CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

terça-feira, 21 de julho de 2020

5 125 - O Dia da Cavalaria! A apresentação de um IN que era um antigo GE.

O furriel miliciano Armindo Reino, o comandante Almeida e Brito (tenente-coronel de Cavalaria),
o soldado clarim Armando Silva e os capitães José Paulo Falcão e, de costas, António Oliveira,
 no noite de Natal de 1974
O edifício do comando do BCAV. 8423, na avenida do
Quitexe e para a Igreja de Santa Maria de Deus
Os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 assinalaram o Dia da Cavalaria a 21 de Julho de 1974 e o comandante Almeida Brito, tenente-coronel de Cavalaria, em mensagem enviada às sub-unidades, lembrou o patrono Mouzinho de Albuquerque que «tantos e bons exemplos deu à Pátria».
O mesmo edifício a 24/09/2019
«Querer e saber querer» é uma das muitas frases que imortalizaram o Patrono. Foi nesse sentido que foi orientada a vossa instrução, tem sido nesse princípio que tem sido traçada a nossa actividade, é nesse princípio que tem de, no futuro, deixar o BCAV. 8423 vincada a sua passagem por Angola e, no momento presente, pelo Quitexe», sublinhou Almeida e Brito, apelando, depois, para «o conceito de disciplina, o sentido de responsabilidade, lealdade e firmeza de atitudes,o desejo de cumprir, a agressividade do combatente, de modo a que possam os militares do BCAV. 8423 ser uns desse muitos bravos que foram já imortalizados na afirmação do patrono» - a afirmação de que «essas poucas páginas brilhantes e consoladoras que existem na história de Portugal Contemporâneo, escrevemo-las nós, os soldados de África».   
Capitão Raúl Vorte-Real


Apresentação de um IN
que era um antigo GE...

O dia 21 de Julho de há 46 anos foi tempo de, em Vista Alegre, se apresentar «um elemento fugido do IN, antigo GE raptado na área de Bolongongo».
A guarnição de Vista Alegre era, então, formada pela CCAÇ. 4145, comandada pelo capitão Raúl Corte Real, e o IN que se apresentou «fez entrega de uma espingarda semi-automática Simonov» - que foi «a primeira arma do BCAV.», segundo o livro «História da Unidade», acrescentando este que «conseguiu furtar-se a um grupo inimigo em trânsito».
Ao tempo, um dos propósitos dos Cavaleiros do Norte era «estabelecer contactos com o IN, com vista a uma tentativa da sua apresentação, no contexto da actual política». A apresentação do IN, antigo GE, «nada tinha, porém, a ver com tal actividade», recorda do HdU.
Fernando Vieira

Vieira, civil de Carmona,
66 anos na Amadora !

Fernando Antunes Vieira era funcionário público civil ao tempo dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 em Carmona festeja 66 anos a 21 de Julho de 2020.
Integrou a epopeica caravana que, a 4 de Agosto de 1975, saiu de Carmona para Luanda, protegida pelos Cavaleiros do Norte e, já em Portugal, foi quadro da Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, várias vezes colaborando com os Cavaleiros do Norte | Quitexe» - por exemplo, narrando a sua vivência pessoal dos trágicos dias da primeira semana de Junho de 1975, em  Carmona, e depois na viagem para Luanda. 
Aposentado, mora na cidade da Amadora, para onde vai o nosso abraço de parabéns!

segunda-feira, 20 de julho de 2020

5 124 - Carmona ou Luanda?: a dúvida! Os doentes furriel Monteiro e Celestino!

A actividade operacional do CCAV. 8423, há 45 anos e em Carmona, alargou-se a especialidades como
a de escriturário, caso do 1º. cabo João Pires, que vemos pronto para sair do BC12 - em cuja parada,
como se vê, se protegiam refugiados. Alguém reconhece o Cavaleiro do Norte da direita da imagem?
José Aug. Monteiro
furriel mil. «Ranger»
J. Celestino
condutor

Os dias de Julho de 1975 iam sendo riscados do calendário e mantinha-se a expectativa quanto ao futuro imediato dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 pelas terras uíjanas do norte de Angola.
A retracção do dispositivo militar estava feita e, na cidade de Carmona, mantinha-se intensa e permanente a actividade de todos os lá aquartelados, em patrulhamentos constantes, horas atrás de horas, noite e dia, continuada-
mente, e mobilizando, até, especialidades que considerada, nomeadamente pela comunidade civil europeia. Foi até, como por aqui já recordámos, «permanente alvo da crítica das populações brancas»
«Havia, assim, que encontrar uma opção para os dias futuros», lê-se no livro «História da Unidade», no qual o comandante Carlos Almeida e Brito fez a memória escrita da jornada africana dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423.
A dúvida era simples: continuar em Carmona ou antecipar o regresso a Luanda? Luanda onde, de resto, o BCAV. 8423 há muito era esperado e desejado.
«Jogados o dados da equação, entendeu-se que o melhor seria a segunda opção, pelo que se expôs o assunto ao Quartel General da Região Militar de Angola», escreveu o então tenente-coronel Carlos Almeida e Brito.
José A. Monteiro
pós-operatório
Joelho do «crime»

