CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

sábado, 14 de novembro de 2015

3 214 - Cavaleiros de Zalala aos abraços na Póvoa do Lanhoso

Cavaleiros do Norte de Zalala na Póvoa do Lanhoso: Pimenta, furriel Rodrigues, 
Famalicão, Teixeira, Barreto (furriel, de barbas), Maia, Queirós (de óculos) 
e Cunha. A meio, furriel Viegas (da CCS), esposa de Casimiro e Casimiro. De 
cócoras, Neves (Bolinhas), furriéis Mota Viana e Pinto e Carvalho

Grupo musical improvisado em quarteto animou
o encontro dos Zalalas, hoje: a esposa do
Horácio Carneiro, o Carvalho, o Pinto e o Horácio
Carneiro. Aquilo é que foi tocar e sem... ensaios!

Hoje, dia 14 de Novembro de 2015, foi tempo para um grupo de Cavaleiros do Norte de Zalala se encontrar em Geraz do Minho, nos lados de Póvoa do Lanhoso, para um abraço de festa, regado de bom humor e muitas saudades. Não foram muitos, mas foram bons.
A memória desfiou-se em mãos cheias de peripécias que fizeram mais divertida (e menos sofrida) a lembrança da epopeica jornada africana do BCAV. 8423 no chão uíjano do norte angolano. Foram horas que se passaram bem divertidas, bem comidas e bem regadas - como quem pega na história e na vida e as fazem ainda melhores e mais doces que o que na verdade foram esses tempos dos nossos 21 para 22, por 23 anos. 
Há 41, qualquer um de nós não imaginaria o bem que saberia (como soube) fazer memórias desse tempo jovem, de farda vestida, de que hoje e sempre nos orgulhamos. 
Há 41 amos, Lúcio Lara, do MPLA, garantia,
segundo notícia do Diário de Lisboa, que
«Cabinda é parte integrante de Angola»
Nesse temor e em Luanda, Lúcio Lara garantia que Cabinda seria «parte integrante de Angola» e , sobre os incidentes da capital, referia que «o MPLA não apoiaria nem de modo algum dera o seu aval à vaga de violência que se tem registado».
«O MPLA é declaradamente pela lei e pela construção Angola», disse o chefe da delegação do MPLA em Luanda, que, por outro lado, responsabilizou a Facção Chipenda, rival directa do MPLA, pelas perturbações na região Salazar/Malange, onde «grupos armados de homens com braçadeira do MPLA têm vindo a criar complicações à ordem pública».
Um ano depois, e com Angola independente desde o dia 11 de Ncvembro de 1975, a situação militar continuava estacionária em Luanda, onde desde o dia da independência «não era ouvido qualquer tiro de artilharia, proveniente da Frente Nordeste» - como noticiava o Diário de Lisboa de 14 de Novembro de 1975 - o que parecia indicar, ainda segundo o vespertino de Lisboa, que «não se registou qualquer empenhamento significativo neste sector».
Notícia do Diário de Lisboa
sobre a situação militar, a 14
de Novembro de 1975, já com
Angola independente
A sul de Luanda, notícias não confirmadas e citadas pelo DL, adiantavam que «uma coluna de mercenários, da FNLA e da UNITA atingiu o cruzamento da estrada para a barragem do Cambembe, onde se situa a estação hidro-eléctrica que abastece Luanda» - tentando avançar para o Dondo.
Carmona e todo o Uíge, o norte de Angola, é que continuavam fora dos ciclos noticiosos.


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

3 213 - Acalmia no Quitexe e turbulência em Luanda e Cabinda


Cavaleiros do Norte da 2ª. CAV. 8423 na capela de Aldeia Viçosa: o Abrantes 
e o Aniano Tomaz, ambos condutores. A fé nunca não abandonou os crentes do Batalhão


Cavaleiros do Norte de Zalala: os
furriéis milicianos Louro e Manuel Dias (falecido
a 20 de Outubro de 2011). E o do meio, quem é? Um 

militar da incorporação local, que poucos dias 
esteve na 1ª . CCAV. 8423

A 13 de Novembro de 1974, o capitão José Paulo Falcão, comandante interino do Batalhão de Cavalaria 8423, esteve reunido no Comando do Sector do Uíge, em Carmona, no BC12. Foi mais um encontro de trabalho dos comandantes das várias unidades do CSU.
O mesmo dia, mas no Quitexe, foi igualmente tempo para mais uma reunião da Comissão Local de Contra-Subversão. O mês de Novembro de 1974, lê-se no Livro da Unidade, «pode dizer-se que se caracterizou por uma acalmia não encontrada há longos anos».
Não era assim em todo o território angolano. Um despacho da Reuters, publicado no Diário de Lisboa desse dia 13, dava conta de que «a capital angolana está a regressar à normalidade, depois de dois dias de tiros e fogos postos, em que encontraram a morte mais de 50 pessoas e ficaram feridas mais de 100»
A madrugada dessa quarta-feira registou «tiroteios esporádicos e os motoristas em greve de protesto contra os assaltos e tiros na estrada de Luanda para o Dondo», regressaram ao trabalho, «depois de o Governo ter anunciado que intensificará as patrulhas militares naquela estrada».
 Em Cabinda, por seu lado, «soldados negros que anteriormente pertenceram às forças especiais  portuguesas, continuaram a ter em seu poder 39 reféns, numa posição fortificada sobranceira a fronteira com o Congo-Brazaville» - cercados pela tropa portuguesa, porém com dificuldades desta em intervir, por causa dos reféns. 
Os soldados negros, segundo o Diário de Lisboa, eram «aparentados da FLEC», um movimento que procurava «obter autonomia total» do Enclave, que era (é) uma «região rica em petróleo». Apresentaram uma lista de exigências para libertar os 39 prisioneiros.
Notícia do Diário de Lisboa de 13 de
Novembro de 1974, sobre os 39 reféns dos
rebeldes cercados pela tropa portuguesa
A UNITA, no Lobito, dava conta que «300 indivíduos são incorporados diariamente» no seu exército. Jorge Valentim, considerado o nº. 2 do presidente Jonas Savimbi, disse, sobre o futuro, que «posso assegurar a toda a população branca de origem portuguesa que deve estar absolutamente calma, pois a UNITA assegurar-lhes-á a protecção».
Um ano depois, já com Angola independente e os Cavaleiros do Norte há mais de 2 meses em casa, o MPLA dava como «praticamente certa a participação de um vasto leque de independentes no futuro Governo». Falava-se mesmo de «alguns nomes ligados à Junta Governativa, ao tempo do almirante Rosa Coutinho, e, posteriormente, a várias Secretarias de Estado Governo de Transição».
Agostinho Neto, num jantar comemorativo da independência de Angola, recusou-se a cortar o bolo, que tinha desenhadas (a chantilly) todas as 12 províncias da jovem nação: «Nunca devemos repartir Angola», disse o já então Presidente da República.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

