domingo, 3 de julho de 2016

3 446 - Comandante em Vista Alegre e críticas da FNLA e da população de Carmona

O antigo quartel de Vista Alegre, em foto  recente (da net). Aqui 
esteve a 1ª. CCAV. 8423, entre 21 de Novembro de 1974 (substituindo 
a CCAÇ. 4145) e 24 de Abril de 1975, quando rodou para o Songo

Cavaleiros do Norte de Zalala. mas já
em Vista Alegre: furriel miliciano Plácido
Queirós e 1º. cabo Carlos Alberto Ferreira
A 3 de Julho de 1974, uma quarta-feira de há precisamente 42 anos, o comandante Carlos Almeida e Brito esteve em Vista Alegre, no âmbito das suas competências operacionais e porque a 3ª. Companhia da PSPA/GR ali estava aquartelada e operacionalmente dependente do BCAV. 8423. Assim como a CCAÇ. 4145 - que de lá saiu a 21 de Novembro de 1974, substituída pela 1ª. CCAV. 8423, os Cavaleiros do Norte de Zalala, que ali estiveram até 24 de Abril de 1975, data em que rodaram para o Songo.
O furriel miliciano José Nascimento, à civil e
de arma na mão, com o comandante
Domingos Pascoal, da FNLA e em Vistas Alegre
A visita de trabalho foi acompanhada por oficiais do Comando do Batalhão de Cavalaria 8423, aquartelado no Quitexe, no mesmo dia em que se soube que a Ngwizako (uma associação de congoleses de expressão portuguesa) reivindicou a sua «participação nas conversações com o Governo Português para a independência de Angola».
O documento era assinado por Miguel Kialenguela, morador num dos bairros da cidade de Luanda, que se afirmava bisneto de D. Afonso Mvemba Zimba, que tinha sido rei do Congo. Lembrava que o território de Angola era formado por antigos reinos africanos do Congo (Matamba e N´Gola) e que as terras do antigo Reino do Congo tinham sido dividias pela Conferência de Berlim, em 1885 e a favor da França, da Bélgica e de Portugal.
«A tese da Ngwizako implicaria  radicais alterações na geografia política na República do Zaira e no Congo Brazaville, cujos territórios pertencem igualmente ao antigo Reino do Congo, desmembrado pelo Acordo de Berlim», reportava o Diário de Lisboa desse dia 3 de Julho de 1974. Como hoje se sabe, tal tese não teve grande desenvolvimento.
Um ano depois e um mês após os trágicos combates de Carmona, a cidade continuava em situação minimamente tranquila mas com «as preocupações vividas do antecedente», como sublinha o Livro da UnidadeOs Cavaleiros do Norte patrulhavam a cidade e as vias de acesso, nalguns casos com as Forças Militares Mistas, mas alvo permanente da «crítica das populações brancas», que, e continuamos a citar o Livro da Unidade, «se sentem marginalizadas e sem receberem quaisquer apoios ou segurança daqueles que ainda são, como afirmam, os lídimos representantes da autoridade portuguesa». 
Os Cavaleiros do Norte operacionais, os que noite e dia, 24 horas sobre 24 horas, davam o corpo ao manifesto em favor da segurança da cidade, das populações e dos seus patrimónios, bem sentiram na pele - e na alma!!!! - o efeito dessas críticas e acusações e ofensas gratuitas..., de que foram alvo nesses tempos de incertezas que dominavam a vida uíjana. Tempos em que a pressão da FNLA era intensa e imoderada.
O Livro da Unidade, escrito pelo comandante Almeida e Brito, refere mesmo que as NT foram «perigosamente alvo das queixas e ataques da FNLA, nomeadamente reivindicando os desequilíbrios de outros locais». Tempos nada fáceis para para a guarnição.

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