CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

1 821 - A fuga de trabalhadores rurais do Uíge...

Eira de café, para secar (em cima). Apanha de café, em baixo. Era uma 
tarefa essencialmente desempenhado por bailundos, contratados no sul de Angola (em 
baixo). Fotos da net.


Os dias de Outubro de 1974, pela área do Quitexe, foram de algumas preocupações, relativamente à próxima colheita do café - prevista para depois de Janeiro. A fuga dos trabalhadores rurais, principalmente bailundos, provocou o fecho de algumas fazendas, nomeadamente nas áreas de Zalala, Vista Alegre e Canzundo. E, em outras, a paragem da laboração.
O Livro da Unidade dá conta de «provas absolutas de que é a FNLA que impõe a saída dos trabalhadores, sob coação de morte se tal não fizerem». E o café era a principal riqueza do Uíge, o seu grande motor económico. Na altura em que se encontravam os trabalhos agrícolas, a esse tempo, «não trará grande afectação à futura colheita», como refere o LU, mas temia-se que «se a situação se mantiver a partir de Janeiro de 1975, então já se verificarão fortes prejuízos ao poderio económico local».  
Noutro âmbito, Agostinho Neto, presidente do MPLA, denunciava «múltiplas manobras mistificadoras» que, do seu ponto de vista, fragilizavam o processo de descolonização de Angola.
«Não tem vindo a ser encarado à luz dos mesmos princípios que deram lugar ao aparecimento de dois novos estados em África, na medida em que o problema angolano tem sido ultimamente objecto de múltiplas manobras mistificadoras, à quais não são alheias as potencialidades e a situação geográfica e estratégica», dizia o presidente do MPLA, lembrando que o movimento «ainda não depôs as armas, nem as deporá enquanto não forem estabelecidas negociações com a vanguarda revolucionária do Povo Angolano e, consequentemente, resguardadas as legítimas aspirações do Povo Angolano, particularmente das suas camadas mais exploradas».

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

1 820 - Aldeia Viçosa no Fundão e a (não) reacção em Angola

O organizador Carmo, com o (ex-alferes) Machado, em cima. 
O (ex-furriel) Ramalho e o Beato, responsáveis pelas «mobilizações» dos 
encontros dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa (em baixo)

Os Cavaleiros de Aldeia Viçosa nomearam o Beato como mordomo de 2014, mas é justo botar aqui um grande plano da cara do Carmo, que no Fundão foi mestre de cerimónias. Organizou e até acordeonou. Isto é: tocou acordeon. Por Angola, foi 1º. cabo atirador de cavalaria. Por cá, de praça assente na Covilhã, fez-se à vida e laureou-se com uma organização impecável. O impecável, aqui, é do Beato - que, com o Ramalho, foram os responsáveis pelas «mobilizações». E continuarão!
Ainda não falámos de ementa e convém sempre: fartas entradas, aos prazeres de bacalhaus e polvos, chamuças e doces. Tudo bem molhado, claro! Seguiu-se uma sopinha de legumes, já iam quentinhos os estômagos. E uma magnífica vitela assada no forno, com ervilhas e batata assada. Gostaram?! Juntem-lhe os doces e os digestivos e uma tarde de farta conversa - Angola, blá-blá-blá!!!, as saudades, os medos, os serviços, as operações, as patrulhas e, claro, as namoradas, os sonhos e os cios!!! E, a finalizar, um leitão assado à moda da Bairrada, com os bons Alcambar´s da Adega Cooperativa do Fundão a refrescar o corpo e a alma!!
Agora, deixem-me ir um bocadinho atrás na vida e na história: há 39 anos, em Luanda, no Palácio do Governo, 500 oficiais reuniram-se reafirmaram a sua «intransigente fidelidade ao movimento das Forças Armadas», não hesitando em protagonizarem «a efectivação do processo de descolonização de Angola, na sequência do compromisso internacional assumido por Portugal, ao reconhecer o direito à auto-determinação e independência dos povos colonizados».
Assumiam-se contra o que consideravam «as trágicas aventuras reaccionários ocorridas em Moçambique» e que queriam evitar em Angola.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

1 819 - Cavaleiros do Norte: o ontem, o hoje e o amanhã!!!

O Encontro de Cavaleiros do Norte no Fundão também «atraiu» algumas 
amazonas (em cima). Agostinho Neto admitia presença de brancos em Angola (ao meio). 
José Maria Beato (em baixo) vai organizar o encontro de 2014 


Aos 28 dias de Setembro de 2013, os Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa reuniram e desse encontro aqui temos vindo a dar imagens e ideias. Ainda não dissemos quem organizou. Foi o Carmo, o acordeonista do poste de ontem. E «correu tudo muito bem», como não podia deixar de ser, como garantiu o Letras.
Falando de futuro, quem vai organizar em 2014, quem é? Pois será o Beato, lá para os lados de Valongo, nas fronteiras do Porto. E, ainda pegando nas palavras do Letras, «não vai falhar nada». Assim será!
E falar do passado? Pois, aos idos dias de Outubro de 1974, Agostinho Neto, o presidente do MPLA, reunia em Lusaka, com o presidente da Zâmbia e alertava para «manobras neo-colonialistas» de personalidades que tinham sido convocadas para, em Lisboa, discutir o futuro de Angola. afirmando que «não têm mandato do povo angolano para tais negociações».Acrescentava que, «sem a presença do MPLA, essas conversações constituíam o mais flagrante desrespeito por todos aquele que verteram o seu sangue e deram o seu esforço ao longo de 13 anos de luta armada». Referia-se aos dirigentes do PDCA, da FUA e outras organizações de cidadãos brancos que tinha sido chamados a Lisboa, por Spínola. Isto, a 4 de Outubro.
A 8 de Outubro, faz hoje 39 anos, reconhecia o direito à existência de minorias brancas, comentando declarações de Vasco Gonçalves, o 1º. ministro português, que dissera ao francês Le Nouvel Observateur que o futuro de Angola não seria decidido sem acordo da população branca. «A nossa intenção - disse Agostinho Neto - é defender os interesses dos brancos. Nós podemos garantir-lhe que a nossa política será permitir a existência dos brancos no nosso país». Abordou as futuras negociações com o Governo Português e precisou que se começariam assim que  se alcançasse a unidade, tanto no interior do MPLA como da FNLA. Da UNITA, não se falou.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