Os nossos doentes: o furriel 
Monteiro e o condutor Celestino

Os Cavaleiros do Norte José Monteiro e Joaquim Celestino, ambos da CCS do BCAV.  8423, tem andado «entregues» aos cuidados da saúde «à portuguesa». 
José Augusto Guedes Monteiro, furriel miliciano de Operações Especiais (Rangers) entregou-se aos cuidados de uma equipa médica da Clínica de Arrifana do Sousa, pertinho da Paredes onde reside, para acabar com as dores do joelho esquerdo que o andavam a incomodar. Com uma «coisa» chamada rotura do menisco. «Coisa» de futebolista!
Joaquim Celestino, 1º. cabo
Miguel e furriel Rocha
A operação correu bem e o Monteiro aguarda a alta para regressar aos cuidados caseiros da sua Nani e filhas e, agora que tem mais tempo livre, regressar aos treinos e chegar ao nível, sabemos lá..., de Cristiano Ronaldo!
O condutor Joaquim Celestino Gomes da Silva já está em casa, depois do «martírio» de 9 meses que o internou, sucessivamente, no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, e num outro de Vila Nova de Gaia. Ainda depende de cadeira de rodas mas a fisioterapia vai pô-lo fresco que nem alface. Ou não tivesse ele já marcado para  de Agosto, um encontro de amigos, para festejar a soltura» hospitalar.Grande abraço para eles!
Mário Pereira de Almeida

Almeida, condutor de Zalala,
68 anos em Espinho !

O condutor Mário Pereira de Almeida, soldado da 1ª. CCAV. 8423, festeja 68 anos a 20 de Julho de 2020.
Cavaleiro do Norte de Zalala, e também de Vista Alegre/Ponte do Dange, Songo e Carmona, regressou a Portugal em data desconhecida - pois não consta o seu nome das listas de embarque de regresso de todas as quatro  companhias do BCAV. 8423, em Setembro de 1975. 
Sabemos por informação do furriel miliciano João Dias (TRMS), também de Zalala, que mora em Espinho, para onde vai o nosso abraço de parabéns! 

domingo, 19 de julho de 2020

5 123 - Chipenda na «capital do café», Holden Roberto no Zaire!

Cavaleiros do Norte da CCS, todos condutores. Atrás e de pé, Manuel Alves (?),  José Gomes (?),  Manuel 
Brites, António Gonçalves Vicente Alves. Em baixo, Miguel Ferreira, o 1º. cabo João Monteiro 
(Gasolinas) e Delfim Serra
Daniel Chipenda, à esquerda, esteve em Carmona, na
apanha do café, há precisamente 42 anos

Os dias de Carmona, por este tempo de 1975 - há 45 anos!... -, foram tempo de visita de Daniel Chipenda, que, com os seus colaboradores, «comandam os trabalhadores dos cafezais na colheita». Era tempo da colheita e o Uíge era «a capital do café».
Os acontecimentos das semanas anteriores (desde a primeira de Junho e dos, então, trágicos incidentes ocorridos) precipitaram a fuga de muitos trabalhadores para as suas terras (principalmente bailundos) 
e faltava mão de obra para as colheitas. 
Receava-se que estas não passassem dos 45% das 220 000 toneladas de 1974.
O Diário de Lisboa apontava «o mau tempo, a agitação local no domínio do trabalho e a falta de mão de obra nas plantações» como causas dessa diminuição da produção.
Daniel Chipenda era, nessa altura, secretário geral adjunto da FNLA e avistou-se «com naturais de Angola fugidos às lutas de Luanda e prometeu-lhes auxílio do movimento para o seu realojamento». Calculava-se que a Força Aérea Portuguesa tenha «evacuado centenas de angolanos do Norte, de Luanda para Carmona» - onde, não esqueçamos, «dominava» a FNLA, depois dos combates de 1 a 6 de Junho.
Notícia do Diário de Lisboa de 18/07/1975 sobre
a visita de Daniel Chipenda a Carmona

Holden Roberto no Zaire,
não em Angola

A FNLA, a 18 de Julho de 1975, negou «a presença do presidente Holden Roberto no interior de Angola».
«Todos os que quiserem reencontrar o dirigente da FNLA podem fazê-lo na sede do partido, em Kinshasa», frisava o comunicado, sublinhando também que «a FNLA rejeitará qualquer tentativa de apaziguamento da tensão em Luanda, pela intervenção de forças internacionais de manutenção da paz» e opor-se-á a «qualquer tentativa de intervenção de Portugal».
Curiosamente, mas em data que a memória já não consegue precisar, correu por Carmona o boato de que Holden Roberto estava na cidade. Nesta altura, ou noutra? Alguns Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 garantiam tê-lo visto.


A Fazenda Santa Isabel, no dia da chegada da 3ª. CCAV.
8423 - a 11 de Junho de 1974
Botelho de Santa Isabel 
morreu há 27 anos

Ricardo da Conceição Botelho foi Cavaleiro do Norte da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, e faria 68 anos a 19 de Julho de 2020.
Soldado de transmissões da Companhia comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes e regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975. Ao lugar de Afonseiro, na freguesia de Azinheira do Barros, no concelho do Montijo, onde já residia e onde se fixou. Faleceu há quase 27 anos - a 1 de Agosto de 1993.
Hoje, quando atingiria os 68 anos, o recordamos com saudade. RIP!!!
Alexandre Oliveira

Clarim Oliveira
faleceu há um ano !

