CAVALEIROS DO NORTE!! Batalhão de Cavalaria 8423, última guarnição militar portuguesa nas terras uíjanas de Quitexe, Zalala, Aldeia Viçosa, Santa Isabel, Vista Alegre, Ponte do Dange, Songo e Carmona! Em Angola, anos de 1974 e 1975!

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

3 587 - 1ª. CCAV. 8423 de Zalala para Vista Alegre e Ponte do Dange

Furriéis milicianos da 1ª. CCAV. 8423, companhia que há 42 anos
 começou a abandonar Zalala. Os furriéis Eusébio Martins (falecido a
 16/04/2014), Plácido Queirós e Victor Costa (de pé), Américo Rodrigues,
 José Louro, Jorge Barata (f. a 11/10/1997) e Manuel Dias (f. a 20/11/2011)

O furriel Viegas na avenida do Quitexe,
no dia dos seus 22 anos. A 21/11/1974,
há 42! Atrás, vê-se o bar dos praças

O dia 21 de Novembro de 1974 foi tempo para o início para «a saída definitiva da CCAÇ. 4145/72 para Luanda» e, simultâneamente, «o início da rotação da 1ª. CCAV . 8423» para Vista Alegre e Ponte do Dange. Isto, porque «tornou-se necessário» ocupar estas duas posições militares portuguesas.
Os movimentos da companhia comandada pelo capitão miliciano Davide Castro Dias completaram-se no dia 25 desse Novembro de há 42 anos,  quando, de vez, se abandonou a mítica Fazenda de Zalala - «a  mais dura escola de guerra», que estava ocupada desde os trágicos acontecimentos de 1961.
Vista Alegre, para onde a 1ª. CCAV. 8423
 começou a rodar a 21 de Novembro de
1974. Ao fundo, vê-se o quartel

6 presos para
... fuzilamento

O MPLA, nesse mesmo dia e em Luanda, apresentou «6 cativos com as mãos atadas atrás das costas, alguns deles feridos», acusados de  «se apresentarem, falsamente, como militantes» do movimento. Um deles, era acusado de assassínio, outro de extorquir dinheiro em nome do MPLA, e tinham sido capturados pelas Comissões de Vigilância dos musseques, que, segundo Hermínio Escórcio, membro da Comissão Directiva do movimento de Agostinho neto, «exigiam o seu fuzilamento». 
Quando lhes disse que «entregaria os acusados às autoridades portuguesas», por o MPLA «ainda não dispor de máquina judicial, a multidão mostrou a sua desaprovação», o que o levou (a Escórcio) a «concordar que permanecessem provisoriamente às ordens do MPLA».


19 apoiados e
o terror da FNLA

A FNLA, do seu lado, anunciou que «19 pessoas forçadas, recentemente, a abandonar os seus lares no Bairro Catambor, em Luanda, seriam protegidas» pelas comissões do movimento. 
Notícias do Diário de Lisboa de 21/11/1975
Teriam sido «forçadas a abandonar as residências na passada semana por aderentes armados de um movimento rival». A FNLA não citou o nome, mas referia-se ao MPLA.
Um ano mais tarde, a mesma FNLA era acusada de ter «utilizado o terror para tentar apoderar-se do Poder, nos meses que antecederam a proclamação da independência». O dedo foi apontado por Maria Teresa Gama, de 39 anos e militante do MPLA, numa entrevista a revista «Bohemia», de Cuba, na qual também sublinhou que a FNLA, «pouco depois da constituição do Governo Transitório de Angola», o movimento de Holden Roberto «chamou a si a herança dos processos da polícia política portuguesa (PIDE), assessorada pela CIA norte-americana».

22 anos no Quitexe


O 21 de Novembro de 1974, uma quinta-feira e no Quitexe, foi tempo dos 22 anos do furriel miliciano Viegas (eu), do PELREC, que estava de sargento de dia. Passou-se tranquilamente, com almoço no refeitório dos praças e os companheiros do pelotão com cerveja fresca como «prenda», só dias depois sabendo da razão.

Ainda fiz o jantar, de serviço, e fui «jantar fora», ao restaurante Rocha, com alguns amigos. Lá pelas 11 horas da noite, voltei a pegar na Walter e a colocar a braçadeira verde de sargento de dia, para uma noite sem problemas.

domingo, 20 de novembro de 2016

3 586 - Cavaleiros do Norte em Vista Alegre, Angola a dividir a «OUA»

Neto, Viegas, Matos e Monteiro, quatro furriéis milicianos Cavaleiros
do Norte, aqui no Regimento de Cavalaria 4 (RC4), em Santa Margarida,
durante o período de formação do Batalhão de Cavalaria 8423. Há 42 anos!


Os capitães José Manuel Cruz e José Paulo Fernandes,
 comandantes, respectivamente, da 2ª. CCAV e da 3ª. 

CCAV. 8423, com o alferes João Machado (2ª. CCAV.)


Os dias de Novembro de 1974 iam passando com as tarefas operacionais decorrentes da situação político-militar e, a 20, confirmou-se a saída da CCAÇ. 4145/72, de Vista Alegre para Luanda e, afinal, marcada para o dia seguinte. 
O capitão José Paulo Falcão, que interinamente comandava o BCAV. 8423 (e nesta qualidade, por razões que tinham a ver com a rotação de subunidades), deslocou-se, por isso e neste dia, a Vista Alegre.
Aldeia Viçosa vista do polidesportivo do quartel
português, vendo-se a Estrada do Café, de
Luanda para o Quitexe e Carmona
O dia era quarta-feira e a escolta foi assegurada pelo PELREC, numa das várias vezes em que o pelotão saía com apenas um furriel no comando. O Viegas, neste caso. O Francisco Neto estava de férias em Portugal e o José Monteiro estava na secretaria; o alferes miliciano António Garcia, comandante do pelotão, estava como oficial de operações interino.

