A 33 dias da data da independência, registam-se violentos combates entre as forças do MPLA e da FNLA, que (...) tentam assegurar o controlo de novas posições», relatava o Diário de Lisboa de 9 de Outubro de 1975, que agora relemos.
Os combates registaram-se ena zona de Úcua, tão conhecida dos Cavaleiros do Norte - principalmente da 1ª. CCAV. e da 2ª. CCAV. 8423 -,  mas não haviam «notícias pormenorizadas». Todavia, referia o DL de há 40 anos, «tudo indica que a ofensiva do MPLA, rumo a Carmona, tem progredido com êxito, enquanto em Úcua a sorte da batalha foi favorável à FNLA, que teria conseguido ocupar a vila».
«Samba Caju e Aldeia Viçosa, dois pontos estratégicos das ligações rodoviárias de Carmona com o Sul, encontram-se em poder do MPLA, depois de violentos combates, que decorreram nos últimos dias», relatava o Diário de Lisboa.
Aldeia Viçosa, recordemos, era (é) a vila onde estava aquartelada a 2ª. CCAV. 8423, comandada elo capitão miliciano José Manuel Cruz e que, a 26 de Setembro deste ano de 2015, festejou os 40 anos do regresso da missão de soberania em Angola.
Este dia de memória foi farto em recordações e da afirmação, inquestionável, da nobreza da nossa missão - num tempo tão delicado da vida política portuguesa, a que os Cavaleiros do Norte emprestaram coragem e garbo, determinação e honra.
Notícia do Diário de Lisboa de 9 de
Outubro de 1975, já depois da chegada
a Portugal dos Cavaleiros do Norte
Um ano antes, era notícia a morte de militares em combate, em Angola: as dos furriéis milicianos carlos Alberto Coelho Tomé (de Abrantes) e Manuel Félix Cotovio (de Lisboa), do 1º. cabo José Manuel de Sousa Baptista (de faro) e dos soldados Manuel Francisco Marreiros de Jesus (de Lagos) e Gabriel Fernandes da Torre (de A-Ver-o-Mar, na Póvoa do Varzim). Mortos em combate.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

3 277 - Cavaleiros de Aldeia Viçosa em Salvaterra de Magos (13)

Os alferes milicianos João Machado (1º.) e Jorge Capela (2º.), os primeiros Cavaleiros 
do Norte na Fazenda Luísa Maria. Atrás, o (1º. cabo) José Maria Beato e 
o (capitão miliciano) José Manuel Cruz, comandante da BCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa


Os furriéis milicianos Joã Brejo, CJ
Viegas (da CCS) e António Carlos Letras, no
encontro dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa,
a 26 de Setembro de 2015

Os dias de Outubro de 1974, pela banda dos Cavaleiros do Norte, iam-se passando entre serviços «à ordem» e os patrulhamentos de itinerários e levedada expectativa sobre o final da comissão. Mal imaginávamos, ao tempo, que só terminaria quase um ano depois. 
Problema por lá, pelo Uíge e logos nos primeiros dias do mês, era «o êxodo dos trabalhadores rurais», com, sublinha o Livro da Unidade, «elevado incremento no período, provocando o fecho de algumas fazendas, nomeadamente nas cordas de Zalala e do Canzundo, bem assim na zona de Vista Alegre e em muitas outras, provocando a paragem da laboração».
O Letras, a beber café) e o Amorim
Martins, dois furriéis milicianos Cavaleiros
do Norte de Aldeia Viçosa
A paragem, valha a verdade, «não trará grande afectação à futura colheita», devido «à situação em que se encontravam os trabalhos agrícolas», como refere o Livro da Unidade, perspectivando, todavia, que «já se verificarão fortes prejuízos ao poderio económico local» se se mantivesse até Janeiro» de 1975.
A situação conduziu «a grande preocupação na maioria dos fazendeiros» e, por via disso, «à fuga do pessoal dirigente das fazendas, por julgar que a sua presença não tem justificação e que nem será aceite no futuro, uma vez que tem provas absolutas de que é a FNLA que impõe a saída dos trabalhadores rurais, sob a coação da morte, se tal não acontecer».  
A 8 de Outubro de há 41 anos, em Lusaka, o presidente do MPLA, por seu lado, reconhecia «o direito à existência das minorias brancas em Angola», como noticiou o Diário de Lisboa, citando a France Press. Agostinho Neto negou «fazer racismo negro» e acrescentou que «a nossa intenção é defender os interesses dos branco. «Podemos garantir-lhes - frisou Agostinho Neto - que a nossa política será permitir a existência de brancos no nosso país».
O presidente do MPLA,. há 41 anos,
garantia os interesses do brancos em Angola
Há dias, no encontro dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa, este tempo foi recordado - assim como o aquartelamento permanente de um pelotão na Fazenda Luísa Maria - onde, há precisamente 41 anos, estava o pelotão comandado pelo alferes miliciano Jorge Capela. 
«Sempre muito bem tratados pelos gerentes», sublinhou o antigo oficial, corroborado por João Machado, o primeiro alferes miliciano Cavaleiro do Norte que esteve na fazenda - logo em Junho de 1974.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