1 818 - A procissão anual dos «aldeia-viçosas!...

O Emidío Pinto e o Rito, à conversa (em cima). O Oliveira, da messe de oficiais, 
a mulher e o Rito, na foto de baixo. E quem é o acordeonista?


Os aldeia-viçosenses chegaram a Angola no dia  4 de Junho de 1974. Ao aeroporto internacional de Luanda, dali passando pela zona militar e ali subindo para as berliets, que os levaram para o campo militar do Grafanil. E do Grafanil, para Aldeia Viçosa, a 10 de Junho.Aldeia Viçosa foi a sede do seu aquartelamento, com saídas, por exemplo, para o Destacamento de Luísa Maria, ou Vista Alegre, ou Ponte do Dange! A 2 de Março de 1975, um dos seus grupos de combate juntou-se à CCS, em Carmona, no BC12. Para lá rodou o resto da guarnição comandada pelo capitão miliciano Cruz, ate 11 desse mesmo mês.  Agora, a 28 de Setembro de 2013, 38 anos amos depois, 36 desses bravos Cavaleiros do Norte reuniram-se no Fundão e o cardápio, para além da gastronomia que consolou estômagos, ementou-lhes quantas dezenas de recordações desses 15 meses de jornada africana do Uíge angolano. O  Letras deu-nos contar do mar de entusiasmo que caracterizou o dia, entre mil palavras de conversas e emoções - porque esta gente não pode esquecer nunca, e não esquece, os imortais e epopeicos tempos dessa missão. Por alguma razão eles se juntam todos os anos. Por alguma razão a eles se juntam mulheres, filhos e netos, da braço e mãos dadas, fazendo deste dia uma procissão anual obrigatória.

domingo, 6 de outubro de 2013

1 817 - Saudades dos tempos de Aldeia Viçosa...

Neto, Ramalho, Carmo e Machado (foto de cima). Guedes, Almeida, Teodósio e Grave (foto do meio) 
e casal Domingos (alferes) Carvalho de Sousa em pé de dança (à esquerda).

Não faltou um bom é de dança no encontro dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa, que os fez jornadear pelo Fundão, a matar saudades de Angola. A malta já vai de idade com muitas artroses, alguns reumatismos e outros males da PDI, ou da ADN, mas quando chega a vez de apertar o par no peito e dar dedos entrelaçados para rodopiar ritmos, não falta vontade, nem há queixas ou dores. Que o diga o casal Sousa - o (ex-alferes) Carvalho -, que aqui vemos na foto, em plena forma, como se tivessem 20 anos e ainda andassem a debutar os seus amores!!!
Os «aldeias viçosas" tiveram esse «ar de dança» e desfiaram recordações que a alguns envergonhou, porque as suas caras metades ouviram verdades que desconheciam, ou, delas sabendo, faziam por não acreditar..., fingindo!
Falamos, de forma figurada e eufemística, de umas saltadas dadas às sanzalas das redondezas, em visitas rápidas e muito ciosas, para desenferruja ideias e matar vícios. E mais não digo, cala-te boca! Ah, já não falando da transmontana de Carmona, ou do Diamante Vermelho e de outros bares de luzes a piscar nas noites de luar e muito sensuais da África que por lá vivemos. Como não ter saudades desses tempos?! 
Fotos de Carlos Letras


a esqª para a dtª - Oliveira (condutor); Almeida, Teodósio (mecânico/Almeirim) e Grave.
Só agora apareci, pois fui às vindimas à Régua.
Um abraço para todos os Cavaleiros do Norte.










sábado, 5 de outubro de 2013

1 816 - Cavaleiros de Aldeia Viçosa, 38 anos depois!!!

Rosa, (ex-alferes) Carvalho e Soares, atrás o Beato, na foto de cima. Pisco e Emídio, 
esposas de Pisco e Rito e Rito (foto de baixo). Mais abaixo, (os ex-furriéis) Guedes e Gomes.


Aí estão mais algumas imagens dos Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa, na sua memória histórica dos 38 anos da sua chegada de Angola. Chegada de «sãos e salvos» que foi já no ido e distante Setembro de 1975, vejam bem como o tempo voou. Voou o tempo e as cabeleiras de alguns, crescendo-lhe os abdómens. Digo eu, as barriguinhas!!!
Juntaram-se no Fundão, a 28 de Setembro (já lá vai uma semana), e por lá foram recordando bons e menos bons  momentos dos tempos em que, sem vergonha e destemidos, serviram o Exército de Portugal. Sem vergonha, corajosos e com honra! Orgulhos e garbosos de tal forma que, 38 anos depois, continuam a vicenciar os 15 meses d´Angola como se ainda tivessem os 22 para 23 anos daqueles tempos de coragem, de alguns medos e também de algumas dores, dores de alma e de corpo! Tempos e emoções que não esquecem!
Fotos de Carlos Letras