Milícias populares
do MPLA em Luanda

A deslocação não teve quaisquer problemas e confraternizámos em Vista Alegre e, no regresso, em Aldeia Viçosa - onde se aquartelava a 2ª. CCAV. 8423, comandada pelo capitão miliciano José Manuel Cruz. Ali nos encontrámos com dois milicianos «Rangers» - o alferes Machado e o furriel Letras, ambos dos tempos de Lamego, no Centro de Instrução de Operações Especiais, o CIOE -, assim como com o furriel Mário Matos, amigo e vizinho de Anadia e companheiro das viagens de Santa Margarida para Águeda (e vice-versa) no SIMCA 1100 branco do Francisco Neto, no tempo de formação do Batalhão de Cavalaria 8423.
Notícia do Diário de Lisboa de 20 de Novembro de 1975
Luanda, por esse tempo de há 42 anos, «ressacava» dos incidente dos dias anteriores e os patrulhamentos aos bairros dos subúrbios eram feitos pelas Forças Armadas Portuguesas e pelas «milícias populares do MPLA». Estas, detiveram 3 indivíduos que, aparentemente em nome deste movimento, tinham saqueado uma casa comercial. O Diário de Lisboa reportava que «os assaltantes viriam a confessar serem provocadores a soldo da reacção» - fosse isso o que fosse. Provocadores que estariam «ligados a outro movimento de libertação». Por certo a FNLA, na linguagem do MPLA.

Cabinda e fantoches
do imperialismo

Cabinda era tema ao tempo muito actual e pertinente e o mesmo MPLA denunciava a FLEC como «um bando de fantoches a soldo do imperialismo, com apoio de um país vizinho» - o Zaire de Mobutu Sese Seko.  
E um ano depois? Dia 20 de Novembro de 1975!
Idi Amin Dada, presidente do Uganda e da Organização de Unidade Africana (OUA), defendia que «para se evitar o derramamento de sangue em Angola, não deverá ser reconhecido nenhum  movimento, até se formar um Governo de Unidade». Na sua opinião, os estados membros da OUA que «apoiaram e ainda apoiam» o Governo do MPLA, reconhecendo a Angola independente, «poderiam mudar de opinião em breve e juntar-se à maioria que deseja uma Angola unida». Ele próprio e o seu paús, ainda não tinha reconhecido a Angola do MPLA mas admitia ter «relações de boa amizade» com o movimento de Agostinho Neto.
Posição contrária tinha Marien Ngouabi, presidente da República Popular do Congo, em contencioso com Idi Amin dada e exigindo a sua demissão do presidente ugandês da liderança da OUA, no que era corroborado por Sekou Touré, presidente da Guiné-Conakri.
Noticias dos combates é que não se conheceram por estes dias de há 41 anos. Mas Angola continuava a ferro e fogo, com confrontos entre as forças do MPLA (que eram Governo de Angola) e as da FNLA e da UNITA.

sábado, 19 de novembro de 2016

3 585 - Zalala a mudar para Vista Alegre, violentos combates em 3 frentes!

Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, com os furriéis milicianos
 Amorim Martins (a vermelho) e Abel Mourato (a amarelo) em destaque. De
 pé, o quinto é  condutor Aniano. Quem ajuda a identificar os restantes? 

Gente de Zalala: o furriel José António Nascimento,
 o alferes Mário Jorge Sousa e o soldado João
 Gonçalves (o Bigodes, o Cigano)
A CCAÇ. 4145/74 chegou a Vista Alegre a 19 de Novembro de 1974, onde, nesse tempo de há precisamente 42 anos, iria substituir a CCAÇ. 4145/72.
A operação integrava-se no plano de «rotação do dispositivo militar», mas, por razões que nos escapam, de lá saiu logo no dia seguinte, embora a sua chegada, segundo o Livro da Unidade, permitisse «a saída definitiva da CCAÇ. 4145/72 para Luanda». Como oportunamente veremos, acabou por ser substituída pela 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala e dos Cavaleiros do Norte.
O TRMS Rogério Raposo e o furriel miliciano Victor
 Costa, da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala, mas aqui no
 Destacamento da Ponte do Dange
Angola, por esse tempo de 19 de Novembro de 1974, uma terça-feira, debatia-se com vários problemas - o caso de Cabinda era um deles - mas, noticiava o Diário de Lisboa, «as enérgicas medidas de segurança desencadeadas pelo almirante Rosa Coutinho no passado sábado, associadas à campanha de auto- defesa e esclarecimento promovidas nos musseques pelas Comissões de Bairro do MPLA, têm contribuído para uma acentuada melhoria da capital angolana».
O jornal acentuava que, por outro lado, «as prisões efectuadas e o recuo político da FNLA, que pretendia (...) a imediata demissão de Rosa Coutinho, contribuíram decisivamente para a melhoria».
Wilson Santos da UNITA, sugeria em Luanda «a possibilidade de eleições entre Maio ou Junho» de 1975 e admitia que Vieira Fernandes (um dos dois detidos enviados para Lisboa, acusados de «sabotagem económica»), «estava muito ligado» ao movimento. Revelou também que a UNITA iria receber militantes armados para assegurar a segurança das suas delegações.

Violentos combates
em três frentes

A quarta-feira do mesmo dia do ano seguinte (1975), já com Angola independente, foi de notícia de «violentos combates em três frentes» - no Lobito, próximo de Nova Lisboa e a norte (Lucala).
A 20 kms. do Lobito, a situação era considerada «complicada» e os combates já chegavam à Quibala, onde, segundo o Diário de Lisboa, France Presse, Reuters, Tanjung e ANOP, foi «detectada a presença de sul-africanos entre as forças da UNITA».
Ao centro, «toda a região do rio Queve é cenário de confrontações militares, com especial incidência sobre a ponte lançada na estrada para Nova Lisboa».
A norte, reportavam aqueles órgãos de comunicação, «mercenários portugueses, apoiados por unidades regulares da República do Zaire, lançaram uma ofensiva na área de Lucala, tentando abrir caminho para Luanda a partir do Leste, como alternativa à derrota sofrida pela FNLA , no Caxito e no passado dia 10» de Novembro.
DL de 19/11/1975
O jornalista inglês Tony Hodges, correspondente do «Observer», revelou, por seu lado, que «mercenários norte-americanos, com forças regulares da África do Sul, participam na agressão armada contra a República Popular de Angola» e que ele mesmo se tinha «avistado na semana passada, em Silva Porto, com um militar americano, ex-membro dos «boinas vermelhas» que combateram no Vietname». E que «em Benguela e dois dias antes da declaração de independência, vi mais de 50 soldados com os uniformes do Exército sul-africano, a empilhar caixotes com armas no hangar do aeródromo».
O Zaire era acusado de apoiar a UNITA e Tony Hodges referiu igualmente «a realização de uma ponte aérea entre Silva Porto e Kinshasa, de onde um avião «Viscont» faz um voo diário para aprovisionamento da UNITA», sublinhando que «aparelhos sem identificação transportam constantemente toneladas de armas para o aeroporto de Benguela, destinadas aos mercenários intervencionistas».