3 276 - Cavaleiros de Aldeia Viçosa em Salvaterra de Magos (12)

Chegada do grupo do Porto e "arredores". À frente, o atirador António Rocha 
Soares, o 1º. cabo José Maria Beato e o capitão José Manuel Cruz, Ao  fundo, 
r os 1ºs. cabos enfermeiros António Rocha e António Ferreira e 
cozinheiro Manuel Oliveira


Amigo do Teodósio, João Ribas Teodósio (mecânico 
auto), ambos de Almeirim; Adelino V. Santos (atirador) e
José Joaquim Freire (clarim)


   A


Há 41 anos, lá pelo Uíge angolano, os Cavaleiros do Norte iam adaptando o seu dia-a dia às novas realidades e, no plano operacional - já sem operações na mata!!!, o que era a melhor novidade que se poderia ter, assim se pensava... -, caracterizando-se, assim leio no Livro da Unidade, por «intensa actividade de patrulhamentos, nomeadamente orientadas para a obtenção da liberdade de itinerários».
Há 40 anos, precisamente - e com os Cavaleiros do Norte já em Portugal, depois de cumprida a sua missão... -, estava-se a 36 dias da independência de Angola e o MPLA, que controlava 12 das 16 províncias de Angola (incluindo Luanda, a capital), «preparava-se ara assumir todas as responsabilidades», como noticiava o Diário de Lisboa.
Fernando Balha Ferreira, Cavaleiro
do Norte de Aldeia Viçosa que, pela primeira
vez, participou nos encontros da 2ª.  Companhia
de Cavalaria 8423
«O MPLA declarará, quase inevitavelmente, a independência unilateral do território, que poderá ser transformado num Estado federado, com o Governo central instalado em Luanda», noticiava o Diário de Lisboa.
O que, ao tempo, não se sabia bem era qual seria a posição de Portugal, nesse quadro. S entrega do problema à ONU? Sabia-se que o MPLA e algumas forças progressistas internacionais (ligada à esquerda política) repudiava tal possibilidade. Nem sequer à OUA.
As altas patentes militares portuguesas, ao tempo, opinavam que «a FNLA e a UNITA desencadearão uma ofensiva contra as forças do MPLA, antes do acesso de Angola à independência, a 11 de Novembro». FNLA que continuava no Caxito, a 50 quilómetros a nordeste de Luanda.
Estas e outras (muitas) coisas foram lembradas no encontro dos Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8433, a de Aldeia Viçosa - que se realizou a 26 de Setembro de 2015, em Salvaterra de Magos. Um encontro de reencontro de amigos, alguns dos quais não se viam vai para 40 anos. Outros há mais de 20, ou há 30, por aí...
Um deles, recorda o (furriel miliciano) António Artur Guedes, mordomo, juiz e anfitrião do encontro de Salvaterra de Magos, foi o Fernando Balha Ferreira, 1º. cabo atirador de cavalaria, que pela primeira vez participou nos convívios dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa.
Notícia do Diário de Lisboa de há precisamente
40 anos, sobre a situação em Angola
Comentou o Guedes que «40 anos e 15 dias depois, pois chegámos a 10 de Setembro de 1975, julgo que nenhum dos participantes o terá reconhecido de imediato». Mas, sublinhou, «a primeira pessoa que o cumprimentou foi o capitão Cruz», o comandante da Companhia.
É de ali perto (de Salvaterra de Magos), o Balha Ferrreira - de S. José da Lamarosa, em Coruche. Mas que grande e indesperdiçável oportunidade de reencontrar companheiros de um tempo tão especial das nossas vidas!!!