3 212 - Cavaleiros de Zalala a preparar malas para Vista Alegre

Cavaleiros do Norte da CCS e 3ª. CCAV. 8423. Atrás, Cardoso, Carvalho, Bento, 
Costa (Morteiros) e Fernandes. Sentados, Rocha, Viegas, Morais, Pires 
(Bragança), Fonseca e Flora. À frente, de óculos, o Ribeiro. Todos furriéis milicianos


Furriéis milicianos de Zalala: Costa,
Queirós e João Dias. À frente, Manuel Dinis
Dias, falecido a 20 de Outubro de 2011

A independência de Angola foi proclamada a 11 de Novembro de 1975, mas a guerra civil não parou. O Diário de Lisboa do dia seguinte (12), na perna do jornalista Eugénio Alves, dá conta que, e citamos, depois de «grandes momentos de entusiasmo e exaltação patriótica (...), também nas frentes de combate, onde a luta nunca cessou, se noticiam novos encontros».
Era o caso de Cabinda, onde se registou «o rechaçar de mais uma tentativa agressora da FLEC, que teve de bater em retirada», e a norte, onde «as FAPLA avançam na chamada «rota do café», tendo tomado Porto Quiri, Úcua e Quibaxe». Localidades que fica(va)m no caminho, acrescentamos nós, de Ponte do Dange, Vista Alegre, Aldeia Viçosa e Quitexe, antes de, na mesma estrada do café, chegarem a Carmona - terras onde jornadearam os Cavaleiros do Norte e eram o grande reduto da FNLA e do seu ELNA. A sul, ainda segundo o DL, combatia-se na Balabaia, abaixo de Novo Redondo, «no intuito de se oporem às forças mercenárias». 
O MPLA formava governo e Lúcio Lara era indicado como 1º. Ministro e Mário de Andrade como possível nos Negócios Estrangeiros. Outros nomes, indicados como prováveis: Garcia Neto e Lopo do Nascimento (também para os Negócios Estrangeiros), Iko Carreira (Defesa), Carlos Rocha (Coordenação Económica), David Bernardino (Saúde) e Rui Monteiro (Informação).
«Angola no «top» mundial: Governo
MPLA talvez amanhã», noticiava o
Diário de Lisboa de 12 de Novembro de 1975
Um ano antes, a 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala e do capitão miliciano Davide Castro Dias, preparava a sua rotação para Vista Alegre (que se viria a completar no dia 25 de Novembro). A CAÇ. 209/RI 21 já tinha abandonado a Fazenda Liberato (no dia 8) e a CCAÇ. 4145/72 também iria sair para Luanda (a 20), episodicamente substituída pela CCAÇ. 4145/74 (que chegou a 19 e no dia seguinte foi embora).
Nas restantes subunidades, lê-se no Livro da Unidade, «foi mantida a actividade desenvolvida do antecedente, excepção feita à 3ª. CCAV. 8423, na qual se iniciaram os preparativos para o seu movimento para o Quitexe, a realizar no início de Dezembro». E assim foi. 

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

3 211 - As 3 independências proclamadas de Angola

A proclamação da independência de Angola, feita por Agostinho Neto, 
do MPLA, a 11 de Novembro de 1975. No mesmo dia, também FNLA (no 
Ambriz) e UNITA (em Nova Lisboa, agora Huambo) proclamaram independências

Os presidentes Holden Roberto (da
FNLA), Jonas Savimbi (da UNITA) e
Agostinho Neto (do MPLA)