MPLA desmantelou
rede do ELP

Ao mesmo tempo e em Luanda, o MPLA anunciou «desmantelamento de uma rede do Exército de Libertação de Portugal (ELP), cujo principal objectivo era pôr fim às aspirações progressistas» do movimento de Agostinho Neto e de «a todo o custo prolongar a vida do império português, agonizante em Angola».
Os serviços especiais do MPLA descobriram a sua sede em Luanda e «prenderam 12 pessoas directamente ligadas às actividades da organização terrorista». Era, segundo o mesmo MPLA, «constituída por ex-militares do antigo Exército Português, afastados em 25 de Abril, e tentou tirar partido das divergências entre os três partidos de libertação para se infiltrar, durante o período de transição, na capital de Angola».

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

3 584 - Reunião no Sector do Uíge e combates depois da independência!

Grupo de Cavaleiros do Norte da 1ª. CCAV. 8423, a de Zalala. Em destaque,
 reconhecem-se os furriéis milicianos Plácido
Queirós (a vermelho) e Eu-
 sébio Martins (a branco), infelizmente falecido, de doença e em Belmonte,
a 16 de Abril de 2014. Quem ajuda a identificar os restantes? 

O comandante Almeida e Brito, soldado Armando
 Mendes da Silva e capitães José Paulo Falcão (de
 frente) e António Oliveira (de costas) 

O Comando do Sector do Uíge (CSU) reuniu as suas Unidades em Carmona, a 18 de Novembro de 1974, para tratar de questões operacionais, e o BCAV. 8423 esteve representado pelo comandante interino - o capitão de Cavalaria José Paulo Falcão (SGE), que exercia o cargo desde o dia 4. O comandante Carlos Almeida e Brito estava de férias em Portugal. 
Os furriéis milicianos Mário Matos, à esquerda, e
 João Brejo, à direita, ladeando um cabo escriturário
da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa
Angola, por esse tempo, expectava sobre o futuro próximo dos dois detidos na véspera, acusados de sabotagem económica: o gerente Corte Real (da Sorel) e o capitalista Fernandes Vieira, presos em Luanda e enviados para Lisboa «afim de serem sujeitos a interrogatórios». Eram acusados, também, de «manobras neocolonialistas».
Os furriéis milicianos José Monteiro e João Peixoto,
 que dos Cavaleiros do Norte foi transferido para
Cabinda. Aqui, nas traseiras da messe de Carmona

Os reféns de 
Cabinda

O Enclave de Cabinda era outra «dor de cabeça» para as autoridades e soube-se nesse dia que a Força Aérea Portuguesa atacara, a 15 e 16, a posição militar (também portuguesa) aa zona da fronteira com o Congo-Brazzaville, onde forças da FLEC/TE tinham 15 prisioneiros. 
Ou seriam 22, como referia um comunicado do governo congolês, acusando a FAP de ter violado o seu espaço aéreo?
«As tropas fronteiriças congolesas ripostaram imediatamente», frisava o comunicado, acrescentando que «os elementos da FLEC, com os 22 reféns militares portugueses, recuaram para território congolês» e que as autoridades congolesas «tomaram conta dos reféns portugueses e prenderam um mercenário francês». 
Dois dos reféns estavam feridos e foram hospitalizados. O mercenário francês dizia ser de origem albanesa e iria ser «entregue ao Tribunal Revolucionário» congolês.
Cabinda foi o destino do furriel João Domingos Faria Taveira de Peixoto, que por alguns meses foi Cavaleiro do Norte, no Quitexe (onde chegou de Sanza Pombo, da CCAÇ. 4741/74) e em Carmona, de onde rodou para um Batalhão de Artilharia, em Landana, aí por volta de Abril/Maio de 1975.
«Passado um mês ou dois, regressei a Luanda, num fragata da Marinha», recordou o João Peixoto, agora professor aposentado do ensino secundário.
A cidade de Carmona, agora Uíge (destacada a
verde), Negage (a preto), Dange/Quitexe (a ver-
melho) e Camabatela (a amarelo)

Os combates mais
encarniçados

A Angola independente, um ano depois, continuava em guerra «com os combates mais encarniçados na Frente Sul», onde, segundo o MPLA, «forças estrangeiras aliadas à FNLA e à UNITA combatem contra as FAPLA, braço armado do MPLA e do povo angolano». Combates em Novo Redondo, Lobito e Benguela - com «duros combates próximos» destas duas cidades - Caxito, Barra do Dange e Libongos. 
A coluna da FNLA neste caso, «encontra(va)-se refugiada no Ambriz», noticiava o Diário de Lisboa, acrescentando que «tudo leva a crer que se junta às defesas do Uíge», já que, na frente de Samba Caju, «as FAPLA conquistaram posições muito próximas de Camabatela, vila situada a 50 quilómetros da base aérea do Negage, ponto vital para o inimigo».
Camabatela que, como se vê no mapa ao lado, fica muito próximo do Quitexe (Dange), uns 40 quilómetros, e do Negage (mais ou menos a mesma distância). Negage que fica a 40 de Carmona e esta cidade a 40 do Quitexe. Distâncias muito «pequenas», em termos de território angolano.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

3 583 - Dia da mobilização para Angola foi há 43 anos!