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

1 815 - Curso dos Ranger´s que se fizeram Cavaleiros do Norte





Ordem de Serviço nº. 234, do Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE), em Lamego, de 4 de Outubro de 1973 - de há 40 anos. Furriel miliciano Viegas, no seu primeiro serviço no CIOE




A 4 de Dezembro de 1973, hoje se completam 40 anos, a Ordem de Serviço do Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE), em Lamego, publicou as classificações dos cadetes e instruendos que frequentaram o 2º. curso de Ranger´s desse ano. Terminado a 29 de Setembro, uns dias antes.
O curso incluía vários futuros Cavaleiros do Norte, integrados no Batalhão de Cavalaria 8423, entre oficiais e sargentos milicianos. Aqui os recordamos:
- CCS: Alferes António Garcia, furriéis José  Monteiro, C. José Viegas e Francisco Neto, todos do PELREC.
- 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala: Alferes  Mário Jorge de Sousa e furriel Manuel Pinto.
- 2ª. CCABV. 8423, a de Aldeia Viçosa: Alferes João Machado e furriel António Carlos Letras.
- 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel: Alferes Augusto Rodrigues. O furriel Reina foi do curso seguinte, em Lamego.
Já agora, as médias finais do curso, segundo a mesma ordem de serviço:
- Alferes milicianos: Rodrigues (14,78), Machado (14,75), Sousa (14,73) e Garcia 14,70).
- Furriéis milicianos: Monteiro (16,05), Viegas (15,31), Neto (14,78), Pinto (14,23) e Letras (13,25).

1 814 - Aldeia Viçosa angolana "levada" até ao Fundão

Os Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa numa (melhor) do grupo que 
se reuniu a 18 de Setembro de 1013, no Fundão. O Ramalho, o Beato e o (capitão) Cruz (foto do meio)

Alferes Capela e Ramos (de óculos), Quaresma, Ferreira e
 Rocha. E entre os dois alferes, lá atrás, de óculos e mão no bolso? Quem é?

A cavalaria da 2ª. CCAV. 8423 esteve lá pelo Fundão e não se dispensou de profundas e emotivas conversas sobre os seu tempos mais juvenis, os dos 20 e poucos anos. Que eram tempos de uma força danada, que não temia medos nem inimigos, nem que à pedrada os tivéssemos que abater. 
Não foi o caso, nem a tiro  matámos alguém... - graças a Deus e a quem nos preparou para o «cara-a-cara» dos problemas... - pelo que os momentos de saudade de Aldeia Viçosa não foram mais (e não foi nada pouco!!!!) que o estendal de feitos que se fizeram em lendas das nossas vidas militares.
Repare-se, mas repare-se só por mero acaso, assim como quem não quer a coisa..., nas bem nutridas figuras destes nossos companheiros da jornada angolana!! Todos com cara de quem não passa fome e não se intimida com os tempos de crise de que tanto por aí se fala, mas não é para todos! Fosse esta rapaziada governar e nem tróikas, nem crises, nem austeridades, o que é isso?,  nada disso venceria tamanha competência. Que é, já agora, o que está a fazer falta no país. Competência e coragem!
Fotos do (ex-furriel) António Carlos Letras
Clicar nas imagens, para as ampliar ou reduzir


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

1 813- Os Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa no Fundão

Machado e Capela,  ex-alferes milicianos, à frente. Lá atrás, Sebastião (Cambuta) e 
Ferreira (enfermeiro). Em baixo, Luís Alves, Emídio, Pisco e Rosa



Os Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa não pouparam prazeres e gostos no encontro do Fundão - a 28 de Setembro deste 2013 que corre para o fim. Eram 36, alguns deles com as respectivas amazonas, e foram surpreendidos com o aparecimento do (alferes) Ramos, agora advogado em Vila Nova de Foz Coa, de onde é e de onde partiu para Angola, como atirador - colocado na 2ª. CCAV. 8423 em Maio de 1975. Ao BC12 chegou e do BC12 se despediu em Julho, quando foi de férias a Luanda e por lá ficou como oficial de justiça. Ali está ele, na foto à esquerda.
As imagens fotográficas são do (ex-furriel) Letras, que comigo - e com o Neto o Monteiro (CCS) e o Pinto (1ª. CCAV.), todos furriéis, e os ex-alferes Garcia (CCS), Sousa (1ª. CCAV.), Machado (2ª.) e Rodrigues (3ª.) - sofreu(mos) as «passas de Lamego, no 2º. turno de 1973, do curso de Operações Especiais, os Rangers. «Coisa» que se passou há precisamente 40 anos!
O agora reformado professor José Manuel Cruz, que por Aldeia Viçosa foi comandante da 2ª. CCAV. 8423, como capitão miliciano, fez a oração do dia, enaltecendo «a alegria deste reencontro de todos os anos». Não esteve no de 2012, devido a problemas de saúde, mas este ano, neste «rever os amigos» do Fundão, não faltou e enfatizou os valores da camaradagem.
   