Angola teve três declarações de independência no mesmo dia 11 de Novembro de 1975: a do MPLA (em Luanda), a da FNLA (no Ambriz) e a da UNITA (em Nova Lisboa, actual Huambo). Há precisamente 40 anos.
O controlo territorial do novo país estava dividido pelos três grupos nacionalistas, cada qual proclamando a independência unilateralmente. O MPLA controlava Luanda (a capital) e proclamou a independência da República Popular de Angola, às 00,00 horas do dia 11 de Novembro de 1975, pela voz de Agostinho Neto e, como disse, "diante de África e do mundo proclamo a Independência de Angola”. Estabeleceu o governo em Luanda, com a Presidência entregue a Agostinho Neto, o líder do movimento. O Brasil foi o primeiro país a reconhecer esta independência, o que Portugal só faria em Fevereiro de 1976.
A proclamação foi feita no estádio 1º. de Maio, em Luanda, e, segundo a notícia do Diário de Lisboa, «as tropas do MPLA, secundando o entusiasmo das populações, dispararam para o ar as suas metralhadoras, carregadas com balas tracejantes». 
A independência de Angola na primeira
página do Diário de Lisboa de 11 de
Novembro de 1975
«A euforia popular que se apossou de Luanda repercutiu-se por todas as zonas já libertadas pelo MPLA, onde o povo pôde, portanto, sem medo, dar vazão à sua alegria»,reportava o DL, frisando que «a alegria popular continuou a manifestar-se pela noite fora, com a população luandense cantando, dançando e por vezes chorando».
Holden Roberto, presidente da FNLA, proclamou a Independência da República Popular e Democrática de Angola, à meia-noite do dia 11 de Novembro, no Ambriz. Mas, mais tarde, considerou-a «não oficial» e (...) «um acto simbólico». Assim como a de Nova Lisboa.
Aqui e no mesmo dia, a independência foi também proclamada pela UNITA, mas (aparentemente) sem o presidente Jonas Savimbi, que estaria em Pretória. Há notícias diferentes sobre a sua (não) presença. Estavam, isso é certo, Miguel N'Zau Puna, José N'Dele e Jerónimo Wanga. 
Apenas a independência proclamada pelo MPLA foi internacionalmente reconhecida.
Imediatamente depois, iniciou-se a Guerra Civil Angolana entre os três movimentos, uma vez que a FNLA e, sobretudo, a UNITA não se conformaram nem com a derrota militar nem com a exclusão do sistema político. A guerra durou até 2002 e terminou com a morte, em combate, de Jonas Savimbi, o líder histórico da UNITA.
- O discurso da independência, de Agostinho Neto. AQUI
- NOTA: Apesar de todas as diligências efectuadas, 
não foi possível obter mais elementos sobre as 
independências proclamadas pela FNLA e UNITA.
Muito menos, imagens fotográficas.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

3 210 - O 10 de Novembro de 1975 e a independência de Angola

O Almirante Leonel Cardoso no discurso na cerimónia da independência
de Angola, `s 12,20 horas de 10 de Novembro de 1975,
no Palácio do 
Governador, em Luanda. Foto cedida por Leonel Cardoso, filho).  Ver AQUI

Última continência à Bandeira de Portugal
em Angola, a 10 de Novembro de 1975


O último discurso da soberania de 
Portugal em Angola foi proferido às 12,20 horas de 10 de Novembro de 1975, pelo Alto Comissário Leonel Cardoso, no Palácio do Governador. 
"Portugal nunca pôs, nem poderia pôr em causa a data histórica de 11 de Novembro, fixada para a independência de Angola, que não lhe compete outorgar, mas simplesmente declarar. Nestes termos, em nome do Presidente da República Portuguesa, proclamo solenemente - com efeito a partir das 00,00 horas do dia 11 de Novembro de 1975 - a independência de Angola e a sua plena soberania, radicada no Povo Angolano, a quem pertence decidir as formas do seu exercício", disse o Alto Comissário, acrescentando que «e assim, Portugal entrega Angola aos angolanos depois de quase 500 anos de presença, durante os quais se foram cimentando amizades e caldeando culturas, com ingredientes que nada poderá destruir».
A última Bandeira de Portugal a
ser arreada em Angola. Há
precisamente 40 anos!
«Os homens desapareceram mas a sua obra fica. Portugal parte sem sentimentos de culpa e sem ter que se envergonhar. Deixa um país que está na vanguarda dos estados africanos; deixa um país de que se orgulha e de que os angolanos podem orgulhar-se", disse Leonel Cardoso. 
O discurso pode ser lido AQUI.
O dia 10 de Novembro de 1975, em Luanda, foi de «tranquilidade total», segundo relatou o Diário de Lisboa. «O presidente Agostinho Neto proclamará esta noite, às 00,0 horas, a independência de Angola, sendo horas depois investigo no cargo de Presidente da República, devendo Lúcio Lara desempenhar as funções de 1º. Ministro», noticiava o DL, acrescentando que «uma ampla mobilização popular assegura a limpeza da cidade e a sua decoração, enquanto as FAPLA, substituindo-se aos militares portugueses, garantem a ordem pública e a protecção de todos os cidadãos»
A Bandeira Portuguesa, noticiava o jornal, «será arreada esta tarde, ao por do sol, na fortaleza de S. Miguel, começando de seguida o embarque dos navios Uíge, Niassa e Gil Eanes dos fuzileiros e paraquedistas, últimas forças portuguesas a abandonarem o território angolano».
Assim foi anunciado o grande dia da nação angolana. Faltava saber as posições da FNLA (a norte) e da UNITA (a sul).

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

3 209 - A Angola Portuguesa e a Angola independente

O comandante Bundula, da FNLA (à direita), à conversa com o capitão miliciano 
José Manuel Cruz, comandante da 2ª. CCAV. 8423, em Aldeia Viçosa. À esquerda, 
com a mão na boca, o capitão José Paulo Fernandes (comandante da 3ª. CCAV.)