terça-feira, 6 de outubro de 2015

3 275 - Cavaleiros de Aldeia Viçosa em Salvaterra de Magos (11)

Quartel de Aldeia Viçosa, o da 2ª. CCAV. 8423, em Dezembro de 2012, numa 
fotodo (1º. cabo) Carlos Ferreira, da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala -
 que por lá passou nesse tempo

Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa: o 1º cabo
enfermeiro Victor Manuel do Vale Marques e
o mecânico auto Joaquim Augusto Morgucha
Grave. Atrás, o filho do Marques


As memórias da jornada africana do Uíge angolano vão sempre sobrar. Quando se juntam antigos combatentes do Batalhão de Cavalaria 8423 (ou de quaisquer outros), sempre vão endeusar-se feitos e momentos que 40 anos não deixaram esquecer, se calhar aqui e ali escapando um pormenor mas sempre deles fazendo a «lenda» da nossa missão - que foi em tempos duplos: os de guerrilha (no mato semeado de perigos, de trilhos onde se espreitava a more e se sentia o cheiro de lutos). Ou os da perigosa guerra urbana, bem mais dramática e mais trágica, se, nomeadamente, nos recordamos dos primeiros dias de Junho de 1975. Foi destes que, no encontro de Salvaterra de Magos, o (alferes miliciano( Jorge Capela e o (furriel) Rafael Ramalho recordaram uma intervenção decidida do comandante Almeida e Brito.
«Houve um incidente de rua, repetiam-se muito e eram perigosos, mas sempre com intervenção afirmativa da tropa. Numa vez, na frente de vários militares, interveio Almeida e Brito e, como que para nos dar exemplo, deteve ele mesmo um civil que nos insultava», narrou Jorge Capela.
É de bons e corajosos exemplos que se afirmam os comandantes!!! 
A 6 de Outubro de 1975, há 40 anos!.., os Cavaleiros do Norte já estavam em Portugal, depois de cumprida a missão em Angola. mas, naturalmente, continuavam a acompanhar a evolução do processo de independência. Ao tempo, em Kampala, no Uganda,  terminava (na véspera) a cimeira entre os três movimentos, mas... sem conclusões optimistas.
O MPLA, era voz do presidente Agostinho Neto, era taxativo: «Só pode haver em Angola uma independência soba  direcção do MPLA». E acrescentava que «a independência será proclamada a 11 de Novembro, pelo MPLA e em nome do povo de Angola».
O MPLA, há 40 anos, não tinha dúvidas: proclamaria
a independência de Angola a 11 de Novembro.
Com ou sem FNLA e UNITA, com quem, ao tempo,
reunia na Cimeira de Kampala. E assim fez...
A manutenção desta data e a concordância quanto ao facto de «as influências estrangeiras estarem a dificultar a solução do problema angolano» era dois pontos em que MPLA, FNLA e UNITA não divergiam. E apenas estes, pois, no restante, divergiam em toda a linha. «Se a FNLA e a UNITA optarem pela secessão, lutaremos pela unidade de Angola. Uma Angola livre e unida será um país democrático e progressistas, em que as classes exploradas pelo colonialismo - trabalhadores, camponeses e técnicos - representarão a sua força principal», «decretava» o MPLA., pela voz do presidente Agostinho Neto.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