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

1 812 - Cavaleiros de Aldeia Viçosa reunidos no Fundão

Os Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa estiveram no Fundão, a desfiar memórias e a matar saudades do seu regresso de Angola. Que foi há 38 anos!!! O tempo passa, meus amigos! Já lá vão os tempos da nossa juventude e da épica jornada africana que nos fez maiores pelas terras do Uíge.
Aqui à frente, reparem nestas carinhas larocas, já todas sexiiiiiiigenárias e da esquerda para a direita: o Carmo, o Inácio, o Barbosa, o Rocha, o Guedes, o Ramalho, o Grave e o Couto. Pela pinta, eu só tirava o Guedes e o Ramalho, ambos ex-furriéis!
Ali pelo meio, vejamos, pela pela mesma ordem: Quaresma, alferes Ramos, Beato, (capitão) Romeira da Cruz, Oliveira, Sebastião, Freire, Venâncio, Rosa e Soares. O capitão Cruz, reconheceria em qualquer lado. O alferes Ramos, reconheceria, devido a fotos recentes.
Atrás e ainda pela mesma ordem: Emídio Pinto, (furriel) Ferreira, Neto, (alferes) Capela, Rito, Samuel (condutor), Gomes, (alferes) Machado, Oliveira, (alferes) Carvalho, Silvestre e Ferreira (enfermeiro). Identificaria o Ferreira (fuuriel), o Capela, o Machado e o Carvalho.
A foto e a identificação foram enviados pelo (furriel) Guedes. 
Pode ser ampliada, para melhor ver os rostos; basta clicar sobre a imagem.

1 811 - Acção psicológica e MPLA com delegação no Zaire

Clube do Quitexe, em cima, à esquerda, e entrada da vila, do lado de Carmona


Aos idos dias dois de Outubro de 1974, o MPLA abriu a sua delegação em Kinshasa, no âmbito, como então foi explicado, da «ajuda concreta e de solidariedade do Zaire para com os movimentos de libertação, em geral, e para com a luta do povo angolano pela sua independência, em particular». Foram Agostinho Neto (presidente) e Daniel Chipenda (vice-presidente) quem negociou a abertura.
Por esse tempo, no Quitexe - mantendo-se os habituais esquemas de segurança -, continuavam as actividades psicológicas junto das populações (para explicar o desenvolvimento da revolução em Portugal e o processo de descolonização de Angola. O Clube do Quitexe, de seu lado, foi de novo espaço para exibições de um filme, entre os dias 10 e 23 - filme que, conforme se lê no Livro da Unidade, «rodou em toda a ZA». 
Em Luanda, um dirigente do PDCA, António Joaquim Ferronha, era procurado pelas autoridades militares, acusado de estar ligado a uma intentona reaccionária em Lisboa, como comunicou o comandante Correia Jesuíno, Secretário da Informação em Angola. Ferronha, aparentemente, regressara apressadamente a Luanda depois de, em Lisboa, ter (em nome do PDCA) reunido com o general Spínola sobre a descolonização de Angola. Era alvo de um mandato de captura e o próprio partido o suspendera, «até completo conhecimento dos resultados do inquérito para apurar as suas responsabilidades nos últimos acontecimentos de Lisboa».  
Fervia a vida pública do país que estava para nascer.
- PDCA. Partido Democrata-Cristão de Angola.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

1 810 - Partidos políticos a formar exércitos particulares

O PELREC, em dias do Quitexe de 1974, preparado 
para sair para mais uma operação, ou escolta, ou patrulhamento

A 2 de Outubro de 1974, ao Quitexe e embrulhadas em jornal, chegaram notícias frescas de Luanda: Rosa Coutinho, presidente da Junta Governativa de Angola, falara na véspera (hoje se fazem 39 anos) à população angolana, através da rádio, e dera conta que o general Costa Gomes, Presidente da República, iria dirigir pessoalmente as negociações que levassem à independência de Angola. Já António Spínola dissera o mesmo, mas abdicara da presidência, semanas antes.
O MPLA, entretanto e a partir de Dar-Es-Salaam, anunciou que cancelara os seus planos para a reabertura das actividades, militares, após uma trégua de 4 meses. Isto porque, segundo o presidente Agostinho Neto, «Portugal continua a ser uma democracia, na linha do Movimento das Forças Armadas». O que, na sua versão, não acontecia com Spínola na presidência, já que «estava a fazer um jogo muito perigoso, cultivando e escutando fantoches e dirigentes de partidos políticos que não representam o povo».
Mais longe foi o dedo acusatório de Agostinho Neto: o general «apoia(va) activamente grupos de colonos portugueses em Angola» e também estaria disposto «a aceitar ali um governo minoritário».
Ao avivar a memória nestas leituras, ocorre-me a preocupação com que no Quitexe - o Machado, o Neto, eu, o Garcia, o Cruz e outros... -  observámos esta situação, embora a analisássemos de forma imberbe e desprendida, digo eu agora.
Preocupante era também outra acusação de Agostinho Neto: soldados sul-africanos estariam a treinar angolanos brancos em três campos recentemente criados no territórios, com o objectivo de formarem um exército particular. Seriam campos organizados pelo Partido Democrático Cristão (PDC), pela Frente de Unidade de Angola (FUA) e pela Frente de Resistência de Angola (FRA), fundados por colonos portugueses, depois do 25 de Abril.
O presidente do MPLA acusou os três partidos de terem ligações com a UNITA - o único movimento de libertação que não tinha sido reconhecido pela Organização da Unidade Africana (OUA) - e de estarem «a organizar um exército para impedir que sejam satisfeitas as legítimas aspirações do povo angolano».
No Quitexe, lá continuávamos a nossa vida, a riscar os dias do calendário, sem futurar outra coisa que não fosse o nosso regresso a Portugal.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

1 809 - Ataques a madeireiros e a fazendas de café...