Furriéis milicianos Neto, Viegas e Monteiro na avenida (rua de baixo)
 do Quitexe. A mobilização para Angola foi publicada pela Repartição de
 Serviço de Pessoal a 17 de Novembro de 1973. Há precisamente 43 anos!

António Carlos Letras, «Ranger», à esquerda, com
 António Chitas, ambos furriéis milicianos da
 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa. Aqui, nas

Quedas do Duque de Bragança


A mobilização para Angola dos (então futuros) furriéis milicianos Neto, Viegas e Monteiro - os três de Operações Especiais, os Rangers!... - foi publicada pela Nota nº. 47 000 - Processo 33 007 da Repartição do Serviço de Pessoal da Direcção do Serviço de Pessoal do Ministério do Exército, a 17 de Novembro de 1973. Há 43 anos!!! Parece que foi anteontem, mas o tempo voou!
O furriel miliciano «Ranger» Manuel Pinto, à
 esquerda, o alferes Pedro Rosas e o furriel João
 Aldeagas, da 1ª. CCAV. 8323,a  de Zalala
A Nota citava a Alínea c) do Artigo 20º. do Decreto-Lei nº. 49 107, de 7 de Julho de 1969, e indicava como «nomeados para servir no Ultramar» um conjunto de 1ºs. cabos milicianos de Operações Especiais (Rangers) que, depois de concluído o 2º. curso de 1973, prestavam serviço no CIOE. 
A talho de foice e para fazer memória desse grupo, eram estes: Matos, Grilo, M. Ferreira, Praxedes, A. Ferreira, Ribeiro, Pedro, Monteiro, Viegas, Neto, Rodrigues e Gonçalves. 
Furriéis milicianos no Quitexe: José Pires, Ar-
mindo Reino (Rangers), Grenha Lopes, Norberto
 Morais (em cima) e António Lopes (sentado) 
Adidos à 1ª. Companhia de Instrução, em Penude, estavam o Rui Praxedes, o Américo Ferreira, o Fernando Ribeiro, o João Pedro, o José Monteiro e o Fernando Rodrigues. Os restantes, à CCAÇ. aquartelada no CIOE, no centro da cidade - também instrutores, mas só em provas especiais.
As mobilizações, porém e por nós, só vieram a ser conhecidas no dia 7 de Dezembro do mesmo ano (1973), quando foram publicadas na Ordem de Serviço nº. 286, do CIOE.

«Rangers» no BCAV. 8423
e prisões em Luanda

Um ano depois e integrados na CCS do BCAV. 8423, o trio «Ranger» já estava em Angola e no Quitexe há 5 meses e depois de ter desembarcado em Luanda a 30 de Maio de 1974. Também dos «Rangers» e comandante do (nosso) PELREC, da CCS e no Quitexe, era o alferes miliciano António Manuel Garcia - que, vítima de acidente de viação, ao serviço da Polícia Judiciária, viria a falecer no dia 2 de Novembro de 1979.
O BCAV. 8423 incluía os também alferes milicianos «Rangers» Mário Jorge de Sousa (com o furriel Manuel Pinto, na 1ª. CCAV., a de Zalala), João Machado (com o furriel António Carlos Letras, da 2ª. CCAV., a de Aldeia Viçosa) e Augusto Rodrigues (com o furriel Armindo Reino, do curso seguinte, na 3ª. CCAV., a de Santa Isabel). 
O 17 de Novembro desse já distante ano de 1974 foi um domingo e nessa madrugada tinham sido presos dois empresários em Luanda, acusados de «sabotagem económica».  Foram enviados para a Lisboa e eram, alegadamente, responsáveis por «manobras neocolonialistas desenvolvidas nos últimos dias neste território de Angola».
A detenção e prisão foram anunciadas pelo almirante Rosa Coutinho, presidente da Junta Governativa, precisando que «isto tinha de ser feito, afim de evitar o agravamento da situação». Os detidos eram Corte Real (gerente da SOREL) e o dr. Fernandes Vieira (um «importante capitalista»), ambos ligados a associações económicas locais.
Última pagina do Diário de Lisboa de 17 de
 Novembro de 1975, sobre a «situação grave
 na Frente Sul» de Angola

Rota do Café, Ambriz
e Carmona

Um ano depois, era anunciado em Portugal que «toda a rota do café está na posse do MPLA», que, segundo o Diário de Lisboa, «ameaça agora o Ambriz e Carmona». A sul, «continua(va) a combater-se na linha defensiva montada nos morros de Pundo, próximo de Novo Redondo», cidade que «continua(va) controlada pelas FAPLA, que dominam também toda a região da Lunda». Mais a sul, porém, «Lobito, Benguela e Sá da Bandeira continua(va)m ocupadas pelos invasores» - subentendendo-se estes como sendo, na linguagem do MPLA, as forças da FNLA e UNITA, apoiadas por estrangeiros.
A Frente Sul continuava, como noticiava o Diário de Lisboa, «a apresentar-se como a mais grave para o MPLA, dado o potencial bélico utilizado elos invasores, que dispõem de numerosos helicópteros, aviões de transporte e blindados de origem sul africana».
Assim ia Angola, ao sétimo dia da independência! Há 41 anos!!!

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

3 582 - Contactos dispersos com a FNLA, 600 mortos nos combates do Caxito!

Cavaleiros do Norte da 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa: furriéis
milicianos José Fernando Melo, Mário Matos e três não militares 

identificados (de pé). Furriéis Abel Mourato (à esquerda) e NN (ao 
meio)  e alferes Capela? E o da direita, sentado? Quem são eles?