3 274 - Cavaleiros de Aldeia Viçosa em Salvaterra de Matos (10)

O capitão José Manuel Cruz e o alferes João Machado. Em baixo, o (soldado 
atirador) Gabriel Duarte Silvestre, da Bemposta de Abrantes - todos Cavaleiros 
do Norte de Aldeia Viçosa - da 2ª. CCAV. 8423, no encontro de Salvaterra de Magos

O João Brejo, furriel miliciano Cavaleiro
do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia
Viçosa. Em grande forma, no encontro
 de Salvaterra de Magos

O dia de encontro dos «aldeias viçosas» foi a 26 de Setembro de 2015, festejando os 40 anos do regresso de Angola. Foi do meio da manhã ao finzinho da tarde, sem que alguém tivesse pressa alguma para regressar a casa - alguns deles a várias centenas de quilómetros. Quilómetros galgados, estrada fora, com o entusiasmo do reencontro e do matar de saudades dos tempos angolanos que por lá nos levaram em missão. E de onde viemos, sãos e salvos, com honra e orgulho! Mais homens!
Por mim - que por lá «estava a mais», em Salvaterra de Magos, por ser da CCS do Quitexe, não dos garbosos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa -, por mim tive particular gosto em reencontrar a malta «furriel», alguns deles companheiros já do tempo da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém (na recruta). Há mais de 42 anos!!!!
E, depois, dos tempos de formação do Batalhão, entre Janeiro e Maio de 1974, no RC4 do Campo Militar de Santa Margarida - a nossa unidade mobilizadora. E, inevitavelmente, da jornada africana do Uíge angolano. Reencontrei o António Artur Guedes e o Amorim Martins (que não via desde 1996), o Freitas Ferreira (desde 1974), o Rafael Ramalho (desde quando?), o José Manuel Costa e o António Carlos Letras (que a vida nos tem feito encontrar, desde a desmobilização de 1975), o João Brejo - o inimitável João Brejo!!! - que não via desde um encontro em Palmela, com o Letras, nos anos 90.
Gosto enorme foi também reencontrar o capitão José Manuel Cruz (que não via desde 1996) e os alferes Jorge Capela (também desde 1996), João Machado (desde os finais dos anos 90, no Algarve) e Domingos Carvalho (este, desde há bem pouquinho tempo, decorrentemente das suas lides profissionais).
Ordem de Serviço nº. 2324 do Centro de
Instrução de Operações Especiais (CIOE), em
Lamego, de 4 de Outubro de 1973, com as
 classificações dos (futuros) alferes e furriéis
milicianos dos Cavaleiros do Norte 
Há 42 anos, dia 4 de Outubro de 1973, eram conhecidas as classificações do  2º. Ciclo, 2º. Turno de 1973, do Curso de Operações Especiais (os Rangers), em Lamego, publicados na Ordem de Serviço nº. 234. Quanto aos então futuros alferes milicianos Cavaleiros do Norte, classificaram-se Augusto Rodrigues, da 3ª. CCAV. (14,78 de média final), João Machado, da 2ª. CCAV. (14,75), Mário Jorge Sousa, da 1ª. CCAV. (14,73) e António Manuel Garcia, da CCS (14,70).
Quanto aos futuros furriéis milicianos e da CCS, classificaram-se José Augusto Monteiro (16,05), Celestino José Viegas (15,33) e José Francisco Neto (14,68). Assim como Manuel Pinto, da 1ª. CCAV. (14,23) e António Carlos Letras, da 2ª. CCAV. (13,25). O Armindo Reino, da 3ª. CCAV. 8423, foi do curso seguinte.  

domingo, 4 de outubro de 2015

3 273 - Cavaleiros de Aldeia Viçosa em Salvaterra de Magos (9)