Notícia sobre o ataque a uma fazenda do Songo. Furriéis Viegas 
e Miguel na estrada do café, de Carmona a Luanda, mas no Quitexe


O dia 30 de Setembro de 1974 foi marcado, na zona de acção dos Cavaleiras do Norte, por um ataque a madeireiros, na zona do Liberato, e pelo flagelamento de uma viatura da JAEA, na Quinta das Arcas. Ao tempo, como se lê no Livro da Unidade (LU), «era quase constante a presença de grupos da FNLA nos povos, sob controlo das autoridades civil e militar» na zona de Vista Alegre - e também na região de Aldeia Viçosa e Quitexe.
A ofensiva de 30 de Setembro, tendo sido perpetrada  na área do nosso Subsector, alarmou as hostes. A confiança que medrava, ente as NT e os homens dos movimentos, como que gelou. Até porque, cito o LU, «em áreas vizinhas  tem havido um incremento de actividades que facilmente - e em alguns casos - se provou ter irradiado do IN radicado no Subsector». Por alguma razão se registou o movimento de dois grupos de combate da 3ª. CCAV. 8423, a 27 de Setembro, para a Fazenda de Além Lucunga.
A foto de hoje mostra-me com o Miguel, depois de termos ido ver o cadáver de um madeiro, provavelmente o que foi vítima do ataque da zona do Liberato. Que estava numa pequena capela da vila, a servir da casa mortuária. Não consigo, suficientemente, refrescar a memória.
Outra nota de 30 de Setembro de 1974: 9 das 10 plantações de café da zona do Songo, a uns 70/75 quilómetros do Quitexe,  foram abandonadas pelos proprietários, que assim reagiram, e cito do Diário de Lisboa (que citava o Província de Angola), «às tentativas da FNLA para consolidar o seu controlo sobre a região». A FNLA, ainda segundo o jornal desse dia 30 de Setembro de 1974, «incendiou uma plantação e está a aconselhar os trabalhadores rurais africanos a deixarem a região, até Angola se tornar independente».
O MPLA, por seu lado, tinha militantes «a actuar abertamente na rica Cintura do Café». O mesmo era dizer que na área de intervenção dos Cavaleiros do Norte. E outras NT´s.  
- JAEA. Junta Autónoma de Estradas de Angola.
- NT. Nossas Tropas.
- IN. Inimigo.

domingo, 29 de setembro de 2013

1 808 - O Joaquim Henriques da Zalala em Odivelas


A 21 de Setembro de 1974, faleceu Joaquim Manuel Duarte Henriques, soldado atirador de cavalaria da mítica Zalala, vítima de doença. O seu corpo está sepultado no cemitério de Odivelas, de onde é natural.
A morte foi a segunda do BCAV. 8423, depois da de Bernardo Oliveira, da 3ª. CCAV., a de Santa Isabel, em Julho anterior, vítima de acidente de viação. Era do Grupo de Mesclagem do RI 20, atribuído à companhia comandada pelo capitão miliciano José Paulo Fernandes.
Joaquim Henriques, de que não tenho memória fotográfica, era solteiro e filho de João Pedro Henriques e de Delfina da Conceição Duarte. Natural de Odivelas, agora concelho mas ao tempo pertencente ao de Loures. Doente por Zalala, repetidas vezes e com cuidados que lá não podiam ser prestados, foi evacuado para o Quitexe e logo depois para Luanda, onde faleceu no Hospital Militar - a 21 de Setembro de 1974. Suponho que ainda passou pelo Hospital do Negage, como era usual nestas circunstâncias.
Pouco consegui saber deste nosso companheiro, o primeiro militar europeu do BCAV. 8423 a falecer em Angola, nenhum em combate. Apenas que há um movimento na cidade de Odivelas, dinamizado pelo antigo combatente José Marcelino Martins, que pretende criar um monumento de homenagem e evocação os militares daquele concelho que faleceram na guerra colonial. O nome do nosso companheiro de Zalala está lá inscrito, como se vê na imagem.

sábado, 28 de setembro de 2013

1 807 - Os «zalalas» preparam o encontro de 2014...

Rodrigues, Velez, João Dias, Vitor Costa, Castro Dias e Famalicão (de pé), 
Aldeagas, Queirós e Mota Viana, Cavaleiros do Norte de Zalala, a 14 de Setembro de 2013

Os «zalalas» aprontam o encontro de 2014 e hoje, que é dia de os «aldeias viçosas» se reunirem no Fundão, venho aqui trazer o retrato dos 9 magníficos que se saem das tamanquinhas para preparar o seu funeral de saudades.
A almoçarada, bem comida e bem bebida, e melhor confraternizada, foi no Manjar do Marquês (em Pombal) e juntou caras bem conhecidas dos «ccs´s»: o Rodrigues, o Queirós e o Mota Viana, que se juntaram aos Cavaleiros do Norte do Quitexe nos dois últimos encontros: os de Paredes (2012) e de Santo Tirso (2013). E também Castro Dias, neste último. Faltou o Pinto, com outros afazeres na agenda.
Os «zalalas» já não se encontram faz tempo, mas agora não querem perder mais tempo. O Dias e o Velez, com quem estive em pé de orelha telefónico nesse fim de almoço pombalino, foram porta-vozes do entusiasmo que os está a empolgar. «Temos de reunir, pá...», exclamou o Velez. «É a preparação do reencontro», disse o Dias.
Assim vai ser, seguramente!