O soldado clarim Oliveira, Cavaleiro do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, faleceu a 15 de Julho de 2019, em Vila Nova de Gaia. Aos 67 anos e de doença. 
Alexandre dos Santos Oliveira nasceu a 8 de Março de 1952 e, desde Junho de 2015, sofria de uma doença degenerativa, depois de leucemia e anemia, «combatendo-a» corajosamente, entre o hospital e a sua residência do Seixo Alvo, no Olival, em Vila Nova de Gaia. 
Hoje o recordamos com saudade!!! RIP!!!

sábado, 18 de julho de 2020

5 122 - Final da prevenção simples e entrega de galões e divisas às Forças Integradas...

Forças Militares Mistas / Forças Integradas, que seriam o futuro Exército de Angola, instruídas
pelo BCAV. 8423, aqui na parada do BC12, em Carmona

Fazenda Luísa Maria no tempo da CART. 6322/COTI 2,
em período imediatamente antes do BCAV. 8423 

O dia 18 de Julho de 1975 - há precisa
mente 45 anos! -assinalou o fim do período de prevenção simples da guarnição militar portuguesa em Carmona. Sinal de que as «coisas» melhoravam na capital do Uíge. Começara no dia 12 imediatamente anterior.Outro importante registo do dia foi o da
«entrega de galões e divisas» aos graduados da Companhia das Forças Integradas - que desde há várias semanas vinham a ter instrução dos quadros do BCAV. 8423 - no BC12.
O Livro da Unidade refere que se procurou «valorizar aqueles que irão ser os pilares do Exército Angolano» e que se aproveitou a oportunidade de comemorar o Dia da Cavalaria e, relativamente aos quadros das Forças Integradas «explorar os deveres militares e as responsabilidades dos chefes, em acção orientadora destes elementos». Elementos que, e continuamos a citar o Livro da Unidade, «embora desejando fazer algo por Angola, se sentem submergir e a deixar de ver a aceitação e autoridade que se pretendeu imprimir-lhe».
O Dia da Cavalaria comemorou-se «com a maior singeleza», sendo celebrada missa na capela da unidade, com presença do brigadeiro e Chefe do Estado Maior do Comando Territorial de Carmona, e uma mensagem publicada na Ordem de Serviço do Dia.
O furriel miliciano Mano Vidal (à esquerda)

A CART. 6322
no BCAV. 8423 

Outro acontecimento do dia, mas de um ano antes (em 1974) foi a passagem  da 1ª. CART. do BART 6322/COTI 2 à «dependência operacional do BCAV. 8423».
O Batalhão de Artilharia 6322 foi formado em Évora, no RAL 3 e com a divisa «Honra e Glória». Desembarcou em Luanda, nos dias 20 (CCS), 21 (1ª. CART.), 24 (2ª. CART.) e 27 de Novembro de 1973 (2ª. CART.) e cumpriu missões em Camabatela, Quiculungo e Fazenda Luísa Maria (ZA do BCAV. 8423), M´Pupa, Balalongo e Chitembo, entre outros destinos de intervenção. Integrava o Comando Operacional de Tropas de Intervenção (COTI) e regressou a Portugal no dia 28 de Março de 1975.
A CART. 6322, segundo o Livro da Unidade (do BCAV. 8423), «continuou a trabalhar a área dos «quartéis» de Camabatela e Quiculungo», o que, sublinha o mesmo LU, «completa o esforço operacional do Subsector em procurar actuar sobre todos os refúgios da ZA».
A 28 de Julho de 1974, «foi retirada do Subsector» e, a propósito, um dos seus furriéis milicianos era Mano Vidal, que foi companheiro de escola dos furriéis milicianos Neto e Viegas, os três de Águeda.
Picada de Zalala. Os furriéis milicianos Dias (mecânico) e
Queirós, à frente, e o alferes Sampaio (atrás e à esquerda)

Picadas de Zalala,
a Estrada do Café

Uma das actividades dos Cavaleiros do Norte, há 46 anos e entre outras, foi a de, sempre que solicitados, proteger as brigadas de trabalho da Junta Autónoma de Estradas de Angola (JAEA).
Tal aconteceu com muita frequência nos primeiros meses da jornada angolana do Uíge, particularmente em obras de requalificação da Estrada do Café - que liga(va) Luanda a Carmona.
Há precisamente 43 anos, «prosseguiam os trabalhos» no troço entre Vista Alegre e Ponte do Dange». A 18 de Julho de 1974, há 46 anos, «iniciaram-se trabalhos de reparação do itinerário para Zalala» - a partir do Quitexe.

sexta-feira, 17 de julho de 2020

5 121 - Alterações no Sector do Uíge e dezenas de mortos em Luanda

Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423 num momento de lazer, frente ao bar A Cubata  na Fazenda
 Santa Isabel, todos furriéis milicianos: Agostinho Belo, Ângelo Rabiço, José Adelino Borges Querido 