O alferes Jorge Capela, ao centro, ladeado pelos furriéis milicianos Freitas 
Ferreira (à esquerda) e Rafael Ramalho, em Valongo (2014). Em 2015, em Salvaterra 
de Magos, recordaram mil histórias da jornada africana de Angola


António Artur Guedes e António Carlos
Letras, dois furriéis milicianos Cavaleiros do
Norte de Aldeia Viçosa, no encontro de 2015, a
26 de Setembro de 2015


O desfiar de memórias, em Salvaterra, fez lembrar momentos dramáticos - que hoje se recordam à gargalhada mas que, ao tempo, foram sofridos e exigiram coragem e sangue frio. Um deles, lá por Junho/Julho de 1975, foi o da chegada de Daniel Chipenda a Carmona. Era ele, ao tempo, militante da FNLA.
A segurança do aeroporto estava a cargo do grupo de combate do alferes Jorge Capela, com o furriel Rafael Ramalho. E houve pequenas escaramuças, com a segurança de Chipenda, que pretendeu desautorizar a força portuguesa, querendo arredá-la das suas posições. Que não e não foi. «Quando quiseram impor a força, impuse-la nós, como tinha de ser. Nem que fosse pela força das armas», disse Jorge Capela.
Os dramáticos momentos da intercalação foram rápidos e serenos, da parte portuguesa, «Quando disseram que aquilo era deles, garanti-lhes que onde estava a nossa força, éramos nós quem mandava. Onde estão os meus pés, é meu, disse-lhes...», narrou Jorge Capela - que tinha o seu grupo de combate  «pronto para tudo».
Felizmente, os «chipendas» acataram a autoridade portuguesa e assim se terá evitado um banho de sangue, algumas mortes e lutos que hoje seria trágico recordar!
Manobras neocolonialistas denunciadas
pelo MPLA», titulava o Diário de Lisboa de
4 de Outubro de 1974, faz hoje 41 anos!
Há 41 anos, aos quatro dias de Outubro de 1974, o comandante Almeida e Brito teve reunião operacional no Comando do Sector do Uíge, em Carmona - numa altura em que, em Lusaka, na Zâmbia, o presidente do MPLA denunciava «manobras neocolonialistas» e condenava «as personalidades que haviam sido convidadas para conversações em Lisboa sobre o futuro do território». Não tinha, disse ele, «mandato do povo angolano».
Tais conversações, segundo Agostinho Neto, «sem a presença do MPLA, constituíam o mais flagrante desrespeito por aqueles que voluntariamente verteram o seu sangue e deram o seu esforço ao longo de 13 anos de luta armada». Sublinhou também que «o processo de descolonização de Angola não está a ser visto à luz dos princípios que conduziram ao aparecimento de novos Estados em África». E que o MPLA não deporia armas «caso as negociações não seja estabelecidas com a vanguarda revolucionária».
A Comissão de Descolonização reuniu em Lisboa, na manhã desse mesmo dia 4 de Outubro de há 41 anos, e o problema de Angola, segundo o Diário de Lisboa, «ocupará lugar de relevo». os processos de independência de Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Timor e Macau, segundo o vespertino de Lisboa, «não podem ter a mesma importância e acuidade que o grande Estado atlântico da África Austral».

sábado, 3 de outubro de 2015

3 272 - Cavaleiros de Aldeia Viçosa em Salvaterra de Magos (8)

Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa em Salvaterra de Magos, a 26 de Setembro 
de 2015, no 15º. convívio: Soares, Freitas Ferreira, que será o organizador do 
encontro de 2016 (furriel miliciano), Estevão Neto (padeiro) e Carvalho de Sousa (alferes)