Cavaleiros do Norte da 3ª. CCAV. 8423, de Santa Isabel,
 na actualidade: os ex-furriéis milicianos António
 Flora, José Fernando Carvalho e Agostinho Belo

O mês de Novembro de 1974 foi tempo de alguns «contactos com as autoridades, por parte de elementos dispersos da FNLA, agora já nas categorias elevadas da sua chefatura». Contactos com os comandos do BCAV. 8423. Aos quatro dias, fora o (in)esperado encontro do PELREC com combatentes que aparentemente ainda desconheciam o acto revolucionário do 25 de Abril (e nunca saberemos se sabiam, ou não..., na altura dizendo-nos que não sabiam!) e também um encontro na Fazenda Santa Isabel.
Cavaleiros do Norte de Zalala, a 1ª. CCAV. 8423: os
 furriéis milicianos José A. Nascimento e Manuel Dinis Dias.
O Nascimento faz vida pelos Estados Unidos, para
onde emigrou há bastantes anos. O Dias faleceu a 20 de
 Outubro de 2011, em Lisboa e vítima de doença
A 16 do mesmo mês, hoje se fazem 42 anos, alguns quadros regionais do movimento de Holden Roberto foram recebidos pelo capitão José Paulo Falcão, então comandante interino do BCAV. 8423. O seu estado de saúde não nos permite saber pormenores deste encontro, na medida em que a suja memória os «arquivasse». Lamentavelmente, de tal está impossibilitado, retido no leito da sua casa em Coimbra. As melhoras para um Cavaleiro do Norte dos maiores!

Banditismo e não guerrilha

Angola, por essa data, vivia o problema de Cabinda - para onde se deslocara Rosa Coutinho, presidente da Junta Governativa, dando conta que «está a ser levada a cabo uma operação das Forças Armadas Portuguesas, para desalojar o grupo armado denominado da FLEC» - que numa posição militar estratégica, junto à fronteira com o Congo Brazzaville, tinha 15 reféns.
Rosa Coutinho tinha-se deslocado ao Enclave de Cabinda e considerava «inadmissíveis as exigências formuladas pela FLEC e os TE».
«E da responsabilidade das Forças Armadas Portuguesas manter a integridade do território durante o processo de independência», disse Rosa Coutinho, classificando de «actos de puro banditismo e não de guerrilha os incidentes de Cabinda».
Ao tempo, corria nos meios militares a versão de que o golpe fazia parte de um plano para «evitar uma efectiva independência de Angola», que teria, segundo o Diário de Lisboa, «a participação de mercenários e antigos elementos da ex-PIDE/DGS, ao que julga dirigidos por um ex-oficial francês».
Diário de Lisboa de 16 de Novembro de
 1975: «Há banditismo e não guerrilha
em Cabinda». titulava o jornal

600 mortos da FNLA

Um ano depois, o Diário de Lisboa reportava que «os invasores da FNLA, auxiliados por mercenários portugueses, tiveram de retirar ao longo de toda a linha Caxito/Barra do Dange/Libongos, situando-se agora o seu reduto no Ambriz onde estabeleceram fortes defesas».
«Depois das tentativas realizadas nos dias 7 e 10 de Novembro, para tomar Luanda, as forças atacantes foram totalmente rechaçadas pelas FAPLA, sofrendo 600 mortos e perdendo 8 blindados, para além de muito outro material de guerra», acrescentava o jornal vespertino de Lisboa, que eu, então, avidamente lia todos os fins de tarde, para saber novidades de Angola.
Um dos 600 mortos desses combates foi «o comandante do destacamento de blindados da FNLA, o mercenário português tenente Pais, ex-elemento da Força Aérea Portuguesa». Assim noticiava o Diário de Lisboa, na pena do jornalista Eugénio Alves, enviado especial a Angola.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

3 581 - Dois novos Cavaleiros do Norte e o primeiro Governo de Angola!

Cavaleiros do Norte da 2ª. CAV. 8423, a de Aldeia Viçosa, todos milicianos:
alferes Domingos Carvalho de Sousa e furriéis João António Piteira Brejo,
António Artur César Monteiro Guedes e Mário Augusto da Silva Matos 

O furriel José Maria Freitas Ferreira num
 momento de animação musical, em Aldeia
 Viçosa, na 2ª. CCAV. 8423

O mês de Novembro de 1974 - já lá vão 42 anos!!!... - foi tempo de chegada de dois novos Cavaleiros do Norte: o furriel miliciano Mário J. R. Soares, atirador de Cavalaria (destinado à 2ª. CCAV. 8423, a de Aldeia Viçosa e do capitão miliciano José Manuel Cruz ), e o soldado cozinheiro Carlos J. F. Gomes (para a CCS do capitão SGE António Martins de Oliveira, aquartelada no Quitexe). 
O Mário Soares, aparentemente, substituiu o também furriel miliciano José Maria Freitas Ferreira, atirador de Cavalaria que, vítima de um acidente em serviço, no decorrer de um patrulhamento, acabou por ser transferido para Luanda e reclassificado como amanuense. 
Manuel Neves Amaral, o Bolinhas (à direita), que hoje
 faz 64 anos em Penacova, aqui  acompanhado pelo
 filho e pelo furriel miliciano Jorge Barreto (de barbas e
 à esquerda), no encontro da Póvoa do Lanhoso, a
 14 de Novembro de 2015. Há um ano!
O acidente tinha ocorrido a 1 de Julho desse ano (1974), quando fazia um patrulhamento e o Unimog se despistou numa curva do Quibaxe, caindo por uma ravina. Bem alta. O condutor e o Freitas Ferreira rebolaram por ela abaixo, tendo este partido uma perna e clavículas. Reclassificado contra a sua vontade, foi para Luanda - onde acabou a comissão. Actualmente, é profissional da área da contabilidade, auditoria e consultadoria fiscal, morando em Costa (Guimarães). 
O cozinheiro Carlos Gomes passou-nos «despercebido» na CCS e dele não guardamos, infelizmente, qualquer memória - sendo certo que não regressou a Portugal com a Companhia. Não consta da lista publicada na respectiva Ordem de Serviço.
O dia foi também de calma, em Luanda, mas, em Cabinda (para onde partiu Rosa Coutinho) continuava o sequestro e ocupação de uma guarnição militar portuguesa, por antigos elementos, revoltosos, das Tropas Especiais (TE), organização que o Diário de Lisboa identificava como «organização intimamente ligada à FLEC». Receava-se pela vida dos 15 reféns e, daí, as dúvidas quando a uma intervenção militar.
Notícia do Diário de Lisboa de 15 de
Novembro de 1975: «Em Angola || Primei-
ro Governo de unidade popular»