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

1 806 - A revolta do Liberato, 27 de Setembro de 1974

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A esposa e o capitão Vitor, comandante do Liberato. O furriel Oliveira e dois militares da CCAÇ. 209 - o da direita (atrás) e o de baixo. Nogueira da Costa, Viegas e Oliveira a 1 de Dezembro de 2012




A 27 de Setembro de 1974, hoje se completam 39 anos, a guarnição do Quitexe viveu um dos seus dias mais difíceis e dramáticos: o da revolta da Companhia do Liberato. Tais momentos já foram aqui suficientemente narrados (ver nos links abaixo), mas faltava a associar o dia exacto. Qual foi ele, qual não foi como foi? Pois, foi 27 e foi um sábado de Setembro muito encalorado e de muitos suores e temores.
O Livro da Unidade faz-lhe breve referência: «Em 27 de Setembro, na sequência de outros incidentes internos, processaram-se na CCAÇ. 209 graves problemas disciplinares, os quais passaram ao controlo do Comando do Sector do Uíge!». A CCAÇ. 209 era a do Liberato e, sobre os incidentes, nada mais diz. 
Ao tempo e passado o susto que nos poderia ter enlutado a alma e o corpo, eu tinha regressado de férias, de laurear o queijo pela imensa Angola e, se me lembro bem, a gravidade do assunto andou em bolandas opinativas durante largos dias. E o aquartelamento em prevenção que não nos descansou o físico.
Na véspera e no dia seguinte, por coincidência, o comandante Almeida e Brito esteve reunido em Carmona, no Comando do do Sector do Uíge. Já estivera a 21 e 23, «sempre acompanhado por oficiais da CCS do BCAV.», precisamente para «contactos necessários aos bom andamento dos trabalhos militares».
A 1 de Dezembro de 2012, entretanto, e inesperadamente, fui visitado em casa por dois militares da Companhia do Liberato: o (furriel vagomestre) José Oliveira (que foi meu companheiro de turma na Escola Industrial e Comercial de Águeda e, para mim, é eternamente o Zé Marques) e o Nogueira da Costa, condutor do Liberato, que agora mora por Tomar e se «converteu» em colaborador/investigador deste blogue. 
Aqui aparecessem agora e teríamos de abrir espumante, enquanto refrescaríamos a memória sobre este dia de 1974.
1 - A revolta da Companhia do Liberato 1 /// Clicar AQUI
2 - A revolta da Companhia do Liberato - 2 \\\ Clicar AQUI
3 - A revolta da Companhia do Liberato - 3 /// Clicar AQUI
4 - O comandante do Liberato \\\ Clicar AQUI
5 - Dois «liberatos» em minha casa /// Ver AQUI

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

1 805 - Cavaleiros de Aldeia Viçosa convivem no Fundão

Aldeia Viçosa. A placa «amparada" pelo Matos. Em baixo, um militar (quem é?), o Matos (de copo  a mão), o Mourato e o 1º. sargento Norte (de óculos). O «bigodaças» aqui à esquerda será  furriel Jesuíno Pinto. Na foto mais abaixo, o comandante Bulunda, da FNLA (à esquerda), os capitães Cruz e Fernandes (de farda nº. 1) e o alferes Machado



Ao ido dia 26 de Setembro de 1975, foi o comandante Almeida e Brito de visita à Fazenda Guerra, em «convívio de amizade». Isto foi há precisamente 39 anos. Agora, a 28 de Setembro de 2013, a 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, vai conviver no Fundão. 
Os Cavaleiros do Norte de Aldeia Viçosa eram comandados pelo capitão Miliciano José Manuel Cruz, ao tempo internacional de andebol, com a camisola do seu Esmoriz. Ainda hoje por lá vive, no «bem-bom» da reforma de professor e com uma loja de artigos desportivos.
Era o capitão Cruz «assessorado» no comando pelo jovem alferes miliciano Machado, que foi meu contemporâneo (e do Letras) no exigente 2º. curso de Operações Especiais, de 1973, em Lamego - os Rangers. Outro oficiais eram os também alferes Periquito, Carvalho e Capela. Pela secretaria, «comandava» o 1º. sargento Norte (já falecido) e furriéis miliciano eram o outro «Ranger» Letras, os atiradores de cavalaria Cruz, Ferreira e Martins, Matos (foto), Brejo e Melo, Ramalho, Costa, Gomes e Guedes e também o Mourato (vago-mestre, na foto), o Rebelo (de transmissões) e o Chitas (de armamento pesado).
A Companhia  tinha mais uma centena de praças, entre 1º.s cabos e soldados, tudo gente de arrojo e sem complexos.
Muitos deles, vão estar sábado no Fundão - que é a terra do Lino (furriel mecânico da 3ª. CCAV.). Boa festa, rapazes! 

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

1 804 - Luanda, 25 de Setembro de 1975!!!

kkk


 Setembro de 1974. Luanda! Dia 25! Estou de mala aviada para regressar ao Quitexe e aproveito as últimas horas de borga para me espraiar pelas praias da  restinga, na ilha!, almoçar marisco com o meu amigo Albano Resende (foto) e esperar pelo meio da tarde, quando o Alberto sairá da Base Aérea e nos encontraremos na baixa.
Está combinada uma boa frangalhada num dos Florestas - restaurantes que ficavam perto do estádio dos Coqueiros, atrás da Sé -, uma frangalhada bem molhada, regada à fartura, com uns fartos canhângulo, para afogar o gindungo e a sede que medrava no calor luandino.
O Alberto trazia notícias de Lisboa, vinda de avião e em forma de jornal: ficou a saber-se que o Presidente Spínola convidou os directores dos jornais A Província de Angola (Ruy Coreia Freitas) e Notícias (António Joaquim Ferronha), para além do secretário geral do Partido Cristão Democrático de Angola, do presidente da Liga Nacional Africana e do escritor Domingos Vandunen, para uma reunião em Lisboa. De fora, e dando título à notícia do jornal, ficava o Movimento Democrático de Angola e a Frente Socialista de Angola - organizações que na noite da véspera se reuniram, manifestando estranheza por não terem sido convidados por Spínola.
Nada que nos preocupasse! Era lá coisa deles, da política, dos políticos!
A mim, que voaria para Carmona dentro de algumas horas, seguindo para o Quitexe, o mais importante era viver a noite que sonhávamos atraente, sensual e de cio, no Diamante Vermelho, que ficava um pouco acima do Largo Serpa Pinto e do Katekero onde me acomodava. Por lá, fazia noites uma amiga comum, que outras nos trouxe, sentando-se e bombaleando-se nos colos dos nossos desejos. Queríamos lá saber dos partidos, dos jornais, das notícias, dos movimentos, da democracia, das negociações!
Foi isto, há 39 anos!!
O tempo voa e a saudade de Angola vejo-a aqui sentada na memória.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