(que amanhã festeja 68 anos, em Odivelas), Victor Mateus Ribeiro Guedes (falecido a 16 de Abril
de 1998, de 
doença e em Lisboa) e António Fernandes

O Novo e o 1º. cabo Deus junto a uma avioneta estaciona-
da  pista do Quitexe nos duros e dramáticos dias de Junho
de 1975 e para evacuação de feridos da FNLA/MPLA


O distante dia 17 de Julho de há 46 anos, pelas bandas do Uíge angolano, foi tempo de «contactos operacionais» do comandante Carlos Almeida e Brito no Comando do Sector do Uíge (CSU); em Carmona e tal qual acontecera a 14 e se repetiria a 31.
Terá sido nesse encontro que ficou definido, de acordo com o livro «História da Unidade», «o retorno à responsabilidade operacional do BCAV. 8423
Alferes Carvalho
de Sousa
das ZA´s de Luísa Maria e Vista Alegre», data que coincide com o final da Operação Turbilhão - a segunda em que participaram os Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423.
A base desta decisão fundamentou-se na «necessidade do Sector CN orientar a sua actividade noutro sentido, em virtude dos acontecimentos de Luanda» - as primeiras confrontações entre os movimentos e destes com a comunidade branca, da qual resultaram dezenas de mortos e centenas de feridos, após a morte de um taxista branco.
O dia registou, também, a rotação do grupo de combate comandado pelo alferes miliciano Domingos Carvalho de Sousa, da 2ª. CCAV. 8423, de Aldeia Viçosa para a capital Carmona, onde foi assegurar «patrulhamentos na área suburbana da cidade». O Grupo de Combate dos Cavaleiros do Norte foi «em diligência e cedido ao Comando do Sector do Uíge»
Cavaleiros do Norte no Quitexe, todos furriéis
milicianos: Fernandes, Cardoso, Querido, um
 «fnla» e Rocha (de pé), Carvalho, Monteiro e
 Belo (em baixo)
  

Querido, furriel de Santa Isabel,
68 anos em Odivelas!

O furriel José Adelino Borges Querido, da 3ª. CCAV. 8423, festeja 68 anos a 18 de Julho de 2020. Linda idade!|
Atirador de Cavalaria de especialidade e militar da subunidade da Fazenda Santa Isabel - e depois do Quitexe e de Carmona -,  regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975, quando terminou a sua comissão de serviço, e fixou-se no Bairro do Charquinho, em Benfica, freguesia da Penha de França, cidade de Lisboa. 
Agora já aposentado e ocupando os seus tempos (mais livres...) com apoios à loja de retrosaria da família, mora actualmente em Odivelas, onde regularmente o achamos e para onde vai o nosso abraço de parabéns!

Deus, 1º. cabo da 3ª. CCAV.,
faz 68 anos em Lisboa !

O 1º. cabo Deus, dos Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, comemora 68 anos a 18 de Julho de 2020, em Lisboa.
Manuel Ramos Deus foi especialista de operações-cripto dos Cavaleiros do Morte da da Fazenda Santa Isabel mas também passou pelo Quitexe e Carmona, onde a CCAV. do capitão José Paulo Fernandes também se aquartelou, durante os 15 meses da jornada angolana do Uíge. Regressou Portugal no dia 11 de Setembro de 1975, ao Cardal da Graça, em Lisboa. Aposentado, ainda mora em Lisboa - para onde vai o nosso abraço de parabéns! 

quinta-feira, 16 de julho de 2020

5 120 - Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 no curso de Rangers em Lamego!



Os furriéis milicianos Neto, Viegas e Monteiro, da CCS do BCAV. 8423, 3 dos 9 futuros Cavaleiros
 do Norte que, há 45 anos, iniciaram o curso de Operações Especiais (Rangers) em Lamego. Com os 

futuros alferes Garcia, Sousa, Machado e Rodrigues e os furriéis milicianos Pinto e Letras
Os alferes milicianos João Machado (de ver-
melho) e António Manuel Garcia (de camu-
flado). Quem será «homem das barbas»?

Alferes Mário
J. Sousa
Alf. Augusto
Rodrigues

O já bem distante dia 16 de Julho de 1973, há 47 anos, foi tempo para vários futuros Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423 se apresentarem no Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE), em Lamego, onde iriam frequentar o 2º. curso de Operações Especiais (os Rangers) desse ano.
Furriel A. Carlos
Dias Letras
Furriel Manuel
Moreira Pinto
Não se conheciam uns aos outros nem, naturalmente, imaginavam que a sua futura mobilização para o(s) teatro)s) de guerra africano(s) os iria fazer reencontrar em Santa Margarida, primeiro, e depois, pelos chãos do Uíge angolano.
Recordamos os seus nomes:
- CCS, a Companhia do Quitexe: alferes miliciano Garcia (de Carrazeda de Ansiães, falecido a 2 de Novembro de 1979) e furriéis milicianos Monteiro (de Marco de Canaveses),  Viegas e Neto (ambos de Águeda).
- 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala: alferes Mário Jorge de Sousa (de Lisboa) e furriel miliciano Manuel Pinto (Penafiel).
- 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa: alferes miliciano João Machado (Lisboa) e furriel miliciano António Carlo Letras (Setúbal).
- 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel: alferes Augusto Rodrigues (de Vouzela). O furriel miliciano Armindo Reino foi do curso seguinte, do qual fora monitores os furriéis milicianos Monteiro, Viegas e Neto.
O curso terminou a 29 de Setembro de 1973 e, dos futuros Cavaleiros do Norte, ficaram no CIOE, como instrutores, estes três últimos - então 1ºs. cabos milicianos (Monteiro, Neto e Viegas).
Ornelas Monteiro

Coronel Ornelas Monteiro
faleceu há 9 anos !