O 1º. Governo 
de Angola

Um ano depois, com Angola já independente (desde o dia 11), era anunciado «o primeiro Governo de unidade popular». 
Era liderado pelo 1º. Ministro Lopo do Nascimento e incluía os ministros José Eduardo dos Santos (Negócios Estrangeiros), Iko Carreira (Defesa), David Aires Machado (Trabalho), Mário Afonso de Almeida (Saúde), António Jacinto (Educação), Diógenes Boavida (Justiça), Nito Alves (Administração Interna), Carlos Rocha Dilowa (Planeamento e Coordenação Económica), Maria da Conceição Vahekeny (Assuntos Sociais) e José Filipe Martins (Informação). E os Secretários de Estado Alberto Bento Ribeiro (Comunicações), Augusto Lopes Teixeira (Energia e Indústria), Saidy Mingas (Finanças), José Victor de Carvalho (Pescas) e Carlos Fernandes (Agricultura). A Obras Públicas, Habitação e Transportes ficaram sob responsabilidade do 1º. Ministro.

Situação militar

Os combates entre as forças do MPLA (as FAPLA) e as da FNLA (o ELNA) e a UNITA (as FALA) continuavam há 41 anos e, a 15 de Novembro, soube-se das primeiras notícias do «nosso» Uíge. 
«A ofensiva vitoriosa das FAPLA mantém-e Úcua, ponto estratégico situado a meio do caminho entre Luanda e Carmona, foi libertado e toda a chamada «rota do café» está sob controlo do braço armado do povo angolano», reportava o Diário de Lisboa.
AS FAPLA, ainda seguindo o DL de 15 de Novembro de 1975, «progrediram, assim, até 340 quilómetros de Luanda ameaçando os principais redutos da FNLA e preparando um «anel» que isolará Ambriz e preparará a queda de Carmona».
Estes 340 quilómetros parecem-nos exagerados: a terem esta progressão, tal significaria que as FAPLA já estariam na capital do Uíge. Ora, a distância da capital à agora cidade do Uíge (antiga Carmona) é de 286 quilómetros, como confirmámos AQUI.
A Frente de Nova Lisboa registava o reforço do cerco à cidade. «As FAPLA dominam Cela, onde destroçaram as forças da UNITA», noticiava o Diário de Lisboa, acrescentando que «esta manhã, em Luanda, foram apresentados, à imprensa nacional e estrangeira, mercenários e elementos do ELP».

22 anos do Bolinhas

A 15 de Novembro e ainda pelas terras uíjanas de Zalala, fez 22 anos o soldado atirador Manuel Neves Amaral, que a guarnição da 1ª. CCAV. 8423 popularizou como Bolinhas. Até aos dias de hoje.
Por lá, foi cozinheiro e/ou padeiro, imortalizando as suas apetências para estas duas áreas gastronómicas, tão importantes como eram para a malta do capitão miliciano Davide Castro Dias. 
Agora aposentado, goza as delícias deste tempo privilegiado de vida pelas bandas da sua natal Penacova - na Quinta dos Penedos - e é um bem disposto participante habitual dos encontros da 1ª. CCAV. 8423.
Parabéns!

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

3 580 - Tropas do MPLA e FNLA frente a frente, a 30 kms. de Luanda

Cavaleiros do Norte de Zalala, todos de transmissões: António Lago e
 Rogério Raposo (de pé), Fernando Coelho, 1º. cabos Hélio Rocha e
 Ãngelo Lourenço (cripto), José Aires e Carlos Costa (Carlitos)

Cavaleiros do Norte do PELREC no encontro do
 Pombal, a 1 de Junho de 1996: Francisco Neto (fur-
riel miliciano), Raúl Caixarias, Dionísio Baptista
(da Amora e que hoje faz 64 anos, na Suíça) e
 José Manuel Cordeiro





O dia 14 de Novembro de 1975 foi uma sexta-feira, o quarto da Angola independente: «Na região de Luanda, a situação parece manter-se estacionária. Os habitantes da capital não voltaram a ouvir, desde a independência, qualquer tiro de artilharia proveniente da Frente Nordeste (...). As tropas do MPLA e da FNLA encontram-se frente a frente, a um pouco mais de 30 quilómetros, a nordeste de Luanda», noticiava o Diário de Lisboa.
A missão (à esquerda) e a Igreja da
Santa Mãe de Deus do Quitexe
A sul da capital angolana, «notícias não confirmadas que circulam nos meios diplomáticos» davam conta de que uma coluna da FNLA e da UNITA «atingiu o cruzamento da estrada para a barragem de Cambambe, onde se situa a estação hidro-eléctrica que abastece Luanda». Coluna que talvez «tente avançar para o Dondo». 
Estava confirmada a entrada de 5 independentes (a indicar) no Governo, que afinal tinha Lopo de Nascimento como 1º. Ministro. Conhecidos, nesse dia, eram Iko Carreira (Defesa), José Eduardo dos Santos, o actual Presidente da República (Assuntos Exteriores, ou Negócios Estrangeiros, quando o nome mais falado era o de Mário Pinto de Andrade), João Filipe Martins (Informação, quando se esperava que fosse Rui Monteiro), Nito Alves (Administração Interna), Diógenes Boavida (Justiça), David Aires Machado (Trabalho) e Carlos Rocha «Dilolwa» (Planeamento e Coordenação Económica).
Lúcio Lara em Luanda e no Diário de Lisboa
 de 14 de Novembro de 1975: «Cabinda é
 parte integrante de Angola» 
Um ano antes e pelas bandas do Quitexe uíjano (e Zalala, Aldeia Viçosa e Santa Isabel, Luísa Maria e Vista Alegre/Ponte do Dange) tudo seguia na paz dos anjos. De Luanda. chegavam notícias do MPLA, na voz de Lúcio Lara, chefe da Delegação, considerando Cabinda «parte integrante do território de Angola». E de «repúdio enérgico» pelas então «perturbações recentes» na capital - declinando, porém, responsabilidades do seu movimento, embora admitisse que «muitos dos responsáveis tivessem braçadeiras do MPLA» e também acreditasse que «alguns deles fossem simpatizantes».
Criticou a facção rival, chefiada por Daniel Chipenda, acusando-a de «ser responsável pelas perturbações na região de Salazar/Malange, onde grupos armados com as braçadeiras do MPLA têm vindo a criar complicações à ordem pública, apesar do cessar-fogo assinado por Agostinho Neto».
«Chipenda deve ser considerado responsável pelo caminho que escolheu», disse Lúcio Lara, sobre a posição da Facção, relativamente ao MPLA.
O dia, pelo Quitexe, foi de anos, os 22!!!..., de Dionísio Cândido Marques Baptista, soldado atirador de Cavalaria do PELREC. Hoje, festeja 64, está emigrado na Suíça e tem residência na Amora, no Seixal. Parabéns!