O furriel miliciano Viegas, a ler
o Expresso, no varandim da Casa
dos Furriéis, no Quitexe

O 9 de Novembro de 1974 foi um sábado e dia da Lúcio Lara, chefe da Delegação do MPLA em Luanda (aberta na véspera), participar num comício e, depois, em reunião com a Junta Governativa de Angola, presidia pelo almirante Rosa Coutinho.
«Uma multidão de 50 000 pessoas aclamou ontem a Delegação do MPLA, chefiada por Lúcio Lara, que vem estabelecer-se no território como movimento político, depois de combater durante 143 anos contra as forças portuguesas», noticiava o Diário de Lisboa, acrescentando que «é constituída por elementos vindos de Lusaka e Brazaville».
Os Cavaleiros do Norte, por essa altura, continuavam as suas tarefas de ordem e, operacionalmente, escoltavam os trabalhadores da Junta Autónoma de Estradas de Angola (JAEA), que mantinham «os trabalhos na estrada Aldeia Viçosa-Ponte do Dange» e também a continuação do «arranjo da estrada Quitexe-Camabatela».  
Notícia do Diário de Lisboa
de 9 de Dezembro de 1974
Um ano e muitas peripécias depois, um domingo, estava-se na antevéspera da independência de Angola (às 00,00 horas de 11 de Novembro de 1975) e sabiam-se notícias do «avanço das FAPLA pela estrada do café» - a estrada entre Luanda e o nosso Quitexe, Carmona, Aldeia Viçosa e Vista Alegre -, e também do «aumento da pressão da frente do Caxito, por parte dos mercenários portugueses e zairenses e da FNLA», como relatava o Diário de Lisboa do dia 10 (2ª.-feira).
A sul, ainda seguindo o DL (citando a France Press e a Reuters) registava-se «a entrada dos mercenários no Lobito, comandados por um oficial sul-africano e pelo coronel Alves Cardoso, elemento conhecido pelas suas ligações com Jorge Jardim e Spínola». Esta entrada, e continuamos a citar o DL, «representa uma tentativa para estabelecer contacto com a Frente Norte, chefiada pelo tenente-coronel Santos e Castro».
Tentativa estratégica que, frisava o jornal vespertino de Lisboa, «tem falhado, face à resistência oferecida pelas FAPLA». O jornal dava conta, ainda, de que «este avanço, a sul, é acompanhado de sucessivas proclamações da Rádio Lubango (ex-Sá da Bandeira), que lança vivas à «Angola Portuguesa» e «morras» à UNITA, FNLA e MPLA», o que, sublinhava o Diário de Lisboa, «marca a verdadeira face racista desta invasão a partir da África do Sul».

domingo, 8 de novembro de 2015

3 308 - Extinção do Liberato e saída de Quipedro e Alto Lucunga

A esposa (holandesa) e o capitão  miliciano Victor, comandante  da CCAÇ. 
209/RI 21,  a do Liberato. Logo depois, o furriel miliciano (vagomestre) 
José Marques  de Oliveira e dois militares de identidade desconhecida. Quem são?

O condutor Nogueira da Costa (à
esquerda) e o (furriel) José Oliveira, ambos
da CCAÇ. 209/RI 21, em  casa do furriel Viegas (ao
centro), há precisamente dois anos

A 8 de Novembro de 1974, dois grupos de combate da 3ª. CCAV. 8423 (a de Santa Isabel) abandonaram as fazendas de Além Lucunga e Quipedro, onde estiveram desde 23 de Setembro anterior. Eram comandados pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes (que assumiu pessoalmente essa missão) e o alferes Carlos Silva. Os grupos eram ambos do BCAV. 8423 mas estiveram lá «em reforço ao BC12». como relata o Livro da Unidade.
O dia de há 41 anos foi também tempo para mais uma reunião dos comandantes  das unidades do Comando do Sector do Uíge (CSU), uma vez mais no BC12, em Carmona. E também o do início da retirada da CCAÇ. 209/RI 21 da Fazenda do Liberato. Concluída no dia seguinte. A companhia era comandada pelo capitão Victor e a ela pertencia o José Oliveira, furriel miliciano vagomestre, meu companheiro da Escola Industrial e Comercial de Águeda.
O dia foi também tempo, em Luanda, para a abertura da primeira delegação do MPLA, o partido liderado por Agostinho Neto. O chefe da delegação era Lúcio Lara.
Um ano depois e com o 11 de Novembro cada vez mais próximo, um despacho do Diário de Luanda para o Diário de Lisboa disso falava: «Às 18 horas do próximo dia 10, segunda-feira, a bandeira portuguesa será arreada em Luanda, único ponto de Angola onda flutuará anda nessa altura, no decurso de uma cerimónia a que assistirá o Alto Comissário português, Almirante Leonel Cardoso».
O capitão miliciano José Paulo
Fernandes, comandante da 3ª. CCAV.
8423, os Cavaleiros de Santa Isabel
As últimas 24 horas (relativamente a 8 de Novembro de 1975) «não assinalaram quaisquer combates de vulto» e previa-se para a meia noite de 10 para 11 de Novembro, que «o MPLA, em nome de todo o povo angolano, do qual é a sua vanguarda revolucionária, proclamará a independência do país, na presença de quase uma centena de delegações de países e organizações progressistas de todo o mundo».
Era sábado, este 8 de Novembro de 1975, e, já com dois meses de Portugal, após cumprida a sua jornada africana de Angola, os Cavaleiros do Norte expectavam-se sobre o dia maior da nova nação. E continuavam órfãos de notícias do Uíge. A imprensa de lá não dava novidades.
- Cavaleiros de Santa Isabel
em Além Lucunga. Ver AQUI
- A revolta da Companhia´
do Liberato. Ver AQUI

sábado, 7 de novembro de 2015

3 307 - Sacrifícios dos Cavaleiros e dias cruciais para Angola

O furriel Américo Rodrigues, da 1ª. CCAV. 8423 (a de Zalala) com quatro 
combatentes da FNLA. Em Vista Alegre, em 1974/75, depois da rotação dos «zalalas»