1 803 - Cavaleiros de SantaI Isabel em Além Lucunga

Quitexe (a vermelho), Santa Isabel (a amarelo) e Além Lucunga (mais ou 
menos pelo rectângulo da rôxo), no Uíge angolano. Capitão José Paulo Fernandes (em baixo)


                                                                                                         
A 23 de Setembro de 1974, dois grupos de combate da 3ª. CCAV. 8423, a de Santa Isabel, marcharam para a Fazenda Além Lucunga, para os lados do Songo. Por lá tinham acontecido alguns acidentes com militares portugueses, vítimas de emboscadas e minas. 
«Pediram reforço à companhia e fomos dois grupos de combate», recorda o capitão Fernandes, comandante da 3ª. CCAV. 8423 - que, ao tempo, achou dever ser ele mesmo a liderar a força. E para lá foi, na viatura da frente, seguríssimo, «com o alferes Carlos Silva». 
Além Lucunga era fazenda que fazia de destacamento militar e por lá passavam, regularmente, companhias de intervenção. O então capitão Fernandes, desfiando a memória e recuando 39 anos, dá conta que «era um sítio descampado». A companhia alvejada foi mandada recuar e foi a vez de avançarem os Cavaleiros do Norte.
Acharam uma fazenda abandonada à pressa, algo inóspita, despovoada, sem ninguém..., com valas e trincheiras de defesa, que felizmente nunca tiveram de usar. De humano, apenas um homem que lhes pediu boleia na picada. «Esperávamos ataques, mas nada disso aconteceu. Avisaram-nos que iríamos encontrar problemas, mas felizmente não tivemos», lembra-se José Paulo Fernandes.
A fazenda, que até aí muita riqueza produzira, era bastante grande mas estava estranhamente vazia, com muitos porcos à sota, às varas, e galinhas por lá perdidas, que se foram abatendo e comendo. «Grandes banquetes, por lá fizemos...», disse o «nosso» capitão. 
Um dia, elementos da OPVDCA foram-lhe dar conta que iriam abandonar o posto, por lá próximo, mas os Cavaleiros do Norte por lá continuaram. Até 8 de Novembro, quando regressaram a Santa Isabel.
- FERNANDES. José Paulo de Oliveira Fernandes, capitão miliciano  
e comandante da ª. CCAV.9823. Engenheiro reformado, residente em Torres Vedras.
- OPVDCA. Organização Provincial de Voluntários de Defesa Civil de Angola.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

1 802 - Patrulhamentos na estrada do café

A estrada do café. algures entre Carmona e o Quitexe (em cima). O Tomás, na saída de 
Carmona para o Quitexe (1974). Repare-se na placa a indicar a vila dos Cavaleiros do Norte

A actividade operacional das subunidades do BCAV. 8423, em Setembro de 1974, há 39 anos, «manteve o ritmo e a orientação do mês anterior, dentro do contexto das determinantes superiores, sendo permanentes os patrulhamentos na ZA, nomeadamente nos pontos críticos em redor dos centros urbanos e dos aquartelamentos», lê-se no Livro da Unidade.
O apoio dos Cavaleiros do Norte era ampliado «aos povos apresentados e às diversas fazendas». Por outro lado, e de novo cito o LU, «mereceu também a maior atenção a garantia da liberdade de trânsito em todos os itinerários», com maior incidência para a ligação do Quitexe a Carmona.
O facto (garantir a liberdade de tráfego) exigiu o aumento do número de patrulhamentos e, por consequência, o desgaste de pessoal e viaturas. Os patrulhamentos não só aumentaram como «variaram no tempo e no espaço» - com execução, por exemplo, de operações stop, para «efectivar o controlo dos passageiros e mercadorias em trânsito,destas nomeadamente armamento e munições».
Estas operações stop causaram alguns a amargos de boca. Recordo uma, na qual um motorista de longo curso, com um carregamento de sacos (de muitas toneladas), recusou identificar-se e nos ameaçou de arma. Levava uma série de armas e munições, dentro de caixotes escondidos no carregamento. Ele lá sabia porque não queria ser identificado e que a carga não fosse fiscalizada. 

domingo, 22 de setembro de 2013

1 801 - O pai Mosteias...