Oficiais da 2ª. CCAV. 8423, com o o alferes
milicianos António Albano Cruz, da CCS (o
segundo, da direita): alferes Domingos Carvalho,
capitão José Manuel Cruz e alferes João Carlos
Periquito, De cócoras. o alferes Jorge Capela
A 2ª. CCAV. 8423, que há uma semana esteve reunida em Salvaterra de Magos, era comandada pelo capitão José Manuel Cruz, oficial miliciano e de Ovar. Com quatro alferes milicianos: João Machado, de Operações Especiais, os Rangers (que interinamente comandou a guarnição) e os atiradores de Cavalaria Domingos Carvalho de Sousa, Jorge Manuel Capela e João Carlos Periquito. Este, foi o único que não esteve no convívio. Mais tarde, também fizeram parte da companhia os alferes milicianos atiradores Manuel Meneses Alves (chegado em Fevereiro de 1975 e falecido a 15 de Maio de 2013, em Leiria e por doença) e Fernando António Morgado Ramos (em Maio do mesmo ano, agora advogado em Vila Nova de Foz Coa).
José Manuel Costa (furriel) e João
Machado (alferes), dois Cavaleiros
do Norte de Aldeia Viçosa
em Salvaterra de Magos
O 1º. sargento era  Fernando Mendes Pereira Norte, já falecido. Em Abril de 1975, chegou à Companhia, o 2º. sargento enfermeiro Manuel Alcides da Costa Eira, de Vila Real. Furriéis milicianos eram António Carlos Letras (Operações Especiais, os Rangers), António Cruz, José Freitas Ferreira, Amorim Martins, Mário Matos, João Brejo, José Fernando Melo, Rafael Ramalho, José Manuel Costa, José Gomes e António Artur Guedes (todos atiradores de Cavalaria), Abel Mourato (vagomestre), António Augusto Rebelo (transmissões) e António Chitas (armamento pesado). Mais tarde, chegaram os atiradores Jesuíno F. Pinto (em Agosto de 1974) e Mário Soares (em Novembro do mesmo ano).
A 3 de Outubro de 1974, hoje se fazem 41 anos, a Comissão Local de Contra-Subversão (CLCS) reuniu no Quitexe. Eram encontros habituais de trabalho, entre as lideranças militar e civil (e agentes locais), para a analisar a situação da zona. As CLCS agiam directamente junto das populações, através de acção psicológica e com o objectivo de influenciar o seu comportamento, para uma maior fixação no território e negar o apoio a elementos infiltrados.
Notícia do Diário de Lisboa de 3 de Outubro
de 1974, sobre a situação em portugal e em
Angola, com declarações do Alto Comissário
Rosa Coutinho
O dia, já em Lisboa, foi tempo para Rosa Coutinho, o Alto Comissário de Angola, confirmar que «tinham sido presos em Luanda meia dúzia de indivíduos suspeitos de ligação com os reaccionários que, em Lisboa, se preparavam para derrubar a democracia». Sobre Angola, comentou que «mantém-se a serenidade e foi com muita calma que (a colónia) tomou conhecimento da intentona». 
Piores estavam as coisas, um ano depois, a 37 dias da independência. Decorria a Cimeira de Kampala, no Uganda, e os três movimentos não se entendiam - extremando posições. De Lisboa, a  30 de Setembro, tinham partido 110 paraquedistas, voluntários, que foram integrados no Batalhão de Caçadores Paraquedistas nº. 21, em Luanda. A Marinha continuava a «prestar auxílio a traineiras que abandonaram Angola com refugiados, rumo a Portugal». Em Nova Lisboa, era véspera da conclusão da ponte realizada pela Força Aérea Portuguesa, para evacuar colonos. Começara a 4 de Agosto e já transportara mais de 40 000 brancos. Para Luanda e a caminho de Lisboa. A zona, ao tempo, estava «ocupada»  pela FNLA e UNITA.
O Órgão Coordenador do MPLA para a Europa apresentou-se em Lisboa, na manhã de 3 de Outubro de 1975, e exigia que Portugal entregasse Angola ao movimento presidido por Agostinho Neto. «Lançamos um apelo ao Governo Português: que  Angola seja entregue ao único movimento de libertação, o MPLA», frisaram os seus dirigentes.