Os furriéis José Avelino Lopes (de
Barcelos), Agostinho Belo (Alcains) e
Graciano Silva (Lamego). Os três da 3ª. CCAV.
8423, a da Fazenda Santa Isabel


A rotação dos Cavaleiros do Norte começou a ser preparada em Novembro de 1974 e iria desenvolver-se, como refere o Livro da Unidade, «à custa de verdadeiros sacrifícios» do efectivo militar, nomeadamente «dadas as carências de meios auto que permitam a materialização desses movimentos, os quais envolviam não uma simples mutação, mas, sim, a extinção de aquartelamentos».
Viriam a ser os casos de Zalala e Santa Isabel (respectivamente, da 1ª. CCAV. e da 2ª. CAV. do BCAV. 8423) e o Liberato, onde estava estacionada a CCAÇ. 209/RI 21. E só não foi Ponte do Dange porque os «zalalas», entretanto já em Vista Alegre (totalmente, a partir de 25 de Novembro), lá tinham permanentemente destacado um grupo de combate,
A 7 de Novembro de 1975, uma sexta-feira, com o dia da independência (11) cada vez mais próximo, cada hora que passava era mais importante que a outra. Aproximavam-se «três dias cruciais».
O Diário de Lisboa de 7 de Novembro
de 1975, há precisamente 40 anos, deva conta
dos «três dias cruciais» que se aproximavam.
Cruciais ara Angola
«Todos os observadores consideram que os próximos dias serão desesperadamente explorados pelas forças racistas e reaccionárias, no sentido de tentarem imprimir uma viragem de ultima da hora na situação, impedindo o MPLA de proclamar a independência», noticiava o Diário de Lisboa, em serviço do seu enviado especial Eugénio Alves e do Diário de Luanda.
Luanda, onde o MPLA iria declarar unilateralmente a independência, era «o alvo principal», mas relata(va) o DL de 7 de Novembro de 1975, «as FAPLA resistem com êxito, contendo o inimigo nas suas posições e infligindo-lhe mesmo pesadas derrotas nalguns pontos das duas frentes»
Noticiava o jornal: «Depois de desbaratarem as forças mercenárias na zona de Benguela, as FAPLA registaram nova vitória na Frente do Caxito, considerada como uma das maiores já infligidas ao inimigo desde o início desta segunda guerra de libertação nacional».
O combate ocorreu na zona de Quifandongo e, na versão do MPLA (citado pelo DL), «o inimigo sofreu pesadas baixas em homens e material, tendo tido que recuar, o que levou as FAPLA a reocuparem as vias de Piri e de Quibaxe, que haviam caído há 20 dias».
AS FAPLA também foram vitoriosas dos combates de Benguela. «Atraíram o inimigo ao deserto, onde o cercaram, iniciando a sua flagelação. Esta manhã,  os mercenários ainda lá se encontravam, isolados das suas bases e constantemente atacados pelas FAPLA», noticiava o Diário de Lisboa. Esta manhã, a de 7 de Novembro de 1975 - um manhã das manhãs dos três dias decisivos que eram vésperas da independência de Angola.
Do morte, aos costumes, nada de se sabia, nada se noticiava. A zona era da FNLA e não havia notícias de lá. 

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

3 306 - Comandos no Quitexe e MPLA contra modo descolonizador

Cavaleiros do Norte do Pelotão de Sapadores, na partida 
para mais uma missão. Quem ajuda a identificá-los?


Título do Diário de Lisboa de 6 de Novembro
de 1974: «O MPLA não aceita o plano
português de descolonização»


O Quitexe foi cenário, a 6 de Novembro de 1974, de mais uma reunião de comandos do Comando do Sector do Uíge (CSU), para analisar questões operacionais da ZA.
Os Cavaleiros do Norte, ao tempo, era interinamente comandados pelo capitão José Paulo Falcão, por o tenente-coronel Almeida e Brito estar de férias em Portugal.
A nível político, o MPLA fez saber que não aceitava o plano português de descolonização. Aristides Van-Dunen, do comité central do partido de Agostinho Neto, disse que «a primeira golpada que o imperialismo quer dar em Angola é a separação de Cabinda» e acrescentou que o plano de descolonização «não é aceite por nós».
«Só tivemos conhecimento dele através dos jornais e não a título oficial, pelo que nem sequer temos qualquer contra-proposta», disse Van-Dunen, de passagem em Lisboa.
Um ano depois e muitas «idas-para-a-frente-e-para-trás», já era certo que os três movimentos não se entendiam, mesmo depois da Cimeira de Kampala, no Uganda. «Não haverá qualquer conciliação entre o MPLA e os movimentos fantoches seus rivais até 11 de Novembro e, nesta data, a independência de Angola será unilateralmente proclama pelo movimento dirigido pelo dr. Agostinho Neto, seja qual for a posição de Portugal», noticiava o Diário de Lisboa.
O Diário de Lisboa de 6 de Novembro
de 1975 perguntava, em título, se
«Portugal reconhecerá Governo com o MPLA?»
A situação militar, na Frente Sul, continuava «extremamente grave». O avanço das chamadas (pelo MPLA) «forças mercenárias do ELP e sul-africanas, apoiadas pela FNLA e UNITA, sobre Benguela, levou a que se travassem violentos combates nos arredores e dentro da própria cidade, a qual chegou ontem a ser ocupada pelos agressores». Mais tarde, todavia, «as FAPLA anunciaram a sua retomada». Cabinda «voltou a ser palco de grandes confrontações militares» e do Uíge continuava-se a nada se saber. E nada se dizia, há 40 anos, da situação do Caxito, nos arredores de Luanda.
O dia da independência (11 de Novembro de 1975) estava cada vez mais próximo e existiam dúvidas sobre a posição de Portugal: reconheceria o Governo do MPLA? Continuaria reconhecer os três movimentos? Em Kampala, o ministro Victor Crespo afirmou que «a independência de Angola já está reconhecida», mas não especificou movimentos, acrescentando, porém, que «compete agora às forças políticas angolanas arranjar um governo de unidade nacional que qualquer dos movimentos reconheça como representando os legítimos interesses do povo angolano».
Boas intenções!!!