O coronel Ornelas Monteiro faleceu há 9 anos, no dia 16 de Julho de 2011, de doença e em Lisboa.
José Luís Jordão Ornelas Monteiro era major  de Cavalaria quando, em finais de 1973, foi mobilizado para Angola, como 2º. comandante do BCAV. 8423. Em vésperas do embarque, foi requisitado pelo MFA e seguiu para Bissau, onde prestou serviço no Comando Chefe das Forças Armadas da Guiné. 
Faleceu aos 80 anos e hoje o recordamos com saudade! RIP!!!
Capitão José Paulo
M. M. Falcão

Capitão Falcão faria 78
mas faleceu em Coimbra !

O tenente-coronel José Paulo Falcão foi oficial de operações e adjunto do comando do BCAV. 8423 e faria 78 anos a 17 de Julho de 2020. Faleceu  19 de Dezembro de 2019, de doença e em Coimbra.
Capitão de Cavalaria, cumpria a sua terceira comissão de serviço, a segunda em Angola - onde estivera como alferes, em 1967. Passou por Timor, já como capitão (entre 1970 e 1972) e foi Cavaleiro do Norte em 1974 e 1975. Regressado a Portugal, comandou a Polícia Militar (no Porto e em Coimbra), seguiu para Santa Margarida e foi 2º. comandante do Regimento de Cavalaria de Braga. Seguiu para Estremoz, esteve em Lisboa e, finalmente, em Coimbra - onde residia. Passou à reserva em 1996, aos 54 anos e já como tenente-coronel. «Já se sentia doente e cansado» - como nos disse a sua esposa, Maria do Carmo Gaivão - que extremosamente dele sempre cuidou.  Vários AVC´s levaram a que, a partir de 2009, a sua saúde se fragilizasse muito, ficando dependente de cuidados permanentes.
Hoje o recordamos com saudade! RIP!!!

quarta-feira, 15 de julho de 2020

5 119 - Comandante em Santa Isabel e FNLA a exigir armas ao BCAV. 8423

Os alferes milicianos António Garcia (falecido a 2 de Novembro de 1979) e Jaime Ribeiro, que hoje festeja 
70 aos no Tramagal, o capitão miliciano médico Manuel Leal (falecido a 10 de Abril de 2020, aos  91 anos) e o 
tenente (agora capitão) Acácio Luz. Todos Cavaleiros do Norte do do BCAV. 8423
O capitão António Oliveira, comandante da CCS, numa
visita ao povo de Aldeia, nos arredores do Quitexe, com
os alferes António Cruz (de óculos e bigode), Jaime
Ribeiro (que hoje festeja 70 anos) e António Garcia,
o furriel Viegas e o alferes Mário Simões

O comandante Almeida e Brito  deslocou-se à Fazenda Santa Isabel, onde se aquartelava a 3ª. CCAV. 8423, no dia 15 de Julho de 1974. Há 46 anos!
O objectivo, aos hábitos do tempo, era a troca de impressões e instruções quanto à natureza operacional desta Unidade dos Cavaleiros do Norte na sua Zona da Acção (ZA).
O Pelotão de Reconhecimento, Serviço e Informação (PELREC) foi o grupo de escolta e terá sido esta, mesmo, a primeira vez que se deslocou ao aquartelamento dos comandados do capitão miliciano José Paulo de Oliveira Fernandes.
O dia foi marcado pela morte, de acidente de viação, de Bernardo Oliveira, militar da mesma 3ª. CCAV. 8423 mas membro do 3º. Grupo de Mesclagem, oriundo do Regimento de Infantaria 20 (RI2), em Luanda - formada por militares do contingente local.  Natural de Caiango, no Alto Cauale, era da incorporação de 1969 - devendo, pois, ter 26 anos na altura. Mais não sabemos dele, apenas que o seu corpo foi enterrado no cemitério da sua aldeia.
O comandante Bundula, da FNLA,
com a mulher e aqui num comício
em Aldeia Viçosa
O dia foi marcado, em Luanda e segundo a imprensa do tempo, por incidentes entre movimentos de libertação, que resultaram em 12 mortos e 60 feridos.