domingo, 13 de novembro de 2016

3 579 - Mortos (50) e feridos em Luanda, calma na ZA dos Cavaleiros

Cavaleiros do Norte em momento de pose para o futuro. De pé, reconhe-
ce-se o António Cabrita - o primeiro do lado direito. E os outros? Em baixo,
os 1ºs. cabos Fernando Grácio e Manuel Marques (?, o Carpinteiro),
 António Calçada, NN e 1º. cabo Luciano Borges

O capitão José Paulo Falcão (ao centro) na va-
randa do edifício do Comando do BC12, em Car-

mona. Ladeado pelo alferes João Machado (à
 esquerda) e capitão José Diogo Themudo
O capitão José Paulo Falcão, enquanto comandante interino do BCAV. 8423, reuniu a 13 de Novembro de 1974 no Comando do Sector do Uíge (CSU), com outras unidades do Sector e para «estabelecer contactos operacionais».
A reunião foi em Carmona e no Quitexe, no mesmo dia, uma quarta-feira e «na continuação do programa traçado», realizou-se mais um encontro da Comissão Local de Contra-Subversão - que se repetiria a 29.
A vila que aquartelava os Cavaleiros do Norte andava na «paz dos anjos» e a guarnição matava saudades dos seus chãos e famílias pelos bares e restaurantes: o Rocha, o Pacheco, o Topete (na imagem).
O bar e restaurante Topete, na avenida do Quitexe
(ou Rua de Baixo). Reparem nos candeeiros
Angola, por esse tempo, procurava o caminho do futuro, o Uíge estava tranquilo mas o mesmo não acontecia em outras regiões. Luanda, por exemplo, refazia-se de «dois dias de tiros, facadas e fogos postos, em que encontraram a morte mais de 50 pessoas e ficaram feridas mais de 100». A madrugada da véspera fora de«trajadas de tiros nos subúrbios».
Os camionistas cessaram «a greve de protesto contra os assaltos e tiros, na estrada principal que liga Luanda ao Dondo» - com garantia de patrulhamento militar.
Notícia sobre Angola no Diário de
Lisboa de 13 de Novembro de 1975
Um grupo de soldados negros, que tinham sido das tropas especiais portuguesas, em Cabinda, mantinha 39 reféns numa posição fortificada sobranceira à fronteira com o Congo-Brazzaville. Estas tropas, referia o DL, eram «aparentadas da FLEC, movimento que procura a total autonomia daquele enclave, muito rico em petróleo» e que apresentou «uma lista de exigências para os libertar», que o Governador Lopes Vale, português, disse «não poder aceitar», por ultrapassarem as suas competências. As tropas portugueses tinham a posição cercada mas não intervieram  por causa da segurança dos 39 reféns. O MPLA não podia andar armado fora das suas áreas controladas e não era o caso.
A UNITA, na véspera e na cidade do Lobito, referindo-se à comunidade branca de origem portuguesa, garantiu que «deve estar absolutamente calma pois, a UNITA assegurar-lhe-á protecção». «É por este princípio que a UNITA está disposta a combater», assegurou Jorge Valentim, que era chefe da Delegação do movimento de Jonas Savimbi naquela cidade do litoral angolano e considerado a segunda personalidade do «Galo Negro», depois do presidente.
Um ano depois e ao terceiro dia da independência de Angola, era dada como «praticamente certa» a participação de independentes no Governo do MPLA, nomeadamente de elementos que tinham integrado a primeira Junta Governativa de Angola, liderada pelo Almirante Rosa Coutinho.
As chamadas «áreas libertadas» pelo MPLA estavam todas calmas e o jornalista Eugénio Alves, no DL, reportava que todas elas «com a população empenhando-se em tarefas de produção e as crianças regressando às aulas».

sábado, 12 de novembro de 2016

3 578 - O segundo dia do país novo, a Angola independente!

Cavaleiros do Norte da CCS na parada do Quitexe.  Atrás, de pé, José Rebelo (?), Wilson Moreira (?),
furriéis Mosteias /de cabelo rapado), Neto (de bigode), José Pires e Rocha (de boina), dra. Graciete
Hermida, NN, alferes Hermida (de bigode e quico) e... Os três últimos da direita são os 1ºs. cabos Pires
(Fecho-eclair, mais atrás), Oliveira (de boina e braços esticados) e o Couto Soares (de quico). Na segunda fila,
Madaleno, um sapador (?), Luciano, Silva (rádio-montador) , 1ºs. cabos Coelho (Buraquinho)  e Gomes (à
 civil) e... quemos identifica? À frente, 1º. cabo Florindo (de pernas para a frente) e Costa (?, rádio-telegra-
fista), NN, Cabrita, NN, furriel Cândido Pires e... quem é? Quem ajuda a identificar os não identificados?
Os furriéis milicianos José Louro (à esquerda) e
 Manuel Dias, ladeando um outro furriel, angolano e de
 nome já esquecido, numa picada perto de Zalala

O dia 12 Novembro de 1975, por terras de Angola, foi de euforia, pela anunciada e proclamada independência. Era 4ª.-feira e a imprensa portuguesa, muito naturalmente, deu grande destaque ao memorável momento da história angolana. «Angola no top mundial || Governo MPLA talvez amanhã ||| Lúcio Lara 1º. Ministro ||| Mário de Andrade provável nos Negócios Estrangeiros», antetitulava, titulava e subtitulava o Diário de Lisboa.
Angola em 1975, três altos dirigentes: José
Eduardo dos Santos (o actual Presidente da