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

3 305 - Independência a 6 dias e Cavaleiros reforçados

Cavaleiros do Norte da CCS, no Quitexe: 1º. cabo Vicente (de bigode, falecido a 
21/01/1997), Francisco, 1º. cabo Almeida (falecido a 28/02/2009), Florêncio, 
Ferreira, Pinto, NN e Marcos (ambos de bigode). Ezequiel, NN, NN, alferes Jaime
Ribeiro (ao fundo e ao centro), furriel Monteiro (?), Rebelo, 1º. cabo Soares, NN, 1º. 
cabo Hipólito, NN, Messejana (falecido a 27/11/2009, Manuel Leal (falecido a 
18/06/2007) e alferes António Garcia (falecido a 02/11/1979)

O furriel Viegas a ler o Expresso, em
finais de 1974, no varandim da
Casa dos Furriéis, na vila do
Quitexe (a da CCS)



A 5 de Novembro de 1975, o MPLA anunciou que iria «declarar unilateralmente a independência de Angola às zero horas do dia 11, se até lá Portugal não alterar a sua posição face à FNLA e à UNITA». A notícia foi publicada na primeira página do Diário de Lisboa - e certamente em outros jornais, rádios e televisões, em serviço do Diário de Luanda e das agências Reuters, France Press e ANOP. Queria o movimento de Agostinho Neto ser reconhecido pelo Governo Português como «o único legítimo representante do povo angolano e transferindo para ele todos os poderes».
A independência estava a apenas 6 dias e «intensifica(va)m-se os movimentos com vista a encontrar uma plataforma de última da hora para o conflito angolano». Decorria a Conferência de Kampala (com MPLA, FNLA, UNITA e Portugal) e, em Mogadiscio o presidente Siade Barre propôs uma outra cimeira. «Uma vez que a crise angolana é essencialmente um problema africano,exige uma solução africana», alegou Siad Barre.
A situação militar interna «sofreu algumas alterações nas últimas 24 horas». A mais importante, segundo o DL, «é o avanço das forças mercenárias invasoras do Exército regular sul-africano e do ELP, que entraram na província de Benguela, via Sá da Bandeira, através de Quilengues», com «grande resistência das forças populares». Os combates prosseguiram até ao rio Coporolo, a 100 quilómetros de Benguela, tendo os «invasores» 1500 homens, «apoiados por helicópteros estacionados em Sá da Bandeira». As chamadas forças invasoras incluíam, segundo o MPLA, «os lacaios da UPA/FNLA e da UNITA».
A primeira página do Diário de Lisboa
de 5 de Novembro de 1975, com «caixa
alta» para a independência de
Angola, daí a 6 dias
A Frente Norte continuava inalterável, «havendo a registar, no entanto, algumas acções de flagelação por parte do exército invasor, na região de Santa Eulália».
Do Uíge, de Carmona, do Quitexe de Aldeia Viçosa, Vista Alegre e Ponte do Dange (sem esquecer Santa Isabel, Zalala e Liberato) é que nada se sabia. Apenas que era o «terreno» da FNLA.
Um ano antes, Novembro de 1974, os Cavaleiros do Norte do Batalhão de Cavalaria 8432 recebiam dois reforços: o furriel miliciano Mário J. R. Soares, atirador de Cavalaria (para os quadros da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa) e o soldado cozinheiro Carlos J. F. Gomes (para a CCS, na vila do Quitexe).

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

3 304 - Encontro do PELREC com a FNLA na Dambi Angola

Encontro do PELREC com guerrilheiros da FNLA, a 4 de Novembro de 1974. 
Reconhecem-se, das NT, o Salgueiro (de bigode, de transmissões), o Rebelo 
e o furriel José Pires (de pé). Em baixo, o Aurélio (Barbeiro, atirador) e o 
furriel Viegas (dos Rangers, que comandava a força)


Os furriéis milicianos Viegas (com 
uma Kalashnikov nas mãos) e José Pires, com 
um guerrilheiro da FNLA. Há 41 anos, na 
aldeia do Dambi Angola - entre o Quitexe e 
Aldeia Viçosa, no norte de Angola