Há 39 anos, a notícia chegou ao Quitexe: o Mosteias era pai!! Pai de um "puto"!
Imaginem: foi um forrobodó, uma festa, um banho de aleluias de alegria e, e aqui já não sei bem (nem quero dizer), também umas muito boas e excessivas disposições eno-gastronómicas! 
O bar de sargentos e o Pacheco, o Topete e o Rocha, restaurantes da quitexana vila onde cumpríamos a  nossa jornada africana, foram cenário e testemunhas dos banhos de felicidade que por lá espalhou e partilhou o Mosteias.
Não era todos os dias que um dos nossos era pai, era raro, mesmo muito raro, raríssimo!!!, e o facto foi uma boa razão para os Cavaleiros do Norte «endeusarem» o recém-papá e levá-lo em andor pela procissão das nossas vidas africanas. A ele, companheiro feliz e pai babadíssimo, mai-la sua Leonor (de Aragão), a mulher e mãe que não conhecíamos!
Muita brincadeira, da boa, da saudável e íntima, «alvejou» o nosso querido Luís Mosteias, por esses dias angolanos.
A vida mudou, andou, amadurou e galgou décadas e, chegados a 2 de Janeiro deste ano, era dia dos anos dele, o telefone fez-me saber que o Mosteias estava no hospital. Falou-me como sempre, livre, de palavra solta, verbo fácil, sem espartilhos nas emoções: «Estou aqui, estou a ir-me embora!!! Os médicos não decidem nada!..., não estou para os aturar».  
Eu, do lado de cá, imaginei os gestos dele. A reagir contra a doença violenta, mas sempre sem lhe faltar coragem! E fiquei a pensar nas traições da vida. Os filhos explicaram-me melhor a situação e, pelos dias seguintes, os Cavaleiros do Norte trouxeram a estas páginas as emoções e retratos que tinham (tem) do amigo Mosteias.
O Mosteias faleceu a 5 de Fevereiro de 2013, aos 61 anos, e não escondo a minha emoção ao trazer a esta páginas de memórias dos Cavaleiros do Norte, hoje, uma imagem de um momento de sua felicidade máxima: uma das primeiras vezes em que enlaçou o seu primogénito Luís João. O «puto» que nasceu fez ontem 39 anos!!
Caro Mosteias: 
Foste um dos nossos maiores! 
Temos saudades de ti! 
Até ao nosso próximo abraço! 
CV


- MOSTEIAS. Luís João Ramalho Mosteias, furriel miliciano sapador, da CCS do BCAV. 8423. Faleceum vítima de doença, a 5 de Fevereiro de 2013. O velório foi no dia seguinte, em Vila Nova de Santo André, e o corpo foi cremado, segundo para o Montijo, sua terra do coração.
Ver AQUI
E AQUI

sábado, 21 de setembro de 2013

1 800 - Angola nas mãos do general Spínola...

Aquartelamentos de de Santa Isabel, da 3ª. CCAV. 8423 (em
cima), e de Aldeia Viçosa, da 2ª. CCAV. (em baixo). O general Spínola (mais abaixo)


A 21 de Setembro de 1975, o comandante Almeida e Brito esteve na fazenda Santa Isabel, onde se aquartelava a 3ª. CCAV. 8423. O objectivo, como se lê no Livro da Unidade, foi «realizar contactos, necessários ao bom andamento dos trabalhos militares». Pela mesma razão e por esse mesmo mês de Setembro, esteve em Aldeia Viçosa, na 2ª. CCAV. (nos dias 13, 19 e 24), e em Vista Alegre, na CCAÇ. 4145 (a 19). Sempre acompanhado por oficiais da CCS, a companhia estacionada no Quitexe.
Rosa Coutinho, presidente da Junta Governativa de Angola, regressava de Lisboa e, em Luanda, afirmou que o Presidente da República, o general António de Spínola, o tinha «autorizado a tornar pública a declaração de que decidiu tomar directamente em mãos todas as negociações internacionais que haja a efectuar sobre o futuro de Angola». E que a essas conversações «passam a assistir representantes de Angola».
O presidente da FNLA, entretanto, falando em Kinshasa, apelou para «a formação e uma frene comum dos vários movimentos de libertação».
O objectivo de Holden Roberto era «discutir com as autoridades portuguesas o futuro de Angola». 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

1 799 - Setembro de 1974, a descolonização de Angola...


Avenida do Quitexe e edifício do Comando do BCAV. 8423, à 
esquerda. Recorte do Diário de Lisboa de 20 de Setembro de 1974

Aos 20 dias de Setembro de 1974, há precisamente 39 anos, vadiava eu pelo chão de Angola, expirando os meus últimos dias de férias. Passara por Luanda e voltara. Laureara o queijo por Gabela, Nova Lisboa, Silva Porto, Alto Hama, Lobito e Benguela, por lá procurando, achando e abraçando familiares e amigos e conhecendo o enorme e belíssimo chão de Angola.
Vasco Gonçalves, o 1º. Ministro português, em Lisboa, respondia a uma pergunta do Diário de Lisboa: «Depois de resolvidas as divergências internas do MPLA, estará o Governo disposto a reconhecer aquele movimento como o único interlocutor válido de Angola?».
As intenções independentistas de grupos de Cabinda já eram conhecidas e temia-se o aparecimento de um processo separatista que se equivalesse ao do Katanga - província congolesa que se declarou independente, a 11 de Julho de 1960, situação que gerou banhos de sangue e milhares de mortos - logo a seguir à independência do Congo (Belga) e sob liderança de Moisés Tchombé. Já agora, a guerra civil justificou a intervenção da ONU, em 1963, e a região voltou a ser integrada no Congo-Kinshasa, depois Zaire (de Mobutu, do nosso tempo angolano) e agora República Democrática do Congo.
Vasco Gonçalves garantia que, relativamente a Cabinda, «tudo faremos para que se mantenha unida à futura Angola independente». Sobre o processo de descolonização de Angola, garantia ser intenção do Governo Português desenvolver «um processo que conduza à auto-determinação e independência» tendo em conta o facto de «não haver apenas um interlocutor válido». Eram três: MPLA, FNLA e UNITA.