 República) , Lúcio Lara e Agostinho Neto 
O Comité Central do MPLA preparava o «primeiro Governo a Angola independente», que seria «anunciado amanhã ou depois». Falava-se de vários nomes: Lúcio Lara (1º. Ministro), Garcia Neto e Lopo do Nascimento (Negócios Estrangeiros), Iko Carreira (Defesa), Carlos Rocha (Coordenação Económica), David Bernardino (Saúde) e Rui Monteiro (Informação). 
Úcua, em Dezembro de 2012, em foto do «zalala»
 Carlos Ferreira, 1º. cabo. Há 41 anos e aqui,

 continuava a luta armada entre MPLA e FNLA, 
ao segundo dia da Angola independente 
Continuavam combates, em várias frentes, ou como, escrevia o Diário de Lisboa, «onde a luta nunca cessou». Em Cabinda «regista(va)-se o rechaçar de mais um tentativa agressora da FLEC, que teve de bater em retirada». A sul, «a situação mantém-se indecisa» e combatia-se em Balabaia, a sul de Novo Redondo. Toda a frente estava a «ser reforçada pelas FAPLA, no intuito de se oporem ao avanço das forças reaccionárias».
A primeira página do Diário de Lisboa de 12 de Novem-
bro de 1975: «Governo do MPLA talvez amanhã»
A Frente Norte - a que mais «interessava» aos Cavaleiros do Norte, já então com dois meses de Portugal, depois  do regresso... -, registava «avanço das FAPLA na chamada «rota do café», tendo tomado Porto Piri, Úcua e Quibaxe». A caminho das terras do Uíge - Ponte do Dange, Vista Alegre, Aldeia Viçosa, Quitexe e Carmona -,  de onde tínhamos saído três meses antes. 
A independência de Angola (a do MPLA) já estava reconhecida por 17 países: Brasil (o primeiro), União Soviética, Cuba, República Popular do Congo,  Moçambique, Guiné-Bissau, S. Tomé e Príncipe (três ex-colónias portuguesas), Guiné-Conakri, Mauritânia, Hungria e República Alemã, Mali, Jugoslávia e Etiópia, Checolováquia, Bulgária e Roménia.
O Diário de Lisboa precisava que «nenhum país da Europa capitalista, incluindo os escandinavos, anunciou até agora o reconhecimento do jovem república africana, seguindo, assim, a linha dos Estados Unidos, que preconizam o não reconhecimento até uma reconciliação (impossível) entre os três movimentos».
Quanto aos países africanos, o mesmo Diário de Lisboa reportava que o seu silêncio se devia «a pressões do bloco capitalista da CEE», por um lado, e, por outro, «às manobras divisionistas da República Popular da China que, face à derrota evidente do seu «protegido», a FNLA, recusa o reconhecimento da República Popular de Angola».
Relativamente às proclamações de «independência fantoche» da FNLA e da UNITA, não tinham sido reconhecidas «por qualquer país».

Portugal, ao tempo, não reconheceu qualquer delas e a Assembleia Constituinte, a 11 de Novembro de 1975, consagrou o tempo de antes da ordem do dia à independência de Angola, com intervenções de Mota Pinto (PSD), Sá Machado (CDS), Bento Azevedo (PS), Galvão de Melo (independente, próximo do CDS) e Vital Moreira (PCP).

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

3 577 - As três proclamações de independência do país Angola!

A declaração do MPLA, em Luanda. «Diante de África e do mundo,
proclamo a independência de Angola», disse o presidente Agostinho Neto

A independência de Angola foi proclamada em dose tripla mas unilateral: uma em Luanda, pelo MPLA (a que viria a «vingar), outra no Ambriz, não muito longe (a da FNLA) e uma outra em Nova Lisboa (a da UNITA).
A declaração do MPLA ocorreu uma hora antes (às 23,10) da protocolada (zero horas do dia 11) e no estádio 1º. de Maio, em Luanda. Chegou a Portugal em directo e ouvia-a através da RDP. 
«Diante de África e do mundo, proclamo a independência de Angola», disse o presidente Agostinho Neto, num discurso que pode ser ouvido através do link abaixo indicado. 
O Diário de Lisboa, na reportagem  sobre o histórico acontecimento, noticiou que «um combatente do «4 de Fevereiro» e um pioneiro do MPLA fizeram subir à meia noite, no mastro de honra, a nova bandeira de Angola».
Diário de Lisboa de 11 de Novem
bro de 1975 (1ª. página) 
«A euforia que se apossou de Luanda repercutiu-se por todas as zonas já completamente libertadas pelo MPLA, onde o povo, portanto, pode dar, sem medo, vazão à sua alegria», reportava o Diário de Lisboa
O Ambriz, não muito longe de Luanda, foi cenário da declaração de independência da República Popular e Democrática de Angola, a da FNLA do presidente Holden Roberto. 
A antiga Nova Lisboa (Huambo) foi o espaço da proclamação de independência da UNITA, o movimento liderado por Jonas Savimbi - que não estava lá. Estavam Miguel N’Zau Puna, José N’Dele e Jerónimo Wang. Mas ambas as proclamações não foram consideradas oficiais.
Horas antes da proclamação da independência, «as forças do MPLA rechaçaram uma nova ofensiva», lançada na manhã da véspera, em Cabinda, segundo a ANOP, precisando que «os invasores sofreram pesadas baixas, em homens e material (...), muitos prisioneiros e capturado grande quantidade de espingardas automáticas G3» e também «destruídos blindados estrangeiros». Os atacantes fugiram para o Zaire.
Próximo de Luanda, no Quinfandongo, «a luta não cessou durante todo o dia e noite de ontem». Na mesma hora em que, em Luanda, se festejava a independência, «forças das FAPLA combatiam os mercenários da FNLA, em luta que chegou a travar-se corpo a corpo».
- O discurso de Agostinho
Neto, ver AQUI, no youtube
- A notícia do Diário de
Lisboa, AQUI e AQUI