Hoje, é dia 4 de Novembro de 2015 e passam-se 41 anos desde o encontro do PELREC com guerrilheiros da FNLA, na aldeia do Dambi Angola - que fica(va) à margem da Estrada do Café, entre Quitexe e Aldeia Viçosa. Um dia e um encontro histórico, por ser o primeiro «cara a cara» conhecido, entre as NT e os combatentes.
Foi o dia da estreia operacional do (furriel miliciano) José Pires, o de Bragança - que era de transmissões e, por isso mesmo, não saía do aquartelamento. A história vem contada AQUI .
Foi também o da saída do comandante Carlos José Saraiva de Lima Almeida e Brito, que a Portugal veio de férias. 
«A partir de 4 de Novembro, esteve ausente o comandante do BCAV., tendo o comando passado interinamente à posse do Oficial Adjunto do BCAV, o qual desenvolveu intensa actividade». regista o Livro da Unidade. O Oficial Adjunto era o capitão José Paulo de Mendonça Montenegro Falcão, que precisamente nesse mesmo dia de há 41 anos «esteve presente na reunião de Comandos do Comando do Sector do Uíge, que se realizou no BC12, em Carmona».
O comandante Almeida e Brito, o
soldado Armando Mendes da Silva (da
3ª. CCAV. 8423) e o capitão José Paulo
Falcão, no Quitexe. Há 41 anos!
O dia da véspera (domingo), em Luanda, foi de inauguração da sede da FNLA, na Avenida do Brasil - bem perto dos musseques Rangel e Cazenga, dois dos mais populosos bairros populares da capital. A cerimónia, segundo o Diário de Lisboa de há 41 anos, «foi precedida de um espectacular cortejo através das ruas da cidade, composto por milhares de aderentes do movimento, empunhando bandeiras e cartazes, entoando o hino da FNLA e dando vivas ao presidente Holden Roberto». 
E um ano depois?
Um ano depois, a uma semana da data anunciada para a independência, a Cimeira de Kampala não adiantou coisa nenhuma ao que já se sabia: não havia cessar foto. Os três movimentos não se entendiam e, segundo o Diário de Lisboa, «até esta manhã, não se verificara qualquer alteração às posições assumidas pelo MPLA e que se traduzem na recusa em qualquer acordo coma  FNLA e a UNITA».
Notícia do Diário de Lisboa de 4 de
Novembro de 1975, sobre a Cimeira
da OUA, no Uganda (Kampala)
Entretanto e «embora as notícias sobre as frentes de combate sejam escassas, sabe-se que se mantêm sem alterações as posições das forças em confronto».
Noutro campo, o MPLA acusava os Governo Português de «atitude vergonhosa» ante o que Lúcio Lara, falando á Juventude do MPLA, considerou «uma associação de patifes, uma associação de bandidos, os do ELP, o chamado Exército de Libertação de Portugal, enquadrados por técnicos militares da África do Sul, com material da África do Sul e com os lacaios e fantoches atrás, a carregar obuses: a FNLA e a UNITA». Referia-se às confrontações da Frente Sul - em Sá da Bandeira e Moçâmedes. Aqui, as FAPLA, noticiava o Diário de Lisboa, impediam, desde a véspera, «uma tentativa de avanço dos mercenários, rumo ao Lobito». 
Na zona do Caxito, perto de Luanda e ainda segundo o vespertino de Lisboa, «a FNLA continua encurralada nas posições para as quais foi obrigada a recuar na última semana». Estava-se precisamente a uma semana do dia da Independência - 11 de Novembro de 1975.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

3 303 - Cavaleiros a rodar e movimentos inconciláveis

Grupo de furriéis milicianos da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, junto ao
bar A Cubata: Agostinho Belo (Alcains), Ângelo Rabiça (de Vila Real, em
Guimarães), José Adelino Querido (Lisboa), Victor Mateus Guedes (falecido
a 16 de Abril de 1998) e António Fernandes (Braga)


A Fazenda Santa Isabel, onde esteve
aquartelada a 3ª. CCAV. 8423, comandada pelo
capitão miliciano José Paulo Fernandes
Os primeiros dias de Novembro de 1974, para além dos serviços operacionais de ordem, envolveram também tarefas de protecção aos trabalhos do pessoal da Junta Autónoma de Estradas de Angola (JAEA), quer na estrada do café, entre Aldeia Viçosa e Ponte do Dange (a cargo dos Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423), quer do «arranjo da estrada Quitexe-Camabatela» (pela CCS e, essencialmente pelo PELREC e Pelotão de Sapadores).
A 2 desse mesmo mês, houve troca de pelotões da 3ª. CCAV., em «missão de serviço» no Quitexe. Chegou o grupo do alferes Carlos Silva, que integrava os furriéis milicianos Alcides Ricardo e António Luís Gordo, e partiu o do alferes Augusto Rodrigues, com os furriéis Graciano Silva e José Fernando Carvalho. A rotação total da CCAV. 8423, de Santa Isabel para o Quitexe, seria em Dezembro seguinte - completando-se no dia 10.
A 3 de Novembro de
Ordem de serviços com as rotações de
dois grupos dos Cavaleiros do Norte de Santa
Isabel, de e para o Quitexe
1975, um ano depois (há 40!!!), as notícias não eram as melhores. A independência de Angola estava marcada para o dia 11 e quanto a cessar fogo, não... havia!!! E o Governo Português fazia saber que não iria estar presente nas cerimónias comemorativas - embora se admitisse, ao tempo, que o Alto Comissário Leonel Cardoso «esteja em Luanda», segundo noticiavam as Agências Reuters, France Presse e ANOP, citadas pelo Diário de Lisboa.
O MPLA mantinha a sua intransigente posição de «não aceitar qualquer reconcialiação» com a FNLA e a UNITA, que rotulava de «movimentos fantoches». O presidente Agostinho Neto reafirmou isso mesmo na 5ª.-feira anterior (30 de Outubro), em vésperas da Cimeira de Campala, convocada por Idi Amin (presidente da OUA e do Uganda).
Notícia do Diário de Lisboa de 3 de
Novembro de 1975, sobre o não
cessar-fogo em Angola
Quanto à cimeira, foi reiniciada precisamente a 3 de Novembro de 1975 e confirmava-se o não cessar-fogo que chegou a ser anunciado para as 6 horas de 1 de Novembro. «A Luanda, chegam notícias de confrontações armadas nas três frentes, o que desmente a anunciada trégua em todo o território», noticiava o Diário de Lisboa.
A OUA decidiu convocar uma reunião de emergência, «afim, de discutir o conflito angolano». Idi Amin propôs o envio de «uma força de paz africana», mas tal foi recusado pelos três movimentos.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

3 302 - O alferes António Garcia faleceu há 36 anos!