Pedido de armas
retidas no BC 12

O dia 15 de Julho de 1975, um ano depois, foi tempo de a FNLA pedir ao comandante Carlos Almeida e Brito a entrega de armas que estavam à guarda do BC12 - a unidade onde estava aquartelado o  BCAV. 8423.
Pedir é uma forma semântica de dizer o que pretendia a FNLA militar e política do presidente Holden Roberto. A FNLA exigia a entrega das armas, milhares de armas que estavam em depósito militar do BC12 - o que não lhe foi concedido. Armas, por exemplo, que tinham sido da DGS angolana e dos Flechas. 
O comandante Bundula seria um dos porta-vozes dessa exigência. Não acedida!
Alferes milicianos na entrada da Messe de Oficiais do
Quitexe: Pedrosa de Oliveira, Jaime Ribeiro, António 

Albano Cruz, António Manuel e José Leonel Hermida

Ribeiro, alferes da CCS, 
70 anos em Constância !

O alferes miliciano Jaime Rodrigues Picão Ribeiro, da CCS do BCAV. 8423, os Cavaleiros do Norte do Quitexe, festeja 70 anos a 15 de Julho de 2020.
Sapador de especialidade militar, foi louvado pelo Comando do BCAV. 8423 porque demonstrou «ser um bom condutor de homens, 
Os alferes milicianos António
Albano Cruz e Jaime Ribeiro
o que o credita merecedor da consideração dos seus superiores, da admiração dos seus iguais e estima dos seus inferiores» e, por outro lado, «juntando à sua competência a maior da boa vontade», conseguindo, por isso, «os melhores resultados nas construções que se fizeram, a maioria delas para melhoria do bem-estar dos soldados».
O louvor foi publicado na OS 174 e sublinha que «foi sempre precioso colaborador do comandante da Companhia, facto recentemente notório na resolução dos muitos problemas surgidos com o elevado número de pessoal civil que pediu a protecção das NT durante os incidentes de Carmona».
Jaime Ribeiro regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975, a Constância, a sua terra natal - onde em 1976 foi eleito vice-presidente da Câmara Municipal, numa lista do PS que ganhou 4 dos 5 mandatos em disputa, sem ele, todavia, abandonar a sua actividade profissional na Fábrica do Tramagal.
Abandonou a política no final desse mandato, por, ele nos disse, «não ter vida para aquilo, por ter de dizer e desdizer o que dizia». 
«Estou porreiro, nas minhas caminhadas de 5/6 quilómetros», disse-nos hoje, já pondo para trás os (bons) efeitos da operação que, há dois anos, fez ao coração.
Parabéns!

terça-feira, 14 de julho de 2020

5 118 - Refugiados em Carmona e a morte do furriel miliciano Farinhas, sapador da CCS do BCAV. 8423!

Os furriéis milicianos Joaquim Farinhas, sapador da CCS dos Cavaleiros do Norte, que faleceu a
14 de Julho de 2005, em Amarante. Aqui, com os «Rangers» Neto e Viegas e o inesquecível Papelino,
o (não) engraxador do Quitexe
Os furriéis milicianos Luís Costa e Joaquim Farinhas, 
que faleceu há exactamente 15 anos. RIP!


O furriel miliciano Joaquim Augusto Loio Farinhas faleceu a 14 de Julho de 2005, de doença e na sua natal Amarante.
Sapador de especialidade militar, deixou a CCS do BCAV. 8423 já em Carmona e em Março de 1975, por razões de natureza disciplinar, ocorridas no Quitexe. 
Deixou-nos, então, um bom companheiro, com quem falámos em 1994/95, a preparar um dos encontros de Águeda. Que não, que não e não, não participava..., que a tropa não lhe dizia nada!! 
O seu murmúrio de protesto era o mesmo dos tempos do Quitexe, quando o víamos meditabundo, algo surombático, emocionalmente revoltado, mas sempre solidário e partilhante, com troco permanente para qualquer desafio de palavra ou de acto, que lhe fosse posto na terra saudosa do Quitexe,
Esteve emigrado nos Estads Unidos e foi guarda-florestal na zona amarantina, tendo falecido a 14 de Julho de 2005, vítima de doença.
Hoje o recordamos com muita saudade! RIP!!!
C. Almeida e Brito
Cmdt. do BCAV. 8423

Cavaleiros do Norte
em 1974 e 1975 !

O dia 14 de Julho de há 46 anos (em 1974) foi tempo para o tenente-coronel Almeida e Brito de deslocar a Fazenda Rio Duízio, no âmbito da campanha de «mentalização das populações». 
O comandante do BCAV. 8423 tinha estado no Comando do Sector do Uíge (CSU) na parte da manhã e, à Fazenda Duízio, fez-se acompanhar pelas autoridades eclesiásticas (padre Albino Capela) e civis do Quitexe - provavelmente o administrador Pimentel Teixeira, ou o substituto Galina.
Um ano depois (1975), há a lembrar e citamos o livro «História da Unidade», «o constante afluxo de refugiados da FNLA a Carmona», que nesse dia se iniciou. A guerra civil angolana estava em parto e com muitas fracturas humanas e polítcas.
Vicente José Alves

Vicente, condutor da CCS,
68 anos em Vila de Rei !