Os alferes milicianos Jaime Ribeiro, António Garcia (falecido a 2 de Novembro de 
1979) e José Alberto Almeida, no adro da Igreja do Quitexe. Do lado esquerdo 
da foto, vêem-se as instalações do BCAV. 8423. Ao fundo, em cima, a administração civil


A notícia do acidente mortal do malogrado
e saudoso (alferes) Garcia, no Jornal de Notícias de 3
de Novembro de 1979
O (nosso alferes miliciano) Garcia faleceu há 36 anos, vítima de um acidente de viação, quando, como agente da Polícia Judiciária, investigava o «Caso Ferreira Torres». A dor e o luto da sua inesperada partida já aqui foi sublinhada e sublimada por várias vezes, mas nunca é excessivo evocar o homem bom e frontal, o militar corajoso e sem medos que foi exemplo para quem ele comandou e quem com ele comungou os momentos inolvidáveis da nossa jornada africana do Uíge Angolano! O companheiro por quem se soltam lágrimas de luto, de emoção e de saudade! O amigo que partilhou emoções e perigos, sem um recuo ou uma dúvida, sempre corajoso! Que comungou, momentos de glória e os ápices de iminentes tragédias, como as dos primeiros dias de Junho de 1975, em Carmona.
Notícia do Diário de Lisboa de 3 de Novembro
de 1979, sobre o acidente de que foi vítima (o
alferes) António Manuel Garcia
O acidente de 2 de Novembro de 1979, entre Viseu e Mangualde, está na memória colectiva dos Cavaleiros do Norte!!! Na fatídica e trágica tarde de 2 de Novembro de 1979, a viatura em que a equipa da PJ viajava chocou frontalmente com um automóvel de matrícula alemã e conduzida por um emigrante português de 21 anos - que fez uma ultrapassagem mal calculada, numa recta e a um terceiro veículo. Os acidentados foram conduzidos para o Hospital de Mangualde - onde o malogrado e saudoso Garcia deu entrada já sem vida. Os feridos foram evacuados para o Hospital de Viseu.
Hoje, 36 anos depois, aqui o recordamos com saudade e emoção! E não esquecendo a sua face de construtor de um mundo melhor - de que é belíssimo exemplo a fundação da Associação Recreativa e Cultural de Pombal de Ansiães, a sua terra natal, onde está sepultado no cemitério paroquial. 
A 2 de Novembro de 1974, cinco anos antes e no decorrer da nossa jornada africana, os Cavaleiros do Norte foram anfitriões do brigadeiro comandante da Zona Militar Norte (ZMN) e do comandante do BCAV. 8324, que estava aquartelado em Sanza Pombo. Fez-se acompanhar de «diversos oficiais da guarnição de Carmona». Facto distintivo desse dia, no Quitexe, foi a visita do Bispo de Carmona, em viagem de carácter social e «em colaboração com as autoridades civis e as populações», como sublinha o Livro da Unidade.
Um ano depois e a pouco mais de uma semana da declaração de independência angolana (11 de Novembro), não havia acerto expectável entre MPLA, FNLA e UNITA. As suas forças e razões eram medidas nos campos de batalha.
- Para ti, António Garcia,
a propósito dos poetas fingidores
Ver AQUI
- O corajoso alferes Garcia
e o 1 de Junho de 1975.
Ver AQUI
- Clicar nas imagens, para ler as
respectivas notícias

domingo, 1 de novembro de 2015

3 301 - Acalmia no Uíge e diferenças entre movimentos

Cavaleiros do Norte de Zalala: o alferes miliciano Mário Jorge Sousa, ladeado 
pelo furriel miliciano José António Nascimento (à esquerda) e o soldado Leão

Furriéis milicianos Cavaleiros do Norte
de Aldeia Viçosa: António Carlos Letras (em
Palmela) e António Milheiros Chitas.
Quem sabe do Chitas?

O mês de Novembro de 1974 «caracterizou-se por uma acalmia não encontrada há longos anos». O Livro da Unidade refere que continuou «a viver-se o clima de cessar-fogo estabelecido no mês anterior».
«Obviamente - lê-se no mesmo LU - começaram a ser estabelecidos contactos com as autoridades, por parte de elementos dispersos da FNLA, agora já nas categorias elevadas das suas chefaturas, tal como já vinha acontecendo em Vista Alegre».
Um ano depois, já no mês da independência angolana - marcada para o dia 11 de Novembro de 1975 - não havia, porem, tréguas entre os movimentos. 
O Diário de Luanda, em serviço especial para o Diário de Lisboa e na edição do dia 3, precisava que «embora tenha sido noticiado que o MPLA e os movimentos fantoches, tinham aceite, em princípio, o cessar fogo proposto pelo presidente Idi Amin e para as 6 horas de 1 de Novembro, os combates prosseguiam nas últimas 48 horas». Portanto, a 1 e 2 de Novembro de 1975. Por movimentos fantoches e na linguagem do MPLA, entendam-se a FNLA e a UNITA.
Notícia do Diário de Lisboa de 1 de
Novembro de 1975. Há 40 anos!
O jornal de Lisboa precisava que «ao abrigo do cessar fogo proposto, as forças contendoras deveriam suspender os combates nas posições que ocupavam na altura, mantendo-se até à reunião de Campala» - previstos para 3 de Novembro. 
Estava-se a 10 dias da independência (dia 11) e sabe-se hoje que nada disso aconteceu. O chão da terra angolana continuou a ser regado com o sangue dos seus heróis. Por vários e trágicos anos de lutas e de uma guerra civil de que não contabilizáveis os seus mortos.