O soldado condutor Vicente José Alves, da CCS do BCAV. 8423, festeja 68 anos a 14 de Julho de 2020.
Natural de Cucados, em Vila do Rei, lá voltou a 8 de Setembro de 1975 e por lá continuou a sua vida, trabalhando na área da construção civil (que expandiu para a Grande Lisboa). Agora, já reformado, mora em Estevais da mesma Vila de Rei, onde constituiu família.
Activo nos encontros dos Cavaleiros do Norte da CCS, coorganizou o de 2010 (em Ferreira do Zêzere) e organizou o de 2017 - o do Regimento de Cavalaria 4, a nossa unidade mobilizadora, no Campo Militar de Santa Margarida. 
Parabéns!
Augusto Mota, 1º.
cabo da 3ª. CCAV. 

Mota, enfermeiro de Santa
Isabel, 67 anos em Lousada!

O enfermeiro Mota, da 3ª. CCAV. 8423, a da Fazenda Santa Isabel, festeja 68 anos a 14 de Julho de 2020.
Augusto António dos Santos Mota, é este o seu nome completo, regressou a Portugal no dia 11 de Setembro de 1975 e fixou-se em Cristelos, povoação do concelho de Lousada. Mora agora um bocadinho ao lado, em Silvares, localidade do mesmo município, e desenvolve a sua actividade empresarial na área da restauração (padaria). 
É para lá e para ele que vai o nosso abraço de parabéns! 
Temporão Campos

Campos, cozinheiro de Zalala,
68 anos em Monção !

O 1º. cabo José Manuel Temporão Campos, da 1ª. CCAV. 8423, festeja 68 anos a 14 de Julho de 2020 e em Monção.
Cozinheiro de especialidade, foi louvado pelo comando do BCAV. 8423, considerando «o inexcedível zelo e eficiências postos  no seu trabalho, durante toda a sua comissão de serviço, à qual aliou sempre sua total dedicação». O louvor foi publicado na Ordem de Serviço nº. 162 e sublinha que foi «bom auxiliar dos seus superiores imediatos» na que todos consideram «a difícil missão de alimentar uma subunidade».
Regressou a Portugal no dia 9 de Setembro de 1975, à sua terra natal de Quinta dos Picados, em Monção - onde ainda reside. Os nossos parabéns!

segunda-feira, 13 de julho de 2020

5 117 - O padre capelão alferes José Ferreira de Almeida!

O antigo capelão militar José Ferreira
 de Almeida nos anos 1978/79 do Século
XX, já depois da sua jornada
africana do Uíge angolano
BCAV. 8423

O padre capelão José Ferreira de Almeida, alferes miliciano dos Cavaleiros do Norte do BCAV. 8423, faria 76 anos a 13 de Julho de 2020, mas faleceu, de doença cancerosa, a 2 de Março de 1995, aos 50 anos e quando era professor em Viseu.
Natural de Vila, lugar da freguesia de Silvã de Cima, no município de Sátão, onde nasceu a 13 de Julho de 1944, era filho do segundo casamento de Firmino Seixas de Almeida, viúvo, e de Maria do Carmo Ferreira. Foi ordenado sacerdote católico a 23 de Julho de 1967, aos 22 anos e por D. José Pedro da Silva, ao tempo Bispo da Diocese de Viseu.
Oficial miliciano com a patente de alferes, foi capelão militar de várias unidades que serviram no norte de Angola e, a partir de Junho de 1974, do BCAV. 8423, sediado no Quitexe, até Dezembro do mesmo ano, quando, em final de comissão, regressou a Portugal.
AQUI o recordámos a 27 de Dezembro de 2017, evocando o seu recato e de ser  relativamente jovem, talvez na casa dos 30 anos. E de muitas vezes o observarmos em conversas com os jovens Cavaleiros do Norte, principalmente com os praças. Estávamos certos: tinha mesmo 30 anos.
A torre da Igreja de Santa Maria de
Deus do Quitexe, vendo-se a vila em fundo

Conforto psicológico,
 moral e religioso

As suas estadias no Quitexe eram alternadas com as três companhias operacionais do BCAV. 8423 - as de Zalala, Aldeia Viçosa e Santa Isabel, já capelão de outras, antecessoras, as do BCAÇ 4211.
O alferes capelão José Ferreira de Almeida, no exercício da sua capelania militar, foi conforto psicológico e moral para muitos Cavaleiros do Norte que na fé procuravam respostas para as suas dúvidas e desassossegos. Muitas vezes o vimos na avenida do Quitexe, e na parada do quartel, fosse onde calhasse, a conversar com os rapazes da CCS.
Regressado a Portugal, no final da sua jornada africana do Uíge angolano, viria a abandonar o sacerdócio em 1978/1979 e  casar em 1992 com Conceição Isabel Rodrigues da Silva, depois Conceição Isabel Rodrigues da Silva Ferreira de Almeida, que era técnica administrativa do Centro de Saúde de Viseu e agora tem 71 anos. Depois de um longo processo canónico.
Os caminhos da vida levaram a que enveredasse pelo ensino, tendo sido professor de Português em várias escolas do distrito de Viseu, cidade onde sempre viveu e onde está sepultado.
Faleceu quando se preparava para iniciar o doutoramento e foi sempre muito apaixonado pelo estudo da literatura, especialmente Aquilino Ribeiro e Miguel Torga, que, ironicamente, conheceu no IPO de Coimbra, quando ambos estavam às portas da morte.
A Igreja do Quitexe  e o
furriel Viegas a 24/09/2019

O capelão que
chegou a capitão!

David José da Silva Ferreira de Almeida é filho de José Ferreira de Almeida e quadro superior da Direcção Geral de Cultura do Norte, na cidade do Porto, onde reside.
Falou-nos dele: «Lembro-me da minha Mãe dizer que o cantor Nuno da Câmara Pereira tinha cumprido o serviço militar com o meu Pai em Angola, mas não sei onde nem quando», acrescentando também se recordar de o pai «ter contado (divertido) que tinha ido ao DRM de Viseu e lhe terem anunciado que era capitão».
A situação teria a ver, naturalmente, com a sua passagem à reserva: «Julgo que teve a ver com isso e com alguma graduação final», comentou David Ferreira, fazendo memória de seu Pai e nosso capelão militar pelas terras nortenhas de Angola.
Hoje o recordamos com saudade! RIP!
Os furriéis milicianos Monteiro e
 Peixoto na messe do Montanha Pinto

Cerco ao quartel
da CCAÇ. 4741/74!


Ao tempo de há 45 anos, os desaires militares da FNLA em Luanda, Salazar (N´Dalantado) e Malanje «ressacaram» em Carmona e, num comício de 13 de Julho de 1975, os seus dirigentes não se apoucaram na afronta às NT - com afirmações muito polémicas, e injustas, e veladas afrontas e ameaças. 
A «permanente situação de prevenção simples» decretada na véspera, estava  justificava, fazendo aumentar - noite e dia, dia e noite... - os patrulhamentos na malha urbana e principais itinerários de acesso à cidade e, quando necessárias, a musculadas intervenções das FA Portuguesas para impedir abusos das forças da FNLA - e do seu Exército de Libertação Nacional de Angola (ELNA). Para manter a tranquilidade e a ordem, a segurança de pessoas e bens!
A situação mais grave, nesse dia de há 45 anos, aconteceu no Negage, a uns 40 quilómetros de Carmona, onde chegaram a cercar o quartel da CCAÇ. 4741/74, exigindo armas. 
A CCAÇ. 4741/74 era comandada pelo capitão Fernando Abel Azambuja Vidigal (que atingiu a patente de coronel) e estava, desde 17 de Março de 1975, operacionalmente dependente do BCAV. 8423 e do comando do tenente-coronel Almeida e Brito. Até aí, passara por Santa Cruz, junto à fronteira, e mudara para Sanza Pombo, antes de chegar ao Negage.
Era essencialmente formada por militares açorianos e por lá tinha passado o furriel João  Peixoto, mais tarde Cavaleiro do Norte da CCS e a este tempo (Julho de 1975) já em Cabinda. 
Outro momento de tensão foi o do impedimento de saída de uma coluna, um MVL, para Luanda - o que se repetiria a 21 de Julho seguinte e levou os Cavaleiros do Norte a assumirem posição de força na reunião de comandos militares do dia 23, em Carmona. O tempo não era de brincadeira. Em jogo, estavam as vidas de milhares de pessoas.
Furriéis Carlos Letras
e António Chitas
da 2ª. CCAV. 8423

Alferes Meneses Alves
d 2ª. CCAV. 8423

O dia 13 de Julho
em 1973 e 1974 

A memória dos Cavaleiros do Norte regista mais dois acontecimentos que, em anos diferentes, tem a ver com o dia 13 de Julho e o BCAV. 8423.

Outros haverá, mas lembramos estes:
1 - 1973: Chegada dos futuros alferes Manuel Meneses Alves e furriel António Carlos Dias Letras ao Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE), em Lamego, para frequentarem o respectivo curso. Ambos milicianos, em datas diferentes de chegada seriam Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa. O alferes Meneses Alves em Fevereiro de 1975, o furriel Carlos Letras desde a formação do BCAV. 8423, em Santa Margarida.
2 - 1974: Reunião do comandante Carlos Almeida e Brito com autoridades tradicionais da região e, seguidamente, com «os comerciantes e elevado número de fazendeiros». No Clube do Quitexe e no seguimento do plano de «mentalização das populações».
Os 1ºs. cabos Breda, condutor,
e Victor Vieira, o sacristão

Vieira, o Sacristão, 68
anos na Vidigueira !

O 1º. cabo Victor Manuel da Cunha Vieira, da CCS, festeja 68 anos a 13 de Julho de 2020.
Auxiliar de serviços religiosos (sacristão) de especialidade militar, também quarteleiro de material e eleito da Comissão do MFA, foi louvado pela «maior boa vontade, dedicação e honestidade» com que exerceu as suas funções, também «voluntarioso e conhecedor das realidades presentes (...), sabendo ser, simultâneamente, um bom camarada».
Regressou a Portugal no dia 8 de Setembro de 1975 e fixou-se na alentejana Vidigueira, onde nasceu e trabalhou na área da restauração e agora goza as delícias e o sossego da aposentação. Parabéns, pá!!